O Garotismo como braço auxiliar do Bolsonarismo ou… o triste fim de uma carreira política promissora

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De político promissor a braço auxiliar de Jair Bolsonaro, a peculiar trajetória de Anthony Garotinho

Morando em Campos dos Goytacazes desde janeiro de 1998, pude assistir ao auge e à decadência de uma importante liderança política que chegou a angariar impressionantes 17,86% dos votos para presidente em 2002 pelo PSB. Antes disso, essa personalidade havia sido eleito aos 39 anos para governar o estado do Rio de Janeiro, o que representou uma fenômeno eleitoral, na medida em que um político saído do interior bateu adversários fortes em uma eleição bastante concorrida.  Entretanto, após a perda das eleições de 2002, em vez de usar o capital político angariado para se firmar como importante liderança nacional, esse agora não tão jovem político abandonou suas raízes de esquerda e caminhou firme e resolutamente para a direita, até se tornar uma espécie de braço auxiliar da ideologia de extrema-direita que se convencionou chamar de “Bolsonarismo” (aliás, quem sabe qual é o partido atual desse personagem?). 

Obviamente falo acima de Anthony Garotinho, a fulgurante figura que saiu dos palcos do teatro campista para navegar por diversos partidos para aportar nos braços de Jair Bolsonaro. Como já tive a oportunidade de, ao longo dos anos, acompanhar o que considero o brilhantismo político de Anthony Garotinho, vê-lo como uma espécie de papagaio de pirata da extrema-direita chega a ser decepcionante, pois sempre respeitei a sua sagacidade e capacidade de sobrevivência política.

Mas há que se lembrar que esse percurso da esquerda para a direita não aconteceu sem que fosse possível notar a transmutação. É que para quem não se lembra, Anthony Garotinho foi um dos primeiros, senão o primeiro, político a falar da existência de um inexistente “Kit Gay” que seria distribuído pelo Ministério da Educação e Cultura. Aliás, foi ali que Garotinho ofereceu a primeira “dica” para Jair Bolsonaro para criar um fantasma para atacar o governo do PT que era comandado por Dilma Rousseff. Não é à toa que recentemente, a candidata derrotada e filha de Garotinho, Clarissa, reviveu mais uma vez a fábula do “Kit Gay” para reforçar seu discurso cada vez mais reacionário.

Agora em um segundo turno acirrado está anunciada a vinda do senador Flávio Bolsonaro para uma carreata na cidade de Campos dos Goytacazes, a qual deverá ter a participação da filha Clarissa e do filho-prefeito, Wladimir Garotinho. Esse evento marcará a consolidação do processo de subalternização da família Garotinho à Jair Bolsonaro.  Até aqui nenhuma surpresa, pois não me parece haver mais caminho de retorno para Anthony Garotinho e seus descendentes. Entretanto, ao se abraçar a Jair Bolsonaro, Anthony Garotinho não só se descola definitivamente de qualquer possibilidade de praticar uma política progressista, mas também se arrisca a afundar junto com Jair Bolsonaro.

A questão agora é saber como a herança de desmobilização e desorganização que acompanhou a trajetória do “Garotismo” será apagada da política campista. Pessoalmente vejo algumas possibilidades promissoras para que haja uma saída pela esquerda em um quadro que momentaneamente nos torna um dos municípios mais bolsonaristas do Brasil. De toda sorte, uma coisa me parece sorte: o Garotismo tenderá a uma maior fragmentação que desembocará num maior fracionalismo que poderá, entre outras coisas, gerar uma disputa pela marca Garotinho. Isso, aliás, já ficou claro por meio de um vídeo para lá de caótico no qual o patriarca cobrava e denunciava o que considerava ser um corpo mole do filho-prefeito em relação à campanha eleitoral da irmã-candidata a senadora. 

Estudo na Science mostra que a proteção climática não virá através do reflorestamento

O efeito Albedo compensa os efeitos positivos do armazenamento de carbono

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Projeto de reflorestamento na região do Sahel do Níger. Foto: AFP/FAO/Luis Tato
Por Norbert Suchanek para o “Neues Deutschland”

As árvores precisam de dióxido de carbono para a fotossíntese. À medida que crescem, removem o gás de efeito estufa da atmosfera e prendem o carbono na madeira por décadas. Especialmente nas zonas semi-áridas do nosso planeta existem grandes áreas não florestadas. O que poderia ser mais óbvio do que reflorestar essas áreas em grande escala para combater as mudanças climáticas e impedir a propagação dos desertos? Por esse motivo, programas de reflorestamento maciço estão em andamento em todo o mundo, como a Iniciativa da Grande Muralha Verde da África, que visa esverdear 100 milhões de hectares no Sahel. Mas o clima pode sair pela culatra. Um novo estudo mostra que isso dificilmente desacelera o aquecimento global e pode até ser contraproducente e aquecer ainda mais o clima.

