O que fazer com Jair Bolsonaro, o negacionista climático mais perigoso do mundo, pergunta a Rolling Stone

Qualquer esperança de alcançar as metas climáticas globais depende de conter o desmatamento no Brasil. Mas qualquer esperança de conter o desmatamento depende de Bolsonaro

Brazil Amazon Fires

Em seus dois anos como presidente, Bolsonaro presidiu a destruição de cerca de 16.000 km2 da floresta tropical brasileira, um dos ecossistemas mais preciosos do planeta. Andre Penner / AP

Por Jeff Goodell para a revista “Rolling Stone”

rolling

Não há (ainda) prisão para criminosos climáticos, mas se houvesse, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro teria uma cela infestada de aranha só para ele. Agora que Trump se foi, Bolsonaro – também conhecido como “O Trunfo dos Trópicos” ou “Capitão Serra Elétrica” – é o negador climático mais perigoso do mundo. Em seus dois anos como presidente, Bolsonaro presidiu a destruição de cerca de 10.000 milhas quadradas da floresta tropical brasileira , um dos ecossistemas mais preciosos do planeta. E como Trump, Bolsonaro se orgulha de seus esforços para foder o planeta. Se as pessoas estivessem tão preocupadas com as mudanças climáticas, ele sugeriu uma vez, eles poderiam comer menos e “fazer cocô todos os dias” para salvar a Terra. Quando o Papa Francisco convocou a “mentalidade cega e destrutiva” por trás da destruição da floresta tropical, Bolsonaro respondeu dizendo aos jornalistas: “O Brasil é a virgem que todo pervertido estrangeiro deseja colocar em suas mãos”.

Se a crise climática não fosse tão urgente, o Bolsonaro seria um problema apenas para o Brasil e seus vizinhos. Mas o Brasil é um jogador-chave no esforço para eliminar a poluição global de carbono. As florestas tropicais absorvem cerca de 10% das emissões de CO2. Com cada milha quadrada de floresta tropical cortada, a meta do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 C torna-se cada vez mais inatingível. “Se não podemos fazer algo sobre o desmatamento no Brasil, então a meta de 1,5 C provavelmente está fora de alcance”, diz Jake Schmidt, diretor estratégico sênior para o clima do Conselho de Defesa de Recursos Naturais.

Na cúpula do clima de Joe Biden em abril, Bolsonaro fez um bom jogo, comprometendo-se a acabar com o desmatamento ilegal até 2030. Ele também adiou a data para se tornar neutro em carbono de 2060 para 2050 e prometeu dobrar o orçamento para fazer cumprir as proteções da floresta. Mas, de acordo com várias fontes e relatos publicados, o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, deixou o acordo mais explícito nas negociações de bastidores com os EUA e outros países: Pague-nos US $ 1 bilhão e vamos reduzir o desmatamento em 40% por um ano.

“É extorsão”, argumenta Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório Brasileiro do Clima, aliança de 63 organizações da sociedade civil. “Bolsonaro e sua equipe estão dizendo: ‘Se você não nos der o dinheiro, não sabemos o que acontecerá com a Amazônia.’ Todo mundo sabe que Bolsonaro não está interessado no clima. Ele só está interessado em usar o clima para extorquir dinheiro para usar para si e para seus amigos. ”

A floresta amazônica existe há 55 milhões de anos e é uma das regiões mais complexas biologicamente do mundo, abrigando um décimo de todas as espécies de plantas e animais vivas. Toda a bacia amazônica inclui oito países sul-americanos, mas o Brasil detém cerca de dois terços dela.

Globalmente, cerca de 480.000 km2 de florestas tropicais foram perdidas entre 2013 e 2019 – isso é o equivalente a derrubar mais de cinco Manhattans todos os dias durante sete anos. Cerca de um quarto dessa destruição aconteceu no Brasil, e foi quase inteiramente impulsionado pela agricultura comercial, que no Brasil é principalmente gado e plantações de soja.

Mas chamá-la de “agricultura comercial” é um exagero. No Brasil, quase todo esse desmatamento acontece ilegalmente, por colonos com motosserras e tratores que apenas desmatam, vendem a madeira e passam a criar gado ou soja. Como afirma Beto Veríssimo, cofundador do Imazon, instituto brasileiro de pesquisas que promove o desenvolvimento sustentável, “O desmatamento não tem relação com o crescimento econômico. É apenas crime organizado. ”

E é um crime com implicações cada vez mais terríveis não só para os brasileiros, mas para todo o planeta. Por um lado, as florestas tropicais, com sua biodiversidade impressionante, são um provável berço de novos patógenos perigosos. Cortar as florestas tropicais é uma boa maneira de liberar esses patógenos e, talvez, desencadear uma nova pandemia.

Por outro lado, o desmatamento desenfreado corre o risco de transformar a floresta tropical de um sumidouro de carbono em uma fonte de carbono (conforme as árvores crescem, elas absorvem CO2 e armazenam carbono; quando morrem, esse carbono armazenado é liberado). Também pode desencadear um colapso maior de todo o ecossistema da floresta tropical. As florestas tropicais criam seus próprios sistemas climáticos, incluindo a precipitação. À medida que o tamanho da floresta tropical diminui, ela prolonga a estação seca da floresta, provocando um aquecimento e secagem ainda maiores, matando árvores na floresta próxima ainda intacta e, eventualmente, fazendo com que todo o ecossistema passe da floresta tropical para a savana. Tal colapso alteraria drasticamente os padrões climáticos em todo o hemisfério sul e aceleraria o caos climático de maneiras que mesmo os ativistas climáticos mais condenados prefeririam não imaginar.

O ponto crítico para tal colapso na Amazônia é entre 20 e 25 por cento do desmatamento, de acordo com um estudo. No momento, 15 a 17 por cento da floresta já foi derrubada. “Se você exceder o limite”, disse Carlos Nobre, um especialista brasileiro em clima e florestas tropicais, “50 a 60 por cento da floresta poderia ser extirpada em três a cinco décadas”.

O desmatamento em grande escala começou no Brasil na década de 1970 com políticas governamentais que encorajaram o assentamento e continuou desimpedido pelos próximos 20 anos. Entre 1978 e 2001, a quantidade de terras desmatadas quadruplicou. No geral, a população da Amazônia aumentou de 2,9 milhões em 1960 para 25,5 milhões em 2010. A extração de madeira também prosperou, à medida que a demanda por mogno e outras madeiras nobres na Ásia e na Europa disparou na década de 1990.

Em 2000, os danos do desmatamento estavam causando protestos entre os ativistas, e as autoridades brasileiras entraram em ação. Parques nacionais e reservas indígenas foram criados, e essas proteções foram rigorosamente aplicadas com um serviço florestal robusto e orçamento. Entre 2002 e 2016, a taxa de desmatamento caiu drasticamente. “Estávamos controlando tudo”, diz Astrini. Em seu pico, o Brasil provavelmente reduziu as emissões em mais de 1,3 gigatoneladas de CO2 por ano. Em comparação, em seu melhor ano, os EUA, o Japão e a UE juntos reduziram as emissões em menos de um quarto disso.

