Brasil está preparado para novas ondas de calor em 2024?

País teve em 2023 quase um quinto do ano com altas temperaturas extremas, mas não conta com infraestrutura necessária para lidar com as mudanças climáticas e suas consequências

praia cheiaFoto: Tercio Teixeira/AFP via Getty Images 

Por Nilson Brandão para a Deutsche Welle

Com nove ondas de calor em 2023 e seguindo uma tendência mundial, o Brasil deverá continuar com uma sucessão de altas recordes de temperatura em 2024, segundo especialistas ouvidos pela DW. O grande problema é que a infraestrutura do país não está preparada para isso.

“Entraremos em um ano em que os extremos se tornarão ainda mais frequentes e, em alguns casos, com maior intensidade”, afirma Gilvan Sampaio, coordenador de Ciências da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Além do calor forte no Sudeste e no Centro-Oeste, devem haver secas de diversas intensidades no Nordeste e chuvas e inundações na região Sul.

Em 2023, o país somou 65 dias de muito calor, o equivalente a quase um quinto do ano (18%), de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Entre julho e novembro, foram cinco recordes seguidos de temperatura média. As novas ondas de calor acontecerão já neste verão e ao longo do primeiro semestre de 2024.

Consequências na saúde

Mas o que ondas de calor cada vez mais frequentes podem representar? O impacto pode ser sentido desde a saúde até problemas na natureza.

“O calor extremo tem consequências para as pessoas e sistemas naturais no Brasil. As ondas de calor em 2023 foram acompanhadas de alta umidade relativa, que impacta as pessoas”, explica Yasna Palmeiro, pesquisadora do Lancet Countdown América Latina, citando riscos de desmaios, doenças cardíacas e até morte.

Mulher se refresca jogando água de uma garrafa pet na cabeça

Sensação térmica de aproximou de 60ºC no Rio de Janeiro em novembroFoto: Silvia Izquierdo/AP Photo/picture alliance

Em novembro, a temperatura beirou os 45ºC em Araçuí, no interior de Minas Gerais, e a cidade do Rio de Janeiro registrou a sensação térmica recorde de 58,5ºC.

O calor extremo aumentou o número de atendimentos médicos e atrasou a manutenção da principal estação de tratamento de água.

O atendimento na rede de saúde aumentou em diagnósticos relacionados ao calor, como mal-estar, fadiga, pressão baixa e síncope. Na segunda semana de novembro, a mais quente daquele mês, o movimento foi 51% maior que na segunda semana do mês anterior. A prefeitura abriu 100 pontos de hidratação, acelerou o reflorestamento e o uso de drones semeadores.

Causas do calor extremo

O ano de calor atípico foi motivado por vários fatores. Um deles foi os impactos do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente da superfície do Oceano Pacífico na região da Linha do Equador.

Para os especialistas, as ondas de calor cada vez mais frequentes também se devem ao aquecimento global.

“Além da elevação da temperatura dos oceanos, outros fatores têm contribuído para a ocorrência de eventos cada vez mais extremos, como o aumento da temperatura global da superfície terrestre por conta do aumento das emissões de gases do efeito estufa“, registra o Inmet.

“Os oceanos geram mais vapor, o que esquenta a atmosfera, e isso intensifica as ondas de calor”, diz a cientista da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Regina Rodrigues.

Homem sem camisa dentro de uma fonte, de costas para o chafariz de uma fonte

Em 2023, Brasil somou 65 dias de muito calorFoto: PILAR OLIVARES/REUTERS

Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) da ONU mostram que as emissões de gases de efeito estufa devem ser reduzidas em 43% até 2030 (sobre 2019) para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC até fim do século em relação aos níveis pré-industriais e evitar impactos catastróficos como ondas de calor, secas e chuvas mais frequentes e graves.

“O Brasil tem experimentado os efeitos das mudanças climáticas de forma especial por três razões principais: a grande dimensão geográfica, diversos nichos ecológicos naturais e as megacidades”, explica a pesquisadora Yasna Palmeiro, da Lancet Countdown América Latina.

Documento recente do Lancet Countdown para o Brasil elenca os eventos extremos deste ano, como a onda de calor de inverno que afetou grande parte do país, enchentes catastróficas no Rio Grande do Sul e secas e incêndios florestais recordes na região amazônica.

“Até agora, 2023 foi um ano de extremos meteorológicos no mundo e o Brasil não foi exceção”, prossegue o documento, afirmando que “as alterações climáticas são a maior ameaça à saúde global do século 21”.

Diretora-executiva do Instituto do Clima e Ciência (ICS), Maria Netto explica que a grande novidade é que estes fenômenos estão ocorrendo de forma exacerbada nos últimos cinco anos, com maior frequência e intensidade.

“O Brasil não tinha, historicamente, uma visão muito clara sobre como financiar a adaptação e a resiliência da nossa infraestrutura, da nossa economia a esses eventos climáticos”, afirma Maria Netto.

