Cidades que mais apoiaram Bolsonaro tiveram mais mortes pela COVID-19, diz ‘Lancet’

Estudo mostra que risco de mortes foi 44% maior em cidades que, mesmo mais desenvolvidas, estiveram mais alinhadas a Bolsonaro

bolso-na-motociata

Arquivo Agência Brasil

Por Redação, RBA

São Paulo – As cidades onde Jair Bolsonaro teve maior votação nas eleições também as que tiveram mais mortes pela COVID-19 no ano passado. Isso é o que conclui estudo publicado na revista científica Lancet para as Américas.  Os pesquisadores analisaram dados dos 5.570 municípios brasileiros. Os dados constam de análises e comparações feitas por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade de Brasília (UnB)

O estudo identifica a desigualdade de renda e infraestrutura em saúde nos impactos da covid-19 durante a primeira onda da pandemia no Brasil, em 2020. Mas a partir da segunda onda, no final daquele ano, o perfil ideológico das cidades pesou mais. Assim quanto maior a identidade da população com o discurso bolsonarista, maior a taxa de letalidade. Por exemplo, municípios bolsonaristas das regiões Sul e Sudeste apresentaram taxas de mortalidade muito superiores às de municípios não bolsonaristas do Nordeste.

A possibilidade de subnotificação foi considerada uma variável pouco relevante, já que foram feitas comparações de cidades com estrutura de saúde equivalente. “A principal diferença foi o voto em Bolsonaro”, sustenta Christovam Barcellos, geógrafo e pesquisador em saúde pública da Fiocruz e um dos autores do artigo.

Uma das comparações feitas foi entre as cidades de Crato (CE) e de Sapiranga (RS), ambas consideradas grandes e de IDH médio. Enquanto a primeira registrou uma taxa de 110 mortes pela COVID-19 a cada 100 mil habitantes, a segunda teve um índice de 360 óbitos por 100 mil habitantes. “Se a gente comparar municípios médios com IDH alto, aqueles que são bolsonaristas têm quase o dobro da taxa de mortalidade [por Covid-19] de municípios de igual estatura”, afirma Christovam Barcellos.

Chapecó, em Santa Catarina, também chamou a atenção dos pesquisadores. Considerado um município médio, com bom IDH e bons serviços de saúde, a cidade mantinha em 2020 um número de óbitos inferior à média nacional.

Com a posse do aliado de Bolsonaro, o prefeito João Rodrigues (PSD), a cidade registrou, no início de maio de 2021, uma taxa de óbitos acumulada 75% maior que a do país. Ele foi defensor do “tratamento precoce”, sem eficácia comprovada, e do que chamava de lockdown inverso, com comércios abertos e doentes sendo atendidos em casa.

Uma das conclusões do artigo publicado na Lancet é que, com a ausência de uma coordenação nacional pelo governo federal, os municípios passaram a ter um papel central na transmissão de informações sobre a pandemia. E, no caso de cidades de pequeno e médio porte, as palavras de lideranças políticas e empresariais tiveram ainda mais peso.


color compass

Este foi originalmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Superbactérias nas prateleiras: frango doente sendo vendido em toda a América

Joanne Canda-Alvarez encontrou seu filho de nove anos estendido no chão do quarto, incapaz de se mexer e espumando pela boca. No dia anterior, Jayven estava jogando golfe com sua família. Agora ele estava completamente paralisado pelo súbito aparecimento de uma doença autoimune rara que os médicos ligaram à campylobacter, uma bactéria encontrada principalmente em produtos avícolas.

Canda-Alvarez e seu marido não sabiam se o filho sobreviveria – ele estava em um ventilador no hospital e incapaz de falar. Mas sua mãe podia ver o quão assustado ele estava. “Eu poderia dizer isso em seus olhos”, disse ela.

Quase quatro anos depois de adoecer, Jayven ainda luta para controlar as mãos e o pé direito, resultado de danos duradouros nos nervos. “Ninguém tem uma resposta para saber se ele vai se recuperar completamente – se seu corpo vai ser o mesmo”, disse sua mãe.

Campylobacter é a maior causa de doenças transmitidas por alimentos na América, logo à frente da salmonela. Ambos são potencialmente fatais. No entanto, entre 2015 e 2020, empresas americanas – incluindo as gigantes avícolas Perdue, Pilgrim’s Pride, Tyson, Foster Farms e Koch Foods – venderam dezenas de milhares de produtos cárneos contaminados com campylobacter e salmonela, de acordo com registros de amostragem do governo obtidos pelo Bureau of Investigative. Jornalismo. Mais da metade deles estavam contaminados com cepas resistentes a antibióticos – um problema em rápida escalada que pode ser exacerbado por más condições de higiene.

As empresas avícolas abastecem grandes supermercados e redes de fast food. A Tyson forneceu frango para o McDonald’s, a Perdue vendeu para a Whole Foods e ambas forneceram ao Walmart.

Uma foto de Jayven com sua mãe logo depois que ele ficou doente. Gilad Thaler, VICE News

Jayven com sua fisioterapeuta no hospital. Ele não tem certeza se fará uma recuperação completa. Gilad Thaler, VICE News

Embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) considere um certo nível de salmonela e Campylobacter dentro de aves de capoeira aceitável, 12 grandes empresas avícolas dos EUA, incluindo Perdue, Pilgrim’s Pride, Koch Foods, Foster Farms e Tyson, excederam os padrões do USDA para níveis aceitáveis ​​de salmonella várias vezes desde 2018, quando o governo começou a relatar as taxas de contaminação em plantas individuais, de acordo com os registros do departamento. O USDA ainda realiza testes para Campylobacter em plantas de processamento, mas não está rastreando se as plantas excedem os limites de contaminação.

Os lotes de produtos avícolas com taxas de contaminação acima do limite não precisam ser recolhidos, embora as plantas que excedam repetidamente os limites possam ser temporariamente fechadas.

Registros governamentais separados também mostram que, entre janeiro de 2015 e agosto de 2019, as mesmas 12 grandes empresas avícolas dos EUA violaram as regras de segurança alimentar em pelo menos 145.000 ocasiões – ou, em média, mais de 80 vezes por dia.

Trabalhadores de fábricas de aves também alegaram que às vezes foram solicitados a processar carne com cheiro de podre, testemunharam frango sendo jogado em moedores com insetos mortos e encontraram inspetores de segurança do governo aparentemente dormindo no trabalho.

“Como [a carne] chega até nós realmente suja, quando abrimos a caixa, é como, ‘Vamos ver o que tem dentro!’”, alegou um trabalhador em uma fábrica da Tyson em Springdale, Arkansas. “Às vezes tem moscas, tem grilos, baratas ali já congeladas.” Ele alegou que quando apontou isso para os supervisores, eles pareceram demonstrar pouco interesse – e assim os insetos acabaram sendo colocados no moedor junto com a carne.

Campylobacter causa mais de 100 mortes todos os anos na América, bem como 1,5 milhão de infecções. Também responde por até 40% dos casos de Síndrome de Guillain-Barré no país, doença que deixou Jayven paralisado. No entanto, a venda de produtos avícolas contaminados com isso ou com a bactéria salmonela permanece perfeitamente legal.

