Apesar da desconfiança ocidental, a Sputnik V se tornou uma das vacinas mais procuradas do mundo

vacinaçãoSó na semana passada, cinco outros países aprovaram a vacina corona da Rússia. Um país da UE já registrou a vacina. O ceticismo do Ocidente foi inapropriado?

Por Katharina Wagner de Moscou para o Frankfurter Allgemeine 

A conta oficial do Twitter do “Sputnik V” relata novos sucessos todos os dias. Só na semana passada, a vacina russa contra a COVID-19 foi aprovada no Egito, Quirguistão, Honduras, Guatemala e República da Moldávia; Já chegaram as entregas no México e na Sérvia, e as primeiras doses foram administradas no Paraguai.

Trinta e oito países países já registraram o “Sputnik V”. A Hungria, há também um país da UE, não quis esperar pelo exame da Agência de Medicamentos da União Europeia (EMA), e agora arca com os próprios riscos. O governo tcheco também anunciou no sábado que havia procurado o presidente Vladimir Putin sobre a entrega da vacina russa. A vacina é particularmente popular em países mais pobres, pois custa pouco menos de US $ 20 para as duas doses e pode ser guardada na geladeira. Um estudo publicado na revista “The Lancet” também certificou o “Sputnik V” como sendo altamente eficaz e seguro.

Ainda não está claro se a Rússia conseguirá cumprir suas promessas de entrega, já que depende de fábricas no exterior, por exemplo na Índia e no Brasil, algumas das quais, segundo reportagens da mídia, ainda não produzem. Até agora, os volumes de entrega russos não estão nem perto dos produtores ocidentais. Este é provavelmente um dos motivos pelos quais a Rússia anunciou que estará oferecendo uma “versão light” de sua vacina a partir de março, que fornecerá apenas uma vacina em vez de duas.

Dúvidas são rotuladas como “politização”

Isso também poderia resolver o problema de que o “Sputnik V” aparentemente não é muito mais barato do que a concorrência, como afirma Kirill Dmitrijew, chefe do estatal Fundo de Investimento Diretos da Rússia (RDIF), que co-financiou o desenvolvimento do “Sputnik V” e da vacina agora comercializado no exterior. Segundo o “Financial Times”, a União Africana negociou preços significativamente melhores do que os cobrados para a vacina russa, por exemplo com a Biontech e a Astra-Zeneca.

Mesmo assim, o “Sputnik V” já é um sucesso: em termos de pedidos, atualmente é uma das vacinas mais populares do mundo. Então, o ceticismo que há muito se mostra a ele, especialmente no Ocidente, é inapropriado? Os responsáveis ​​em Moscou retratam dessa forma: dúvidas ou críticas são rotuladas como “politizando” a busca por vacinas. Quando a chefe da Comissão da UE, Ursula von der Leyen, recentemente expressou surpresa por Moscou estar oferecendo milhões de doses de sua vacina a outros países enquanto a campanha de vacinação avançava lentamente em seu próprio país, a representação permanente da Rússia na UE tuitou em resposta: “Não à politização à questão da vacina da COVID-19 “.

Até agora, o ceticismo tem a ver principalmente com questões científicas. Até a publicação no “The Lancet” no início de fevereiro, a segurança e a eficácia do “Sputnik V” não podiam ser avaliadas independentemente porque os desenvolvedores dificilmente divulgaram quaisquer dados. Quando a Rússia aprovou a vacina no verão passado, menos de 100 pessoas participaram dos testes clínicos; a terceira fase crucial do estudo ainda estava pendente e ainda não foi concluída. Essa pressa e o desrespeito aos padrões internacionais alimentaram a desconfiança.

Compare com a Segunda Guerra Mundial

O estudo do “The Lancet” não respondeu a todas, mas a muitas perguntas. O Kremlin também está usando a publicação para promover a vacina em seu próprio país; Presidente Vladimir Putin a revista especializada elogiou-o por sua “objetividade”. Quando o “The Lancet” publicou um estudo em dezembro sobre o envenenamento do membro da oposição Alexei Navalnyj com o agente de guerra Novichok, o porta-voz de Putin disse: “Não lemos revistas médicas”. Agora, o sucesso do “Sputnik V” dá à Rússia a oportunidade de melhorar sua imagem manchada no mundo. Grandes comparações são feitas para isso. O RDIF, portanto, estabeleceu uma conexão com a Segunda Guerra Mundial: o “Sputnik V” queria trabalhar com os Estados Unidos e outros países para enfrentar esse desafio à humanidade “assim como fizemos na Segunda Guerra Mundial”.

Moscou também busca a aprovação da UE, de acordo com suas próprias informações. Mas informações contraditórias vieram da Rússia, o que semeou novas dúvidas sobre a seriedade dos responsáveis: No final de janeiro, o RDIF anunciou que havia pedido a aprovação da UE. A  EMA rejeitou essa informação dizendo que apenas “aconselhamento científico” havia ocorrido e os desenvolvedores expressaram seu interesse em iniciar um processo de “revisão contínua”.

Há pouca confiança no Sputnik V na Rússia

No procedimento de teste que está sendo usado na pandemia da COVID-19 para economizar tempo, os desenvolvedores da vacina enviam dados à EMA continuamente durante os estudos clínicos. Antes de fazer isso, no entanto, a agência da UE verificará se a vacina é promissora e se há dados suficientes disponíveis. Os desenvolvedores só podem enviar um pedido de “revisão contínua” depois que a EMA tiver dado seu consentimento. O RDIF tuitou em meados de fevereiro que esse pedido havia sido feito. No entanto, a agência de drogas da UE confirmou à FAZ que este não era o caso. Definir os próximos passos “em diálogo com a empresa”.

