UFRJ reúne maiores especialistas do mundo para pensar o futuro pós-COVID

Conferência internacional debaterá os amanhãs desejáveis em áreas como sustentabilidade e inteligência artificial

POST COVID

O novo coronavírus mudou a forma que todos viviam. Entrelaçou uma crise sanitária sem precedentes a problemas sociais, econômicos e ambientais, aprofundando desigualdades, a polarização política e social, além dos desafios de governança global. Neste momento tão desafiador para a Humanidade, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) conseguiu reunir alguns dos mais importantes pensadores do mundo para discutir, de forma crítica e abrangente, qual futuro nos espera – e, mais do que isso, quais amanhãs são desejados e possíveis nos anos pós-Covid.

A Conferência Internacional “Desirable Tomorrows”, que, em virtude da pandemia, acontecerá de forma virtual, será aberta, no dia 29 de abril, pela reitora da UFRJ, professora Denise Pires de Carvalho, e por Jerson Lima, presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). O primeiro painel, que debaterá as tendências e desafios do mundo pós-Covid, terá entre os participantes a economista Mariana Mazzucato, considerada uma das mais influentes do mundo.
 
Prêmio Nobel de Química, o suíço Kurt Wüthrich também é um dos palestrantes do evento. Ele irá proferir a conferência magna em maio, quando serão realizados cinco painéis. Em um deles, Miguel Centeno, da Universidade de Princeton, lembrará que é preciso ter resiliência, pois não existe um ˜Planeta B˜. Martin Rees, da Universidade de Cambridge, perguntará ˜se teremos um novo século pela frente˜. O encontro internacional será encerrado no início de junho. As inscrições para quem quiser assistir ao evento on-line já estão abertas (http://desirabletomorrows.org/register).

Durante o período, serão trazidos à tona temas diversos, mostrando que o papel da pesquisa e do conhecimento científico são cruciais para que sociedade e governos possam enfrentar a crise multidimensional que hoje ocorre. Entre as tendências e desafios do mundo pós-Sars Cov-2, a academia, junto da sociedade civil, irá debater como construir um futuro mais sustentável e equitativo; iniciativas rumo à transição energética, o impacto da Inteligência Artificial na sociedade, entre outros, sempre indagando como a ciência e a tecnologia podem contribuir para um futuro benigno, superando as ameaças e riscos de colapso.

A ideia dos organizadores era realizar a conferência, de modo presencial, em setembro do ano passado, quando a UFRJ celebrou seu centenário. Por conta da pandemia, o plano original teve que ser alterado, mas a proposta de mergulhar em uma reflexão sobre o futuro se manteve. Mais do que nunca, a missão da Universidade pública, patrimônio da sociedade, se mostra estratégica e crucial para combater o obscurantismo e promover conhecimento científico.

A conferência, organizada pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos (Fórum de Ciência e Cultura) e pelo Programa de Internacionalização (PRINT) da UFRJ, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, será transmitida no YouTube do FCC com tradução simultânea.


Confira a programação.

Painel 1: O Mundo Pós-COVID: Tendências e Desafios (29 de abril, às 10h30m)

Painel 2: A Urgência da Mudança Social: Construindo um Futuro Sustentável e Equitativo (3 de maio, às 11h, e 4 de maio, às 13h)

Conferência Magna: Professor Kurt Wüthrich (2002 Prêmio Nobel de Química 2002) – 3 de maio às 14h30m

Painel 3: Mudança Climática, Biodiversidade e a Governança Ambiental – Desafios Globais e suas Implicações (11 de maio, às 9h30m e 11 de maio às 14h)

Painel 4: Inteligência Artificial e seu impacto na sociedade (18 de maio às 14h)

Painel 5: Fronteiras da Biologia e da Medicina (25 de maio, às 10h e às 14h)

Painel 6: Transição Energética: Desafio para o Século 21 (31 de maio às 10h)

Painel de Encerramento: Daqui para Onde? Geopolítica, Política, Tecnologia, e Economia para o Mundo Pós-Covid (7 de junho às 10h).

A íntegra dos painéis pode ser encontrada no link:

No “Dia da Terra”, um Brasil mais pária do que nunca

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O presidente Jair Bolsonaro e o ex-chanceler Ernesto Araújo, dois dos grandes artífices do “Brasil pária”. Sergio LIMA / AFP)

No dia em que se teoricamente é celebrado o “Dia da Terra”, o Brasil se encontra em uma condição que provavelmente será celebrada efusivamente pelo ex-chanceler olavo-bolsonarista Ernesto Araújo que dava de ombros para as crescentes evidências de que o nosso país estava se transformando em uma espécie de pária internacional, um leproso da comunidade das Nações. Araújo considerava esse situação uma espécie de sinalização da volta triunfal de São Sebastião que Antonio Conselheiro, barbudo como ele, sonhava seria a redenção dos brasileiros.
A condição de pária se espalhou e o Brasil é visto hoje como um país que realiza um dos piores, senão o pior, enfrentamentos da pandemia da COVID-19, deixando seu povo à mercê de um vírus letal que rapidamente torna as filas dos cemitérios em graves congestionamentos. Mas não no Brasil de Bolsonaro não tem bastado deixar morrer, pois também existem evidências de que os doentes estão sendo deixadas em condições dramáticas sem sequer existirem os medicamentos necessários para anestesiá-los para enfrentar o doloroso procedimento da intubação.
Entretanto, a pandemia da COVID-19 é apenas uma gota nesse oceano de iniquidades em que o Brasil está afogado que reforça a nossa condição de pária. A destruição dos mecanismos de comando e controle e o aumento desenfreado da destruição ambiental e dos ataques aos povos indígenas servem como um poderoso argumento de que em negociações estratégicas acerca do futuro da economia global, o governo brasileiro é colocado nos últimos postos de prioridade sobre os que têm algo a dizer.
As recentes tentativas do governo Bolsonaro de chantagear o presidente dos EUA, o democrata Joe Biden, a liberar bilhões para que o Brasil cumpra suas obrigações em termos da proteção da Amazônia e dos povos indígenas serviu apenas para estraçalhar o pouco de reputação diplomática que ainda se tinha após a desastrosa passagem de Ernesto Araújo pela chancelaria brasileira. O resultado disso é que na Cúpula Climática organizada pelo governo dos EUA, não estaremos entre os primeiros, sequer os principais, palestrantes do evento.