Canda-Alvarez ainda está abalada com a experiência do filho. “Um dia ele está jogando golfe e no dia seguinte está completamente paralisado. Foi a coisa mais incompreensível que eu já experimentei”, disse ela. “Quando eles me disseram que era de campylobacter, eu fiquei tipo, ‘Então essa bactéria que ninguém conhece, que pode destruir sua vida inteira, é de frango ou aves?’”

“É por isso que eu digo às pessoas, você precisa ter cuidado como cozinha sua comida ou onde você come. Porque você nunca sabe o que pode acontecer.”

O nível de salmonela e campylobacter que o USDA considera aceitável difere dependendo do produto. Um máximo de 15,4% das partes de frango que saem de uma planta de processamento, por exemplo, pode testar positivo para salmonela e a planta ainda pode atender a padrões aceitáveis. O limite para campylobacter é de 7,7%. Muitos especialistas argumentam que esses níveis são muito frouxos.

O Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do USDA (FSIS) faz “um trabalho muito ruim de regular os contaminantes”, de acordo com Zach Corrigan, advogado sênior do grupo de pressão Food & Water Watch. “Isso vem no caminho de permitir velocidades de linha super rápidas, permitindo que as empresas se regulem em grande parte no abate e, em seguida, façam muito pouco monitoramento da contaminação.”

Um porta-voz do FSIS disse: “O FSIS está comprometido em reduzir as infecções transmitidas por alimentos associadas a produtos regulamentados pelo FSIS, incluindo a redução de doenças por salmonela atribuíveis às aves”.

Especialmente preocupante é o aumento de cepas de bactérias resistentes a antibióticos. O número de infecções por salmonela resistentes a medicamentos nos EUA aumentou de cerca de 159.000 em 2004 para cerca de 222.000 em 2016, de acordo com o CDC. Campylobacter também se tornou mais resistente: à ciprofloxacina, um antibiótico comumente usado para tratá-la, é cada vez mais ineficaz.

O Bureau descobriu um catálogo de violações de higiene, muitas delas em fábricas administradas por grandes empresas avícolas dos EUA ligadas ao fornecimento de carne infectada por superbactéria – e essas condições têm “um enorme impacto” em bactérias resistentes a medicamentos, disse Mohammad Aminul Islam. , professor assistente da Escola de Saúde Global da Washington State University.

“Em um abatedouro, você tem muitas aves provenientes de diferentes lugares”, disse ele. “Então você não sabe qual é de uma boa fazenda, qual é uma fazenda menos limpa, qual é mais colonizada [por bactérias resistentes a drogas], qual é menos colonizada. Mas eles são apenas misturados. Portanto, a higiene da planta de processamento e as condições ambientais são um ponto crítico.”

A ascensão de superbactérias está tendo consequências humanas cada vez mais sérias. Os antibióticos têm sido usados ​​de forma eficaz contra essas doenças bacterianas, mas devido à resistência aos medicamentos, os médicos estão recorrendo com mais frequência aos medicamentos de último recurso, que geralmente têm mais efeitos colaterais. E se estes falharem, não há escolha a não ser deixar a doença seguir seu curso.

‘Você não acha que um drive-through pode custar a vida do seu filho’

Ashley Queipo acredita que uma viagem improvisada ao Chick-Fil-A em abril de 2020 provavelmente resultou em seu filho lutando por sua vida. Depois de uma longa manhã de aulas em casa em sua cidade de Brooksville, Flórida, a família foi para o drive-thru como um deleite.

Chace, de oito anos, pediu seu favorito: nuggets de frango. Mas em poucas horas, ele adoeceu gravemente. Quando ele foi hospitalizado com salmonela, os testes mostraram que a infecção era resistente a todos os antibióticos.

“Você não acha que passar por um drive-through e entregar aquele saco de papel pardo para seu filho no banco de trás pode custar a vida dele”, disse Queipo. “Mas essa é a realidade.” Ela acredita que as pepitas o deixaram doente. Foi uma das últimas refeições que ele comeu antes de adoecer e a única que nenhum de seus pais preparou.

Queipo não relatou o incidente ao restaurante porque a família inicialmente pensou que a doença era causada por um vírus e, no momento em que foi diagnosticada como salmonela, ela estava focada na condição de seu filho. Chick-Fil-A se recusou a comentar.

“As probabilidades estavam realmente contra ele”, lembrou Queipo. “Ele estava tão desidratado, com febre e alucinando. Seu corpo estava se esforçando tanto para lutar contra isso. E simplesmente não podia.” O estômago e os intestinos de Chace pararam de funcionar, mas os médicos ficaram sem opções de tratamento além de inserir um tubo em uma veia perto do coração para nutri-lo.

Chace teve sorte: ele se recuperou completamente – embora em quatro meses. Hoje em dia ele não come mais nuggets e está ansioso para comer carne. “Nós não comemos mais fora”, disse sua mãe. “Raramente comemos frango. Se o fizermos, cozinhamos demais.”

Chace no hospital após contrair salmonela. Ashley Queipo

“As probabilidades estavam realmente contra ele”, lembra sua mãe Ashley Queipo

O recente aumento de campylobacter e salmonella em frangos pode ser rastreado até o nascimento da avicultura industrial. Hoje o frango é a carne favorita da América, mas antes da Segunda Guerra Mundial, era caro e consumido em grande parte pelos ricos. O americano médio não comia mais de 10 libras por ano – cerca de um décimo do que é consumido hoje.

O racionamento de carne bovina, ovina e suína durante a guerra mudou isso temporariamente. Mas quando isso acabou, os americanos estavam prontos para mais uma vez abandonar os caros produtos avícolas. Temendo essa eventualidade, uma rede de supermercados experiente, apoiada pelo USDA, lançou um concurso para criar “a galinha de amanhã”. O plano funcionou; na década de 1950, o concurso produziu uma raça híbrida de ave mais gorda e de crescimento mais rápido – e deu início ao sistema industrial de criação de galinhas que existe hoje.

Os antibióticos catalisaram esse boom do frango. Os medicamentos transformaram a saúde humana depois que se tornaram amplamente disponíveis na década de 1940, mas os agricultores logo descobriram que os antibióticos não apenas controlam doenças, mas também estimulam o crescimento dos animais.

Não demorou muito para que os produtores de aves dos Estados Unidos estivessem injetando antibióticos em animais em todas as fases de produção , sejam injeções aplicadas em galinhas de um dia ou medicamentos colocados na ração para engordar aves de corte . Os antibióticos também ajudaram a suprimir as doenças comuns em aves criadas industrialmente que foram criadas em condições precárias e insalubres.

O concurso para crescer o “frango de amanhã”, apoiado pelo USDAColeção de Fotografias de Arquivos Universitários, Extensão Agrícola e Fotografias de Serviços de Pesquisa, UA023.007, Centro de Pesquisa de Coleções Especiais, Bibliotecas da Universidade Estadual de NC, Raleigh, NC

Certos procedimentos mudaram ao longo do tempo e algumas regras foram endurecidas nos últimos anos – os regulamentos da FDA agora proíbem o uso de medicamentos em animais para promover o crescimento – mas as consequências do uso excessivo de antibióticos ainda são sentidas hoje. Alguns estudos da Europa mostraram que pode levar pelo menos oito anos para que as cepas resistentes de bactérias diminuam após a redução do uso de antibióticos.

