Um trilhão de dólares em risco climático: o caso de uma reserva para riscos sistêmicos, mostra relatório da Finance Watch

Por Finance Watch 

As mudanças climáticas são agora uma fonte reconhecida de risco financeiro para os bancos. Este relatório quantifica a exposição dos bancos globais aos combustíveis fósseis e mostra como ações macroprudenciais antecipadas podem tornar os bancos mais resilientes e reduzir o acúmulo de riscos climáticos no sistema financeiro – sem prejudicar a capacidade de empréstimo.

Um ciclo de feedback perigoso de um trilhão de dólares

À medida que o caos climático se desenrola implacavelmente, novos riscos sistêmicos surgem e o setor bancário está particularmente exposto. Com mais de US$ 1,6 trilhão em empréstimos à indústria de combustíveis fósseis ( ver relatório p. 9) , os 60 maiores bancos do mundo alimentam um ciclo duplo de retroalimentação 

1) No caminho acidentado para o zero líquido, estes ativos de combustíveis fósseis sofrerão inevitavelmente desvalorizações acentuadas, expondo os bancos a riscos de transição significativos e 

2) Esses investimentos substanciais geram caos climático, o que contribui para o acúmulo de riscos climáticos físicos em todo o sistema, aos quais os bancos também estão expostos.

As abordagens prudenciais atuais são insuficientes

Conscientes da ameaça à estabilidade financeira, os supervisores estão exigindo que os bancos quantifiquem esse risco para contribuição direta à estrutura de gestão de risco existente. O problema: ferramentas quantitativas como modelos de gestão de risco, testes de estresse e requisitos de divulgação são pouco adequadas à natureza não linear e prospectiva do risco climático. Elas dependem fortemente de dados passados ​​ou de cenários climáticos que subestimam sistematicamente a escala e a complexidade dos impactos climáticos futuros, dando uma falsa sensação de segurança aos mercados financeiros. Até o momento, as ameaças macroprudenciais causadas pelo acúmulo de risco climático permanecem em grande parte ignoradas pelos reguladores, deixando o sistema financeiro cada vez mais vulnerável.

Custos e benefícios de uma reserva de risco sistémico climático

O Finance Watch apela à criação de uma reserva para o risco sistémico climático e mostra como esta poderia ser calibrada através de uma abordagem de relação empréstimo/valor. Reduziria a exposição do contribuinte, controlando a acumulação precoce de risco sistêmico e protegendo as perdas de transição dos bancos. Também eliminaria uma distorção de mercado.nos mercados de energia.  É importante ressaltar que o buffer não teria impacto na capacidade de empréstimo dos bancos europeus (ver relatório, p. 24), mas sim positivo em sua competitividade. O Finance Watch apela às autoridades financeiras para que tomem medidas regulatórias resolutas, de acordo com o mandato do Artigo 501c do Regulamento de Requisitos de Capital.

Leia o relatório do Finance Watch [Aqui!].

Em São Paulo, periquitos, maracanãs e papagaios buscam alimento em 79 espécies de plantas

Periquito-rico verde se alimenta de coquinho de jerivá em árvore no campus da USP.

Periquito-rico se alimenta de coquinho de jerivá no campus da USP.  Foto: José Carlos Motta Junior

Agência BORI

Uma pesquisa realizada no campus da Universidade de São Paulo (USP) acompanhou durante três anos a dieta de psitacídeos (aves da família dos papagaios, araras e periquitos) em vida livre e trouxe informações inéditas sobre como eles estão se adaptando ao ambiente urbano. O artigo com os resultados será publicado em breve na Revista do Instituto Florestal. 

A escolha do campus da USP não foi por acaso: trata-se de uma área extensa e heterogênea, que reúne desde prédios e estacionamentos até jardins arborizados e bordas de Mata Atlântica, funcionando como um verdadeiro laboratório vivo para estudar a biodiversidade em cidades. O levantamento registrou 2.929 eventos alimentares, envolvendo principalmente três espécies: periquito-rico (Brotogeris tirica), maracanã-pequena (Diopsittaca nobilis) e papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva).

A motivação para o estudo surgiu da grande incidência de psitacídeos observada no campus e da constatação de que havia pouca produção científica sobre sua alimentação em áreas urbanas. “Notamos que a maioria dos trabalhos era realizada em ambientes naturais. Ao registrar essas aves no campus da USP, buscamos compreender como elas estão se adaptando a um cenário bastante modificado”, explica o professor doutor sênior José Carlos Motta-Junior, mestre em Zoologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e doutor em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).

Um dos principais diferenciais do trabalho é o uso exclusivo de fotografias (e eventualmente vídeos) para registrar os hábitos alimentares. Essa metodologia, pouco explorada até mesmo em nível mundial, trouxe mais precisão aos resultados. “Ao fotografar, conseguimos analisar depois no computador e confirmar o que estava sendo consumido. Por exemplo, em alguns casos o que parecia ser extração de néctar numa primeira impressão, ao ampliar as imagens, se revelava consumo de pólen. Se dependêssemos apenas da observação direta, poderíamos registrar de forma incorreta”, comenta o pesquisador.

O levantamento identificou 83 itens alimentares, sendo 79 espécies de plantas, a maioria arbóreas. Na cidade, a dieta dos periquitos, maracanãs e papagaios se baseia em grande parte nos coquinhos do jerivá, no araçá-roxo e nas sementes da paineira. Aproximadamente 60% das plantas consumidas eram nativas, fornecendo sementes, frutos e flores, enquanto cerca de 40% eram exóticas. Essa diversidade demonstra a flexibilidade alimentar das aves, fundamental para sua permanência em áreas modificadas. “Esse jogo de cintura permite que não apenas sobrevivam, mas também se reproduzam localmente, sem necessidade de migração”, acrescenta Motta-Junior.

Apesar do grande número de registros, o estudo reconhece algumas limitações, uma vez que, muitas vezes, as aves permanecem escondidas e em silêncio nas copas das árvores, dificultando a observação. Mesmo assim, a amostragem foi considerada robusta, representando a heterogeneidade do campus, que vai de áreas com forte intervenção humana até bordas de Mata Atlântica. Outro aspecto interessante é a mudança das estações do ano (sazonalidade), com maior consumo de flores em períodos secos, mostrando a adaptação às variações na disponibilidade de alimento.

A pesquisa também se destacou por não depender de financiamento externo. Os equipamentos utilizados já estavam disponíveis e a própria dinâmica de coleta não exigiu recursos adicionais. Para o pesquisador, a colaboração de estudantes de graduação da USP foi essencial no processo de coleta e análise dos dados, resultando em um trabalho coletivo de grande impacto.

Além de ampliar o conhecimento sobre a dieta dessas aves, o estudo oferece subsídios importantes para o manejo das áreas verdes urbanas. A predominância do consumo de plantas nativas reforça a importância de priorizar essas espécies em projetos de arborização. “É fundamental valorizar a flora nativa, mas sem excluir totalmente algumas exóticas, especialmente as que fornecem alimento em épocas de escassez e que não apresentam risco de invasão”, afirma Motta-Junior.

