A estrela (de) cadente: o INPE sob a égide da destruição programada no governo Bolsonaro

Cortes orçamentários, fuga de cérebros e ataques políticos desmoralizam um ícone da ciência sul-americana

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Sala de montagem de satélites do INPE no Laboratório de Integração e Testes (LIT) em 2020. Antes agitada, a instalacão opera com pouco movimento devido à falta de fundos.© LUCAS LACAZ RUIZ/LATINPHOTO.ORG

Por Sofia Moutinho e Herton Escobar para a Science

Cuidadosamente guardadas em um armário, Evlyn Novo mantém uma coleção de placas comemorativas recebidas pelo seu tempo como pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Novo ingressou no instituto em 1975, como uma jovem especialista em sensoriamento remoto trabalhando no primeiro projeto no mundo a usar dados de satélite para monitorar o desmatamento na Amazônia. Ao longo de sua carreira, ela ajudou o INPE a se tornar um dos carros-chefe da ciência brasileira – líder global no monitoramento de florestas tropicais do espaço. A cada cinco anos completos na instituição, Novo ganhou uma placa comemorativa. Ela estava ansiosa para receber a décima, celebrando 50 anos de serviço público.

Mas faltando apenas dois anos para esse marco, Novo,  69 anos, tomou uma decisão dolorosa: sem ter mais fé no futuro da instituição, ela vai se aposentar do INPE até o final deste ano. “Eu não quero ser a última a ficar para apagar as luzes”, ela diz.

O INPE está em declínio, e Novo vê os sinais em todos os lugares. Até alguns anos atrás, era comum as luzes dos escritórios ficarem acesas até tarde da noite no campus principal do instituto em São José dos Campos, interior de São Paulo, onde funcionários e alunos analisavam dados de sensoriamento remoto, construíam satélites e modelavam o clima. Hoje, o INPE sofre para pagar suas contas de luz. Buracos salpicam as ruas do campus e as calçadas estão quebradas por raízes de árvores que crescem sem manejo — sintomas físicos de uma crise institucional muito maior, marcada por grandes cortes orçamentários, uma equipe cada vez mais encolhida e recorrentes ataques ​​do presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores à instituição. “É um ambiente de desânimo total”, descreve Novo.

Outros setores da ciência brasileira também estão retrocedendo. Uma economia vacilante e mudanças nas prioridades políticas levaram a cortes acentuados no financiamento da ciência em várias universidades e instituições federais de pesquisa. Mas a queda do INPE foi particularmente dolorosa de assistir, muitos dizem, por causa de seu prestígio internacional, seu papel na proteção da Amazônia e a maneira como Bolsonaro tenta desacreditar o trabalho do instituto.

Hoje, os programas de monitoramento de desmatamento e incêndios florestais do Brasil estão em perigo. O supercomputador do INPE que roda modelos climáticos está envelhecendo e opera além de sua vida útil. O programa de desenvolvimento de satélites está parado, sem fundos para avançar nas missões e lançamentos planejados. Um dos baluartes históricos da pesquisa no Brasil, o INPE virou um símbolo da luta pela sobrevivência da ciência em um ambiente subfinanciado e politicamente ameaçador.

O diretor do INPE, Clezio De Nardin, reconhece que o instituto passa por problemas. Em entrevista à Science, ele diz que o INPE precisa de pelo menos o dobro de seu orçamento operacional atual de 92 milhões de reais (US $18 milhões) por ano para cumprir suas missões, mas atribui os cortes a problemas econômicos do país, e não à política. “Não acredito que nenhum governante agiria de sã consciência para destruir uma instituição que produz infraestrutura no seu próprio país”, diz De Nardin. “Até porque essa falta de recursos no setor espacial vai trazer consequências para a sociedade por várias décadas.”

Em e-mail à Science, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) apontou alguns sinais positivos: este ano, o financiamento discricionário do INPE subiu 33%, voltando aos níveis de 2019, e aportes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) darão um impulso adicional.

Mas pesquisadores dizem que o escopo do apoio financeiro é incerto e que o financiamento extra não será suficiente para reverter anos de declínio. Muitos funcionários estão desmotivados, diz Gino Genaro, tecnologista sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do INPE: “As pessoas estão angustiadas sem saber o que fazer e o que o futuro reserva”.

O INPE foi fundado em 1961, quando a corrida espacial estava em pleno vapor e a Guerra Fria em seu auge. Inspirado pela visita do cosmonauta soviético Yuri Gagarin, o então presidente Jânio Quadros abraçou a ideia da Sociedade Interplanetária Brasileira de (SIB) de lançar um instituto espacial nacional. Em seus primeiros anos, o INPE criou e consolidou programas de pesquisa e pós-graduação em meteorologia, astrofísica e sensoriamento remoto. Na década de 1970, tornou-se o primeiro instituto no mundo a monitorar florestas usando dados de satélite, obtidos pelo Programa Landsat dos EUA. 



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Uma imagem do satélite Amazônia-1 mostra uma ilha de floresta tropical (verde escuro) cercada por pasto na Terra Indígena Parakanã, Pará. O monitoramento do desmatamento pelo INPE ajuda o Brasil a proteger suas florestas tropicais. LGI/DIOTG/INPE  

Em 1989, o instituto lançou o Programa de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES), que fornece tendências anuais e históricas de desmatamento para a maior floresta tropical do mundo. Em 2004, o INPE criou o Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (DETER), que utiliza imagens de diversos satélites, alguns deles desenvolvidos parcialmente pelo Brasil, para enviar atualizações diárias de incêndios e outras causas de desmatamento para os agentes de fiscalização.

Dados do PRODES e do DETER ajudaram o Brasil a criar e aplicar políticas que foram fundamentais para reduzir o desmatamento anual na Amazônia em 82% entre 2004 e 2014. Ambos os programas são “fundamentais para entender a expansão agrícola no Brasil e as emissões de carbono do desmatamento na Amazônia,” diz Douglas Morton, especialista em sensoriamento remoto do Goddard Space Flight Center da NASA. Morton diz que pesquisadores de todo o mundo valorizam os dados do Inpe, que foram disponibilizados publicamente na internet em 2003 — um passo pioneiro, seguido na sequência pelos Estados Unidos e outros países. Além disso, o instituto é um importante centro de treinamento para cientistas de sensoriamento remoto, acrescenta Morton.

Outro motivo de orgulho do INPE é o Laboratório de Integração e Testes (LIT), famoso pela montagem de satélites. Único do gênero no Hemisfério Sul, o LIT testou e desenvolveu vários satélites nos últimos 35 anos, a maioria em parceria com outros países. O projeto mais bem-sucedido e duradouro foi uma colaboração com a China para o desenvolvimento e construção de seis satélites de imagem chamados CBERS. O primeiro, lançado em 1999, deu ao Brasil suas primeiras imagens próprias de satélite. Dois outros satélites da série CBERS são usados ainda hoje para monitorar incêndios, desmatamento e uso da terra.