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O presidente Jair Bolsonaro falando hoje (22/04) na Cúpula Climática organizada pelo governo dos EUA, com o assento do presidente Biden vazio já que ele se ausentou minutos antes da manifesta~çao do líder brasileiro
Mas também não nos esqueçamos dos últimos alertas dados por Rússia e China sobre o excesso de agrotóxicos na soja e da persistente presença de coronavírus nas exportações de carne. É muito provável que estejamos diante da certeza da impunidade e de uma suposta condição de insubstituibilidade brasileira na oferta dessas commodities agrícolas. Esse é apenas mais um erro grotesco de um grupo de governantes, que além de se guiar por formas estreitas de entender o mundo também não possuem o menor entendimento de como as relações internacionais realmente operam.
As recentes sinalizações de impaciência por parte dos capitalistas brasileiros que pedem um mínimo de sentido nas ações do governo Bolsonaro são outra sinalização de que a condição de pária já assombra até quem investiu pesado na eleição do atual presidente. Entretanto, essa impaciência só levará a fatos concretos se da crescente condição de pária internacional desfrutada pelo país resultarem perdas econômicas. Enquanto isso, na ausência de uma oposição política substancial, o Brasil continuará afundando no pântano que essas mesmas elites nos colocaram.

Joe Biden vê a proteção do clima como uma questão de segurança nacional

Com uma conferência de cúpula virtual, o presidente Biden anuncia sua reivindicação à liderança. Para seu governo, a política climática não é mais “apenas” proteção ambiental. O quão sustentável é essa atitude ainda está para ser visto.

topekaAs medidas de isolamento contra o coronavírus resultaram em ruas mais vazias, como aqui em um cruzamento em Topeka em abril de 2020, e, portanto, também reduziram as emissões. Charlie Riedel / AP

Por Peter Winkler, de Washington DC, para o “Neue Zürcher Zeitung”

Primeiro, a boa notícia, que está escondida atrás de uma má: a pandemia da COVID-19, com suas quase 600.000 mortes e as medidas para combatê-la, reduzirá as emissões de gases de efeito estufa nos EUA em 2020, de acordo com estimativas do instituto de pesquisa independente Rhodium Grupo im Em comparação com o ano anterior, reduziu em 10,3 por cento para 5,2 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. Este é o maior declínio desde a Segunda Guerra Mundial e excede em muito o após a crise financeira e econômica de 2008 (-6,3%). Em comparação com as emissões de 2005, as emissões caíram 21,7% no ano passado. Isso é melhor do que a meta que os EUA estabeleceram na conferência climática de Copenhague (-17%)e traz o segundo maior produtor de gases de efeito estufa, depois da China, a um nível de emissão inferior ao de 1990 pela primeira vez.

Para ser bom demais para ser verdade

Se isso fosse resultado de uma mudança estrutural, os EUA poderiam olhar para o futuro com confiança. No Acordo Climático de Paris, ao qual eles voltaram após um rompimento forçado sob o presidente Donald Trump, eles tinham como meta uma redução de 26% a 28% em 2025 em relação a 2005. As medidas estruturais teriam um efeito duradouro e o objetivo estaria claramente ao nosso alcance. O problema é que o declínio em 2020 não foi em grande parte resultado de mudanças estruturais, mas sim de razões econômicas: é principalmente devido ao colapso da atividade econômica, que se refletiu em uma redução do produto interno bruto de 3,5% em comparação com 2019.

Se as previsões sobre a confiabilidade das vacinações contra a COVID-19 forem confirmadas, 2021 deve trazer uma recuperação rápida. Sem medidas direcionadas para reduzir estruturalmente os gases de efeito estufa, as emissões também aumentarão novamente. Segundo o Wall Street Journal, esse processo já está em pleno andamento. Em sua previsão para o ano corrente, a Agência Internacional de Energia vê um aumento nas emissões de 4,8% nos EUA; isso desfazeria uma parte significativa do declínio do ano passado.

Também há desenvolvimentos estruturais positivos. Em 2019, pela primeira vez desde 1885 , os EUA consumiram mais energia renovável do que carvão. Foi quando a escalada industrial da América começou, transformando o país em uma superpotência, mas também transformando o Oriente e o Meio-Oeste em uma enorme floresta de chaminés fumegantes. O governo americano quer agora contrariar essa imagem com uma nova: os EUA como pioneiros na “descarbonização” da economia, que deve limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius e poupar a Terra dos piores efeitos colaterais das mudanças climáticas.

Os EUA têm sido “pouco confiáveis” até agora

O governo do presidente Joe Biden fez muito para mostrar aos seus próprios cidadãos e ao exterior que está levando a proteção do clima a sério novamente. Isso é tanto mais importante quanto a América tem um problema de credibilidade. Como Ian Bremmer da consultoria de risco estratégico Eurasia Groupem uma conferência recente, apropriadamente disse: “Os EUA têm sido pouco confiáveis ​​na política climática.” Sob os presidentes Clinton (Kyoto) e Obama (Copenhague e Paris), a Casa Branca tentou usar acordos internacionais para preparar o país para a proteção do clima. Mas ambas as tentativas correram na areia. As ambições de Clinton foram interrompidas pelo Senado, as metas climáticas de Obama tornaram-se obsoletas com a vitória de Donald Trump nas eleições. Resta saber se a política climática de Biden também terá um impacto duradouro sobre os rivais políticos desta vez.