Para o especialista, os resultados também têm um papel educativo e de sensibilização. “Há um ditado que diz: conhecer é preservar. Ao divulgar dados básicos de ecologia e história natural, aproximamos a população da biodiversidade que ainda existe nas cidades, tornando mais pessoas conscientes e dispostas a valorizar essa riqueza”, destaca.

Os próximos passos da pesquisa incluem a continuidade do monitoramento para ampliar a lista de itens alimentares registrados e o aprofundamento em estudos sobre interações ecológicas, como polinização e dispersão de sementes. Também está em andamento a produção de um fotolivro digital gratuito sobre os psitacídeos do campus e a sua relação com as plantas, a ser disponibilizado futuramente no Portal de Livros Abertos da USP.


Fonte: Agência Bori

O custo oculto dos alimentos ultraprocessados ​​no meio ambiente

Os alimentos industrializados envolvem vários ingredientes e processos para serem preparados, o que torna difícil analisar seu verdadeiro custo

bombons de chocolate multicoloridos

Embora os cientistas estejam apenas começando a examinar o impacto ambiental dos AUPs, o que já se sabe sobre eles é preocupante. Fotografia: ULRO/Getty Images

Por Véronique Carignan para “The Guardian” 

Se você olhar para um pacote de M&Ms, um dos doces mais populares nos EUA, verá alguns ingredientes familiares: açúcar, leite em pó desnatado, manteiga de cacau. Mas verá muitos outros que não são tão reconhecíveis: goma arábica, dextrina, cera de carnaúba, lecitina de soja e E100.

Os M&Ms têm 34 ingredientes e, de acordo com a Mars, empresa que produz os doces, pelo menos 30 países – da Costa do Marfim à Nova Zelândia – estão envolvidos no fornecimento. Cada um tem sua própria cadeia de suprimentos que transforma as matérias-primas em ingredientes – cacau em licor de cacau, cana em açúcar, petróleo em corante azul alimentício.

Esses ingredientes então viajam pelo mundo até uma unidade central de processamento, onde são combinados e transformados em pequenas gemas de chocolate azuis, vermelhas, amarelas e verdes.

Está se tornando mais claro que os sistemas alimentares são um dos principais impulsionadores da crise climática . Cientistas podem analisar o desmatamento para a agricultura ou as emissões de metano da pecuária. Mas o impacto ambiental de alimentos ultraprocessados ​​– como M&Ms – é menos claro e só agora começa a ganhar destaque. Um dos motivos pelos quais eles têm sido tão difíceis de avaliar é a própria natureza dos AUPs: esses alimentos industrializados incluem um enorme número de ingredientes e processos para sua composição, tornando-os quase impossíveis de rastrear.

Mas isso não significa que não seja importante. À medida que os AUPs tomam conta das prateleiras dos supermercados e das dietas dos EUA – eles agora representam 70% dos alimentos vendidos em supermercados e mais da metade das calorias consumidas –, especialistas afirmam que compreender seu impacto ambiental é fundamental para construir um sistema alimentar mais favorável ao clima.

O que sabemos

Embora os cientistas estejam apenas começando a examinar o impacto ambiental dos AUPs, o que já se sabe sobre eles é preocupante.

“Quanto mais processados ​​os alimentos, mais prejudiciais eles são à saúde humana e ao meio ambiente”, disse Anthony Fardet, pesquisador sênior do Instituto Nacional Francês de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente. O principal motivo, explica ele, é que os ingredientes consomem muita energia. Quando combinados, o custo é exorbitante.

Está bem documentado que a agricultura para ingredientes como o cacau impulsiona taxas cada vez maiores de desmatamento em todo o mundo. Desde 1850, a expansão agrícola impulsionou quase 90% do desmatamento global, responsável por 30% das emissões globais de gases de efeito estufa. A Mars Corporation já foi criticada no passado pelas práticas de cultivo de cacau em sua cadeia de suprimentos e, desde então, criou planos de sustentabilidade , mas estes não abordam o fato de que práticas agrícolas em larga escala, como o cultivo de cacau, são, em sua essência, insustentáveis .

Depois, há o açúcar, os sólidos do leite e a gordura da palma, também grandes emissores de gases de efeito estufa.

Além disso, existem ingredientes industrializados, como corantes alimentícios – talvez a marca registrada do ultraprocessamento – dos quais os M&Ms contêm 13 tipos diferentes. Os M&Ms azuis são coloridos com os corantes E132 e E133; esses corantes são produzidos principalmente em polos de produção de corantes alimentícios como Índia e China, por meio de uma reação química de hidrocarbonetos aromáticos (que são derivados de petróleo) com sal de diazônio, catalisada pelos metais cobre e cromo.

M&Ms à venda
M&Ms à venda em Orlando, Flórida, em 2019. Fotografia: Jeff Greenberg/Universal Images Group via Getty Images

A criação da lecitina de soja, um aditivo feito a partir do óleo de soja usado para alterar a consistência do chocolate, requer etapas como a degomagem em um reator quente, o isolamento químico dos fosfolipídios, a descoloração com peróxido de hidrogênio e a secagem sob pressão a vácuo. E a dextrose , um adoçante, começa como milho, que é embebido em ácido antes de ser moído, separado e seco. A partir daí, é decomposto em moléculas menores usando enzimas e ácidos e, em seguida, recristalizado.

Mars se recusou a comentar esta história.

Embora os produtos de chocolate ultraprocessados ​​sejam alguns dos piores infratores, outros tipos de UPFs também são prejudiciais ao meio ambiente. Tomemos como exemplo o Doritos, que tem 39 ingredientes . O milho é o ingrediente principal e, para cada acre cultivado, 1.000 kg de dióxido de carbono são emitidos para a atmosfera. Assim como a Mars, a Pepsico, que fabrica o Doritos, desenvolveu suas próprias promessas de sustentabilidade , mas muitas dessas promessas são sustentadas por práticas consideradas greenwashing, como a “ agricultura regenerativa “. Na realidade, essas promessas de sustentabilidade minam a extrema necessidade de entender melhor como os UPFs afetam o clima global.

Como resultado, alguns especialistas começaram a calcular o impacto ambiental dos UPFs.

A CarbonCloud, uma empresa de software com sede na Suécia que calcula as emissões de produtos alimentícios, analisou as divulgações de carbono da Mars e estimou que os M&Ms geram pelo menos 13,2 kg de equivalentes de carbono por quilo de M&Ms produzidos. A Mars produz mais de 664 milhões de kg de M&Ms nos EUA a cada ano, o que significa que, se os cálculos da CarbonCloud estiverem corretos, os doces emitem pelo menos 3,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono – representando 0,1% das emissões anuais nos EUA. (A Mars não divulga as emissões por produto, mas, de acordo com seu relatório de emissões de 2024, emitiu 29 milhões de toneladas de dióxido de carbono em toda a empresa.)

Mas esta é apenas uma estimativa baseada em dados disponíveis publicamente; o custo real é provavelmente muito maior, dizem os especialistas. Existe uma “caixa preta” quando se trata de contabilização de carbono na indústria de alimentos processados, afirma Patrick Callery, professor da Universidade de Vermont que pesquisa como as empresas lidam com a crise climática. “Há muita incerteza à medida que as cadeias de suprimentos se tornam mais complexas.”

