Rio Morto: Ativistas ambientais, pesquisadores e atingidos pelo desastre de Mariana apresentam demandas à justiça capixaba

Formalização de demanda ao Ministério Público e à Defensoria Pública relativa à repercussões do desastre do rompimento da barragem de Fundão no ES

 À
Excelentíssimos(as) Representantes do Ministério Público Federal – MPF
Excelentíssimos(as) Representantes do Ministério Público do Estado do Espírito Santo – MPES
Excelentíssimos(as) Representantes da Defensoria Pública da União – DPU
Excelentíssimos(as) Representantes da Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo – DPES

Assunto: Solicitação de informações, transparência e inclusão das comunidades da foz do Rio Doce no processo de tomada de decisão sobre o manejo dos rejeitos de Fundão e acesso a estudos sobre contaminação de águas, sedimentos e alimentos.

Prezados(as),

Nós, organizações da sociedade civil, pesquisadores, comunidades tradicionais, pescadoras(es), quilombolas e demais moradores da região da foz do Rio Doce, dirigimo-nos a Vossas Excelências para expressar preocupação urgente e indignação crescente diante dos impactos que persistem após o rompimento da barragem de Fundão (2015) e, especialmente, da recente abertura de consulta pública visando à definição de Termo de Referência para estudos ambientais sobre o manejo dos rejeitos depositados na UHE Candonga.

Segundo nota oficial do IBAMA publicada em 21/01/2025, está aberta Consulta Pública para recebimento de subsídios técnicos ao Termo de Referência que orientará os estudos ambientais para o manejo dos rejeitos de Fundão retidos na Usina Hidrelétrica de Candonga, com prazo e procedimento definidos pelo órgão ambiental federal. (Fonte: IBAMA – “Consulta pública para subsídios ao Termo de Referência para estudos ambientais do manejo dos rejeitos depositados na UHE Candonga” – gov.br)
Link: https://www.gov.br/ibama/pt-br/assuntos/notas/2025/consulta-publica-subsidios-ao-termo-de-referencia-para-estudos-ambientais-do-manejo-dos-rejeitos-depositados-na-uhe-candonga

Tal informação causou espanto devido à ausência de comunicação e participação social e intensa preocupação entre as comunidades locais, uma vez que a situação dos rejeitos está diretamente relacionada à situação de presença de metais contaminantes ao longo da calha do Rio Doce o que implica diretamente na saúde e segurança alimentar de quem vive na foz, local que já enfrenta histórico de contaminação pós-desastre.

A apreensão é agravada pelo conteúdo do estudo divulgado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), que registrou elevada concentração de metais pesados em alimentos cultivados no estuário do Rio Doce, tais como mandioca, banana e cacau. De acordo com a pesquisa, foram identificados teores preocupantes de chumbo, cádmio, cobre, cromo e níquel, em níveis acima de padrões internacionais de segurança alimentar estabelecidos pela FAO e OMS. (Fonte: UFES – “Pesquisadores encontram elevada concentração de metais em alimentos cultivados no estuário”). Segundo observa-se “o estudo também reconhece que seria necessário ampliar a amostragem de áreas ao longo do Rio Doce para melhor compreender o potencial risco para a população atingida pelo desastre. Porém, os resultados oferecem um sinal de alerta, pois dependendo da quantidade de alimentos ricos em metais consumidos, assim como de fontes adicionais de contaminação (solo, ar e água), existe a possibilidade de risco para crianças.”
Link: https://www.ufes.br/conteudo/pesquisadores-encontram-elevada-concentracao-de-metais-em-alimentos-cultivados-no-estuario

Adicionalmente, reportagem investigativa independente publicada pela Mongabay Brasil (2025) reforça que, 10 anos após o rompimento de Mariana, famílias quilombolas do Rio Doce ainda convivem com água imprópria para consumo e pesca contaminada, afetando diretamente os modos de vida das comunidades de Degredo, Povoação e Regência. A matéria registra relatos de adoecimento, perda de sustento, insegurança alimentar e ausência de reparação efetiva. (Fonte: Mongabay Brasil – “Dez anos após Mariana, quilombolas do Rio Doce ainda sofrem com água contaminada”)
Link: https://brasil.mongabay.com/2025/11/dez-anos-apos-mariana-quilombolas-do-rio-doce-ainda-sofrem-com-agua-contaminada/?amp=1

Essas referências configuram um cenário crítico e epidemiologicamente sensível, indicando que qualquer decisão relacionada aos rejeitos de Candonga sem controle e participação social informada e qualificada pode aprofundar a injustiça socioambiental já instalada.

Nesse sentido, é absolutamente necessário que as Instituições de Justiça observem o risco que está colocado, inclusive às futuras gerações, garantindo que mesmo em tempos vindouros seja possível escrutinar o processo de tomada de decisão realizado hoje, atribuir responsabilidades e avaliar novos riscos em face às situações ainda desconhecidas.

Ressaltamos que o direito à proteção ambiental e à saúde no Brasil possui fundamento constitucional sólido e orientação expressa de responsabilidade intergeracional. O artigo 225 da Constituição Federal de 1988 estabelece que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo ao poder público e à coletividade o dever de preservá-lo para as presentes e futuras gerações. De forma relacionada, está o artigo 196, que reconhece a saúde como direito universal e impõe políticas voltadas à redução de riscos ambientais. Tal fundamento é reforçado pela Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), que incorpora os princípios da prevenção e da reparação, responsabilizando o poluidor e estabelecendo instrumentos para controle da degradação; pela Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985), que permite a tutela judicial de direitos difusos e coletivos, incluindo danos ambientais de caráter continuado; e pela Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/1997), que reconhece a água como bem público finito a ser utilizado de forma sustentável entre gerações. Soma-se a isso a proteção prioritária conferida a crianças e adolescentes pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990), garantindo-lhes direito ao desenvolvimento saudável e reforçando o dever estatal de assegurar condições ambientais seguras. Em âmbito internacional, o Princípio 3 da Declaração do Rio/92 consagra o dever de atender equitativamente às necessidades das gerações presentes e futuras e a Convenção 169 da OIT (Decreto nº 5.051/2004) assegura a consulta prévia, livre e informada de povos e comunidades tradicionais diante de ações que afetem seus territórios e modos de vida. Conjunto normativo que, articulado, consolida a proteção ambiental e sanitária como direito fundamental intergeracional, sobretudo em contextos de risco tóxico contínuo como o da bacia e foz do Rio Doce.