As áreas secas cobrem cerca de 40 por cento da área terrestre do nosso planeta. Projetos de reflorestamento em grande escala estão sendo realizados ou planejados nessas áreas em todo o mundo, por exemplo, na China , na zona do Sahel e na Arábia Saudita. Juntas, essas iniciativas visavam reflorestar mais de 500 milhões de hectares, segundo um estudo agora publicado na revista Science .

Em seu trabalho de pesquisa, os pesquisadores do Technion – Instituto de Tecnologia de Israel e do Instituto Weizmann de Ciência – calcularam as consequências dessas plantações de árvores em grande escala influenciando o clima global. Eles assumiram um total de 448 milhões de hectares de áreas não florestadas em áreas semi-áridas e subúmidas secas que poderiam ser plantadas com árvores, cerca de seis por cento da área de terra seca global.

“Quando começamos a pesquisa, pensamos que poderíamos mostrar que o plantio em larga escala de florestas em áreas semiáridas diminuiria significativamente o aquecimento global”, explica o líder da pesquisa Yohay Carmel. “Mas nosso estudo refutou essa hipótese aceita. É realmente decepcionante. Mas é assim que a ciência funciona – ela descobre a verdade, independentemente do que queremos descobrir.«

Especificamente, o estudo descobriu que o reflorestamento máximo dessas terras secas durante um período de 80 anos pode compensar apenas cerca de 1% de todas as emissões de carbono da queima de combustíveis fósseis até o final deste século. O motivo é o chamado efeito albedo, ou seja, a refletividade da superfície da Terra para a radiação solar. O dossel escuro e sombrio das árvores simplesmente reflete menos radiação solar do que o solo mais claro de áreas áridas sem árvores, aquecendo ainda mais a atmosfera.

De acordo com os cálculos dos pesquisadores israelenses, embora as árvores plantadas armazenassem 32,3 bilhões de toneladas de carbono até o final do século, apenas 22,6 bilhões de toneladas são necessárias para compensar a redução do efeito albedo, diz o estudo. Em algumas regiões áridas, como Cazaquistão, China e Mongólia, a cobertura florestal pode até ser contraproducente para a proteção do clima devido à redução da reflexão da luz solar e, na verdade, aquecer o clima global em vez de resfriá-lo. A equipe de pesquisa também argumenta que o reflorestamento em grande escala pode eliminar espécies raras que dependem de terras secas não florestadas, “com sérias consequências para a biodiversidade”.

»Plantar florestas, por mais extensas que sejam, não nos salvará das mudanças climáticas. Em vez disso, devemos nos concentrar na redução das emissões”, conclui Carmel, líder do estudo.

“Este estudo é importante e bem feito. Fornece uma estimativa significativamente melhorada dos efeitos opostos da arborização: por um lado, o resfriamento através da redução de CO 2na atmosfera e, por outro lado, o aquecimento devido à redução da reflexão da luz solar pela folhagem escura das florestas”, diz Martin Claussen, do Instituto Max Planck de Meteorologia, que não participou do estudo. Plantar árvores, no entanto, continua sendo uma medida sensata se for realizada de forma inteligente. Claussen: »Se a floresta foi derrubada, então sabemos que a floresta pode crescer naturalmente nesta região. Por esta razão, o reflorestamento de florestas desmatadas faria mais sentido do que o reflorestamento de regiões em que é questionável se as florestas podem prosperar. .

Nadine Rühr, chefe do grupo de trabalho Ecofisiologia Vegetal do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), aponta outro problema que precisa ser investigado em projetos de reflorestamento: o risco de incêndios florestais, que podem dissolver o estoque de carbono em fumaça e cinzas em a qualquer momento. Stir: “Secas de longa duração e ondas de calor extremas podem aumentar a mortalidade das árvores e levar a incêndios florestais em grande escala e, assim, questionar o potencial de proteção climática do reflorestamento”.