É claro que os requisitos da EMA são muito altos. Por exemplo, todos os dados do paciente dos estudos devem ser enviados e as instalações de produção inspecionadas. Além disso, a EMA agora também exige dados confiáveis ​​sobre a eficácia da vacina contra as novas mutações do vírus. De acordo com o Instituto Gamaleja do Estado de Moscou, que desenvolveu o “Sputnik V”, as vacinações de reforço também devem ajudar contra as variantes britânica e sul-africana. No entanto, dados sobre isso ainda não foram publicados.

Na Rússia, as mutações quase não desempenham nenhum papel até agora. O número de infecções está caindo, embora quase não haja restrições, as regras de distância e máscara são seguidas apenas com indiferença e até agora apenas 2,7 por cento da população recebeu pelo menos uma dose de vacina. Embora todos os adultos em muitas regiões agora possam ser vacinados, a confiança é baixa.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo Frankfurter Allgemeine [Aqui!].

Facebook virou entreposto da grilagem de terras na Amazônia

Parts of Amazon Rainforest in Brazil Are Being Illegally Offered for Sale  on Facebook Marketplace : US News : Latin Post - Latin news, immigration,  politics, culture

Não sei se o hoje multi bilionário Mark Zuckerberg imaginou que um dia o seu “Facebook” iria virar uma espécie de entreposto avançado da grilagem de terras em áreas de conservação ambiental e de terras indígenas na Amazônia brasileira, mas o fato é que virou.  E isto foi meticulosamente documentado por jornalista da rede BBC que acabam de lançar um documentário mostrando o uso da área de anúncios do Facebook, o Marketplace, para que terras públicas sejam vendidas ilegalmente em um esquema que envolve diferentes escalas de envolvimento.

O documentário “Our World: Selling the Amazon” (Amazônia à venda) expõe o funcionamento de um vigoroso mercado ilegal online que opera livremente no Facebook, e uma dos elementos mais comprometedores para o Facebook é que os grileiros admitem que as terras que anunciam não lhes pertencem. E o pior é que o levantamento feito pelos pelos jornalistas da BBC mostra que eles reconhecem que estão vendendo terras públicas, com um detalhe importante que é o fato deles contarem com a impunidade por acreditarem que o presidente Jair Bolsonaro é uma espécie de aliado nesse processo de grilagem de terras públicas.

Interessante notar que a equipe de jornalistas da BBC identificou que a maioria dos anúncios de venda ilegal de terras públicas veio do estado de Rondônia. Como conheço bem o estado já que realizei trabalhos de campo na sua região central entre os anos de 1991 e 2008, pude reconhecer algumas das práticas reveladas como recorrentes dos tempos em que cruzei as estradas empoeiradas na região central do estado.

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O documentário “Amazônia à Venda” tem um duração de 41:10 minutos e pode ser assistido abaixo.

A retomada que não funcionou: um alerta nos números da segunda onda de COVID-19

Análise estatística de pesquisadores da Rede ModInterv sustenta que reaceleração da curva de mortalidade é mais intensa onde ela havia sido “achatada”, traduzindo em números o choque vivenciado em países como a Alemanha. O Brasil também enfrenta segunda onda, mas em situação diferente: “não teve como piorar”

UFPR 1Com o início da “segunda onda” de COVID-19, verificada nos gráficos ModInterv no fim de outubro, a Alemanha adotou lockdown em novembro, que persiste até hoje. Foto: Mega Merkel/Flickr, 2020

Por Camille Bropp

O relaxamento de medidas sanitárias nos países que haviam alcançado o “achatamento da curva” da mortalidade por COVID-19 conduziu a uma segunda onda da doença ainda mais grave, sugerem pesquisadores da Rede Cooperativa de Pesquisa em Modelagem da Epidemia de COVID-19 e Intervenções não Farmacológicas (Modinterv). O estudo “Standard and anomalous second waves in the COVID-19 pandemic, publicado na plataforma de pré-prints medRxiv e submetido ao periódico Scientific Reports, considerou o cenário de dez países, incluindo o Brasil, em seis continentes. A constatação é de que metade dos países analisados haviam controlado a doença, mas registraram até 13 vezes mais mortes na segunda onda na comparação com a primeira.

Com base em parâmetros do modelo matemático, o estudo apresenta um índice que foi descrito pelos pesquisadores de “número de mortes que poderiam ter sido poupadas se o país tivesse conseguido evitar uma segunda onda de covid-19”. A situação foi verificada em Marrocos, Austrália, Áustria, Alemanha e Sérvia. Todos são países que tinham alcançado o platô da curva de mortalidade por COVID-19 — que, no gráfico que considera número de mortes acumuladas e dias desde a primeira morte, significa ausência de mortes —, e viram a retomada da curva chegar a níveis ainda mais altos na segunda onda. Nesse cenário, os casos mais graves dentre os países considerados no estudo são os do Marrocos (12,7 vezes mais mortes), do Irã (8,7 vezes) e da Alemanha (8,4).

O estudo dá números à sensação de “péssima escolha” que governos de países com medidas de contenção bem-sucedidas vivenciaram na sequência das tentativas de retomada do cotidiano ainda sem a existência de uma vacina contra a doença.

“A mensagem do trabalho é que não devemos baixar a guarda pelo fato de a epidemia ter sido ‘controlada’ pela adoção de medidas de controle em um primeiro momento. Quem se ‘arriscou’ e descuidou demais, pagou um preço alto”, avalia Giovani Vasconcelos, professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador da rede ModInterv. Também fazem parte da rede pesquisadores das universidades federais de Pernambuco (UFPE) e Sergipe (UFS).