Diante disso, requeremos:

  1. Acesso público integral e simplificado a todos os documentos referentes ao processo de manejo dos rejeitos na UHE Candonga, incluindo Termo de Referência preliminar, pareceres técnicos, estudos de risco, alternativas tecnológicas avaliadas e plano operacional.
  2. Disponibilização de todos os estudos ambientais, hidrológicos e toxicológicos existentes sobre contaminação na bacia do Rio Doce, com recorte específico para o estuário e costa capixaba, incluindo o estudo da UFES aqui citado e outros que estejam em posse de órgãos públicos e empresas responsáveis.
  3. Informação detalhada e atualizada sobre medidas adotadas e previstas pelos responsáveis pela reparação, especialmente monitoramento de metais na água, pescado e alimentos, ações de saúde pública e planos de mitigação.
  4. Inclusão formal das comunidades quilombolas de Degredo, e das localidades de Povoação e Regência, e suas ATIs, no processo decisório, com consultas públicas presenciais, linguagem acessível e respeito ao direito de participação social livre e informada, conforme princípios da Convenção 169 da OIT e legislação ambiental brasileira.
  5. Criação de mecanismo permanente de diálogo e transparência, com canal institucional de acompanhamento comunitário, audiências públicas, acesso a dados e relatórios periódicos.
  6. Disponibilização de um plano de comunicação e divulgação científica que permita que as comunidades possam acompanhar e compreender os aspectos técnico-científicos envolvidos na questão de manejo de rejeitos e outros relacionados a contaminação do rio, mar, ou ligados a qualquer repercussão potencial ou conhecida nos usos do rio e mar.

Reiteramos que o manejo dos rejeitos de Fundão sem transparência, ciência acessível e participação dos povos atingidos não é aceitável. A vida e a saúde das comunidades precisam ser tratadas como prioridade absoluta.

Solicitamos que respostas formais sejam enviadas aos autores e signatários desta representação.

Colocamo-nos à disposição para diálogo e cooperação institucional.

Atenciosamente,
Associações, coletivos, comunidades, pesquisadores e pessoas signatárias

Laboratório de pesquisa em política ambiental e justiça – LAPAJ/UFES (coordenação da Profa. Cristiana Losekann)

Associação de Surf de Regência –

Movimento dos Atingidos por barragens –

Rio Morto: artigo de revisão analisa literatura científica produzida sobre o rompimento da barragem de Bento Rodrigues

Um artigo publicado pela revista científica  Next Research  traz  os resultados de uma análise por um grupo de pesquisadores que atuam em diversas instituições brasileiras, e que priorizou um estudo de artigos revisados ​​por pares que abordavam os processos de recuperação ambiental nos anos subsequentes ao desastre que ocorreu em Mariana (MG) após ruptura da barragem de rejeitos da mineradora Samarco (Vale+ BHP) em novembro de 2015. 

Os artigos analisados tinham como foco a avaliação de parâmetros físico-químicos e indicadores biológicos. Além da literatura acadêmica, foram consultadas a legislação brasileira e relatórios oficiais para complementar os achados científicos. Por fim, os estudos selecionados foram utilizados para discutir os impactos observados e os potenciais efeitos a longo prazo do rompimento da barragem de Fundão, bem como para explorar alternativas para aprimorar a recuperação ambiental.

O artigo se concentra na avaliação dos resultados sobre parâmetros físico-químicos e indicadores biológicos em ecossistemas de água doce, estuarinos, marinhos e terrestres. Os resultados que surgem nesta revisão indicam a existência de uma contaminação persistente por metais-traço, degradação do solo, redução da biodiversidade, aumento da resistência antimicrobiana em microrganismos ambientais, bioacumulação em organismos aquáticos e potenciais riscos crônicos à saúde das comunidades locais ao longo da bacia do Rio Doce. Embora tenha sido observada recuperação parcial da qualidade da água e dos sedimentos, os artigos compilados apontam que muitos ecossistemas permanecem sob forte pressão decorrente do processo crônico de contaminação, uma década após o rompimento da barragem em Mariana (MG).

É importante frisar que as descobertas desta revisão fornecem uma base científica para orientar estratégias de restauração ambiental no âmbito do Acordo de Reparação do Rio Doce (2025), que destina R$100 bilhões ao longo de 20 anos para mitigar os impactos a longo prazo do desastre.

Os autores da presente revisão ressaltam a a necessidade de monitoramento integrado, regulamentações ambientais atualizadas e políticas públicas baseadas em evidências científicas.

Quem desejar baixar este artigo na íntegra, basta clicar [Aqui!].

Pesquisadores da Universidade de Cambridge identificam 168 substâncias químicas tóxicas para bactérias intestinais benéficas

Por Sustainable Pulse 

Uma triagem laboratorial em larga escala, realizada por pesquisadores da Universidade de Cambridge, identificou 168 substâncias químicas produzidas pelo homem que são tóxicas para as bactérias presentes no intestino humano saudável. Essas substâncias inibem o crescimento de bactérias intestinais consideradas vitais para a saúde. A maioria dessas substâncias, que provavelmente entram em nosso organismo por meio de alimentos, água e exposição ambiental, não era anteriormente considerada como tendo qualquer efeito sobre as bactérias.

À medida que as bactérias alteram sua função para tentar resistir aos poluentes químicos, algumas também se tornam resistentes a antibióticos como a ciprofloxacina. Se isso acontecer no intestino humano, poderá dificultar o tratamento de infecções.

A nova pesquisa, liderada pela Universidade de Cambridge, testou o efeito de 1076 contaminantes químicos em 22 espécies de bactérias intestinais em laboratório. Os produtos químicos que têm efeito tóxico sobre as bactérias intestinais incluem agrotóxicos como herbicidas, por exemplo, o glifosato , e inseticidas pulverizados em plantações, além de produtos químicos industriais usados ​​em retardantes de chama e plásticos.

O microbioma intestinal humano é composto por cerca de 4.500 tipos diferentes de bactérias, todas trabalhando para manter o bom funcionamento do nosso corpo. Quando o microbioma é desequilibrado, isso pode ter efeitos abrangentes na nossa saúde, incluindo problemas digestivos, obesidade e impactos no sistema imunológico e na saúde mental.

As avaliações padrão de segurança química não consideram o microbioma intestinal humano porque os produtos químicos são formulados para agir em alvos específicos; por exemplo, os inseticidas devem ter como alvo os insetos.

Os pesquisadores utilizaram seus dados para criar um modelo de aprendizado de máquina capaz de prever se substâncias químicas industriais – sejam elas já em uso ou em desenvolvimento – serão prejudiciais às bactérias intestinais humanas. A pesquisa, incluindo o novo modelo de aprendizado de máquina, foi  publicada na revista Nature Microbiology .

A Dra. Indra Roux, pesquisadora da Unidade de Toxicologia do MRC da Universidade de Cambridge e primeira autora do estudo, afirmou: “Descobrimos que muitos produtos químicos projetados para agir apenas em um tipo de alvo, como insetos ou fungos, também afetam as bactérias intestinais. Ficamos surpresos com a intensidade dos efeitos de alguns desses produtos químicos. Por exemplo, muitos produtos químicos industriais, como retardantes de chama e plastificantes – com os quais temos contato regular – não eram considerados como tendo qualquer efeito sobre os organismos vivos, mas têm.”

O professor Kiran Patil, da Unidade de Toxicologia do MRC da Universidade de Cambridge e autor principal do estudo, afirmou: “O verdadeiro poder deste estudo em larga escala reside no fato de agora termos os dados necessários para prever os efeitos de novos produtos químicos, com o objetivo de avançarmos para um futuro em que os novos produtos químicos sejam seguros desde a sua concepção.”

