Festival EcoBrasil oferece filmes e lives, gratuitamente, nesse final de semana

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A programação do “EcoBrasilFest – Festival EcoBrasil de Arte e Cinema Ambiental” segue durante o final de semana e, além de poder conferir gratuitamente os filmes selecionados pela organização no site oficial do evento (http://www.ecobrasilfest.com.br), o público ainda pode acompanhar as lives que acontecem nesse sábado e domingo, dias 24 e 25, a partir das 16h.

O tema da live de sábado será “Conexões sustentáveis – o impacto social de ações positivas”, e vai contar com a participação do jornalista André Palhano, idealizador do movimento Virada Sustentável, da relações-públicas e empreendedora social Priscila Fonseca, da ONG Vaga Lume, e da ativista Vitória Rubles, do Fridays For Future Brasil, braço brasileiro da organização fundada por Greta Thunberg.

Para o domingo, o encontro será com os produtores culturais e cineastas ambientais Alan Lobo (Festival de Cinema Ambiental da Chapa Diamantina), Doty Luz (Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra Catarinense) e João Pasquale (o organizador do Festival EcoBrasil). Eles vão abordar como a cultura pode influenciar na conscientização ambiental.

Além das lives, o evento também oferece ao público mais 38 filmes, entre produções nacionais e estrangeiras, disponíveis no site oficial para serem vistos a qualquer momento. “Vozes da Amazônia” (Brasil); “The Water Dancers” (África do Sul); “Spirits I’ve called” (Alemanha), “Mt. Suswa – Life in a volcano” (Alemanha); “Sob a Pata do Boi” (Brasil); e “Sky Islands: a time travel in the Andes Mountain” (Holanda), são alguns dos títulos selecionados pela organização.

Para o cineasta João Pasquale, o festival acontece em um momento crucial. “O festival pretende ser uma vitrine para essas produções e chamar a atenção para os problemas da destruição do meio ambiente. E, de alguma forma, nos inspirar na busca por um mundo ambiental e socialmente mais justo”, conclui o organizador do evento.

Guia para detectar revistas predatórias, sequestrantes e megapredatórias

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Por Rafael Repiso e Júlio Montero-Diaz para o “The Conversation”

Em 2008, um bibliotecário da Universidade do Colorado em Denver (EUA), Jeffrey Beall, batizou um fenômeno emergente de “revistas predatórias”. Essas publicações fraudulentas, a antítese da qualidade científica, têm se multiplicado nos últimos anos como uma consequência negativa da digitalização e, mais especificamente, dos modelos de acesso aberto em que os autores dos artigos arcam com os custos de edição. Esse sistema é conhecido como “estrada de ouro”, não só para os periódicos que impõem essa prática, mas também para alguns dos autores.

A principal falha dos periódicos predatórios é que eles mal realizam processos de revisão dos manuscritos que recebem, o que agiliza o processo. Eufemisticamente, eles próprios se gabam de sua velocidade de publicação. Claro, eles aceitam a maioria dos documentos que recebem para atingir seu objetivo principal: cobrar dos autores.

Os autores devem demonstrar satisfação e, portanto, não sofrem rejeições ou modificações (na verdade, melhorias) dos originais. Estes devem obter resultados em curto prazo para atender às demandas das autoridades acadêmicas . Por exemplo, para obter credenciamentos, prazos de seis anos ou justificar o financiamento de projetos.

O resultado é que os trabalhos publicados por essas revistas carecem da validação da comunidade científica e seus resultados não são confiáveis. Em áreas como a biomedicina, eles podem até ter repercussões fatais.

Imparcial. Não partidário. Factual

Essas revistas são difíceis de detectar a olho nu porque usam a estratégia de camuflagem. Eles têm títulos muito semelhantes aos dos periódicos de referência e todos apresentam uma grande equipe de cientistas, embora sua contribuição seja decorativa ou até mesmo ignorem que fazem parte de tais comitês.

Da mesma forma, são anunciadas como indexadas em um grande número de bases de dados científicas, embora a maioria delas sejam falsas ou sejam bases de dados que não realizam processos seletivos. Produtos de avaliação já foram criados para revistas predatórias onde, claro, todos obtêm notas excelentes. Estamos simplesmente enfrentando uma fraude.

Em 2013, John Bohannon realizou uma experiência significativa: enviou um artigo falso (carregado de lugares comuns, com bibliografia falsa e um tema absurdo) a dezenas de periódicos de acesso aberto nos quais os autores devem arcar com os custos de edição do artigo. O artigo foi aceito pela grande maioria dessas revistas com pouca revisão.

Isso validou as suspeitas de quem pensava que essas avaliações não eram rigorosas em seus processos de avaliação. Essa experiência levou o Diretório Internacional de Revistas de Acesso Aberto (DOAJ), que tinha muitos desses periódicos fraudulentos indexados, a redefinir suas políticas de inclusão. Milhares deles foram expulsos.

Como detectar revistas fraudulentas?

O problema prático é apresentado aos pesquisadores que desejam publicar os resultados de seus trabalhos e enviar seus originais para uma dessas revistas, o que é como jogá-los em um poço sem fundo. Como evitar ser um otário?

Os dados que levam a suspeitar que uma revista é fraudulenta são os seguintes:

  1. Sua juventude. Eles surgiram com os custos mais baixos de periódicos 100% digitais, de modo que não têm as décadas ou mesmo séculos de história de outros como The Lancet ou Nature .
  2. Seus títulos geralmente são genéricos. São uma imitação das revistas de maior prestígio da área.
  3. Em muitos casos, eles são publicados em países da periferia científica, como Egito e Nigéria.
  4. Eles compensam suas deficiências, como a indexação de bancos de dados ou a falta de indicadores de impacto, calculando seus próprios indicadores.
  5. Eles têm uma política agressiva para atingir o investigador desavisado (cliente ideal) por meio de correspondência personalizada.

O principal aspecto que deve alertar o autor é que a revista entre em contato com ele, garanta tempos de publicação suspeitosamente rápidos e cobrar de seus autores pela publicação: quanto maior o número de trabalhos, maior a receita.

Isso não significa que todos os periódicos que cobram dos autores os custos de publicação sejam fraudulentos. Existem alguns, como Plos One , que reconheceram processos de validação muito rigorosos, mas eles são uma minoria muito pequena. Sabe-se da existência de mais de 17.000 revistas predatórias , que se tornaram uma epidemia.

Uma nova tendência: revistas de sequestro

Uma forma muito agressiva de revistas predatórias são as “revistas de sequestro”. Eles se apresentam como periódicos estabelecidos, criam seus próprios sites e contatam os autores, solicitam manuscritos e dinheiro. Se o autor sem noção no meio do processo percebe que está sendo enganado e decide interromper o processo de publicação, geralmente recebe ameaças de denúncia.

Um exemplo real recente: a revista de sequestro pediu a um autor quase US$ 8.000 por não publicar seu trabalho (quando o autor percebeu o golpe e quis removê-lo do processo de avaliação). Ameaçou ações judiciais internacionais em caso de falta de pagamento.