Despreparo da infraestrutura

A opinião de Netto é compartilhada por todos os especialistas ouvidos pela DW: atualmente, o Brasil não tem a capacidade necessária para lidar com as mudanças climáticas – assim como a maior parte do mundo.

“É muito claro que o país não está preparado para enfrentar o aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos intensos”, destaca o físico Paulo Artaxo, cientista do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.

Homem sem camisa atira um balde de água na própria cabeça, em uma região muito pobre

Pescador se refresca à beira de um lago, em ManausFoto: BRUNO KELLY/REUTERS

“Não estamos preparados de jeito nenhum para esse tipo de eventos extremos, nem no Brasil, nem no mundo. Mas precisamos nos preparar”, afirmou em um evento recente a secretária nacional de Mudanças Climáticas, Ana Toni.

Para a diretora do ICS, seria necessário uma política integral e análise profunda com formas de promover maior resiliência e resposta aos eventos climáticos. 

“Carecemos de instrumentos financeiros, análise paramétrica de riscos análise fiscal mais profunda sobre custos econômicos que resultem em mecanismos ágeis de compartilhamento de riscos e respostas rápidas aos eventos do clima”, destaca.

O que o Brasil já está fazendo

Netto pondera, entretanto, que o governo está ciente do problema e que já existem estudos setoriais para promover a adaptação, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

“Será fundamental priorizar de forma integrada a necessidade de um plano de adaptação nacional e planos subnacionais que possam impulsionar melhores adaptação, prevenção, resiliência, gestão de riscos e mecanismos de resposta rápida”, explica.

Toni ressalta que os efeitos das alterações climáticas estão chegando mais rápido que o previsto. Segundo Toni, na perspectiva do governo federal, o Comitê Interministerial de Mudança do Clima (CIM) decidiu fazer pelo menos 14 planos de adaptação em diversas áreas, como energia, agricultura, cidades e transporte.

Além do planejamento, maior inclusão de critérios de riscos climáticos e ações operacionais, os especialistas reforçam a necessidade de combater a evolução do efeito estufa.

“As soluções para resolver o problema a gente sabe: acabar com os combustíveis fósseis e com o desmatamento tropical. Parece simples, mas envolve o reordenamento completo da economia mundial”, destaca o coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo.

E os eventos extremos não são uma preocupação apenas dos especialistas: as mudanças climáticas e ameaças ao meio ambiente são motivo de medo para 32% dos entrevistados na seção Brasil da pesquisa O que Preocupa o Mundo, realizada pelo do Instituto Ipsos em outubro – índice bem acima dos 20% registrados na pesquisa anterior.

“É inegável que o brasileiro tem sentido na pele os reflexos destes problemas”, diz o CEO do Ipsos Brasil, Marcos Caliari.


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Este texto foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].

Com RJ supostamente quebrado, Seeduc faz compra sem licitação de R$ 170 milhões de obras paradidáticas

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No mesmo ano em que a recomposição salarial acertada na Alerj foi negada pelo governador Cláudio Castro, a Secretaria de Estado de Educação fez um compra milionária (R$ 170 milhões para ser mais preciso) de “obras paradidáticas” que beneficiam 4 empresas que foram aquinhoadas com parcelas polpudas desta aquisição (ver imagem abaixo).

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Afora o fato de que esta compra se dá nos estertores de um ano em que não houve nada de muito diferente em termos do funcionamento das escolas das redes estaduais, uma compra desse montante sem licitação deveria ser objeto de um acompanhamento bastante criterioso não apenas pelos órgãos fiscalizadores, mas também pelos órgãos de classe que representam os interesses dos servidores da rede estadual de educação.

Uma das questões que potencialmente mereceria a devida apuração se refere à capacidade das empresas contratadas de entregarem os produtos contratados com a devida qualidade. Nesse caso há que se ressaltar que uma dessas é a Editora Globo que levou R$ 12.026.357,60 para entregar “obras paradidáticas para composição de acervo das salas de leitura,  obras paradidáticas afro-brasileira e indígena para alunos do ensino médio e obras paradidáticas para recomposição da aprendizagem“, sem que tenha sido necessária a realização de uma licitação.

Finalmente, o curioso é que o perfil oficial da atual secretária de Educação, Roberta Barreto de Oliveira, traz a menção de que ela foi aluna do Mestre Darcy Ribeiro, ao fazer parte do Programa Especial de Educação do Estado do Rio de Janeiro. Eu fico imaginando o que Darcy diria dessa compra realizada pela sua ex-aluna.