O Dr. Stephan Kamrad, da Unidade de Toxicologia do MRC da Universidade de Cambridge, que também participou do estudo, afirmou: “As avaliações de segurança de novos produtos químicos para uso humano devem garantir que eles também sejam seguros para as nossas bactérias intestinais, que podem ser expostas a esses produtos químicos através da nossa alimentação e água.”

Há pouca informação disponível sobre os efeitos diretos de substâncias químicas ambientais em nosso microbioma intestinal e, consequentemente, em nossa saúde. Os pesquisadores afirmam que é provável que nossas bactérias intestinais estejam sendo expostas regularmente às substâncias químicas testadas, mas as concentrações exatas que chegam ao intestino são desconhecidas. Estudos futuros que monitorem a exposição de todo o nosso organismo serão necessários para avaliar o risco.

Patil afirmou: “Agora que começamos a descobrir essas interações em um ambiente de laboratório, é importante começar a coletar mais dados sobre exposição química no mundo real, para ver se existem efeitos semelhantes em nossos corpos.”

Entretanto, os pesquisadores sugerem que a melhor maneira de tentar evitar a exposição a poluentes químicos é lavar as frutas e verduras antes de consumi-las e não usar agrotóxicos no jardim.


Fonte: Sustainable Pulse

‘Produção de alimentos e combustíveis fósseis causam danos ambientais de 5 bilhões de dólares por hora’, aponta relatório da ONU

Um relatório do Escritório Geológico da ONU afirma que acabar com esse dano é fundamental para a transformação global e precisa ser feito “antes que o colapso se torne inevitável”

Um trabalhador rural ara os campos com vista para a refinaria e planta petroquímica de Grangemouth, na Escócia.

Um trabalhador rural ara os campos com vista para a refinaria e planta petroquímica de Grangemouth, na Escócia. Fotografia: Murdo MacLeod/The Guardian

Por Damian Carrington para “The Guardian” 

De acordo com um importante relatório da ONU, a produção insustentável de alimentos e combustíveis fósseis causa danos ambientais de US$ 5 bilhões (R$ 21,8 bilhões) por hora.

Acabar com esse dano é uma parte fundamental da transformação global da governança, da economia e das finanças, necessária “antes que o colapso se torne inevitável”, disseram os especialistas.

relatório Global Environment Outlook (GEO) , produzido por 200 pesquisadores para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, afirmou que a crise climática, a destruição da natureza e a poluição não podem mais ser vistas simplesmente como crises ambientais.

“Todos esses problemas prejudicam nossa economia, segurança alimentar, segurança hídrica, saúde humana e também representam questões de segurança [nacional], levando a conflitos em muitas partes do mundo”, disse o professor Robert Watson, co-presidente da avaliação.

Todas as crises ambientais estavam se agravando à medida que a população global crescia e exigia mais alimentos e energia, a maior parte dos quais era produzida de maneiras que poluem o planeta e destroem o mundo natural, disseram os especialistas. Um mundo sustentável era possível, afirmaram, mas exigia coragem política.

“Este é um apelo urgente para transformarmos nossos sistemas humanos agora, antes que o colapso se torne inevitável”, disse o professor Edgar Gutiérrez-Espeleta, outro co-presidente e ex-ministro do Meio Ambiente da Costa Rica.

“A ciência é boa. As soluções são conhecidas. O que é necessário é a coragem para agir na escala e na velocidade que a história exige”, disse ele, acrescentando que a janela de oportunidade para agir está “se fechando rapidamente”.

Os especialistas reconheceram que a situação geopolítica atual é difícil, com os EUA sob a liderança de Donald Trump, alguns outros países e interesses corporativos trabalhando para bloquear ou reverter ações ambientais. Watson, ex-presidente de importantes grupos internacionais de ciência climática e biodiversidade, afirmou: “O público precisa exigir um futuro sustentável para seus filhos e netos. A maioria dos governos tenta atender a essa demanda.”

O relatório GEO é abrangente – 1.100 páginas este ano – e geralmente é acompanhado por um resumo para formuladores de políticas, que é acordado por todos os países do mundo. No entanto, fortes objeções de países como Arábia Saudita, Irã, Rússia, Turquia e Argentina a referências a combustíveis fósseis, plásticos, redução do consumo de carne e outras questões impediram que um acordo fosse alcançado desta vez.

Uma declaração emitida pelo Reino Unido em nome de 28 países afirmou: “Testemunhamos tentativas de desviar a atenção para questionar a natureza científica deste processo. Nossas delegações respeitam plenamente o direito de cada Estado de salvaguardar os interesses e direitos nacionais de seu país, mas a ciência não é negociável.”

O relatório da GEO enfatizou que os custos da ação são muito menores do que os custos da inação a longo prazo e estimou que os benefícios da ação climática, por si só, valeriam US$ 20 trilhões por ano até 2070 e US$ 100 trilhões até 2100. “Precisamos de países visionários e empresas do setor privado que reconheçam que obterão mais lucro abordando essas questões em vez de ignorá-las”, disse Watson.

O relatório continha diversas “verdades cruciais”, disse Gutiérrez-Espeleta: as crises ambientais eram emergências políticas e de segurança, ameaçando os laços sociais que mantinham as sociedades unidas. Os governos e sistemas econômicos atuais estavam falhando com a humanidade e a reforma financeira era a pedra angular da transformação, afirmou: “A política ambiental deve se tornar a espinha dorsal da segurança nacional, da justiça social e da estratégia econômica”.

Um dos maiores problemas apontados foi o prejuízo ambiental de US$ 45 trilhões por ano causado pela queima de carvão, petróleo e gás, além da poluição e destruição da natureza provocadas pela agricultura industrial, segundo o relatório. O sistema alimentar representou a maior parte dos custos, com US$ 20 trilhões, seguido pelo transporte, com US$ 13 trilhões, e pela geração de eletricidade a partir de combustíveis fósseis, com US$ 12 trilhões.

Esses custos – chamados de externalidades pelos economistas – devem ser incorporados aos preços da energia e dos alimentos para refletir seu valor real e incentivar os consumidores a optarem por escolhas mais ecológicas, disse Watson: “Portanto, precisamos de redes de proteção social. Precisamos garantir que os mais pobres da sociedade não sejam prejudicados por um aumento nos custos.”

O relatório sugere medidas como uma renda básica universal , impostos sobre a carne e subsídios para alimentos saudáveis ​​à base de plantas.

O relatório também apontou a existência de cerca de US$ 1,5 trilhão em subsídios prejudiciais ao meio ambiente para combustíveis fósseis , alimentos e mineração. Esses subsídios precisam ser eliminados ou redirecionados, acrescentou o documento. Watson observou que a energia eólica e solar são mais baratas em muitos lugares, mas seu desenvolvimento é prejudicado por interesses ligados aos combustíveis fósseis.