A realidade é que os periódicos predatórios de primeira geração, aqueles que não eram produtos científicos, dificilmente tiveram e têm impacto no estado da ciência. Na melhor das hipóteses, eles envergonham os autores e suas instituições e levam a uma perda econômica de fundos.

A segunda geração: fraude na indexação

Treze anos depois do aparecimento do fenômeno, a fraude seguiu caminhos mais sofisticados. Existem periódicos predatórios indexados em bases de dados científicas, como Web of Science ou Scopus. O perigo é que isso faça com que comecem a ser usados ​​em muitos países, como a Espanha, para avaliar a carreira acadêmica de pesquisadores.

As revistas predatórias evoluíram. Eles se tornaram sofisticados, em parte graças aos lucros obtidos. Eles deixaram de postar alguns empregos para milhares. Eles se tornaram mega-jornais , ou seja, “megapredadores ”.

Outra abordagem sofisticada é que as próprias editoras promovam os periódicos que colocam nas mãos de acadêmicos de renome e prestígio. Eles conseguem valorizá-los, obtêm sua indexação e, então, começa seu calvário. Eles estão começando a ser obrigados a aumentar o número e a quantidade de artigos a tal ponto que os processos seletivos não podem ser realizados com rigor. Se houver resistência, geralmente termina em demissão ou demissão dos membros da equipe editorial. Mas, a essa altura, o navio já foi lançado com todos os padrões de qualidade em vigor.

Normalmente esses megapredadores são especializados em um campo específico, mas também publicam sobre qualquer assunto e com processos de revisão rápidos e superficiais. Seus preços se multiplicam ao entrar nas bases de dados de referência e sobem à medida que melhora a posição dos periódicos nos rankings , em uma lógica não científica. Sua estratégia de atração continua sendo a clássica dos predadores de primeira geração: convidar autores para publicar artigos.

A sofisticação incorporou uma nova modalidade: é tocada com vaidade e a qualquer autor (com prestígio e sem prestígio) é oferecido o direcionamento de questões monográficas. São esses líderes que realizam a tarefa de marketing mais enfadonha: a de procurar autores que se empenhem para pagar a publicação de algumas contribuições para as quais, desde o início, se ofereça segurança suficiente sobre sua publicação (antes de escrevê-las). Os editores improvisados ​​da revista de monografias, comerciais voluntários, recebem a publicação gratuita de artigos ou, pelo menos, grandes descontos como benefícios. Além disso, esses editores também limpam seus nomes obtendo acordos com universidades para os quais esses centros obtêm descontos econômicos e os editores veem seus negócios apoiados. O investigador deixa de suspeitar ao ver que sua própria universidade tem um acordo com editoras suspeitas.

Por que publicar em uma revista predatória é uma má ideia

O pesquisador deve agir com muita cautela ao escolher um periódico, publicar em um periódico fraudulento é um descrédito que mostra que:

  • O pesquisador não conhece a área para onde se desloca.
  • O esforço não vai com ele, que opta por uma via rápida para conseguir a publicação.
  • É um péssimo gestor de fundos públicos, uma vez que o custo dos itens geralmente é pago com dinheiro destinado a projetos. Em outras palavras, você está fraudando algo que pode ser processado.
  • Em alguns casos, o pesquisador que envia seus manuscritos não é ele próprio um golpista, mas um cúmplice do golpe. Os fraudados são as agências de avaliação, as instituições que arcam com os custos de publicação e os colegas que, ao evitar essas práticas, competem em processos seletivos contra esses currículos inflados artificial e fraudulentamente.

Rafael Repiso é Professor de Metodologias de Pesquisa e Documentação, UNIR – Universidade Internacional de La Rioja, e Julio Montero-Díaz é Vice-reitor  de Pesquisa, UNIR – Universidade Internacional de La Rioja

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Este texto foi escrito originalmente em espanho e publicado no site “The Conversation”  [Aqui!].

Políticos dinamarqueses enviam carta ao governo brasileiro pedindo que não aprovem leis antiambientais

Carta aberta a Arthur Lira e Rodrigo Pacheco reforça pressão internacional pela proteção da Amazônia
e dos povos indígenas

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São Paulo, 23 de abril de 2021 – 28 políticos dinamarqueses enviaram hoje uma carta aberta aos líderes da Câmara e do Senado brasileiro, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. Liderado pelo partido Red-Greens Alliance, o grupo de políticos dinamarqueses se uniu para tentar impedir o desmatamento e a perseguição aos povos indígenas. Dessa forma, os parlamentares dinamarqueses se unem aos políticos alemães, italianos e parlamentares da UE, que já enviaram cartas semelhantes ao nosso governo, aumentando a onda de pressão internacional sobre o país em apelo aos governantes brasileiros para frear o trator ruralista que tem destruído a Amazônia.

A carta demonstra a preocupação dos parlamentares dinamarqueses com uma série de projetos de lei que, se aprovados, vão resultar no aumento do desmatamento na Amazônia, perda de ecossistema e até mesmo na abertura de Terras Indígenas e áreas protegidas para a mineração, ameaçando a proteção dos povos indígenas ao permitir a exploração em seus territórios.

Na semana passada, 15 ONGs enviaram uma carta ao Primeiro-Ministro e ao Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca com a mesma mensagem. Isso levou o partido Red-Greens Alliance a enviar uma carta sobre os desdobramentos no Brasil. A carta é assinada por membros do partido Red-Greens Alliance, SF, Frie Grønne, Alternativet, Socialdemokratiet, Radikale Venstre, Venstre, Dansk Folkeparti, Inuit Ataqatigiit e Javnaðarflokkurin.

“Desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder no Brasil, o número de assassinatos de povos indígenas em áreas florestais aumentou significativamente. Isso ocorre porque o governo Bolsonaro desmantelou a proteção dos povos indígenas por meio de legislação. Essa é a tendência que o novo pacote legislativo mantém. As ONGs disseram não e é hora de nós, políticos, fazermos o mesmo. Além disso, o desmatamento na Amazônia no ano passado atingiu seu nível mais alto em 12 anos. Agora eles querem permitir a mineração em áreas florestais. Estamos no meio de uma crise climática em que precisamos de grandes atores como o Brasil para cumprir o Acordo de Paris. No momento, o país está indo na direção oposta. Fico feliz que haja amplo apoio político para enviar um sinal claro ao Brasil de que isso terá consequências para a cooperação entre nossos países se eles não mudarem de rumo”, afirma Søren Søndergaard, do Red-Greens Alliance

A carta enviada pelos políticos dinamarqueses pode ser acessada aqui: http://enhedslisten.dk/an-open-letter-to-the-president-of-the-chamber-of-deputies-and-senate

OAB Nacional adere à campanha Seja Legal com a Amazônia contra grilagem de terras públicas

Iniciativa lançada em 2019 é conjunta de representantes do setor privado, do agronegócio e das organizações de defesa do meio ambiente
seja legal
A OAB Nacional, por meio de sua Comissão de Direito Ambiental, aderiu à campanha Seja Legal com a Amazônia, iniciativa que busca agregar diversos atores nacionais para propor medidas contra a grilagem de terras públicas na região, um dos principais vetores do desmatamento ilegal. A adesão da Ordem à campanha será formalizada durante a V Conferência de Direito Ambiental do Conselho Federal da Ordem, que será realizada nos dias 7 e 8 de junho.