Mas quando Bolsonaro assumiu o cargo em 2019, esse progresso terminou. Sua coalizão vencedora de nacionalistas de direita e centristas pró-desenvolvimento não deu a mínima para a mudança climática. Ele imediatamente cortou orçamentos para monitoramento e fiscalização na Amazônia. “Bolsonaro disse basicamente: ‘Estamos abertos para negócios’”, diz Schmidt do NRDC. “’Se vocês querem desmatar, não vamos fazer qualquer fiscalização sobre isso.’ ”

Menos de um ano após a posse de Bolsonaro, a Amazônia explodiu em chamas. Mais de 3.500 milhas quadradas da floresta tropical queimadas, escurecendo os céus em São Paulo e chamando a atenção internacional para a destruição da floresta tropical sob a supervisão de Bolsonaro. Bolsonaro culpou as ONGs, que estavam tentando “trazer problemas para o Brasil”. O presidente francês Emmanuel Macron chamou as políticas de desmatamento de Bolsonaro de “ecocídio” e tuitou: “Nossa casa está pegando fogo. Literalmente. A floresta amazônica – os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta – está em chamas. É uma crise internacional. ”

Bolsonaro não se arrependeu, dizendo a Macron e a todos os outros que se esquivassem: “A Amazônia é nossa, não sua”.

Presidente do Brasil Jair Bolsonaro fala durante o lançamento do Programa "Adote 1 Parque", no Palácio do Planalto, em Brasília, em 9 de fevereiro de 2021. - O programa visa a contribuição de empresas privadas para a manutenção de parques nacionais de preservação ambiental.  (Foto de EVARISTO SA / AFP) (Foto de EVARISTO SA / AFP via Getty Images)

Depois de assumir o cargo, Bolsonaro cortou orçamentos para monitorar a fiscalização da preservação na Amazônia.. Evaristo Sa / AFP / Getty Images

Agora, com tanto em jogo na próxima reunião da COP26, ou seja, as negociações sobre mudança climática da ONU programadas para novembro deste ano, a questão é o que fazer com as demandas de extorsão da floresta tropical de Bolsonaro. Qualquer esperança de atingir a meta de 1,5 C depende de frear drasticamente o desmatamento no Brasil. Mas qualquer esperança de frear drasticamente o desmatamento depende da ação de Bolsonaro. E por ser bandido, a única maneira de fazer isso é pagando-lhe (ou, se preferir, pagando à nação do Brasil, o que dá no mesmo).

Esta não é uma ideia nova. O Fundo Verde para o Clima, por exemplo, que as nações ricas do mundo prometeram financiar a um nível de US $ 100 bilhões por ano, é expressamente projetado para pagar às nações mais pobres para que façam coisas que evitarão as emissões de CO2. O Fundo Amazônia, que nações desenvolvidas criaram para salvar a floresta tropical, gastou mais de US $ 500 milhões em projetos para prevenir e combater o desmatamento (a Noruega foi o maior contribuinte até cortar o financiamento em resposta à política de corte e queima de Bolsonaro). Na campanha eleitoral no ano passado, Biden chegou ao ponto de prometer que mobilizaria as nações para pagar ao Brasil US $ 20 bilhões para impedir que o país sul-americano destruísse a floresta tropical.

Do ponto de vista do Bolsonaro, o problema é que todo esse dinheiro vem com restrições. Requer supervisão, envolvimento do cidadão, transparência na contabilidade. Bolsonaro quer usá-lo para o que quiser, diz Astrini, “incluindo pagar seus amigos e apoiadores”.

Portanto, este é o dilema agora. Biden e os líderes da UE estão fazendo um grande esforço em direção à COP26, na esperança de demonstrar que o fantasma de Trump se foi e que o mundo está finalmente levando a sério a crise climática. Será impossível fazer isso se o Brasil não estiver a bordo – e Bolsonaro, é claro, sabe disso, o que lhe dá muita margem de manobra nas negociações.

ONGs brasileiras e outros têm escrito cartas à Casa Branca, dizendo a Biden para não confiar em uma palavra que Bolsonaro diz. “Estamos sendo informados de que os EUA estão basicamente caindo em uma armadilha com o Brasil”, diz Alden Meyer, um analista de política climática de longa data que agora trabalha no E3G, um grupo de estudos sobre mudança climática. “Estamos sendo informados de que ele está assumindo compromissos que não tem intenção de cumprir, e que eles não teriam os tipos de estruturas para garantir o bom uso dos fundos, mesmo que fossem comprometidos.”

Em vez de ceder ao Bolsonaro, a Casa Branca e outros que estão envolvidos nas negociações climáticas estão tentando essencialmente cortar Bolsonaro e sua equipe fora das negociações. Ou pelo menos neutralize-os. Isso significa tentar criar incentivos para os governos estaduais no Brasil que estão empenhados em limitar o desmatamento, bem como encontrar novas maneiras de aplicar pressão econômica.

Uma ferramenta é a ação do consumidor. “Os produtos associados ao desmatamento estão se tornando diamantes de sangue”, diz Schmidt. “Cada vez mais, as pessoas não querem ter nada a ver com eles.” A UE propôs uma série de restrições à importação de produtos derivados do desmatamento, e restrições semelhantes estão em andamento em vários estados, incluindo Nova York e Califórnia.

Outra nova proposta é uma iniciativa de parceria público-privada de US $ 1 bilhão chamada de Coalizão de Redução de Emissões pela Aceleração de Financiamento Florestal, ou LEAF. O esforço, que foi anunciado na cúpula do clima de Biden, envolveria grandes empresas como Amazon, Salesforce e GlaxoSmithKline. Eles comprariam créditos de redução de emissões de projetos florestais em países ao redor do mundo – essencialmente pagando aos países para manter suas florestas saudáveis.

“Nosso kit de ferramentas nas últimas duas décadas tem sido investir muito dinheiro em problemas climáticos e tentar convencer os governos a seguir em frente”, disse Schmidt. “Agora, nosso kit de ferramentas consiste em cenouras e palitos. Temos atores corporativos, atores subnacionais. Existem muito mais opções para tentar impulsionar a mudança do que há alguns anos atrás. ”

A dinâmica política no Brasil também está mudando rapidamente. O ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Salles, está sendo investigado por uma série de crimes relacionados à exportação de milhares de carregamentos de madeira ilegal. O filho mais velho de Bolsonaro, Flavio, eleito para o Senado no mesmo ano em que seu pai conquistou a presidência, foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro por roubo de dinheiro público. Outros membros da família, incluindo a esposa de Bolsonaro, também foram implicados em vários negócios financeiros desagradáveis.

A popularidade de Bolsonaro também está em rápido declínio, impulsionada por seu tratamento desastroso da pandemia de Covid (ele a chamou de “uma pequena gripe”), que contribuiu para a morte de quase meio milhão de brasileiros. A raiva e as divisões políticas estão crescendo. Em maio, mineiros selvagens abriram fogo com armas automáticas contra uma reserva indígena Yanomami na Amazônia (cinco pessoas morreram, incluindo duas crianças que se afogaram ao tentar fugir). A fome está aumentando. No final de maio, dezenas de milhares de brasileiros foram às ruas para exigir o impeachment de Bolsonaro.