As bactérias evoluem para desenvolver resistência aos antibióticos que as atacam; quanto mais as drogas são usadas, mais resistência a elas aumenta. Como tal, a resistência antimicrobiana tornou-se uma das principais causas de morte, matando diretamente cerca de 1,27 milhão de pessoas em 2019 e associada a quase 5 milhões de mortes em todo o mundo, de acordo com um estudo recente publicado na revista The Lancet. Nos Estados Unidos, as superbactérias resistentes a antibióticos matam mais de 35.000 pessoas a cada ano e deixam outros 2,8 milhões doentes.

À medida que os temores sobre a resistência aos medicamentos aumentaram, as empresas avícolas dos EUA reduziram o uso de antibióticos. “A indústria de frangos há anos é líder na redução do uso”, disse um porta-voz do National Chicken Council ao Bureau.

No entanto, especialistas dizem que medidas mais rígidas ainda são necessárias para conter bactérias resistentes a medicamentos, especialmente em relação à higiene. Sob o sistema atual, os animais são abatidos em “velocidades surpreendentemente rápidas com pouca consideração pelo saneamento”, disse Corrigan. “E os patógenos que estão no corpo desses animais se espalham por toda parte, e esses patógenos estão cada vez mais resistentes aos antibióticos. E então estamos todos expostos.”

Tudo menos saudável

Em uma fábrica da Tyson em Springdale que lida com a transformação de carne de frango em nuggets e hambúrgueres, caixas de frango às vezes chegam “podres”, alegou um trabalhador.

Ele acrescentou: “Nós notificamos o supervisor. Nós dissemos: ‘Ei, esse frango fede, está cheirando mal.’ Ele diz: ‘Não, jogue fora’”.

A planta “cheira a bicho podre”, alegou o trabalhador; a carne ficou presa nas máquinas, que não foram devidamente lavadas porque a empresa responsável pela limpeza está com falta de pessoal. “Tem carne para todo lado, deitada no chão”, alegou. Mas, em vez de ser jogado fora, ele alegou que foi lavado e adicionado de volta à linha de processamento.

Sentado em uma cadeira dobrável em sua sala de estar escassamente mobiliada, o trabalhador descreveu suas preocupações com as possíveis consequências de falar publicamente. Ele estava preocupado que a administração pudesse tentar encontrar uma desculpa para demiti-lo se ele fosse descoberto, ele disse em voz baixa, apenas audível acima do barulho dos desenhos infantis vindos da sala ao lado.

Outro trabalhador da fábrica alegou ter visto funcionários do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar, que estão na fábrica para garantir os padrões de higiene, dormindo no trabalho.

A Tyson Foods nega agir de forma inadequada. “A Tyson Foods serve às famílias americanas alimentos seguros e nutritivos há quase um século, e rejeitamos categoricamente as alegações levantadas”, disse um porta-voz da empresa, acrescentando que as plantas em questão receberam as classificações mais altas de um auditor terceirizado que supervisiona normas de segurança alimentar.

“Os membros de nossa equipe têm várias maneiras de levantar preocupações sem medo de retaliação. Além de levantar preocupações a seus supervisores, gerentes e recursos humanos, eles também podem relatar problemas anonimamente à nossa linha de ajuda.”

Frango contaminado com matéria fecal ainda pode ser vendido como “saudável”SeongJoon Cho/Bloomberg via Getty Images

“Dizemos ao supervisor que o frango está com um cheiro horrível. Ele manda jogar. Às vezes tem moscas, tem grilos, baratas lá dentro” – operário de avicultura

Apesar das condições anti-higiênicas nas fábricas, as empresas conseguiram comercializar seus alimentos como limpos e virtuosos usando imagens “totalmente enganosas”, afirmou Corrigan, da Food & Water Watch.

“[As empresas] sabem que os consumidores querem não apenas ter um produto que seja seguro para eles e suas famílias, mas também querem um produto que seja criado de forma sustentável e justa. E a indústria brinca com isso com imagens de fazendas familiares idealizadas, onde cada galinha é uma galinha feliz”, disse ele.

As empresas avícolas gostam de anunciar sua carne como “saudável” – um rótulo dado pelas inspeções do USDA. No entanto, o Comitê de Médicos para Medicina Responsável realizou um estudo em 2011 que encontrou bactérias fecais em quase metade de 120 produtos de frango vendidos por 15 redes de supermercados em 10 cidades dos EUA.

O grupo solicitou ao USDA que retirasse a palavra “saudável” dos rótulos de inspeção de produtos de aves contaminados com matéria fecal, mas depois de ser levado ao tribunal por não responder, o USDA negou a petição. O USDA admitiu que as bactérias das fezes são rotineiramente encontradas em produtos avícolas, mas argumentou que nenhuma ação precisa ser tomada, pois considera as fezes visíveis a olho nu como um “adulterante” – uma substância que compromete a segurança do produto.

Assim, o frango “saudável”, contaminado com matéria fecal, continua sendo vendido nas prateleiras dos supermercados nos EUA.

“As empresas avícolas investiram dezenas de milhões de dólares anualmente em tecnologia e outras medidas cientificamente validadas para melhorar o perfil de segurança dos produtos de frango”, disse um porta-voz do National Chicken Council. Ele acrescentou que a grande maioria das fábricas de frangos de corte atendem aos padrões de desempenho do governo.

Os registros do USDA obtidos pelo Bureau, no entanto, identificam vários casos em que matadouros individuais violaram os regulamentos de higiene centenas de vezes. Um matadouro Tyson em Springdale – responsável por dezenas de produtos de aves contaminados com Campylobacter resistente a medicamentos – violou os regulamentos de segurança e higiene alimentar mais de 800 vezes entre 2015 e 2020.

Em um caso, os inspetores relataram que as aves chegaram mortas à fábrica, mas ainda foram colocadas na linha de produção, o que é proibido pelas normas sanitárias. Em outros, descobriu-se que as galinhas estavam contaminadas com matéria fecal.

No mesmo dia em que um relatório de contaminação fecal foi feito, um lote de frango testou positivo para Campylobacter resistente a medicamentos.

Os relatórios são “não conformidades” documentadas ou falhas no cumprimento dos requisitos das regulamentações governamentais. As empresas podem contestar a validade dessas violações, mas nenhuma das empresas contatadas para esta história disse que o fizeram.

Um porta-voz da Tyson Foods disse: “Tanto os inspetores da Tyson quanto do USDA são treinados para agir imediatamente quando uma preocupação com a segurança alimentar é detectada. Se um produto não atende aos padrões de segurança federais, ele é imediatamente removido da produção.”