Segundo a presidente da Comissão Nacional de Direito Ambiental da OAB, Ana Carolina Barchet, a entidade decidiu endossar o corpo de apoiadores da campanha por entender que o desenvolvimento sustentável é um desejo de todos. Nesse sentido, ela assinalou que a preservação do patrimônio ambiental brasileiro, em especial, é uma necessidade urgente.

“A OAB defende a implementação de políticas públicas em busca da sustentabilidade, que é almejada por todas as nações. A sustentabilidade não é algo que apenas o Brasil necessita e sim algo buscado por toda a comunidade internacional. Precisamos garantir a continuidade das atividades econômicas e, ao mesmo tempo, ter um meio ambiente em equilíbrio”, disse a presidente da comissão.

A Campanha

A campanha Seja Legal com a Amazônia é uma iniciativa conjunta de representantes do agronegócio, das empresas e de organizações não-governamentais de defesa do meio ambiente para combater o roubo de terras públicas na região amazônica.

Essa prática é uma das principais causas do desmatamento ilegal, da violência, da corrupção e do atraso econômico na Amazônia. A campanha busca conscientizar a população e principalmente os tomadores de decisão sobre esse tipo de atividade criminosa e pedir apoio às medidas necessárias para que ela acabe.

Entre as principais propostas para resolver o problema de grilagem no Brasil estão: I) apoiar o fortalecimento das ações do Ministério Público Federal; II) acabar com o desmatamento ilegal em áreas públicas; III) promover a destinação para conservação e usos sustentáveis das florestas públicas não destinadas; A Amazônia possui 287,6 milhões de hectares de florestas públicas, sendo 24% não destinadas. Isto equivale a um território maior que o estado de Minas Gerais; IV) criar uma força-tarefa do Poder Judiciário, apoiada pelo Executivo, Legislativo e Ministério Público, com o objetivo de promover a resolução de conflitos fundiários nas terras públicas; V) manter as atuais unidades de conservação do país; VI) criar uma Força-Tarefa da Polícia Federal para combater o roubo de terras públicas.

Índices de desmatamento

Os índices de desmatamento na Amazônia vêm aumentando nos últimos anos. Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), obtidos via Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), mostram que, somente em março de 2021, a Amazônia Legal teve 810 km² de seu território desmatado, número equivalente a um aumento de 216% em relação ao mês anterior, quando o desmatamento somou 256 km².

“Desde 2019, estamos acompanhando com enorme preocupação o aumento vertiginoso do desmatamento na Amazônia e outros biomas brasileiros. A manutenção da floresta, dos seus povos e benefícios é essencial para o enfrentamento à mudança do clima, crise que só vem se agravando a cada ano. Trata-se também de uma agenda estratégica para uma recuperação verde, com enorme potencial de geração de empregos e renda para a região”, comenta Flávia Resende, coordenadora de Projetos de Meio Ambiente do Instituto Ethos, uma das organizações realizadoras da Seja Legal, que ainda complementa: “A Campanha fortalece movimentos coletivos e de colaboração, essenciais para o enfrentamento de crises ambientais, como a climática e da Covid-19”.

Para contribuir com o pedido principal da campanha, os cidadãos podem acessar o site oficial da iniciativa , onde é possível enviar um e-mail para o Procurador-Geral da República e para o Ministro da Justiça pedindo o maior envolvimento estratégico da Polícia Federal e o fortalecimento das ações lideradas pelo Ministério Público Federal, principalmente nos nove estados da Amazônia Legal.

Saiba mais em:

Relatório analisa impacto socioambiental das principais fibras utilizadas na indústria da moda

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  • O relatório “Fios da Moda”, lançado hoje na Semana Fashion Revolution, traz informações sobre a produção e os impactos ambientais do algodão, do poliéster e da viscose.
  • O Brasil é o segundo maior exportador de algodão do mundo, cultura que consome o dobro de agrotóxicos aplicados no cultivo da soja; maiores impactos são no Cerrado.
  • O descarte também é um problema: só no centro de São Paulo estima-se que sejam descartadas mais de 60 toneladas de resíduos têxteis por dia; o poliéster pode levar até 400 anos para se decompor.
  • O algodão orgânico no Brasil tem tido um crescimento lento, mas promissor; no Nordeste, o cultivo agroecológico contribui para a segurança alimentar.
Por Sibélia Zanon para o Mongabay

Para muito além do preço que se paga por cada peça nova de roupa, existe um custo socioambiental invisibilizado na etiqueta. Desde a produção das três fibras mais utilizadas pela indústria da moda – o algodão, a viscose e o poliéster – até o descarte da peça de roupa há um longo caminho que passa pelo uso do solo, a toxicidade gerada durante os processos de plantio e fabricação, o uso de água e energia, as emissões de gases de efeito estufa (GEE), o descarte de resíduos e a mão de obra envolvida em toda a cadeia produtiva.

O relatório “Fios da Moda”, com lançamento oficial hoje durante a Semana Fashion Revolution, é a primeira publicação brasileira a analisar em detalhes esses impactos. Publicado pela Modefica, plataforma de moda com foco em sustentabilidade, em parceria com a Regenerate Fashion e a Fundação Getulio Vargas, o relatório faz uma avaliação qualitativa e quantitativa do quanto as fibras têxteis têm contribuído para a crise climática e a desigualdade social.

Segundo Marina Colerato, autora do relatório, a escassa produção de informações e dados sobre a indústria da moda no Brasil é ponto de atenção. “Se a gente está vivendo na década final para a questão do clima, para a redução de emissões de CO2, é bastante alarmante que as empresas de grande porte não façam mensuração das emissões de CO2”, alerta a também coordenadora do Modefica. “Se a gente não está produzindo dados, a gente não está olhando para o problema. E se a gente não está olhando para o problema, a gente não vai agir sobre ele”.

O setor têxtil brasileiro compreende todas as etapas da confecção, desde o plantio de algodão até o varejo, e é referência mundial em segmentos como jeans e moda praia. A cadeia produtiva é fragmentada, contando com grande número de fornecedores, o que dificulta a rastreabilidade de impactos causados ao longo das diversas etapas do processo produtivo.

Com cerca de 9 bilhões de peças de roupa produzidas por ano e destinadas sobretudo ao mercado interno, o Brasil faturou US$ 48,3 bilhões em 2018. Como exportador de vestuário, o país ocupa o 83º lugar, mas, quando se trata da exportação de commodities como o algodão, o Brasil é o segundo maior e também está entre os principais exportadores de polpa de celulose solúvel, matéria-prima que vem da madeira e dá origem à viscose.

Segundo a consultoria McKinsey, o setor têxtil representa 6% das emissões globais de gases de efeito estufa e de 10 a 20% do uso de pesticidas. Lavagem, solventes e corantes usados na fabricação são responsáveis por um quinto da poluição industrial da água, e a moda é responsável por 20 a 35% do fluxo de microplásticos para o oceano.