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Os outros países que tiveram retrocessos com essa dinâmica foram Austrália, Japão, Itália e Sérvia. Segundo um dos conceitos inaugurados pelo estudo, esses países apresentaram uma “segunda onda padrão” da doença, em que a retomada da curva de mortalidade é visível porque houve em algum momento um achatamento dela. Ou seja, a sensação de regressão no combate à doença foi perceptível, ganhando muitas vezes repercussão mundial, porque as populações já haviam experimentado uma época de controle.

Outro caso não mencionado no estudo, mas também considerado pelos pesquisadores como de “segunda onda padrão”, é o da Suíça. “No ajuste da curva de óbitos desse país se vê claramente que a segunda onda é enorme, com cerca de cinco vezes a amplitude da primeira, quando medida em termos dos platôs da curva acumulada”, avalia Vasconcelos.

O risco de “segunda onda” já havia sido registrado em outro estudo da rede, “Power law behaviour in the saturation regime of fatality curves of the COVID-19 pandemic, publicado no final de julho no medRxiv e nesta quinta-feira (25), revisado por pares, no Scientific Reports. Nele, os cientistas aplicam o modelo matemático para medir o comportamento das curvas de mortalidade e concluíram que o achatamento dessa curva precisa ser alcançado rapidamente — por meio de medidas rígidas e por tempo prolongado — não só para evitar mortes, mas para impedir que a doença ressurja. Já nesse estudo, os cientistas notaram a “reaceleração das curvas de fatalidade” em alguns países.

Países como o Brasil, com cenário de mortes constantes, tiveram “segunda onda anômala”

No artigo mais recente, em contraponto à “segunda onda padrão”, os pesquisadores construíram o conceito de “segunda onda anômala” para definir a condição de países que experimentaram uma nova onda da doença sem nunca terem contido as mortes. Nesse quadro estão Brasil, Irã e Estados Unidos.

Segundo Vasconcelos, os conceitos foram inaugurados para distinguir os dois tipos de ondas. “Na Física, existem processos que dão origem a ‘ondas anômalas’. Embora os processos sejam bem diferentes, fizemos uma analogia com esses fenômenos físicos para introduzir o conceito de ‘segunda onda anômala’ no contexto de epidemias”, explica.

No caso dos países com “segunda onda anômala”, a constância do alto número de mortes diárias causadas pela covid-19 já na primeira onda fez com que essa se estendesse por longo período e já fosse significativa em número de mortes, portanto difícil de ser superada. Ainda assim, a curva de mortalidade mostra uma acentuação no número de mortes em algum momento da pandemia.

“A segunda onda começou a partir de um patamar alto de óbitos diários e, portanto, bem antes de a primeira onda ter sido ‘achatada’, por isso dizemos que foi um efeito ‘anômalo’. A segunda onda existe, mas o pico dela mostrou-se menor que o primeiro. É possível que, nesses casos, o ‘sofrimento’ mais prolongado tenha deixado a situação tão ruim que não teve muito como piorar”, avalia o professor Antônio Macêdo do Departamento de Física da UFPE, um dos autores do trabalho.

Ainda assim, o estudo sustenta que esses países tiveram uma segunda onda. No Brasil, ela se apresenta graficamente no dia 26 de outubro. É possível notá-la porque o país, mesmo em meio a uma situação preocupante, apresentou leve queda no número de mortes a partir de um pico, em junho, mas em outubro essa tendência se inverteu e o número diário de mortes voltou a crescer, iniciando assim a segunda onda. Até o último dia, 24 de fevereiro, o país registrava mais de 248,5 mil mortes por covid-19, das quais 62% ocorridas até 19 de outubro.

A situação é oposta à de países que experimentaram a “segunda onda padrão”. Pelas medições da ModInterv, a segunda onda alemã, por exemplo, começou em 17 de outubro, após um verão marcado por reabertura de bares e de festas. O país adotou o lockdown (protocolo de isolamento) em novembro, o que não havia feito antes — o sucesso da contenção se baseava na testagem em massa e no monitoramento de infectados pelo vírus Sars-Cov-2. Depois de um Natal com restrições às reuniões familiares, o governo alemão prorrogou o protocolo três vezes, sendo a última delas para 7 de março. Até o último dia 24, o país registrava quase 68,8 mil mortes por covid-19 e apenas 14% delas ocorreram antes de meados de outubro.

Gráficos matemáticos detectaram países em “terceira onda” de covid-19

Por meio da abordagem dos estudos da ModInterv, que usam modelos matemáticos, já se verificam países em “terceira onda” de COVID-19. No universo dessas projeções, cada onda equivale a uma re-aceleração da curva de mortalidade por motivos variados, desde que não sejam atribuídos à flutuação estatística — isto é, se apresentam como tendências, não casuísticas.

ufpr 3Entre os países do estudo que haviam “achatado” a curva de mortalidade de COVID-19, o Marrocos tem o caso mais preocupante: foram 12,7 vezes mais mortes na segunda onda em relação à primeira. Na foto, a cidade de Rabat. Foto: Lisa Ferdinando/DoD/Fotos Públicas

“Matematicamente falando, podemos definir uma ‘onda epidêmica ‘ como um regime de forte aceleração no crescimento dos números de casos e óbitos, que se mantém por um período prolongado, digamos semanas. Ou seja, houve de fato uma mudança na dinâmica da epidemia e nos respectivos parâmetros epidemiológicos. Essa re-aceleração é um sinal claro do início de uma onda epidêmica”, argumenta Vasconcelos.

