
Por Douglas Barreto da Mata
Durante muitos anos, a destruição do ambiente, resultante da ação humana na Terra, foi considerada um efeito colateral.
Com o advento do Capitalismo essa destruição alcançou níveis tais que, todos os períodos anteriores somados não conseguem se equiparar ao lapso de tempo após a Revolução Industrial e a atualidade.
Fica claro que este modelo econômico está na causa da destruição do planeta.
Os céticos, ou negacionistas dizem que não há motivos para reclamar, porque, dentre outros benefícios, as mudanças trazidas pelo Capitalismo também tenham conferido um nível médio de expectativa de vida jamais visto.
Outra falácia estatística.
Assim como dizer que a renda média per capita do mundo aumentou.
Ora, se juntarmos a qualidade de vida dos mais ricos e suas rendas concentradas e dividirmos por todos os habitantes, claro, teremos uma média superior aos períodos anteriores, principalmente no tempo médio de vida.
O que os números não dizem é que há uma brutal e abissal diferença entre ricos e pobres, que coloca esses últimos em níveis da Revolução Industrial, com vida média de 40, 50 anos e renda que só fica um pouco acima dos escravos recém-libertos no século XIX.
A média subiu porque nunca se gerou tanta riqueza no mundo, mas, ao mesmo tempo, nunca se concentrou tanto essa riqueza.
Em outras palavras: os ricos elevam a média, e deixam os pobres cada vez mais longe dela.
Dito isso, não restou quase nada para o Capitalismo expropriar, e o dinheiro acumulado em montanhas de juros, que no jargão marxiano se chama de “capital poça” ou “capital água parada”, começa a cheirar pior.
Há pouco trabalho, há pouca renda, e muito dinheiro nos fundos.
O Capitalismo e seus capitalistas, engenhosos que são, partem para uma nova fronteira:
– O Capitalismo Apocalíptico, operado pelos Oligopólios do Desastre.
Faz algum tempo que uma comichão me incomoda.
A repetição de desastres ambientais provocados por “negligência gananciosa” dos capitalistas e suas empresas, levando porções enormes de territórios ao colapso, com a expulsão de milhares ou milhões de pessoas, a inutilização destas enormes glebas de terra, e a necessidade de muito dinheiro (geralmente público) para tentativas de recuperação desses ambientes degradados.
A narrativa do Capitalismo para os resultados dos danos ambientais sempre foram mais ou menos assim:
Ou dividem a conta conosco, dizendo que a preservação requer uma consciência individual, naquelas propagandas cretinas do Grupo Globo, Itaú, ONGs e etc.
E por outro lado, dizendo que é o preço inevitável do progresso, como disseram, por exemplo, no caso do Açu.
Mal ou bem, esse discurso dava conta de sossegar os ânimos, e colocar tudo como passivo para reparação, que nunca vinha, e quando vinha, é claro, sempre será insuficiente.
Essa lógica me pôs a pensar.
E se for mais que isso?
Eu temo se seja.
No recente caso da Braskem há suspeitas de que um novo modelo econômico se inaugura.
Explico:
Alguns estudiosos do caso e lideranças dos atingidos indicam que a empresa que afundou uma parte valiosa da Maceió, vai ser a grande beneficiada economicamente com o sinistro.
Cada morador que receberá uma indenização baseada em valores muito depreciados, justamente por causa dos danos causados por quem lhe indeniza, entregando assim um imóvel à empresa, que nada fez para recuperar o solo, mas o fará agora que é dona do bairro todo.
Resultado:
Gastará um pouco e mais um nada para obter um território caríssimo na capital alagoana, que depois de incorporado, será vendido novamente a preços exorbitantes.
O mesmo pode acontecer com o caso SAMARCO, com o AÇU o pessoal do V Distrito, só para citar alguns casos que conhecemos.
Desse modo, empresas agem com causadoras de impactos ambientais de tal monte que permitem a obtenção de terras a preços que justifiquem a reparação, mas só depois que os atingidos, os antigos donos, venderam as terras a preços desvalorizados pelos desastres ambientais.
Como OLIGOPÓLIOS DO DESASTRE, a serviço do CAPITALISMO APOCALÍPTICO, essas empresas dominam toda a cadeia do “empreendimento”, desde a atividade propriamente dita, seja mineradora, portuária, etc, passando pela imposição de degradações que tornem as terras ocupadas inservíveis aos moradores, pressionando os orçamentos públicos para auxiliarem na reparação, e depois, adquirindo e revendendo essas terras por enormes margens de lucro.
Setores extrativistas, latifúndio, logística e fundos financeiros podem ser chamados de 4 Cavaleiros da Destruição, todos trombeteando o Capitalismo Apocalíptico!
Essa é a nova cara do progresso!