Com a eleição presidencial se aproximando em 2022, muitos ativistas brasileiros do clima abandonaram a esperança de influenciar Bolsonaro e já estão olhando para uma nova liderança. “Estamos tentando trabalhar com a sociedade civil – bancos, agronegócios, lideranças indígenas, universidades – para saber como fazer o Brasil passar de pária a líder”, diz Astrini. “Estamos cruzando o deserto agora – mas os desertos têm um fim.”

Mas, como o reinado criminoso de Bolsonaro deixou tudo muito claro, as florestas tropicais também o fazem.

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pela revista “Rolling Stone” [Aqui!]

Calculadora online de impactos do garimpo ilegal na Amazônia será lançada nesta quarta-feira (9)

Apresentação da nova ferramenta, resultante de parceria entre o MPF e a Conservação Estratégica, será transmitida ao vivo, a partir das 15h

calculadora

O Ministério Público Federal (MPF) e a organização não-governamental Conservação Estratégica (CSF-Brasil) lançam, nesta quarta-feira (9), às 15h, a “Calculadora de Impactos do Garimpo Ilegal de Ouro”. O evento será transmitido pelo YouTube da CSF e conta com a participação de representantes do MPF. A nova ferramenta vai possibilitar o cálculo dos danos socioambientais gerados pela extração ilegal de ouro na Amazônia, a partir da combinação de critérios como quantidade de ouro extraída, tipo de garimpo utilizado, local da extração, área afetada, entre outros.

A iniciativa é fruto de parceria entre a Força Tarefa Amazônia do MPF, a Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise da Procuradoria-Geral da República (Sppea/PGR) e a CSF. No evento online de lançamento, participam a procuradora da República no Amazonas, Ana Carolina Haliuc Bragança, o secretário da Sppea/PGR, Pablo Barreto, e o economista e Diretor da CSF-Brasil, Pedro Gasparinetti, além de outras pessoas que participaram do desenvolvimento do projeto. 

A calculadora ficará disponível em uma plataforma on-line aberta ao público e vai ajudar a nortear a atuação do MPF e de outras instituições, como a Polícia Federal, o Ibama e o Ministério da Saúde, na prevenção, responsabilização e compensação dos danos do garimpo ilegal. A calculadora vai conferir maior celeridade e fidedignidade à apuração de valores monetários a serem requeridos, por exemplo, em ações civis públicas ajuizadas pelo MPF sobre o tema. Também vai auxiliar no cálculo de multas e indenizações.

Para chegar ao valor financeiro do dano ambiental e social causado, a calculadora leva em conta as perdas geradas pelo desmatamento, assoreamento dos rios, contaminação por mercúrio e impacto sobre comunidades indígenas e ribeirinhas. Para se ter uma ideia dos resultados que podem ser obtidos com a ferramenta, a extração de 1kg de ouro gera um impacto de R$ 940 mil a R$2 milhões, dependendo das hipóteses consideradas. A maioria desses danos está relacionada aos impactos do mercúrio sobre a saúde humana. 

Serviço 
Lançamento da “Calculadora de Impactos do Garimpo Ilegal de Ouro”
Data: 9 de junho (quarta-feira)
Horário: 15h
Transmissão ao vivo pelo YouTube da CSF

fecho

Este texto foi inicialmente publicado pelo MPF do Amazonas [Aqui!].

Retirar direitos sim, aumentar impostos não: o “setor produtivo” campista e a política do tiro no pé

bolas

O Brasil é um dos países do mundo onde os trabalhadores mais pagam impostos e os ricos, contraditoriamente, ficam praticamente isentos de arcar com o funcionamento da sociedade.  Por outro lado, uma das características da atual onda ultraneoliberal é retirar direitos trabalhistas para, obviamente, aumentar os já fabulosos lucros dos grandes conglomerados financeiros, sem que isso motive os membros dos estamentos empresariais a se insurgir contra o encurtamento da capacidade de compra dos trabalhadores públicos, mesmo em cidades em que a maioria das vagas de emprego sejam garantidos pelos diferentes níveis de governo, como é, aliás, o caso de Campos dos Goytacazes.

Eis que agora se ouve uma gritaria por parte daqueles que assistiram mudos à retirada de direitos trabalhistas dos servidores públicos municipais em razão de um tímido pacote de reforma tributária enviado pelo prefeito Wladimir Garotinho para turbinar o orçamento público.  O fato é que se olharmos a estrutura da tributação municipal não será difícil ver que os mais pobres são desigualmente penalizados com o pagamento de impostos, e que os mais ricos (o tal “setor produtivo”) receberam o filé mignon do ciclo petrorrentista, sem que isso tenha gerado qualquer elemento da capilarização social.

O mais curioso é que vereadores que não hesitaram em votar por cortar até o “vale coxinha” dos servidores públicos municipais agora aparecem em programas de rádio, a maioria de baixíssima qualidade é verdade, para se mostrarem sensíveis às demandas do “setor produtivo” que quer ver o diabo, mas não um ajuste mínimo no valor de impostos que já deveriam ter sido reajustados faz muito tempo. 

Se eu fosse servidor público municipal, eu continuaria indo na Câmara de Vereadores para pressionar para que os vereadores que votaram massivamente para reduzir seus direitos, agora o façam da mesma forma para reajustar os impostos dos mais abastados. Afinal, pau que bate em Chico, tem que bater em Francisco, não é?

Finalmente, não chega a ser surpresa que estejamos em uma situação tão calamitosa no município quando se coloca no tal “setor produtivo” um bando de gente que vive da especulação imobiliária. É o verdadeiro tiro no pé, pois em vez de se fortalecer a capacidade de consumo dos trabalhadores, o que se faz é deixar de cobrar impostos de quem deve pagar.

Razer faz parceria com ClearBot para limpar oceanos de maneira inteligente

Em comemoração ao Dia Mundial dos Oceanos, a Razer apoiará nova startup para redesenhar seu robô com IA (inteligência artificial) que limpa plásticos marinhos; a Razer também celebra um novo marco de sustentabilidade alcançado com a campanha #GoGreenWithRazer, que tem como mascote o Sneki Snek, e lança novos produtos para salvar ainda mais árvores.

unnamed (28)

São Paulo, 9 de junho de 2021 –A Razer, marca líder global de estilo de vida para gamers, acaba de anunciar uma parceria com a startup de limpeza de resíduos marinhos ClearBot em comemoração ao Dia Mundial dos Oceanos (8 de junho). Em linha com o plano de sustentabilidade #GoGreenWithRazer da Razer, que tem metas para os próximos dez anos, a parceria complementa a vertical de investimentos verdes da companhia, que apoiará startups focadas no meio ambiente e sustentabilidade, oferecendo as melhores ferramentas e recursos para ajudá-las a crescer.

Frente a um cenário de aproximadamente 11 milhões de toneladas de plástico chegando aos oceanos a cada ano, as empresas que trabalham pela limpeza dos oceanos frequentemente enfrentam dificuldades com tecnologia ultrapassadas, altos custos e baixa eficiência. A ClearBot projeta robôs que utilizam inteligência artificial (IA) para identificar diferentes tipos de resíduos plásticos marinhos e coletar informações sobre esses poluentes nos oceanos para proteger a vida aquática. Os robôs da ClearBot são programados para recuperar estes resíduos, que posteriormente serão descartados de forma responsável.