O que não sabemos

Obter uma medida exata do impacto ambiental dos AUPs é quase impossível, visto que, por definição, eles consistem em muitos ingredientes e um alto volume de processos opacos. Os ingredientes não são simplesmente misturados como se faria para preparar um ensopado em casa. Em vez disso, esses ingredientes são quimicamente modificados, algumas partes são removidas e aromatizantes, corantes ou texturas são adicionados – e não está claro qual é o custo desses processos, pois há muitos fornecedores e componentes envolvidos.

Outro motivo é que todos os UPFs (novamente, por definição) são criações de empresas alimentícias que têm pouco incentivo para divulgar sua pegada ambiental e podem não entendê-la completamente para começar.

Por exemplo, a própria Mars não cultiva cacau, mas sim centenas de fazendas que nem sempre contam com medidas precisas de contabilização de carbono. Isso significa que as emissões de grandes empresas alimentícias podem ser subnotificadas. David Bryngelsson, cofundador da CarbonCloud, afirmou que as empresas “não têm dados reais, então usam fatores de emissão, que são palpites”.

Callery afirma que as empresas fornecem relatórios sobre questões simples como transporte, que são mais fáceis de calcular, e frequentemente omitem ou distorcem as emissões agrícolas de seus produtos. Afinal, relatar altas emissões vai contra os interesses das grandes corporações alimentícias, de modo que os cálculos complexos necessários para determinar a pegada de carbono da agricultura em larga escala e dos processos químicos industriais de múltiplas etapas usados ​​para produzir ingredientes UPF permanecem sem pesquisa.

“O principal objetivo dos alimentos ultraprocessados ​​é o dinheiro”, disse Fardet, ressaltando que eles são projetados para serem atraentes, fáceis e prazerosos de comer.

“A maioria das pessoas na cadeia de valor [da indústria alimentícia] não se importa com as mudanças climáticas do ponto de vista ideológico, mas sim com o dinheiro”, disse Bryngelsson. Ele explica que, para mudar esses incentivos, o valor dos alimentos e ingredientes precisaria incorporar seu impacto no clima compartilhado. Mas isso exigiria regulamentações governamentais e penalidades financeiras com base no verdadeiro custo ambiental dos AUPs, diz Bryngelsson.

Por que isso importa

Por pouco menos de US$ 2, o preço dos M&Ms no supermercado dificilmente reflete seu verdadeiro custo para o meio ambiente. Mas para resolver esses problemas com alimentos ultraprocessados, são necessários mais do que apenas alguns ajustes na lista de ingredientes.

“Reduzir o sal ou o açúcar de apenas um produto é apenas greenwashing”, disse Fardet. “Precisamos mudar todo o cenário.” Para isso, ele sugeriu consumir mais alimentos integrais de origem local, que muitas vezes exigem muito menos energia e transporte para serem produzidos e, portanto, têm uma pegada de carbono muito menor.

Produtos especiais que não podem ser adquiridos localmente, como chocolate, devem representar uma pequena fração da nossa dieta e vir de cadeias de suprimentos rastreáveis ​​e éticas.

Isso não é fácil para todos os americanos, dado o aumento do custo dos alimentos e a prevalência de desertos alimentares e varejistas de alimentos medíocres nos EUA.

É por isso que não cabe apenas aos indivíduos fazer escolhas conscientes em termos ambientais (e de saúde), afirmam especialistas. Em vez disso, as grandes corporações alimentícias precisam ser responsabilizadas pelo fardo que representam para a sociedade – especialmente no que se refere às mudanças climáticas. Práticas de sustentabilidade, como o plano ” Cacau para Gerações ” delineado pela Mars, ou as iniciativas ” Pep+ ” da Pepsico, são curativos em ossos quebrados. As grandes corporações alimentícias precisam ser gradualmente eliminadas para tornar os sistemas alimentares globais sustentáveis .

Mas talvez o mais importante seja mudar nossa compreensão dos custos ocultos dos alimentos ultraprocessados, diz Fardet, seja em casa, nas escolas ou por meio da proibição da comercialização de AUPs para crianças. Nossos sistemas alimentares, disse Fardet, “não são absolutamente normais. Toda a indústria deve arcar com os custos ocultos”.


Fonte: The Guardian

Agrotóxicos fora da lei: MPSP identifica entrada do PCC no bilionário mercado dos agrotóxicos ilegais

Investigação no interior paulista mostra como a facção atua na falsificação e distribuição de defensivos agrícolas. Impacto financeiro é estimado em R$ 20 bilhões por ano pelo setor

Por Leonardo Zvarick para “CBN”

Foram trocas de mensagens entre membros do PCC que acenderam o alerta no Ministério Público de Franca, no interior de São Paulo, sobre o envolvimento de membros da facção na venda de agrotóxicos ilegais. A região, segundo o promotor de Justiça Adriano Mellega, é o principal polo de falsificação desses produtos no Brasil, com distribuição para todo o território nacional e até para o exterior.

A rede criminosa é composta por ao menos nove núcleos autônomos, especializados, por exemplo, em produzir embalagens, fraudar notas fiscais e negociar os produtos pela internet. Mais de uma década de investigação demonstrou que o mercado atrai desde quadrilhas pequenas a organizações criminosas mais estruturadas – o que faz crescer a preocupação das autoridades.

‘Quando o PCC e outras organizações começam a penetrar na logística e na cadeia lícita por meio de empresas ilícitas, eles não fazem de uma vez. Eles começam a atuar justamente em paralelo, eles começam a fazer uma transição e, quando a gente vê, eles dominaram aquele determinado nicho. Então é uma situação que causa preocupação porque a gente percebe agora esse tipo de atuação integrada em paralelo dessa organização’.

Os laboratórios clandestinos têm características semi-industriais, com esteiras e máquinas para preencher galões em larga escala. Rótulos e selos idênticos aos originais dão aparência de legitimidade aos produtos, que, em geral, são uma mistura química de água, solventes, corantes e uma parte menor de princípios ativos.

Em uma operação recente, os agentes do Ministério Público de Franca encontraram, em uma única instalação, embalagens suficientes para falsificar 155 mil litros de agrotóxicos- o que poderia levar a um prejuízo superior a R$ 30 milhões para o setor formal.

O mercado ilegal representa de 20% a 25% dos agrotóxicos vendidos no Brasil, conforme estimativas da indústria. As principais modalidades são o contrabando, seguido pela falsificação ou adulteração. Fabricados à margem do sistema regulatório brasileiro, esses produtos não têm eficácia e podem prejudicar a plantação.

O gerente de combate a produtos ilegais da CropLife, Nilto Mendes, explica que além dos impactos sociais, ambientais e de saúde, um dos maiores riscos é a perda de credibilidade nas exportações agrícolas.

‘A gente corre riscos, e isso já aconteceu, de sofrer embargos a commodities agrícolas exportadas para o mundo inteiro, se forem identificados contaminantes naquela produção agrícola. Aqui na região do interior de São Paulo, onde se falsifica bastante, tem relato de que há pelo menos 25 contaminantes diferentes naquela mistura química que deveria ser um defensivo agrícola legítimo’.