SBCO reforça alerta sobre “chip da beleza” destacando possível relação com câncer

Implantes hormonais estão sendo prescritos indevidamente como estratégia para emagrecimento, tratamento da menopausa, antienvelhecimento, redução da gordura corporal e aumento da libido e da massa muscular. Prática está associada com casos de infarto agudo do miocárdio, de tromboembolismo e de acidente vascular cerebral. Além disso, a Organização Mundial da Saúde classifica essas substâncias como provavelmente carcinogênicas a humanos

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A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) reforça a preocupação com o uso crescente no Brasil de implantes hormonais, conhecidos como “chip da beleza”. Não aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso comercial e produção industrial, os implantes hormonais são manipulados, não possuem bula ou informações adequadas de farmacocinética, eficácia ou segurança. A exceção é o implante de etonogestrel, chamado de Implanon, que é aprovado como anticoncepcional.

Chamados de “chip da beleza”, os implantes são prescritos como estratégia para emagrecimento, tratamento da menopausa, antienvelhecimento, redução da gordura corporal, aumento da libido e da massa muscular. No entanto, não há dose segura para o uso de hormônios para fins estéticos ou de performance e os efeitos colaterais dos dispositivos podem ser imprevisíveis e graves, com os riscos ultrapassando qualquer possível benefício, conforme carta de sete sociedades médicas enviada à Anvisa. O documento é um pedido público de providências quanto ao uso indiscriminado de implantes hormonais no Brasil.

A SBCO destaca a Resolução do CFM (Nº 2.333, de 30 de março de 2023) como um importante passo a ser devidamente seguido, por ser uma diretriz que norteia a atuação dos médicos em relação às terapias de reposição hormonal, especificamente no uso de esteroides androgênicos e anabolizantes. “A definição das diretrizes, baseadas em evidência científica, são importantes para nortear possíveis indicações. Muitas mulheres têm usado testosterona nos últimos anos, porém carecemos de dados de segurança quanto ao uso de andrógenos ou outros hormônios e o risco de desenvolvimento ou piora de quadros de neoplasias malignas”, destaca o cirurgião oncológico Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da SBCO e titular do Hospital de Base, de Brasília.

Implantes hormonais e câncer

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica observa que os esteroides androgênicos e anabolizantes são considerados substâncias provavelmente carcinogênicas a humanos (Categoria 2A), segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer da Organização Mundial da Saúde (IARC/OMS). A entidade classifica o risco de câncer das diferentes etiologias (causas) em quatro grupos: Grupo 1: O agente é carcinogênico a humanos / Grupo 2A: O agente provavelmente é carcinogênico a humanos / Grupo 2B: O agente é possivelmente carcinogênico a humanos e Grupo 3: O agente não é classificado como carcinogênico a humanos.

A SBCO acredita que o debate profundo e permanente entre as sociedades médicas, comunidade científica, CFM, Anvisa e demais tomadores de decisão, deva ser ainda mais abrangente em relação às terapias hormonais. Segundo a entidade, vários aspectos relevantes merecem ser destacados sobre esta modalidade de terapia de reposição hormonal (TRH):

– Não existe aprovação de uso pela ANVISA.
– Estes implantes são colocados no subcutâneo (gordura) e a liberação destes homônimos ocorre de maneira não controlada e irregular.
– Da mesma maneira que os androgênios, não existem estudos que demonstrem a segurança desta forma de reposição hormonal, podendo acarretar aumento de risco para câncer de mama e outros órgãos. 
– Outro grave problema ocorre quando a paciente desenvolve câncer de mama na vigência de TRH com implante, já que a remoção destes implantes é muito difícil tecnicamente de ser adequadamente realizada, o que acarreta um nível sérico elevado destes homônimos por um longo período, dificultando sobremaneira o tratamento do câncer de mama.

Sobre a SBCO

Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer. Sua missão é promover educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira. É presidida atualmente pelo cirurgião oncológico Rodrigo Nascimento Pinheiro (2023-2025).

A Braskem e a escancarada destruição socioambiental no litoral brasileiro

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Por Ademilson Zamboni*

Quando se trata dos cuidados com a zona costeira-marinha do Brasil, presente, passado e futuro se fundem numa única palavra: descaso. Apesar da extensão e riqueza do nosso litoral, somos um país, no pior dos sentidos, virado de costas para o mar, onde histórica e cotidianamente o interesse privado se sobrepõe ao público provocando toda sorte de danos. 

Isso se dá de muitas maneiras. Poluição por óleo; esgoto e resíduos sólidos; erosão costeira; especulação imobiliária em suas formas mais perversas; turismo predatório; destruição de ecossistemas preciosos e de modos de vida tradicionais são algumas das faces que ilustram o desprezo com políticas públicas para o mar e a costa.

Se o Estado não age para a evitar um quadro cada vez mais complexo de destruição, poderia, ao menos, controlar e punir exemplarmente as grandes empresas causadoras. Quem sabe teríamos evitado tragédias como a de Brumadinho, de Mariana e, agora, Maceió, que devido à extração de sal-gema para produção de plástico pela gigante petroquímica Braskem, tem o potencial de se tornar o maior desastre socioambiental em área urbana no mundo.