Confecção em Salvador (BA): o setor têxtil brasileiro compreende todas as etapas da confecção, do plantio de fibras ao varejo, Foto: Jefferson Peixoto/Secom.

Algodão consome 28 litros de agrotóxicos por hectare

Entre as fibras mais produzidas, o poliéster representa 51% da produção mundial, seguido pelo algodão com 25%. O Brasil é o quarto maior produtor mundial de algodão e, dentre as fibras produzidas no país, o algodão lidera com mais de 90% da produção. Ainda que tenha a vantagem de ser uma fibra natural, o algodão deixa um rastro pesado no meio ambiente. Segundo o relatório Fios da Moda, trata-se da quarta cultura que mais consome agrotóxicos, sendo responsável por aproximadamente 10% do volume total de pesticidas utilizado no Brasil, com uma aplicação média de 28 litros de pesticidas por hectare – mais do que o dobro aplicado na soja, commodity que recebe 12 litros por hectare.

“A Abrapa (Associação Brasileira de Produtores de Algodão) é uma das associações que mais está se esforçando politicamente para a aprovação da chamada PL do veneno”, diz Marina, referindo-se ao projeto de lei que regulamenta o uso de novos agrotóxicos. O Brasil já é conhecidamente permissivo em relação ao uso de pesticidas, se comparado a outros países. Segundo o atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, revisado em 2019 pela pesquisadora Larissa Mies Bombardi, dos 160 agrotóxicos autorizados para o cultivo do algodão no Brasil, 47 são de uso proibido na União Europeia.

A pressão pela expansão de áreas de cultivo é outro aspecto que se soma ao custo socioambiental da fibra. Segundo o relatório “Perspectivas para a Agropecuária 2019/20”, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área para o plantio do algodão aumentou 37,1% na safra 2018/19 em relação à safra anterior, atingindo 1,61 milhão de hectares de área. O Mato Grosso e a Bahia respondem por 88% do total da área de cultivo do algodão no Brasil. Isso aponta para uma grande pressão sobre o Cerrado, bioma que já perdeu 55% de sua vegetação nativa e concentra a maior parte da cultura algodoeira por ter suas estações de seca e chuva mais definidas, favorecendo o cultivo em regime de sequeiro, ou sem irrigação, predominantemente praticado no Brasil.

O setor algodoeiro se orgulha por ter mais de 90% da safra 2018/19 certificada no Brasil com o selo Better Cotton Initiative (BCI), que configura a produção responsável de algodão. “O BCI, como o nome já diz, ele é melhor, mas ainda não é bom”, afirma Silvio Moraes, embaixador da certificadora Textile Exchange para a América Latina. “O Brasil está longe de ser um bom exemplo de país com produção sustentável de algodão. O selo BCI garante, na teoria, que o agrotóxico tenha registro e seja aplicado de forma correta, com equipamentos de segurança e tudo mais, mas ele não busca reduzir o uso de agrotóxico”.

Cultura de algodão em Lucas do Rio Verde (MT): campeã em uso de agrotóxicos. Foto: Alan Santos.

Poliéster, campeão em emissões de GEE

A segunda fibra produzida no Brasil é o poliéster, que representa 5% da produção nacional e inicia sua cadeia produtiva com o refino de petróleo e a obtenção da nafta. O uso de combustível fóssil faz dela a fibra campeã em emissões de gases de efeito estufa. Além disso, o poliéster solta microplásticos, que já foram encontrados na água potável, no peixe servido à mesa, e em vários órgãos do corpo humano. Estudo recente indica que as micropartículas das roupas de material sintético podem prejudicar a recuperação dos tecidos pulmonares em pacientes com doenças respiratórias, como a covid-19.

O poliéster reciclado, feito a partir de garrafas PET, cresceu nos últimos anos. A relevância da reciclagem é indiscutível, mas o relatório “Fios da Moda” aponta para o fato de que o problema não é solucionado, mas muda de endereço. Se o material oriundo da reciclagem de garrafa PET não volta para a produção das garrafas, mas é direcionado a outros produtos como o poliéster, as novas garrafas PET que chegam ao mercado continuarão demandando matéria-prima virgem em sua produção.

“PET é um produto bom porque você consegue reciclar”, comenta Silvio. “Ele retorna para o ciclo econômico, mas com algum custo, e às vezes não retorna 100% do material que foi colocado no mercado. Agora, quando você fala do algodão, ele é 100% reciclável. Ou vai ser reciclado na forma de fibra, retornando para o ciclo industrial, ou ele vai apodrecer e virar um composto no fim das contas”, compara.

Viscose, provável motora do desmatamento

Em terceiro lugar no cenário das fibras está a viscose, fibra artificial que tem a produção semelhante à da celulose para papel e usa no processo materiais corrosivos, como a soda cáustica e o ácido sulfúrico. A polpa da madeira extraída de árvores é transformada em fibra de celulose e, então, em fios de viscose. O Brasil está entre os 10 principais produtores de celulose, representando cerca de 11% da produção mundial em 2019.

Quando falamos em celulose, falamos na eucaliptocultura, que ocupa no Brasil território equivalente a 80% do tamanho de Portugal. Tanto a cultura do eucalipto quanto a do algodão utilizam entre 7 a 10 dos principais tipos de agrotóxico vendidos no Brasil, incluindo o glifosato, apontado como altamente tóxico e cancerígeno.

Somando-se a isso, a consultoria Canopy estima que 30% da viscose produzida no mundo é proveniente de árvores de florestas nativas e ameaçadas de extinção, incluindo a Amazônia. “Os números do desmatamento ilegal refletem de alguma forma na indústria da moda porque a gente tem uma produção de celulose bastante considerável e baixo rastreamento” afirma Marina. “Ninguém me garante que a celulose solúvel que está saindo do Brasil não vem de floresta desmatada”.

Um comparativo entre as fibras, no que se refere às emissões de GEE, mostra que a produção de viscose tem emissão menor do que o poliéster e 50% maior que as fibras de algodão. As emissões do algodão estão diretamente relacionadas ao uso de fertilizantes químicos, herbicidas, inseticidas e fungicidas, além do uso de operações mecanizadas. Se comparado ao cultivo convencional, o cultivo de algodão orgânico reduz em 58% as emissões de GEE.

Cultivo de eucalipto para celulose em Eunápolis (BA), principal matéria-prima da viscose. Foto: Amanda Oliveira/GOVBA.

Demanda por algodão orgânico brasileiro é maior do que a oferta

De acordo com relatório da Textile Exchange, o Brasil é um dos últimos entre os 19 países produtores de algodão orgânico, com 0,04% da produção mundial. Ainda assim, apresentou incremento de 335% na safra 2018/19. “Nós hoje temos uma demanda de algodão orgânico muito maior do que a produção. Então essa demanda está puxando os agricultores a produzirem mais”, afirma Silvio.

