
Passei parte de ontem acompanhando os bizarros acontecimentos na Rússia com o estranho motim (no melhor estilo “The Flash) de Yevgeny Prigozhin e seu pequeno exército de mercenários. A coisa que parecia iria implodir o governo de Vladimir Putin, abrir um flanco estratégico contra a China, e interromper a guerra na Ucrânia acabou terminando tão rápido quando começou.
Ao longo das horas em que o motim de Prigozhin também foram marcadas por uma cobertura midiática que mais parecia coisa de torcida de futebol, pois a sucessão das mesmas imagens serviu para que todas as previsões mais otimistas dos serviços de inteligência ocidentais contra o governo Putin ganhassem ar de informação jornalística.
O fim do motim foi como uma espécie de água fria na mídia global que torcia pela derrocada de Putin, mas teve uma continuação na forma de comentaristas que apostam no enfraquecimento inevitável do presidente russo.
Como alguém que lê também sites jornalísticos da Rússia todos os dias, acabei ficando sem uma opinião formada sobre o que realmente aconteceu, e das razões pelas quais começou e terminou o seu levante de vida curta. A única que notei foi a disposição do governo Putin de “passar o rodo” em Prigozhin e seus mercenários. Porque o rodo acabou não sendo passado, não se saberá imediatamente. Por outro lado, a ideia de que os mercenários de Prigozhin poderiam entrar e tomar Moscou só sobrevive no campo dos sonhos ocidentais.
A única certeza é que o governo de Vladimir Putin sobreviveu e Prigozhin vai ter que exilar na Bielo Rússia, onde terá que, à primeira vista, continuar vigiar as suas costas, laterais e dianteiras. É que se o levante foi real (algo que pode ser que não tenha sido), Putin não é conhecido por perdoar aqueles que se colocam no seu caminho ou afrontam o seu poder.
Em relação à guerra na Ucrânia, tendo lido o que Prigozhin e Putin declararam após o encerramento do motim, minha previsão é que a postura russa tenderá a se tornar mais dura e sangrenta. É que vencido o motim, agora restará ao alto comando russo mostrar que Prigozhin está errado em suas considerações sobre a efetividade das forças armadas russas.