Nina Buchmann, professora de Ciências de Pastagens do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique, ressalta que o arborização artificial de pastagens com alta biodiversidade é discutido no estudo, mas não descartado. Buchmann: »Na minha opinião, tal avaliação seria urgentemente necessária, já que no momento as pessoas estão quase ›cegas‹ contando com o plantio de árvores – de particulares, de empresas às Nações Unidas. Se a destruição de pastagens com alto nível de biodiversidade fosse levada em conta, o efeito climático calculado seria ainda menor.« Por último, mas não menos importante, o estudo questiona os atuais programas globais de compensação de emissões de dióxido de carbono (compensações de carbono). Porque, de acordo com Buchmann, “a maioria desses programas ignora o efeito albedo”.


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Este texto foi escrito originalmente e publicado pelo jornal “Neues Deustchland” [Aqui!].

AVABRUM faz nota sobre outras duas barragens que ameaçam desabar em Brumadinho (MG)

Dois dias após STF adiar, novamente, decisão sobre julgamento do caso Brumadinho na justiça Estadual ou Federal, relatório da ANM aponta que duas barragens da cidade entraram em nível de emergência

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A Agência Nacional de Mineração (ANM) divulgou na quarta-feira, 19 de outubro, relatório apontando que duas barragens em Brumadinho entraram para o nível de alerta de estabilidade de suas estruturas. Os dois diques pertencem à empresa Comisa Mineração e estão a cerca de 30km do centro da cidade.

As barragens estão em nível 1 de emergência e foram categorizadas como de alto risco. Ambas somam quase 20 mil metros quadrados e apresentaram deformações e trincas. O relatório da ANM mostra ainda que, das 47 barragens embargadas no Brasil, 31 estão em Minas Gerais.

Diante desse novo dado, a presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos da Tragédia do Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum), Alexandra Andrade, declarou: “É muito importante a haja fiscalização preventiva e efetiva, sem maquiagem! Não há reparação para morte! O lucro não VALE a vida e matar não pode VALER a pena! Em Brumadinho foram 272 mortes em menos de um minuto, e até hoje ninguém foi punido”.

Dois dias antes da divulgação desse relatório, ministros da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) se encontravam em plenário virtual para decidir se a competência para julgar o caso do rompimento da barragem da Vale em 2019 é da Justiça Federal ou Estadual. Para frustração de familiares de vítimas e atingidos pela tragédia-crime, que esperavam decisão favorável ao julgamento do caso em Minas Gerais, o ministro André Mendonça, que tinha acompanhado favoravelmente o relator da ação, ministro Edson Fachin, acabou pedindo vista, ou seja, mais tempo para julgar o processo.

“A associação lamenta que o processo sofra mais adiamento e espera que o voto de Mendonça seja mantido para que a ação não volte à estaca zero quase 4 anos depois da tragédia-crime que tirou a vida de 272 pessoas. Tudo isso vai ajudando a nos matar um pouco mais a cada dia, além de todo sofrimento pela perda dos nossos entes queridos. Muitos pais, mães, viúvas (os), irmãos e filhos nunca tinham ido ao psicólogo ou psiquiatra e hoje fazem tratamento e usam medicação antidepressiva e apresentam outros tipos de doenças que antes não tinham. O adiamento nos deixa ainda mais ansiosos, angustiados, adoecidos, tudo por causa do lucro acima da vida”, conclui Alexandra.

Enquanto os responsáveis pela maior tragédia humanitária do Brasil, que matou 272 pessoas, inundaram de lama toda região de Brumadinho, devastando o meio ambiente ao redor e poluindo com metais pesados as águas do Rio Paraopeba, segue impune, a população do município amarga a cada dia mais notícias que evidenciam a vulnerabilidade da região sob constante ameaça de mais rompimentos de barragens. Além de fatos novos que surgem a todo momento, Brumadinho vive todos os dias os impactos das obras e atividades da reparação do rompimento da barragem. Além de que, até o momento, quatro vítimas ainda não foram encontradas, enquanto suas famílias aguardam seu sepultamento digno, dentro do possível. Desde 25 de janeiro de 2019, a cidade não tem um dia de paz.

Com Bolsonaro apenas uma certeza: depois da gastança eleitoreira virá um arrocho profundo

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A revelação antecipada do plano de arrocho de salários e aposentadorias coloca Paulo Guedes e Jair Bolsonaro em mais um momento delicado em um relacionamento já turbulento

Enquanto a campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro mostra robustez (muito em parte ao derrame abundante de dinheiro público em diversas ações de ditribuição aos trabalhadores e mais pobres), (ver imagem abaixo), há nela um quê de imprevisibilidade, muitas vezes por problemas causados pelo presidente e seus principais ministros. A mais recente prova disso foi o furo de reportagem do jornal Folha de São Paulo sobre o plano do ministro Paulo Guedes em desindexar o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias do indíce de inflação passada. 