Mundaú em risco

Os impactos causados pela Braskem alcançaram as águas do Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba (CELMN), um dos ecossistemas centrais do litoral alagoano. Com o afundamento do terreno na região em mais de 2 metros, a Defesa Civil detectou o avanço das águas para terra antes seca. O que pode acelerar o iminente colapso da mina 18, já rompida na superfície, e causar, como antecipam os pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas, o risco de hipersalinização das águas, o que afetaria um ecossistema complexo, matando, provavelmente, o sururu, patrimônio imaterial e símbolo da culinária do estado.

Na primeira análise de impactos, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Alagoas indica a submersão permanente do manguezal nas margens de Mundaú, com prejuízos à fauna e à flora. Há plantas do mangue mortas, árvores submersas e perda de habitat de espécies. Estamos tratando de um dos biomas essenciais para a vida marinha e terrestre, verdadeiros berçários litorâneos.

Cadeia da pesca quebrada

Essa tragédia já afetou o modo de vida, os fazeres e saberes dos territórios pesqueiros e das comunidades tradicionais que ali se manifestam. São cerca de 500 pescadores e pescadoras artesanais que tinham na pesca e na catação do sururu suas principais fontes de sobrevivência. Hoje, estão impedidos de trabalhar com a proibição do acesso à lagoa, aonde circulam, em seus 23 mil quilômetros quadrados, tainhas, bagres e mandins.

A pesca não é só a captura do peixe. A fratura ocorre em toda a cadeia produtiva. Das embarcações que se preparam para navegar, envolvendo profissionais diversos, como marceneiros, restauradores de petrechos ou mecânicos, às compras de insumos, passando pelos trabalhos de beneficiamento ao abastecimento e comercialização nos restaurantes. A previsão é de que o peixe tenha a oferta drasticamente diminuída em Maceió.

Tragédia estendida

A Braskem, que se autointitula em Alagoas “âncora na cadeia produtiva da química e do plástico”, tem também as suas digitais impressas na exorbitante poluição que faz chegar ao mar ao menos 325 milhões de quilos de lixo plástico todos os anos no Brasil, conforme estudo “Um Oceano Livre de Plástico”, da Oceana, publicado em 2020.

De tão grave, urgente e sistêmica, essa poluição é tratada em âmbito global como a segunda maior ameaça ambiental ao planeta; atrás apenas da emergência climática. Tanto é que Organização das Nações Unidas lidera a construção de um Tratado Global Contra a Poluição Plástica.

No Brasil, seguimos com a indústria do plástico produzindo anualmente cerca de 3 bilhões de itens descartáveis que, sem interesse para a reciclagem, chegam ao oceano. Um em cada 10 animais marinhos que interagem com os dejetos morrem. O plástico também se transforma em microplásticos que já infestam o organismo humano e desafia até os paradigmas geológicos ao se tornar uma rocha artificial, como vimos perplexos no Arquipélago de Trindade.

Não se assustem se lá da longínqua Trindade, monumento natural e local mais remoto do território marítimo do Brasil, encontrarmos um rejeito plástico descartável cuja origem foi o PVC produzido graças às minas de extração do sal-gema de Maceió. Entre um extremo e outro, vemos se repetir o roteiro de destruição em grande escala, no qual uma empresa líder impõe uma produção brutal de plásticos, quase um “tsunami”, enquanto prega sustentabilidade em eventos do porte da Conferência das Partes (COP) 28.

* Ademilson Zamboni é diretor-geral da Oceana, oceanólogo, mestre e doutor em Engenharia pela Universidade de São Paulo.

A peculiar decisão judicial sobre supostas “invasões” de terra e as perguntas que ainda não foram feitas

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A mídia corporativa campista está divulgando de forma acrítica (qual é a novidade aqui?), a decisão do juiz Marcio Roberto da Costa da Comarca do Rio de Janeiro em prol da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro) que pediu uma espécie de livre conduto para terras que teria arrendado da falida Usina Cupim em 2018.

A cobertura inicial já mostrava que esse é um assunto maltratado por uma péssima cobertura jornalística, na medida em que se atribuiu ao MST a organização de uma ocupção de terra (que a mídia corporativa chama de “invasão”) que o próprio movimento disse desconhecer. Além disso, foi no minimo curiosa a rápida mobilização (por terra e pelo ar) de tropas da Polícia Militar, apenas a partir de uma “dica” que teria sido oferecida sobre uma ocupação no mínimo misteriosa.

Também considero curioso o fato de que a liminar em prol da Coagro tenha sido proferida na Comarca do Rio de Janeiro e não na de Campos dos Goytacazes como seria o mais lógica. Afinal, se as terras da Usina Cupim estão localizadas em nosso município, por que recorrer a um meritíssimo assentado na Comarca do Rio de Janeiro?

