Queimadas de campos de cana: a persistência de um método arcaico que adoece sem pedir licença

Ontem concedi uma brevíssima entrevista à TV Record sobre os aspectos perniciosos da manutenção da prática arcaica de queimar áreas de monocultura de cana de açúcar no município de Campos dos Goytacazes.  Nessa entrevista apontei, inclusive, para uma postagem divulgando os resultados de uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre os impactos negativos das queimadas em curso na Amazônia sobre a saúde humana.

Pois bem, naquela entrevista mencionei o fenômeno da formação de pironuvens ( (i.e., nuvens que se formam na pluma de fumaça sobre fogo ativo).  Eis que hoje, menos de 24 horas da referida entrevista, pude ver o início da formação de uma pironuvem ao chegar ao campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ver imagens abaixo).

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A questão óbvia que se coloca é a externalização de custos de produção ao conjunto da sociedade na forma de poluição. Esse custo causa, como mostrado na supracitada pesquisa da Fiocruz, custos econômicos aos atingidos e uma sobrecarga no sistema público de saúde. 

Há que se lembrar que a Lei 5.990/2011 coloca limites temporais para o desaparecimento dessa prática arcaica; sendo que as áreas passíveis de mecanização devem cessar as queimadas em 2020 e as não mecanizáveis deverão interromper esta prática em 2024.  

Entretanto, me parece quase certo que sem a devida pressão social, a Lei 5.990/2011 continuará não saindo do papel. Simples assim!

 

Queimadas na Amazônia causam forte impacto no SUS

queimadasCrianças são as principais vítimas da fumaça liberada pelas queimadas na Amazônia brasileira que grande aumento nas doenças respiratórias

A Fiocruz, em estudo coordenado pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), mapeou o impacto das queimadas para a saúde infantil na região amazônica. A pesquisa concluiu que, nas áreas mais afetadas pelo fogo, o número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou. Foram cerca de 2,5 mil internações a mais, por mês, em maio e junho de 2019, em aproximadamente 100 municípios da Amazônia Legal, em especial nos estados do Pará, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso – o que acarretou custo excedente de R$ 1,5 milhão ao Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com pesquisas, viver em uma cidade próxima aos focos de incêndio aumenta em 36% o risco de se internar por problemas respiratórios. 

O levantamento aponta ainda que em cinco dos nove estados da região houve aumento na morte de crianças hospitalizadas por problemas respiratórios. É o caso de Rondônia. Entre janeiro e julho de 2018, foram cerca de 287 mortes a cada 100 mil crianças com menos de 10 anos. No mesmo período, em 2019, esse número subiu para 393. Em Roraima, 1.427 crianças a cada 100 mil morreram internadas por problemas respiratórios, no primeiro semestre de 2018. No mesmo período de 2019, foram 2.398.

As informações integram um informe técnico do Observatório de Clima e Saúde, projeto coordenado pelo Icict/Fiocruz. Esse estudo contou também com cientistas da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). O objetivo do trabalho é alertar gestores e profissionais do SUS, de modo a se programarem para o atendimento à saúde das populações mais vulneráveis. Além disso, o levantamento apontou para a importância de reforçar a atenção básica e a busca ativa de casos em locais de maior concentração de queimadas e maiores níveis de poluição atmosférica, já que alguns grupos populacionais podem não ter acesso a hospitais.

Internações quintuplicaram em algumas cidades

Os dados chamam atenção para as cidades de Santo Antônio do Tauá, Ourilândia do Norte e Bannach, no Pará; Santa Luzia d’Oeste, em Rondônia; e Comodoro, no Mato Grosso, onde o número de internações foi mais de cinco vezes maior do que o esperado. Mas o chamado “material particulado” – resíduo tóxico gerado por queima – pode também alcançar grandes cidades situadas a centenas de quilômetros dos focos de queimadas, devido ao transporte de poluentes pelos ventos. 

Desde sua fundação, em 2010, o Observatório de Clima e Saúde vem acompanhando a evolução das queimadas e seus efeitos sobre a saúde das populações na Amazônia e no Cerrado. É a primeira vez que um estudo reúne, quase que em tempo real, informações tão abrangentes sobre a correlação entre as queimadas e seus efeitos para a saúde na região da Amazônia Legal. 