Uma reaceleração culmina em um pico e pode ser seguida de uma desaceleração, em uma dinâmica com possibilidade de se repetir em diversos momentos. De acordo com o modelo da ModInterv, vários países já exibem uma terceira onda, entre eles Sérvia, Estados Unidos e Japão. “É possível ainda que alguns venham a exibir ainda uma quarta onda, até que a epidemia seja controlada pela vacina”, avalia o coordenador da rede.

Projeções da Modinterv estão disponíveis em aplicativo para celular

O sistema ModInterv se baseia em um modelo matemático descrito em um artigo científico publicado em junho na revista PeerJ, focada em ciências da vida e ambientais. A inovação do modelo é a capacidade de adaptação da sua fórmula, que permite fazer projeções em diferentes cenários e localidades, desde que a hipótese de um tratamento farmacológico específico para a doença esteja fora da equação. A nova versão do aplicativo já incorpora o modelo com segunda onda e permite identificar se a mesma está presente em uma dada localidade.

O ModInterv pode ser acessado por meio de aplicativo para navegadores de internet e celulares, batizado com o nome da rede. Tanto na ferramenta on-line como na versão para celular, o aplicativo permite escolher curva (contágio ou óbitos) e localidade (cidade, estado ou país). Há ainda a opção de gerar imagens dos gráficos para download.

O aplicativo foi desenvolvido pelo doutorando Arthur Brum, do programa de Física da UFPE, e pelo professor Gerson Duarte, do Departamento de Física da UFS, sob coordenação de Vasconcelos e participação dos demais pesquisadores da Rede ModInterv. Está disponível para uso pela internet e para download na Google Play Store (baixe neste link).

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Este texto foi originalmente publicado pela Universidade Federal do Paraná [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: com mais 67 liberações, governo Bolsonaro lançou 1.100 agrotóxicos no mercado brasileiro

Predominância de empresas chinesas continua marcante na nova leva, com 61% dos agrotóxicos sendo produzidos na China

Conheça os acordos firmados entre Brasil e China em cerimônia realizada no  Itamaraty — Português (Brasil)

Principal parceiro comercial do Brasil na compra de commodities agrícolas, a China está na posição estratégica de impor o consumo de seus agrotóxicos no mercado brasileiro, sob a batuta célere de Tereza Cristina e Jair Bolsonaro

Em uma demonstração que quando quer é eficiente, o governo Bolsonaro acaba de publicar o Ato No. 9 de 22 de fevereiro de 2021  que oficializa a liberação de mais 67 agrotóxicos, o que completa um total de 1.100 agrotóxicos liberados nos primeiros 26 meses da atual administração federal, o que é um verdadeiro recorde em um mercado já altamente saturado pela disponibilidade de mais de 3.000 produtos.

Em mais uma demonstração da hegemonia de empresas chinesas no fornecimento de produtos já existentes no mercado brasileiro, a China é origem de 61% dos produtos aprovados, com o Brasil ficando em segundo lugar (21%) por causa da liberação de 12 agrotóxicos de base biológica (ver figura abaixo).

origem agrotóxicos ato 22

Um detalhe a mais é que a influência chinesa no fornecimento de venenos agrícolas é ainda maior, visto que empresas controladas por capital chinês forneceram produtos a partir de países como Espanha, Israel e o próprio Brasil a partir de uma subsidiária da Syngenta.

Desmontando o mito da modernização e do compromisso da segurança

CBG - Carlos Latuff

Um dos argumentos utilizados rotineiramente pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS), é de que essa verdadeira enxurrada de liberações implicaria na modernização dos produtos sendo vendidos no mercado brasileiro, com a aposentadoria de agrotóxicos mais antigos. O fato é que dos 67 produtos liberados, 64 (95,5%) utilizam ingredientes ativos já registrados anteriormente no país. Ou seja, um verdadeiro museu de velhos agrotóxicos.

Outra falácia propalada por Tereza Cristina é de que os produtos liberados trariam mais segurança para os trabalhadores, consumidores e para o meio ambiente.  Se levarmos em conta os critérios utilizados pela União Europeia, 31% dos produtos sendo liberados se encontram proibidos no mercado europeu por causa dos riscos criados para a saúde humana e o meio ambiente (ver figura abaixo).

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Agrotóxicos altamente perigosos sendo classificados como de baixo risco para a saúde humana 

Mas é ao se examinar que aparecem problemas ainda mais complexos para o entendimento do que está ocorrendo com a política de liberações de agrotóxicos indesejados em mercados mais regulados. Um dos exemplos mais marcantes é o do herbicida Atrazina, proibido na União Europeia a partir de estudos que comprovaram impactos na contaminação do lençol freático. Além disso, a Atrazina tem sido considerada com um disruptor endócrino e que assim pode afetar o processo de reprodução, além de possuir características mutagênicas. Entretanto, no Brasil a Atrazina está classificada como pertencente à Categoria 5 (Improvável de Causar Dano Agudo) à saúde humana.

Mas a Atrazina não é o único agrotóxico com alto potencial de dano à saúde humana e ao meio ambiente e que está classificado como pertencente à Categoria 5.  Bons exemplos disso são os herbicidas Clorimurom-Etílico e Trifloxissulurom-sódico que também foi liberados no Brasil como também pertencendo essa categoria de suposta menor capacidade de causar dano agudo, mas que se encontram proibidos na União Europeia.

Um caso ainda mais gritante é o do é o herbicida Haloxifop-p-metílico que nunca foi autorizado na União Europeia, e que foi classificado pelo governo Bolsonaro, usando a classificação antiga, como sendo de Classe I (Extremamente Tóxico). 