Nos últimos anos, o apoio de ONGs para assistência técnica aos agricultores, a comercialização garantida por contratos e parcerias com instituições e empresas preocupadas com sustentabilidade fortaleceram a cadeia de produção.

O plantio de algodão orgânico no Brasil ocorre predominantemente no Nordeste, dentro dos preceitos da agroecologia. “Eu sou muito defensor do algodão orgânico da forma como é produzido no Brasil ou em alguns lugares do Peru, onde é produzido por pequeno produtor com recuperação do ambiente, muitas vezes de forma comunitária e remunerado por preço diferenciado pelo mercado”, explica Silvio. “O algodão agroecológico orgânico brasileiro, todo ele é produzido em consórcios alimentares. Isso dá para o agricultor segurança alimentar”.

A Paraíba é o estado campeão na produção de algodão orgânico. Desde 2015, o Projeto Algodão Paraíba, iniciativa governamental com parceria da Embrapa, apoia pequenos núcleos de agricultores. “Essa é uma coisa completamente nova”, afirma Silvio. “O que puxava a produção do algodão orgânico eram pequenas empresas idealistas e de repente a gente vê uma iniciativa governamental. Quem dera a gente conseguisse replicar isso em outros estados”.

Colheita de algodão agroecológico na Paraíba. Foto: Governo da Paraíba.

Circularidade na indústria da moda

A metade das empresas do segmento têxtil e de confecção está no Sudeste. Apenas na região central da cidade de São Paulo estima-se que os bairros tradicionalmente conhecidos por formarem o maior pólo produtivo de roupas do país, como Brás, Bom Retiro e Vila Maria, descartam mais de 60 toneladas de resíduos têxteis por dia.

Enquanto o algodão leva de 10 a 20 anos para se decompor, alguns tecidos sintéticos demoram entre 100 e 300 anos e o poliéster pode levar até 400 anos. Segundo o “Fios da Moda”, a reciclagem não é uma tarefa incentivada. Enquanto fazer o descarte dos resíduos não custa nada aos produtores, eles pagam aos catadores entre R$ 0,30 e R$ 0,60 pelo quilo de resíduos têxteis recolhidos.

A aplicação da economia circular na indústria da moda seria uma alternativa para reduzir resíduos e poluição, prolongar o uso das peças e regenerar sistemas naturais. Com os princípios da reutilização, reparo e remanufatura, a reciclagem se apresenta como último recurso. A economia circular inclui ainda a regeneração de terras agrícolas e florestais, diminuição de emissões de GEE, cuidados com o uso e poluição das águas, e valorização das pessoas nas diversas etapas da cadeia produtiva. “A gente não pode deixar de pensar que a economia circular também precisa ser restaurativa e regenerativa para com a sociedade. A gente precisa pensar em restauração e regeneração por princípios: das pessoas, da sociedade e do meio ambiente. Então a gente está falando de regeneração socioambiental”, explica Marina.

Algumas iniciativas caminham nessa direção, como é o caso da Re-Roupa, metodologia para reaproveitamento de tecidos e transformação de peças que é aplicada em oficinas de criação coletiva e capacitação. Também praticado por novas marcas, o conceito de upciclyng prega a reutilização criativa de peças em vez do descarte. O movimento Fashion Revolution busca conscientizar sobre os impactos socioambientais do setor e criou a Brasil Eco Fashion Week, semana dedicada à moda sustentável.

“A questão óbvia quando se fala de sustentabilidade de verdade é a circularidade. Qualquer fibra, qualquer produto que seja usado, ele tem que ter dois fins: ou ele retorna para o ciclo econômico, ou ele retorna para o ciclo natural”, diz Silvio. “Fibras orgânicas sempre vão ser preferenciais. E entre elas, no meu ponto de vista, o algodão, o cânhamo e o linho”, acrescenta.

Imagem do banner: Colheita do algodão em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. Foto: Clauber Cleber Caetano.

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Este texto foi originalmente publicado pelo Mongabay News [Aqui!].

Bayer é acusada por advogados de esquema de “pagar para apelar”

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Por Joel Rosenblatt para a Bloomberg

A estratégia da multinacional alemã Bayer AG para obter uma decisão favorável em seu litígio envolvendo o herbicida Roundup é um “esquema fabricado de pagamento para apelar” que irá corroer o sistema de justiça dos EUA se for permitido, disseram os advogados dos demandantes em uma carta a um tribunal.

Os advogados que estão ajudando a liderar o litígio nacional sobre as alegações de que o herbicida causa câncer responderam na quinta-feira a um acordo que a Bayer fez que essencialmente paga um homem da Geórgia para continuar lutando contra a empresa nos tribunais.

A Bayer defendeu seu acordo confidencial com o médico da Geórgia, John Carson, dizendo ao Tribunal de Apelações dos EUA, com sede em Atlanta, que o acordo está estruturado de uma forma que foi aprovada por outros tribunais de apelação. O objetivo final da Bayer é obter uma decisão do tribunal superior do país que minaria uma reivindicação importante nas ações judiciais e reduziria o fluxo constante de novos casos além das dezenas de milhares de reivindicações que a empresa já resolveu.

Os advogados que assinaram a carta – incluindo Brent Wisner e Jennifer Moore – obtiveram veredictos  contra a Bayer envolvendo o Round Up, e resolveram os casos com a empresa. Suas vitórias nos julgamentos poderiam estar em risco se a Suprema Corte ficasse do lado da Bayer.

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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pela Bloomberg [Aqui!].

Reações da 350.org ao primeiro dia da Cúpula do Clima

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O primeiro dia da Cúpula do Clima promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, registrou avanços significativos nas promessas de redução das emissões por alguns países, mas também foi marcado por esforços insuficientes e afirmações falsas, como a que fez o presidente Jair Bolsonaro ao dizer que está fortalecendo órgãos ambientais no Brasil.

Enquanto isso, a pressão da sociedade civil em todo o mundo por medidas mais ambiciosas segue crescendo, como demonstram as muitas cartas abertas e campanhas que receberam destaque nos últimos dias.

Durante a Cúpula do Clima, a 350.org, organização global de ações pelo clima, e seus parceiros estão reagindo aos discursos dos líderes políticos de vários países e participando de manifestações com o objetivo de exigir compromissos concretos e urgentes dos chefes de governo. Veja mais informações a seguir.


Ação com figuras de Bolsonaro e outros líderes nacionais

Ativistas da 350.org e da Build Back Free Coalition organizaram na quarta-feira, 21 de abril, um protesto diante da Casa Branca, em Washington, para pedir aos participantes da Cúpula do Clima ações mais ambiciosas pelo planeta.

Figuras de chefes de governo do Brasil, dos Estados Unidos, da China, do Reino Unido, da Argentina e de vários outros países foram posicionadas diante da residência oficial do presidente americano, com mensagens específicas enviadas por representantes do movimento climático de cada país. A frase sobre a foto de Bolsonaro era: “Presidente Bolsonaro: pare de mentir sobre a Amazônia e a pandemia”. Veja as fotos aqui.