“Estamos extremamente felizes com a oportunidade de trabalhar com uma startup focada em salvar o meio ambiente”, diz Patricia Liu, diretora da Razer. “A ClearBot tem uma IA única e tecnologia avançada de machine learning que permitirão e capacitarão governos e organizações de todo o mundo a ampliarem seus esforços de sustentabilidade. Pedimos a outras startups inovadoras que procurem a Razer em busca de oportunidades de colaboração enquanto nos empenhamos para tornar o mundo um lugar mais seguro para as gerações futuras”.

Limpeza de resíduos marinhos com tecnologia AI

Pela parceria com a ClearBot, os principais engenheiros e designers da Razer ofereceram voluntariamente seus tempos pessoais e conhecimentos técnicos para ajudarem a transformar um protótipo em um produto que possa ser produzido em escala e comercializado em massa. Com o amplo conhecimento e know-how de fabricação da Razer, a ClearBot evoluiu o design do seu robô para um modelo mais inteligente e eficiente, totalmente automatizado e equipado com recursos de ponta de IA e machine learning, comos quais é capaz de detectar plásticos marinhos em até dois metros de distância mesmo em águas agitadas e coletar até 250 kg de plásticos em apenas um ciclo, funcionando com energia solar.

“As orientações e sugestões do time da Razer para resolver os problemas de resíduos marinhos foram extremamente reveladoras. Somos gratos à equipe que doou seu tempo para este projeto”, disse Sidhant Gupta, CEO da ClearBot. “Com o novo modelo de robô, estamos confiantes para ampliar nosso alcance globalmente a fim de proteger as águas marinhas, começando com parceiros como os operadores de portos marítimos na Ásia e ONGs que já manifestaram interesse no projeto. Junto com a Razer, esperamos realizar mudanças positivas para o mundo.”

Para impulsionar a participação ativa da comunidade durante o Dia Mundial dos Oceanos deste ano, a ClearBot iniciou uma convocação por meio de seu programa de coleta de dados sobre resíduos plásticos marinhos. A comunidade é incentivada a enviar fotos de resíduos plásticos marinhos que são comumente encontrados em águas abertas para o site da ClearBot. A equipe de pesquisa e design irá adicionar essas informações ao banco de dados existente da ClearBot para ajudar a melhorar o algoritmo de detecção de resíduos do robô.

Para saber mais sobre a ClearBot ou participar do programa, acesse o site https://www.cle a rbot.org

Para mais informações sobre o roteiro de sustentabilidade de 10 anos da Razer, clique aqui .

Para mais informações sobre a vertical de investimentos verdes da Razer, clique aqui .

Sneki Snek retorna com um novo marco alcançado

Em março de 2021, a Razer reagiu à enorme demanda da comunidade e renovou seu compromisso com o movimento #GoGreenWithRazer, liderado por sua mascote de sustentabilidade Sneki Snek. Em parceria com a Conservation International, a empresa ampliou sua meta de proteção de árvores das 100 mil iniciais para 1 milhão, e para comemorar o sucesso das mais de 300 mil árvores salvas até o momento, a Razer anuncia que lançará novos produtos Sneki Snek a cada 100 mil árvores a partir de agora e até que a meta final de 1 milhão de árvores salvas seja alcançada.

unnamed (30)

Neste momento, a Razer lança dois produtos Sneki Snek: a máscara facial com olhos do Sneki Snek, que tem um design acolchoado com acabamento aveludado para um maior conforto, e o tapete Razer Sneki Snek que protege o chão de desgastes diários e conta com revestimento antirruído para livre movimentação da cadeira. Em linha com os objetivos de sustentabilidade da mascote Razer, a máscara e o tapete são feitos de materiais 100% reciclados.

Para atrair e motivar os fãs de Sneki Snek a ajudarem a salvar ainda mais árvores, a Razer também revelou o próximo produto que será lançado quando a marca de 400 mil árvores for alcançada: pantufas Razer Sneki Snek, que serão macias e de pelúcia para garantirem passos mais confortáveis em direção a um mundo mais sustentável. Disponíveis com exclusividade na loja Razer.com, a receita de cada item Sneki Snek vendido é revertida em ajuda à Conservation International para salvar dez árvores. Os produtos não estão disponíveis para consumidores residentes no Brasil.

Para mais informações, acesse o site da campanha .

Imagens e Vídeo

Assista o vídeo da Razer x ClearBot aqui

Baixe as imagens dos produtos em alta resolução, clique aqui

Sobre a Razer

A Razer é a marca líder mundial em estilo de vida para gamers e seu logotipo, uma cobra de três cabeças, é um dos mais reconhecidos símbolos entre a comunidade global de jogadores e profissionais de e-Sports. Com uma base de fãs presente em todos os continentes, a empresa projetou e construiu o maior ecossistema de hardware, software e serviços para gamers do mundo.

A premiada linha de produtos da Razer vai de periféricos gamer de alto desempenho (para PC e consoles) aos poderosos laptops Razer Blade. Já a plataforma de software da Razer, que tem mais de 125 milhões de usuários, inclui o Razer Synapse (um sistema gratuito para configuração de recursos de seus produtos), o Razer Chroma (tecnologia proprietária de retroiluminação RGB) e o Razer Cortex (software desenvolvido para melhorar o desempenho de games e que atua no centro de toda a experiência do jogador).

Entre os serviços oferecidos pela Razer está o Razer Gold, um dos principais créditos virtuais unificados do mundo para gamers, e a Razer Fintech, uma das maiores redes de pagamento digital no Sudeste Asiático. Fundada em 2005 e com sedes em Irvine e Cingapura, a Razer tem 18 escritórios em todo o mundo e é reconhecida como a marca líder para jogadores nos EUA, Europa e China. A Razer está listada na bolsa de valores de Hong Kong.

Os limites do desmatamento da Amazônia e das florestas tropicais

Breaking-Boundaries-The-Science-of-Our-Planet
A Netflix acaba de lançar o documentário Rompendo Barreiras: Nosso Planeta (Breaking Boundaries) , de Johan Rockström e David Attenborough, sobre como a humanidade levou a Terra para além dos limites que a mantiveram estável por 10 mil anos, desde o início da civilização. O documentário mostra quão perto estamos de alguns pontos de ruptura (tipping points). Fala também da necessidade que se apresenta à humanidade de engajamento numa transição que seria impensável há poucas décadas.

Dois desses limites – o da perda de biodiversidade e o da mudança climática – têm relação direta com o desmatamento das florestas tropicais.

As florestas tropicais abrigam a maior biodiversidade terrestre e fluvial do planeta. O atual ritmo de desmatamento destas florestas é responsável por aproximadamente 20% das emissões globais de gases de efeito estufa. Estes gases são assim chamados por segurarem calor na atmosfera.

No Brasil, as emissões geradas pelo desmatamento são 45% do total de emissões do país. Só o desmatamento da Amazônia é responsável por 36%. A destruição piora o aquecimento global e acelera a extinção de espécies.