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Esse plano é uma verdadeira bomba atômica, na medida em que, de forma objetiva, haverá uma perda ainda maior maior do poder de compra dos trabalhadores e aposentados, já que a correção planejada deverá ter consequência o fato de que o reajuste dado ficará abaixo da realidade inflacionária.

Por causa deste anúncio, o comando de campanha de Jair Bolsonaro já realizou pressões para que Paulo Guedes desminta o seu próprio plano como uma “fake news”, o que o ministro fez de forma apenas parcial, o que contribui de forma prática para confirmar que o plano existe e será aplicado, caso Jair Bolsonaro vença o segundo turno.

Salários e aposentadorias desindexados causarão aumento da fome e da miséria

Para um país que paga um dos piores salários mínimos do planeta e onde o valor das aposentadorias da maioria das pessoas não garante sequer a compra dos remédios, esse plano significará jogar mais pessoas na miséria e o aumento das pessoas em condição de fome.

Mesmo para um governo ultraneoliberal como o de Jair Bolsonaro, a simples intenção de piorar o que já está ruim parece não fazer muito sentido. O problema é que Paulo Guedes é visto dentro do governo Bolsonaro como o garantidor da redução dos direitos sociais garantidos pela Constituição Federal de 1988, enquanto que fora dele é tratado como um despreparado para entender elementos mínimos do funcionamento da economia brasileira.

O mais emblemático é que a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro tem mostrado na sua propaganda um caminho oposto ao que pretende Paulo Guedes pretende implantar se Jair Bolsonaro for reeleito. O nome disso, obviamente, é estelionato eleitoral já que os eleitores que votarem em Bolsonaro estarão votando em um programa que, na prática, não existe.

De certo apenas uma coisa: se Jair Bolsonaro conseguir se reeleger, haverá um profundo arrocho salarial e nas aposentadorias, pois as benesses de campanha estão gerando um buraco difícil de ser preenchido com o simples andamento dos fundamentos econômicos. 

Finalmente, ganhando ou perdendo, o que se pode antecipar será ainda uma volta dos preços escorchantes dos combustíveis e uma grande disparada no preços dos alimentos. Esse cenário jogará o Brasil em um redemoinho perigoso de agitação social.

Governo Bolsonaro avalia fusão do Ministério de Ciência e Tecnologia com a Indústria e o Comércio

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Por Luiz Queiroz para a Capital Digital

Num eventual segundo mandato do presidente Jair Bolsonaro, expectativa que vem crescendo a cada anúncio das pesquisas eleitorais, existe uma forte possibilidade do atual Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) virar um braço de uma nova estrutura ministerial a ser criada, que envolveria também a Indústria e o Comércio Exterior. Os rumores dessa fusão correm soltos no mercado empresarial privado e pelos corredores do MCTI e do Ministério da Economia, que supostamente comandaria essa articulação.

O novo ministério que conjugaria a Ciência com a Indústria e o Comércio seria dado ao governador de Minas Romeu Zema, como pagamento político ao apoio dado à reeleição de Bolsonaro. E o cabeça da pasta viria da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), com o aval político da Confederação Nacional da Indústria (CNI), através do seu MEI- Movimento Empresarial pela Inovação. Essa entidade reúne hoje 429 empresas que representam expressiva parcela do PIB nacional. O nome mais cotado para virar ministro dessa nova pasta seria o do empresário mineiro do setor têxtil, Flávio Roscoe Nogueira (foto abaixo), atual presidente da FIEMG.

Se confirmadas essas especulações, considerando que o presidente Bolsonaro tenha revertido a campanha eleitoral e conseguido a reeleição, a nova pasta contaria com os recursos do BNDES e da Finep, e passaria a controlar a gestão dos R$ 9 bilhões arrecadados pelo FNDCT – Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

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Independentemente se essa articulação vai vingar ou não passa de boato, o redirecionamento do FNDCT é uma realidade e vem sendo defendida abertamente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Este blog teve acesso a uma apresentação da entidade, cujo teor trata de uma “Nova governança da MEI e proposta de nova governança do FNDCT”, elaborado pelo Movimento Empresarial pela Inovação.