Reações aos discursos

Argentina

Ignacio Zavaleta, coordenador de campanhas da 350.org na Argentina:

“O que se destacou no discurso do presidente Fernández foi o fato de ele não ter mencionado nenhuma mudança nas políticas governamentais de investimento na expansão de petróleo e gás na área de Vaca Muerta. O dinheiro dos contribuintes está subsidiando uma exploração altamente ineficiente e prejudicial ao meio ambiente, que beneficia algumas poucas empresas estrangeiras e não traz nenhum desenvolvimento para o país ou mesmo para a região onde está localizado”.

“Os bilhões de dólares desperdiçados anualmente com subsídios aos combustíveis fósseis deveriam ser redirecionados para políticas de transição energética capazes de criar mais empregos, neste momento em que os argentinos precisam desesperadamente de trabalho e renda”.

Brasil

Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina:

“Bolsonaro mentiu ao dizer que está fortalecendo os órgãos ambientais. O desmonte de instituições como Ibama e Funai, o ataque às políticas públicas de fiscalização do desmatamento e o apoio a projetos de lei que colocam em risco as Terras Indígenas são exemplos de que esse governo está tentando fazer o Brasil andar para trás em termos de políticas climáticas”.

“Nos dias anteriores à Cúpula do Clima, houve um fluxo impressionante de cartas abertas e campanhas nas mídias sociais pedindo ao presidente Biden para não fechar nenhum acordo com o presidente Bolsonaro sem ouvir, primeiro, a sociedade civil brasileira. A questão é que o desempenho do governo na área ambiental é tão ruim que fica difícil acreditar que mesmo promessas pouco ambiciosas serão cumpridas”.

“Por causa da piora no quadro ambiental desde o início do governo Bolsonaro, existe uma desconfiança muito justificada de boa parte das empresas, ONGs e governos de que não importa o que o presidente prometa nessa área, serão apenas palavras ocas”.

Canadá

Amara Possian, diretora de Campanhas da 350.org no Canadá:

“O problema com o novo compromisso climático do presidente Trudeau pode ser resumido em duas palavras: combustíveis fósseis. Tanto o anúncio do governo canadense quanto o orçamento atual do país falham em abranger de fato um plano para enfrentar o aumento das emissões originadas pelas atividades ligadas ao fracking e a outras formas de extração de combustíveis fósseis. O Canadá é o único país do G7 cujas emissões aumentaram desde a assinatura do Acordo de Paris”

“O Canadá precisa reduzir suas emissões em pelo menos 60% até 2030 e aprovar uma Lei de Transição Justa para garantir sua parte no cumprimento do Acordo Paris e não deixar ninguém para trás”.

Estados Unidos

Natalie Mebane, diretora de Políticas Públicas da 350.org nos Estados Unidos:

“No primeiro dia de seu mandato, Biden cancelou o oleoduto de Keystone XL. Agora ele deve fazer o mesmo com a Linha 3, o oleoduto Dakota Access e todos os novos projetos de combustíveis fósseis no país. Isso mostrará ao mundo que os EUA estão seriamente empenhados em enfrentar a crise climática”.

Japão

Eri Watanabe, coordenadora de campanhas da 350.org no Japão

“O objetivo anunciado é altamente insuficiente se quisermos alcançar a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento da Terra a 1,5 grau. O governo japonês precisa estabelecer uma meta mais ambiciosa, com uma redução mínima de 62% em relação às emissões de 2013”.

“Quando o Acordo de Paris foi assinado, concordamos que existiam responsabilidades comuns, mas diferenciadas em todo o mundo. Sendo o quinto país com mais emissões, historicamente, o Japão tem uma dívida de carbono com o mundo. Devemos começar urgentemente a estabelecer metas ousadas e ambiciosas”.

“Uma das políticas urgentemente necessárias no Japão é uma rápida eliminação da infraestrutura do carvão, o que inclui orientar os bancos japoneses a cortar o crédito a projetos combustíveis fósseis, já que o país é o maior financiador da indústria mundial do carvão”.

Banco Mundial prevê que preços de commodities deverão se estabilizar

Trajetória dos preços das commodities depende do ritmo de recuperação e contenção da COVID-19

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WASHINGTON, 20 de abril de 2021 – Os preços das commodities continuaram se recuperando no primeiro trimestre de 2021 e devem permanecer próximos aos níveis atuais ao longo do ano, impulsionados pela recuperação econômica global e melhores perspectivas de crescimento, de acordo com a publicação semestral do Banco Mundial Perspectiva dos mercados de commodities .

No entanto, a perspectiva é fortemente dependente do progresso na contenção da pandemia COVID-19, bem como das medidas de apoio político nas economias avançadas e das decisões de produção nos principais produtores de commodities.

Os preços da energia devem ser em média mais de um terço mais altos este ano do que em 2020, com o petróleo em média $ 56 o barril. Os preços do metal devem subir 30%; e os preços agrícolas devem subir quase 14%. Quase todos os preços das commodities estão agora acima dos níveis pré-pandêmicos, impulsionados pelo aumento da atividade econômica, bem como por alguns fatores de oferta específicos, especialmente para petróleo, cobre e algumas commodities alimentares.

“O crescimento global tem sido mais forte do que o esperado até agora e as campanhas de vacinação estão em andamento, e essas tendências impulsionaram os preços das commodities. No entanto, a durabilidade da recuperação é altamente incerta ”, disse Ayhan Kose, Vice-presidente em exercício do Grupo Banco Mundial para Crescimento Equitativo, Finanças e Instituições e Diretor do Grupo de Prospectos. “Os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento, tanto exportadores quanto importadores de commodities, devem fortalecer sua resiliência no curto prazo e se preparar para a possibilidade de crescimento perdendo impulso.”

Os preços do petróleo bruto se recuperaram dos mínimos históricos alcançados durante a pandemia, apoiados por uma rápida recuperação econômica global e cortes de produção contínuos pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus parceiros. A demanda deve se firmar em 2021, conforme as vacinas se tornem amplamente disponíveis, especialmente nas economias avançadas, as restrições à pandemia sejam atenuadas e a recuperação global seja sustentada. Os preços devem atingir a média de US$60 o barril em 2022. No entanto, se a contenção da pandemia vacilar, uma nova deterioração na demanda poderá pressionar os preços.

Os preços dos metais devem retribuir alguns dos ganhos deste ano, à medida que o crescimento impulsionado pelo estímulo enfraquece em 2022. Uma retirada mais rápida do que o esperado do estímulo por algumas das principais economias de mercado emergentes poderia representar um risco de queda para os preços; entretanto, um importante programa de infraestrutura nos Estados Unidos poderia sustentar os preços dos metais, incluindo alumínio, cobre e minério de ferro. Uma intensificação da transição energética global para a descarbonização poderia fortalecer ainda mais a demanda por metais.

Os preços agrícolas aumentaram substancialmente este ano, principalmente para commodities alimentícias, devido à escassez de oferta na América do Sul e à forte demanda da China. No entanto, a maioria dos mercados globais de commodities alimentares permanece adequadamente abastecida pelos padrões históricos, e os preços devem se estabilizar em 2022.