Em um trabalho já clássico, o climatólogo Carlos Nobre e o biólogo Thomas Lovejoy sugerem que a Amazônia ruma rapidamente para o rompimento de seu limite. Este rompimento fará com que partes da floresta passem a se transformar em áreas degradadas, vastos campos sujos.

Isto ocorreria porque o equilíbrio da floresta Amazônica é fruto de uma delicada, mas massiva corrente de transporte de água. Esta corrente nasce no Oceano Atlântico e chega aos Andes, onde dobra em direção ao sul. A corrente não é linear, mas sim composta por sucessivos ciclos de chuva e evapotranspiração da floresta. Remover as árvores enfraquece, portanto, a corrente. Uma quantidade menor de água circulando na região, por sua vez, é fatal para o tamanho da floresta. Espécies arbóreas menores e menos sedentas tomam o lugar do grande emaranhado de árvores e espécies simbióticas.

Nobre e Lovejoy estimam que o ponto de ruptura deve acontecer quando a floresta perder entre 20% e 25% da sua cobertura original. Mas em que ponto estamos neste processo? A parte brasileira do bioma Amazônico ocupava no tempo das caravelas portuguesas uma área de quase 4,2 milhões de km2. Segundo o INPE 2 , 17% do bioma já foi perdido. Nobre, no entanto, acredita que a perda está mais próxima dos 20%. Isto porque ele considera no cálculo as áreas severamente degradadas e aquelas onde a floresta está se recuperando (embora sem a riqueza anterior).

Antes de falar mais de alguns processos que podem nos levar a ultrapassar este limite, vale lembrar que, entre 2004 e 2012, foi possível reduzir o desmatamento anual em mais de 20 mil km2. Isto mostra que é possível frear a destruição. Se uma ação assemelhada às daquele período se somasse a programas de restauração florestal em escala, a floresta voltaria a fixar muito carbono. E criaria as condições para o reestabelecimento de sua biodiversidade.

Apesar disso, nos últimos anos, o desmatamento da Amazônia voltou a crescer seguidamente. O sinistro do meio ambiente, Ricardo Salles, cunhou a expressão “passar a boiada” para a destruição dos regramentos infralegais que vem fazendo com uma terrível competência. O Congresso, agora presidido por aliados de Bolsonaro, está fazendo passar a boiada legal com consequências ainda mais danosas. Se aprovadas, a combinação de três projetos de lei pode fazer a Floresta Amazônica ultrapassar seu ponto sem volta e se tornar um imenso campo sujo.

Para sabermos mais sobre os Projetos de Lei que ameaçam a preservação ambiental do país, a Agência Lupa e o Fakebook.eco prepararam um material explicando quatro propostas que tramitam no Congresso e por que elas são tão perigosas para o avanço do desmatamento da Amazônia.

Duas delas são o Projeto de Lei que “anorexiza” o licenciamento ambiental e o PL da Grilagem. Este último acaba por incentivar a ocupação ilegal de grandes glebas de Terras Públicas. Se aprovados, estes dois PLs imporão uma sentença de morte para parte importante da floresta ao sul do rio Amazonas.

Em sua versão atual, o PL do licenciamento dispensa, por exemplo, a licença ambiental para ampliação e melhoria de estradas. Esta é uma receita historicamente comprovada para o aumento do desmatamento. Muitas das estradas na Amazônia, existentes e projetadas, estão cercadas por Terras Públicas. Uma vez implantadas ou melhoradas as estradas, entra em ação o “PL grilagem”, que permite a regularização autodeclarada de até 2.500 hectares. Este PL dá um sinal claro para a ocupação dessas terras públicas. Este processo tem implantado redes de estradas vicinais e ramais que, nas imagens de satélite, aparentam “espinhas de peixe”.

Uma olhada rápida na dinâmica de ocupação das áreas próximas a novas estradas indica que se desmata anualmente 2 km2 de floresta para cada quilômetro de estrada ampliada e/ou asfaltada . Na lista de desejos por estradas do governo, estão o trecho de 850 km da BR 319 no estado do Amazonas, os 215 km que ligam Humaitá a Lábrea e o trecho final da BR 163 até Itaituba. São quase 1.400 km que – se as tendências históricas permanecerem – podem levar ao desmatamento de 83.000 km2 até 2050.

Outra intenção declarada e insistente do governo Bolsonaro é a de abrir as Terras Indígenas à mineração, o que por si só é um desastre irrecuperável, basta ver o lago formado onde era a cava de Serra Pelada. Porém, o PL também autoriza a construção de hidrelétricas sem a devida consulta aos Povos Indígenas. Junte isso com a “anorexização” do licenciamento ambiental e a lista de desejos do setor elétrico – poderemos ver mais 2.500 km2 de floresta ocupados por reservatórios de hidrelétricas

As boiadas podem vir a deixar de ser somente figura de linguagem. Os vastos campos sujos em um solo sabidamente pobre, como o de muitas regiões da Amazônia, oferecem pouca oportunidade alternativas à engorda de gado em pastos degradados. Se ainda houver mercado consumidor de carne bovina.

Somando o nível de destruição que já foi causado à Amazônia com os 85 mil km2 provocados pelas possíveis novas leis e levando em conta que temos quase 30 anos até 2050, não ultrapassar o ponto de não retorno significa conter os desmatamentos ilegal e legal em menos de 4.000 km2 por ano. Isso é mais ou menos um terço do que foi desmatado em 2020. É um valor nunca antes visto nos registros deste país – e praticamente impossível na rota que o atual governo está seguindo.

E governo federal e Congresso ainda querem mexer na demarcação de terras indígenas…

__________

2 Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais: https://www.inpe.br/faq/index.php?pai=6

Ao longo do trecho paraense da BR-163, entre Castelo dos Sonhos e Jardim de Ouro, entre os anos de 2000 e 2019, esta taxa foi de 2,9 km2/ano/km. A expansão da BR-364, entre Porto Velho e Rio Branco, também entre 2000 e 2019 está associada a um desmatamento de 1,0 km2/ano/km. Essa estimativa pode estar subestimada. A ocupação de Rondônia com o asfaltamento da BR 364 entre Cuiabá e Porto Velho nos 40 anos entre 1980 e 2019 levou o estado a perder 120 mil km2 de floresta, metade da área do estado. Isso corresponde a uma taxa pouco mais de 4 km2/ano por km de estrada.

Esta área corresponde aos lagos dos projetos das usinas de Tabajara, Castanheira, Bem Querer e do Complexo do Tapajós. Há outras, como a de Marabá, que ficaram de fora desta conta, por estarem fora da área da floresta propriamente dita ou por serem consideradas pouco prováveis de serem viabilizadas no horizonte de 30 anos.

Níveis globais de CO2 continuaram a aumentar apesar da pandemia

As emissões aumentaram para 419 partes por milhão em maio, a maior medida em 63 anos em que os dados foram registrados

usina terme

Uma usina termelétrica a carvão emite uma nuvem de fumaça em Independence, Missouri. Fotografia: Charlie Riedel / AP

Por Katharine Gammon para o “The Guardian”

Os dados são os seguintes: os níveis de dióxido de carbono na atmosfera atingiram 419 partes por milhão em maio. Os níveis atingiram agora a perigosa marca de serem 50% mais altos do que quando a era industrial começou – e a taxa média de aumento é mais rápida do que nunca.