E na proposta fica clara que a indústria veria com bons olhos se o Governo Bolsonaro reordenasse o FNDCT para um cenário no qual a distribuição dos recursos acabaria majoritariamente na pesquisa aplicada e na indústria. O restante seria canalizado para a pesquisa acadêmica que, se já tem dificuldades de obtê-los via um ministério voltado para isso, imaginem numa nova pasta comandada por representantes de empresas?

O MEI tem a seguinte caracterização representativa:

 


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Este foi inicialmente publicado pelo site “Capital Digital” [Aqui! ].

Em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes planeja aplicar um forte arrocho do salário mínimo e das aposentadorias

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Em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes prepara forte arrocho sobre salários e aposentadorias

Um artigo de autoria das jornalistas Indiana Tomazelli e Juliana Sofia mostra que animado com a possibilidade de reeleição de Jair Bolsonaro, o atualmente sumido ministro da Fazenda, o Sr. Paulo Guedes está arquitetando um mega arrocho contra os trabalhadores brasileiros.

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Segundo o revelado por Tomazelli e Sofia, o plano sendo gestado por Paulo Guedes envolverá a desindexação do salário mínimo e dos benefícios previdenciários. Hoje, eles são corrigidos pelo INPC
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior, o que garante ao menos a reposição da perda pelo aumento de preços observado entre famílias com renda de até cinco salários mínimos.

Ainda segundo as jornalistas da Folha,  trechos da proposta de Paulo Guedes afirmam que “o salário mínimo deixa de ser vinculado à inflação passada”. Assim, na nova regra que seria adotado no novo mandato de Jair Bolsonaro, o  gasto com benefícios previdenciários “também deixaria de ser vinculado à inflação passada”.  Com isso, fica aberta a possibilidade de uma correção abaixo da inflação nos benefícios previdenciários, que têm despesas projetadas em R$ 859,9 bilhões para 2023, e também do salário mínimo. Um novo piso nacional afetaria também os gastos com seguro-desemprego.

Somando todas essas informações, o que se vê é que depois de passada a fase do “Bolsonaro bonzinho”, o que se pretende mesmo é um ataque sem precedentes ao poder de compra dos trabalhadores brasileiros. E o nome disso é estelionato eleitoral, puro e simples.

Cantor e “Pastor celebridade” faz auto retratação fake para atacar Lula e o TSE nas redes sociais

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O cantor gospel e “Pastor Celebridade André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha (MG), fez circular um vídeo de uma suposta  auto retratação que seria resultado de uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O único problema é que o TSE não determinou isso

Na tarde de ontem o cantor gospel e “Pastor Celebridade André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha (MG), fez circular um vídeo de uma suposta  auto retratação que seria resultado de uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em um tom que misturava ironia e sarcasmo, Valadão passou a enumerar todas as “fake news” envolvendo o ex-presidente Lula que ele está propalando, e que o TSE finalmente decidira interromper a circulação.

O vídeo chegou a ser circulado por outro membro da mesma igreja, o deputado federal André Janones (Avante/MG), como demonstração de que Valadão estaria reconhecendo o seu erro e que, por isso, haveria de se praticar o perdão em relação ao erro dele que é basicamente circular fake news eleitorais em benefício da candidatura de Jair Bolsonaro.

O que era estranho virou farsa quando a assessoria de comunicação do TSE negou que a corte tivesse emitido qualquer decisão obrigado Valadão a se retratar em relação às suas fake news sobre Lula.

Uma primeira consequência de se juntar os fatos acerca do vídeo de Valadão é que o “pastor celebridade” produziu outra fake news ao se utilizar de uma mentira (uma ordem judicial inexistente) para continuar propaganda suas mentiras contra o ex-presidente Lula.

A segunda consequência terá agora de partir do próprio TSE, segundo alvo do ataque de Valadão. É que está evidente que não é apenas este “pastor celebridade” que embarcou em uma campanha sem limites contra a candidatura de Lula, usando todos os métodos sujos disponíveis, mesmo sob pena de comprometer a própria capacidade de falar e ser ouvido com a devida seriedade pelos próprios membros  de sua congregação.

Essa situação toda envolvendo as lideranças evangélicas que foram fartamente beneficiadas pelo governo Bolsonaro consequências muito graves para a convivência política dentro do Brasil após as eleições de 31 de outubro, vide os ataques que estão sendo realizados dentro de templos católicos. 