“O INPE é certamente uma das instituições de pesquisa mais importantes da América Latina”, diz o cientista da computação Gilberto Câmara, pesquisador de carreira que liderou o instituto de 2006 a 2013. Durante a gestão de Câmara, em 2010, o Brasil investiu US $13 milhões na compra do supercomputador Cray XT6, para uso das equipes do INPE e pesquisadores de outras partes do Brasil. Apelidado de Tupã – em homenagem ao deus indígena sul-americano do trovão – a máquina estava entre os 30 computadores mais poderosos do mundo na época e foi saudada como um marco para a ciência brasileira.

Mas a série de sucessos não duraria muito.

A situação do INPE  a deteriorar há cerca de uma década, durante o primeiro mandato da presidente de esquerda Dilma Rousseff. O apoio federal à ciência, inclusive ao INPE, foi fortemente impactado pelas crise econômica e política do período. A turbulência culminou no impeachment e remoção de Dilma Rousseff da presidência, em 2016, e na eleição de Bolsonaro, em 2018.

Instituto em queda livre

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Considerado uma das mais importantes instituições de pesquisa do Brasil, na última década, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) tem sofrido grandes perdas em seu orçamento geral (em cima) e no financiamento para seus renomados programas de monitoramento de desmatamento da Amazonia (em baixo). Seu número de funcionários também diminuiu quase um quarto (meio).

O declínio do instituto acelerou ainda mais após a posse de Bolsonaro, apesar de sua campanha eleitoral ter prometido priorizar a ciência. O orçamento geral do MCTI foi reduzido em 35% nos primeiros três anos do novo governo, chegando a  8,3 bilhões de reais (US $1,7 bilhão). Apesar de uma recuperação parcial este ano, depois que o Congresso proibiu o governo de contingenciar recursos do FNDCT, o orçamento geral do MCTI para 2022 ainda é 34% menor do que há cinco anos, sem contar a inflação.

O orçamento anual do INPE, por sua vez, caiu 63% em relação a 2010, para uma mínimo recorde de 76 milhões de reais (US $15 milhões) em 2021. Mesmo após o recente aumento, o orçamento ainda está “obviamente aquém das necessidades”, disse De Nardin à Science.

As consequências foram sentidas em todos os cantos do instituto. O orçamento dedicado aos dois programas de monitoramento da Amazônia encolheu 70% na última década, para 2,7 milhões de reais (US $540.000) no ano passado – cerca de 0,1% do que a cidade de Nova York gasta por ano em seu Departamento de Parques e Recreação. “Não tem mais onde cortar. Se cortar mais vamos ter que parar alguma coisa e diminuir as atividades; talvez reduzir a área que monitoramos”, diz o tecnólogo sênior do INPE, Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e Demais Biomas.

Monitorar outros biomas do Brasil também tem sido um desafio. Um programa que rastreia o desmatamento e as queimadas no Cerrado – bioma que ocupa 2 milhões de quilômetros quadrados  no centro do país e na fronteira com a floresta amazônica – esteve ameaçado de parar no ano passado. O Cerrado é uma das savanas com maior biodiversidade do mundo, mas está sob forte pressão: mais da metade já foi desmatada para dar lugar a plantações e gado. Para evitar o encerramento do programa, que não tinha fundos previstos no orçamento oficial, a equipe de Almeida precisou fazer uma  manobra de última hora, transferindo dinheiro de outro projeto. Agora, para manter o programa pelos próximos três anos, eles contam com um aporte de 15 milhões de reais (US $3 milhões) do FNDCT, recebido no fim de abril.

A crise de financiamento é “muito preocupante”, diz Julia Shimbo, ecologista da organização não-governamental Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Os dados do INPE não servem apenas para guiar políticas públicas de desmatamento, ela observa, mas são referência para acordos internacionais sobre emissões de gases de efeito estufa com os quais o Brasil se comprometeu.

A falta de recursos também cria outros problemas. Após 12 anos de funcionamento, o Tupã está nas últimas. Quebras de peças e circuitos queimados do supercomputador não são incomuns e o instituto mal consegue pagar a eletricidade para mantê-lo operacional. “Essa obsolescência afeta as pesquisas climáticas do país, as previsões do tempo e a própria missão do INPE”, diz o físico especializado em meio ambiente Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo. Artaxo é um dos muitos cientistas externos que deixaram de usar o Tupã.

Não há dinheiro para uma substituição. Como solução improvisada, o INPE comprou em 2018 uma segunda máquina, menor e menos potente, que assumiu a previsão do tempo e outros processos operacionais do dia a dia, enquanto o antigo supercomputador é usado principalmente para pesquisas. No ano passado, com recursos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o instituto comprou também um cluster adicional de processadores. Mas se o supercomputador parar, o programa de modelagem climática do Brasil pode ficar seriamente comprometido. O instituto apresentou à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) um projeto de 200 milhões de reais (US $40 milhões) para renovar toda a sua infraestrutura de supercomputação. Porém, mesmo que o projeto seja aprovado, levará pelo menos um ano até que o maquinário comprado esteja pronto para funcionar.

O LIT, onde são desenvolvidos satélites, também sofreu bastante. Seu último grande projeto foi o Amazônia-1, o primeiro satélite de observação da Terra inteiramente desenvolvido no Brasil, lançado da Índia em fevereiro de 2021. O equipamento adicionou um olho extra no céu para vigiar a Amazônia, aumentando a frequência com que as imagens da região são geradas e proporcionando alertas mais rápidos de desmatamento.

INPE workers looking at weather forecasting and climate modelingCortes de financiamento colocam em risco o papel de liderança do INPE na previsão do tempo e na modelagem climática no Brasil. ©LUCAS LACAZ RUIZ/LATINPHOTO.ORG

O lançamento do Amazônia-1 foi motivo de comemoração, mas o sucesso mascarou muitos problemas. A falta de recursos foi um dos motivos que atrasaram a missão em três anos. A maioria dos pesquisadores que trabalhavam no projeto teve suas bolsas de pesquisa suspensas logo antes do lançamento; as bolsas tiveram de ser temporariamente restabelecidas para possibilitar a missão. Atualmente, ainda faltam fundos para desenvolver outros dois satélites da mesma série, há muito tempo planejados. “A descontinuidade deste projeto é um tiro no coração do programa espacial brasileiro”, diz o ex-diretor do INPE Ricardo Galvão. Um país continental com grandes áreas de vegetação nativa e plantações, o Brasil precisa de toda uma constelação de novos satélites para atender suas demandas de sensoriamento remoto, diz o pesquisador.

Para economizar nos gastos, especialmente com a conta de luz, o INPE também reduziu a operação do LIT, revezando o funcionamento de suas salas limpas de tempos em tempos.  O salão onde satélites eram montados e testados com frequência agora abriga apenas o esqueleto de um satélite, construído com peças sobressalentes do Amazônia-1, “para mostrar aos políticos e jornalistas em visita”, disse um funcionário à Science. O LIT também testa produtos para a indústria – como carros, telefones e até banheiras. Hoje, esses testes são o grosso do que o laboratório faz.