O número é a medição mais alta do gás de efeito estufa crucial nos 63 anos que os dados foram registrados no Observatório de Linha de Base Atmosférica de Mauna Loa no Havaí – apesar da desaceleração nas viagens aéreas e na indústria durante uma pandemia global no ano passado.

A taxa média de aumento de 10 anos também estabeleceu um recorde, agora para 2,4 partes por milhão por ano.

Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), o motivo é complexo. As emissões globais caíram 6,4% em 2020, mas dada a variabilidade sazonal e natural, reduções modestas não teriam um grande impacto na contagem global de emissões de carbono. E mesmo com a queda das emissões, incêndios florestais queimando árvores liberaram dióxido de carbono – talvez até em uma taxa semelhante à redução modesta das emissões do impacto da pandemia na economia global.

“O botão de controle final sobre CO atmosférico 2 são as emissões de combustíveis fósseis”, geoquímico Ralph Keeling, cujo pai começou a coleta de dados no local do Mauna Loa, disse a NOAA . “Mas ainda temos um longo caminho a percorrer para conter o aumento, pois a cada ano mais CO 2 se acumula na atmosfera. No final das contas, precisamos de cortes que são muito maiores e sustentados por mais tempo do que as paralisações relacionadas à Covid em 2020 ”.

Para cumprir as metas dos acordos climáticos de Paris – manter o aumento da temperatura em 1,5 ° C – o relatório do Programa Ambiental das Nações Unidas conclui que os países precisam cortar suas emissões globais em 7,6% a cada ano durante a próxima década.

“Alcançar 50% mais dióxido de carbono do que o pré-industrial é realmente estabelecer um novo padrão, e não de uma maneira positiva”, disse a cientista climática da Universidade Cornell, Natalie Mahowald, que não fez parte da pesquisa.

“Se quisermos evitar as piores consequências das mudanças climáticas, precisamos trabalhar muito mais para reduzir as emissões de dióxido de carbono e imediatamente.”

O laboratório de Mauna Loa, que fica em um vulcão no meio do Oceano Pacífico, combina duas observações complementares para chegar ao valor importantíssimo do dióxido de carbono. O nível atual não existia na Terra desde o Plioceno, entre 4,1 milhões e 4,5 milhões de anos atrás – e os mares globais estavam 78 pés acima dos níveis atuais.

O aumento anual de 1,8 partes por milhão em maio foi ligeiramente menor do que nos anos anteriores, embora as medições mensais de 2021 mostrem que este ano pode estar mais próximo do aumento médio de 2,3 partes por milhão.

Os cientistas se concentram em maio como o mês com os maiores níveis de dióxido de carbono do ano, porque vem antes que as plantas e árvores no hemisfério norte comecem a sugar dióxido de carbono durante a estação de crescimento do verão. Então, no outono e inverno, as plantas e o solo liberam dióxido de carbono de volta para a atmosfera.

A Associated Press contribuiu para este relatório

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP confirma a existência de uma estratégia federal de disseminação da COVID-19 no Brasil

Mortes-por-Covid-no-Brasil-1

Um estudo realizado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo em parceria com a Organização Não-Governamental Conectas Direitos Humanos até janeiro de 2021 e, desde então, com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, coletou as normas federais e estaduais relativas ao enfrentamento da pandemia da COVID-19 para avaliar o seu impacto sobre os direitos humanos no Brasil. A linha do tempo revela que foi implantada no âmbito do governo Bolsonaro uma estratégia de disseminação da  COVID-19 no Brasil.

O documento é composto de duas partes principais: o relatório, que apresenta a metodologia e a síntese dos resultados do estudo; e a linha do tempo, que apresenta a sistematização dos dados coletados.  O estudo teve por objetivo aferir a hipótese de que está em curso no Brasil uma estratégia de disseminação da Covid-19, promovida de forma sistemática em âmbito federal.  O estudo se baseia em pesquisa documental com dados de caráter público, realizada por equipe interdisciplinar com competências nas áreas de  Saúde Pública, Direito, Ciência Política e Epidemiologia, tendo como fontes normas federais, jurisprudência, discursos oficiais, manifestações públicas de autoridades federais e busca em plataformas digitais. A coleta de dados para fins específicos deste estudo compreendeu o período de 03/02/20 a 28/05/21, e buscou informações correspondentes a eventos (ações e omissões) que demonstram a presença de intencionalidade, aqui compreendida simplesmente como a confluência entre a consciência dos atos e omissões praticados, e a vontade de praticá-los.

A coleta resultou na identificação de três tipos de evidências:  a) atos normativos adotados na esfera da União, incluindo vetos presidenciais; b) atos de governo, que compreendem ações de obstrução de medidas de contenção da doença adotadas por governos estaduais e municipais, omissões relativas à gestão da pandemia no âmbito federal, e outros elementos que permitam compreender e contextualizar atos e omissões governamentais; e c) propaganda contra a saúde pública, aqui definida como o discurso político que mobiliza argumentos econômicos, ideológicos e morais, além de notícias falsas e informações técnicas sem comprovação científica, com o propósito de desacreditar as autoridades sanitárias, enfraquecer a adesão popular a recomendações de saúde baseadas em evidências científicas, e promover o ativismo político contra as medidas de saúde pública necessárias para conter o avanço da COVID-19.

Os resultados do estudo apontam para uma confluência entre esferas normativa, de gestão e discursiva da resposta federal à pandemia, havendo coerência entre o que se diz e o que se faz. Os autores da pesquisa apontam que procede, portanto, a hipótese da existência de estratégia de disseminação da doença, por meio, em suma, dos seguintes atos e omissões:  

1) Defesa da tese da imunidade de rebanho (ou coletiva) por contágio (ou transmissão) como forma de resposta à Covid-19, disseminando a crença de que a “imunidade natural” decorrente da infecção pelo vírus protegeria os indivíduos e levaria ao controle da pandemia, além de estimativas infundadas do número de óbitos e da data de término da pandemia;

2) Incitação constante à exposição da população ao vírus e ao descumprimento de medidas sanitárias preventivas, baseada na negação da gravidade da doença, na apologia à coragem e na suposta existência de um “tratamento precoce” para a COVID-19, convertido em política pública;

3) Banalização das mortes e das sequelas causadas pela doença, omitindo-se em relação à proteção de familiares de vítimas e de sobreviventes, propalando a ideia de que faleceriam apenas pessoas idosas ou com comorbidades, ou pessoas que não tivessem acesso ao “tratamento precoce”

4)  Obstrução sistemática às medidas de contenção promovidas por governadores e prefeitos, justificada pela suposta oposição entre a proteção da saúde e a proteção da economia, que inclui a difusão da ideia de que medidas quarentenárias causam mais danos do que o vírus, e que elas é que causariam a fome e o desemprego, e não a pandemia;

5) Foco em medidas de assistência e abstenção de medidas de prevenção da doença, amiúde adotando medidas apenas quando provocadas por outras instituições, em especial o Congresso Nacional e o Poder Judiciário;

6) Ataques a críticos da resposta federal, à imprensa e ao jornalismo profissional, questionando sobretudo a dimensão da doença no país; e

7) Consciência da irregularidade de determinadas condutas.