Mas parece que para Valadão e outros “pastores celebridades” o que importa agora é vencer as eleições e garantir a continuidade das benesses concedidas. E pensar que antes o que os protestantes esperavam eram bençãos. 

Disparada da inflação no preço dos alimentos é a maior desde o início do Plano Real

Inflação dos alimentos é a maior até setembro desde o início do Plano Real. Carestia da comida reflete uma série de fatores em 2022 

carestia alimentosConsumidor tem sentido a elevação dos preços a cada vez que vai às compras(foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Por Leonardo Vieceli para a FolhaPress

Apesar dos recentes sinais de trégua dos preços no Brasil, o grupo alimentação e bebidas ainda acumula inflação de 9,54% no ano, de janeiro a setembro.

Trata-se do avanço mais intenso para o acumulado de janeiro a setembro desde 1994 (915,08%), quando o Brasil ainda vivia o reflexo da hiperinflação.

O IPCA, calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é o índice oficial de preços do país.

De acordo com analistas, a carestia da comida reflete uma série de fatores em 2022. No começo do ano, fortes chuvas prejudicaram plantações em regiões como o Sudeste. O Sul, por outro lado, amargou período de seca.

Os extremos climáticos reduziram a oferta de mercadorias diversas, como verduras e legumes, o que afetou os preços.

Também houve pressão de custos. Insumos usados no campo ficaram mais caros durante a pandemia, elevando os gastos para a produção de alimentos.

A situação foi intensificada pela Guerra da Ucrânia. Commodities agrícolas tiveram alta nas cotações após o início do conflito, em fevereiro. A guerra ainda gerou pressão adicional sobre os preços de insumos no mercado internacional.

“O diagnóstico ainda é de uma inflação alta”, diz o economista Luca Mercadante, da Rio Bravo Investimentos.

“É uma inflação que tem impacto importante, que pesa na vida das pessoas. Elas percebem isso”, completa.

Em setembro, o grupo alimentação e bebidas até recuou 0,51% no IPCA. Foi a maior baixa desde maio de 2019 (-0,56%) e a primeira desde novembro de 2021 (-0,04%).

Com o resultado, a inflação acumulada no ano desacelerou de 10,10% até agosto para 9,54% até setembro. No acumulado de 12 meses, a alta passou de 13,43% para 11,71%.

A trégua em setembro foi puxada pelo leite longa vida, que havia disparado anteriormente, em meio a período de entressafra.

“Temos uma desaceleração. Setembro foi um sinal disso, muito em razão do leite”, diz o economista Raphael Rodrigues, do banco BV.

Analistas avaliam que os alimentos tendem a ficar em um patamar elevado de preços até dezembro, mas com avanços mais moderados do que no começo do ano. Por ora, as projeções não sinalizam novas deflações para o grupo até o final de 2022.

“Tende a desacelerar, mas deve continuar pressionado, inclusive em 2023”, indica Rodrigues.

Ele acrescenta que, antes da pandemia, os preços de alimentos como as carnes já vinham em alta, devido a descompassos entre oferta e procura.

A carestia afeta sobretudo a população mais pobre, porque a compra de alimentos consome uma fatia maior do orçamento dessas famílias na comparação com faixas de renda mais elevadas.

Nesse sentido, o governo federal anunciou a ampliação do Auxílio Brasil para R$ 600 a partir de agosto. O benefício pretende aumentar o poder de compra dos mais pobres no ano eleitoral, enquanto a inflação dos alimentos ainda pesa no bolso dos brasileiros.

No acumulado do ano, o melão foi o alimento que mais subiu dentro do IPCA. A alta dos preços alcançou 74,37% até setembro.

Cebola (63,68%) e leite longa vida (50,73%) vieram em seguida. O tomate, por outro lado, teve a maior queda (-28,01%).

Auxílio só compra cesta em cinco capitais Em setembro, o preço médio da cesta básica diminuiu em 12 das 17 capitais que integram levantamento mensal do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Mesmo assim, apenas 5 das 17 metrópoles pesquisadas tinham cesta básica abaixo de R$ 600, o valor do Auxílio Brasil.

São Paulo, por outro lado, seguiu com a cesta básica mais cara em setembro: R$ 750,74. Florianópolis (R$ 746,55), Porto Alegre (R$ 743,94) e Rio de Janeiro (R$ 714,14) vieram na sequência.

Além de ampliar o Auxílio Brasil, Bolsonaro também apostou no corte de tributos para aliviar a inflação, o que atingiu itens como combustíveis e energia elétrica.