Necessidade de reforma

As altas taxas de infecções por COVID-19 entre os trabalhadores avícolas também destacaram as condições nas plantas de processamento. As isenções de velocidade de linha – que permitem que as fábricas acelerem os tempos de processamento além das 140 aves por minuto limitadas pelo governo federal – foram criticadas particularmente por grupos de direitos dos trabalhadores que argumentam que velocidades mais rápidas exigem mais trabalhadores, o que pode afetar o distanciamento social.

O aumento da velocidade da linha também pode ter efeitos indiretos na higiene e no controle de doenças, disse Magaly Licolli, diretora do Venceremos, um grupo de direitos dos trabalhadores avícolas com sede no Arkansas. A fábrica de Tyson no Arkansas, que cometeu inúmeras violações de higiene e produziu frango contaminado com insetos resistentes a medicamentos, recebeu uma isenção de velocidade de linha em setembro de 2018.

Mais recentemente, ela disse, o USDA sancionou esses aumentos enquanto as inspeções diminuíram.

“Com menos inspetores e o frango chegando mais rápido”, disse ela, “é impossível para qualquer ser humano pegar o pássaro que chega doente”.

As empresas avícolas recebem os resultados dos testes realizados nas amostras. Mas sob os regulamentos atuais, nenhuma cepa de campylobacter ou salmonela é classificada como adulterante.

Isso significa que as empresas não têm obrigação legal de reter lotes de alimentos contaminados com campylobacter ou salmonela – mesmo variantes resistentes a medicamentos – ou de recolher carnes já vendidas. Esses produtos podem ser vendidos de forma consciente e legal aos clientes para consumo humano.

Esta é uma “farsa do ponto de vista da saúde pública”, disse David Wallinga, consultor sênior de saúde do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC). Wallinga disse que a abordagem na América tem sido simplesmente aceitar que milhões de pessoas que sofrem de intoxicação alimentar a cada ano é “apenas o preço que pagamos por ter grandes indústrias de carne e fontes de carne bastante baratas”. Ele disse que os surtos de intoxicação alimentar causados ​​por cepas resistentes a antibióticos foram “o gorila na sala”.

Para as famílias atingidas pelas piores consequências dessas doenças, os regulamentos frouxos são difíceis de aceitar. “Na verdade, é realmente perturbador porque eles ainda estão vendendo [produtos de aves] para essas pessoas”, disse Joanne Canda-Alvarez. “E eles não estão conscientizando as pessoas sobre o que pode acontecer.”

“Todo mundo conhece a salmonela”, acrescentou. ”Nós não aprendemos sobre [campylobacter] até ele conseguir. É uma bactéria perigosa. É uma bactéria que pode fazer coisas muito ruins para você.”

Jayven Canda-Alvarez com sua mãe Joanne no HavaíDaniel Vergara, VICE News

Ativistas e políticos aumentaram a pressão por uma reforma legal para classificar certas cepas de salmonela como adulterantes, o que forçaria as empresas a retirar da venda produtos com resultado positivo. Bill Marler, advogado de segurança alimentar, ameaçou recentemente “prosseguir com recursos judiciais” contra o USDA se as autoridades não responderem à sua petição feita em janeiro passado para que 31 cepas de salmonela fossem adulteradas.

Em setembro de 2021, o Center for Science in the Public Interest (CSPI) enviou outra petição ao USDA, pedindo padrões exequíveis que visam as bactérias que representam o maior risco para a saúde humana. Várias grandes empresas, incluindo Tyson e Perdue, assinaram a carta.

“A segurança alimentar, as relações com os agricultores e os cuidados com os animais são as principais prioridades para nós na Perdue”, disse um porta-voz da empresa. “É por isso que nossa empresa defende a modernização dos regulamentos de segurança alimentar de nosso país e saudou as recentes medidas do USDA para abordar essas preocupações de uma maneira que utiliza a ciência mais atualizada.”

Koch Foods, Foster Farms, Pilgrim’s Pride, McDonald’s e Walmart não responderam aos pedidos de comentários. A Whole Foods não quis comentar.

Um estudo de 2010 sobre campylobacter descobriu que problemas de saúde e bem-estar entre as galinhas também prejudicam sua capacidade de controlar infecções. Os hormônios do estresse desencadeiam o rápido crescimento da bactéria campylobacter e permitem que ela se mova para fora do intestino e para o tecido muscular da ave – as partes que os humanos comem.

Não há regulamentação formal das condições das fazendas nos EUA e, portanto, não há registros de inspeção do governo, mas denunciantes e investigadores disfarçados relataram que as fazendas muitas vezes estão imundas e superlotadas, com dezenas de milhares de pássaros embalados em galpões sem janelas.

Uma queixa apresentada ao Bureau of Consumer Protection em fevereiro de 2021 documentou o processo de captura traumático, detalhando como Tyson envia “equipes de captura” para as casas de cultivo para pegar as galinhas grandes o suficiente para o abate. Os apanhadores “pegam as aves pelas pernas e as carregam de cabeça para baixo pelos tornozelos – vários pássaros em cada mão – antes de empurrá-los para as gaiolas de transporte”, dizia a denúncia. As gaiolas não são altas o suficiente para os pássaros ficarem em pé e tantos pássaros são embalados em cada um que eles não têm espaço para se mover ou abrir as asas.

Denunciante Rudy Howell passou 26 anos trabalhando para PerdueSamuel Stonefield

Rudy Howell, que criou frangos para a Perdue de 1994 até o verão de 2020, também fez uma série de alegações sobre a empresa. Em 2021, Howell apresentou uma queixa à Administração de Saúde e Segurança Ocupacional contra Perdue por suposta dispensa indevida depois que ele falou sobre suas práticas. Perdue contesta suas alegações e o acusa de ter violado as medidas de biossegurança ao convidar uma equipe de filmagem para sua fazenda.

As alegações de Howell estavam relacionadas a medidas inadequadas de higiene e controle de doenças, incluindo a alegação de que Perdue às vezes entregava pintinhos em bandejas sujas e usava máquinas sujas para pegar galinhas.

Um porta-voz da Perdue disse: “A segurança alimentar, as relações com os agricultores e os cuidados com os animais são as principais prioridades para nós na Perdue. Nosso negócio de 101 anos é construído com atenção aos detalhes em cada etapa de nossa cadeia de suprimentos, bem como confiança e colaboração com os agricultores que criam nossos animais.”

Howell disse ao Bureau que nunca recebeu nenhuma informação sobre se os testes para doenças haviam sido realizados antes que os filhotes fossem entregues à sua fazenda. Os testes nem sempre foram realizados depois que ele alertou a empresa sobre as taxas preocupantes de doenças entre os novos rebanhos, acrescentou.

“Você não ganha nada. Você apenas pega pássaros mortos. Isso é tudo o que eles fazem é dizer para você pegar os pássaros mortos.”


compass

Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “The Bureau of Investigative Journalism” [Aqui].