Irresponsável e negacionista, Bolsonaro é contaminado pela Covid-19 |  Partido dos Trabalhadores

Os responsáveis pelo estudo apontam ainda que, embora não exaustiva, a linha do tempo seria suficiente para oferecer uma visão de conjunto de um processo vivido de forma fragmentada. Segundo eles, os resultados da pesquisa afastam a persistente interpretação de que haveria incompetência e negligência da parte do governo federal na gestão da pandemia. Ao contrário, a sistematização de dados revela o empenho e a eficiência em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional, declaradamente com o objetivo de retomar a atividade econômica o mais rápido possível, o que segundo o Tribunal de Contas da União, configura a  opção política do governo Bolsonaro de priorizar a proteção econômica..

Finalmente, os pesquisadores chamam a atenção a persistência do comportamento de autoridades federais brasileiras diante da vasta disseminação da doença no território nacional e do aumento vertiginoso do número de óbitos, embora instituições como o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal tenham apontado, inúmeras vezes, a inconformidade à ordem jurídica brasileira de condutas e de omissões conscientes e voluntárias de gestores federais, assim como o fizeram, incansavelmente, entidades científicas e do setor da saúde.

Solos do mundo ‘sob grande pressão’, diz relatório da ONU

Os solos fornecem 95% de todos os alimentos, mas são danificados pela poluição industrial, agrícola, da mineração e urbana

glyphosate spray

O herbicida glifosato é pulverizado em um campo de milho no noroeste da França. Fotografia: Jean-François Monier / AFP / Getty

Por Damian Carrington, editor de Meio Ambiente do “The Guardian”

Os solos do mundo, que fornecem 95% dos alimentos da humanidade, estão “sob grande pressão”, de acordo com um relatório da ONU sobre a poluição dos solos.

soil seed

Os solos também são o maior estoque ativo de carbono, depois dos oceanos, e, portanto, cruciais no combate à crise climática. Mas o relatório disse que a poluição industrial, mineração, agricultura e gestão deficiente de resíduos estão envenenando os solos, com o princípio do “poluidor pagador” ausente em muitos países.

Os poluentes incluem metais, cianetos, DDT e outros agrotóxicos e produtos químicos orgânicos de longa duração, como PCBs, disse o relatório, tornando os alimentos e a água inseguros, reduzindo a produtividade dos campos e prejudicando a vida selvagem. No entanto, ele disse que a maioria das emissões de poluentes que acabam nos solos não são facilmente quantificadas e, portanto, o verdadeiro dano permanece altamente incerto.

A produção global de produtos químicos industriais a cada ano dobrou desde 2000 para 2,3 bilhões de toneladas, disse o relatório, e está projetada para quase dobrar novamente até 2030, o que significa que a poluição do solo deve aumentar ainda mais. A ONU também alerta sobre contaminantes emergentes, incluindo produtos farmacêuticos, antimicrobianos que levam a bactérias resistentes a medicamentos e plásticos.

“Os solos globais estão sob grande pressão”, disse Qu Dongyu, chefe da organização de alimentos e agricultura da ONU. “Esta fina crosta da superfície da Terra, o solo, sustenta toda a vida terrestre e está envolvida em muitos serviços ecossistêmicos essenciais para o meio ambiente e para a saúde e o bem-estar humanos.”

Inger Andersen, chefe do programa ambiental da ONU (Unep), disse: “A poluição do solo pode ser invisível aos olhos humanos, mas compromete os alimentos que comemos, a água que bebemos e o ar que respiramos. A poluição não conhece fronteiras – os contaminantes se movem pelo solo, pelo ar e pela água.

“É hora de nos reconectarmos com nossos solos, pois é aí que começa a nossa alimentação”, disse ela. “A poluição do solo não deveria mais ser uma realidade oculta. Vamos todos ser parte da solução para a poluição do solo. ”

O futuro dos solos parece “sombrio” e seu estado é pelo menos tão importante quanto a emergência climática e a destruição do mundo natural acima do solo, de acordo com os cientistas por trás de outro relatório da ONU sobre a biodiversidade do solo , publicado em dezembro. Desde a Revolução Industrial, cerca de 135 bilhões de toneladas de solo foram perdidas em terras agrícolas e, uma vez que leva milhares de anos para os solos se formarem, é necessária a proteção e restauração urgente dos solos restantes, disseram os cientistas.

O novo relatório da ONU conclui: “Os contaminantes do solo podem ter consequências irreparáveis ​​para a saúde humana e do ecossistema”. A maior fonte de poluição do solo varia por região, concluiu. O maior problema é a poluição industrial na Europa Ocidental e América do Norte, agricultura na Ásia, América Latina e Europa Oriental, e mineração na África Subsaariana. No norte da África e no próximo leste, a poluição urbana é a maior fonte de contaminação.

“A etapa fundamental para identificar o responsável pela poluição ainda está faltando em muitos estados”, disse o relatório. “Espera-se que a poluição do solo aumente, a menos que haja uma rápida mudança nos padrões de produção e consumo e um compromisso político em direção a uma gestão sustentável real onde a natureza seja totalmente respeitada.”

“É necessário um maior compromisso político, empresarial e social para buscar alternativas ao uso de contaminantes altamente tóxicos e para aumentar o investimento em pesquisa, prevenção e remediação”, disse o relatório, observando que limpezas após a poluição podem custar centenas de milhões de dólares . Os solos do mundo também estão sendo danificados por outros fatores, incluindo erosão, acidificação, contaminação por sal e compactação.

Um relatório de 2017 descobriu que um terço das terras do planeta está gravemente degradado e que o solo fértil estava sendo perdido a uma taxa de 24 bilhões de toneladas por ano. O secretário de meio ambiente do Reino Unido disse em 2017 que o país estava de 30 a 40 anos longe da “ erradicação fundamental da fertilidade do solo ” em alguns lugares.

fecho

Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Países ricos não têm nenhum plano para cumprir suas promessas de financiamento climático, indica relatório

Membros do G7 anunciaram recuperação verde pós-pandemia em 2020, enquanto investiam

tearfund
US $190 bi em combustíveis fósseis, revela Tearfund Os planos de financiamento climático dos países desenvolvidos são fracos e imprevisíveis, alerta o relatório da CARE divulgado hoje (3/6) . O estudo “Compromissos Ocos” analisou 24 planos recentes anunciados pelos países ricos e afirma que nenhum deles forneceu informações sobre como e quando as promessas serão cumpridas. A pesquisa afirma também que os países não explicam de que forma seus novos compromissos contribuem com a meta de US $100 bilhões para o financiamento climático das nações pobres estabelecida na Conferência do Clima de Copenhague (COP15), em 2009, para o ano de 2020.

O tema deve estar na pauta do próximo encontro do G7, quando líderes de Reino Unido, Canadá, EUA, Alemanha, França, Japão e Itália se encontrarão na Cornualha, Inglaterra, entre 11-13 de junho. Coréia do Sul, Austrália, Índia e África do Sul também participarão do evento como convidadas.