A enxurrada de agrotóxicos deve continuar ao longo de 2021

Pesticides in Drinking Water | Effects of Pesticides in Water

Mas se engana quem pensar que a aprovação de 1.100 agrotóxicos deve diminuir a apresentação de novos pedidos de liberação. Por ter verificado que existem dezenas de pedidos pendentes, a minha avaliação é de que ainda teremos centenas de produtos sendo liberados ao longo de 2021.  O motivo para isso é simples: estamos diante de um governo que é parceiro dos interesses dos grandes fabricantes de agrotóxicos e do latifúndio agro-exportador que pratica um tipo de agricultura que depende da aplicação intensiva de venenos agrícolas para viabilizar suas margens de lucro.

O fato é que depois de superada a pandemia da COVID-19, os brasileiros terão que enfrentar a pandemia dos agrotóxicos, pois, do contrário, nos transfomaremos em um laboratório avançado quem quiser estudar os danos causados por venenos agrícolas sobre a saúde humana e o ambiente. 

Para quem desejar acessar a lista de agrotóxicos liberados pelo Ato No. 9 de 22 de fevereiro, basta clicar [Aqui!]. Já os interessados em baixar a lista de 1.100 agrotóxicos liberados desde janeiro de 2019, basta clicar [Aqui!].

Com risco de colapso por causa da COVID-19, governador Ratinho Junior decreta “lockdown” até 8 de março no Paraná

Santa Catarina anuncia lockdown e aumenta expectativa das medidas do Paraná

Na iminência de enfrentar um colapso generalizado na rede de saúde estadual, o governador Ratinho Júnior PSD) decretou nesta sexta-feira a imposição de um “lockdown” a partir de amanhã (27/02)  em todo o estado do Paraná, que deverá se prolongar inicialmente até o dia 08 de março.

A decisão de Ratinho Junior inclui a suspensão do funcionamento de todas as atividades consideradas não essenciais e a proibição da circulação de pessoas no período de 20 h até os 05 h, bem como está proibida a venda de bebidas alcoólicas em público no mesmo período.

Além disso, estão suspensas as aulas presenciais em escolas públicas e privadas de todo o Paraná, inclusive nas entidades conveniadas com o estado do Paraná, cursos técnicos e em universidades públicas e privadas.

O governo do Paraná também suspendeu por 30 dias a realização de cirurgias eletivas em hospitais públicos e privados para assegurar os estoques de medicamentos anestésicos e reduzir a demanda por leitos hospitalares.

Quem desejar ler todas as medidas adotadas pelo governador do Paraná, basta clicar [Aqui!].

Brasil terá que refazer suas metas no Acordo de Paris antes da COP26

ONU pede revisão de planos climáticos ruins; Brasil ficou fora de Cúpula em 2020 por submeter objetivos que reduzem esforço do país contra aquecimento global

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Um relatório da ONU divulgado hoje (26/02) afirma que as metas atuais dos principais poluidores combinadas não chegam nem perto de mitigar as mudanças climáticas. Segundo o documento, as propostas atuais dos países que representam 30% das emissões de gases de efeito estufa conseguirão reduzir em apenas 1% as emissões até 2030 em relação aos níveis de 2010. Para garantir que o aquecimento global fique abaixo de 2ºC, esse percentual deveria ser de 25%, sendo 45% para a meta de 1,5ºC, segundo cálculos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), maior autoridade científica sobre o assunto.

O relatório Síntese Inicial NDC foi solicitado pelas Partes do Acordo de Paris para medir o progresso dos planos nacionais de ação climática – Contribuições Nacionais Determinadas, conhecidos pela sigla NDC – antes da COP26 em novembro deste ano, que será realizada em Glasgow, na Escócia.

No ano passado, o Brasil ficou de fora da Cúpula de Ambição Climática da ONU exatamente porque os organizadores do evento não consideraram suficientes as metas climáticas divulgadas quatro dias antes do encontro pelo Ministério do Meio Ambiente. O Brasil é o 6º maior emissor do mundo, e a destruição das florestas responde pelo maior volume de emissões.

“No momento, é como se estivéssemos entrando em um campo minado de olhos vendados”, definiu Patrícia Espinosa, secretária executiva de Mudança Climática da ONU. Ela encorajou todas as nações a investigar outras áreas a fim de criar planos mais robustos. “O que precisamos é muito mais radical e transformador do que o que temos agora. Precisamos de planos concretos para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis o mais rápido possível”.

“O relatório provisório de hoje é um alerta vermelho para nosso planeta”, lamenta o secretário geral das Nações Unidas Antonio Guterres. “Os principais emissores devem apresentar metas muito mais ambiciosas de redução de emissões para 2030 em suas Contribuições Nacionais Determinadas bem antes da Conferência Climática da ONU em Glasgow, em novembro. Agora é a hora.”

Laurence Tubiana, CEO da Fundação Europeia do Clima e uma das idealizadoras do Acordo de Paris afirma que os países do G20 deveriam liderar o processo de mitigação das mudanças climáticas. “Os governos que entregaram planos pouco ambiciosos devem — como sugere a ONU — reconsiderar e reapresentar os planos até a COP26”.

Entre pesquisadores e ambientalistas, os resultados do relatório geraram comoção. “É espantoso como os países estão longe de lidar com a crise climática”, afirma Mohamed Adow, diretor da Power Shift Africa, um think tank com sede no Quênia que estuda a transição energética no continente africano. “Alguns países fizeram bem em atualizar suas promessas do Acordo de Paris, mas muitos outros, como Brasil, Japão, Austrália, México e até mesmo a Nova Zelândia não fizeram nada, vergonhosamente. Este estado de coisas não pode continuar.”