O que a imprensa corporativa campista deveria ter apurado e não apurou é sobre esse aludido estoque de terras da Usina Cupim que teria sido arrendado desde 2018 pela Coagro. Afinal, essas terras supostamente arrendadas estão sendo usadas para o aludido intento de plantar cana-de-açúcar? E de quantos hectares se trataria esse arrendamento? E quem seriam dessas terras arrendadas e qual seria a relação deles com a Coagro?

Todas essas perguntas poderiam ser seguidas sobre o estoque de dívidas da Usina Cupim com a União e com os seus antigos empregados, na medida em que estando em recuperação judicial, há que se ter uma ideia de quais são as tratativas acordadas para o pagamento do que é devido.

Um fato que toda pessoa com um conhecimento mínimo sobre a situação do estoque de terras associadas às usinas falidas em Campos dos Goytacazes é que boa parte das terras que elas e seus donos possuíam servem hoje como alavanca para um forte processo de especulação de terras em prol da expansão da franja urbana que se move em direção à baixada campista.  Assim, todo esse alarde em torno de uma suposta ocupação em Ururaí pode estar alinhado com o mesmo tipo de processo de especulação fundiária, ainda que em uma área que não está no foco principal do mercado imobiliário. Se essa for a ligação de fato, toda e qualquer conversa sobre uso agrícola será só uma mera distração.

Finalmente, o que me parece ainda mais peculiar é que a Coagro agora se tornou uma espécie de ferramenta anti-reforma agrária no município de Campos dos Goytacazes. É que agora bastará que todo latifundiário pego com terras improdutivas (e elas são abundantes por aqui) obtenha um contrato de arrendamento com a Coagro para obter o mesmo tipo de sentença concedida no Rio de Janeiro, sob a bandeira da jurisprudência. Eu diria que isso é muito melhor do que plantar cana ou qualquer outra cultura que seja.

Cláudio Castro, mais um governador em apuros que aprofunda a agonia do RJ

A sucessão de governadores encrencados com a justiça é muito grande no Rio de Janeiro, e dos ex-governadores que ainda estão vivos, não me lembro de nenhum que não tenha tido um sobressalto com a polícia por causa de “causos” mal resolvidos.

Agora é a vez de Cláudio Castro ter sua vida revirada por causa de supostos pagamento de propinas por empresas contratadas por seu governo (ver imagem abaixo).

Como servidor público estadual que teve seu tempo de trabalho alongado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) até 2029, penso que o maior escárnio desse atual escândalo é que Cláudio Castro (misto de cantor gospel e ilustre desconhecido na política até a queda de Wilson Witzel) negou as servidores públicos até mesmo o que havia acordado, qual seja, o pagamento de uma reposição parcialíssima das perdas salariais causadas pela inflação.

O governo de Cláudio Castro é, reconheçamos, uma cara do que têm sido os governos que o antecederam, principalmente quando se trata de exercer uma violentíssima repressão policial contra comunidades pobres periféricas sob o manto do combate ao narcotráfico. Ele, Cláudio Castro, tem na sua conta várias chacinas policiais, nas quais os assassinados não tiveram a mesma chance de recorrer à advogados caros para se livrarem de estripulias que, não raramente, envolvem mochilas flagradas cheias em elevadores com que seria dinheiro oriundo da corrupção.

O mais dramático é constatar que se Cláudio Castro for apeado do cargo de governador por causa das provas que estão sendo levantadas pela Polícia Federal, ele será substituído por Thiago Pampolha, outro ilustre desconhecida, cuja base eleitoral é a Zona Oeste. Com Pampolha governador,  a agonia que o Rio de Janeiro vive certamente ganhará capítulos ainda menos auspiciosos.

É preciso proibir o uso de agrotóxicos que matam abelhas no Reino Unido, dizem chefes de empresas ao governo

Exclusivo: ‘Precisamos ouvir os cientistas. O uso excessivo de agrotóxicos está matando nossas abelhas’, dizem chefes de empresa em carta ao ministro

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Uma única colher de chá de neonicotinóide é suficiente para administrar uma dose letal a 1,25 bilhão de abelhas, dizem os especialistas. Fotografia: Nick Ansell/PA

Por Helena Horton, repórter de Meio Ambiente, para o “The Guardian” 

O governo do Reino Unido deveria parar de ignorar a ciência e impedir o uso de um pesticida que mata abelhas, disseram líderes empresariais.

O agrotóxico neonicotinóide Cruiser SB é usado na beterraba sacarina e é altamente tóxico para as abelhas. É proibido na UE, mas o Reino Unido concordou provisoriamente com o seu uso emergencial todos os anos desde que deixou o bloco. Em 2017, o então secretário do Ambiente, Michael Gove, prometeu usar o Brexit para proibir todos os neonicotinóides.

Os consultores científicos do governo afirmaram em Setembro que não podiam apoiar uma autorização para o Cruiser SB, porque os “potenciais efeitos adversos para as abelhas e outros polinizadores superam os prováveis ​​benefícios”.