A crise climática pode ser ainda pior do que se pensava, afirmou: “É provável que estejamos subestimando a magnitude das mudanças climáticas”, com o aquecimento global provavelmente atingindo o limite superior das projeções feitas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

O relatório afirma que a eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis poderia reduzir as emissões em um terço.

Este artigo foi alterado em 9 de dezembro de 2025. Uma versão anterior afirmava que o relatório da GEO estimava que os benefícios da ação climática, por si só, valeriam “US$ 100 bilhões” até 2100; o correto seria US$ 100 trilhões.


Fonte:  The Guardian

A curiosa nota de “esclarecimentos” do Porto do Açu que, na verdade, é uma admissão


Por força do hábito, leio todas as notícias que saem sobre o empreendimento popularmente conhecido como Porto do Açu. Por isso, acabei me deparando com um material publicado pelo portal jornalístico Ururau em que é apresentada uma nota de “esclarecimentos” do que parecer ser a assessoria de imprensa do Porto do Açu.
Dessa nota de dois parágrafos, destaco o seguinte”

“A respeito do processo de desapropriação, de responsabilidade da Codin, a Porto do Açu Operações reafirma que, desde o início do projeto, com o objetivo de mitigar os impactos sociais inerentes, como falta de documentação regular dos imóveis, morosidade da via judicial e dificuldade em levantar o valor depositado em juízo, ofereceu aos proprietários e ou possuidores desapropriados a opção de venda das suas propriedades diretamente à empresa. Inclusive, vem empenhando grandes esforços para impulsionar os processos junto ao cartório, em ampla iniciativa para realização de acordos.

Trocando em miúdos, a nota admite algo que até as pedras em frente da sede do judiciário sanjoanense já sabem. Aproveitando-se de mais de uma década de andamento moroso dos processos de expropriação promovidos pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin), a Porto do Açu está se oferecendo para “comprar” as terras desapropriadas de seus reais proprietários. Além disso, a Porto do Açu admite que “vem empenhando grandes esforços para impulsionar os processos junto ao cartório, em ampla iniciativa para realização de acordos“.
A questão que me parece ter ficado de fora de quem produziu essa simpática nota de esclarecimentos é que cabe ao ente desapropriador, no caso a Codin, tratar dos processos relacionados às terras desapropriadas, já que elas se tornaram bem público, ainda que estejam estranhamento sob posse e controle do Porto do Açu.
Além do mais, ao se apresentar às famílias desapropriadas, muitas delas extremamente pobres, para comprar as terras do V Distrito, a Porto do Açu poderá apenas firmar os chamados “contratos de gaveta”, já que as terras desapropriadas não mais pertencem às famílias, mas ao estado do Rio de Janeiro. Assim, ao proceder da forma que está procedendo, a Porto do Açu apenas contribui para aumentar o grau de incerteza a que centenas de famílias já vivem desde o então (des) governador Sérgio Cabral desapropriou para depois passar ilegalmente as terras da agricultura familiar para o ex-bilionário Eike Batista.
E eu me pergunto: por onde andam as autoridades judiciais em meio a esta geleia geral onde os perdedores acabarão sendo os de sempre, os agricultores desapropriados do V Distrito de São João da Barra.

Observatório dos Agrotóxicos: governo Lula libera mais agrotóxicos proibidos na Europa para abastecer o latifúndio agro-exportador

Warning Signs: How Pesticides Harm the Young Brain - Cornucopia Institute

Enquanto a região do sul do Brasil se prepara para mais uma situação de evento meterológico extremo e tem-se a confirmação de que estamos vivendo um período de aquecimento agravado da atmosfera da Terra, o governo Lula continua tocando o barco e liberando mais agrotóxicos para venda e consumo em território nacional. É que hoje o Diário Oficial da União trouxe a publicação do Ato Nº 58, de 3 de dezembro de 2025, liberando mais 22 agrotóxicos do tipo “produto técnico” que são a versão concentrada que antecede a formulação dos produtos que serão vendidos. 

Uma primeira análise da lista de 22 agrotóxicos, um padrão comum em todo o ciclo de autorizações que o Blog do Pedlowski acompanha desde 2019 se confirma: 19 desses produtos são fabricado na China, o que mantém o principal comprador das commodities brasileiras na posição de maior fornecedor de venenos agrícolas.

Outro elemento comum que já mostrado em outras publicações neste blog é que a maioria dos produtos liberados (pelo menos 14) são de produtos que foram proibidos ou sequer autorizados para uso pela União Europeia (UE).  No caso do herbicida Clorfenapir a proibição na UE se deu em 2001 em função dos problemas ambientais e para a saúde humana, sendo que para outro herbicida, o Ciproconazol, a proibição é de 2004.  E não podemos esquecer do Imazetapir, herbicida que foi proibido na UE em 2002 por causa da sua toxicidade para o desenvolvimento ou reprodutiva, carcinogenicidade, etc.), e por sua alta persistência ambiental e periculosidade. Outros dois herbicidas, Diclosulam e Fomesafen, sequer chegaram a ser autorizados para uso na UE, mas estão sendo liberados para venda e consumo no Brasil.

O moral da história é o seguinte: por detrás dos discursos de responsabilidade e de compromisso com a agroecologia, o que temos na prática é uma enxurrada de aprovações que aumentam a exposição dos brasileiros a poderosos venenos agrícolas que adoecem os brasileiros via contato direto, consumo de alimentos e ingestão de água contaminados por um complexo coquetel de substâncias químicas banidas em outras partes do planeta.

Beirando o colapso: Nuvens de 2,4-D prejudicam produção de uvas, maçãs, azeitonas e hortaliças no RS

Lavouras sofrem com a deriva das pulverizações intensas sobre plantações de soja. A Justiça proibiu o agente químico, mas o governo Leite reverteu. MPF e diversos setores pedem o fim do registro do 2,4-D e derivados

Sabor, saúde e cultura: RS abastece indústria de vinhos e sucos. Foto: Fábio Ribeiro dos Santos/Embrapa

Por Cida de Oliveira* para o Blog do Pedlowski

Maior produtor brasileiro de uvas, com cerca de 90% do total nacional destinado à fabricação de sucos, vinhos e espumantes, o Rio Grande do Sul (RS) também se destaca na produção de frutas, azeite e hortaliças. Segundo a Radiografia da Agropecuária Gaúcha 2024, do governo estadual, mais de 88% da noz-pecã vem de pomares gaúchos, assim como mais de 70% dos pêssegos e 42% das maçãs brasileiras. E tem a maior área de cultivo de oliveiras, que produziu em 2023 mais de 193 mil litros de azeite.

Toda essa produção –que inclui ainda a erva-mate, fumo, mel, plantas e árvores nativas de várias espécies –vem sendo prejudicada por uma outra cultura importante. A soja, que representa 40% da produção agrícola gaúcha, com 18 milhões de toneladas na safra 2023/2024, segundo o governo. A terceira maior produção nacional, com 18,3 milhões de toneladas, colado ao Paraná, com 18,7 milhões de toneladas. O Mato Grosso é o primeiro, com 39,3 milhões de toneladas.