Um mês da tragédia em Petrópolis: ação do Greenpeace Brasil homenageia as vítimas e cobra medidas do Estado para evitar novas catástrofes

Ato simbólico com 233 sinalizadores e coroas de flores simbolizam a urgência de ações para o enfrentamento da crise climática

unnamed

Ativistas do Greenpeace Brasil homenageiam as vítimas de Petrópolis no Palácio Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro, e pressionam para que seja decretado emergência climática | Foto: Gabrielle Souza / Greenpeace

Rio de Janeiro, 15 de março de 2022 – Hoje (15) completa um mês das chuvas intensas que culminaram em uma grande tragédia na cidade de Petrópolis (RJ). Nesta manhã, o Greenpeace Brasil levou para a frente do Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, 233 sinalizadores e coroas de flores representando as 233 vidas perdidas e contabilizadas até o momento. A ação teve como objetivo prestar homenagem às vítimas das enchentes e deslizamentos que atingiram o município no mês passado, além de pressionar o governador Cláudio Castro para que decrete Emergência Climática e execute imediatamente o plano de adaptação.

Apesar do Rio de Janeiro possuir este plano, não existem estratégias de implementação, prazos ou etapas de execução, e tampouco orçamento. Aliás, o governo do estado não usou nem metade do orçamento previsto para o ano passado do Programa de Prevenção de Catástrofes do Rio de Janeiro. Em 2021, foram utilizados R$165 milhões dos R$402 milhões disponíveis – dinheiro que poderia ter sido destinado a obras de infraestrutura.

Para o porta-voz de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus, a ação da organização em frente ao Palácio Guanabara é uma forma de pressionar o poder público para que mais tragédias como essa não ocorram: “As fortes chuvas no mês de fevereiro levaram 233 vidas em Petrópolis, mas o que ocorreu na região é um exemplo da falta de implementação de direitos básicos e execução de um plano de adaptação climática no Estado. O Rio de Janeiro precisa decretar Emergência Climática e implementar efetivamente o seu plano de adaptação, elaborando-o junto às populações mais impactadas. Essas são ações fundamentais para que o Estado se antecipe às próximas catástrofes”.

Além de ações como essa em frente ao Palácio Guanabara, o Greenpeace Brasil também tem trabalhado para fortalecer iniciativas que já estão sendo desenvolvidas nos territórios. No caso de Petrópolis, a organização destinou recursos por meio de parceiros locais para a compra de mantimentos, roupas e necessidades urgentes para as famílias atingidas pela catástrofe, além de iniciar uma petição para que os estados decretem Emergência Climática e executem planos de adaptação, evitando que novas tragédias ocorram e que mais vidas sejam perdidas.

Confira as principais imagens da ação

Gastos com agrotóxicos na soja foram de R$ 31,4 bilhões só em 2021

Fungicidas para controle da ferrugem asiática movimentaram R$ 9 bilhões

soja 1

Por: AGROLINK -Leonardo Gottems

O mercado brasileiro de defensivos agrícolas (leiam-se AGROTÓXICOS) para a soja faturou R$ 31,4 bilhões na temporada 2020-21, aponta recém-concluído estudo da consultoria Spark Inteligência Estratégica. O resultado representou alta de 17% ante o ciclo 2019-20 (R$ 26,7 bilhões).

A expansão se deve, em grande parte, ao crescimento na área plantada de 5% na safra 2020-21, para acima de 38 milhões de hectares. Com isso, a soja seguiu na posição de principal mercado do setor de defensivos agrícolas (leia-se AGROTÓXICOS), de acordo com o BIP (Business Inteligence Panel).

De acordo com o coordenador de projetos da Spark, Lucas Alves, o segmento de fungicidas liderou novamente a comercialização de agroquímicos (leia-se AGROTÓXICOS) para soja, com 41% das vendas ou R$ 12,8 bilhões. Desse montante, produtos voltados ao controle da ferrugem asiática ou ferrugem da soja movimentaram R$ 9 bilhões, uma elevação de 10% comparada à safra 2019-20. Os fungicidas como um todo tiveram alta da ordem de 13%.

Os dados do BIP Spark por categoria de produtos mostram o segmento de inseticidas na segunda posição do ranking, com 25% de participação e vendas de R$ 7,880 bilhões, uma variação positiva aproximada de 23% ante o ciclo anterior (R$ 6,39 bilhões). Já os herbicidas ocuparam a fatia de 22% do total. A comercialização destes produtos chegou a R$ 6,940 bilhões, cerca de 19% acima do período 2019-20 (R$ 5,79 bilhões).

Ainda de acordo com a Spark, produtos para tratamento de sementes, com 8% das vendas totais, avançaram 13,5%, para R$ 2,427 bilhões, contra R$ 2,138 bilhões. Outros produtos, que equivaleram a 4% do mercado de agroquímicos para soja, fecharam a safra 2020-21 com crescimento de 20%, para R$ 1,361 bilhões ante R$ 1,129 bilhões.

De acordo com Lucas Alves, a ferrugem asiática constitui hoje a preocupação central do sojicultor na safra. A doença identificada em 2001, explica ele, representa risco elevado à produtividade e enseja diferentes estratégias de manejo, sobretudo em virtude do desenvolvimento de resistência, pelo fungo causador da ferrugem (Phakopsora pachyrhizi), a determinados ingredientes ativos de fungicidas.

“Esse cenário elevou a taxa de utilização dos ‘fungicidas multissítios’ de 6% na safra 2014/15 (R$ 75 milhões), para 70% no ciclo 2020-21 (R$ 2,5 bilhões). Mais de 26 milhões de hectares da oleaginosa receberam tratamentos com esses produtos na última safra”, enfatiza Alves. 

Ele acrescenta que os ‘multissítios’ são empregados, principalmente, no manejo de resistência do fungo Phakopsora pachyrhizi. A prática consiste na alternância da aplicação de fungicidas com diferentes modos-de-ação, e preserva a eficácia das tecnologias no controle da doença.

“O manejo da ferrugem é realizado de maneira preventiva. Realizam-se, em média, de 3,5 a 4 aplicações desses produtos”, complementa. Conforme Alves, outras doenças da soja, que nos últimos anos eram consideradas ‘secundárias’, ganharam mais relevância no mercado de fungicidas.

A Spark realizou pesquisa com mais de 3,8 mil entrevistas junto a produtores rurais das principais regiões produtoras da oleaginosa no Brasil.


color compass

Este texto foi publicado originalmente pelo portal Agrolink [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: com liberação de mais 25 agrotóxicos, governo Bolsonaro totaliza 1.660 liberações em 39 meses e 1,4 por dia

tereza bolsonaro

Jair Bolsonaro e Tereza Cristina seguem com a marcha desenfreada de liberações de venenos agrícolas altamente tóxicos

Em uma demonstração óbvia de que não está esperando pela aprovação do Pacote do Veneno também no Senado Federal, o governo Bolsonaro liberou por meio do Ato No. 14 de 07 de março um total de 25 agrotóxicos do tipo “produto técnico”, levando seu “grand total” a 1.660 venenos agrícolas liberados em 1.169 dias de governo, o que dá a média de 1,4 agrotóxicos liberados por dia. Até para um país cuja agricultura de exportação está firmemente aprisionada na dependência química, esses números são de assombrar qualquer um que se preocupa com os ecossistemas nacionais e a saúde dos brasileiros.