Agora, um grupo de empresas que dependem de polinizadores, incluindo alguns agricultores e aqueles que utilizam produtos botânicos nos seus produtos, disse que o governo deve seguir os seus conselhos e não permitir a utilização de pesticidas que matam as abelhas.

Em uma carta a Mark Spencer, a ministra da agricultura, Anabel Kindersley, o executivo-chefe da Neal’s Yard Remedies, Tim Mead, o chefe da Yeo Valley, bem como os conselhos da Lush e da Body Shop pediram-lhe para bloquear o uso do Cruiser SB.

“Precisamos ouvir os cientistas. O uso excessivo de agrotóxico está matando nossas abelhas e outras espécies de insetos essenciais dos quais dependemos para um ambiente saudável, seguro e limpo”, escreveram.

“Uma única colher de chá de neonicotinóide é suficiente para administrar uma dose letal a 1,25 bilhão de abelhas. Um terço da população de abelhas do Reino Unido desapareceu na última década e, desde 1900, o Reino Unido perdeu 13 das 35 espécies de abelhas nativas.

“Muitas empresas do Reino Unido dependem de uma população saudável de polinizadores para manter os elevados padrões dos nossos produtos. Precisamos de práticas agrícolas sustentáveis ​​que não prejudiquem o nosso ecossistema.”

A sacarina da beterraba tem uma das margens de lucro mais elevadas de qualquer cultura cultivada no Reino Unido, mas os produtores temem que esta possa ser atingida pelo vírus amarelo, uma doença transmitida por pulgões, que pode diminuir a produção agrícola.

As sementes são tratadas com Cruiser SB e isso mata os pulgões. No entanto, o agrotóxico se espalha pelo solo, o que significa que qualquer flor silvestre que nele cresça é tóxica para as abelhas que as visitem para polinizar.

Os sindicatos agrícolas e os produtores de beterraba sacarina têm feito lobby junto ao governo para permitir que o Cruiser SB seja usado no próximo ano, e acredita-se que os ministros provavelmente aprovarão seu uso emergencial.

Kindersley disse: “As abelhas e outros polinizadores críticos estão ameaçados simplesmente para produzir açúcar um pouco mais barato. Acreditamos que, ao agir contra o conselho dos seus próprios consultores científicos, o governo está a colocar em risco a merecida reputação de liderança ambiental do Reino Unido.”

Um porta-voz do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais disse: “Recebemos um pedido para usar o produto neonicotinóide Cruiser SB na safra de beterraba sacarina de 2024, que agora está sendo avaliada”.


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Este texto escrito orginalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Veja publica nota sobre desapropriações nunca pagas do Porto do Açu. Grilagem estatal de terras é o nome

Desapropriações envolvendo antigo porto de Eike se arrastam na Justiça. Processo de compensação das famílias é agravado pela constante troca de juízes

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Eike Batista fala na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que apura irregularidades no BNDES, em Brasília – 29/11/2017 (Marcos Oliveira/Agência Senado)

Por Victor Irajá

Na esteira da disputa entre a Prumo Logística e a OSX, última empresa do império de Eike Batista a sobreviver, na operação do Porto de Açu, no Rio de Janeiro, um impasse na indenização de cerca de 400 famílias de agricultores removidas para dar lugar ao porto se arrasta na Justiça desde 2010. Na ocasião, o governo de Sérgio Cabral removeu dos arredores cerca de 400 famílias de agricultores. A ideia era oferecer a área de 7.500 hectares que ocupavam para a instalação de um polo industrial, beneficiado pelas facilidades de transporte oferecidas pelo porto.

A indenização das famílias degringolou e até hoje se arrasta nos tribunais, com uma sucessão de conflitos sobre os critérios de avaliação das terras desapropriadas. Complexa por si só, a disputa só se acirrou desde a entrada da Prumo Logística como parte interessada das desapropriações ao lado do governo do Rio. O processo de compensação das famílias é agravado pela constante troca de juízes, resultando em revisões nas peritagens e desvalorização das propriedades, enquanto as terras permanecem abandonadas.


Fonte: Revista Veja

Whole Foods anuncia nova política de saúde de polinizadores para reduzir agrotóxicos na cadeia de abastecimento

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Por Sustainable Pulse 

Numa vitória para os compradores de alimentos saudáveis ​​e para a biodiversidade, o Whole Foods Market, propriedade da Amazon, anunciou na segunda-feira uma nova política de saúde para polinizadores  que visa reduzir o uso de agrotóxicos na sua cadeia de abastecimento de frutas e vegetais. A política procura ajudar a proteger as abelhas e outros polinizadores que são essenciais para uma em cada três mordidas de alimento. Como um dos maiores retalhistas alimentares dos EUA, o compromisso da Whole Foods ajudará a transformar as práticas de cultivo em milhares de hectares que fornecem produtos frescos a consumidores preocupados com a saúde.