Diferentes órgãos do governo atuam no combate aos agrotóxicos ilegais, como Ministério da Agricultura, Ibama e Receita Federal. A Polícia Rodoviária Federal também monitora rotas estratégicas para distribuição desses produtos.

De acordo com Thiago de Castro, chefe do setor de enfrentamento aos crimes transfronteiriços da PRF, as fronteiras secas com o Paraguai, Argentina e o Uruguai – onde  agrotóxicos proibidos no Brasil são legalizados – são as principais portas de entrada. O volume de contrabando também tem crescido nos portos, em meio a mercadorias legais vindas da China e Índia.

Recentemente, a PRF observou crescimento nas apreensões em estados do Norte, em especial Pará e Roraima. Para Thiago de Castro, isso pode indicar que os criminosos estão buscando caminhos menos fiscalizados, utilizando inclusive modais alternativos, como rios, e compartilhando rotas utilizadas pelo garimpo e tráfico de drogas. Segundo ele, o transporte tem se tornado mais difícil de rastrear.

‘Quando a gente pega o transporte dessa mercadoria, ele se dá de forma fragmentada, é aquele contrabando formiguinha. Nem sempre vai ser um membro da organização criminosa fazendo o transporte do agrotóxico. Geralmente eles fazem a cooptação de pessoas vulneráveis para que possam levar esse material, seja num veículo, seja no compartimento de carga de um ônibus’.

Tanto o contrabando quanto a falsificação de agrotóxicos afetam toda a cadeia produtiva, gerando um impacto financeiro estimado em R$ 20 bilhões por ano pelo setor.


Fonte: CBN

Mineração ilegal de ouro desmata 140.000 hectares da Amazônia peruana

Grupos criminosos armados destroem florestas tropicais preciosas para lucrar com preços recordes do ouro, segundo relatório

Paisagem de terra árida e grandes lagoas de água verde brilhante.

A mineração ilegal deixa faixas de poças de água verde estagnada onde antes havia uma densa e ecologicamente rica floresta tropical na região de Madre de Dios, no Peru. Fotografia: Cris Bouroncle/AFP/Getty Images 

Por Lucas Taylor para “The Guardian”

Uma corrida ilegal ao ouro derrubou 140.000 hectares de floresta tropical na Amazônia peruana e está se acelerando à medida que grupos armados estrangeiros se mudam para a região para lucrar com os preços recordes do ouro, de acordo com um relatório.

Cerca de 540 milhas quadradas de terra foram desmatadas para mineração no país sul-americano desde 1984, e a destruição ambiental está se espalhando rapidamente pelo país, descobriram o Projeto de Monitoramento da Amazônia Andina (MAAP) e sua organização parceira peruana, Conservación Amazónica.

A corrida do ouro também está contaminando seus cursos d’água. Garimpeiros ilegais usam dragas – máquinas flutuantes que trituram e expelem o leito dos rios – deixando para trás o mercúrio tóxico usado para extrair ouro dos sedimentos.

Imagens aéreas de ultra-alta resolução permitiram que o MAAP, parte da Amazon Conservation , identificasse dragas ao lado do desmatamento pela primeira vez, permitindo identificar garimpeiros e revelando que a crise ambiental, antes confinada ao sul do país, estava se espalhando para o norte.

Um rio corre entre uma floresta densa e verde.
A Floresta Amazônica no Peru. Fotografia: mariusz_prusaczyk/Getty Images/iStockphoto

“Costumávamos ver isso apenas na região de Madre de Dios, mas agora estamos vendo isso em todos os lugares”, disse o diretor do MAAP, Matt Finer.

preço do ouro ultrapassou US$ 4.000 pela primeira vez esta semana nos mercados internacionais, com o aumento da ansiedade global em relação à fragilidade financeira. Grupos indígenas alertaram que, com a alta do preço do ouro, grupos armados estão cada vez mais destruindo suas florestas e contaminando seus rios em busca do metal precioso.

As imagens aéreas do MAAP mostram que áreas outrora densas de selva verde estão sendo transformadas em paisagens lunares sem vida de terra cinzenta salpicadas de poças estagnadas de água verde.

“Este pequeno quadrado é apenas uma pequena amostra”, diz Finer, apontando para uma pequena parte da vasta mancha vermelha de desmatamento mapeada no relatório. “Imagine isso multiplicado por 140.000 hectares.”

Os resíduos de mercúrio se acumulam nos peixes e são transmitidos às pessoas que os comem, causando problemas neurológicos e de desenvolvimento, como defeitos congênitos e dificuldades de aprendizagem.

Um estudo recente de comunidades ribeirinhas na região de Loreto, no extremo norte do Peru, descobriu que o nível médio de mercúrio era quase quatro vezes maior que o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

A análise do MAAP descobriu que 225 rios e córregos foram afetados, com 989 dragas detectadas em Loreto desde 2017 — incluindo 275 somente neste ano no Rio Nanay, um afluente do Amazonas que é a força vital dos ecossistemas e de dezenas de comunidades indígenas.

“Eles estão envenenando nossos rios – é a água que bebemos”, disse Roberto Tafur Shupingahua, representante de várias comunidades ribeirinhas em Loreto.

Homem despeja líquido na tigela.
Um mineiro no Peru extrai ouro usando mercúrio. Fotografia: Nacho Doce/Reuters

Shupingahua disse que comunidades locais começaram a bloquear o avanço dos mineiros pelo Rio Tigre, em Loreto, há 40 dias, o que levou a tiroteios com invasores armados. “Não temos escolha a não ser revidar, mas estamos sozinhos. O Estado não está à vista”, disse ele, elevando a voz em sinal de raiva.

A mineração continua concentrada na região de Madre de Dios, no sul do Peru, mas novos pontos críticos estão surgindo mais ao norte, em Loreto, Amazonas, Huánuco, Pasco e Ucayali.

Elas são pequenas, mas uma vez que a mineração esteja estabelecida, ela poderá se expandir rapidamente, disse Finer, acrescentando que o relatório foi um vislumbre do que estava acontecendo no resto da Amazônia.

“Esta é a primeira vez que conseguimos analisar um país com tantos detalhes, mas acho que no Brasil, na Bolívia e na Colômbia veremos exatamente a mesma coisa”, disse ele.

Com os preços do ouro ultrapassando US$ 4.000 a onça, grupos armados estrangeiros estão cada vez mais se aventurando através da fronteira para as selvas sem lei do Peru, onde as autoridades locais estão fazendo pouco para detê-los, diz Bram Ebus, criminologista e consultor do International Crisis Group.

Redes criminosas, incluindo os Comandos de la Frontera da Colômbia e o Comando Vermelho do Brasil, estão cada vez mais ativas do outro lado da fronteira.

“Redes criminosas internacionais que traficam cocaína e lavam lucros por meio da mineração ilegal de ouro — agora com preços altos proporcionando retornos substanciais — se combinam com um governo em Lima que não tem sido um obstáculo sério contra o crime organizado”, disse Ebus.

