
Por Monica Piccinini*
Esta manhã, o mundo acordou com uma escalada chocante: os Estados Unidos lançaram uma grande operação militar dentro da Venezuela, com relatos de explosões em Caracas e em vários estados. Ataques aéreos, aeronaves voando baixo, cortes de energia. Medo e confusão no terreno.
O presidente Donald Trump afirmou nas redes sociais que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa foram “capturados” (sequestrados) e retirados do país após o que ele chamou de “ataque em larga escala”.
Caracas declarou imediatamente estado de emergência nacional, denunciando o ataque como agressão militar estrangeira e convocando os cidadãos a se mobilizarem contra o que descreve como um ataque imperial.
O governo da Venezuela rejeitou veementemente a versão de Washington, exigindo provas de que seu presidente está vivo e condenando a operação como uma clara violação de soberania.
Líderes regionais, incluindo o presidente da Colômbia, pediram uma intervenção internacional urgente. Cuba e Irã foram além, classificando o ataque como terrorismo de Estado. Mesmo nos EUA, legisladores já questionam se Trump tem autoridade legal para lançar uma operação dessa magnitude sem o Congresso.
Sejamos honestos sobre o que isso significa. Não há autorização da ONU. Nenhum convite de Caracas. Nenhum mandato internacional. Segundo qualquer interpretação séria do direito internacional, trata-se de um ataque militar contra uma nação soberana. Bombardear uma capital e prender à força o chefe de Estado de outro país não é “aplicação da lei”, é um ato de guerra.
De acordo com a Carta da ONU, é exatamente o tipo de ação que deve ser evitada devido ao caos e à instabilidade que desencadeia muito além das fronteiras nacionais.
A linguagem do “narcoterrorismo” e das ameaças à segurança tem servido como justificativa pública há muito tempo. Mas por trás disso, esconde-se um padrão familiar. Sanções. Pressão naval. Operações de inteligência. Drones. E agora, o uso da força.
A Venezuela possui vastas reservas de petróleo e minerais essenciais e insiste em sua independência política em uma região há muito moldada pelo poder dos EUA. A história mostra com que frequência as narrativas de segurança são distorcidas ou fabricadas para abrir caminho para o controle geopolítico e de recursos.
Deixando de lado os slogans, o que vemos é o que realmente é: uma incursão militar imperial, justificada por uma mistura de ameaças reais e exageradas, com a dominância estratégica e o acesso a recursos no centro das atenções.
Independentemente das suas convicções políticas, este momento é crucial. O precedente que estabelece terá repercussões muito além da Venezuela!
*Monica Piccinini é jornalista freelancer
Vivemos um momento em que a comunicação é rápida, quase instantânea, embora o mundo todo, praticamente todas as pessoas, possam saber sobre determinado fato, isso não muda a atual inoperância dos órgãos internacionais. Outro fato que incomoda é a letargia das populações. Fora o sujeito que está vivendo o problema diretamente, parece que o restante apenas recebe a notícia, mas nada muda em seu cotidiano.
A imprensa da alguma importância momentaneamente, aos poucos deixa o assunto em segundo plano, a pauta some das redações como se não acontecesse.
Vivemos o sensacionalismo, apenas interessa o sensacional, imediato, instigante… Mas é algo substituído rapidamente, isso ocorre inclusive, com as questões relacionadas ao meio ambiente.
Onde estamos chegando com um comportamento tão individual?
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A invasão da Venezuela, está sendo criticada por vários meios de comunicação. Mas ninguém trouxe nenhum relato dos venezuelanos, o qie eles acharam desta invasão? Conheço vários, e convivo com alguns aqui no Brasil, e todos eles são a favor desta invasão, pois quem está criticando, nunca viveu lá! Pimenta nos olhos dos outros é refresco!!!!
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Com certeza tem venezuelano que apóia o ataque, como há gente no Brasil que apoiou o 8 de janeiro.
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Trabalho com uma mulher venezuelana, ela apoia os ataques e a derrubada do ditador maduro. Porém vamos ver se esse ataque vai parar por aí, porque ao que tudo indica a intenção principal dos EUA é a possibilidade de exploração dos recursos e minérios da Venezuela. Aguardemos os próximos meses.
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Ricardo, avise a esta mulher para olhar o que aconteceu no Iraque, Afeganistão, Síria e Líbia depois que operações similares ocorreram por lá.
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