De Nardin diz que o instituto está buscando fundos para desenvolver os novos satélites da série Amazônia. Mas enquanto isso, Genaro, que trabalha na Divisão de Sistemas Espaciais do instituto há 20 anos, diz: “Tudo o que temos são ideias soltas no papel, sem nenhum orçamento ou equipe para executá-las”.

Dinheiro não é o único  recurso em falta. Há também uma escassez de cérebros, especialmente cérebros jovens. O INPE tem visto uma redução impressionante de pessoal nas últimas duas décadas, com pesquisadores se aposentando sem ninguém para substituí-los. A última vez que o instituto teve permissão para contratar funcionários via concurso público foi em 2012. O governo federal está relutante em permitir novas contratações, em parte porque o generoso sistema previdenciário do Brasil se tornou um enorme fardo financeiro. Outros institutos federais de pesquisa e universidades enfrentam o mesmo problema.

Como resultado, o número de funcionários em tempo integral no INPE caiu de cerca de 2.000 em 1990 para 753 atualmente. (Desses, 146 são pesquisadores, 460 trabalham em cargos técnicos e o restante em cargos de gestão e administração.) Como a maioria dos outros grupos no INPE, a equipe de monitoramento da Amazônia liderada por Almeida conta principalmente com pesquisadores temporários, pagos com bolsas externas, que não costumam ficar por muito tempo por causa dos baixos valores e incertezas de pagamento e da instabilidade de viver sem um contrato de trabalho.

“Antigamente, era super difícil arrumar espaço para montar uma mesa no INPE”, lembra Almeida. Hoje, “qualquer bolsista tem seu próprio escritório”, ele observa. E o problema não é apenas a falta de pessoal: “o instituto está envelhecendo”, ele diz.

Jovens cientistas veem pouco futuro na instituição. O ecólogo Thiago Silva fez sua pesquisa de pós-doutorado no INPE entre 2010 e 2013, usando dados de satélite para estudar a dinâmica de áreas alagáveis na Amazônia. Orientado por Novo, ele foi um dos dois candidatos selecionados para contração no concurso público de 2012. Mas ele recusou a oferta, temendo ficar isolado e sem dinheiro – ou mesmo sem colegas – para continuar seu trabalho no longo prazo. Silva se mudou para a Escócia em 2019, para trabalhar como professor da Universidade de Stirling. “Acabamos tendo que sair do Brasil para manter nossas pesquisas quando seria muito mais benéfico continuar no país”, ele diz.

Os últimos quatro alunos de pós-graduação de Novo também deixaram o país. A maioria de suas linhas de pesquisa foi descontinuada. “É muito estressante”, diz Novo. “Você passa anos montando um laboratório, comprando equipamentos e formando recursos humanos. E tudo isso pode desaparecer da noite para o dia porque os responsáveis ​​pelas políticas não têm visão de longo prazo.”

O governo diz que o INPE não pode reclamar. Marcos Pontes, que deixou o cargo de ministro da ciência, tecnologia e inovação do Brasil em abril para concorrer a uma cadeira de deputado federal, disse a uma rádio local em fevereiro que o instituto é a “unidade mais privilegiada em termos de orçamento” do ministério. Pontes, que ganhou fama como o primeiro e único astronauta do país – ele passou 9 dias na Estação Espacial Internacional em 2006 – disse que todos os institutos apoiados pelo MCTI sofreram restrições e ninguém pode acusá-lo de “fazer cortes deliberados” no INPE. De Nardin concorda que o governo não está fazendo cortes específicos no INPE.

Mas muitos críticos enxergam a situação de maneira diferente. Eles dizem que o governo de Bolsonaro ataca intencionalmente o INPE, porque o presidente se incomoda com a liderança e a transparência do instituto no monitoramento do desmatamento e de outros crimes ambientais; que os críticos dizem ser encorajados pelas políticas “pró-desenvolvimento” do governo. Desde que Bolsonaro assumiu o poder em 2019, o desmatamento e as queimadas na Amazônia atingiram seus níveis mais altos em mais de uma década. “O INPE está pagando o preço do desmonte do setor ambiental no Brasil”, diz a bióloga Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016. Para ela, a crise do INPE reflete o “desprezo ideológico do governo Bolsonaro pelo meio ambiente e pela ciência.”

O presidente nunca escondeu sua insatisfação com o INPE. “Isso que acontece com muitas divulgações do Inpe, (…) é uma cópia de anos anteriores”, disse ele em 2019. À época, Bolsonaro acusou o INPE de mentir sobre o aumento na destruição da floresta e demitiu Galvão – um físico renomado – do cargo de diretor da instituição por confrontá-lo em público sobre essa afirmação. (Galvão foi substituído por Darcton Damião, coronel aposentado da Força Aérea com mestrado em sensoriamento remoto pelo INPE, que foi sucedido por De Nardin em outubro de 2020.)

Muitos funcionários e pesquisadores do INPE que conversaram com a Science acreditam que o instituto é vítima de perseguição política, mas têm receio de dizer isso abertamente. “Você percebe que tem um grito preso na garganta das pessoas porque elas não têm coragem de expressar suas ideias, temendo represálias”, diz Novo.

“Pouco a pouco, eles estão fazendo o INPE desaparecer”, diz Thelma Krug, que trabalhou no instituto por 37 anos, ajudou a criar os programas de monitoramento da Amazônia e teve papel de destaque como analista de dados ambientais. Krug, uma entre três vice-presidentes do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, se aposentou em 2019. “Saí porque não podia concordar em não falar sobre o que estava acontecendo no INPE”, diz ela.

Se o INPE porventura parar de monitorar o desmatamento e as queimadas, empresas e instituições não-governamentais sediadas no Brasil e em outros países têm condições de preencher a lacuna. Mas o enfraquecimento da agência é também um enfraquecimento da soberania do Brasil, diz Câmara: “É fundamental que o Estado tenha competência para produzir seus próprios dados”. Muitos cientistas dizem que o INPE só poderá se recuperar se Bolsonaro for derrotado na eleição presidencial de outubro e um novo governo assumir. A campanha ainda não começou oficialmente, e o principal oponente de Bolsonaro nas pesquisas, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, não anunciou planos específicos para a ciência, embora já tenha expressado a intenção de priorizar investimentos em ciência e educação. O desmatamento da Amazônia caiu drasticamente e o INPE aumentou seu protagonismo INPE viveu o que é considerado por muitos seus melhores momentos durante a presidência de Lula, entre 2003 e 2010.