O Grupo Andino – uma coalizão política de países sul-americanos – disse ao Peru na terça-feira para levar a sério a mineração ilegal ou poderá enfrentar sanções econômicas.

Mas Finer disse: “O ouro está muito lucrativo agora. Não vejo sinais de queda nos preços, então provavelmente vai piorar antes de melhorar.”


Fonte: The Guardian

Campos dos Goytacazes é um lugar ainda longe da necessária adaptação climática, mostra estudo na Uenf

Chuva causou alagamento na Rua Antônio de Castro com a Zuza Mota, em  Campos, no RJ

Venho estudando e orientando estudos referentes ao processo de adaptação às consequências trazidas pelas mudanças climáticas que estão ocorrendo em função da emissão de gases poluentes que resultou no aquecimento da atmosfera da Terra.  Um dos focos desses estudos são os esforços realizados (ou melhor, não realizados) para dotar governos locais dos instrumentos necessários para preparar as cidades para as drásticas mudanças que estão ocorrendo por causa do aquecimento.

Pois bem, hoje venho divulgar a dissertação intitulada “Potencialidades e entraves para realizar o processo de adaptação climática em Campos dos Goytacazes/RJ” que foi defendida com êxito pela minha orientanda Débora Silva Rodrigues no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf.  O estudo empregou uma série de técnicas de coleta de dados com o objetivo de obter as perspectivas existentes na população, pesquisadores e agentes de governo sobre a existência (ou não) de uma crise climática, e dos passos necessários para fazer frente ao processo. Além disso, foi feita a análise de documentos legais que deveriam versar sobre os esforços para conduzir o processo de adaptação (um deles o Plano Diretor Municipal). Além disso, também foram analisados os programas dos 3 candidatos a prefeito nas eleições municipais de 2022 (i.e., Delegada Madeleine, Professor Jeferson e Wladimir Garotinho). Finalmente, uma busca foi feita para verificar a existência de ações judiciais voltadas para a questão ambiental em Campos dos Goytacazes.

Os resultados da pesquisa mostraram a existência de um ,descompasso entre a percepção da população, os discursos das autoridades governamentais, a atuação das instituições de controle e os dispositivos legais existentes. Além disso,  a pesquisa verificou uma atuação periférica e desatualizada dos órgãos de controle que, aliada à baixa apropriação dos dispositivos legais, evidencia um déficit institucional relevante, que compromete a governança climática local.  Um fato interessante que a pesquisa evidenciou é que a população demonstrou ser capaz de reconhecer os impactos recorrentes da crise climática e perceber que os efeitos são mais intensos entre os grupos socialmente fragilizados. No entanto, o conhecimento sobre as medidas adaptativas adotadas pelo poder público é limitado, assim como a percepção sobre a relevância dessas estratégias.

Um dos dados que evidenciam a discrepância dos impactos das mudanças climáticas , pode ser verificado a partir de um mapa que foi construído a partir das respostas dadas pela população sobre o período que duram os alagamentos que ocorrem em seus locais de moradia na cidade de Campos dos Goytacazes quando chuvas intensas ocorrem. O que foi evidenciado é que os períodos de alagamento variam em diferentes pontos da área urbana, mas também dna rural (ver imagem abaixo)

Mapa dos bairros na área urbana do Município de Campos dos Goytacazes indicados pelos respondentes com situação de alagamento.

A principal conclusão do estudo é que os obstáculos enfrentados pela cidade de Campos dos Goytacazes para a construção de uma agenda efetiva de adaptação climática não se limitam a aspectos técnicos ou financeiros, mas estão enraizados em condicionantes políticos, estruturais e institucionais.  Na prática, o que estudo mostrou é que não há efetivamente uma política municipal de adaptação climátic, em que pese, por exemplo, todo o alarde que foi feito em torno do veto presidencial à chamada PL do Semiárido. 

Quem desejar ler a dissertação “Potencialidades e entraves para realizar o processo de adaptação climática em Campos dos Goytacazes/RJ”, basta clicar [Aqui!].

Um terço dos moradores da Amazônia Legal já sente efeitos das mudanças climáticas

Comunidade ribeirinha na Amazônia com barcos encalhados e rio seco durante forte estiagem, evidenciando os efeitos das mudanças climáticas.

Secas prolongadas são alguns dos impactos das mudanças climáticas na Amazônia. Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

Agência BORI

As mudanças climáticas deixaram de ser uma previsão distante para se tornar parte do cotidiano na Amazônia Legal. Um levantamento realizado pela Umane e pela Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive, mostra que cerca de um terço da população da região (32%) afirma já ter sido diretamente afetada. Entre povos e comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas, a proporção é ainda maior: 42,2%.

O estudo “Mais Dados Mais Saúde – Clima e Saúde na Amazônia Legal” é o primeiro a reunir informações de residentes dos nove estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), incluindo grupos historicamente sub-representados em pesquisas nacionais. Foram ouvidas 4.037 pessoas entre maio e julho de 2025.

A pesquisa também mostra que a percepção sobre a crise climática é quase unânime na região: 88,4% dos entrevistados acreditam que as mudanças climáticas estão ocorrendo no Brasil e no mundo, e 90,6% concordam que já vivemos um aquecimento global. Essa consciência, segundo os autores, reflete a convivência diária com fenômenos climáticos extremos que têm alterado a vida das pessoas e os ecossistemas amazônicos.

Os resultados revelam que o aquecimento global já afeta a vida cotidiana: 83,4% dos entrevistados notaram aumento da conta de luz, 82,4% perceberam temperaturas mais altas e 75% apontaram piora na qualidade do ar. A ocorrência de desastres ambientais, como queimadas e secas prolongadas, foi mencionada por 74,4% dos respondentes, e 73% relataram alta nos preços dos alimentos.

“Enfrentar a crise climática na Amazônia é mais do que uma agenda ambiental — é uma agenda de saúde pública e de redução de desigualdades. Em um momento tão importante, com a chegada da COP30, esse módulo do Mais Dados Mais Saúde tem como intuito trazer dados inéditos, focados nas especificidades locais, para informar políticas públicas que protejam territórios e suas populações, sempre com um olhar para a redução das desigualdades”, afirma Thais Junqueira, superintendente da Umane.

Os efeitos são ainda mais severos entre comunidades tradicionais: 24,1% relataram piora na qualidade da água e 21,4% citaram problemas na produção de alimentos, proporções mais altas que as da população em geral. “Esses grupos estão mais vulneráveis porque vivem em áreas de risco climático e dependem diretamente dos recursos naturais para subsistência”, explica Luciana Vasconcelos Sardinha, diretora-adjunta de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Vital Strategies.

O inquérito também registrou mudanças de comportamento e percepção. Metade dos entrevistados (53,3%) afirmou ter reduzido práticas que considera prejudiciais ao clima, e 38,4% disseram sentir culpa por desperdiçar energia. A separação de lixo é mais comum entre comunidades tradicionais (70,1%) do que entre os demais (59,2%). 