A área de soja mais que dobrou em 23 anos. Segundo o IBGE e a Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) houve um salto de 3,1 milhões de hectares em 2000 para mais de 6,6 milhões de hectares em 2023. O avanço ocorreu principalmente sobre regiões tradicionalmente voltadas à fruticultura, vitivinicultura, olericultura, olivicultura e até de pastagem no bioma Pampa.

Para dar conta, as vendas do 2,4-D também saltaram. O Ibama informa que em 2000 foram vendidas no estado 18.590 toneladas de agrotóxicos em geral. E no período de 2019 a 2023, foram 34.877 toneladas somente de 2,4-D. Em todos os anos do período, o RS ficou atrás apenas do Mato Grosso, protagonista na produção agrícola nacional, onde foram comercializadas 47.677 toneladas. E no ano com vendas mais aquecidas, 2021, foram 8.706 toneladas. Como destaca o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, esse mercado gigantesco se deve também ao uso em plantas transgênicas tolerantes ao agrotóxico. E ao aumento do número de plantas indesejáveis que criam resistência ao glifosato. Mas não é só: “Os agricultores estão percebendo o surgimento de mais plantas indesejáveis resistentes também ao herbicida 2,4-D. E por isso vão aumentando as dosagens usadas nas pulverizações. Uma combinação de novas áreas de cultivo de grãos com o aumento do uso nas áreas antigas resulta em maior consumo no total”, disse ao Blog do Pedlowski.

Parte de todo esse herbicida, porém, é desviada para bem além das lavouras alvo durante a pulverização –a chamada deriva, que está na raiz da queda da produtividade das diversas culturas que mencionamos na abertura desta reportagem. Isso porque esse desvio de gotículas e vapores pode alcançar longas distâncias, de até 40 quilômetros, atingindo plantações vizinhas ou distantes. Inclusive aquelas sensíveis ao produto. E podem também contaminar culturas orgânicas, agroecológicas, assentamentos e territórios de populações tradicionais.

Danos irreparáveis

Os danos da deriva dessas pulverizações “são irreparáveis”, afirmou ao Blog do Pedlowski Sérgio Poletto, que é presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Assalariados Rurais de Vacaria e Muitos Capões, que representa empregados de empresas da agropecuária e produtores na produção agrícola familiar.

“A toxicidade do 2,4-D danifica, impede o crescimento e causa a mortandade de inúmeras espécies vegetais da circunvizinhança e até mesmo em locais mais afastados da propriedade rural”, disse Poletto. “A gente tem perdas significativas no setor da uva, que é o maior impactado. Mas tem a questão da maçã, oliveiras, nozes pecã e as hortaliças. É toda essa conjuntura no estado, com perda significativa. Esses danos aumentando a cada ano, a cada safra aqui no RS. Existem produtores e cooperativas de vinho que estão fechando as portas; estão à beira do colapso”, disse a liderança, que percorre o estado dialogando com esses grupos e especialistas e ver de perto a situação.

Uma pesquisa recente da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) mostra que o herbicida presente na deriva, mesmo em baixa concentração, causa distúrbios fisiológicos significativos em mudas de nogueira-pecã e de oliveira. Isso leva à redução no crescimento, alteração na fotossíntese e danos celulares irreversíveis em culturas de alta imponência econômica e ecológica.

Outra pesquisa da mesma universidade constatou, após 30 dias de exposição, efeitos nefastos sobre o crescimento, na produção de compostos fenólicos e no desenvolvimento de brotações de videiras. E isso mesmo em simulação com níveis residuais e subletais de 2,4-D. Segundo a autora, “desde 2014 o plantio de novas mudas passou a ser inviabilizado, uma vez que, a partir da intensificação dos episódios de deriva de herbicidas hormonais na região, as mudas não conseguem mais se estabelecer e, em um período de até três anos, acabam morrendo”.

O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) também vem alertando sobre problemas e queda na produtividade do azeite gaúcho. Segundo a entidade , olivicultores esperavam produzir em torno de 1 milhão de litros de azeite na safra de 2023, mas conseguiram cerca de 600 mil litros. Em 2024 foi pior: 192 mil litros. Há relatos de produtores que pensam em desistir. E quem pretende entrar no setor tem preocupações com a soja.  

Apesar dos impactos nocivos da deriva do 2,4-D serem relados há décadas, o governo do Rio Grande do Sul publicou instruções normativas (nº 05/2019, 08/2019, 09/2019, 12/2022 e 13/2022) que são ineficazes. Produtores não preenchem declarações essenciais para o monitoramento e proteção da circunvizinhança. Foram também oferecidos cursos de boas práticas para aplicação, que foram alvos de críticas. “Claro que houve os cursos de formação e qualificação em todo o estado, mas o produtor de soja não segue essas regras. Ele não vai medir as condições de vento, temperatura e umidade. Aplica quando precisa e pronto. E o pior é que ninguém fiscaliza isso”, afirmou Sergio Poletto.

Essa realidade, segundo a liderança, expõe também a urgência de medidas para proteger a saúde dos trabalhadores expostos às pulverizações. “São eles que aplicam o veneno, que estão diretamente expostos à deriva, muitas vezes sem nenhum equipamento de proteção individual”, ressaltou. E lembrou que há estudos sobre o potencial da substância de causar problemas hormonais e reprodutivos, diversos tipos de câncer, linfoma não-Hodgkin, alterações genéticas e malformações congênitas. Segundo relatórios da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o 2,4-D pode ser categorizado como tóxico ao DNA das células, ao sistema reprodutivo e neurológico, além de desregulador do sistema endócrino. O agente ativo, aliás, é proibido na Dinamarca, Suécia e Noruega, e em alguns estados do Canadá e províncias da África do Sul.

Veneno chegou a ser proibido

No início de setembro, a Justiça concedeu limiar à ação civil pública movida pela Associação dos Vitivinicultores da Campanha Gaúcha e Associação Gaúcha de Produtores de Maçã e concedeu liminarmente a proibição do uso e comercialização do herbicida no estado. E determinou que o estado instale um sistema seguro de monitoramento e fiscalização e que apresente, em 120 dias, projeto de sistema de monitoramento e a delimitação das zonas de exclusão. Mas o governo de Eduardo Leite (PSD) recorreu. Alegou prejuízos econômicos e administrativos aos produtores de grãos que já compraram insumos para o início da safra 2025/2026. A Justiça acatou e derrubou a proibição, torando-se alvo de críticas e repúdio de diversas instituições. A ação segue em análise.

Em atenção à Justica, o governo anunciou no final de novembro que criaria, por decreto, zonas de exclusão para o uso do herbicida. E que, de início, seriam contempladas regiões na Fronteira Oeste, o Pampa e o entorno de Jaguari, as principais produtora de oliveiras. Mas há críticas. “Essas zonas de exclusão divulgadas não resolvem a raiz do problema, que é a deriva do herbicida, que continuam. Dependendo do vento, da umidade, do calor, pode chegar a 30, 40 quilômetros do ponto de aplicação. E até mais. Então se criam áreas de exclusão bem menores que o alcance da deriva, o que não vai resolver o problema dos produtores de orgânicos”, disse Poletto.