Com uma conferência de cúpula virtual, com a participação de 40 chefes de estado e de governo de todo o mundo e muitas celebridades empresariais internacionais, os Estados Unidos querem sublinhar na quinta e na sexta-feira que estão entrando na onda da proteção climática e imediatamente entrando na cabine do motorista . Lá, ele gostaria de varrer o mundo com um ímpeto renovado em direção a metas climáticas mais ambiciosas. Para tal, espera-se que Biden proceda com um gesto corajoso: com o compromisso de que os EUA reduzirão as suas emissões de gases com efeito de estufa em cerca de metade até 2030 em relação a 2005. Já que 17 estados estão participando da cúpula do clima, que juntos são responsáveis ​​por 80% das emissões, o governo em Washington está contando com uma espécie de “efeito dominó positivo”. Ela espera,

O governo Biden considera a proteção do clima uma questão estratégica de segurança nacional. Ela também está convencida de que nenhum país tem uma posição de partida comparável para realizar a mudança com ações decisivas: impulsionado por uma economia inovadora e uma indústria financeira robusta, que se baseiam na iniciativa privada e têm redes de rotas de entrega e investimentos em todo o mundo .

Olhar de soslaio para a liderança da China

O ministro das Relações Exteriores, Antony Blinken, também deixou claro em um discurso antes da cúpula em Annapolis que os EUA não vêem as mudanças climáticas apenas como uma ameaça, mesmo que o primeiro objetivo deva, é claro, ser evitar essa ameaça. Os Estados Unidos também querem ver a política climática como uma oportunidade de obter uma posição de destaque na produção de energia renovável e tecnologias livres de CO 2 de todos os tipos, em um mercado com enorme potencial de crescimento. Blinken destacou que os EUA se consideram competidores da China. Pequim está atualmente à frente de Washington como o maior fabricante e exportador de células solares, turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos: “A China detém quase um terço das patentes mundiais no campo de energias renováveis.”

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo Neue Zürcher Zeitung [Aqui!].

Remédios também estão acabando no Brasil

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Por Marjon van Royen para o “De Groene Amsterdammer”

Rio de Janeiro – “Nossos opiáceos e relaxantes musculares se foram”, diz uma enfermeira do maior hospital público do Rio. Portanto, a intubação agora é “mecânica”: o paciente é amarrado à maca. Em seguida, o tubo da máquina de respiração é empurrado à força através dos músculos contraídos da garganta, traquéia e tórax até os pulmões. “Isso é uma tortura na prática”, disse a enfermeira ao jornal O Globo .

No hospital público Albert Schweitzer, as pessoas usam respirador enquanto estão totalmente conscientes. Há dias eles diluem remédios. Mas agora a anestesia acabou. Essas pessoas também estão amarradas. “Do contrário, eles tiram o aparelho dos pulmões”, diz o médico de plantão.

O inferno previsto de Dante está lá. Desde 16 de março, hospitais e governadores vêm soando o alarme. Os hospitais estão lotados devido à perigosa variante P1 do coronavírus, que se originou em Manaus. Os médicos descrevem o sofrimento insuportável sem essas drogas. Eles apontam para a morte desesperada de dezenas de milhares de pessoas quando o oxigênio também acaba.

Mas o governo de extrema direita Jair Bolsonaro não está fazendo nada. “Não cabe a nós, mas aos estados adquirir esses medicamentos”, afirmou o ministro da Saúde. Uma mentira. Mas exatamente o que estados mais ricos como São Paulo e Rio fizeram. Dois dias depois, chega uma ordem de Bolsonaro: ‘Apreenda todos os medicamentos para intubação comprados pelos governadores. Só nós cuidamos da distribuição.

Portanto, agora mais e mais pessoas em hospitais estão sendo torturadas. “É um inferno”, diz uma enfermeira. ‘Para os pacientes pelo que eles suportam. Para nós, por causa do que fazemos a eles. ‘

Na sexta-feira passada, um avião da China pousou com 2,3 milhões de kits de intubação. (34,2 milhões de kits foram usados ​​no Brasil apenas em março.) Não uma compra do governo, mas uma doação de vários bancos e empresas brasileiras. O governo imediatamente apreendeu. São Paulo agora recebe 17% dos medicamentos que pedem. “O suficiente para três dias”, calculou o governador.

No Rio, o enfermeiro Carlos da Silva (32) está agora por toda a cidade em busca de anestesia para sua mãe entubada. Ela contraiu o coronavírus no mesmo hospital quando seu braço foi colocado. ‘Eu tenho economias. Mas, mesmo com dinheiro, não há nada para se ter ‘, diz ao Globo . “Eu não sei mais o que fazer.”

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Este texto foi escrito originalmente em holandês e publicado pelo jornal “De Groene Amsterdammer” [Aqui! ]

Deu no New York Times: promessa repentina de Bolsonaro de proteger a Amazônia é recebida com ceticismo

A era Biden levou o Brasil a tomar medidas para reparar seu histórico de canalha ambiental – pelo qual está buscando bilhões de dólares da comunidade internacional

times 1Victor Moriyama para o The New York Times

Por Manuela Andreoni e  para o The New York Times

Esta história foi produzida em parceria com a Rainforest Investigations Network do Pulitzer Center.