Embora os preços globais das commodities alimentares tenham permanecido estáveis ​​recentemente, as evidências emergentes continuam a confirmar os efeitos do COVID-19 sobre a insegurança alimentar que devem continuar até 2021 e 2022. Um número crescente de países está enfrentando níveis crescentes de insegurança alimentar aguda, revertendo anos de ganhos de desenvolvimento.

“Embora os mercados de commodities alimentares sejam bem fornecidos globalmente, COVID-19 causou um forte impacto nos mercados de trabalho e alimentos locais em todo o mundo, reduzindo a renda, interrompendo as cadeias de abastecimento e intensificando os problemas de segurança alimentar e nutricional que estavam presentes antes mesmo da pandemia chegar”, disse Kose . “É chegada a hora de os formuladores de políticas abordarem as fontes subjacentes da insegurança alimentar.”

Uma seção de Foco Especial investiga o impacto de mudanças bruscas nos preços dos metais nos países exportadores de metais. Metais, especialmente cobre e alumínio, são uma importante fonte de receita de exportação para 35% dos mercados emergentes e economias em desenvolvimento, com implicações importantes para o crescimento econômico, estabilidade macroeconômica e, portanto, redução da pobreza. Como os preços dos metais são impulsionados principalmente pela demanda global, esses países podem ser particularmente afetados por recessões globais, que podem desencadear uma queda nos preços dos metais e nas receitas de exportação. As receitas inesperadas dos altos preços dos metais, que tendem a ser de curta duração, devem, portanto, ser reservadas em antecipação aos efeitos negativos mais duradouros dos colapsos de preços que justificariam o apoio da política.

“Os choques nos preços dos metais são causados ​​principalmente por fatores de demanda externa, como recessões e recuperações globais”, disse o economista sênior do Banco Mundial, John Baffes. “Durante uma recessão, os exportadores de metal podem ser prejudicados tanto pela desaceleração geral quanto pelo colapso dos preços. As perdas de produção associadas às quedas de preços são maiores do que os ganhos dos aumentos de preços, e os formuladores de políticas devem se preparar de acordo. ”

Baixe o relatório

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado no site do Banco Mundial [Aqui!].

PSOL Campos emite nota de esclarecimento sobre situação envolvendo o Residencial Novo Horizonte/Parque Aeroporto

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*LUTAMOS PELO DIREITO À MORADIA: DAS FAMÍLIAS OCUPANTES E DAS FAMÍLIAS CONTEMPLADAS COM AS CASAS QUE AGORA ESTÃO OCUPADAS! Lutamos CONTRA o despejo das famílias ocupantes, CONTRA a negligência perante as famílias contempladas com as moradias e A FAVOR da responsabilização dos verdadeiros responsáveis: A EMPRESA REALIZA, A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, O GOVERNO FEDERAL E A PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ!*

Temos recebido muitos questionamentos por estarmos nos posicionando ao lado das famílias ocupantes das casas do Novo Horizonte/Parque Aeroporto e contra a reintegração de posse/despejo que aconteceria ontem, mas não ocorreu porque, coletivamente, junto com outros partidos, movimentos sociais e apoio jurídico, conseguimos evitar. 

Nos perguntam a razão de não estarmos ao lado das famílias que foram contempladas com as casas, mas que supostamente não poderão recebê-las devido à ocupação presente.

Viemos, então, esclarecer que defendemos que AMBOS tenham seu direito à moradia garantido, como prevê a Constituição Federal. 

Não são os ocupantes os responsáveis pelo atraso na entrega das moradias, inicialmente prevista para novembro de 2019. Precisamos responsabilizar quem tem responsabilidade sobre o que está ocorrendo: 

–> A *Construtora Realiza, a Caixa Econômica Federal e o Governo Federal*, pelo atraso na entrega das casas às famílias contempladas;

–> *A Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes*, pela inadimplência dos aluguéis sociais de muitos ocupantes das casas, que têm sido gradativamente despejados de suas moradias devido a dívida desde janeiro e pela absoluta negligência com a situação das famílias que seriam despejadas e não teriam para onde ir. A Prefeitura precisa se posicionar e estar aberta ao diálogo e acolhida dessas famílias. 

Dessa forma, nós, do PSOL Campos, em parceria com outros partidos e movimentos sociais, nos colocamos inteiramente à disposição para o diálogo não só com os ocupantes, mas também com os contemplados do Novo Horizonte que não receberam suas casas.

Estamos sendo alvo de fakenews e contemplados e ocupantes sendo colocados uns contra os outros, quando todos precisam ter seus direitos assegurados. 

Nós estamos dispostos a dialogar com todos os grupos, oferecendo o apoio que pudermos já que:

 *Nossa defesa é pelo direito à moradia! Ninguém despejado e sem teto! Ninguém sem receber o que é seu por direito!*

Quando nós, trabalhadores, entendermos que juntos somos muito mais fortes, passaremos a defender direitos para todos e então poderemos transformar esse sistema gerador de injustiças.

Campos dos Goytacazes, 22 de abril de 2021

Diretório Municipal do Partido Socialismo e Liberdade (Psol)

É possível acreditar nos compromissos de Bolsonaro sobre a proteção do meio ambiente? Um olhar sobre sua performance

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(CNN) Os líderes mundiais se reúnem virtualmente na quinta-feira para discutir questões climáticas em uma cúpula convocada pelo presidente dos EUA, Joe Biden.O mais esperado talvez seja o que os líderes de alguns dos países com maior impacto ambiental – incluindo Brasil, China, Índia – têm a dizer. Mas críticos que vão de ambientalistas brasileiros a celebridades americanas estão alertando o mundo para não dar ouvidos a um: o brasileiro Jair Bolsonaro. 

Como presidente do Brasil, Bolsonaro controla um dos países de maior biodiversidade do mundo, com 19% da floresta tropical primária remanescente do mundo , de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O Brasil é o quinto maior país do mundo e imensos 59% de seu território é coberto por floresta, grande parte dela na Amazônia – que funciona como um “condicionador de ar” para todo o planeta, influenciando a temperatura global e os padrões de chuvas, e absorvendo dióxido de carbono.

Por um tempo, o Brasil foi considerado um modelo para o mundo em alguns indicadores ambientais. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de 2004 a 2013 o país reduziu o desmatamento anual em quase três quartos e, ao assinar o Acordo de Paris em 2015, se comprometeu a reduzir as emissões em 37% até 2025.

Mas essas tendências estão se revertendo com o Bolsonaro.

Desde que o bombástico “Trump of the Tropics” tomou posse, tanto o desmatamentoquanto as emissões estão aumentando, disse o INPE. Enquanto isso, o ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, assumiu algumas posições peculiares, considerando seu título: Há exatamente um ano, em 22 de abril de 2020, Salles foi notoriamente registrado aconselhando o presidente a aproveitar a pandemia da COVID-19 para enfraquecer os regulamentos. Agora, o Supremo Tribunal Federal está avaliando se deve abrir um inquérito sobre as alegações de que Salles obstruiu uma investigação da Polícia Federal sobre a extração ilegal de madeira na Amazônia. Em resposta, o Ministério do Meio Ambiente disse à CNN Brasil: “A resposta será dada no tribunal.”

bolsonaro cnnA administração de Bolsonaro abriu a porta para aumentar o desmatamento e as emissões

No entanto, no início deste mês, o presidente brasileiro enviou uma carta a Biden, prometendo trabalhar para uma taxa de desmatamento zero em 2030 no Brasil – uma declaração elogiada como “importante” pelo enviado climático dos EUA, John Kerry.