Na mesma época, o Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos divulgou nota em defesa da imediata suspensão da comercialização e uso do 2,4-D, do fim do registro da substância e seus derivados no país, políticas públicas de incentivo à agroecologia e o fortalecimento da fiscalização e do monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos e no meio ambiente, incluindo o 2,4-D e seus derivados. O Fórum é um espaço que reúne mais de 70 instituições, como órgãos públicos, conselhos, sociedade civil, sindicatos e universidades.

Em entrevista ao Blog do Pedlowski, a procuradora da República Ana Paula Carvalho de Medeiros, coordenadora adjunta do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FGCIA), defendeu que o Estado tome medidas que aumentem a proteção à saúde e meio ambiente, como é de sua competência. “E não o contrário”, disse, referindo-se ao recurso do governo Leite contra a proibição. Ela citou o exemplo do governo do Ceará, que em 2019 proibiu a pulverização aérea de agrotóxicos em todo o estado. “A constitucionalidade da lei foi questionada, mas confirmada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023”, lembrou. Uma manobra, no entanto, conseguiu autorizar o uso de drones no lugar de aviões agrícolas.

Ela lembrou que uma iniciativa legislativa no estado para proibir o 2,4-D foi apresentada em 2109 (Projeto de Lei 214/19), com apoio do Fórum. Apesar da importância, não prosperou e, conforme o Blog do Pedlowski apurou, se encontra atualmente arquivado.

O fórum gaúcho também é contrário aos incentivos tributários à indústria dos agrotóxicos. Levantamento de um grupo de pesquisa em justiça ambiental, alimentos, saberes e sustentabilidade da Universidade do Vale do Taquari (RS), calculou a renúncia de todos os estados e o Distrito Federal 2017. E atualizou os valores para 2023, com base no IPCA. O RS abriu mão de R$ 973,7 milhões em 2023 referente ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). É como se tivesse pagando para as indústrias causarem danos à saúde e meio ambiente.


*Cida de Oliveira é jornalista e colaboradora do Blog do Pedlowski

Um rara análise sobre futebol e sobre um certo jornalismo anti-Abel Ferreira

4 lições de liderança testadas por Abel Ferreira no Palmeiras | Exame

Quem me conhece sabe que sou torcedor da Sociedade Esportiva Palmeiras, coisa que faço desde que eu era uma criança que ouvia jogos pelo rádio onde o Palmeiras podia encarar o Santos Futebol Clube de Pelé e companhia sem medo de ser goleado. Com isso, deixo claro que torço pelo Palmeiras há mais de seis décadas, ainda que minhas idas a estádios sejam raros. Ao longo de 60 anos, tive momentos de alegria, tristeza e vergonha, mas nunca deixei de ser palmeirense. É como dizia Joelmir Betting, “Torcer para o Palmeiras não precisa de explicação. É amor!” 

Mas esclarecido o que foi esclarecido acima, também tenho que dizer que no início do ano proferi em casa uma frase que pode parecer contraditória: esse ano não vamos ganhar nada.  É que dadas as decisões de trocar praticamente o time inteiro,  uma pessoa minimamente racional saberia que em qualquer esporte há que se ter um mínimo de tempo para que se possa almejar títulos ou medalhas. E chegando ao final da temporada de 2025, eis que realmente o Palmeiras não conseguiu nenhum título, apenas dois vice-campeonatos. Olhando com um viés minimamente racional, esses dois vice-campeonatos vão muito além do que poderia ser esperado. E os tais 700 milhões que foram gastos pela diretoria? Esperemos para ver a evolução que ocorrerá, ou não, em 2026 e aí poderemos ter uma avaliação mais segura. Como parece que não haverá troca da comissão técnica e a maioria dos jogadores ficará, esse parece ser o caminho mais correto para se avaliar o trabalho de Abel Ferreira e companhia.

Mas se eu estou certo, por que então a imensa maioria dos jornalistas esportivos do eixo Rio-São Paulo, especialmente os de São Paulo, teimam em classificar o ano do Palmeiras como um fracasso e seu técnico, Abel Ferreira, como um fracassado?  Eu diria que as explicações misturam várias coisas que nem sempre são óbvias. Podemos colocar pitadas de clubismo (já que muitos desses jornalistas são torcedores também), xenofobia, interesses econômicos, e ressentimento.  São todas essas coisas que me parecem colaboram para que o Palmeiras e Abel Ferreira sejam merecedores de críticas tão ácidas.  Ah, sim, o estilo “eu sou a maioral” da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, também não ajuda a açúcar as análises, na medida em que é a única mulher no cargo que ocupa no futebol brasileiro, e ela parece suscitar as piores tendências em determinadas figuras que surgem e somem no cenário jornalístico brasileiro.

Eu adoraria ter tempo para conduzir uma pesquisa sobre as manifestações de determinados jornalistas que abordasse suas falas e seu texto a partir do método científico, com técnicas estabelecidas. É que eu procederia as análises a partir de parâmetros explícitos, e não com os padrões com que eles julgaram o ano do Palmeiras e o trabalho de Abel Ferreira e sua comissão técnica.  Com certeza iria ser uma contribuição interessante sobre como determinados conteúdos jornalísticos refletem agendas que não são necessariamente aquilo que parecem.

Uma palavra sobre Abel Ferreira. Tem horas que eu não entendo suas escalações e substituições que nem sempre me parecem as mais corretas ou justificadas. Mas isso não quer dizer que eu não veja, mesmo em um ano em que não se ganhou título, o brilhantismo óbvio que caracteriza o trabalho dele desde que se tornou técnico do Palmeiras.  Lembro que a primeira vez que vi Abel Ferreira eu o fiz por meio de uma tela de TV no aeroporto de Londres em um jogo em que dirigia o Sport Club Braga em algum campeonato europeu.  Ainda recordo que o locutor disse que ali estava um jovem técnico com grande futuro no futebol europeu. Quando foi contratado pelo Palmeiras em 2020, achei estranho que ele tivesse decidido cruzar o oceano para se estabelecer em São Paulo. Afinal de contas, vir para o futebol brasileiro não seria uma aposta que eu faria como opção de carreira. Mas cinco ano depois da sua chegada, até o mais corneta dos palmeirense sabe que ele já se tornou o maior treinador da história centenária do clube.  Negar isso deveria ser deixado para os jornalistas esportivos que parecem ter um jeito peculiar de avaliar fracasso e sucesso.

Recentemente respondi a uma enquete em um grupo de palmeirenses sobre se Abel Ferreira deveria continuar sendo técnico da Sociedade Esportiva Palmeiras. Respondi de forma dúbia: para o bem do Palmeiras, ele deveriaficar; para o bem do próprio Abel, ele deveria “vazar”.   Mas ele ficar, que nos brinde com sua versão mais ácida, chutes em microfones, repostas duras para perguntas burras, e, se der, com mais títulos.   