Para Niklas Höhne, fundador do NewClimate Institute, organização especializada em políticas climáticas, o maior impacto positivo vem da União Europeia, seguida do Reino Unido e da Argentina. “Mas dez países apresentaram NDCs revisadas sem nenhuma melhoria na ambição ou mesmo retrocedendo: Austrália, Brasil, Japão, México, Nova Zelândia, Singapura, Coreia do Sul, Suíça e Vietnã”, destaca o pesquisador. Ele ressalta que dessa lista, ao menos o Japão já reconheceu a pouca ambição da meta submetida em 2020 e se comprometeu a melhorá-la este ano.

“O Brasil apresentou uma NDC que efetivamente enfraquece suas já insuficientes metas de ação climática para 2025 e 2030”, avalia Höhne. “Como resultado, as emissões do Brasil em 2030 sob a nova meta poderiam ser 27% maiores do que eram quando ratificou o Acordo de Paris em 2016.” Ele lembra que um recuo nas metas de redução de emissões desobedece a exigência do Acordo de Paris de que cada nova NDC seja mais ambiciosa que a anterior.

Esperança

Os resultados do relatório aumentam ainda mais as expectativas em relação a uma postura mais ambiciosa este ano por parte dos dois grandes poluidores do planeta: EUA e China.

“Espero que os EUA e a China possam igualar a União Europeia na entrega de estratégias que nos coloquem no caminho do zero líquido”, afirma Tubiana, que também é embaixadora da França para a Mudança Climática.

A diretora executiva do Greenpeace Internacional, Jennifer Morgan, também joga os holofotes sobre os dois países. “Estamos chamando os maiores emissores do mundo, os Estados Unidos e a China, para entregar NDCs no próximo mês que nos dêem motivos de esperança”, afirma. Ela ainda vê a possibilidade de países que estão indo no caminho contrário voltarem a cooperar pelo clima.

“A Austrália e o Brasil, arrasados por queimadas agravadas pela emergência climática, devem, respectivamente, controlar os interesses dos combustíveis fósseis e da agricultura industrial, enquanto trabalham para criar um futuro justo e seguro para seus cidadãos e proteger a preciosa biodiversidade”, disse a ambientalista.

 
“Com planos climáticos lamentavelmente fracos, grandes emissores como Japão, Austrália e Brasil estão pesando sobre a ambição global, quando na verdade deveriam estar liderando”, afirma Tasneem Essop, diretor executivo da Climate Action Network. Para ele, anúncios de metas líquidas zero em 2050 não podem ser o único sinal de ambição climática. “Os EUA e a China – que ainda vão apresentar suas NDCs – devem fazê-lo o mais rápido possível. É imperativo que os Estados Unidos forneçam sua parte justa, tanto sobre a redução de emissões, como em relação às finanças.”

O relatório está disponível  [Aqui!]

Desastre continuado em Brumadinho: pesquisa mostra potencial toxicogenético na água e sedimentos do Rio Paraopeba após rompimento de barragem da Vale

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Um estudo realizado por uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acaba de ter publicado um artigo na revista  “Science of the Total Environment “  onde são apresentados os resultados de um estudo que avaliou o potencial toxicogenético da água e sedimento do rio Paraopeba, cinco dias após o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Vale em Brumadinho (MG) em janeiro de 2019, pelo teste Allium cepa.

Amostras de água coletadas em locais mais próximos à barragem desmoronada causaram uma frequência maior de danos genéticos e menor taxa de divisão celular em comparação com o local a montante. Nos sedimentos foi observada uma diminuição da taxa de divisão celular e a ocorrência de danos genéticos nos pontos de coleta mais próximos à barragem.

figura 3

A frequência de aberrações e o índice mitótico em células de A. cepa expostas a sedimentos foram negativamente associados aos níveis da maioria dos elementos nas frações total e biodisponível.  Além disso, também foi observada uma associação negativa entre algumas concentrações de metais na água total e dissolvida com o índice mitótico.  Já os efeitos genotóxicos foram positivamente correlacionados com as concentrações da maioria dos metais.

Em geral, os resultados desse estudo demonstram o potencial dos rejeitos que escaparam da barragem rompida em Brumadinho para causar efeitos citogenotóxicos devido às maiores concentrações de metais liberados na coluna d’água e nos sedimentos.

Resultados reforçam necessidade de monitoramento de longo prazo na bacia do Rio Paraopeba

Segundo o professor Carlos Eduardo de Rezende, professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Uenf, este artigo é o primeiro estudo que demonstra o potencial toxicogenético dos rejeitos lançados no Rio Paraopeba. O Prof. Rezende aponta que estes resultados reforçam a necessidade de um monitoramento de longo prazo da bacia hidrográfica do Rio Paraopeba devido ao avanço da pluma de rejeitos que está ocorrendo ao longo do tempo.

Estudo do ‘mundo real’ em Israel mostra que a vacina contra o coronavírus da Pfizer é 94% eficaz

PFIZERUm profissional de saúde prepara uma dose da vacina contra o coronavírus Pfizer-BioNtech Covid-19 em uma clínica móvel em Israel. Foto: AFP

O estudo israelense, publicado no New England Journal of Medicine , também mostrou que há provavelmente um forte benefício protetor contra infecções, um elemento crucial para interromper a transmissão progressiva.

As curvas de incidência cumulativa (1 menos o risco de Kaplan-Meier) para os vários desfechos são mostradas, começando no dia da administração da primeira dose da vacina. As áreas sombreadas representam intervalos de confiança de 95%. O número em risco em cada momento e o número cumulativo de eventos também são mostrados para cada resultado

“Esta é a primeira evidência revisada por pares em grande escala da eficácia de uma vacina em condições do mundo real”, disse Ben Reis, pesquisador da Harvard Medical School e um dos autores do artigo.

