Brumadinho celebra Dia Das Mães pedindo justiça com música e seminário

Mães da cidade e 272 vítimas fatais da tragédia da Mina Córrego do Feijão serão homenageadas com concerto musical e debate sobre a força da indignação como motor para transformação social e para gerar esperanças. A participação nos dois eventos é gratuita

unnamed (1)Rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão matou 272 pessoas

Cenário do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, maior acidente de trabalho do país, que há três anos deixou dezenas de mães sem seus filhos e 105 órfãos, Brumadinho receberá neste 7 de maio, véspera do domingo da Mães, dois eventos culturais que buscam minimizar a dor causada pela saudade das vítimas e, ao mesmo tempo, debater ações em defesa dos atingidos, além de medidas para que outros acidentes de trabalho – previsíveis como este – nunca mais se repitam. Os eventos fazem parte do Projeto Legado de Brumadinho*.
 

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Marcus Viana
 

Todas as mães e a população em geral serão presenteadas com um concerto especial regido pelo maestro mineiro Marcus Viana, autor da música tema da novela “Pantanal”, atualmente em exibição pela TV Globo. Batizado de “Terra, Espírito e Luz”, o concerto será no Estacionamento Central de Brumadinho. Ele começa às 18h, na hora da Ave Maria e do pôr do sol, prometendo muita emoção para o público.

O espetáculo será dividido em três blocos, com repertórios dedicados à “Mãe Terra”, gestora da natureza e do meio ambiente; à “Mãe Espiritual”, que como Maria tira sua força das adversidades e da luta; e à “Mãe Luz”, mulher que ama, educa e alimenta o ser.
 

Bárbara Barcellos

Sanráh Ângelo
 

Nabila Dandara

No palco com Marcus Viana estarão o grupo Sagrado Coração da Terra e o Coro Madrigale, além de artistas como Sanráh Ângelo e a banda de percussão Batucabrum, a cantora lírica Nabila Dandara, além de outros artistas como Arnon Oliveira, Lincoln Cheib, Augusto Rennó, Bárbara Barcellos, Bárbara Garcia, Ivan Corrêa, Eduardo Campos, João Viana e Will Motta.

Durante o show, ainda serão apresentados depoimentos de mães que perderam seus filhos na tragédia da Mina Córrego do Feijão.

Redes de Indignação e Esperança

No mesmo dia 7, na parte da manhã, a partir das 10h, será realizado o seminário “Redes de Esperança e Indignação”, no auditório da Secretaria de Educação de Brumadinho (rua Presidente Kennedy, 20). Em debate, a força da indignação para construir esperança. Os trabalhos serão abertos pela presidente da Avabrum, Alexandra Andrade.

O encontro tem as presenças confirmadas de Marina Silva, ambientalista e ex-senadora pela Rede de Sustentabilidade; Padre Júlio Lancellotti, que estará on-line; a representante dos familiares das vítimas, Alexandra Andrade, que perdeu um irmão e um primo no acidente de Brumadinho; e a jornalista Daniela Arbex, autora do livro “Arrastados”, que narra os bastidores do desmoronamento da barragem. A plateia poderá encaminhar perguntas para os participantes.
 

Daniela Arbex

Alexandra Andrade

Marina Silva

Padre Júlio Lancellotti
 

Ainda durante o debate, haverá uma apresentação musical com Sanráh Ângelo, que é de Brumadinho.

A presença no debate é aberta e gratuita, mas ele também será transmitido pelo Youtube do Projeto Legado de Brumadinho.
 

O Legado de Brumadinho* é um projeto criado para chamar a atenção da sociedade para temas dentro do âmbito da segurança do trabalho que, se tivessem tido a atenção necessária no passado, poderiam ter evitado tragédias como o de Brumadinho, considerada o maior caso de perdas no trabalho na história do Brasil, com 272 mortes.

Todas as ações do projeto serão divulgadas por meio do site Legado de Brumadinho, além de redes sociais Instagram Facebook

Com a parceria da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum), o seminário e o concerto serão realizados pela Associação dos Amigos das Bibliotecas Comunitárias (Sabic). As ações integram o Legado de Brumadinho que é desenvolvido com a Fundação Dom Cabral (FDC), a Inspirartes Produções Culturais, o Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (CeMAIS) e a LS Comunicação, contando ainda com apoio técnico da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública).

SERVIÇO

HOMENAGENS ÀS MÃES DE BRUMADINHO

QUANDO: 7 DE MAIO DE 2022

Seminário Redes de Indignação e Esperança

Onde: Secretaria de Educação de Brumadinho (rua Presidente Kennedy, 20)

Horário: 10h

Participantes: ex-senadora Marina Silva, padre Júlio Lancellotti, jornalista Daniela Arbex, autora do livro Arrastados, e a diretora da Avabrum, Andresa Rocha, que perdeu o único filho no acidente de Brumadinho.

Entrada Franca

Concerto Especial Dia das Mães: Terra, Espírito e Luz

Onde: Estacionamento Central de Brumadinho

Horário: 18h

Artistas:Marcus Viana, Sagrado Coração da Terra, Coro Madrigale, Sanráh Ângelo e Batucabrum, Arnon Oliveira, Lincoln Cheib, Nabila Dandara, Bárbara Barcellos, Augusto Rennó, Bárbara Garcia, Ivan Corrêa, Eduardo Campos, João Viana e Will Motta

Entrada franca

*Projeto realizado com recursos destinados pelo Comitê Gestor do Dano Moral Coletivo pago a título de indenização social pelo rompimento da Barragem em Brumadinho, em 25/01/2019, que ceifou 272 vidas.

