
Dei uma olhada geral nas publicações e manchetes do dia de hoje tanto na mídia corporativa como na dita alternativa e notei uma espécie de silêncio geral sobre o que ocorreu em Brasília há 3 anos atrás. Enquanto a mídia corporativa está colocando a questão do Banco Master como elemento principal, a alternativa preferiu as matérias sobre o ataque militar dos EUA à Venezuela. Mas não podemos esquecer dos ataques ou atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, 8/01, também chamados de Intentona Bolsonarista, Festa da Selma, ou simplesmente de 8 de janeiro.
Mas eu diria que esse silêncio em torno da tentativa de impor um golpe de Estado para impedir a posse do presidente eleito em 2022 reflete alinhamentos que já estão sendo trabalhados para as eleições deste ano. Como ninguém quer espantar potenciais aliados ou atrapalhar alianças, a coisa está sendo jogada para debaixo do tapete.
O problema é que se analisarmos quem fez a tentativa fracassada de golpe de estado com as posições expressas sobre o ataque à Venezuela, teremos um alinhamento completo entre os dois episódios. Afinal, a extrema-direita que tentou o golpe está apoiando abertamente o ataque estadunidense.
Aí a questão não é com a extrema-direita que está seguindo sua cartilha reacionária de forma clara e inequívoca, mas com aqueles que acham que é possível continuar tocando a vida sem considerar que acima das considerações eleitorais há que ficar o compromisso com a sobrevivência do que se convenciona chamar de Estado democrático de direito no Brasil. Falo aqui dos partidos da esquerda institucional que estão se preparando para manter ou iniciar alianças com elementos que participaram direta ou indiretamente da tentativa de golpe.
E nos antentemos para a rápida degradação das relações geopolíticas que marca o início de 2026. Manter a prática de alianças espúrias que englobem até a extrema-direira nos deixa ainda mais fragilizados para responder quaisquer tentativas de interferir na soberania nacional do Brasil. E está mais do que claro que essas tentativas irão ocorrer de forma aberta e clara.
Por isso, não há como escamotear ou esquecer o que aconteceu no dia 8 de janeiro de 2023 com a tentativa de tomada das sedes dos 3 poderes em Brasília. Jogar isso para debaixo do tapete significará um convite aberto para que se tente isso novamente em 2027, caso o candidato da extrema-direita não for eleito.