Envolveu quase 600.000 pessoas que receberam as vacinas e um número igual que não as receberam, mas foram parecidas com suas contrapartes vacinadas por idade, sexo, geografia, médicos e outras características.

A eficácia contra o COVID-19 sintomático foi de 94 % sete ou mais dias após a segunda dose – muito próxima dos 95% alcançados durante os ensaios clínicos de Fase 3.

Na Inglaterra, pesquisadores disseram na quinta-feira que as pessoas que receberam duas doses da vacina Pfizer estão gerando fortes respostas de anticorpos à medida que a injeção é aplicada.

Uma pesquisa do Imperial College London mostrou que 87,9% das pessoas com mais de 80 anos testaram positivo para anticorpos após duas doses da vacina Pfizer-BioNTech, aumentando para 95,5 % para aqueles com menos de 60 anos e 100 por cento para aqueles com menos de 30

“Embora haja alguma queda na positividade com a idade, em todas as idades, obtemos uma resposta muito boa a duas doses da vacina”, disse Paul Elliott, presidente de Epidemiologia e Medicina de Saúde Pública do Imperial College London, a jornalistas.

Os níveis de anticorpos são apenas uma parte do quadro de imunidade, com vacinas também demonstrando gerar forte proteção de células T.

Quase 95% dos menores de 30 anos testaram positivo para anticorpos 21 dias após uma dose, mas isso diminuiu nos grupos mais velhos.

A pesquisa descobriu que 34,7% dos 80 anos ou mais geraram respostas de anticorpos a partir de uma dose da vacina Pfizer, mas o Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização (JCVI) da Grã-Bretanha encontrou anteriormente alta proteção da vacina Pfizer após uma dose, mesmo quando os níveis de anticorpos são mais baixos.

A Grã-Bretanha estendeu o intervalo entre as doses para 12 semanas, embora a Pfizer tenha alertado que só tem dados de eficácia clínica com um intervalo de três semanas entre as vacinas.

Mais de 154.000 participantes participaram do estudo de vigilância domiciliar do Imperial para anticorpos COVID-19, que monitora os níveis de anticorpos de infecções naturais e também entre os vacinados, entre 26 de janeiro e 8 de fevereiro.

A pesquisa também analisou a confiança nas vacinas e mostrou que era alta, com 92% tendo aceitado ou planejando aceitar uma oferta de vacina, embora a confiança fosse menor entre os negros, caindo para 72,5%.

Mais de 217 milhões de doses de vacinas foram administradas globalmente, embora a grande maioria tenha sido administrada em países de alta renda.

Há grandes esperanças de que as inoculações permitam que o mundo finalmente saia de uma pandemia que matou mais de 2,4 milhões, infectou 112 milhões e atingiu a economia global.

Mas especialistas em saúde advertiram que, a menos que o mundo inteiro tenha acesso às vacinas, a pandemia não terá fim.

Isso ocorreu quando Gana se tornou o primeiro país a receber injeções sob o esquema global Covax Facility, abrindo caminho para que as nações mais pobres alcancem as partes mais ricas do mundo. As 600 mil doses são da Oxford-AstraZeneca e serão administradas em várias cidades de Gana a partir de terça-feira.

Dados mais otimistas, entretanto, surgiram sobre a vacina de injeção única da Johnson & Johnson, que se mostrou altamente eficaz contra os casos graves de COVID-19, incluindo variantes mais recentes, em dados detalhados divulgados pelo regulador dos EUA. A vacina provavelmente será autorizada em breve, tornando-se a terceira disponível no país mais afetado.

A empresa americana de biotecnologia Moderna também anunciou que sua nova vacina candidata contra a COVID-19, voltada para a perigosa variante do coronavírus sul-africano, foi enviada a laboratórios governamentais para teste.

fecho

Este artigo foi inicialmente escrito em inglês e publicado pelo “South China Morning Post”  [Aqui!].

Coronel do Exército exonerado por Ricardo Salles no MS diz que ministro criou situação sórdida ao aparelhar e paralisar o IBAMA

SALLES IBAMA

O contexto [da exoneração] é o seguinte: o ministro Ricardo Salles organizou o Ibama, o ICMbio e o próprio ministério com base nos coronéis da PM de São Paulo. Tenho profundo respeito pela corporação, são pessoas, não é porque é PM não… Mas sei o seguinte, está equivocada essa política, está mal administrada. O Ibama está paralisado. O meio ambiente está mal”, disse o ex-superintendente. Marchetti afirmou que foi nomeado no Ibama, em 2019, por indicação de um general do Exército “com o aval do presidente da República”, Jair Bolsonaro.

salles sordido

O coronel disse, em entrevista nesta terça-feira (23) divulgada pelo site de notícias Campograndenews, que é “sórdido o que está acontecendo” e que o ministro “mobiliou todo o Ibama”. Segundo ele, mobiliar é um termo usado por militares para designar a ocupação de cargos. Ao UOL, Marchetti confirmou as declarações e deu mais detalhes.

Veja matéria completa do UOL sobre as declarações do coronel Luiz Marchetti [Aqui!].

Até tú, Ted? Por que a desregulamentação falhou

Até o senador Ted Cruz (Republicano/Texas) percebeu que os quilowatts-hora não são como abacates
 
Texas Power Grid Run by ERCOT Set Up the State for Disaster - The New York  Times
Por Paul Krugman para o “The New York Time”
 
Ninguém está totalmente preparado para desastres naturais. Quando furacões, nevascas ou tsunamis acontecem, eles sempre revelam fraquezas – falha no planejamento, falha no investimento em precauções.
 