Estudo da PUC/RJ revela como cooperativas de garimpeiros têm sido utilizadas para exploração mineral em escala industrial na Amazônia

Sobrevoo no Pará (Foto Marizilda Cruppe/Amazônia Real/17/09/20

Estudo divulgado pelo Climate Policy Initiative/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio), na sexta-feira (29/04), apresenta evidências de que cooperativas de garimpeiros têm sido utilizadas como forma de viabilizar explorações minerais de natureza industrial ou quase industrial, mas sob regime regulatório mais brando, na Amazônia. O levantamento revela que três das maiores cooperativas de garimpo de ouro na região, em termos de área de processo ativo, são individualmente maiores do que a própria Vale S.A. e que sete das 10 maiores áreas de permissão ou concessão minerária de ouro na região são de cooperativas.

Segundo o estudo Decretos Presidenciais Reforçam o Descompasso na Regulação Minerária em Prejuízo ao Meio Ambiente, a exploração de recursos minerais requer regras rígidas devido ao enorme impacto socioambiental causado pela atividade. Mais de 70% da área de mineração legal no país em 2020 esteve localizada na região amazônica, de acordo com o MapBiomas, onde o impacto é agravado pelo fato de que a atividade mineradora está sob regras de regulação complexas e ultrapassadas.

Ainda conforme os pesquisadores do CPI, o descompasso no que diz respeito à legislação é evidenciado pela forma como o garimpo é tratado: como uma atividade desempenhada por indivíduos com poucos recursos e vulneráveis, merecedores, portanto, de proteção legal. “Por conta disso, cooperativas de garimpeiros, que já atuam de forma empresarial e muito próxima à das indústrias de mineração, têm acesso a um processo burocrático mais simples e com exigências mais brandas para a sua atuação. Trata-se de atividades altamente capitalizadas, mas que se valem de benefícios legais previstos para a atividade de garimpo, inclusive em detrimento da prevenção e fiscalização de impactos socioambientais”, analisa o CPI/PUC-Rio.

Atualmente, na regulamentação, em termos de Amazônia Legal, a área máxima de uma Permissão de Lavra Garimpeira concedida a cooperativas para a extração de ouro, por exemplo, é idêntica à área máxima de uma Concessão de Lavra (mineração industrial) para a extração do mesmo mineral: 10 mil hectares por processo. Ou seja, nessa região, para uma área ser considerada garimpo, ela não precisa ser menor, mais simples e rudimentar, com impactos ambientais menores.

Conforme explica Joana Chiavari, coordenadora do estudo e Diretora Associada de Direito e Governança do Clima do CPI/PUC-Rio, a atividade de garimpo ainda está isenta na legislação de fazer uma pesquisa mineral prévia. “O que percebemos é que as cooperativas, como atuam hoje, não precisam deixar claro qual o local exato de determinada jazida e se a atividade tem viabilidade econômica, isto é, se dispõe de levantamento geológico, geoquímico, geofísico, análise das amostras etc. A ausência dessa pesquisa, segundo o próprio Ministério Público Federal já constatou, dificulta a avaliação dos impactos socioambientais e o combate à lavagem dos ativos financeiros decorrentes da exploração do minério. Isso também dificulta que sejam identificadas quais áreas devem ser objeto de fiscalização, bem como a produtividade daquela jazida”, explica.

Na regulamentação, de acordo com os pesquisadores, é prevista a possibilidade de que uma atividade de garimpo possa pedir para mudar de regime, passando a possuir uma Concessão de Lavra, exigida para mineração de natureza industrial. No entanto, não existe incentivo na regulamentação para que essa mudança de regime de fato aconteça.

Decretos

Dois decretos do Presidente da República, publicados em fevereiro de 2022 (o Decreto nº 10.965/2022 e o Decreto nº 10.966/2022), reforçam o descompasso regulatório atual e a incapacidade do Poder Público de lidar com essa questão, acentuando os benefícios concedidos à atividade de garimpagem. “A política pública falha em impedir que cooperativas de garimpeiros impactem áreas como verdadeiras indústrias de mineração”, diz trecho do estudo.

Nos termos do segundo decreto, mineração artesanal e em pequena escala é sinônimo de garimpagem, sem que haja nenhuma restrição quanto ao porte e à natureza da atividade. Conforme o primeiro decreto, a definição de empreendimento de pequeno porte deverá ficar a critério da Agência Nacional de Mineração (ANM), mas há o risco de que a agência seja igualmente permissiva. Esses decretos acentuam o descompasso regulatório entre cooperativas e indústrias, em prejuízo do meio ambiente.

Segundo o CPI/PUC-Rio é necessária a revogação imediata desses decretos e a revisão da regulamentação aplicável às cooperativas, para reverter esses desincentivos e sujeitá-las a regime jurídico compatível com a natureza de suas atividades.

Para ler a íntegra do estudo, clique aqui.

