
Por Douglas Barreto da Mata
O PT de Campos dos Goytacazes encaminha, ao que tudo indica, uma das campanhas mais vergonhosas da sua história, que já não é lá grande coisa. É indisfarçável a inclinação dos petistas a servirem de muleta da candidata delegada, em uma estranha simbiose com a extrema-direita. Pois bem, quem não escuta cuidado, escuta coitado.
É o caso do PT de Campos dos Goytacazes, e seu ingênuo (ou cínico?) candidato a prefeito. Quem assistiu ao programa eleitoral ontem, por completo, tem a nítida impressão que o redator dos textos e dos roteiros da candidata delegada e do candidato professor são a mesma pessoa. A tática é idêntica.
Certamente, a candidata e o candidato detêm informações sobre o desempenho após início de propaganda, e internamente sabem que os esforços têm sido inúteis, por isso o redirecionamento dos discursos. A mudança de chave do professor e da delegada, ao mesmo tempo, e com o mesmo conteúdo, revela que o PT é uma linha auxiliar da delegada. Eu não tenho problemas com isso, se não fosse um detalhe.
O diabo, como sabemos, mora nos detalhes. A delegada é a manifestação da extrema-direita na cidade, um tipo de KKKampos, que sai na primeira defesa daquele que é tido como “cão-chupando-manga”, o infame “influencer” goiano que mais parece uma mistura de curandeiro religioso, treinador de RH e “terapeuta” do Love School da TV Record. Ainda pesam sobre o moço suspeitas de envolvimento com pessoas ligadas ao PCC.
É a esse tipo de gente que o PT de Campos dos Goytacazes resolveu alugar seu candidato. Onde espera chegar o PT de Campos dos Goytacazes? O que lhe foi oferecido e quem ofereceu? Qual é o cálculo dessa equação política?
Qualquer que seja o ângulo da análise, parece que os petistas celebraram um acordo que se pode chamar de Caracu. O partido conseguiria eleger um vereador, de qualquer forma, nesse pleito, já que alterações na lei impõem que o beneficiado com “a sobra” não necessite de fazer votos de legenda para alcançar o coeficiente eleitoral, como me ensinou uma raposa petista. É consenso que o PT terá a maior “sobra”.
Então, se não foi para eleger um vereador, qual a razão do PT de Campos se misturar com a extrema-direita? Por mais que o perfil do candidato Jefferson sugira um viés “coxinha-classe-média”, mais próximo das lunáticas vivandeiras de quarteis do que das classes menos afortunadas, o fato é que essa inclinação para a KKKampos não é coisa só dele.
Vai ver, tem alguém infiltrado na legenda, quem sabe?