O PT de Campos e suas possibilidades em 2024

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Por Douglas Barreto da Mata

Ninguém entra em uma campanha pensando em derrota. O Professor Jefferson não seria diferente. No entanto, cada candidato, cada coordenação de campanha e direções tendem a adequar o otimismo e o vigor, necessários para um bom trabalho eleitoral, com uma visão pragmática da realidade e dos cenários futuros.

Sim, a luta política do PT em Campos dos Goytacazes não se encerra em 2024, porém, a adoção de táticas e estratégias bem elaboradas podem transformar as perspectivas do partido na cidade e na região. 2024 é 2026, venho dizendo. Assim como digo sempre que, em 2026, poucas forças políticas vão ficar de pé, ou com forças suficientes para influir no jogo.

O PT de Campos dos Goytacazes é, mais uma vez, um elemento importante dessa equação, porque se localiza no epicentro, mais uma vez, da disputa de grandes dinastias políticas, agora o grupo do Prefeito Wladimir Garotinho e do Presidente da ALERJ, Rodrigo Bacellar.

Estes dois grupos sabem que suas sobrevivências políticas em 2026, e dali por diante, dependerão (muito) dos acordos e alianças feitas agora, em 2024.

O que o PT poderá fazer?  É uma pergunta difícil, mas há sinais claros do que o PT não deve fazer.

Os dados das pesquisas eleitorais recentes mostram que o Prefeito Wladimir está sedimentado em uma parcela grande do eleitorado, e apesar da campanha não ter começado, de direito, ainda, o fato é que nas redes sociais há uma intensa disputa, somada às recentes intervenções do grupo do Presidente da ALERJ na região, com direito à caravana com o Governador.

Tudo isso não movimentou muito as intenções de voto, e o Prefeito segue como um fenômeno atípico: as intenções de voto estimuladas quase igualam as de caráter espontâneo nas pesquisas.

Outro fator importante a ser analisado é a diminuta rejeição do Prefeito, apesar de já estar “na chuva” há três anos, e mais, o prefeito construiu, na sua curta carreira, um nome próprio, que ao mesmo se aproveita do “recall” dos pais, mas com atitude independente, sem, no entanto, igualar a inclinação ao conflito do pai.

Resumindo, parece difícil ao PT, ou a qualquer outra força política concorrente capturar votos do Prefeito.  O que resta então?

Um campo de eleitores que não votaria em ninguém, seja por abstenção, ou por votos brancos e nulos, uma parcela de anti garotistas ferrenhos, outros tantos indecisos, ou historicamente eleitores da esquerda.

É uma faixa pequena, mas que para o PT pode fazer toda diferença, já que um desempenho de 10%, ou algo próximo, pode fazer a legenda ter dois vereadores, e um nome viável para as eleições estaduais de 2026, que seria o próprio Jefferson.

Se tirar votos do Prefeito é tarefa pouco provável, até para a campanha mais estruturada da Delegada Madeleine, apoiada pelo “canhão” da Alerj e do Governo do Estado, como o PT poderá construir seu capital eleitoral?

Note que a Delegada ficou restrita a um campo ultra evangélico de extrema-direita, pelo menos é essa a mensagem refletida na sua postura “messiânica” recente, do tipo “Varoa Templária”.

Em que campo o PT poderia prosperar?  O de sempre, e que, infelizmente, foi esquecido nos últimos tempos: o campo da esquerda, levar a eleição para uma polarização com a extrema-direita, representada pela Delegada Madeleine.

É consenso, que não há como ganhar votos (só) criticando a administração atual, já que uma enorme parcela do eleitorado já vem dizendo que mesmo com problemas, o que hoje está aí é muito melhor que o desastre Rafael Diniz, cujos efeitos da péssima administração ainda não foram esquecidos, inclusive pelo ótimo trabalho de marketing da equipe do Prefeito.

Críticas ao transporte público, a saúde, etc têm algum apelo, mas não têm revertido em votos.

No entanto, como os petistas mesmo chegaram a afirmar, há um montante de votos conferidos a Lula no segundo turno de 2022 que demonstram que a mensagem anti extrema-direita, aqui refletida na campanha da Delegada, pode trazer alguns frutos.

Os especialistas, em sua maioria, aconselham a não nacionalizar as campanhas municipais, salvo exceções, que parece ser o caso de Campos dos Goytacazes: o tamanho do eleitorado (quanto maior a cidade, maior a chance de polarização nacionalizada).

A impossibilidade fática de atacar uma administração e um prefeito super bem avaliados, apesar dos problemas da cidade (o que mostra o quanto o trabalho de convencimento foi bem feito, e será difícil de reverter em 2 meses).

Sendo assim, o PT campista deveria, em meu raso entender, tentar tirar votos de onde é possível, por mais paradoxal que seja, da extrema-direita.

Para quem acha isso impossível, é bom lembrar que todas as sondagens nacionais mostram um nível de “confusão convergente” entre parte do eleitorado de Lula e de Bolsonaro.

Querem prova disso?  A última determinação do PL em “purificar” suas alianças proibindo a aproximação com PT, PDT, PC do B, PSB, etc.

O PL e os Bolsonaro já enxergaram nessa eleição municipal o perigo de diluição do apelo do extremismo pelo pragmatismo eleitoral das lideranças regionais e locais, e do próprio eleitor.

Temem, por assim dizer, que sejam engolidos pelas exigências da realidade, já que boa parte dos eleitores de Lula se aproxima da pauta conservadora de costumes do bolsonarismo.

É hora do PT campista elaborar uma agenda de enfrentamento da extrema-direita, representada pela Delegada Madeleine, ao mesmo tempo que estabelece uma ponte futura para dialogar com as forças de centro, representado em Wladimir e seu arco de aliados mais moderados, impedindo o avanço dos radicalismos, que intoxicam qualquer ambiente político.

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