RIO DE JANEIRO – Enquanto o governo Biden reúne a comunidade internacional para conter o aquecimento global em uma cúpula sobre mudança climática nesta semana, o Brasil se compromete a desempenhar um papel crítico, chegando ao ponto de prometer acabar com o desmatamento ilegal até 2030.

Há um problema: o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, quer que a comunidade internacional prometa bilhões de dólares para pagar pelas iniciativas de conservação.

E os doadores estão relutantes em fornecer o dinheiro, já que o Brasil sob a administração Bolsonaro tem se ocupado fazendo o oposto da conservação, destruindo o sistema de proteção ambiental do país, minando os direitos indígenas e defendendo as indústrias que impulsionam a destruição da floresta tropical.

“Ele quer dinheiro novo sem restrições reais”, disse Marcio Astrini, que dirige o Observatório do Clima, uma organização de proteção ambiental no Brasil. “Este não é um governo confiável: não na democracia, não no coronavírus e muito menos na Amazônia.”

Por dois anos, Bolsonaro pareceu incomodado com sua reputação de vilão ambiental.

Sob a supervisão de Bolsonaro , o desmatamento na floresta amazônica, de longe a maior do mundo, atingiu o nível mais alto em mais de uma década. A destruição, que foi impulsionada por madeireiros limpando terras para pastagem de gado e para operações de mineração ilegais, gerou indignação global em 2019, quando enormes incêndios florestais ocorreram por semanas.

times 2Victor Moriyama para o The New York Times

O governo Trump fez vista grossa ao histórico ambiental do Brasil no governo de Bolsonaro, um aliado próximo do ex-presidente americano.

Depois que a Casa Branca mudou de mãos em janeiro, os Estados Unidos começaram a pressionar o Brasil para conter o desmatamento, juntando-se à União Europeia, Noruega e outros para alertar que a piora de sua reputação prejudica o potencial econômico do país.

“Queremos resultados concretos”, disse Todd Chapman, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, a um grupo de líderes empresariais brasileiros no início deste mês. “Madeireiros e mineradores ilegais, toda essa atividade ilegal, por que você quer pagar a conta disso?”

Logo após a posse do presidente Biden, altos funcionários de seu governo começaram a se reunir com o ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, em um esforço para buscar um terreno comum antes da reunião climática deste mês.

As reuniões a portas fechadas foram vistas com apreensão pelos ambientalistas, que desconfiam profundamente do governo Bolsonaro. As negociações geraram campanhas frenéticas de ativistas que pretendem alertar as autoridades americanas para não confiarem no governo brasileiro.

Os americanos também precisavam acalmar as penas que haviam se agitado durante a campanha presidencial. Depois que Biden declarou durante um debate que buscaria arrecadar US $ 20 bilhões para salvar a Amazônia, Bolsonaro se irritou, chamando isso de uma “ameaça covarde contra nossa integridade territorial e econômica”.

Mesmo assim, o presidente brasileiro adotou um tom muito mais conciliatório em uma carta de sete páginas que enviou a Biden no início deste mês.

“Temos diante de nós um grande desafio com o aumento das taxas de desmatamento na Amazônia”, escreveu Bolsonaro na carta de 14 de abril, que argumenta que a reputação do Brasil como malfeitor ambiental é imerecida.

Enfrentar esse desafio, acrescentou o líder brasileiro, exigirá um “investimento maciço”.

times 3Victor Moriyama para o The New York Times

Para começar, disse Salles em uma entrevista em março, o governo ficaria feliz em receber os US $ 20 bilhões propostos por Biden, considerando a soma “proporcional aos desafios que temos na Amazônia”.

Se a comunidade internacional se manifestar, disse Salles, “vamos alinhar uma série de ações que podem trazer resultados rápidos”.

O novo compromisso do Sr. Bolsonaro de lutar contra o desmatamento – o que efetivamente restabelece um compromisso do governo brasileiro que seu governo havia abandonado – também ocorre quando seu governo é assolado por uma crise econômica e de saúde cada vez mais profunda devido à pandemia Covid-19, que continua matando milhares dos brasileiros a cada dia.

A reviravolta e a demanda por dinheiro à vista foram recebidas com ceticismo entre diplomatas estrangeiros no Brasil e ambientalistas, que argumentam que o único déficit real do Brasil é de vontade política.

Diplomatas europeus e britânicos vêm trabalhando há meses para pressionar o governo Bolsonaro a se comprometer com a proteção do meio ambiente antes da cúpula do clima das Nações Unidas em novembro.

Suely Araújo, ex-chefe do Ibama, principal agência de proteção ambiental do Brasil, disse que o governo tem acesso a centenas de milhões de dólares que poderiam ser gastos em esforços de conservação em curto prazo.

times 4Victor Moriyama para o The New York Times

Eles incluem um fundo para os esforços de proteção da Amazônia que a Noruega e a Alemanha congelaram em 2019 depois que o governo de Bolsonaro criticou alguns dos projetos e desmontou as salvaguardas para garantir que o dinheiro fosse usado de forma eficaz.

“A ousadia do governo em pedir recursos no exterior é gritante”, disse Araújo. “Por que ele não usa o dinheiro que está aí?”

Organizações ambientais e indígenas expressaram profundo ceticismo sobre a declarada disposição de Bolsonaro de lutar contra o desmatamento e alertaram os doadores internacionais para se absterem de dar ao governo brasileiro dinheiro que temem ser usado para minar a proteção ambiental.

Nas últimas semanas, ambientalistas deram o alarme e celebridades – incluindo o cantor brasileiro Caetano Veloso e o ator americano Leonardo DiCaprio – assinaram uma carta que transmitia “profunda preocupação” com as negociações.

Não há sinais de que o governo Biden esteja considerando se oferecer para financiar os esforços de desmatamento em uma escala significativa, o que exigiria o apoio do Congresso.