Relatório da FAO aponta que desmatamento na Amazônia custará 1 bilhão de dólares anuais ao Brasil

desmatamento soja

A edição de 2022 do relatório “Estado das florestas do mundo” da FAO/ONU manda um recado claro ao Brasil ao afirmar que “os efeitos negativos locais e regionais do desmatamento, com a perda de árvores na temperatura e precipitação pode ser substancial, especialmente nos trópicos. Declínios em chuvas ligadas ao desmatamento no sul Amazônia brasileira pode causar perdas agrícolas (por exemplo, declínios nos rendimentos de soja e gado) avaliado em mais de US$ 1 bilhão por ano entre agora e 2050.”

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Como as taxas de desmatamento na Amazônia não param de crescer graças às medidas de relaxamento da cadeia de comando e controle por parte do governo Bolsonaro e a totalidade dos governos estaduais na região amazônica brasileira, eu estimo que essa perda calculada pela FAO está subestimada, e o valor do prejuízo deverá ser ainda maior.

Se acrescentarmos os efeitos desastrosos que a diminuição da cobertura florestal deverá ter em termos do regime de chuvas na região centro-sul do Brasil, onde existe também uma forte base agrícola que deverá ser atingida pela perda dos chamados “rios voadores” que são criados pelo processo de evapotranspiração que ocorre nas florestas amazônicas.

Entretanto, como mostra um relatório recente do Banco Mundial, a pressão no sentido de um aumento dos preços das commodities causado pelo conflito armado na Ucrânia deverá continuar incentivando a ação pouco racional em médio e prazo de desmatar ainda mais áreas florestadas na Amazônia.

Mais carvão para Berlim

Em busca de um substituto para as importações da Rússia, a Alemanha está de olho na Colômbia

cerrejon

As pessoas ao redor da mina a céu aberto de Cerrejón sofrem com a extrema escassez de água causada pelo consumo que suas operações acarretam

Por Frederic Schnatterer

Atualmente o protesto está rolando, pelo menos online: várias organizações como “Unidas por la Paz Alemanha” ou o Escritório Ecumênico para Paz e Justiça de Munique (Öku-Büro) lançaram a campanha “Vida em vez de carvão” na segunda-feira passada. Entre outras coisas, com uma carta aberta, eles protestam contra o aumento planejado no volume de importação de carvão duro colombiano para a Alemanha. Em vez disso, as organizações estão pedindo o “fim da expansão das atividades extrativistas e violações sistemáticas de direitos humanos contra comunidades indígenas e afro na Colômbia”.

O que aconteceu? Em 6 de abril, o chanceler Olaf Scholz (SPD) e o presidente colombiano Iván Duque falaram ao telefone, entre outras coisas, sobre a guerra na Ucrânia. No contexto das sanções ocidentais contra a Rússia, eles também concordaram em aumentar as exportações de carvão da Colômbia para a Alemanha. Isso pretendia “superar os atuais gargalos de energia” e garantir a “segurança energética” da Alemanha no caso de as importações de carvão russo serem interrompidas, de acordo com um comunicado de imprensa do Gabinete Presidencial colombiano.

Apenas um dia depois, em 7 de abril, os países da UE decidiram um embargo de carvão contra Moscou. Após um período de transição, não será importado mais carvão russo a partir de agosto. Isso definitivamente pode se tornar um problema para a Alemanha: além de quantidades significativas de gás natural, a República Federal da Alemanha até agora também recebeu cerca de 50% de seu carvão da Rússia – em 2020, as importações totalizaram 31,82 milhões de toneladas. Apesar da planejada eliminação do carvão, a geração de energia a partir de hulha e linhita está atualmente sendo expandida em vista de uma possível parada de importação de gás natural russo.

Diante disso, o governo federal está tentando encontrar um substituto – e é aí que a Colômbia entra em cena. Embora o país sul-americano tenha ficado um pouco para trás nos últimos anos, as importações alemãs de carvão da Colômbia já somavam 1,3 milhão de toneladas em março – um aumento de 47,3% em relação ao ano anterior. As previsões da indústria, mencionadas pelo jornal distrital em 23 de abril, dizem que a Indonésia e a Austrália, que estão entre os maiores exportadores de carvão do mundo, atingiram os limites de produção, tornando o carvão colombiano ainda mais importante para a UE e a Alemanha deve vencer.

Os mais importantes promotores da hulha colombiana se beneficiarão com isso: as corporações Drummond no departamento de Cesar e a multinacional Glencore com sede na Suíça, que é a única proprietária da mina a céu aberto Cerrejón no departamento de La Guajira desde o início do ano . Já em 2021, o preço no mercado mundial de uma tonelada de hulha subiu para 200 dólares americanos (cerca de 190 euros). Em março, um preço de US$ 406 por tonelada era devido – então não é de se admirar que a Glencore queira aumentar a produção em Cerrejón novamente depois que houve discussões ruidosas sobre o fechamento da mina a céu aberto no ano passado.

Embora haja um clima de corrida do ouro entre os acionistas, a maioria da humanidade – especialmente no Sul Global – está sofrendo as consequências das sanções ocidentais contra a Rússia. Isso inclui as pessoas ao redor do Cerrejón. La Guajira, na costa nordeste do Caribe, é o departamento mais pobre da Colômbia, principalmente as comunidades indígenas Wayúu, que sofrem com a extrema escassez de água causada pela mineração a céu aberto, que as obriga a se deslocar de suas áreas tradicionais. Além disso, há relatos de doenças respiratórias entre a população local – especialmente entre crianças e idosos – que se diz serem devidas à poeira fina liberada pela detonação na mina a céu aberto.