Uma onda de ceticismo se seguiu. Ativistas climáticos, grupos da sociedade civil e funcionários estaduais escreveram ao governo dos Estados Unidos pedindo o estabelecimento de parcerias diretas sem o presidente. Quinze senadores democratas, incluindo Elizabeth Warren, Bernie Sanders e Patrick Leahy, disseram a Biden para ser cauteloso, pois o Bolsonaro estava “usando uma retórica favorável ao clima, sem resultados concretos”. Até Hollywood se envolveu, com atores como Jane Fonda e Katy Perry assinando uma carta com artistas brasileiros como Caetano Veloso e Gilberto Gil exigindo que Biden não fechasse um acordo. 

Esses críticos temem que qualquer acordo firmado entre o Brasil e outras nações para proteger o meio ambiente encoraje o presidente brasileiro, enquanto iniciativas que corroem as proteções ambientais continuam em ritmo acelerado, como legislação para regularizar terras públicas roubadas por grileiros e legalizar a mineração ilegal e a agricultura em larga escala para indígenas terras. 

No centro da divisão está o seguinte: Bolsonaro pode acreditar em sua palavra sobre a proteção do meio ambiente?

O gabinete de Bolsonaro e o Ministério do Meio Ambiente não responderam aos pedidos de comentários da CNN.

‘A Amazônia é nossa e vamos desenvolvê-la’

O governo brasileiro defendeu seu histórico ambiental como suficiente e enfatizou o bem-estar econômico do país como prioridade fundamental. Em vídeo publicado em suas redes sociais em setembro do ano passado, Bolsonaro alardeava que o Brasil protege o meio ambiente, mas argumentou que a Amazônia precisa de desenvolvimento econômico para o bem-estar dos moradores.

“O Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente. A Amazônia é nossa e vamos desenvolvê-la. Afinal, são mais de 20 milhões de brasileiros que não podem ficar para trás. Parabéns a todos pelo dia da nossa Amazônia. A Amazônia vai ser cada vez mais brasileiro ”, disse.

Em 19 de abril, seu vice-presidente geral, Hamilton Mourão, disse em entrevista coletiva que o Brasil já estava fazendo sua parte nos esforços ambientais globais e não precisava “implorar” por fundos na cúpula do clima para fazer melhor. “Lá não precisamos ser mendigos. Vamos deixar bem claro: temos nossas responsabilidades. O Brasil é responsável por apenas 3% das emissões no mundo”, declarou Mourão.

O ministro do Meio Ambiente, Salles, disse à imprensa brasileira que sua intenção com a Cúpula do Clima é pedir ajuda externa de 1 $ bilhão por ano dos EUA e outros parceiros para ajudar o Brasil a conter o desmatamento ilegal. (O governo Biden não fez sinal de oferecer novos fundos ou apoio ao Bolsonaro para a ação climática.) 

Mas não está claro se as questões financeiras por si só estão por trás do fraco histórico de proteção ambiental do governo brasileiro. O Ministério do Meio Ambiente ainda não gastou os recursos disponíveis para combater o desmatamento: Salles não aplicou um terço do dinheiro destinado ao combate ao desmatamento da Amazônia desde abril de 2018. O programa terminou em abril deste ano e o fundo voltou para o Ministério da Economia.

De outras maneiras, o Ministro do Meio Ambiente tornou mais difícil a fiscalização da proteção ambiental, de acordo com oficiais encarregados do trabalho. Em 19 de abril, uma carta assinada por mais de 600 agentes ambientais do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis ​​(Ibama) e do braço conservacionista do Ministério (ICMBio) afirmava que eles estavam “paralisados” por recentes ordens de suspensão do processamento de novas multas e redução de agentes de campo. poderes para emitir multas por infrações ambientais. O Ministério do Meio Ambiente não respondeu a um pedido de comentário. 

Nos últimos dois anos, o governo Bolsonaro também abriu a porta para aumentar o desmatamento e as emissões.

desmatamento cnnVista aérea do desmatamento na Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo em Altamira na Bacia Amazônica.

No início deste mês, Mourão anunciou a primeira meta oficial do governo Bolsonaro de combate ao desmatamento na Amazônia: taxa de desmatamento em 2022 16% maior do que no ano anterior à posse de Bolsonaro, embora inferior ao atual nível de destruição – estimativas do INPE 11.088 quilômetros quadrados foram perdidos para o desmatamento em 2020.

A meta de 2022 foi descrita como “muito modesta” pelo líder da pesquisa climática brasileira Carlos Nobre, enquanto Marcio Astrini, chefe da rede de defesa ambiental brasileira Observatório do Clima, criticou-a como uma confissão de “crime ambiental”.

A maior parte do desmatamento no Brasil é devido ao desmatamento deliberado. Só a mineração desmatou 405,36 km² da Amazônia Legal nos últimos cinco anos, uma área maior que a cidade de Denver, mostram dados do INPE. E com o desmatamento vêm as emissões. Os gases que retêm o calor são liberados quando as florestas primárias são cortadas e queimadas para limpar a terra para outros usos, de acordo com o Observatório do Clima.

A última atualização do Brasil em sua meta climática para o Acordo de Paris também permite que ela emita mais carbono do que o previamente acordado, usando uma metodologia desatualizada de cálculo de emissões – o que permitiria que mais gases de efeito estufa fossem emitidos sem alterar as metas originais de redução percentual.

Em outubro, o  governo brasileiro divulgou uma versão aprimorada do cálculo, corrigindo algumas falhas da versão anterior que superestimavam a taxa de desmatamento. Mas, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, o Ministério do Meio Ambiente do Brasil continuou usando o método desatualizado até dezembro. 

O pesquisador de serviços ambientais Raoni Rajão e seus colegas da Universidade Federal do Estado de Minas Gerais (UFMG) afirmam que a metodologia desatualizada permite que o Brasil emita 400 milhões de toneladas a mais de gases de efeito estufa do que o prometido quando o Brasil assinou o Acordo de Paris. O Ministério do Meio Ambiente não respondeu a pedido de comentários sobre o assunto.

Carlos Rittl, bolsista sênior do Instituto de Estudos Avançados em Sustentabilidade de Potsdam, na Alemanha, afirma que, nos últimos dois anos, o Brasil vai participar da Cúpula do Clima “sem nada para mostrar” como prova de seu compromisso com o meio ambiente.

“O governo quer apresentar uma foto de uma floresta desmatada e vendê-la como sustentabilidade”, disse ele à CNN.

fecho

Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pela rede CNN [Aqui!   ].