Agência Ambiental dos EUA rejeita alerta científico de câncer causado por atrazina, corrobrando críticas feitas pela Syngenta

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Por Brian Bienkowski e Carey Gillam para “The New Lede” 

Órgãos reguladores dos EUA estão rejeitando uma nova pesquisa de especialistas internacionais em câncer que alerta para a ligação entre o câncer e o pesticida atrazina, amplamente utilizado, ridicularizando a equipe de cientistas e ecoando as críticas da Syngenta, fabricante da atrazina.

Segundo um porta-voz da Agência de Proteção Ambiental (EPA), a EPA não vê necessidade de agir rapidamente em relação à nova avaliação divulgada no mês passado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde.

A IARC tem “um longo histórico de conclusões gravemente equivocadas”, afirmou a porta-voz da EPA, Carolyn Holran.

Em novembro, a IARC classificou a atrazina — o segundo herbicida mais utilizado nos EUA, depois do glifosato — como provavelmente cancerígena para humanos”, após uma longa revisão de anos de estudos científicos.

O grupo citou evidências de estudos em humanos, animais e mecanismos que levaram às suas conclusões, incluindo pesquisas que associam a substância química ao linfoma não Hodgkin em humanos. A IARC afirmou haver evidências “fortes” em estudos mecanísticos que demonstram que a atrazina apresenta características-chave de carcinógenos, incluindo inflamação, estresse oxidativo e morte celular.

A IARC tem “um longo histórico de conclusões gravemente equivocadas” – afirmou Carolyn Holran, porta-voz da EPA.

A classificação como cancerígena não foi uma surpresa para os defensores da saúde pública e ambiental, que há muito tempo pedem a proibição da atrazina não apenas por preocupações com o câncer, mas também devido a pesquisas que a associam a danos reprodutivos e ao desenvolvimento.

Uma pesquisa realizada pela própria Syngenta há mais de 20 anos mostrou altas taxas de câncer entre os trabalhadores de sua fábrica de pesticidas, um fato que a empresa não divulgou até ser obrigada por um processo judicial.

“Isso deveria ser apenas mais um prego no caixão da atrazina”, disse Lori Ann Burd, diretora de programa de saúde ambiental e advogada sênior do Centro para a Diversidade Biológica. “Apesar de todas as evidências crescentes, parece que nada está sendo feito para conter esse produto químico terrível que é proibido em tantos outros lugares.” 

A atrazina é proibida em cerca de 60 outros países, incluindo toda a União Europeia, mas os agricultores dos EUA aplicam aproximadamente 70 milhões de libras do pesticida em seus campos todos os anos, geralmente usando-o para cultivar milho, sorgo e cana-de-açúcar, de acordo com estimativas da EPA .

Incitar o medo?

A IARC possui quatro classificações para as diferentes substâncias, práticas de estilo de vida e outros fatores ambientais que analisa para determinar os níveis de risco para os seres humanos – e a maioria das conclusões de mais de 1.000 dessas análises foi considerada pela IARC como “não classificável” quanto à carcinogenicidade.

A classificação atribuída à atrazina – “provavelmente cancerígena” – é a mais rara emitida pela IARC. A segunda classificação mais rara é “cancerígena”.

“Isto deve ser apenas mais um prego no caixão da atrazina.” – Lori Ann Burd, Centro para a Diversidade Biológica

No entanto, a EPA considera a classificação da atrazina pela IARC como “apenas mais um exemplo da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer da Organização Mundial da Saúde usando uma abordagem profundamente falha em suas avaliações de câncer”, disse Holran.

Ela afirmou que a IARC está simplesmente fomentando o medo, salientando que a avaliação científica final completa do grupo não deverá ser publicada antes do final de 2026 ou 2027 .

Quando a avaliação completa da IARC estiver disponível nos próximos dois anos, a agência considerará se há alguma nova descoberta científica a ser levada em conta para fins regulatórios, disse Holran. O atrazina está atualmente em processo de registro pela agência, mas Holran não comentou sobre o andamento do processo. 

Avaliações anteriores da EPA concluíram que “a totalidade das evidências disponíveis não sustenta uma associação entre a exposição à atrazina e o câncer em humanos”. 

O resumo da classificação da atrazina pela IARC foi publicado no periódico The Lancet Oncology no mês passado. É prática comum da IARC publicar os resumos bem antes do extenso volume final das classificações.

Holran fez coro às críticas da Syngenta, que emitiu um comunicado no mesmo dia em que a conclusão da IARC foi divulgada, apontando de forma depreciativa para classificações anteriores da IARC sobre práticas como beber bebidas muito quentes , trabalhar como barbeiro ou cabeleireiro exposto a produtos químicos para coloração capilar , consumir carne vermelha e trabalhar no turno da noite — todas classificadas pela IARC como “provavelmente cancerígenas”.

Em seu comunicado, a Syngenta classificou o relatório como “totalmente inconsistente com o consenso científico de cerca de 50 autoridades reguladoras e órgãos de especialistas científicos em todo o mundo” e afirmou que a IARC “não avalia sistematicamente a qualidade nem a consistência” dos estudos que examina ao fazer suas avaliações.  

A classificação da IARC não estabeleceu uma “relação causal entre a exposição à atrazina e o aumento do risco de câncer”, afirmou a Syngenta.

Sob escrutínio há anos

A atrazina tem sido alvo de escrutínio há anos, em meio a evidências científicas que associam a exposição a defeitos congênitos, baixo peso ao nascer, disfunções hormonais, alguns tipos de câncer e problemas no sistema imunológico. Um estudo de 2011 concluiu que a atrazina “causa efeitos graves na saúde humana”, que variam desde efeitos no sistema nervoso, sistema imunológico, rins, coração e fígado, até hormônios e enzimas. Ela é considerada um disruptor endócrino , o que significa que pode interferir no sistema hormonal humano.

Embora os trabalhadores agrícolas sejam considerados o principal grupo populacional exposto à atrazina, o produto químico é comumente levado das lavouras dos campos agrícolas para os cursos d’água e é um poluente recorrente no abastecimento de água potável para milhões de americanos.

Russell Cattley, pesquisador e professor da Universidade de Auburn e presidente do grupo de trabalho da IARC sobre atrazina, composto por 22 membros, não comentou se a nova classificação deveria ou não impactar as decisões regulatórias nos EUA, mas afirmou que as classificações “são frequentemente usadas como base para políticas, diretrizes, avaliações de risco e recomendações nacionais e internacionais para minimizar os riscos de câncer”.

Questionado sobre as críticas da Syngenta, Cattley afirmou que o grupo “revisa rigorosa e sistematicamente estudos disponíveis publicamente, principalmente da literatura científica revisada por pares, e avalia a força das evidências de que um agente pode causar câncer em humanos”, acrescentando que o grupo sobre a atrazina era composto por 22 especialistas internacionais independentes de 12 países. 

Daniele Mandrioli, cientista italiano e membro do grupo de trabalho da IARC sobre atrazina, afirmou que a determinação da concentração de atrazina foi baseada em um “forte consenso” do grupo de trabalho da IARC.