O desastre no Texas, entretanto, foi diferente. O colapso da rede elétrica do Texas não revelou apenas algumas deficiências. Ele mostrou que toda a filosofia por trás da política energética do estado está errada. E também mostrou que o estado é governado por pessoas que recorrem a mentiras flagrantes em vez de admitir seus erros.
 
O Texas não é o único estado com um mercado de eletricidade amplamente desregulamentado. No entanto, levou a desregulamentação mais longe do que qualquer outra pessoa. Há um limite máximo para os preços da eletricidade no atacado, mas é estratosférico alto. E essencialmente não há regulamentação prudencial – nenhuma exigência de que as concessionárias mantenham a capacidade de reserva ou invistam em coisas como isolamento para limitar os efeitos do clima extremo.
 
A teoria era que tal regulamentação não era necessária, porque a magia do mercado cuidaria de tudo. Afinal, um aumento na demanda ou uma interrupção no fornecimento – ambos ocorridos no congelamento profundo – levarão a preços altos e, portanto, a grandes lucros para qualquer fornecedor de energia que consiga continuar operando. Portanto, deve haver incentivos para investir em sistemas robustos, justamente para aproveitar eventos como os que o Texas acaba de vivenciar.
 
A política energética do Texas foi baseada na ideia de que você pode tratar a eletricidade como abacates. As pessoas se lembram da grande escassez de abacates em 2019? O aumento da demanda e uma safra ruim na Califórnia levaram à alta dos preços; mas ninguém pediu um inquérito especial e novas regulamentações para os produtores de abacate.
 
Na verdade, algumas pessoas não veem nada de errado com o que aconteceu no Texas na semana passada. William Hogan, o professor de Harvard amplamente considerado o arquiteto do sistema do Texas, afirmou que aumentos drásticos de preços, embora “não convenientes”, eram como o sistema deveria funcionar.
 
Mas os quilowatts-hora não são abacates, e há pelo menos três grandes razões para fingir que sim é uma receita para o desastre.
 
Primeiro, a eletricidade é essencial para a vida moderna de uma forma que poucas outras mercadorias podem se comparar. Ter que ficar sem torradas de abacate não vai te matar; ter que ficar sem eletricidade, especialmente quando sua casa depende dela para aquecimento, pode.
 
E é extremamente duvidoso que mesmo a perspectiva de lucros altíssimos durante uma escassez ofereça aos fornecedores de energia incentivo suficiente para levar em conta os enormes custos humanos e econômicos de uma queda prolongada de energia.
 
Em segundo lugar, a eletricidade é fornecida por um sistema – e o investimento preventivo por um jogador no sistema não adianta se os outros participantes não fizerem o mesmo. Mesmo que o proprietário de uma usina termoelétrica a gás isole e proteja suas turbinas para o inverno, ele não pode funcionar se o gasoduto que fornece seu combustível ou a cabeça do poço que fornece o gás congelarem.
 
Então, o livre mercado garante que todo o sistema funcione sob pressão? Provavelmente não.
 
Por último, mas não menos importante, um sistema que depende dos incentivos oferecidos por preços extremamente altos em tempos de crise não é viável, prática ou politicamente.
 
No início, os texanos que não perderam o poder no grande congelamento se consideraram sortudos. Mas então as contas chegaram – e algumas famílias se viram sendo cobradas em milhares de dólares por alguns dias de eletricidade.
 
Muitas famílias provavelmente não têm dinheiro para pagar essas contas, então estamos potencialmente diante de uma onda de falências pessoais. E mesmo aqueles que não enfrentam a ruína ficam, previsivelmente, indignados.
 
Possivelmente, a observação mais reveladora da crise do Texas até agora foi um tweet de, entre todas as pessoas, o senador Ted Cruz (R-Cancún), que fumegou que “nenhuma empresa de energia deveria receber lucros inesperados por causa de um desastre natural” e apelou “ reguladores estaduais e locais ”para“ prevenir esta injustiça ”.
 
O senador, que não é conhecido pela autoconsciência, pode não perceber o que fez ali. Mas se mesmo Ted Cruz – Ted Cruz! – acredita que os reguladores devem evitar que as empresas de energia obtenham lucros inesperados em um desastre, o que elimina qualquer incentivo financeiro do setor privado para se preparar para tal desastre. E isso, por sua vez, destrói toda a premissa por trás da desregulamentação radical.
 
Assim, os republicanos que ocupam todos os cargos estaduais do Texas aprenderão com esse desastre e repensarão toda a sua abordagem à política energética? Claro que não. A reação imediata deles foi culpar falsamente a energia eólica pela crise e atacar os defensores de um New Deal Verde – embora algo como um New Deal Verde, isto é, investimento público em infraestrutura energética, seja exatamente o que o Texas precisa.
 
E uma coisa que definitivamente aprendemos nos últimos meses é que, uma vez que os políticos se comprometam com uma Grande Mentira, seja ela epidemiologia, economia ou resultados eleitorais, não há como voltar atrás.
 
Mas enquanto o complexo da mídia política de direita não pode e não vai aprender nada com a derrocada do poder no Texas, o resto de nós pode. Acabamos de receber uma visão clara do lado escuro (e frio) do fundamentalismo de livre mercado. E essa é uma lição que não devemos esquecer.
 
*Paul Krugman é colunista de opinião desde 2000 e também professor ilustre do Centro de Pós-Graduação da City University of New York. Ele ganhou o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2008 por seu trabalho sobre comércio internacional e geografia econômica. @PaulKrugman
 
fecho
 
Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “The New York Times” [Aqui!] .