Em setembro, o IPCA, de modo geral, caiu 0,29%. A deflação foi a terceira consecutiva, movimento puxado pela baixa da gasolina.

O petróleo, contudo, voltou a subir nos últimos dias, o que pressiona os preços dos combustíveis no Brasil. A Petrobras vem evitando repasses nas refinarias às vésperas do segundo turno das eleições.

Mesmo assim, após 15 semanas de queda, o valor médio da gasolina passou a avançar nos postos brasileiros, conforme pesquisa semanal da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). O combustível foi vendido a R$ 4,86 por litro, em média, na semana passada.


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Este texto foi publicado pelo jornal “Estado de Minas” [Aqui!].

Reitoria emite nota para desmentir “fake news” Bolsonarista sobre proibição de acesso ao campus da Uenf

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Em função da circulação de um vídeo “fake news” que circula nas redes sociais em Campos dos Goytacazes sobre a proibição seletiva de um apoiador do presidente Jair Bolsonaro ao interior do campus Leonel Brizola, a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) emitiu um nota para informar a verdade dos fatos(ver imagem abaixo).

nota reitoria

Aliás, posso informar que conversei com os servidores terceirizados da segurança patrimonial da Uenf que informaram ao indivíduo que produziu um vídeo mentiroso sobre a razão da sua não entrada no campus universitário, qual seja, a proibição legal. Fiquei sabendo que o indivíduo, que se apresentou como sendo jornalista, afirmou que uma nova lei teria feito caducar a Lei 9.504, motivo pelo qual ele insistia em entrar no interior da Uenf com um veículo portando propaganda eleitoral.

Em outras palavras, a pessoa que produziu esse vídeo o fez de completa má fé, na medida em que foi devidamente informado da razão pela qual não poderia adentrar o espaço interno da Uenf, e mesmo assim optou por produzir um vídeo repleto de mentiras.

Mas, convenhamos, dá para esperar algo de diferente de um eleitor bolsonarista?

Funai impede acesso de indígenas a R$ 1,5 milhão para projetos de conservação

Após meses de espera, 200 trâmites burocráticos e nenhuma resposta, Instituto lamenta cancelamento compulsório, único nos seus 32 anos de existência

Projetos de sete organizações indígenas e indigenistas aprovados para receber apoio do Fundo Amazônia/BNDES foram cancelados por falta de anuência da Fundação Nacional do Índio (Funai). As organizações aguardam há dez meses o documento que é exigência do financiador e computam, neste tempo, 211 trâmites burocráticos entre diversas áreas da Funai, com incontáveis idas e vindas na Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS). Os projetos, no valor total de R$ 1,5 milhão, foram selecionados pelo Fundo para Promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais (PPP-ECOS), gerido pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).
 

Legenda: fotos do “Projeto Indígena Xavante Ripá de Produtividade e Etno-desenvolvimento”, um dos cancelados. O escopo dele previa envolver 30 famílias, aproximadamente 190 pessoas, e pretendia fortalecer a conservação da Aldeia Ripá, na TI Pimentel Barbosa. Créditos: Acervo ISPN

É a primeira vez que o Fundo PPP-ECOS cancela projetos em razão da não obtenção de um documento expedido por órgão público. Em atividade no Brasil desde 1994, o PPP-ECOS já lançou 34 editais e contratou mais de 600 projetos em seus 28 anos de existência, com recursos de diferentes financiadores. Com o cancelamento inédito, oito povos de 9 terras indígenas, que representam mais de 800 famílias, deixarão de ser beneficiados diretamente. Estão prejudicados os povos Xavante (TI Pimentel Barbosa e TI Marãiwatsédé); Kuikuro (TI Parque Indígena do Xingu); Zoró (TI Zoró); Krikati (TI Krikati); Ka´apor (TI Alto Turiaçu); Gavião (TI Gavião); Apinajé (TI Apinajé) e Krahô (TI Kraolândia).
 

 Legenda: fotos do “Projeto Indígena Xavante Ripá de Produtividade e Etno-desenvolvimento”, um dos cancelados. O escopo dele previa envolver 30 famílias, aproximadamente 190 pessoas, e pretendia fortalecer a conservação da Aldeia Ripá, na TI Pimentel Barbosa. Créditos: Acervo ISPN

Estados líderes em violações
 Com foco em produção sustentável e conservação da Amazônia e do Cerrado, os projetos seriam executados nos estados do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, três unidades da federação das mais prejudicadas pelo desmatamento e incêndios nos últimos anos. Os territórios indígenas são os responsáveis por manter, em uma região de avanço desenfreado da monocultura, a vegetação nativa conservada. A lista de violências territoriais que os povos destes estados enfrentam é extensa. 