Agrotóxicos proibidos na União Europeia circulam livremente no Brasil

Brasil é 2º maior comprador de agrotóxicos proibidos na Europa, que importa  alimentos produzidos com estes químicos

Um aspecto repetitivo de toda essa onda de aprovações é a presença de produtos banidos na União Europeia cuja legislação pode ser considerada mais rígida do que a brasileira. A “estrela” do Ato No. 14, com 7 produtos liberados, é o Espirodiclofeno, um acaricida que foi proibido na União Europeia (UE) em julho de 2020. Mas além desse, esse ato mais recente também liberou o fungicida Epoxiconazol que está proibido na UE desde abril de 2020.

De quebra, outro “proibidão” liberado foi o fungicida Carbendazim que está proibido desde 2014 após ter sido relacionado a uma ampla gama de doenças que incluem embriotoxicidade, apoptose, teratogenicidade, infertilidade, disfunção hepatocelular, efeitos de desregulação endócrina, interrupção de funções hematológicas, anomalias do fuso mitótico, efeito mutagénico e aneugênico.

Mas apesar de todos esses efeitos, o governo Bolsonaro liberou 10 agrotóxicos contendo o princípio ativo do Carbendazim, uma substância pertencente ao grupo químico Benzimidazol.

A predominância da China como principal fornecedora de agrotóxicos para o Brasil

Agrotóxicos produzidos na China são maioria no pacote de venenos aprovado  pelo governo Bolsonaro |

Outra característica de liberações anteriores que se repetiu no Ato No. 14 foi a forte presença de empresas chinesas no fornecimento de venenos agrícolas para a agricultura nacional, na medida que 24 dos agrotóxicos serão produzidos por empresas sediadas na China. Entretanto, a única exceção que foi o fungicida Pidiflumetofem é produzido na Suiça pela Syngenta, que também é uma empresa chinesa.

Um dado expressivo sobre a dependência brasileira da indústria chinesa de agrotóxicos é que dos 1.660 agrotóxicos liberados nos 39 meses de governo Bolsonaro, 1.001 são “Made in China”, um número que ainda não representa a totalidade do impacto chinês, na medida em que empresas sediadas em países como a Suiça (Syngenta) e Israel (Adama) são de fato propriedade da ChemChina, fundada em 1984, que é um empresa química estatal chinesa que atua nos segmentos de produtos agroquímicos,  borracha, materiais químicos e especialidades químicas, equipamentos industriais e processamento petroquímico para os setores civil e militar.

Com uma 1,4 agrotóxico liberado por dia, governo Bolsonaro deverá ultrapassar 2.000 agrotóxicos liberados em 4 anos de mandato, um verdadeiro recorde mundial

Transgênicos e agrotóxicos: dois “temperos” ocultos na comida do brasileiro  |

Se o governo Bolsonaro mantiver sua média diária de liberações de venenos agrícolas  é de 1,42 por dia, o mais provável é que a dupla Jair Bolsonaro e Tereza Cristina coloquem mais de 2.000 agrotóxicos em um mercado já saturado deste tipo de produto altamente tóxico, o que invariavelmente nos levará a uma crise sanitária em alguns anos, dada a toxicidade de muitos dos produtos que estão sendo liberados, digamos, com sofreguidão.

Por isso tudo é que repito ser fundamental que haja um amplo debate em torno do modelo de agricultura viciada em agrotóxicos que hoje é hegemônica. O fato é que além de ser altamente poluentes e tóxicos, os agrotóxicos são hoje protegidos por uma série de benesses fiscais, causando fortes perdas financeiras a economia brasileira.

É passada a hora de se deixar de premiar o latifúndio agro-exportador e as corporações químicas às custas da degradação ambiental e do envenenamento da água e dos alimentos que os brasileiros consomem.

Quem desejar baixar a planilha contendo os 25 agrotóxicos liberados pelo Ato No. 14, basta clicar [Aqui!]. Para os interessados em baixar a planilha contendo os 1.660 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro, basta clicar [Aqui!].

Certificadora “Red Tractor” não regulamenta uso de agrotóxicos que chegam nos supermercados do Reino Unido

Pesquisa considera o esquema de garantia agrícola e alimentar ineficaz para ajudar os agricultores a reduzir o uso de produtos químicos nocivos

trator

Um pulverizador químico em ação. Estudos recentes revelaram declínios globais alarmantes nas populações de insetos devido em parte ao uso de agrotóxicos. Fotografia: geogphotos/Alamy

Por Helena Horton para o “The Guardian”

O esquema Red Tractor, usado para marcar alimentos produzidos com “alto padrão”, não está regulamentando o uso de agrotóxicos nas fazendas, segundo um relatório.

Como o maior esquema de garantia agrícola e alimentar do Reino Unido, que certifica cerca de 50.000 agricultores, a Red Tractor é confiável para manter os padrões ambientais. Os produtos são vendidos em todos os principais supermercados do Reino Unido. 

O esquema Red Tractor certifica cerca de 50.000 agricultores.O esquema Red Tractor certifica cerca de 50.000 agricultores. Fotografia:  Red Tractor

No entanto, a maioria dos agricultores entrevistados pela Nature Friendly Farming Network disse que o esquema não os ajudou a reduzir os pesticidas.

No geral, os agricultores sentiram que a Red Tractor estava falhando em ajudá-los a considerar seu manejo de pesticidas de maneira significativa e era ineficaz em ajudá-los a reduzir o uso de pesticidas. Apenas cinco dos 24 entrevistados da pesquisa disseram que foram incentivados pela Red Tractor a revisar seu gerenciamento de pesticidas.

Martin Lines, coautor do relatório e presidente da Nature Friendly Farming Network, disse: “Nossas entrevistas com agricultores certificados pela Red Tractor revelaram que os padrões são pouco encorajadores – e muito menos apoiam – os agricultores a reduzir o uso de pesticidas.

“Há muitos agricultores do Reino Unido trabalhando duro para mudar para o uso de alternativas não químicas e é hora da Red Tractor, como nosso maior esquema de garantia de fazendas e alimentos, se tornar um ator fundamental na condução da transição para sistemas agrícolas mais sustentáveis. Os agricultores querem – e precisam – do seu apoio para trabalhar com a natureza em vez de contra ela.”

O relatório também apontou que a Red Tractor não tinha metas para reduzir o uso desses produtos químicos nocivos. Estudos recentes revelaram declínios globais alarmantes nas populações de insetos , com mais de 40% das espécies de insetos em declínio e um terço em perigo. Juntamente com a perda de habitat, os agrotóxicos foram identificados como um dos principais fatores que impulsionam esses declínios. No Reino Unido, as borboletas diminuíram 50% desde 1976 e 13 espécies de abelhas foram extintas.

Talvez como resultado do declínio dos insetos, mais acima na cadeia alimentar as aves agrícolas caíram 54% desde 1970 e o número de ouriços caiu até 50% nas áreas rurais desde 2002.

Além disso, os pesticidas que representam maiores riscos à saúde humana e ao meio ambiente, conhecidos pela ONU como “agrotóxicos altamente perigosos”, não estão sendo eliminados pelo esquema. Os padrões da Red Tractor não incluem quaisquer restrições adicionais sobre quais pesticidas os agricultores podem usar.