Para a Vital Strategies, os resultados reforçam que a crise climática é também uma questão de saúde pública. “Um terço dos moradores da Amazônia Legal já sofreu impactos diretos do clima, e a maioria depende exclusivamente do SUS. É urgente integrar políticas de saúde e clima para proteger os grupos mais vulnerabilizados”, conclui Pedro de Paula, diretor-executivo da organização no Brasil.


Fonte: Agência Bori

Apesar do discurso conservacionista, Brasil segue liberando agrotóxicos altamente tóxicos e se consolida como lixeira química do mundo

Semana passada o governo Lula anunciou registro para mais 27 produtos obtidos a partir de 13 princípios ativos. Em sua maioria são muito perigosos aos ecossistemas e 6 deles foram banidos no bloco europeu

Pulverização aérea de agrotóxicos: mais venenos na agricultura da potência ambiental.  Foto: Arquivo EBC

Por Cida de Oliveira* 

O Brasil tem se apresentado como candidato a líder ambiental global. Nesse sentido vai sediar em novembro, em Belém, a conferência mundial da ONU sobre o clima, a COP30. A pretensão, no entanto, não coaduna com os sinais de desprezo pelo meio ambiente e a saúde pública ao reforçar a defesa dos interesses do setor de agrotóxicos. Na última quinta-feira (2) o Ministério da Agricultura publicou uma nova lista de registros, desta vez com 27 ingredientes ativos concentrados (produtos técnicos), que as indústrias utilizam para fabricar tantos outros produtos aplicados principalmente nos latifúndios do agronegócio exportador.

Esse conjunto de ingredientes tem em sua composição 13 substâncias. Seis são classificadas como muito perigosas ao meio ambiente, uma é altamente perigosa e seis, perigosas. Quanto à toxicidade à saúde, 12 são categorizadas como “improvável de causar danos agudos” devido à exposição. E uma está entre aquelas “sem classificação” porque não haveria dados toxicológicos suficientes para determinar seu nível e tipo de toxicidade.

Os ingredientes ativos glufosinato de amônio, tidiazurom e trifloxistrobina são os mais prevalentes. Cada um corresponde a quatro dos novos registros, conforme a tabela a seguir.

Venenos e transgênicos

O herbicida glufosinato de amônio foi banido na União Europeia em 2009. Um dos substitutos do paraquate, proibido no Brasil em 2020, a substância se supera em vendas desde então. Em 2021 foram 6.627,19 toneladas vendidas, mais de 2,5 vezes que as 2.628,74 toneladas no ano anterior. Vendeu 11.321,06 toneladas em 2022 e 9.580,15 em 2023. Em 2017 a comercialização era de 1.137,65 toneladas, segundo o Ibama.

Aplicado em lavouras de soja, milho, cana, citros e eucalipto, entre outras, tende a vender muito mais com o trigo transgênico resistente ao agrotóxico. Em março de 2023, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) autorizou o plantio e a venda do cereal geneticamente modificado no país, contrariando apelos de cientistas, consumidores e até fabricantes do setor. A presença de resíduos do agrotóxico no pão de cada dia, no macarrão, pizza, biscoitos e tantos outros produtos assusta e desagrada o consumidor. O herbicida é prejudicial a organismos aquáticos e do solo devido a seus efeitos tóxicos, desequilibrando assim as comunidades microbianas e os ecossistemas interligados.

Há indícios fortes de prejuízos à saúde, como mutações no DNA das células, levando ao desenvolvimento de doenças como o câncer. A professora Sonia Hess, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), menciona, entre outros, os resultados de uma pesquisa da Universidade Agrícola da China publicada em 2019. Os autores constataram efeitos tóxicos sobre o fígado e o sistema reprodutivo, com danos aos testículos, de lagartos machos expostos a solo contaminado com glufosinato de amônio.

Já o pesquisador argentino Eduardo Martin Rossi, da organização Naturaleza de Derechos, compilou trabalhos científicos sobre as intoxicações agudas e crônicas causadas pelo glufosinato (acesse aqui). Entre eles, danos ao sistema nervoso, respiratório, coração e músculos. E mais: Alterações na memória, autismo e um desequilíbrio da flora intestinal, que por sua vez prejudica a absorção dos nutrientes.

Tidiazurom 

O princípio ativo do herbicida está em quatro produtos registrados no Brasil em 2024, após 16 anos que a substância perdeu seu registro na União Europeia. Após avaliação, uma comissão sobre agroquímicos do bloco considerou o produto obsoleto e decidiu pelo fim do registro em 2008. A substância se mostrou ultrapassada quando comparada com outros de tecnologia mais avançada. Conforme autoridades ambientais, a substância é muito tóxica para a vida aquática, com efeitos duradouros.

Trifloxistrobina

O fungicida está na mira de autoridades dos Estados Unidos e União Europeia devido a indícios de danos aos ecossistemas aquáticos. Estudos mostram acúmulo de resíduos altamente tóxicos para peixes e outros invertebrados. E Também para a saúde do solo, já que afeta a ação de comunidades microbianas sobre nutrientes e atividades enzimáticas, prejudicando o processo de sequestro de carbono pela vegetação.

Segundo autoridades ambientais, o princípio ativo representa prejuízos à reprodução. Estudos mostram que ratos de laboratório expostos à trifloxistrobina tiveram redução nos níveis de testosterona, o que sugere a possibilidade de problemas na reprodução masculina. Foi observada também a redução de bactérias intestinais associadas ao bom funcionamento de hormônios. Há ainda outros estudos que levantam a suspeita de desregulação endócrina.

Agentes mais tóxicos

A lista do Ministério da Agricultura inclui o herbicida lambda-cialotrina, classificado como altamente perigoso ao meio ambiente. Quanto à toxicidade à saúde, vai do extremamente tóxico ao improvável de causar dano agudo, dependendo da formulação. O perigo da substância às abelhas foi constatado em estudos realizados em vários países. As abelhas têm papel importante na reprodução vegetal, já que participam da reprodução da maior parte das espécies vegetais. Portanto, sem elas a produção de alimentos e as florestas correm ainda mais riscos. Há ainda pesquisas que alertam para a correlação da substância com danos às células do fígado e à toxidade no sistema nervoso de ratos.

Alta contaminação em águas subterrâneas

O herbicida S-Metolacloro teve suas vendas ampliadas no Brasil, segundo dados do Ibama. Passou de 7.238 toneladas, em 2020, para 9.374 toneladas, 11.599,70 toneladas e 13.327,58 toneladas nos anos subsequentes. Porém está proibido no mercado europeu desde o ano passado. Autorizações para produtos derivados da substância também foram retiradas e há um prazo para o descarte e o uso dos estoques existentes. A rejeição foi justificada pela alta concentração do ingrediente em águas subterrâneas. Durante o processo, a agência europeia para produtos químicos considerou tamém estudos que demonstraram potencial riscos de tumores hepáticos em ratos expostos à substância.

Atualmente o S-Metolacloro está sendo reavaliado no Canadá. Autoridades consideram os impactos ambientais e à saúde. A agência reguladora do setor abriu recentemente consulta pública e aguarda manifestações que podem levar a uma possível proibição.