Novo é menos otimista. “Mesmo que haja uma mudança de governo, levará muito tempo para o INPE se recuperar”, diz ela. Novo poderia ter se aposentado há 18 anos, mas ficou além da conta porque ama seu trabalho. Agora, ela está apenas esperando que seus últimos alunos terminem suas teses para se aposentar. “Tenho vontade de chorar quando penso no destino do INPE”, diz ela, com a voz embargada.

 


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela revista Science [Aqui!].

 

 

Injustiça climática, aqui e lá, atingirá desproporcionalmente os pobres

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Um interessante artigo escrito pelas jornalistas Anne Bennand, Corey Kilgannon, Jazmine Hughes e Emma Goldberg para o “The New York Times” sob o título de “It is going to be a hot summer. It will be hotter if you´re not rich” (em português “Vai ser um verão quente, que será mais quente se você for pobre”) são apontados vários elementos do que seria “injustiça climática”. É que no frigir dos ovos, as mudanças climáticas e suas diversas manifestações irão atingir os segmentos mais pobres da população nova iorquina, na medida em que até mesmos os espaços públicos destinados aos ricos irão protegê-los melhor das altas temperaturas que deverão ocorrer no próximo verão.

Diferente do que está posto no artigo das jornalistas do New York Time, injustiça climática no Brasil não é mais só um prognóstico, mas um fato que está se tornando corriqueiro, só que na forma de chuvas extremas que chegam rapidamente e atingem mais duramente as áreas que restaram para os mais pobres morarem.

Apenas em 2022 já tivemos os exemplos de Petrópolis, da Baixada Fluminense, de Angra dos Reis e Paraty, de inúmeras cidades de Minas Gerais, e agora no Recife.  Em todos esses lugares as chuvas chegaram rápidas e intensas, e causaram enormes perdas de vidas humanas e colocaram abaixo milhares de habitações localizadas em regiões geologicamente instáveis que foram ocupadas depois que o filé mignon imobiliário foi ocupado e submetido a um processo de valorização que expulsou para longe quem não tinha como pagar.

No caso brasileiro, a injustiça climática continuará se agravando até que se faça uma radical reforma da terra urbana, que inclua ainda a tomada pelo Estado de um grande estoque de imóveis que os proprietários deixam vazios até que possam adentrar a próxima bolha imobiliária ou algum processo de gentrificação que é normalmente é financiado com dinheiro público.

A verdade é que qualquer medida paliativa para esconder o acúmulo de cadáveres causados pela injustiça climática servirá apenas para causar a chegada de outro desastre social de base climática. É que, queiramos ou não, as mudanças climáticas chegaram para ficar, servindo ainda para expor as dramáticas diferenças sociais existentes nas cidades brasileiras.

 

4 entre 10 pacientes com diabetes morrem ao se internar por COVID-19, aponta estudo

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Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

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O diabetes mellitus é responsável por 2,5 entre 10 internações por Covid-19, porém, quando consideradas as mortes por Covid-19 entre os pacientes internados, 4 entre 10 têm diabetes. É o que apontam pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE), que analisaram a associação entre o diabetes mellitus e o óbito hospitalar por Covid-19. O estudo está publicado na edição de segunda (30) da revista “Epidemiologia e Serviços de Saúde”.

Para analisar o impacto na população brasileira, os autores tomaram como base os casos de Covid-19 notificados no primeiro ano da pandemia no Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SIVEP – Gripe). O SIVEP reúne os dados epidemiológicos brasileiros de casos suspeitos e confirmados de qualquer doença com sintomas gripais e foi o sistema utilizado pelo Ministério da Saúde para contabilizar os casos da pandemia no país.

Os dados do SIVEP referentes a 397.600 casos de pessoas hospitalizadas apontam que 32% dos pacientes com Covid-19 admitidos em Unidade de Terapia Intensiva em 2020 morreram. Entre todos os internados por Covid-19, 25,7% tinham o diagnóstico de diabetes, mas a prevalência de óbito entre as pessoas com diabetes saltou para 40,8%. Portanto, o diabetes aumenta em 15% as taxas de óbitos em pessoas internadas por Covid-19, representando aproximadamente 3 em cada 20 óbitos.

“Os estudos da área de saúde apontam que o principal fator atribuído as complicações da COVID-19 em diabéticos é que a doença crônica altera as funções metabólicas e, com isso, afeta também as respostas imunológicas do organismo, tornando assim os portadores do diabetes mais suscetíveis a infecções pelo SARS-CoV-2 Outra hipótese se dá pela inflamação e ao estresse oxidativo e, consequentemente, a resistência à insulina, que é a enzima que controla a quantidade de glicose no sangue após a alimentação”, explica o enfermeiro Thiago Santos Garces, doutorando em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde pela UECE e um dos autores da pesquisa.

Nos dois últimos anos, cientistas em todo o mundo têm estudado os efeitos e as doenças que podem estar associadas ao quadro da Covid-19. A literatura médica relata diferentes níveis de prevalência dos casos que apresentam diabetes associado a COVID-19. Há revisões sistemáticas e metanálises que mostraram uma probabilidade de 35% de ocorrência de casos e 50% de risco de morte entre os diabéticos diagnosticados com COVID-19. Vale lembra que os dados trazidos pelos pesquisadores da UECE contemplam o ano 2020, e o objetivo do grupo é seguir com a atualização desta análise.

Quem desejar acessar o artigo que deu base para este texto, basta clicar [Aqui!].

CAR é usado para “esquentar” grilagem de terras públicas na Amazônia

Grileiros fraudam cadastro rural para destruir floresta, apontam ambientalistas; para governo, problema é dos estados. Cadastro Ambiental Rural foi criado para regularizar áreas ambientais e conter desmatamento. Pesquisadores dizem que, sem validação, documento serve para legitimar fraudes

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Por Marcela Mattos, de Brasília, para o G1

Uma das principais medidas do Código Florestal, legislação que completou dez anos neste mês, está sendo usada de forma fraudulenta para destruir florestas, beneficiar grileiros e avançar sobre terras indígenas, segundo pesquisadores e ambientalistas.

Criado para regularizar áreas ambientais e com o objetivo de combater o desmatamento, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro público obrigatório para todos os imóveis rurais.

O cadastro, que funciona como uma espécie de “raio-x” da propriedade, é uma identificação ambiental de terras rurais e agrega informações sobre o perímetro do imóvel, traz dados sobre área de reserva legal e das terras de preservação permanente, além de identificar o proprietário.

O problema, porém, é que o preenchimento das informações se dá de forma autodeclaratória – ou seja, o proprietário insere os dados no sistema, gerido pelo governo federal – e a checagem dos dados repassados é praticamente nula.

Ao longo de dez anos, 6,5 milhões de imóveis rurais foram declarados no CAR. Desse total, pouco mais de 28 mil imóveis foram analisados, menos de 0,5% do total das inscrições.

Após dez anos do novo Código Florestal, cadastramento de imóveis rurais não chega nem a 1%

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Com isso, afirmam os ambientalistas, está havendo uma “proliferação” de CAR e abre-se espaço para que grileiros tomem as terras e usem o recibo de inscrição como uma forma de legitimar a invasão.