Josie Cohen, chefe de políticas e campanhas da Pesticide Action Network UK, disse: “Se quisermos ter alguma esperança de resolver a crise da biodiversidade, devemos nos afastar de nossa dependência de pesticidas. Mas os padrões da Red Tractor continuam a priorizar o uso de produtos químicos, sem colocar limites em quanto ou onde eles podem ser usados. Ao contrário de muitos supermercados do Reino Unido, a Red Tractor permite que seus agricultores usem qualquer agrotóxico legal, independentemente das preocupações com os impactos à saúde humana ou ao meio ambiente.”

A Red Tractor respondeu que o setor como um todo precisava mudar sua atitude em relação aos agrotóxicos, caso contrário, um grande número de agricultores seria deixado para trás e excluído dos esquemas de padrões. Acrescentou que o novo relatório “faz algumas sugestões construtivas sobre como o conteúdo da Red Tractor pode evoluir para enfrentar esses desafios e congratulamo-nos com esta contribuição para o debate”.


compass

Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

WWF: Produção de soja causa destruição ambiental em massa

sojaFoto: Charles Echer / Presenza CC0
Por Moritz Ettlinger para o Unsere Zeitung

Em um  novo relatório  , a organização ambientalista WWF chama a atenção para as consequências devastadoras da produção de soja para o meio ambiente, pede uma mudança em nossa dieta e regulamentações legais em nível da UE para proteger as florestas, especialmente na América do Sul.

Seja carne, peixe ou queijo: há mais soja em muitos produtos de origem animal do que você pensa – pelo menos indiretamente. Porque cerca de 55 Kg de soja per capita acabam no prato europeu todos os anos através da alimentação de vacas, porcos ou galinhas. Isso é relatado pela organização de proteção ambiental WWF em seu novo relatório, no qual chama a atenção para a destruição ambiental causada pela produção e cultivo de soja, especialmente na América do Sul.

De acordo com isso, a produção de soja na América do Sul quase dobrou nas últimas décadas – com consequências devastadoras, afinal, o cultivo da soja em sua forma atual, muitas vezes monocultural, libera grandes quantidades de gases de efeito estufa e causa considerável destruição do meio ambiente e dos ecossistemas.

A Europa não é isenta de culpa, pelo contrário, como afirma Hannah-Heidi-Schindler, especialista do WWF em nutrição sustentável: “Com o nosso consumo na Europa, estamos a contribuir para a destruição de florestas, pastagens e zonas húmidas noutros continentes” . exige “cadeias de suprimentos livres de desmatamento” para proteger florestas e ecossistemas.

Demanda por uma mudança na dieta e alterações legais

Uma mudança na dieta seria, portanto, um passo na direção certa, explica Schindler: “Uma redução no consumo de carne austríaca em um quinto liberaria tanta terra que toda a necessidade restante de ração animal de soja neste país poderia ser produzida”. Segundo a ONG, as importações de soja podem ser economizadas em 500 mil toneladas.

O atual projeto de lei da Comissão da UE, que visa combater o desmatamento para produtos que são comercializados na UE ou importados para a União, não é suficiente para o WWF.

Entre outras coisas, porque muitos ecossistemas estariam isentos disso, a ONG está, portanto, pedindo melhorias e apelando à Ministra da Agricultura Elisabeth Köstinger para fazer campanha por uma “lei efetiva de proteção florestal”. Porque: “Produtos para os quais as florestas são destruídas não têm lugar nas prateleiras dos nossos supermercados”, diz Hannah-Heidi Schindler em palavras claras.

De acordo com estimativas  de Johann Vollmann da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida (BOKU) , 90 a 95% de toda a soja em todo o mundo é processada em ração animal,  o Greenpeace  fala de 87 % das importações sendo usadas para alimentação animal na UE.

 Em 2016, a participação da soja na engorda de suínos e aves foi de 20% a 30%, como explicou  ao orf.at Werner Zollitsch, do BOKU Institute for Livestock Research . Esse procedimento nem é particularmente eficiente, pois para um 1 Kg carne seriam necessários 10 Kg de soja, diz Vollmann. O consumo direto de soja poderia alimentar dez vezes mais pessoas.

 O procedimento nem é particularmente eficiente, pois para um quilo de carne seriam necessários dez quilos de soja, diz Vollmann. O consumo direto de soja poderia alimentar dez vezes mais pessoas.

O artigo original pode ser visitado aqui

A publicação faz parte da nossa parceria de mídia com a Pressenza


color compass

Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo “Global Magazine” [Aqui!].

Bayer anuncia suspensão de investimentos na Rússia, mas agrotóxicos e remédios ficam isentos

bayer peace

A multinacional alemã Bayer aparentemente criou uma espécie de moral seletiva (a do tipo que eu chamo de duplo padrão) ao anunciar a suspensão parcial de seus negócios na Rússia e na Bielo Rússia por causa do conflito militar em andamento na Ucrânia (ver declaração completa Aqui!]. 

Curiosamente (se é que se pode chamar assim), a Bayer anunciou que provisoriamente essa suspensão de atividades na Rússia não atingirá a venda de remédios e insumos agrícolas. Nesse sentido, a Bayer declarou que “como uma empresa de Ciências da Vida, temos uma obrigação ética – em todos os países em que operamos. Reter produtos essenciais de saúde e agricultura das populações civis – como câncer ou tratamentos cardiovasculares, produtos de saúde para mulheres grávidas e crianças, bem como sementes para o cultivo de alimentos – apenas multiplicaria o custo contínuo da guerra na vida humana“.

Ainda que agrotóxicos tenham sido omitidos das exceções “éticas” apontadas pela Bayer, presumo que um mercado tão atraente quanto o russo não será abastecido apenas com sementes, e a multinacional alemã não se furtará a continuar fornecendo seus venenos agrícolas que provavelmente são considerados também como sendo tão essenciais para o cultivo de alimentos como são as sementes.

Um toque adicional de duplicidade moral ocorre quando a Bayer cita que as posições anunciadas hoje serão revistas em 2023, dependendo do curso do conflito bélico em andamento na Ucrânia. A questão que me parece óbvia é que dado o andamento das coisas, em 2023 o atual conflito já terá se encerrado, ainda que não se saiba ao certo o seu resultado.

Mas quem ainda se surpreende com esse tipo de moral seletiva quando se trata dos interesses das corporações multinacionais, ainda que camuflada sob o discurso da luta contra a fome e as doenças, em face de escolhas que possam colocar seus lucros em xeque?

Novos desmatamentos de áreas em regeneração desafiam esforços de restauração na Mata Atlântica

clearing ma

bori conteudo

Impedir o desmatamento de áreas de floresta que estão retomando o processo de crescimento é um dos grandes desafios para a restauração da Mata Atlântica, dado que cerca de um terço das áreas em regeneração do bioma são novamente cortadas após quatro a oito anos de crescimento. Essa conclusão faz parte de uma pesquisa publicada em março na revista “Environmental Research Letters” realizada por pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do ABC (UFABC) em parceria com pesquisadores da Columbia University, dos Estados Unidos.