Por outro lado, as pessoas que resistem à expansão da mineração a céu aberto vivem perigosamente e são repetidamente vítimas de ataques. Em 20 de abril, o jornal colombiano El Heraldo noticiou ameaças contra ativistas ambientais que fazem campanha contra o desvio do Córrego Bruno, um dos poucos mananciais remanescentes das comunidades Wayúu. Um dia depois de Scholz e Duque falarem, o governo colombiano deu permissão a Cerrejón para desviar o riacho para expandir a mineração até o leito do rio.


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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Mundo esta à beira de um choque de commodities – mostra estudo do Banco Mundial

Preços de alimentos e energia devem subir, segundo o Banco Mundial

carrinho de supermercado

Getty Images / Giuseppe Graziano

Prevê-se que os preços globais da energia aumentem drasticamente, culminando no maior salto nos preços das commodities em quase meio século, alertou o Banco Mundial.

De acordo com o relatório de abril de perspectivas de mercado de commodities do banco, os preços globais de energia, que já tiveram um aumento dramático devido aos bloqueios contínuos do COVID-19 na China e ao conflito Rússia-Ucrânia, devem aumentar 50,5% em 2022.

“Isso equivale ao maior choque de commodities que experimentamos desde a década de 1970. Como foi o caso então, o choque está sendo agravado por um aumento nas restrições ao comércio de alimentos, combustíveis e fertilizantes”, disse o vice-presidente de crescimento equitativo, finanças e instituições do Banco Mundial, Indermit Gill, em comunicado que acompanha o relatório divulgado na terça-feira.

O relatório aponta que as sanções impostas à Rússia prejudicaram o comércio global de commodities, provocando enormes aumentos nos preços da energia. Os preços dos alimentos também devem aumentar 22,9% este ano, o maior desde 2008, já que os preços do trigo saltam 40% para níveis recordes.

“Isso pressionará as economias em desenvolvimento que dependem das importações de trigo, especialmente da Rússia e da Ucrânia”, disse o Banco Mundial.

Esperava-se que a Ucrânia produzisse 10% do trigo do mundo em 2022, mas a instituição diz que de 25% a 50% dessa produção foi afetada pelo conflito.

Enquanto isso, os preços dos metais devem crescer 16% antes de diminuir no próximo ano, mas supostamente permanecerão em níveis elevados.

De acordo com o relatório, o aumento dos preços das commodities contribuiu para níveis de inflação não vistos em mais de 40 anos nos EUA, e um salto recorde de 7,5% nos preços ao consumidor na Europa.

“Esses desenvolvimentos começaram a levantar o espectro da estagflação. Os formuladores de políticas devem aproveitar todas as oportunidades para aumentar o crescimento econômico em casa e evitar ações que prejudiquem a economia global”, disse Gill.


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo Russia Times [Aqui!].

Imagens de um Primeiro de Maio de luta em diferentes partes do planeta

Apesar de todas as tentativas de mascarar as crescentes desigualdades e o aumento da exploração dos trabalho em todo o mundo, este primeiro de maio está sendo marcado, mais uma vez, em todas as partes do mundo como um dia de luta dos trabalhadores. Como faço anualmente, posto algumas imagens das manifestações em diferentes partes do mundo.

Mais do que nunca, é hora dos trabalhadores do mundo se unirem.

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1. Mai in Berlin

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Divulgando a 11a. edição do Festival Internacional de Cinema de Urânio