Jen Psaki, a secretária de imprensa da Casa Branca, disse na semana passada que os Estados Unidos não esperam anunciar um acordo bilateral com o Brasil na cúpula do clima desta semana.

“Queremos ver um compromisso claro para acabar com o desmatamento ilegal, medidas tangíveis para aumentar a fiscalização efetiva do desmatamento ilegal e um sinal político de que o desmatamento ilegal e a invasão não serão tolerados”, disse ela a repórteres na semana passada.

A Sra. Psaki acrescentou que os Estados Unidos acreditam que é “realista para o Brasil atingir uma redução real no desmatamento até o final da temporada de incêndios de 2021” na Amazônia, que normalmente começa por volta de agosto.

times 5Victor Moriyama para o The New York Times

Especialistas dizem que há poucos motivos para otimismo.

O plano de orçamento anual que o governo Bolsonaro recentemente apresentou ao Congresso inclui o menor nível de financiamento para agências ambientais em duas décadas, de acordo com uma análise do Observatório do Clima.

Depois que o vice-presidente do país, Hamilton Mourão, anunciou a primeira meta do governo para a redução do desmatamento no início deste mês, especialistas apontaram que atingir a meta deixaria o Brasil até o final de 2022 com um nível de desmatamento 16 por cento superior ao de Bolsonaro herdado em 2019.

O governo Bolsonaro está apoiando um projeto de lei que daria anistia aos grileiros, uma medida que abriria uma área da Amazônia pelo menos do tamanho da França para um desenvolvimento amplamente não regulamentado. Outra iniciativa que está  transitando no Congresso facilitaria a obtenção de licenças ambientais por empresas e abriria caminho para operações de mineração legais em territórios indígenas.

E existe uma profunda desconfiança em relação ao Sr. Salles entre ambientalistas e funcionários públicos no campo. Um oficial sênior da polícia federal na Amazônia acusou recentemente o ministro de obstruir uma operação de aplicação da lei contra madeireiros ilegais.

times 6Victor Moriyama para o The New York Times

Os líderes do setor privado estão entre os mais preocupados com o desempenho do governo em relação ao meio ambiente. Embora a China compre quase um terço das exportações do Brasil, os americanos são investidores cruciais em empresas cujas cadeias de abastecimento são vulneráveis ​​ao desmatamento.

Em carta aberta, os chefes de dezenas de grandes empresas brasileiras, incluindo o frigorífico JBS e o banco Itaú, instaram o governo a estabelecer metas mais ambiciosas de redução das emissões de carbono.

“Qualquer trabalho que reduza o desmatamento ilegal beneficia a iniciativa privada”, disse Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, que estava entre os signatários. “O que temo é um boicote do mercado.”

Essa é uma perspectiva que Chapman, o embaixador americano, ressaltou.

“Se as coisas não vão bem, não se trata do que acontece com o governo americano, mas do que acontece com o mundo”, disse ele. “Muitas empresas nos Estados Unidos agora, seus acionistas estão exigindo uma resposta.”

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “The New York Times” [Aqui!].

A proposta climática do Brasil a Joe Biden: pague-nos para não destruirmos a Amazônia por completo

A proposta do presidente Bolsonaro vem no momento em que o Brasil busca apoio dos EUA para conter o desmatamento na maior floresta tropical do mundo

wsj1Os incêndios florestais em toda a floresta tropical do Brasil são quase todos provocados pelo homem e provocados por grileiros. FOTO: CARL DE SOUZA / AGENCE FRANCE-PRESSE / GETTY IMAGES

Por  Paulo Trevisani  e  Timothy Puko para o “The Wall Street Journal”

O governo brasileiro, amplamente criticado por grupos ambientalistas como um administrador negligente da floresta amazônica, fez uma oferta audaciosa ao governo Biden: forneça US $ 1 bilhão e o governo do presidente Jair Bolsonaro reduzirá o desmatamento em 40%.

A proposta foi feita enquanto o presidente brasileiro se preparava para uma cúpula ambiental virtual com cerca de 40 chefes de estado, patrocinada quinta e sexta-feira pelo presidente Biden, que fez do combate às mudanças climáticas uma peça central de seu governo. Governos e ativistas europeus expressaram publicamente desconfiança com as propostas de Bolsonaro sobre o meio ambiente porque ele cortou fundos para agências de proteção ambiental em meio a um aumento no desmatamento.

Mas apoiado por alguns estudiosos influentes e moradores da Amazônia, Bolsonaro argumenta que a única maneira de salvar a selva é por meio de créditos de carbono e financiando atividades econômicas sustentáveis ​​para que as pessoas possam viver da piscicultura, produção de cacau e outras atividades que não o fazem. exigem a destruição de árvores. O tema tem sido central nas conversas que o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, disse que teve nas últimas semanas com autoridades do clima do governo Biden.

O pedido é provavelmente apenas um dos primeiros de muitos semelhantes a seguir quando os países em desenvolvimento começam a negociar com os países industrializados sobre quem paga por programas caros para lidar com a mudança climática. Neste outono, as nações do mundo devem definir metas novas e mais ambiciosas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, e os países em desenvolvimento querem que seus pares mais ricos cumpram as promessas das negociações climáticas originais de Paris de mobilizar US $ 100 bilhões por ano em público e financiamento privado para eles. 