Os pesquisadores reuniram dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do DataSUS, entre os meses de maio e junho – último período disponível -, e aplicaram sobre eles uma técnica de “varredura espacial” chamada Satscan, de modo a detectar conjuntos de municípios que possuem taxas de internação por doenças respiratórias acima do valor esperado. Foram usados também dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e dos sistemas BDQueimadas e Prodes Desmatamento, ambos produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados obtidos, porém, são preliminares, uma vez que nem todas as internações do período estudado já estão cadastradas no sistema. Por isso, é possível que os índices sejam ainda mais graves.

As imagens obtidas por satélite e usadas no estudo mostram ainda como focos de fogo se encontram nas bordas de terras indígenas, que ainda parecem desempenhar um papel de proteção contra as queimadas e o desmatamento. Os pesquisadores chamam atenção para o fato de que as populações indígenas também devem estar sendo afetadas pela poluição do ar – no entanto, ainda não é possível avaliar a incidência de doenças nessas áreas.

Crianças mais suscetíveis

O Observatório levou em consideração que as queimadas acontecem no que é chamado de Arco do Desmatamento, que compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, parte do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins, em geral de maio a outubro. Durante o período de seca na região – que coincide com a diminuição das chuvas regionais, a queda dos índices de umidade e o período de queimadas – já é registrado, normalmente, um aumento no número de casos de afecções respiratórias, por conta do aumento da emissão de poluentes e a concentração de gases tóxicos na atmosfera, comprometendo a saúde da população. A situação, porém, se agravou muito com as queimadas recentes.

Nas cidades analisadas houve um total de 5.091 internações por mês, quando o valor esperado seria de 2.589. Estes resultados sugerem um excesso de 2,5 mil internações de crianças nos municípios mais impactados pelas queimadas. 

Considerando o perfil médio das internações de crianças por problemas respiratórios no SUS, estas internações teriam gerado um custo excedente de R$ 1,5 milhão e 9.750 leitos-dia de ocupação nos hospitais públicos e conveniados com o SUS. 

A queima de madeira pode gerar uma grande diversidade de gases e aerossóis, vários destes prejudiciais à saúde, principalmente pelo seu pequeno diâmetro e capacidade de penetrar no aparelho respiratório inferior. “Crianças são mais sensíveis a fatores externos, como a poluição”, explica o pesquisador Christovam Barcellos, do Icict/Fiocruz. “Seu sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e o aparelho respiratório, em formação. São mais suscetíveis a alergias”. Além disso, crianças passam mais tempo ao ar livre do que os adultos e, assim, inalam mais poluentes. Durante exercício físico, a deposição de partículas no pulmão aumenta cinco vezes, afirma Sandra Hacon, pesquisadora da Ensp/Fiocruz.

Apenas uma parte do problema

Barcellos alerta que o estudo usou as internações em crianças como indicadores de risco. Porém, adultos – e principalmente aqueles com doenças crônicas e idosos – podem ser afetados pela poluição das queimadas. “Por usarmos somente as internações pagas pelo SUS, isto é, sem considerar os dados do sistema privado de saúde, avaliamos apenas uma parte do problema. Além disso, muitas crianças podem não ter conseguido chegar aos hospitais. Na região amazônica as distâncias são enormes. Muitas pessoas podem ter tido episódios de bronquite e asma, entre outros, sem atenção médica”, completa o pesquisador.

“As queimadas na Amazônia representam um grande risco à saúde da população”, assegura o texto do informe técnico. “Os poluentes emitidos por estas queimadas podem ser transportados a grande distância, alcançando cidades distantes dos focos de queimadas. Dentre os poluentes, encontram-se o material particulado fino (PM2.5), CO (monóxido de carbono), NO2 (dióxido de nitrogênio) e compostos orgânicos voláteis (VOCs) que podem causar o agravamento de quadros de cardiopatia, inflamação das vias aéreas, inflamação sistêmica e neuroinflamação, disfunção endotelial, coagulação, aterosclerose, alteração do sistema nervoso autônomo, e danos ao DNA, com potencial carcinogênico”.

As mortes e internações hospitalares são os aspectos mais graves e evidentes dos problemas de saúde causados pelas queimadas, mas não os únicos: “Outros eventos adversos de saúde, como atendimentos de emergência e limitações funcionais do sistema respiratório são fenômenos mais frequentes, mas de difícil detecção pelos sistemas de informação de saúde”, alerta o estudo.  

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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Fiocruz de Notícias [Aqui!].