A recuperação da economia após a COVID-19 também será assunto do G7. Enquanto as principais economias anunciavam em 2020 projetos para “reconstruir melhor”, com sustentabilidade e justiça social, os países do G7 injetaram quase US ﹩190 bilhões em combustíveis fósseis no mesmo período, revela um levantamento liderado pela Tearfund, uma agência internacional cristã de ajuda humanitária.

Segundo a pesquisa, carvão, petróleo e gás receberam US $189 bilhões em apoio, em comparação com US $147 bilhões para formas limpas de energia, desde o início da pandemia. Nos planos de recuperação, mais de 8 em cada 10 dólares foram comprometidos com combustíveis fósseis sem nenhuma contrapartida verde.

O histórico recente do Reino Unido destaca a tensão entre as ambições verdes do governo e as decisões de gastos reais do Tesouro: o país assumiu os maiores compromissos per capita com os combustíveis fósseis do G7, com apenas 4% deste apoio tendo qualquer critério de sustentabilidade associado. Por outro lado, o Reino Unido anunciou o fim do apoio público a projetos de combustíveis fósseis no exterior e a proibição em 2030 de novos carros a gasolina e diesel.

Além da Tearfund, colaboraram com a pesquisa o Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável ( IISD ) e a ODI , que trabalharam com organizações em cada país para analisar 517 políticas aprovadas desde o início da pandemia.

“Se cada um dos líderes do G7 não anunciar claramente em Cornualha, no dia 11, um aumento significativo no financiamento climático para cumprir e superar sua promessa de US $100 bilhões até 2020 e aumentar em trilhões de dólares as medidas de recuperação verde global, isso só pode ser interpretado como uma quebra maciça de confiança e responsabilidade”, avalia Tasneem Essop, diretora executiva da Climate Action Network.

Para Mohamed Adow, diretor do think tank Power Shift Africa, as descobertas dos dois estudos são “terríveis”. “O processo da ONU, e de qualquer negociação razoável, só funciona se uma das partes puder confiar na outra para fazer o que foi acordado, o que foi prometido. Os países mais ricos prometeram 100 bilhões de dólares até 2020 e ainda assim decidiram simplesmente não cumprir esta obrigação”, declarou.

A jovem ativista Vanessa Nakate, do Fridays For Future Uganda, afirmou que os países ricos têm “obrigação moral” de ajudar países pobres na transição dos combustíveis fósseis. “A demanda por eletricidade na África pode dobrar nos próximos dez anos e, com o atraso dos países ricos, o dinheiro está saindo de seus bancos para construir mais infraestrutura de combustíveis fósseis que nós não queremos.”

Diann Black-Layne, embaixadora de Antígua e Barbuda, comentou os resultados em evento da ONU, e afirmou em nome do grupo de países-ilha (AOSIS) que o financiamento climático não pode ser confundido com financiamento ao desenvolvimento. “O financiamento necessário para se recuperar após um furacão não é financiamento para o desenvolvimento. Sejamos claros: o financiamento climático paga pelo impacto da poluição de outros”.

O garimpo ilegal de ouro ameaça os povos indígenas

Povos indígenas do Brasil estão à mercê de um número crescente de garimpeiros ilegais de ouro

yanomamiCaminho da devastação: prospecção ilegal de ouro no território Yanomami (Roraima, 17 de abril de 2016)

Por Norbert Suchanek, Rio de Janeiro

Enquanto dezenas de milhares de pessoas no Brasil se manifestavam contra o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro no sábado por causa de sua desastrosa política de combate à pandemia da COVID-19, outra catástrofe está ocorrendo na região amazônica. Os povos indígenas do Brasil, cujo habitat é a floresta tropical, estão pagando a conta de que o ouro é tradicionalmente considerado uma moeda substituta à prova de inflação, especialmente em tempos de crise como a atual pandemia. O preço do metal precioso mais do que quadruplicou desde 2005, de 11.544 euros por quilo para o valor recorde de 49.800 euros no ano passado.

Especialmente na reserva Yanomami no norte do estado do Amazonas, na fronteira com a Venezuela, cada vez mais garimpeiros ilegais estão destruindo corredores cada vez maiores, inclusive para pistas de pouso na floresta tropical. Imagens de satélite e fotografias aéreas mostram que a mineração de ouro cresceu significativamente este ano. Só no primeiro trimestre deste ano, 200 hectares de floresta tropical foram devastados, de acordo com a avaliação das gravações encomendadas pela Associação Yanomami Hutukara. Desde o início desta terceira invasão de garimpeiros de ouro desde 1980 na área protegida demarcada de Yanomami e Ye’kwana de 1992 nos estados de Roraima e Amazonas há cerca de dez anos, a mineração ilegal destruiu um total de 2.600 hectares de floresta. Os cerca de 28.000 indígenas hoje enfrentam um exército de cerca de 20.000 garimpeiros,

“O estudo mostra que a mineração ilegal na reserva Yanomami continua aumentando”, disse o porta-voz da Hutukara, Dário Kopenawa. Ele teme uma nova escalada e um massacre como o último em 1993, quando 22 garimpeiros e chamados pistoleiros brasileiros atacaram a aldeia Yanomami de Haximu, no lado venezuelano da área tribal, e massacraram 16 homens, mulheres e crianças. Pela primeira vez na história do Brasil, cinco dos perpetradores foram acusados ​​de genocídio e condenados a longas penas de prisão. Mas, depois de apenas seis anos de prisão, foi libertado Pedro Emiliano Garcia, um dos principais perpetradores, que volta a atuar no negócio ilegal de ouro em Roraima.

Há um perigo iminente de mais genocídio contra os povos indígenas, advertiu o procurador-geral adjunto do Brasil, Luciano Maia, no ano passado. Mas não apenas a violência física ameaça os garimpeiros. Eles também arrastam doenças infecciosas e epidemias para a reserva. Segundo Hutukara, os casos de malária entre os Yanomami quadruplicaram desde 2014. O coronavírus também foi introduzido e já causou vários óbitos, principalmente em crianças. Pelo menos dez crianças Yanomami morreram em conseqüência disso. E não só: “Eles também poluem nossos rios com mercúrio”, criticou Kopenawa. Para separar o pó de ouro fino da lama,

A Reserva Yanomami não é a única área tribal infestada por garimpeiros ilegais no Brasil. Na semana passada, os Munduruku no estado do Pará, no Amazonas, relataram novos ataques de garimpeiros ilegais. E o Rio Madeira tem sido um dos afluentes do Amazonas mais poluídos com mercúrio há anos.

Na verdade, o governo federal pouco faz para neutralizá-lo. Pelo contrário: “Temos um presidente e um ministro do Meio Ambiente que defendem e promovem a exploração ilegal do ouro”, disse Francilene dos Santos Rodrigues, socióloga da Universidade Federal de Roraima. »Existe um lobby que favorece os grandes, que financia os grandes ou compra os políticos de vários partidos. Políticos eleitos pelo povo, mas pagos para aprovar leis que incentivem a exploração dos territórios indígenas. “

fecho

Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal berlinense Jugen Welt  [Aqui!].