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19 a 29 de maio de 2022 Exibição gratuita ao vivo e online. Museu de Arte Moderna (MAM Rio) Cinemateca. Avenida Infante Dom Henrique, 85 Parque do Flamengo
Exibição de filmes online
Programa e Catálogo do Festival (Baixar português), (Baixar inglês)
QUINTA-FEIRA, 19 DE MAIO – PROGRAMA DE ABERTURA / HISTÓRICO DA BOMBA ATÔMICA
3:30 da tarde
DO SENTIDO DO TODO: A Rede do Físico Hans-Peter Dürr
Alemanha, 2020, Diretor Claus Biegert, alemão com legendas em português, 103 min. (Não ON-line)
17:30
DEPOIS DO DIA DEPOIS
EUA, 2011, Diretor Nathan Meltz. Animação, 6 min, Inglês.
EVENTO DE TELEVISÃO
EUA, 2020, Diretor e Produtor: Jeff Daniels, inglês com legendas em português, 91 min. (Não ON-line)
19h30
TOTEM E ORE
Austrália, 2019, Diretor John Mandelberg, Documentário, 97 min, Inglês, Legendas em português.
SEXTA-FEIRA, MAI 20 – RISCOS RADIOATIVOS
3:00 da tarde
VIZINHO TÓXICO
Canadá, 2021, Diretor: Colin Scheyen, Documentário, Inglês, Legendas em Português, 25 min.
SAM E A PLANTA AO LADO 
Dinamarca/Reino Unido, 2019, Diretor Ömer Sami, Documentário, 23 min, Inglês, Legendas em português 
MEDO PROFUNDO DA PELE (PEUR A FLEUR DE PEAU)
França, 2020, Diretor: Franck Sanson, Documentário, Francês/Inglês, Legendas em português, 55 min.
17:00
O JARDIM
EUA, 2021, Diretor Bill McCarthy, Animação, Inglês, Legendas em Português, 7 min.
BRINCAR COM O URÂNIO
Canadá, 2020, Diretor: Daniel Hackborn, Documentário, Inglês, 10 min.
FOTOGRAFIA E RADIAÇÃO
Canadá, 2018, Diretor: Jesse Andrewartha, Documentário, Inglês, Legendas em Português, 15 min 
TRANSMUTAÇÕES: VISUALIZAÇÃO DA MATÉRIA
EUA/Canadá, 2021, Diretor Jesse Andrewartha, Documentário, Inglês, Legenda em Português, 70 min.
19:00
Mustangs e Renegados
EUA, 2020, Diretor James Anaquad Kleinert, Documentário, Inglês, 127 min
SÁBADO, 21 DE MAI – QUESTÃO NUCLEAR
14h30
ENERGIA NUCLEAR LIVRE PARA O POVO (ATOMLOS DURCH DIE MACHT)
Áustria, 2019, Diretor Markus Kaiser-Mühlecker, alemão com legendas em inglês ou português, 74 min
16:00
O PROJETO SOMBRA
Canadá, 2020, Diretora Teresa D’Elia, Documentário Experimental, inglês, legendas em português, 5 min. 
MIYAKO
EUA/Japão, 2020, Diretores: Maria Victoria Sanchez
Lara & Ari Beser, Documentário e Animação, Japonês com legendas em Inglês ou Português, 5 min.
COBERTURA ATÔMICA
EUA, 2021, Diretor: Greg Mitchell, Documentário, 52 min, Inglês com legendas em português. (Não ON-line) 
NAMIBIA, BRASIL
Brasil, 2006, Diretores: Miguel Silveira e Elias Lopez-Trabada, Ficção, Português, 10 min.
Perguntas e respostas com o diretor brasileiro Miguel Silveira
17:30
GUERRA NUCLEAR E DESARMAMENTO
Conversa e perguntas e respostas com o especialista em armas nucleares Sérgio de Queiroz Duarte,
ex-embaixador brasileiro e ex-Alto Representante da ONU para Assuntos de Desarmamento Nuclear.
DOMINGO, 22 DE MAIO – REJEITOS RADIOATIVOS
3:00 da tarde
GUERREIROS VERDES / ÁFRICA DO SUL: CIDADES TÓXICAS –
França/África do Sul, 2018, Diretor Martin Boudot, francês/inglês com legendas em português. 54 min.
VELHAS MINAS DE URÂNIO, RADIAÇÃO SEM FIM (BRETAGNE RADIEUSE)
França, 2019, Diretor: Larbi Benchiha, Documentário, Francês/Inglês com legendas em português. 52 minutos.
17:00
NA SOMBRA DO TUTUPITA
Groenlândia, 2020, Diretor Inuk Jørgensen, Documentário, Inglês e Groenlandês, Legendas Inglês ou Português, 7 min.
GUERREIROS VERDES / CURSED URANIUM (l’Uranium de la colère)
França, 2021, Diretor: Martin Boudot, Documentário, francês/inglês, legendas em português. 50 min.
O RETORNO DO NAVAJO BOY / EPÍLOGO
EUA, 2000/2011, Direção: Jeff Spitz, Documentário, Inglês com legendas em português, 71 min.
SEGUNDA-FEIRA, 23 DE MAIO – MINERAÇÃO DE URÂNIO
16h00 (horário do Rio)
REUNIÃO ONLINE ZOOM! POVOS INDÍGENAS E MINERAÇÃO DE URÂNIO
Uranium Film Festival reunirá, pela primeira vez na história, Navajo que sofreu por mais de 40 anos por causa da mineração de urânio
e seu patrimônio radioativo e povos indígenas no Brasil que estão ameaçados com uma mina de fosfato de urânio planejada no Ceará.
Idioma: Inglês, Navajo, Português.
QUINTA-FEIRA, 26 DE MAIO – GUERRA NUCLEAR E TESTE DE BOMBA ATÔMICA LEGADO
10:00 da manhã
Triagem Escolar
FLECHA QUEBRADA. ACIDENTE NUCLEAR EM PALOMARES (Operação Flecha Rota. Accidente Nuclear en Palomares)
Espanha, 2007, Diretor: Jose Herrera Plaza, Documentário, Espanhol-Inglês com legendas em português, 96 min.
Perguntas e respostas com os cineastas José Herrera e Jaime García.
3:30 da tarde
4ª GUERRA MUNDIAL – O CORTE DO REALISMO
Nova Zelândia, 2022, Diretor: AK Strom, Sci-Fi-Thriller, Inglês com legendas em português, 87 min.
17:30
O PORÃO (지하실)
Coreia do Sul, 2020, Diretor: Choi Yang Hyun, Produtor: Lee Jieun, Ficção, Coreano com legendas em inglês ou português, 94 min.
 19h30
ROBÔ MONSTRO NÓS
Canadá, 2014, Diretor: Lynn Dana Wilton, Animação, sem diálogo, 22 segundos.
O QUE OS VIAJANTES DIZEM SOBRE JORNADA DEL MUERTO
EUA, 2021, Diretor: Hope Tucker, Documentário experimental, inglês, legendado em português, 14 min.
FILHOS DE CONFIANÇA ESTRATÉGICA
Ilhas Marshall/EUA, 2011, Direção: Stacy Libokmeto, Documentário, Inglês, Marshallês com legendas em português, 26 min.
CIGANO DO MAR: A CÚPULA DE PLUTÔNIO
 2021, Ilhas Marshall/EUA, Diretor Nico Edwards, inglês com legendas em português, 35 min.
SEXTA-FEIRA, 27 DE MAIO – CINEASTAS PREMIADAS
3:00 da tarde
PERSEGUINDO CHERNOBYL
Ucrânia/EUA/Bulgária/Eslováquia, 2020, Diretora Iara Lee, Documentário, Inglês, Russo, Legendas em Inglês ou Português, 57 min.
MÃES DE REFUGIADOS ATÔMICOS
Japão, 2018, Diretor Ayumi Nakagawa, Documentário, Japonês com legendas em português, 65 min. (Não ON-line)
17:30
POEIRA INSTITUCIONAL
– Holanda, 2021, Diretores: Tineke van Veen & Barbara Prezelj, curta-metragem, inglês com legendas em português, 9 min.
A ILHA INVISÍVEL (L’Ile Invisible / 見えない島)
França, 2021, Diretor Keiko Courdy, Documentário, legendas em português, 87 min. (Não online)
19h30
BALENTES – OS valentes (I CORAGGIOSI)
Itália/Austrália, 2018, Diretora Lisa Camillo, Documentário, Italiano com legendas em inglês ou português, 84 min.
SÁBADO, 28 DE MAIO – 35 ANOS CÉSIO 137 ACIDENTE E PERDA DE BOMBAS ATÔMICAS
3:00 da tarde
SEGURANÇA NUCLEAR
Brasil, 2019, Diretor Norbert G. Suchanek, colagem de filme documentário, português, 12 min.
AMARELINHA
Brasil, 2003, Diretor Ângelo Lima, Ficção, Português, 4 min. (Não ON-line)
PARA NÃO ESQUECER
Brasil, 2022, Diretor Gabriel Leal, Documentário, Português, 40 min.
Perguntas e Respostas com Odesson Alves Ferreira, vítima direta do acidente
17:00
JANEIRO 66 (ENERO DEL 66)  
Espanha, 2022, Diretor: Jaime García Parra, Ficção/Comédia, Espanhol com legendas em inglês ou português,14 min. 
FLECHA QUEBRADA. ACIDENTE NUCLEAR EM PALOMARES
 Espanha, 2007, Diretor: Jose Herrera Plaza, Documentário, Espanhol/Inglês com legendas em português, 96 min.
Perguntas e respostas com os cineastas Jaime García Parra e Jose Herrera Plaza 
DOMINGO, 29 DE MAIO – FINAL DO FESTIVAL E CERIMÔNIA DE PREMIAÇÃO
3:00 da tarde
NOSSO AMIGO O ÁTOMO: A ERA DA RADIOATIVIDADE (Notre ami l’atome : Un siècle de radioactivité)
França, 2020, Direção de Kenichi Watanabe, inglês ou francês com legendas em português, 56 min.
 16h10
VALE DOS DEUSES (Dolina Bogów)
Polônia/Itália/Luxemburgo/EUA, 2019, Diretor Lech Majewski, Ficção, Inglês com legendas em português, 126 min. (Não online)
Perguntas e respostas com o diretor Lech Majewski
CERIMÔNIA DE ENTREGA DE PRÊMIOS
com cineastas internacionais, convidados especiais e “Cachaça Magnífica!”

