Nota de repúdio à morte de trabalhador em queimada criminosa na Usina Sucroalcooleira Canabrava
A Comissão Pastoral da Terra – Regional Espírito Santo/Rio de Janeiro vem a público expressar seu mais veemente repúdio à morte cruel e inaceitável de um trabalhador rural, Ivanildo da Silva Felizardo, de 60 anos, queimado vivo em meio a um canavial pertencente à Usina “Nova Cana Brava”, localizada entre os municípios de Campos dos Goytacazes e São Francisco de Itabapoana (RJ), no norte fluminense.
A tragédia ocorrida não é um acidente, mas sim consequência direta de práticas criminosas e recorrentes de queimadas adotadas pelo histórico setor canavieiro para reduzir custos de produção, em total desrespeito à vida humana, à legislação trabalhista e ambiental, e à dignidade dos trabalhadores do campo.
Esse crime expõe a face mais perversa de um modelo agroindustrial que naturaliza a violência e a morte como parte de sua lógica produtiva. A vida de um trabalhador rural, marcada por décadas de esforço, foi tratada como descartável diante da ganância e da negligência de um setor que insiste em manter práticas arcaicas, desumanas e ecocidas. Em 29 de setembro de 2010, o mesmo crime ocorreu, deixando D. Cristina Santos carbonizada em maio às práticas de queimada de canaviais. Denunciamos e cobramos ações ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
A CPT denuncia a responsabilidade da Usina Canabrava por essa morte e cobra dos órgãos competentes:
- A imediata investigação e responsabilização criminal, civil e trabalhista da empresa e seus gestores;
- A fiscalização rigorosa das condições de trabalho e das práticas ambientais adotadas pela usina;
- A proibição definitiva das queimadas nos canaviais, com políticas públicas que garantam transição agroecológica e respeito aos trabalhadores;
- A assistência às famílias e comunidades impactadas por esse crime.
A morte desse trabalhador é símbolo de um sistema que se sustenta com sangue e fogo. Que o agro Pop, Tech, não tem nada de “moderno” em suas práticas de exploração da vida humana. Não aceitaremos que mais vidas sejam ceifadas pela lógica da exploração e do lucro acima de tudo. A vida no campo importa. Os trabalhadores rurais têm direito à proteção, ao reconhecimento e à justiça. Essa luta é do povo do campo, mas também do povo que vive nas periferias urbanas e nas cidades.
Nos solidarizamos com a família da vítima e com todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais que, cotidianamente, enfrentam condições precárias e arriscadas em nome da sobrevivência. E reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida, da justiça social e da dignidade do povo do campo.
Campos dos Goytacazes – RJ, 07 de maio de 2025.
Comissão Pastoral da Terra – Regional Espírito Santo/Rio de Janeiro