A Whole Foods aderiu a uma tendência crescente no setor de varejo de alimentos que aborda ameaças à biodiversidade, tornando-se a décima terceira empresa no  Scorecard de Varejistas Amigos das Abelhas da Friends of the Earth  a estabelecer uma política de polinizadores que aborda agrotóxicos em sua cadeia de fornecimento.

“A política da Whole Foods é um passo importante num momento em que  40% dos insetos polinizadores enfrentam a extinção ”, disse Kendra Klein, PhD, cientista sénior da Friends of the Earth. “Depois de mais um ano de perdas devastadoras para as abelhas, os retalhistas de alimentos devem acelerar o seu compromisso de proteger os polinizadores, estabelecendo metas mensuráveis ​​para eliminar agrotóxicos para as abelhas no seu abastecimento alimentar.”

A perda de polinizadores ameaça a segurança alimentar numa cadeia de abastecimento já frágil. Os apicultores dos EUA relataram  uma das maiores perdas anuais  já registradas no ano passado. A investigação indica que a perda de polinizadores já  resultou na diminuição da produção de culturas essenciais  como maçãs, cerejas e tomates nos Estados Unidos.

A política da Whole Foods exige que os fornecedores de produtos frescos e florais adotem práticas de Manejo Integrado de Pragas (MIP) até 2025. Os fornecedores podem trabalhar com certificações de terceiros designadas com critérios de MIP significativos ou enviar um atestado legal confirmando que aderem aos requisitos da política .

Numa indústria vulnerável às alterações climáticas e à perda de biodiversidade, o MIP orienta os agricultores a utilizarem métodos ecológicos que apoiem a sustentabilidade global das suas terras. O MIP pode reduzir o uso de agrotóxicos, exigindo que os agricultores utilizem primeiro abordagens não químicas para gerir as pragas, tais como a rotação de culturas, a plantação de variedades resistentes e a promoção de insetos benéficos.

A política também incentiva os fornecedores de produtos agrícolas a eliminarem gradualmente o uso dos agrotóxicos neonicotinóides mais preocupantes. A investigação mostra que a agricultura dos EUA tornou-se  48 vezes mais tóxica para as abelhas  e outros insetos desde o advento do uso de neonicotinóides, há três décadas. Além disso, a política proíbe a utilização de neonicotinóides nitroguanidinas em vasos de plantas – uma medida que alinha a empresa com mais de 140 retalhistas de jardinagem e viveiros de plantas que assumiram  compromissos semelhantes .

A política da Whole Foods destaca a importância da produção orgânica na proteção dos polinizadores, afirmando que a empresa “há muito tempo defende a saúde dos polinizadores através do nosso compromisso com a produção orgânica”. A agricultura orgânica baseia-se em práticas robustas de MIP, e a certificação orgânica proíbe o uso de mais de 900 agrotóxicos, incluindo aqueles de maior preocupação para a saúde dos polinizadores e das pessoas, como os neonicotinóides, os organofosforados e o glifosato. A investigação mostra que a agricultura biológica pode ajudar  os polinizadores a prosperar .

Os mesmos agrotóxicos que ameaçam os polinizadores também  prejudicam a saúde humana , incluindo os trabalhadores agrícolas e as comunidades rurais nas linhas de frente da exposição. Estes produtos químicos amplamente utilizados também  ameaçam a vida do solo  , que é fundamental para abordagens agrícolas regenerativas que aumentam a resiliência dos agricultores às alterações climáticas, conservam a água e melhoram a capacidade do solo de sequestrar carbono.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela Sustainable Pulse [Aqui!].

Os aproveitadores da guerra: empresas que alimentam o ataque israelense a Gaza

Revelando as engrenagens corporativas da guerra: um olhar abrangente sobre as empresas por trás da devastadora campanha militar de Israel em Gaza

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Por Alexis Sterling para o “Nation of Change” 

À medida que a poeira assenta sobre Gaza, as reverberações da ofensiva israelita, apoiada por espantosos 3,8 mil milhões de dólares em ajuda militar anual dos EUA, ecoam globalmente. Esta ajuda constitui a espinha dorsal de um arsenal sofisticado, reforçado ainda por um pacote de guerra de 14,3 mil milhões de dólares solicitado pela administração Biden. Estes números não são apenas números; representam uma tábua de salvação de armamentos, um fluxo de poder destrutivo que remodelou a paisagem de Gaza e do seu povo.

O governo dos EUA facilitou a transferência de uma imensa variedade de armas para Israel. No primeiro mês e meio após a declaração de guerra de 7 de Outubro, mais de 15.000 bombas e 50.000 projéteis de artilharia chegaram às mãos israelitas. O sigilo que envolve estas transferências realça a natureza sensível deste apoio, um tema frequentemente deixado de fora do discurso público e da supervisão do Congresso.

