Retirar direitos sim, aumentar impostos não: o “setor produtivo” campista e a política do tiro no pé

bolas

O Brasil é um dos países do mundo onde os trabalhadores mais pagam impostos e os ricos, contraditoriamente, ficam praticamente isentos de arcar com o funcionamento da sociedade.  Por outro lado, uma das características da atual onda ultraneoliberal é retirar direitos trabalhistas para, obviamente, aumentar os já fabulosos lucros dos grandes conglomerados financeiros, sem que isso motive os membros dos estamentos empresariais a se insurgir contra o encurtamento da capacidade de compra dos trabalhadores públicos, mesmo em cidades em que a maioria das vagas de emprego sejam garantidos pelos diferentes níveis de governo, como é, aliás, o caso de Campos dos Goytacazes.

Eis que agora se ouve uma gritaria por parte daqueles que assistiram mudos à retirada de direitos trabalhistas dos servidores públicos municipais em razão de um tímido pacote de reforma tributária enviado pelo prefeito Wladimir Garotinho para turbinar o orçamento público.  O fato é que se olharmos a estrutura da tributação municipal não será difícil ver que os mais pobres são desigualmente penalizados com o pagamento de impostos, e que os mais ricos (o tal “setor produtivo”) receberam o filé mignon do ciclo petrorrentista, sem que isso tenha gerado qualquer elemento da capilarização social.

O mais curioso é que vereadores que não hesitaram em votar por cortar até o “vale coxinha” dos servidores públicos municipais agora aparecem em programas de rádio, a maioria de baixíssima qualidade é verdade, para se mostrarem sensíveis às demandas do “setor produtivo” que quer ver o diabo, mas não um ajuste mínimo no valor de impostos que já deveriam ter sido reajustados faz muito tempo. 

Se eu fosse servidor público municipal, eu continuaria indo na Câmara de Vereadores para pressionar para que os vereadores que votaram massivamente para reduzir seus direitos, agora o façam da mesma forma para reajustar os impostos dos mais abastados. Afinal, pau que bate em Chico, tem que bater em Francisco, não é?

Finalmente, não chega a ser surpresa que estejamos em uma situação tão calamitosa no município quando se coloca no tal “setor produtivo” um bando de gente que vive da especulação imobiliária. É o verdadeiro tiro no pé, pois em vez de se fortalecer a capacidade de consumo dos trabalhadores, o que se faz é deixar de cobrar impostos de quem deve pagar.

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