Fãs de K-pop se engajam no ativismo climático

Solidariedade leva alívio a vítimas de chuvas extremas na Indonésia, que já superou a marca de 200 desastres ambientais só em 2021

O K-pop entrou de vez para as playlists nos últimos anos, não só na Ásia Oriental, mas também nos países ocidentais, conquistando milhares de fãs – os chamados k-poppers. Com coreografias animadas e letras descontraídas, o estilo está longe de ser militante, mas o mesmo não se pode dizer dos fãs, que têm demonstrado cada vez mais solidariedade e conscientização política. Eles já se mobilizaram contra o discurso de campanha de Donald Trump em Tulsa, arrecadaram fundos para a campanha #BlackLivesMatter e protestaram pela democracia na Tailândia.

Na Indonésia, 16 fã-clubes de K-pop participaram de uma captação de recursos na última semana para ajudar vítimas de eventos climáticos extremos no país. Eles arrecadaram US $100 mil em poucos dias, de acordo com Kitabisa, uma plataforma de doação online da Indonésia. Considerando que o salário mínimo da Indonésia é de cerca de US $300 dólares por mês e que o valor mínimo de doação era de Rp 1.000 (US $0,071), a escala e a velocidade da campanha de arrecadação chamam a atenção. Os fãs estão deixando comentários na página de doação em nome de seus artistas favoritos, dizendo que desejam às vítimas uma rápida recuperação e que não haja mais desastres no país.

O ativismo climático dos K-poppers foi notado pela primeira vez a partir do “Kpop4Planet”, uma campanha online para justiça climática que é liderada pelos fãs do estilo. A campanha foca na conscientização sobre a crise climática e estimula os participantes a tomar medidas. Nurul Sarifah, organizadora do Kpop4Planet, vê a ação como um movimento coletivo. “Para evitar os impactos da mudança climática no futuro, precisamos fazer ações climáticas agora”, defende.

No campo da justiça climática, a base de fãs na Indonésia tem sido uma das mais ativas. Eles se manifestaram contra o desmatamento indonésio, plantaram várias florestas em homenagem a suas celebridades e já tinham financiado anteriormente apoio a vítimas de desastres naturais, como o terremoto de Lombok de 2018.

Arendeelle (que não quis dar seu nome verdadeiro) administra o Elf Indonésia Com, um fã-clube da popular boyband Super Junior. O Elf já se juntou a vários esforços de doação para afetados por desastres naturais, como o tsunami de Palu de 2018 e a erupção de Bali de 2017. Arendeelle diz que os fãs foram inspirados pela doação dos ídolos e pela valorização do trabalho voluntário e usa como exemplo o membro da banda Siwon Choi, que se tornou embaixador da UNICEF. “Já estamos promovendo redução, reutilização e reciclagem nas atividades de base do fã-clube e sempre rezamos para que não haja desastres na Indonésia, mas até onde sei não podemos evitar o clima extremo”, lamenta

Indonésia: 200 desastres naturais só em 2021

Este ano, a Indonésia já sofreu mais de 200 desastres naturais, de acordo com o Conselho Nacional Indonésio de Gestão de Desastres (BNPB). Estes eventos têm sobrecarregado uma nação que se debate com o aumento dos casos de COVID-19.

Janeiro é a estação de pico de chuvas na Indonésia, mas este ano tem visto tempestades muito mais intensas do que a média, com inundações e danos generalizados – especialmente no sul de Kalimantan, onde foram descritas pelo presidente indonésio Joko Widodo como “as piores inundações dos últimos 50 anos na região”. Mais de 60 mil pessoas foram desalojadas e ao menos 21 pessoas morreram na última contagem oficial.

A Indonésia também é conhecida por seus frequentes terremotos. Em 15 de janeiro, a ilha de Sulawesi foi atingida por um terremoto de 6,2 graus de magnitude, que desalojou mais de 30 mil pessoas e resultou em 91 mortes. As autoridades de gestão de desastres dizem que já registraram 54 terremotos em janeiro de 2021, superando o recorde de janeiro passado.

Desde setembro de 2020, a Agência Nacional de Meteorologia, Climatologia, Geofísica da Indonésia (BMKG) alerta para o potencial de eventos climáticos extremos em todo o país devido ao aquecimento global. A agência também apontou que houve um aumento da temperatura na Indonésia nos últimos 30 anos de 0,1 para 1,0 graus Celsius. Parece pequeno, mas o impacto pode ser severo, explica a agência.

Grupos ambientalistas argumentam que o impacto dos desastres é exacerbado pelo desmatamento, que está relacionado à produção de carvão e de óleo de palma. Na semana passada, Dwi Korita, presidente da BMKG, reforçou essa percepção: “As chuvas extremas de janeiro a março serão mais desastrosas nos locais ambientalmente degradados”.

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