Wladimir versus Rafael: não tem nem como comparar

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Quem lê o que escrevo sobre a gestão do prefeito Wladimir Garotinho (Ex-PSD, atualmente sem partido) já deve ter notado que sou um crítico de parte significativa de suas práticas e projetos, pois as considero aquém do que a cidade de Campos dos Goytacazes precisa e, mais ainda, merece.  Um dos problemas que vejo em particular é o uso exagerado das redes sociais pelo jovem prefeito campista, pois existem momentos em que um grau de recolhimento lhe cairia melhor do que a super exposição que as mesmas proporcionam.

Por outro lado, a ação desastrada de realizar uma eleição para a mesa diretora da Câmara de Vereadores vem proporcionando uma alavancagem a seus opositores (alguns deles com menos qualidades do que as já demonstradas por Wladimir).  Não sei quem teve a infeliz ideia de realizar essa eleição intempestiva, mas o tiro claramente saiu pela culatra, e rende uma dor-de-cabeça claramente desnecessária ao prefeito de Campos já que ele precisa perder tempo precioso com ações que não são aquelas pedidas pela maioria da população.

Mas se olharmos a dita oposição na Câmara de Vereadores, a maioria dos vereadores e partidos que oposição ao governo municipal passaram quatro anos sentados confortavelmente na condição de bancada governista do governo de Rafael Diniz, certamente o pior (e olha que tivemos governos bem ruins desde que cheguei na cidade em 1997) de que tenho memória.  O cinismo é tão grande que até figuras de proa do governo de Rafael Diniz tem colocado a cabeça de fora dos buracos de onde se esconderam para criticar as ações de um governo que faz a maioria da população ter uma amnésia gostosa em relação ao desastre que o governo de Rafael Diniz representou para a cidade.