O herbicida Dicamba está no centro de debates na União Europeia, Estados Unidos e Canadá, que avaliam medidas contra os efeitos nocivos da sua alta volatização. O produto tem atingido e destruído plantações vizinhas, que não são alvo da ação herbicida. A Justiça dos Estados Unidos proibiu o uso em lavouras de soja e algodão transgênicos em 2020 e 2024. A medida incluiu a suspensão da pulverização excessiva.

Consulta pública e possível proibição

Agora em setembro o governo do Canadá abriu consulta pública visando à reavaliação especial do registro do agente ativo e seus derivados. Autoridades canadenses estão preocupadas com esse mesmo risco às plantas vizinhas. Estão sendo cogitadas mudanças para reduzi-lo, com atualização das zonas de proteção de deriva de pulverização e adoção de medidas de mitigação para volatilidade. A proibição não é descartada.

Já em relação à toxicidade à saúde, evidências científicas sugerem que o dicamba seja um disruptor endócrino, podendo interferir na ação de hormônios e, por tabela, no funcionamento normal de organismos e na reprodução. Há também estudos apontando que usuários do produto têm risco aumentado de câncer, e outros que relacionam a exposição ao aumento do risco de hipotireoidismo.

Outros proibidos

O inseticida tiamexam é um neonicotinóide que, segundo pesquisas, afeta o sistema nervoso central das abelhas, causa desorientação, o que as impede até mesmo de retornar às suas colmeias. Há também trabalhos científicos que apontam danos ao sistema digestivo, reprodutivo e imunológico desses polinizadores, que em muitos casos levam à morte. Por essa razão o produto tem sido banido em vários países. A União Europeia baniu em 2009. O impacto para as abelhas tem levado também a restrições do uso, como no Brasil. Após reavaliação ambiental, no início de 2024 o Ibama limitou esses agrotóxicos, proibindo a pulverização aérea ou com tratores sobre lavouras de cana, soja, trigo algodão, eucalipto e milho, entre outros.

O herbicida diclosulam é outro que não tem registro no bloco europeu para fins agrícolas. O pedido para renovação do registro foi rejeitado devido a potenciais riscos ambientais. Em sua decisão, a autoridade europeia para a segurança dos alimentos considerou a toxicidade para aves e organismos aquáticos. E ainda o risco potencial de contaminação generalizada e duradoura das águas subterrâneas.

O fungicida picoxistrobina perdeu seu registro na União Europeia e no Reino Unido em 2018, após reavaliação. Preocupações com os altos riscos à vida aquática, minhocas, mamíferos e abelhas justificaram a decisão. Diversos estudos chamam atenção para o risco potencial de danos a esses polinizadores.

O herbicida Sulfentrazona é outro banido em 2009 na União Europeia devido à potencial toxicidade para o desenvolvimento e a reprodução animal. Isso inclui redução do peso corporal fetal e redução/atraso na ossificação esquelética observados em estudos em camundongos, ratos e cães. Nos Estados Unidos a substância tem uso controlado devido aos riscos ambientais quanto a lixiviação para águas subterrâneas. E também danos à vida aquática. Por isso não pode ser aplicado perto de corpos d’água e em áreas com águas subterrâneas rasas ou solos arenosos para evitar contaminação.

Os “menos” perigosos

O inseticida metoxifenozida tem degradação ambiental lenta, com potencial de persistência, podendo contaminar águas subterrâneas e intoxicar a vida aquática. Águas superficiais de solos permeáveis, como aqueles de plantio de arroz irrigado, também podem ser afetados. Por essas razões o inseticida é considerado altamente tóxico para a vida aquática. Atualmente o produto é alvo de medidas de controle na União Europeia.

Autoridades para segurança dos alimentos no bloco reduziram recentemente o limite máximo de resíduos permitidos em algumas hortaliças. A adequação terá de ser cumprido até janeiro do próximo ano. Em 2014, um processo de reavaliação encontrou dados de ensaios de resíduos incompletos para a berinjela, por exemplo. E os fornecidos a partir de então apontaram para a necessidade de redução desses limites  para aumentar a segurança quanto à presença de resíduos.

O herbicida flumioxazim apresenta riscos ao meio ambiente por ser altamente tóxico para plantas aquáticas e invertebrados. E moderadamente tóxico para peixes, com potencial de prejudicar plantas não alvo durante a deriva da aplicação. Pesquisas mostram que o produto é tóxico ao desenvolvimento em mamíferos, incluindo ratos. Isso porque interfere em funções bioquímicas importantes.

O uso do produto enfrenta oposição na União Europeia, onde o potencial de toxicidade para o meio ambiente e a reprodução está no centro de debates. As autoridades do setor o classificam como candidato à substituição. A Comissão Europeia chegou a propor que sua autorização seja estendida, mas enfrentou objeções do Parlamento Europeu e de diversas organizações de saúde e meio ambiente.

E por fim, o fungicida protioconazol também tem sua regulação em discussão no bloco europeu. O processo de avaliação de renovação de registro já recebeu pleitos para restrições em sua utilização. E também para a segurança do aplicador e a proteção de organismos aquáticos, aves e pequenos mamíferos.

Novos produtos velhos

Como deu para perceber, esses registros recentes não são de novos, melhores e nem mais seguros, conforme o lobby do agronegócio para mudar leis e garantir isenções tributárias. O problema se agrava quanto mais desses produtos são registrados sem parar.  Incansável, a professora Sonia Hess catalogou dados de agrotóxicos aprovados no Brasil, com base em publicações oficiais da coordenação geral de agrotóxicos e afins do Ministério da Agricultura. Um recorte dessas informações, ao qual a reportagem teve acesso, dá uma ideia do volume de autorizações para esses produtos “novos” a partir de 2019: São mais de 500, conforme a tabela.

Lixeira química

Em meio a tantos dados relativos a quantidades e à toxicidade ao meio ambiente e à saúde aqui descritos, é de se questionar os motivos para esses produtos terem no Brasil o selo de “improváveis de causar danos”. Essa contradição foi estabelecida em 2019, em uma espécie de maquiagem promovida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no primeiro ano do então governo de Jair Bolsonaro (PL). Embora o mandato tenha acabado, o que veio na sequência ainda mantém a classificação, apesar de duramente criticada por especialistas e movimentos.

Para lembrar, a medida em questão reclassificou mais de 1.900 agrotóxicos, retirando 600 produtos da categoria de alta toxicidade à saúde. Nessa espécie de passe de mágica, o glifosato, presente em quase 130 produtos para uso na soja, café, feijão e frutas, deixou de ser classificado como extremamente tóxico. E entrou na categoria dos improváveis de causar danos, apesar de que a substância mantém a mesma composição química. Seja como for, a reclassificação brasileira também não altera as evidências científicas de forte relação do glifosato com diversos tipos de câncer, infertilidade e problemas neurodegenerativos, como Alzheimer e Parkinson e até mesmo depressão e autismo.

Celeiro do mundo ou lixeira tóxica?