As principais autoridades indianas fizeram isso entre os principais pedidos a John Kerry, o enviado especial do governo Biden para as mudanças climáticas, quando ele a visitou no início deste mês, de acordo com o Ministério das Finanças indiano no Twitter. Autoridades desses países, incluindo o Brasil, dizem que os países industrializados devem prestar contas de suas contribuições históricas para a mudança climática e a necessidade de os cidadãos dos países mais pobres saírem da pobreza.

wsj2Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente do Brasil, calculou que tem direito a até US $ 294 bilhões para reduzir o desmatamento. FOTO: ERALDO PERES / ASSOCIATED PRESS

“Precisamos nos concentrar nas pessoas, os 23 ou 25 milhões de pessoas que vivem na Amazônia”, disse Salles ao The Wall Street Journal em uma entrevista. “É uma área onde se tem o pior índice de desenvolvimento humano de todo o país. É por isso que as atividades ilegais têm sido tão atraentes. ”

Salles disse que o Brasil levou a sério os comentários de Biden, feitos em um debate presidencial em setembro passado, para reunir US $ 20 bilhões de todo o mundo para ajudar o governo brasileiro a reduzir a destruição das florestas. O ministro calculou que o Brasil tem direito a até US $ 294 bilhões pelas grandes reduções que o país fez para conter o desmatamento, embora tenham ocorrido muito antes de Bolsonaro assumir o cargo em 2019.

“Achamos que US $ 1 bilhão, que é apenas 5% dos US $ 20 bilhões que foram mencionados durante a campanha … é uma quantia muito razoável que pode ser mobilizada antecipadamente”, disse Salles.

Ele disse que um terço desse US $ 1 bilhão seria usado para enviar batalhões especializados para fazer cumprir as leis ambientais, enquanto os dois terços restantes ajudariam a financiar bioindústrias nascentes que forneceriam alternativas aos agricultores pobres que cortam e queimam para criar plantações e gado. O Brasil diz que com ajuda externa acabaria com o desmatamento até 2030.

“Se não dermos a essas pessoas esse apoio econômico”, disse Salles, “elas continuarão a ser cooptadas ou incentivadas por atividades ilegais”.

WSJ3O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ao centro, argumenta que a única maneira de salvar a selva é por meio de créditos de carbono e financiando atividades econômicas sustentáveis. FOTO: UESLEI MARCELINO / REUTERS

Funcionários do governo Biden não responderam a perguntas específicas sobre o pedido de US $ 1 bilhão do governo Bolsonaro. Mas uma equipe de clima liderada por Kerry no Departamento de Estado vê o Brasil como um parceiro importante na redução das emissões globais de gases de efeito estufa.

“Temos muito trabalho a fazer” antes de haver um acordo, disse Kerry aos repórteres no domingo, enquanto explicava as discussões diretas sobre o financiamento da proteção florestal que estão ocorrendo com o Brasil. “Mas achamos que realmente vale a pena trabalhar porque a floresta tropical é muito crítica, como sumidouro de carbono, como consumidora de carbono, e está em risco”.

O Sr. Kerry e outros funcionários do Departamento de Estado também enfatizaram a necessidade do governo Bolsonaro demonstrar seu compromisso com o meio ambiente, reduzindo substancialmente o desmatamento. O desmatamento caiu em geral desde agosto, mostram dados oficiais do governo, mas aumentou desde março.

“Queremos ver passos muito claros e tangíveis para aumentar a fiscalização efetiva e um sinal político de que o desmatamento ilegal e a usurpação não serão tolerados”, disse um porta-voz do Departamento de Estado.

O governo Biden propôs US $ 2,5 bilhões em gastos totais em programas internacionais para conter as mudanças climáticas, quadruplicando o orçamento atual. Isso inclui US $ 1,2 bilhão para o Fundo Verde para o Clima internacional, um programa vinculado ao acordo de Paris e que ajudaria países em desenvolvimento como o Brasil a enfrentar as mudanças climáticas e reduzir as emissões. Kerry, em uma recente viagem à Índia, disse que o dinheiro seria apenas uma entrada inicial e que os países industrializados ainda estão trabalhando para cumprir sua promessa de US $ 100 bilhões.

WSJ 4O presidente Biden fez do combate às mudanças climáticas uma peça central de seu governo. FOTO: KEVIN LAMARQUE / REUTERS

Em seguida, Biden “fará seu próprio pagamento, o pagamento do governo Biden, que colocará em dinheiro adicional para esses próximos anos, e acho que isso é necessário para cumprir suas obrigações”, disse Kerry, de acordo com uma transcrição do Departamento de Estado.

Ativistas ambientais temem que, ao envolver Bolsonaro, Biden esteja viabilizando a política pró-desenvolvimento do líder brasileiro e alimentando ainda mais a destruição da maior floresta tropical do mundo, um bioma essencial para um clima global estável. Sob a supervisão de Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia saltou 9,5% no ano que terminou em 31 de julho de 2020, uma alta em 12 anos.

“A credibilidade do governo para coletar fundos de outros governos está totalmente prejudicada”, disse Carlos Rittl, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados de Sustentabilidade da Alemanha. “Este é um discurso de chantagem. O governo deveria realmente fazer algo ”antes de pedir ajuda externa, disse Rittl, que argumenta que o Brasil tem recursos para reduzir drasticamente o desmatamento.

Em contraste, Dan Nepstad, presidente do Earth Innovation Institute, um grupo ambiental com sede em Berkeley, Califórnia, que trabalha com fazendeiros brasileiros e funcionários do governo para apoiar atividades sustentáveis, disse que a estratégia da equipe de Biden de “engajar e construir esse diálogo tem sido uma jogada muito sábia. ”

Ele explicou que no Brasil há uma preocupação crescente por parte do poderoso setor agrícola e de funcionários do governo de que o desmatamento possa prejudicar financeiramente o país. Isso criou mais possibilidades para governos estrangeiros e grupos ambientais envolverem agricultores e autoridades brasileiras para encontrar uma solução.