Salles deixa Alemanha sem obter concessões do governo Merkel

Berlim diz a ministro que só vai rever suspensão de repasse milionário para projetos na Amazônia quando tiver garantia de “que o dinheiro será bem investido”. Em agosto, Bolsonaro disse que “não precisava” do valor.

salles germanySalles disse que foi à Alemanha para “desmistificar” um “sensacionalismo” sobre a situação ambiental brasileira

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deixou a Alemanha nesta quarta-feira (02/10) sem conseguir qualquer concessão do governo da chanceler federal, Angela Merkel, na questão da suspensão de uma verba de 155 milhões de reais para projetos de conservação florestal no Brasil. 

Em agosto, em meio à crise das queimadas, Svenja Schulze, a ministra do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha, anunciou o congelamento da verba, argumentando que a política do governo de Jair Bolsonaro em relação à Amazônia “deixa dúvidas se ainda persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento”.

 À época, a suspensão da verba gerou uma reação furiosa de Bolsonaro. Na ocasião, o presidente brasileiro sugeriu que Merkel “pegasse essa grana” para “reflorestar a Alemanha” e afirmou que o Brasil “não precisa disso”, referindo-se ao dinheiro.

Mas, em sua viagem à Alemanha, Salles tentou minimizar as falas de Bolsonaro com o objetivo de reaver a verba. Em entrevista publicada na terça-feira pelo jornal conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), o ministro disse que o Brasil está, sim, interessado no financiamento alemão e que a fala do presidente foi apenas uma reação “a uma manifestação da Europa”. “Não vamos misturar política com questões técnicas”, afirmou.

No mesmo dia ele se encontrou com a ministra Schulze. A reunião não rendeu fotos ou a divulgação de uma declaração conjunta, como ocorre normalmente em reuniões com altos representantes estrangeiros. Ao final, Salles foi embora sem reaver o financiamento.

Segundo declarou um porta-voz do ministério alemão nesta quarta-feira, a pasta não pretende rever sua posição em relação à suspensão da verba até que “tenhamos uma impressão bem fundamentada de que o dinheiro será bem investido”.

De acordo com o porta-voz, o encontro entre Salles e Schulze consistiu mais em uma troca de pontos de vista do que uma reunião com efeitos práticos. “A ministra Svenja Schulze deixou sua posição muito clara e pediu a proteção da Amazônia.”

Ainda na terça-feira, Salles se reuniu com o ministro Gerd Müller, da pasta para Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha. O governo brasileiro também vem travando uma queda de braço com esse ministério, desta vez relacionada ao futuro do Fundo Amazônia, o programa bilionário de proteção à floresta que conta com recursos da Noruega e da Alemanha.

Mas, por enquanto, a pasta de Müller vem evitando seguir o exemplo do Ministério do Meio Ambiente alemão e ainda não suspendeu qualquer repasse para o fundo. Por outro lado, os alemães e noruegueses não escondem sua insatisfação com as mudanças unilaterais promovidas por Salles na gestão do programa, como a extinção de dois comitês, que ocorreu sem qualquer acordo com os europeus.

Os dois países europeus também se posicionaram contra uma proposta do ministro brasileiro de usar recursos do fundo para indenizar fazendeiros que ocupam áreas de proteção ambiental, e rechaçaram publicamente insinuações de Salles sobre supostas fraudes na gestão do programa. Em agosto, diante das mudanças promovidas pelo Brasil, a Noruega suspendeu um novo repasse de 133 milhões de reais ao fundo.

Em sua entrevista ao jornal alemão FAZ, Salles tentou mais uma vez se apresentar de maneira conciliadora, em contraste com as críticas que fez ao Fundo Amazônia nos últimos meses. “O objetivo é que o fundo possa distribuir dinheiro novamente”, disse.

Segundo fontes do governo alemão, o ministro brasileiro queria convencer a Alemanha a mediar uma solução com os noruegueses. Mas um porta-voz da pasta de Müller indicou que Salles aparentemente não teve sucesso em seu pedido. “Estamos esperando para ver como as negociações entre o Brasil e a Noruega vão se desenrolar”, disse o porta-voz.

Na terça-feira, Angela Merkel também falou sobre a forma como seu governo vem abordando a questão das verbas para projetos ambientais no Brasil. Evitando fazer críticas aos brasileiros, ela disse que “há necessidade de discussão”. “Se uma boa solução for encontrada, certamente os fundos bilaterais poderão voltar a ser canalizados”, afirmou a chefe de governo. 