Ele afirmou que a descoberta do grupo sobre a atrazina poderia “servir globalmente como uma avaliação de risco sólida e independente, na qual as autoridades de saúde pública e todas as partes interessadas poderiam confiar e adotar”.

Documentos internos obtidos por meio de litígios contra a empresa relacionados à atrazina revelaram que a empresa fez de tudo para desacreditar ou silenciar os críticos do herbicida, incluindo a contratação de uma agência de detetives para investigar cientistas de um painel consultivo federal, o pagamento secreto a terceiros para que parecessem apoiar de forma independente a segurança da atrazina e a tentativa de difamar a reputação de um cientista que constatou impactos alarmantes da atrazina em anfíbios.

Steve Tillery, o advogado que descobriu os arquivos internos da Syngenta em uma batalha judicial de nove anos, afirmou que as evidências dos danos causados ​​pela atrazina são claras e que a Syngenta trabalhou para ocultar essas evidências.

“Eles não têm sido transparentes”, disse ele sobre a empresa. “Pelo que vimos, trata-se de uma substância química que quase certamente causa diversos tipos de doenças humanas muito graves.”

Ele disse que a EPA deveria tomar providências.

“Quando se trata de vidas humanas, de sofrimento humano, acho que a primeira e mais importante obrigação da EPA e desses fabricantes é a segurança das pessoas que usam esses produtos químicos”, disse Tillery.

Substância química diferente, mesmo debate

As críticas da EPA e da Syngenta à IARC são semelhantes à reação da EPA e da fabricante de pesticidas Monsanto quando a IARC classificou o herbicida glifosato como provavelmente cancerígeno para humanos em 2015. A Monsanto, que introduziu os herbicidas à base de glifosato na década de 1970, chamou o trabalho da IARC de ciência lixo e trabalhou para intimidar e assediar os pesquisadores de câncer, pressionando os EUA a cortar o financiamento da agência de pesquisa do câncer.

Antes disso, as classificações da IARC não eram normalmente vistas como controversas, mas a Monsanto e seus aliados trabalharam para desacreditar a organização e suas conclusões. Um grupo que comprovadamente recebe financiamento da indústria química também atacou a IARC por sua classificação de um tipo de substância per e polifluoroalquilada (PFAS).

Desde que a IARC classificou o glifosato, mais de 150.000 ações judiciais foram movidas por pessoas que alegam que a exposição a herbicidas à base de glifosato da Monsanto, como o Roundup, causou o desenvolvimento de linfoma não Hodgkin.

A EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) ainda mantém a posição de que o glifosato provavelmente não causa câncer em humanos, e o governo Trump se posicionou esta semana ao lado da Bayer , que comprou a Monsanto em 2018, em sua batalha contra o processo judicial em andamento sobre o Roundup.

“A EPA se contorceu toda para negar as conclusões da Organização Mundial da Saúde sobre o glifosato e para se manter firme em sua avaliação, então não tenho muita esperança de que eles analisem a atrazina com a mente aberta sob a atual liderança política”, disse Burd. 

A classificação da IARC surge depois de a EPA ter revisto, em outubro, a sua determinação anterior de que a atrazina provavelmente prejudica mais de 1.000 espécies ameaçadas de extinção. A agência, juntamente com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, afirmou agora, em outubro, que a atrazina representa pouco ou nenhum risco para as espécies ameaçadas de extinção.

Philip Landrigan, diretor do Observatório Global de Saúde Planetária do Boston College, afirmou que é provável que a posição da EPA sobre a atrazina permaneça inalterada, apesar das preocupações levantadas pela IARC.

“Acho que a EPA, sob a atual liderança, encontrará uma maneira de ignorar isso”, disse ele. No entanto, ele tinha esperanças maiores em relação a outros países.

“Os processos regulatórios não mudam da noite para o dia”, disse ele. “Mas acho que veremos mudanças acontecendo nos próximos dois anos.”

Imagem em destaque: Getty Images para Unsplash+


Fonte: The New Lede

Governo Castro quer prorrogar prazo de adesão ao PROPAG, o que pode inviabilizar PCV da Uenf em 2026

Castro pede autorização à Alerj para o Estado do Rio aderir ao novo  programa de refinanciamento de dívidas com a União

Jogo duplo: projeto de lei de adesão ao Propag é enviado para a Alerj, mas governador age para postergar período para adesão

Este blog acaba de ter acesso a uma peça assinada pelo Procurador Geral do estado do Rio de Janeiro, Renan Miguel Saad,  que é dirigida ao ministro do Superior Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, que se resume a um pedido de prorrogação da adesão do estado do Rio de Janeiro ao chamado Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) , o qual prevê uma revisãorevisão aprimorada dos termos das dívidas contraídas por estados e o Distrito Federal com a União.

A principal razão alegada para postergar a adesão do Rio de Janeiro ao Propag seria uma aludida demora do congresso nacional para pressionar os vetos do presidente Lula à Lei Complementar nº 212/2025 que instituiu o referido programa.

O Procurador Geral alega que “a eventual extinção do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), combinada com a indefinição quanto às regras do novo programa, inviabiliza qualquer planejamento fiscal de médio e longo prazo sob os parâmetros antigos, o que reforça a razoabilidade de se aguardar a estabilização do novo regime antes de qualquer reformulação formal do Plano.

O que me parece curioso nesta alegação é que o estado do Rio de Janeiro foi promulgada com vetos em 14 de janeiro de 2025, o que teria dado tempo suficiente para o governador Cláudio Castro preparar a proposta de adesão do Rio de Janeiro, mesmo levando em conta a possibilidade de que os vetos mais importantes caíssem, como caíram.

Por outro lado, a permanência do Rio de Janeiro no RRF por qualquer tempo que seja traz custos financeiros significativos, já que as regras do Propag serão mais leves para os estados que aderirem aos seus termos. Isso levanta a questão de que em outros casos, o governo do Rio de Janeiro agiu de forma célere, utilizando o instrumento da urgência urgentíssima em que os projetos transitam em velocidade quântica por todas as comissões e pelo plenário da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Uma possível explicação para o pedido de postergação feito pela PGE/RJ se deve ao ambiente caótico que se estabeleceu recentemente na Alerj em função da prisão do seu presidente, o deputado Rodrigo Bacellar por obstrução de investigação.

O atraso da adesão ao Propag e seus impactos sobre o PCV da Uenf

Uma vítima adicional do imbróglio envolvendo a adesão do Rio de Janeiro ao Propag é o novo Plano de Cargos e Vencimentos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). É que sem adesão ao Propag, dificilmente o governador Cláudio Castro enviará o projeto de lei do PCV/Uenf para a Alerj.

Essa demora associada aos limites impostos pelo calendário eleitoral de 2026 poderá empurrar a tramitação do PCV/Uenf para 2027, o que seria trágico para os servidores da universidade que já amargam uma perda inflacionário em torno de 65%.

Todo esse cenário de incertezas torna ainda mais urgente e necessário o avanço da mobilização para exigir a aprovação do Propag.