“Quase 44% dos CAR que a gente analisou são acima de 15 módulos fiscais, ou seja, têm 1,5 mil hectares. Isso não é propriedade de pequeno produtor. Realmente, grandes grileiros é que estão declarando grandes áreas de terra pública como privada”, disse ao g1 Paulo Moutinho, doutor em ecologia e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

“A pessoa que declarou tem aquele documento na mão e vai dizendo: ‘Olha, essa terra é minha, eu declarei no sistema’. E é tudo fraude” afirmou Moutinho.

Em nota, o Ministério da Agricultura respondeu que já foram identificadas “sobreposições que devem ser sanadas” durante a etapa de análise dos cadastros, mas que essa é uma competência dos estados (leia mais abaixo).

Os dados sobre as irregularidades no CAR foram apresentados por Moutinho à Comissão de Meio Ambiente do Senado na última quarta-feira (25).

Também participaram da audiência o vice-presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), João Paulo Capobianco; a ex-conselheira do Conselho Nacional de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes; o perito criminal da Polícia Federal Herbert Dittmar; o coordenador de Repressão a Crimes Ambientais de Patrimônio Cultural da Polícia Federal, Nilson Vieira dos Santos, e a diretora de Regularização Ambiental do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Jaine Davet

Após a audiência, senadores passaram a avaliar a criação de um grupo de trabalho para discutir formas de conter o problema.

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Do desmatamento ao pasto

Além do o uso do CAR para a invasão de terras públicas, pesquisadores identificaram o aumento do desmatamento em áreas com cadastros irregulares e localizados em florestas públicas não destinadas – terras do governo federal e dos estados que aguardam uma destinação para a conservação e o uso sustentável dos recursos e que não podem ser utilizadas para outros fins.

Essas florestas – públicas – estão sendo declaradas como propriedade privada no CAR. Já há, de acordo com Paulo Moutinho, mais de 110 mil cadastros feitos sobre essas áreas.

De um total de 56,5 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas no país, mais de 30% (18,6 milhões de hectares) estão registrados no CAR, o que é ilegal. Além disso, até 2020 o desmatamento ilegal nessas florestas públicas somava 3,2 milhões de hectares e em 66% deles havia o registro no cadastro ambiental.

“Nos últimos três anos, aumentou em 50% o desmatamento só nessa categoria de floresta pública não destinada em relação aos anos anteriores. Ou seja, a grilagem perdeu o controle, e isso é por uma conivência do governo, não tenho a mínima dúvida disso. Não só o governo federal, mas alguns governos estaduais também, que acham que a floresta é impedimento a progresso e crescimento econômico”, disse o pesquisador do Ipam, com base em dados do Deter, o sistema de alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os estudos mostram ainda o destino das florestas públicas após o desmatamento: a pastagem. Entre 2016 e 2020, 78% das terras foram usadas para o pasto, o que, para os estudiosos, representa um ilegal “mercado da carne”.

Terras indígenas

Os imóveis rurais também estão sendo sobrepostos em terras indígenas, de acordo com o vice-presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), João Paulo Capobianco.

Segundo ele, atualmente há 297 terras indígenas nas quais há uma parte ou até a totalidade da área com registro no CAR. A quantidade corresponde a 40% de todas as terras indígenas no país.

No Senado, Capobianco apresentou exemplos de cadastros ativos (em situação de regularidade) sobre as terras indígenas. Quando o CAR está regularizado, o produtor tem direito a diversos benefícios, como obtenção de créditos agrícolas e tributários e isenção de impostos sobre determinados insumos.

Entre os locais com cadastros rurais ativos estão o Parque Indígena do Xingu e a terra indígena Capoto-Jarina, no Mato Grosso. Há registros ainda no Amazonas, no Pará, em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Paraná. De acordo com a Constituição, as terras indígenas são bens da União.

“O CAR é uma boa ferramenta, ela é necessária, ela é positiva. Agora, a má gestão do CAR pelo Serviço Florestal Brasileiro está gerando esse problema dramático, acolhendo grilagem de terra e promovendo uma especulação imobiliária terrível sobre terras públicas destinadas e não destinadas”, disse Capobianco.

O que diz o governo

Em nota enviada ao g1, o Ministério da Agricultura (Mapa) informou que compete às unidades federativas (estados e Distrito Federal) a análise do Cadastro Ambiental Rural e que cabe ao Serviço Florestal Brasileiro (SFB), como órgão coordenador da política nacionalmente, dar suporte e buscar meios para dar celeridade a este processo.

A pasta informou ainda que o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar) passou a ser responsabilidade do Mapa em 2019.

“Por se tratar de uma base georreferenciada e com inscrição simplificada para imóvel até 4 módulos fiscais, já foram identificadas sobreposições que devem ser sanadas durante a etapa de análise, conforme orientação do órgão estadual responsável”, afirmou o ministério.

A pasta acrescentou que o Serviço Florestal Brasileiro desenvolveu uma ferramenta à disposição dos estados que permite o reconhecimento de regularidade ambiental por parte do órgão público e também possibilita aos estados identificar áreas sobrepostas.


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Este texto foi originalmente publicado pelo portal G1 [Aqui!].

Seminário debate a conjuntura internacional sobre incêndios florestais e as violações de direitos dos povos e comunidades tradicionais

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Nos dias 30 e 31 de maio, a partir de 13h (horário de Brasília), ocorre o II Seminário Internacional da Articulação Agro é Fogo, de forma virtual pelo Zoom com inscrição prévia. A proposta é expor e debater a conjuntura nacional e internacional a respeito do combate aos incêndios, desmatamento, grilagem de terras, das estratégias entre comunidades e organizações, além de refletir sobre o acordo da União Europeia e Mercosul e seus impactos na América Latina.

Nesta atividade, que terá tradução simultânea para o espanhol e o inglês, será um momento para análise das problemáticas dos incêndios como estratégia de violência aliadas ao avanço do agro-hidronegócio-minerador que assola não só o Brasil, mas também na relação capitalista entre América Latina e Europa.

Com o objetivo de aprofundar nas denúncias realizadas na Audiência Pública na câmara dos deputados, o seminário contará com especialistas e representantes das comunidades, que pontuarão os desafios e estratégias de enfretamento às ameaças dos povos das florestas, dos campos e das águas frente a violação de seus direitos.

Cerrado, Amazônia e Pantanal estão em chamas antes mesmo do período de estiagem, considerado um período crítico e de seca. Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), até a metade de maio deste ano mais de 5 mil focos de incêndios foram contabilizados só no Cerrado, isso significa 25% a mais do que o mesmo período ano passado; Na Amazônia, já são mais de 4 mil focos, 18% a mais e no Pantanal os focos já beiram a quantidade de todo o ano de 2021 nesta região.