Seção alemã do Greenpeace organizou dois protestos contra Ricardo Salles em BerlimSeção alemã do Greenpeace organizou dois protestos contra Ricardo Salles em Berlim

 

Protestos

Salles passou três dias na Alemanha. Ele chegou ao país europeu no domingo, com o objetivo, segundo ele, de “desmistificar” um “sensacionalismo” de informações que “não são corretas” sobre a situação ambiental brasileira. Antes de desembarcar na Alemanha, ele também cumpriu etapas nos Estados Unidos e na França.

Na Alemanha, ele foi recebido com um protesto em seu primeiro dia de compromissos. Na segunda-feira, dezenas de ativistas do braço alemão do Greenpeace organizaram uma manifestação em frente à sede da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK), no centro da capital alemã, contra a visita do brasileiro.

Inicialmente, uma agenda de Salles – que havia sido vazada na semana passada pelo Greenpeace – indicava que o ministro se reuniria no local com representantes de grandes indústrias alemãs, entre elas as gigantes do setor químico Basf e Bayer, conhecidas pela produção de agrotóxicos.

Na terça-feira, ele voltou a ser alvo de um protesto, desta vez em frente ao Ministério de Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].

Mais de 200 investidores internacionais pedem ações em defesa da Amazônia

Em declaração conjunta, investidores pedem que empresas adotem medidas para impedir desmatamento, alertando que colapso do ecossistema traria “perturbações graves ao setor agrário e a outras atividades econômicas”.

MADEIRAMadeira obtida a partir de desmatamento ilegal no Pará: investidores pedem ações contra destruição da Floresta Amazônica

Um grupo de mais de 200 investidores institucionais de diversos países assinou uma declaração exigindo que empresas tomem ações concretas para impedir a destruição da Floresta Amazônica e alertando para os efeitos econômicos de um colapso do ecossistema na região.

A ONG Ceres, que divulgou o documento nesta quarta-feira (18/09), afirmou em nota que 230 gestores de investimentos, responsáveis pela administração de 16,2 trilhões de dólares, requisitam com urgência a empresas que redobrem seus esforços para “demostrar compromisso claro de eliminar o desmatamento no âmbito de suas operações e cadeias de abastecimento”.

Os signatários incluem investidores como os departamentos de gestão de ativos dos bancos HSBC, BNP Paribas e Deka e fundos de pensão públicos como o CalPERS, da Califórnia, segundo a nota da Ceres. A organização, sediada em Boston, visa promover a sustentabilidade entre os investidores.

“É com grande preocupação que acompanhamos a crescente crise do desmatamento e dos incêndios florestais no Brasil e na Bolívia. Como investidores, que têm o dever fiduciário de agir no melhor interesse de longo prazo de nossos beneficiários, reconhecemos o papel crucial que as florestas tropicais têm no combate às mudanças climáticas, na proteção da biodiversidade e na garantia dos serviços ecossistêmicos”, diz a declaração.

“O desmatamento na região poderia, potencialmente, levar todo o ecossistema perigosamente a um ponto de inflexão, após o qual a floresta tropical não estará apta a se manter, se tonando gradualmente um sistema semelhante às savanas, bem mais seco, sem biodiversidade e armazenando quantidades significativamente menores de carbono.”

“Isso causaria perturbações graves ao setor agrário e a outras atividades econômicas, com a redução das chuvas e o aumento das temperaturas no longo prazo”, diz o documento.

A declaração pede que as empresas implementem uma “política antidesmatamento” que inclua “comprometimentos quantificáveis” e avalie e torne públicos os riscos que as cadeias de abastecimento impõem às florestas.

Os investidores também pedem um sistema de monitoramento dos parceiros nessas cadeias e relatos anuais sobre a “exposição e gerenciamento do risco de desmatamento”. 

Jan Erik Saugestad, CEO da gestora de ativos norueguesa Storebrand, uma das signatárias da declaração, avalia que os “significativos impactos econômicos negativos associados a essas questões representam um risco que os investidores não podem ignorar”.

A declaração não diz explicitamente que os signatários estão ameaçando retirar investimentos de empresas, mas aumenta a pressão que as corporações internacionais e os investidores vêm exercendo sobre parceiros que operam na Amazônia.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) afirmam que apenas no mês de agosto, a Amazônia perdeu 1.698 quilômetros quadrados de cobertura vegetal, área 222% maior do que a desmatada no mesmo mês de 2018, que foi de 526 quilômetros quadrados.

A área desflorestada da Amazônia nos oito primeiros meses de 2019 chegou a 6.404 quilômetros quadrados, número 92% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (3.337 quilômetros quadrados), segundo dados obtidos pelo Deter, levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, feito pelo Inpe.