WSJ 5Uma fotografia aérea de agosto de 2020 mostra a fumaça saindo de incêndios no município de Novo Progresso, no Estado do Pará. FOTO: CARL DE SOUZA / AGENCE FRANCE-PRESSE / GETTY IMAGES

Nepstad disse que a comunidade internacional precisa fazer mais para considerar maneiras de compensar os agricultores no Brasil que estão mantendo a cobertura de árvores na expectativa de que algum tipo de mecanismo seja criado para tornar a floresta mais valiosa financeiramente do que os campos sem árvores.

“Já se falaram anos e anos sobre a importância da floresta sustentável”, disse Nepstad, “e ainda em 2021 não temos um mecanismo robusto para compensar as pessoas que mantêm a floresta em pé”.

Ele acrescentou que “os preços da terra ainda são mais altos sem floresta do que com floresta, e esse é o indicador mais claro de que temos um longo caminho a percorrer”.
 

Escreva para Paulo Trevisani em paulo.trevisani@wsj.com e Timothy Puko emtim.puko@wsj.com

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo “The Wall Street Journal” [Aqui!].

Nós, os destruidores da floresta tropical

Por Philip Bethge para a Der Spiegel

Caro leitor,

Nós, alemães, somos campeões europeus na destruição da floresta tropical. 43.700 hectares de floresta tropical são perdidos todos os anos porque importamos soja, óleo de palma, carne, madeira tropical, cacau e café da América do Sul, África e Sudeste Asiático. Isso é cerca de metade da área de Berlim e mais do que qualquer outro país da UE é responsável.

A organização de conservação da natureza WWF apresentou um estudo esta semana no qual os maiores destruidores da floresta tropical estão listados. Com 16%, a União Europeia (UE) ocupa o segundo lugar, atrás da China (24%) em todo o mundo. Em seguida, vem a Índia (9%), os EUA (7%) e o Japão (5%). 30 a 40 por cento do desmatamento nos trópicos está relacionado ao comércio internacional. O maior prejuízo é causado pela importação de soja da região amazônica, por exemplo, que é principalmente dada para animais aqui – enquanto os fazendeiros ali queimam a selva para ganhar terras aráveis. O óleo de palma, usado em cosméticos ou alimentos, por exemplo, é quase tão ruim quanto.

Os ambientalistas avaliaram dados de análises de imagens de satélite e estudos de fluxos comerciais, que foram compilados pelo Stockholm Environment Institute e pela iniciativa de transparência Trase. A clareira é, portanto, não apenas perceptível em ecossistemas distantes da Europa, mas também afeta o clima global.

A UE causou indiretamente 116 milhões de toneladas de emissões de CO 2 por meio do desmatamento importado em 2017 , relata o WWF. Isso corresponde a mais de um quarto das emissões da agricultura da UE no mesmo ano. Essas emissões indiretas ainda não foram incluídas nas estatísticas de emissões de gases de efeito estufa.

Palm Oil Plantation at the edge of Peat Land Swamp Rainforest

Plantação de óleo de palma, floresta tropical em Bornéu. Nora Carol Photography/ Getty Images

A Alemanha tem a maior responsabilidade entre os países da UE. De todas as coisas. Como isso aconteceu conosco, separadores de lixo apaixonados e comedores de carne orgânica?

É a boa vida que faz a diferença aqui. Quem quer ficar sem chocolate e café? Para bifes suculentos de gado alimentado com soja importada? Em cosméticos com óleo de palma na receita? Mesmo o parquet de madeira tropical ainda pode ser comprado. Tem que ser esse o caso?

Pregar a renúncia repetidamente é barato. Não estamos chegando a lugar nenhum como este. Em vez disso, a legislatura deve finalmente acabar com essa loucura ecológica.

A Comissão da UE anunciou novos regulamentos para 2021 com o objetivo de »minimizar« o risco de desmatamento e danos às florestas em conexão com os produtos que são trazidos para o mercado da UE. Agora é uma questão de moldar essas leis.

O WWF exige que as importações só sejam permitidas se forem realmente sustentáveis ​​e não apenas “legais” de acordo com as informações do país de origem. Nem é preciso dizer que também é preciso verificar se os direitos humanos estão sendo respeitados. Além da floresta, a legislação também deve se relacionar a outros ecossistemas, como o cerrado brasileiro. Em 2018, por exemplo, 23% das importações de soja da UE vieram do Cerrado.

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pela revista Der Spiegel [Aqui!].

ONU detecta aumento significativo de zonas mortas nos oceanos do mundo

Onde quase não há oxigênio, também não há vida – isso também se aplica aos oceanos. De acordo com a ONU, existem mais de 700 zonas mortas nos oceanos do mundo. As causas são a proliferação de algas mortas e as mudanças climáticas.

deadDe acordo com a ONU, o Mar Báltico é também uma das áreas em que emergiu um número particularmente grande de áreas com baixo teor de oxigênio. Stefan Sauer / dpa

O fenômeno ocorre naturalmente em algumas regiões marinhas. Uma das causas é a proliferação de algas. Depois de morrer, as algas afundam lentamente e são decompostas por bactérias que consomem oxigênio. Desta forma, grandes zonas podem se formar nas profundezas em que às vezes quase não há oxigênio na água. A entrada de nutrientes como nitrogênio e fósforo nos oceanos favorece a proliferação de algas.

A ONU vê uma tendência para a situação se deteriorar ainda mais: “Estima-se que a entrada de nitrogênio artificial nas costas dobrará na primeira metade do século 21”, diz o relatório. Além disso, o aumento da temperatura da água teria um impacto negativo devido às mudanças climáticas.

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Este texto foi originalmente publicado em alemão e publicado pela revista Der Spiegel [Aqui!].