A urgência do seminário ainda se demonstra no levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Articulação Agro é Fogo que ressalta o quanto os incêndios estão conectados aos conflitos agrários. Tais conflitos por terra, envolvendo o fogo (2021), concentram 47% nas áreas do Cerrado e suas transições, na Amazônia contabilizam 25% e no Pantanal 6% do total. 

Além disso, os incêndios destroem não só o componente material, mas, principalmente, afeta o sagrado e os saberes dos povos, isso se mostra em relação às casas de reza, violência que já envolveu quase 2.5 mil famílias no Brasil. Ainda de acordo com o relatório, 37 mil famílias foram afetadas pelo uso do fogo como arma nos conflitos no campo no ano de 2021.

Para esse debate, entre outras representações, se fará presente no seminário: Jabson Nagelo da Silva, do povo indígena Macuxi e coordenador do Conselho Indigenista (CIMI), de Roraima; Tom Kucharz, integrante do Ecologistas en Acción, da Espanha; Representante da Asociación Centro Nacional Salud, Ambiente Y Trabajo (CENSAT), da Colômbia; Diana Aguiar, pesquisadora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e assessora da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado; Marciel Viana, Fórum Popular da Natureza; e Valéria Santos, da Articulação Agro é Fogo e da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Ao final, do evento se fará uma carta-denúncia com repercussão internacional sobre desmatamento, incêndios e grilagem na América Latina a fim de sistematizar as denúncias e anúncios dos povos para ser lida durante o X Fórum Social Pan-Amazônico (Fospa), que será em Belém-PA, onde será lançada a terceira fase do Dossiê Agro é Fogo.

Articulação Agro é Fogo é composta por mais de 30 entidades que se organizam para denunciar a violação de direitos humanos dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da Amazônia, Cerrado e Pantanal do Brasil, decorrente de incêndios florestais criminosos e intenso desmatamento nos referidos biomas.

Link de para inscrição: Link

CPI da dívida pública do Rio de Janeiro revela que União é a principal credora, e dívida continua aumentando em vez de diminuir

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para apurar o montante da Dívida Pública do estado do Rio, realizou na última nesta terça-feira (24), uma oitiva na qual a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) apresentou os dados da dívida pública do estado (Aqui! Aqui!) .

Segundo a Sefaz, dos R$ 184 bilhões da dívida pública estadual, 61% têm como credor diretamente a União e 16% estão relacionados a contratos nos quais o Governo Federal é garantidor (ou seja a União detém 77% da dívida pública estadual), enquanto que 25% de toda a dívida está indexada em dólar (suponho que em parte causada pela famigerada “Operação Delaware”.

Por outro lado, ao contrário do que muitas vezes se pensa, a adesão ao chamado Regime de Recuperação Fiscal (RRF) não cessou a atualização do estoque via a aplicação de taxas de juros, o que faz com que, apesar de todos os sacrifícios impostos ao funcionalismo público e aos serviços que eles prestam, o estoque da dívida não só não diminuiu, como aumentou, ainda que estabilizo em vultosos R$ 200 bilhões.

Mas uma coisa está clara com essas primeiras revelações, qual é a razão de que o Ministério da Fazenda sob o comando do banqueiro Paulo Guedes esteja pressionando o estado do Rio de Janeiro a impor ainda mais sacrifícios aos servidores públicos e à população em geral. É que sendo a União sendo a principal ganhadora da hemorragia de recursos pertencentes ao Rio de Janeiro, a decisão é continuar sugando a galinha de ovos de ouro, ainda que sob o risco de uma grave insurreição social causada pela degradação extrema dos serviços públicos, como já está ocorrendo.

Uma coisa é certa, o RRF na verdade é um regime de repressão fiscal que retira toda a autonomia e capacidade de investimento do estado do Rio de Janeiro, tornando o governador e a Alerj uma espécie de rainha da Inglaterra tropical.

Brilhante, mas mortal – não jogue peixinhos dourados nos rios

Peixes dourados indesejados representam uma ameaça tripla para espécies nativas nas vias navegáveis ​​​​do Reino Unido, revela estudo

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Peixinho dourado em um tanque. As criaturas podem parecer inocentes, mas podem causar estragos na natureza no Reino Unido. Fotografia: Abedin Taherkenareh/EPA

Por Fiona Harvey, editora de Meio Ambiente, para o “The Guardian”

Se aquele peixinho dourado está começando a perder o brilho, pense duas vezes antes de jogá-lo no rio ou no canal – as criaturas podem parecer inocentes, mas seu apetite voraz, tolerância ao frio e hábitos em comparação com as espécies nativas podem ser catastróficos para fauna local.

Novas pesquisas mostram que os peixes dourados consomem muito mais do que peixes comparáveis ​​nas águas do Reino Unido, comem mais do que outros peixes invasores e também estão muito mais dispostos a enfrentar agressivamente outras espécies concorrentes.

Isso significa que os peixes dourados representam uma ameaça tripla, de acordo com o Dr. James Dickey, da Queen’s University Belfast, o principal autor do estudo.

“Eles não apenas estão prontamente disponíveis, mas combinam apetites insaciáveis ​​com comportamento ousado”, disse ele. “Embora os climas do norte da Europa sejam muitas vezes uma barreira para espécies não nativas que sobrevivem na natureza, sabe-se que os peixes dourados são tolerantes a essas condições e podem representar uma ameaça real à biodiversidade nativa em rios e lagos, consumindo os recursos que outras espécies dependem.”

O estudo não foi capaz de avaliar se mais peixes dourados estavam sendo soltos na natureza por donos de animais que compraram novos peixes durante o bloqueio, mas relatos anedóticos sugeriram que esse poderia ser o caso.

“Embora nossa pesquisa não tenha se concentrado em saber se esse problema piorou desde o bloqueio, há razões para acreditar que esse é, ou pelo menos será, o caso”, disse Dickey.

“Houve notícias recentes sobre bagres amazônicos liberados sendo encontrados em Glasgow , que podem estar ligados. Também pode ser que haja um desfasamento de tempo, e pode ser só este verão, quando a normalidade voltar e, por exemplo, as pessoas querem viajar [e deixar os seus animais de estimação para trás], que comecemos a ver os efeitos. ”

O estudo, publicado na revista NeoBiota na quarta-feira , examinou as duas espécies de peixes mais comercializadas na Irlanda do Norte: o peixinho dourado, que é uma espécie invasora em todo o mundo, e o peixinho da montanha branca, que ainda não estabeleceu grande parte de uma invasão. ponto de apoio. Ambas as espécies são membros da família das carpas e são nativas do leste da Ásia.

Os pesquisadores estabeleceram um novo método para avaliar e comparar os impactos de ambas as espécies, analisando a disponibilidade, as taxas de alimentação e o comportamento. Por esses padrões, o peixinho dourado superou em muito o peixinho de nuvem branca e demonstrou ser capaz de causar estragos nas populações de vida selvagem nativa em lagoas, rios e córregos do Reino Unido.