Eu também chamaria a atenção para aqueles opositores dentro da chamada “sociedade civil organizada” que, como os vereadores, passaram os anos de Rafael Diniz firmemente presos nas tetas dos cofres municipais, sem que houvesse qualquer retorno palpável para qualquer setor que fosse (a não ser aquele em que eles estão inseridos). Agora que as torneiras aparentemente foram parcialmente fechadas, vê-se o retorno da crítica aos feitos do prefeito dos mesmos que em um passado recente ficaram calados.

Em outras palavras, em minha opinião Wladimir Garotinho realmente comete erros facilmente evitáveis e também exagera na autopromoção que resvala em uma arrogância contraproducente, mas está longe de representar o desastre e o estelionato eleitoral que Rafael Diniz foi. Aliás, se olharmos a distância entre promessas e ações de forma minimamente justa, chegaremos à conclusão de que a distância entre os dois prefeitos é estelar, já que Rafael Diniz foi o próprio estelionato eleitoral, tendo punido os mais pobres com medidas draconianas, a começar pelo fechamento do Restaurante Popular, que contradisseram totalmente a sua propaganda eleitoral.

Alguém poderá se perguntar o porquê de eu estar escrevendo uma postagem que aparentemente defende Wladimir Garotinho. Esclareço que não tenho porque defender o atual prefeito já que não estou nem próximo de pertencer ao grupo político dele, nem me alinho com sua linha ideológica de governar. A questão aqui é só lembrar que o governo anterior era infinitamente pior e que alguns dos detratores do atual governo eram parte orgânica dele. É preciso lembrar isso, pois “Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado.”

Finalmente, e falando em Rafael Diniz, por onde anda mesmo o jovem ex-prefeito (agora não tão jovem) depois que a população o retirou da cadeira na qual nunca deveria ter estar? Provavelmente pensando que nas próximas eleições municipais seus malfeitos já terão sido esquecidos, permitindo então a ele poder voltar a tentar a sorte em algum cargo eletivo. Quem viver, verá.

Rodovia que ligará Brasil ao Peru ameaça a área de maior biodiversidade da Amazônia

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Sérgio Vale / Agência de Notícias do Acre

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O projeto de construção de uma rodovia no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Sudoeste do Acre, representa ameaça para a biodiversidade e a qualidade de vida da população indígena. É o que indica estudo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Universidade Federal do Acre (UFAC) e da University of Richmond publicado na revista “Environmental Conservation” .

Considerado o local com maior biodiversidade da Amazônia, o Parque Nacional da Serra do Divisor atravessa cinco cidades brasileiras, entre elas Cruzeiro do Sul, que faz fronteira internacional com o Peru. Para entender como a região vem sendo explorada, os pesquisadores analisaram por imagens de satélite a dinâmica da mudança do uso do solo por 30 anos, entre 1988 e 2018. Os resultados revelam que o controle do Parque como Unidade de Conservação (UC) tem sido eficaz, pois nesse período o local perdeu apenas 1% da sua cobertura florestal, em comparação aos 10% do entorno.

Porém, o projeto viário do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (COSIPLAN), da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), que pretende conectar comercialmente o Acre à cidade peruana de Ucayali e aos portos do país vizinho, deverá cortar os Parques Nacionais nos dois países. Além de atravessar terras indígenas e zonas de narcotraficantes no Peru, a rodovia Pucallpa-Cruzeiro do Sul pode aumentar o desmatamento em áreas mais internas da Serra e propiciar a construção de outras vias secundárias. De acordo com a pesquisadora Sonaira Silva, essa via também trará outros prejuízos ambientais.

“O benefício econômico que o Governo justifica para a construção dessa rodovia é questionável, já que existe a Rota Interoceânica Sul (IOS) no leste do Acre, que liga Rio Branco aos portos do Pacífico no Peru desde o final de 2000. A construção dessa nova via pode trazer uma especulação imobiliária a região, criar polos de caças ilegal aos animais, aumentar a vulnerabilidade social da população locais e facilitar o tráfico de drogas na Amazônia”, comenta a professora da UFAC.

Outro ponto levantado no estudo é a reclassificação da Serra do Divisor de Unidade de Conservação (UC) para Área de Proteção Ambiental (APA), o que permitiria a extração de recursos naturais. O projeto de Lei 6024/2019 pretende colaborar com o avanço do trecho da BR-364 para se chegar até o Peru, bem como explorar comercialmente a região.

“Esse projeto precisa levar em conta também a opinião das 400 famílias que vivem na região do Parque e dependem dele para sobreviver. Abrir caminho da mata fechada vai trazer sérios impactos como aumento do desmatamento, a biodiversidade endêmica e todas as demais espécies e no próprio regime climático regional e continental”, alerta Sonaira.

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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

As mudanças climáticas forçarão novos encontros com animais – e aumentarão os surtos virais

O estudo de modelagem é o primeiro a projetar como o aquecimento global aumentará a troca de vírus entre as espécies

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Os morcegos terão uma grande contribuição para a transmissão de vírus entre espécies no futuro, segundo um estudo de modelagem. Crédito: Pratik Chorge/Hindustan Times via Getty

Por Natasha Gilbert para a Nature

Nos próximos 50 anos, as mudanças climáticas podem gerar mais de 15.000 novos casos de mamíferos transmitindo vírus para outros mamíferos, de acordo com um estudo publicado na Nature 1 . É um dos primeiros a prever como o aquecimento global mudará os habitats da vida selvagem e aumentará os encontros entre espécies capazes de trocar patógenos e quantificar quantas vezes os vírus devem saltar entre as espécies.