Sob o slogan de “Brasil celeiro do mundo”, o país torma-se lixeira química do mundo. Enquanto isso, indústrias com sede na União Europeia aproveitam para limpar seus estoques. Segundo artigo publicado semana passada pelas organizações Unearthed e Public Eye, essas empresas desovaram 75 produtos em outros países, somente em 2024. Praticamente o dobro do número das exportações em 2018. E isso apesar de a fabricação e exportação dessas substâncias serem proibidas. “A maioria dos pesticidas proibidos atualmente exportados foram recentemente proibidos. Entre eles, estão produtos químicos como o mancozeb, um fungicida proibido no final de 2020 após ser considerado “tóxico para a reprodução” – o que significa que pode prejudicar a fertilidade e os bebês no útero. No ano passado, empresas da UE emitiram notificações para a exportação de mais de 8.500 toneladas de produtos à base de mancozeb para 59 países”, diz trecho do artigo publicado no último dia 22 de setembro pelo Greenpeace do Reino Unido.

O texto lembra que a União Europeia continua exportando milhares de toneladas de neonicotinoides, os inseticidas “matadores de abelhas” envolvidos no declínio dos polinizadores em todo o mundo. Seu uso em campos europeus está proibido desde 2019 devido aos riscos “inaceitáveis” para as abelhas. O próprio bloco considera que essas substâncias representam grave ameaça à biodiversidade e à segurança alimentar global. No entanto, continua a exportar grandes quantidades. E o Brasil segue comprando.

*Cida de Oliveira é jornalista

MPF denuncia Companhia Siderúrgica Nacional por crime ambiental que se arrasta há décadas em Volta Redonda (RJ)

Ação penal aponta contaminação crônica, risco à saúde e destruição de área de preservação permanente às margens do Rio Paraíba do Sul 

Foto mostra bairros cobertos por uma poeira fina

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por ASCOM MPF RJ

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia à 2ª Vara Federal de Volta Redonda (RJ) contra a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Harsco Metals Ltda. pela prática dos crimes de poluição e impedimento à regeneração da flora.

O procurador da República Jairo da Silva, autor da denúncia, enfatizou a gravidade e a repercussão do caso, que gera grandes transtornos à população do município e “exige resposta firme do Estado”. Segundo ele, o objetivo da ação é “impor juízo de reprovação à conduta das grandes corporações, garantindo a efetividade do Direito Penal Ambiental” e punir o que o MPF classifica como uma “política corporativa consciente de descumprimento sistemático das normas ambientais”, adotada pelas empresas há mais de quatro décadas.

Instalada em Volta Redonda ainda na década de 40, a companhia atua em toda a cadeia produtiva do aço, desde a extração do minério de ferro até a produção e comercialização de produtos siderúrgicos.

Poluição por acúmulo crônico

De acordo com a denúncia, a CSN e a Harsco vêm causando poluição em níveis capazes de resultar em danos à saúde humana ao armazenar e lançar resíduos sólidos (escória de aciaria) de forma irregular e em desacordo com a legislação ambiental. A escória é o subproduto da fundição de minério para purificar metais.

 O foco da investigação é o Pátio de Beneficiamento e Armazenamento de Escória, localizado em Volta Redonda, que foi indevidamente utilizado como área de disposição final de resíduos, em violação à legislação, que exige aterros controlados e licenciados.

As perícias e relatórios técnicos comprovaram os danos:

– Mais de 5 milhões de toneladas de escória foram contabilizadas em dezembro de 2023;

 – Pilhas de rejeitos atingem mais de 30 metros de altura, configurando risco ambiental e paisagístico;

– O deslocamento de partículas atinge bairros vizinhos e afeta mais de 40 mil moradores, com danos potenciais à saúde e ao bem-estar;

 – O depósito a céu aberto e sem impermeabilização levou à contaminação do lençol freático, com presença de fenóis e metais em níveis acima dos limites legais; em alguns pontos, o pH da água subterrânea chegou a 13,04, valor letal para a fauna aquática; 

As empresas também impediram a regeneração da flora ao ocupar irregularmente uma Área de Preservação Permanente (APP) e a Faixa Marginal de Proteção (FMP) do Rio Paraíba do Sul, em área inserida no Refúgio de Vida Silvestre do Médio Paraíba (Revismep) — unidade de conservação estadual.

Segundo o MPF, os crimes remontam às décadas de 1970 e 1980 e permanecem até hoje, caracterizando crimes permanentes.

Persecução

O MPF descartou a celebração de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), considerando-o inviável diante da gravidade e da duração das ações ilegais, bem como da dimensão dos danos — estimados em mais de R$ 430 milhões.

Para o procurador Jairo da Silva, a proposta de acordo seria incompatível com a extensão da lesão ambiental e o benefício econômico obtido pelas empresas: “A dimensão da lesão está diretamente ligada ao lucro ilícito auferido pelas denunciadas, que evitaram o alto custo da destinação final adequada dos resíduos”.

Ainda de acordo com o procurador da República, as pilhas de escória são uma presença física agressiva e constante na paisagem de Volta Redonda. “Esta materialidade do dano gera um grande clamor popular, exigindo dos órgãos da Justiça uma resposta institucional visível e exemplar que um acordo não pode oferecer. A conduta é uma afronta pública que demanda a persecução penal plena”.

O MPF destaca que o delito de poluição (art. 54 da Lei nº 9.605/98) é um crime formal e de perigo abstrato — ou seja, basta a potencialidade de causar dano à saúde para sua configuração. As empresas teriam agido em benefício próprio, ao reduzir custos e ampliar lucros às custas do meio ambiente e da saúde pública.

Reparação integral dos danos

O MPF requer a fixação de valor mínimo de indenização pelos danos ambientais e sociais, no valor que ultrapassa os R$ 430 milhões: dano material e ecológico (R$ 330,5 milhões) e dano moral coletivo (R$ 100 milhões) com caráter punitivo e pedagógico.

A denúncia foi protocolada na Justiça Federal em 30 de setembro de 2025.

Caso seja recebida pela 2ª Vara Federal de Volta Redonda, as empresas responderão por poluição (art. 54, §2º, V, da Lei nº 9.605/98) e impedimento à regeneração natural da flora (art. 48 da mesma lei) com possibilidade de condenação a sanções penais, multas e medidas de reparação integral dos danos ambientais.

Ação Penal 5006957-74.2025.4.02.5104  JFRJ/VTR


Fonte: ASCOM MPF

Tarcísio Freitas, o governador que só se preocupa com sua Coca Cola

Em uma entrevista coletiva em que supostamente procurava apresentar as medidas sendo tomadas por sua administração para coibir a disseminação de bebidas falsificadas no estado de São Paulo, o governador (?) Tarcísio Freitas saiu-se com uma declaração daquelas que relembram bem a sensibilidade com a dor alheia do seu mentor, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Do alto de sua insensibilidade, Tarcísio teria proferida a seguinte frase: no dia que começarem a falsificar Coca-Cola, eu vou me preocupar. ainda bem que ainda não chegaram a esse ponto“.

E pensar que segundo as pesquisas eleitorais, Tarcísio Freitas está aparecendo com grandes chances de ser reeleito caso concorra para continuar governando São Paulo nas eleições de 2026.

Pois é.  Sem comentários.