Peixes dourados atacam girinos e outros peixes pequenos quando soltos nas vias navegáveis ​​do Reino Unido, perturbando os ecossistemas naturais.

Nos EUA, descobriu-se que os peixinhos dourados crescem até mais de 30 cm (1 pé) de comprimento em algumas vias navegáveis, devido à sua capacidade de adaptação.

Muitos donos de animais de estimação sentem que estão agindo de forma humana ao soltar seus peixinhos dourados na natureza , mas Dickey alertou que isso é destrutivo .

Outra forma de limitar os danos, de acordo com o estudo, seria as lojas de animais estocar mais espécies alternativas que não representam um risco tão invasivo .

“Peixes dourados são de alto risco”, disse Dickey. “Limitar a disponibilidade de espécies potencialmente impactantes, como peixinhos dourados, juntamente com uma melhor educação dos donos de animais de estimação é uma solução para evitar que invasores prejudiciais se estabeleçam no futuro.”

Jogar um peixe indesejado no vaso sanitário também é proibido, de acordo com Dickey. Mas ele disse que algumas lojas de animais aceitam peixes de volta, embora geralmente não com reembolso, e existem sites como o Preloved.co.uk , onde eles podem ser doados ou trocados.


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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Nova plataforma concentra análises e dados dos 10 anos do Código Florestal

Pesquisadoras do CPI/PUC-Rio lançam site com dados da implementação do Código Florestal em todos os estados brasileiros

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O Código Florestal, principal política pública nacional para a proteção da vegetação nativa em propriedades privadas, completa 10 anos de sua promulgação neste dia 25 de maio. Ao longo da última década, a Lei de Proteção da Vegetação Nativa (no 12.651), se consolidou como principal instrumento capaz de conciliar crescimento da agropecuária com a proteção de recursos naturais e fez com que o Brasil desse passos importantes na direção do atingimento das metas climáticas, de conservar sua biodiversidade e de desenvolver uma economia verde. Pensando na importância histórica da existência dessa política pública, o Climate Policy Initiative/ Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio), lança nesta quarta-feira (25/05) uma plataforma que reúne todas as pesquisas e informações que já desenvolveu sobre o assunto.

Na plataforma, é possível acompanhar dados da implementação do Código Florestal em todos os estados brasileiros, bem como os relatórios e monitoramento feitos pelo CPI, como, por exemplo, quantos imóveis foram inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, quantos cadastros já foram analisados e validados, quantos produtores rurais já aderiram ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), programa que permite aos produtores rurais a regularização ambiental da sua propriedade, e quantos hectares estão sendo restaurados de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal. Também está disponível um suplemento com toda a legislação aplicável.

Em uma década de existência, o regime jurídico de proteção florestal foi objeto de quatro ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs), ações que tramitaram por quase seis anos no Supremo Tribunal Federal (STF) e enquanto a suprema corte não decidia definitivamente o destino da lei, sua implementação mal saiu do papel. Há também diversos projetos de lei (PLs) em tramitação no Congresso Nacional que pretendem alterar as regras do Código Florestal. Por isso, o CPI acompanhou e acompanha esses processos, editou e analisou uma série de publicações que mostram o desenrolar dos julgamentos e dos projetos. Além disso, o núcleo de pesquisa também faz o monitoramento permanente da implementação da lei em todos os estados brasileiros identificando ano a ano os avanços alcançados e os desafios.

Nesta quarta-feira o CPI também está lançando um resumo para política pública sobre o cancelamento de CARs sobrepostos à TIs e como essas políticas estão sendo colocadas em prática. Milhares de hectares em Terras Indígenas vêm sendo objeto de inscrição irregular no Cadastro Ambiental Rural (CAR), promovendo danos ambientais e conflitos fundiários. O cancelamento destes cadastros é uma questão de ordem fundiária, social e ambiental e deve ser tratada de modo prioritário e urgente. Neste trabalho as pesquisadoras analisam detalhadamente a regulamentação federal e identificam as lacunas jurídicas existentes e formulam propostas para uma melhor regulamentação do tema.

O CPI também está lançando uma nova nota técnica, sobre os impactos das controvérsias jurídicas na implementação do Código Florestal. Foram essas disparidades que originaram as quatro ADIs, bem como uma ação declaratória de constitucionalidade (ADC). As ADIs e a ADC foram reunidas e julgadas em conjunto pela corte, com decisão final em 28 de fevereiro de 2018. Mas, nesse meio tempo, à medida que os estados regulamentavam o Código Florestal e seus instrumentos, como o CAR e o PRA, e implementaram a lei no estado, novas controvérsias foram surgindo.

Na nova nota técnica, pesquisadoras do CPI/PUC-Rio mapearam as principais controvérsias jurídicas, ainda pendentes de solução pelo poder judiciário, e analisam seus impactos na implementação da lei, com dados e exemplos concretos de paralisações nos estados.

O CPI também conta hoje com o lançamento do Barômetro do Código Florestal no legislativo – plataforma que mede a pressão do Congresso Nacional para mudar o Código. A organização já acompanha o movimento parlamentar há anos e tem várias notas técnicas com análises de PLs em tramitação ou que já tramitaram.

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Além do mais, na plataforma lançada nesta quarta-feira pelo CPI é possível acessar todas as publicações do projeto Onde Estamos, que responde como está a implementação da lei em todos os estados brasileiros. Nesse projeto, são identificados, ano a ano, os avanços alcançados, os principais desafios, as semelhanças e diferenças entre os estados.

Código Florestal

O Código Florestal é uma lei que trata de conservação, de controle do desmatamento e queimadas, que prevê a restauração de áreas degradadas, trata de incentivos e instrumentos econômicos, regulamenta a exploração florestal e promove sistemas agroflorestais. Além disso, estabelece mecanismos de monitoramento e gestão ambiental dos imóveis rurais.

Apesar do aniversário de 10 anos do Código, a legislação florestal já existe no Brasil há mais tempo. O primeiro Código Florestal foi editado em 1934, modernizado em 1965 e revisado em 2012 em um longo processo de negociação que contou com diferentes grupos, como ambientalistas, governos e produtores rurais. Dois instrumentos fundamentais de conservação em áreas privadas no Brasil foram mantidos após a revisão: as Áreas de Preservação Permanente, que incluem faixas de vegetação ao longo de cursos d’água e áreas no entorno de nascentes; e a Reserva Legal, percentual da área total de um imóvel rural (varia entre 20% e 80%) na qual é obrigatório manter a cobertura de vegetação nativa.

Confira o vídeo para lembrar acontecimentos marcantes na trajetória do Código Florestal brasileiro.

