As prisões dos supostos mandantes das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes vão mexer muitas pedras no xadrez da política fluminense

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A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados no dia 9 de março de 2018 alegadamente sob ordens de Chiquinho e Domingos Brazão e do delegado Rivaldo Barbosa
Ainda que não sejam totalmente inesperadas desde a homologação da deleção do ex-policial Ronnie Lessa, as prisões do deputado federal Chiquinho Brazão e do seu irmão, ex-deputado estadual e atual conselheiro do Tribunal de contas Domingos Brazão e do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Rivaldo Barbosa deverão mexer com a política fluminense de forma profunda.
É que apesar de não ser surpresa, essas prisões mostram uma conexão ainda mais visível entre grupos criminosos (no caso as milícias que operam em Rio das Pedras de onde saem os votos da família Brazão), diferentes instâncias do Estado, e ainda da própria polícia.
Que o Rio de Janeiro vem sendo partilhado por grupos criminosos e que estes mesmos grupos estejam ocupando postos dentro das diferentes esferas do Estado tampouco é surpresa. O que é diferente nesse caso é que dada uma conjunção específica de fatos foi possível chegar não apenas aos matadores (o que é o mais comum), mas também aos mandantes.
Como as notícias que estão surgindo é possível que mais gente graúda seja envolvida nas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes, até porque as engrenagens que movem as pedras da política fluminense não param na família Brazão e seus correligionários Aliás, há que se lembrar que quem nomeou Rivaldo Barbosa para o posto de chefe de Polícia Civil no dia 08 de março de 2018 (um dia antes dos assassinatos) foi o General Braga Neto, que então estava na condição de interventor federal no Rio de Janeiro.

Por outro lado, já tem gente perguntando como é que um chefe de polícia recém nomeado cometeria uma fraude tão grande em um caso de repercussão internacional sem a anuência do secretário de segurança, que na época era Richard Fernandez Nunes, e do interventor militar que acabara de nomear secretário e chefe da polícia civil. Essa é uma excelente e pertinente pergunta que ainda não vi aparecer em qualquer comentarista da mídia corporativa.
Com isso, eu não me surpreenderia se mais cabeças rolaram ou que alianças para as próximas eleições sejam repentinamente desfeitas. É que ninguém vai ficar exposto como estando aliado ou envolvido com quem esteve diretamente envolvido nas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes.

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