Durante os ataques das “Espadas de Ferro” de Outubro-Dezembro de 2023 a Gaza, Cisjordânia, Líbano e Síria, numerosas empresas foram identificadas por fornecerem armas e equipamento militar a Israel. Esta lista inclui empresas que desempenharam um papel significativo nestes ataques, fornecendo vários tipos de armamento e apoio.

Os gigantes corporativos por trás do conflito

  • Boeing : Este titã aeroespacial fornece a Israel jatos F-15, helicópteros Apache e uma série de bombas, incluindo aquelas usadas no bombardeio devastador do campo de refugiados de Jabalia, em Gaza.
  • Caterpillar : Suas escavadeiras blindadas, há muito um símbolo do poderio militar israelense, foram fundamentais na invasão terrestre, facilitando o caminho da destruição.
  • BAE Systems : A empresa sediada no Reino Unido fornece o obuseiro de artilharia M109, uma arma que tem trovejado por Gaza, disparando projéteis que incluem munições de fósforo branco proibidas.
  • Elbit Systems : O maior fabricante de armas de Israel fornece uma gama de armas, desde drones a projéteis de artilharia, desempenhando um papel fundamental nas estratégias de vigilância e ataque em Gaza.
  • General Dynamics : Esta empresa é a única produtora da série de bombas MK-80 e projéteis de 155 mm, as munições primárias que cobrem Gaza em explosões.
  • General Electric : Os motores da GE alimentam os helicópteros Apache, um componente chave nos ataques aéreos de Israel.
  • Lockheed Martin : Como maior negociante de armas do mundo, os jatos F-16 e F-35 da Lockheed Martin tornaram-se sinônimos dos céus de Gaza. Os seus mísseis Hellfire têm sido uma marca do conflito actual.
  • Northrop Grumman, AM General, Ford, Oshkosh, Toyota : Essas empresas fornecem veículos blindados e caminhões, essenciais para operações terrestres e transporte de tropas.
  • AeroVironment, Skydio, XTEND : Essas empresas de tecnologia fornecem a Israel drones de última geração, acrescentando uma dimensão crítica às capacidades de vigilância e ataque de Israel.
  • Empresa de manufatura da Colt, Emtan Karmiel : Esses fabricantes de armas de fogo equipam as forças israelenses com rifles e armas de assalto, essenciais tanto para operações de defesa quanto para operações ofensivas.
  • Indústrias Aeroespaciais de Israel : Uma empresa estatal, desenvolve sistemas de armas sob medida, incluindo drones usados ​​extensivamente no conflito.
  • Plasan, MDT Armor (Shladot) : Especializados em veículos blindados leves, os produtos dessas empresas atuam tanto em funções ofensivas quanto de reconhecimento.
  • ThyssenKrupp, Nordic Ammunition Company : Empresas estrangeiras contribuindo com navios de guerra e munições, aumentando a diversidade do equipamento militar de Israel.

O número sombrio de mais de 20.000 palestinos mortos em Gaza é um lembrete claro da eficiência brutal da guerra. Este número inclui pelo menos 7.700 crianças, cujas vidas foram extintas num conflito que não poupou ninguém. O bombardeamento israelita, marcado pela sua intensidade e amplitude, não só custou vidas, mas também deixou uma marca indelével nas infra-estruturas de Gaza, tornando vastas áreas inabitáveis.

No meio das ruínas, o desafio da entrega de ajuda humanitária avulta. O enclave sitiado, que enfrenta a deslocação e a destruição de infra-estruturas civis, é uma crise humanitária de proporções monumentais. O mundo observa como os esforços para fornecer ajuda são dificultados a cada passo, um testemunho do impacto de longo alcance da guerra.

A guerra galvanizou protestos em todo o mundo, com vozes exigindo um cessar-fogo cada vez mais altas. Notavelmente, muitas destas vozes vêm de dentro da comunidade judaica, um sinal do crescente descontentamento e do dilema moral enfrentados pelos apoiantes de Israel em todo o mundo.

A AFSC, uma organização Quaker com raízes profundas na região, tem manifestado o seu apoio a um embargo total de armas a grupos militantes israelitas e palestinianos. A sua posição é clara: a guerra e os ataques a civis nunca abrirão um caminho para a paz ou a segurança, tanto para os israelitas como para os palestinianos. A necessidade de um cessar-fogo permanente e de um compromisso com uma paz justa e duradoura na região é fundamental.

À medida que analisamos as consequências deste último capítulo de um conflito de longa data, o papel das empresas cotadas torna-se evidente. As suas contribuições, sob a forma de armamento avançado e equipamento militar, facilitaram uma guerra que deixou cicatrizes profundas em Gaza e no seu povo.

Nas palavras de Noam Perry do AFSC, “A escala da destruição e dos crimes de guerra em Gaza não seria possível sem transferências massivas de armas dos EUA”.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela “Nation of Change” [Aqui!].