 

 Setor de petróleo e gás dos EUA usa Ucrânia para impulsionar expansão, diz relatório

Análise revela como indústria promoveu a “energia de fabricação americana” em resposta a choques globais

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Anúncios pagos e veiculados na rede social Facebook divulgam energia (fóssil) made in the USA

Uma nova pesquisa do think tank climático InfluenceMap revela como o setor de petróleo e gás dos EUA utilizou a guerra na Ucrânia e os preços mais altos da energia para impulsionar a produção doméstica de combustíveis fósseis. No período que antecedeu a invasão e nas semanas seguintes, o setor utilizou várias estratégias para captar a narrativa pública sobre a causa da crise dos preços da energia por meio de informações falsas, diz a pesquisa revelada hoje (25).

Entre as mensagens analisadas estão declarações públicas de executivos da ConocoPhillips, Chevron, Associação Americana do Gás e outros, que procuraram culpar a política climática pelos altos preços da energia ou promoveram a energia fóssil produzida nos EUA como parte da solução. Muitas dessas reivindicações em torno da causa da crise foram desmascaradas pela equipe de checagem de fatos da agência de notícias AFP.

Um dos principais atores neste esforço de lobby – o American Petroleum Institute (API) – utilizou o Facebook para impulsionar sua mensagem de “energia de fabricação americana” e “gás natural e petróleo americanos”, utilizando reivindicações em torno da segurança energética e da independência energética dos EUA.

Entre 26 de janeiro (quando o API mencionou especificamente a crise da Ucrânia) e 1º de abril, a organização criou e veiculou 761 anúncios por meio de sua página ‘Energy Citizens’ (Cidadãos da Energia). Isto incluiu uma extensa campanha publicitária promovendo a energia produzida nos EUA e a independência energética, consistindo em 233 anúncios individuais, que receberam 19,6 milhões de impressões.

Em comparação, nos três meses finais de 2021, a página ‘Energy Citizens’ da API criou apenas 67 anúncios referentes a energia/segurança nacional ou independência energética, que foram vistos 6 milhões de vezes.

Em resposta às conclusões do relatório, o senador democrata dos EUA Sheldon Whitehouse disse: “A indústria não levou tempo nenhum para transformar a situação perigosa na Ucrânia em uma vantagem financeira para os executivos do petróleo e gás e seus acionistas. A implementação de informações errôneas para capitalizar uma crise internacional é típica do bem gasto e desagradável livro de jogadas da indústria de combustíveis fósseis”.

A co-fundadora da Clean Creatives, Christine Arena, disse: “Muita atenção tem sido dada à história demonstrável da indústria de combustíveis fósseis de negar a ciência climática. Mas como revela a análise do InfluenceMap, o tipo de desinformação climática que prolifera desde a invasão da Ucrânia é mais enganosa, generalizada e perigosa – com a participação direta dos CEOs da indústria e um impacto a curto prazo nas políticas públicas”.

Sucesso

Desde a invasão da Ucrânia, várias das políticas ‘pedidas’ pela indústria têm sido bem sucedidas. Por exemplo, a Comissão Federal de Regulamentação Energética (FERC) dos EUA recuou de um plano para considerar como os projetos de gás afetam a mudança climática e as comunidades locais. O setor também obteve sucesso em assegurar um compromisso para acelerar a aprovação de novos projetos de gás.

Enquanto Mike Wirth, CEO da Chevron, e Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips, procuraram culpar as políticas climáticas pelos recentes picos de preços de energia, o setor se opôs às políticas estaduais que reduziriam a demanda por petróleo e gás. Por exemplo, proibições de gás em novos edifícios em Nova York, mandatos de etanol em Iowa e incentivos para veículos elétricos na Virgínia.

“O setor de petróleo e gás dos EUA tem defendido consistentemente políticas que permitem novas ou maiores explorações de combustíveis fósseis, e contra políticas que reduziriam a demanda. Mas o que mudou nos últimos meses é a intensidade dessa mensagem”, avalia Faye Holder, gerente de Projetos do InfluenceMap.

“A indústria se mobilizou rapidamente em torno da guerra na Ucrânia e dos altos preços do gás para promover a necessidade de mais “energia de fabricação americana”, muitas vezes confiando em reivindicações potencialmente enganosas ou questionáveis”, conclui.

Ferramenta de acesso aberto mapeia em escala global projetos de solar e eólica

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Dados dos rastreadores de energia solar e eólica do Global Energy Monitor (GEM) lançados agora mostram que a China tem mais energia eólica em escala operacional (261GW) do que a soma de EUA (127GW), Alemanha (39GW), Espanha (26GW), Índia (23GW) e Reino Unido (22GW) e tem três vezes mais energia solar (130GW) do que os EUA (43GW). 

As duas ferramentas têm acesso aberto e foram desenvolvidas para acompanhar a transição global para a energia renovável. Elas fornecem dados sobre mais de 18 mil projetos eólicos em operação e planejados em 144 países, e cerca de 8 mil projetos solares em operação e planejados em 148 países, capturando com isso toda a extensão da construção de energia eólica e solar em todo o mundo.

O Brasil lidera com ampla margem a geração eólica na América Latina, com 19GW de energia solar em operação, bem à frente de México (7GW), Argentina (3GW) e Chile (2GW). Com esses números, o Brasil é o sexto maior gerador de energia dos ventos atualmente, atrás de Índia, Espanha, Alemanha, EUA e China. Quando se leva em conta os projetos em fase de construção, contratação ou anunciados, o país está na quarta colocação, com 70GW, em um ranking liderado por Austrália (111GW), China (95GW) e EUA (95GW).

Na energia solar, o país é o 9° maior gerador global, com pouco mais de 3GW em 98 projetos em operação mapeados, bem atrás do México (10GW), que lidera entre os latino-americanos. Mas o país tem uma grande capacidade solar projetada, com 484 propostas em desenvolvimento – a maior delas no norte de Minas Gerais – e 101 já em construção, a maioria nos estados do Nordeste.

Os rastreadores revelam grande competitividade regional, com lideranças atuais ameaçadas por projetos futuros em outros mercados. No continente africano, por exemplo, embora a África do Sul esteja atualmente liderando a corrida tanto na operação eólica como solar, a Argélia assumirá a ponta com seu potencial de capacidade eólica, seguida pelo Marrocos com seu potencial solar.

As ferramentas de rastreio e os relatórios do GEM já são usados por organizações como o Banco Mundial, AIE, Bloomberg Global Coal Countdown e órgãos da ONU para observar o mercado de combustíveis fósseis. As duas novas ferramentas sobre energias solar e eólica serão a mais confiável fonte de rastreamento de capacidade solar e eólica operacional ou planejada em todo o mundo, afirmam os desenvolvedores.

“Capturar toda a extensão do desenvolvimento de energia solar e eólica em todo o mundo é fundamental para medir o progresso em direção à transição energética”, afirma Ingrid Behrsin, gerente de projeto do Rastreador de Energia dos Ventos do GEM. “Com dados em nível de projeto e de acesso aberto como estes, estamos agora em uma posição muito mais forte para acompanhar como cada país está se posicionando em relação às suas próprias metas declaradas de energias renováveis.”