De acordo com dados do SAD Cerrado, a maior concentração de áreas desmatadas do bioma, no primeiro semestre de 2022, reside no Maranhão, que acumula 26,4% de todo o desmatamento detectado no Cerrado em 2022. Já Mato Grosso, segundo dados do Mapbiomas, entre 1985 e 2020, foi o estado que mais sofreu com incêndios. O estado também é um dos líderes em mortes de crianças indígenas de 0 a 5. De acordo com o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), foram computadas pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) 109 mortes. O Mato Grosso ainda está em segundo lugar no ranking de quantidade de registros de conflitos territoriais. A realidade ambiental destas unidades federativas evidencia a necessidade de projetos que promovam a conservação e fortaleçam as estratégias de gestão territorial e ambiental dos povos indígenas.

Conteúdo dos projetos: conservação ambiental

Com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, o Fundo PPP-ECOS já apoiou 88 projetos desde 2013. Em 2019, foi renovado o contrato com o Fundo Amazônia para apoiar, até 2023, a execução de 60 novos projetos de organizações da agricultura familiar, indígenas e indigenistas nos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Neste grupo, constam os sete projetos impedidos pela falta de acesso ao documento da Funai. O pedido de anuência foi protocolado em 9 de dezembro de 2021 pelo ISPN. Para o ISPN, surpreendeu o fato da Funai procrastinar tanto a emissão de um documento, a ponto de serem cancelados projetos que beneficiam os povos indígenas.

As organizações indígenas e indigenistas apresentaram projetos de conservação e produção sustentável diretamente relacionados à segurança alimentar, envolvendo diversas cadeias produtivas, como da castanha do Brasil, das sementes para restauração, com objetivos de criar alternativas de geração de renda, melhorar a alimentação das famílias, realizar manejo de fogo, conservar os recursos naturais, estruturar e melhorar a gestão de agroindústrias comunitárias, além de oferecer insumos para a cadeia da restauração florestal na região. Todos os projetos tinham lastro na Constituição Federal e dialogavam diretamente com os preceitos da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).

Para o ISPN, a exigência da anuência da Funai fere a autonomia e reconhecimento à autodeterminação dos povos garantidos na Constituição Federal de 1988. “Entendemos que a articulação com a política indigenista executada pela Funai sempre será de grande importância para a execução dos projetos indígenas, mas o documento de anuência se mostrou equivocado, principalmente por desconsiderar que a Constituição de 1988 superou a tutela do Estado brasileiro aos Povos Indígenas”, afirma Rodrigo Noleto, coordenador do Programa Amazônia do ISPN.

“Com um governo explicitamente anti-indigena, como o que temos agora, este tipo de recurso, que deveria ser de fácil acesso, acabou refém de uma operação deliberada da burocracia estatal que objetiva ao final, não concedê-lo. Em virtude dessa regra, os povos indígenas são o único segmento prejudicado, deixando-os à margem do processo”, completa.

Sobre o Fundo PPP-ECOS

O Fundo para Promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais é a principal estratégia adotada pelo ISPN, baseada no apoio aos povos, comunidades tradicionais, agricultores familiares e suas organizações. Por meio dele, o ISPN capta e destina recursos a projetos de organizações comunitárias que atuam pela conservação ambiental por meio do uso sustentável dos recursos naturais, gerando benefícios econômicos e sociais. Hoje, a carteira de financiadores do PPP-ECOS conta com o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD), Fundo Amazônia/BNDES, União Europeia e Ministério do Meio Ambiente da Alemanha (BMU).

Sobre o ISPN

O ISPN é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos ou econômicos com sede em Brasília, que há 32 anos atua pelo desenvolvimento com equidade social e equilíbrio ambiental, apoiando povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares no desenvolvimento de atividades sustentáveis e de estratégias de adaptação às mudanças do clima.

Legenda: fotos do “Projeto Indígena Xavante Ripá de Produtividade e Etno-desenvolvimento”, um dos cancelados. O escopo dele previa envolver 30 famílias, aproximadamente 190 pessoas, e pretendia fortalecer a conservação da Aldeia Ripá, na TI Pimentel Barbosa. Créditos: Acervo ISPN