RC/rtr/ots

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Este artigo foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui! ].

Amazônia em chamas: fogo consome APA de Alter do Chão

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Área de Proteção Ambiental de Alter do Chão, localizada em Santarém (PA), está sendo consumida por um gigantesco incêndio.

Apesar de ter saído das manchetes dos principais veículos da mídia corporativa brasileira, as queimadas continuam devastando boa parte da Amazônia brasileira, atingindo inclusive conhecidos redutos de turismo. 

O vídeo abaixo mostra as chamas que estão devastando o distrito paraense de Alter do Chão, município de Santarém, um dos principais pontos de turismo da Amazônia.

A situação é tão grave que o governo do Pará já solicitou o auxílio da chamada Força Nacional para tentar controlar o gigantesco incêndio que está ocorrendo em Alter do Chão.

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O fato é que a Amazônia continua vivendo um período drástico de devastação, muito em parte como resultado do desmanche da precária governança ambiental e dos mecanismos de comando e controle pelo governo Bolsonaro.

Jair Bolsonaro vira o Coringa em um dos principais programas de TV dos EUA

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Trevor Noah, do “The Daily Show” durante o sketch em que comparou o presidente do Brasil ao vilão “Coringa” por causa das queimadas na Amazônia.

O “The Daily Show” é comandado pelo comediante Trevor Noah e vai ar de segunda a quinta feira pelo canal “Comedy Central”.  O “The Daily Show” é um daqueles programas satíricos que revolve em torno de temas políticos, sendo que Trevor Noah substituiu outro comediante com forte ação política nos EUA,  Jon Stewart.

Nao segmento dedicado a abordar os problemas que estão ocorrendo na Amazônia brasileira e suas repercussões globais em função das mudanças climáticas, Trevor Noah faz um sketch com fortes tintas nos quais o pintado em cores menos favorecidas é justamente o presidente Jair Bolsonaro que é citado como o “Coringa” (em referência ao vilão “preferido” do Batman) das mudanças climáticas.

Apesar do material estar em inglês é bem fácil entender a lógica e a péssima conotação com que o presidente do Brasil é usado para fazer a série de tiradas satíricas que Trevor Noah faz (ver vídeo abaixo).

Mas que ninguém ache que o “The Daily Show” é só um programa de piadas, pois o mesmo representa um amplo espectro político dentro dos EUA, especialmente entre os que se opõe ao governo de Donald Trump.

Assim,  os setores que dependem da exportação de commodities agrícolas e minerais (os quias apoiaram de forma massiva a eleição de Jair Bolsonaro) devem estar muito preocupados com esse segmento do “The Daily Show”. É que apesar de ser o presidente Jair Bolsonaro o “escada” da vez, a piada acaba sendo mesmo a condição em que o Brasil foi colocado pelo seu governo. E , cada vez mais, em meio a boicote que se amplia na Europa, as tiradas de Trevor Noah não têm nada de engraçado para o Brasil.

Ernesto Araújo é desmentido em rede mundial sobre as queimadas da Amazônia

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A vergonha que o Brasil passa toda vez que seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, abre a boca para proferir algum absurdo lógico. Mas ontem (04/09) o nível de vergonha brasileira (já que o ministro parece ter perdido a capacidade de se envergonhar) atingiu outro patamar durante uma entrevista concedida à rede estadunindense CNN onde Ernesto Araújo estava sendo entrevistado pela âncora Christianne Amanpour e teve a pachorra de afirmar que “a Amazônia não está queimando acima do normal. Tivemos incêndios este ano um pouco mais que no ano passado, mas um pouco abaixo da média nos últimos 20 anos” (ver vídeo abaixo)

O problema para Araújo é que, enquanto ele tentava desmentir o óbvio, a CNN mostrava simultaneamente cenas das queimadas que estão devastando a Amazônia brasileira neste momento. Em outras palavras, a CNN demonstrou, ainda que subliminarmente que o chanceler brasileira estava mentindo para a audiência mundial que a emissora possui.

Depois que ocorrer uma boicote mundial às commodities agrícolas brasileiras por causa da postura anti-ambiental do governo Bolsonaro e de ministros como Ernesto Araújo, ainda vai ter gente que ficará surpresa. 

Mas, convenhamos, com um tipo de ” anti poster boy” como Araújo, como é que se pode esperar qualquer resultado que não seja um bloqueio comercial ao Brasil?