Muitos pesquisadores dizem que a pandemia de COVID-19 provavelmente começou quando um coronavírus anteriormente desconhecido passou de um animal selvagem para um humano: um processo chamado transmissão zoonótica. Um aumento previsto de vírus saltando entre espécies pode desencadear mais surtos, representando uma séria ameaça à saúde humana e animal, alerta o estudo – fornecendo ainda mais motivos para governos e organizações de saúde investirem na vigilância de patógenos e melhorarem a infraestrutura de saúde .

O estudo é “um primeiro passo crítico para entender o risco futuro das mudanças climáticas e do uso da terra na próxima pandemia”, diz Kate Jones, que modela as interações entre ecossistemas e saúde humana na University College London.

A pesquisa prevê que grande parte da transmissão do novo vírus acontecerá quando as espécies se encontrarem pela primeira vez à medida que se deslocam para locais mais frios devido ao aumento das temperaturas. E projeta que isso ocorrerá com mais frequência em ecossistemas ricos em espécies em altas altitudes, particularmente áreas da África e Ásia, e em áreas densamente povoadas por humanos, incluindo a região africana do Sahel, Índia e Indonésia. Supondo que o planeta não aqueça mais de 2°C acima das temperaturas pré-industriais neste século – um futuro previsto por algumas análises climáticas – o número de encontros pela primeira vez entre as espécies dobrará até 2070, criando pontos de transmissão de vírus, o estudo diz.

“Este trabalho nos fornece evidências mais incontestáveis ​​de que as próximas décadas não serão apenas mais quentes, mas mais doentes”, diz Gregory Albery, ecologista de doenças da Universidade de Georgetown em Washington DC e coautor do estudo.

Os desafios da modelagem

Para fazer suas previsões, Albery e seus colegas desenvolveram e testaram modelos e realizaram simulações durante um período de cinco anos. Eles combinaram modelos de transmissão de vírus e distribuição de espécies em vários cenários de mudanças climáticas, com foco em mamíferos devido à sua relevância para a saúde humana.

A modelagem parece “tecnicamente impecável”, diz Ignacio Morales-Castilla, ecologista de mudanças globais da Universidade de Alcalá, na Espanha, embora ele aponte que exercícios de previsão como esse às vezes precisam incluir suposições irreais. Mas ele acrescenta que a amplitude e o escopo da pesquisa e sua capacidade de identificar quais partes do mundo podem estar em maior risco “se destacam claramente”.

Uma suposição que os pesquisadores tiveram que fazer foi sobre até onde as espécies se espalhariam à medida que o clima mudasse. Mas fatores como se os mamíferos podem se adaptar às condições locais ou atravessar fisicamente as barreiras nas paisagens são difíceis de prever.

Projeta-se que os morcegos estejam envolvidos na transmissão viral, independentemente desses fatores, segundo o estudo. Acredita-se que seja parte das origens do COVID-19, os morcegos são reservatórios conhecidos de vírus e representam cerca de 20% dos mamíferos. A equipe diz que – em parte porque os morcegos podem voar – eles são menos propensos a enfrentar barreiras para mudar seus habitats.

Repercussões para os humanos?

Embora Jones aplauda o estudo, ela pede cautela ao discutir suas implicações para a saúde humana. “Prever o risco de saltos virais de mamíferos para humanos é mais complicado, pois esses transbordamentos ocorrem em um ambiente socioeconômico complexo ecológico e humano”, diz ela.

Muitos fatores podem reduzir o risco para a saúde humana, incluindo o aumento do investimento em saúde ou um vírus incapaz de infectar humanos por algum motivo, acrescenta ela.

Mas os pesquisadores insistem que não há tempo a perder. A Terra já aqueceu mais de 1°C acima das temperaturas pré-industriais, e isso está impulsionando a migração de espécies e a troca de doenças. “Está acontecendo e não é evitável, mesmo nos melhores cenários de mudança climática”, diz Albery.

Albery e um de seus coautores, Colin Carlson, biólogo de mudanças globais também na Universidade de Georgetown, dizem que, embora seja inevitável algum aumento na transmissão de doenças, isso não é desculpa para inação. Os pesquisadores pedem aos governos e à comunidade internacional que melhorem o monitoramento e a vigilância de animais selvagens e doenças zoonóticas, particularmente em futuros pontos críticos como o sudeste da Ásia. Melhorar a infraestrutura de saúde também é essencial, dizem eles.

À medida que as pessoas começam a se preparar e se adaptar ao aquecimento global, a maioria dos esforços se concentra em atividades como deter o desmatamento ou reforçar os muros marítimos. Mas Carlson diz que a preparação para pandemias e a vigilância de doenças também são adaptação às mudanças climáticas.

doi: https://doi.org/10.1038/d41586-022-01198-w

Referências

  1. Carlson, CJ et ai. Natureza https://doi.org/10.1038/s41586-022-04788-w (2022).


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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pela revista Nature [Aqui! ].