A pesquisa analisou dados de imagens de satélite entre 1985 e 2019 e mapeou 4,5 milhões de hectares de Mata Atlântica em regeneração, dos quais 3,1 milhões de hectares persistiram até 2019. Atualmente, o bioma possui cerca de 32 milhões de hectares de vegetação nativa, o que corresponde a 28% de sua cobertura original. “O fato de dois terços da regeneração florestal na Mata Atlântica ter persistido até 2019 é um bom sinal para a conservação do bioma, porém a curta permanência das florestadas que são desmatadas novamente (4-8 anos) surge como um novo desafio para a restauração na região”, explica Pedro Ribeiro Piffer, doutorando da Columbia University e pesquisador líder do estudo.

A regeneração natural, ou restauração passiva, é quando uma área é propositadamente abandonada para que o crescimento da vegetação aconteça de forma natural, sem a interferência humana. Essa estratégia de restauração é considerada uma das mais eficientes e de baixo custo, sobretudo para atingir os ambiciosos compromissos brasileiros, como aqueles assumidos no Acordo de Paris em 2016 (restaurar de 12 milhões de hectares de florestas até 2030) e para o Pacto de Restauração da Mata Atlântica (recuperar 15 milhões de hectares de florestas até 2050).

“Esse resultado nos mostra um desafio duplo, pois é importante não só restaurar as áreas degradadas, mas também garantir a manutenção dessa floresta que está crescendo”, explica Jean Paul Metzger, coordenador do Programa Biota/Fapesp e um dos autores da pesquisa. As florestas em regeneração demoram décadas para recuperar aspectos como a riqueza de espécies em níveis próximos ao de florestas não perturbadas. Por esse motivo, é essencial escolher de forma estratégica áreas prioritárias para a regeneração natural.

Os pesquisadores identificaram que nas regiões de agricultura permanente houve menor área de florestas em regeneração, porém, quando existentes, tiveram maior longevidade. Já em áreas de agricultura itinerante e pastagens, ocorre o inverso: há o início do processo de regeneração em uma maior quantidade de áreas, porém com baixa longevidade. “Entender as condições que permitem uma maior permanência das florestas regeneradas é crucial para o desenvolvimento de políticas públicas que sejam eficazes em promover o aumento da cobertura florestal da Mata Atlântica, um bioma extremamente fragmentado”, ressalta Piffer.


color compass

Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Afinal, de quem é a culpa do preço abusivo da gasolina no Brasil?

bolso caro

A questão disparada pelos últimos aumentos impostos pela Petrobras nos preços dos combustíveis no Brasil tem levantado uma série de debates, muito deles falaciosos, sobre qual seria a raíz do problema. Tenho assistido intervenções de jornalistas, como é o caso da global Mônica Waldvogel, que parecem mais vindas de acionistas privados da Petrobras do que profissionais cuja obrigação seria fornecer uma informação minimamente isenta.

Primeiro é preciso lembrar que a atual política de preços da Petrobras foi iniciada nos primeiros momentos do governo do presidente “de facto” Michel Temer que adotou a chamada “preço de imparidade de importação” que como em um passe de mágica transforma toda a gasolina vendida no Brasil em um produto importado, o que se sabe não reflete a realidade brasileira, pois somos atualmente um grande produto de petróleo e gás.

O segundo elemento que não tem sido corretamente abordado é o fato de que em vez de aumentar a capacidade nacional de refino, o que diminuiria a dependência de combustíveis importados, os dois últimos governos não apenas congelou a criação de novas refinarias, mas também avançou no processo de privatização das refinarias existentes, colocando nas mãos de empresas estrangeiras a porção nacional da gasolina distribuída no Brasil. A justificativa para isso seria diminuir o peso das dívidas da Petrobras, um elemento que não se sustenta, na medida que outras grandes petroleiras possuem dívidas maiores do que a da estatal brasileira (semi estatal para falar a verdade), e não entregaram seu setor de refino para as competidoras.  E o pior é que esse processo de privatização ainda poderá resultar em um grande apagão  de abastecimento em função da desarticulação que está promovendo no processo de refino e distribuição.

O terceiro e poderoso elemento foi a hegemonia dada à iniciativa privada no comitê gestor da Petrobras, o que serviu para não apenas ampliar o poder de influência dos acionistas privados, mas também para influenciar na tomada de decisões estratégicas que a empresa teria que tomar para não apenas se manter como central no processo de extração, mas principalmente, no caso do controle de preços, no aumento de sua capacidade de refino. A indicação do presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Rodolfo Landim, com ligações óbvias com as corporações petroleiras, para presidir o Conselho Diretor da Petrobras é apenas um exemplo mais óbvio dessa situação.

bolso caro 1

Panfleto de campanha do presidente Jair Bolsonaro prometia um preço de máximo de R$ 2,50 para a gasolina. Vê-se logo que vivemos os efeitos de mais um estelionato eleitoral

Todas essas questões estão articuladas à visão de regência de economia que está posta no governo Bolsonaro pelo seu dublê de ministro e banqueiro, o Sr. Paulo Guedes.  A partir de uma visão tacanha dos elementos macroeconômicos, especialmente em um momento tão polarizado política, econômica e militarmente falando da economia mundial, o que Paulo Guedes tem feito é aumentar a exposição da Petrobras, e das riquezas petrolíferas nacionais, aos interesses das grandes petroleiras mundiais, inclusive as controladas por outros Estados-nação.  Com isso, o Brasil perdeu o controle político e econômico da extração de petróleo em uma área cujas tecnologias ele mesmo criou, como é o caso da camada Pré-sal. Quando no futuro os historiadores tentarem explicar as ações de Paulo Guedes, obviamente sancionadas pelo presidente Jair Bolsonaro, eles terão grave dificuldade de oferecer um raciocínio lógico se os interesses nacionais forem levados em conta.

E o presidente Jair Bolsonaro nisso tudo? Em um momento de rara franqueza, ele disse que no tocante aos preços dos combustíveis que “eu não defino preço na Petrobras, eu não decido nada lá.  No entanto, essa é uma meia verdade, pois ao contrário do que prometeu em campanha, Bolsonaro não fez nada para alterar a política que controla a formação dos preços dos combustíveis no Brasil, permitindo assim que chegássemos a uma situação dramática, pois junto com a espiral inflacionária no preço dos combustíveis, o que teremos é um aumento exponencial da pobreza e da carestia entre os trabalhadores brasileiros. Na prática, o presidente Jair Bolsonaro é uma espécie de “poster boy” das petroleiras internacionais no Brasil, pois seu governo tem feito tudo que elas precisam para usufruírem das riquezas petrolíferas brasileiras, enquanto que para nós sobre apenas o que estamos vendo por aí, que é um misto de estagflação com aumento exponencial da fome.

Por isso tudo é que não podemos ou devemos cair na ladainha de que tudo se deve ao processo pretérito de gerenciamento da Petrobras, pois mesmo que roubos existissem no passado, não foi isso que gerou o nível de endividamento da empresa, nem gerou a crise que estamos vivendo no momento.