“Não confie em Bolsonaro”, seis ativistas ambientais enviam apelo ao Presidente dos Estados Unidos

Jovens do Fridays For Future Brasil enviam carta à Joe Biden no dia da Cúpula do Clima para alertar Joe Biden sobre as políticas ambientais de Bolsonaro

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Nos dias 22 e 23 de abril, o Brasil vai participar de uma reunião virtual com outros 39 líderes mundiais para discutir sobre o aquecimento global. A Cúpula do Clima, ou Summit Action, é uma iniciativa puxada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que recentemente aderiu novamente ao Acordo de Paris.

“Existe muita expectativa em cima de Biden com a volta dos Estados Unidos ao Acordo de Paris, esse encontro servirá de termômetro para vermos se os líderes mundiais terão real compromisso em solucionar a crise climática”, diz Renata Padilha, ativista do movimento Fridays For Future Brasil.

Os ativistas Beatriz Barberato, Dalcio Rocha, Emerson Pataxó, Marcelo Rocha, Mikaelle Faria e Renata Padilha tomaram essa iniciativa com o objetivo de demonstrar seus posicionamentos contrários aos desmontes ambientais do Governo Bolsonaro e alertar Biden para caso haja futuros acordos ambientais com o Brasil. “Bolsonaro não tem compromisso com a vida e nem tão pouco com o meio ambiente, caso algum acordo seja assinado, também estará assinando a sentença de morte para a humanidade inteira”, afirma Emerson Pataxó.

Em carta, os jovens ambientalistas afirmam que “O governo Bolsonaro é inimigo do meio ambiente” e relatam uma série de desmontes ambientais que vêm sendo realizados desde que o atual presidente assumiu o cargo de Presidente da República, destacando alguns acontecimentos como o sucateamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), interrupção no Fundo Amazônia para a preservação da floresta, os constantes ataques aos povos indígenas e os posicionamentos contrários ao Acordo de Paris, os quais podem causar retrocessos nas políticas ambientais propostas pelo acordo internacional firmado em 2015.

Os ativistas destacam que as consequências de uma decisão, de uma assinatura em um novo acordo sem um compromisso real, transparente e comprometido, pode custar a vida de toda a humanidade.
Segundo cientistas, se continuarmos com os negócios de sempre e não tomarmos medidas urgentes contra o aquecimento global e a crise climática, em poucos anos a temperatura média global da Terra poderá subir de 1,5°C até 2°C, ocasionando uma série de mudanças drásticas impactando na disponibilidade de água e alimentos, maior ocorrência de eventos extremos como chuvas fortes, secas e furacões, colocará em risco ecossistemas inteiros, entre outras consequências que os gases de efeito estufa na atmosfera poderão ocasionar ao longo dos anos.

“Estamos em um atual cenário de emergência climática e social, precisamos de medidas urgentes ao combate às alterações climáticas, não há mais tempo para promessas vazias”, diz Mikaelle Faria.

Pedindo também por empatia do Presidente dos Estados Unidos, os seis jovens ressaltam que o governo brasileiro não os representa, e pedem para que Joe Biden não confie no Governo Bolsonaro “Queremos que fiquem do nosso lado, da juventude, do futuro, e o mais importante, do lado da humanidade.” diz Dalcio Costa ativista do Fridays For Future Brasil.

A Cúpula do Clima

A cúpula reunirá 40 países convidados e, além do Brasil, a lista inclui países como Canadá, China, Rússia, México, países da Europa e Ásia, além de Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Nigéria e África do Sul. O encontro é parte do esforço de Joe Biden para tornar a mudança climática real e criar estratégias para o seu enfrentamento.

Traduzindo a notícia: a batata de Ricardo Salles está assando

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O jornal “Folha de São Paulo” publicou hoje uma simpática nota em sua coluna “Painel” onde revela que pesos pesados da economia brasileira (incluindo nomes como Abílio Diniz (Península), André Gerdau (Gerdau), André Esteves (BTG), Elie Horn (Cyrela), Rubens Ometto (Cosan)e Wesley Batista Filho (JBS)) teriam saído “frustrados” de um colóquio virtual organizado pela Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp), o “Conselho Diálogo pelo Brasil”, com o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por entender que ele ainda não “tem a postura esperada” em relação à questão ambiental (ver image abaixo).

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Como nesse grupo não há ninguém que veio ao mundo para bom dia a poste, a verdadeira mensagem que está nesta nota escrita pela jornalista Joana Cunha é que a batata de Ricardo Salles está em estágio avançado de assamento, especialmente à luz das últimas denúncias de que ele virtualmente paralisou a fiscalização de violações ambientais em todo o território brasileiro.

E que se note que a “frustração” das cabeças coroadas do empresariado nacional não tem nada a ver com as práticas de Salles em si, mas à inevitável conclusão que o ambiente de tolerância que existia durante o governo Trump desapareceu com a chegada de Joe Biden. E. pior, que a chegada de Joe Biden significou a volta dos EUA ao circuito das nações que se preocupam com, pelo menos na aparência, em controlar as emissões de gases estufa, nas quais o Brasil é um gigante quando consideradas as oriundas às mudanças na cobertura florestal.

Assim, por “postura esperada” leia-se a necessidade de “play ball” (jogar o jogo) que está sendo ditado pelos principais parceiros comerciais brasileiros, em vez de se abrir o caminho, como Salles está fazendo, para uma destruição explosiva dos biomas florestais da Amazônia e do Cerrado.  Assim, ainda que por motivos puramente pragmáticos, é que a batata de Salles está assando… ou se Salles preferir, a sua vaca está indo para o brejo. Desta forma, mesmo que Salles seja um dos ministros mais amados por Jair Bolsonaro, nem o presidente talvez possa salvá-lo do cadafalso.