Carbendazim, agrotóxico proibido no Brasil por ser cancerígeno é encontrado em rio da bacia do Pantanal

Durante as análises, foram identificados outros componentes químicos e bactérias preocupantes nos pontos de coleta, incluindo coliformes fecais e metolacloro, este último reconhecido por sua extrema toxicidade

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Foto: Foto: Luiz Mendes/Arquivo Pessoal

Por Mídia Ninja

Um recente estudo conduzido pela Organização Não Governamental (ONG) SOS Pantanal trouxe à tona descobertas alarmantes sobre a qualidade da água no rio Santo Antônio, um afluente crucial para a bacia do Pantanal, localizado em Mato Grosso do Sul. Segundo a pesquisa, foi identificada a presença do fungicida carbendazim, uma substância proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2022, devido ao seu potencial cancerígeno e de risco à reprodução humana.

Divulgado com exclusividade pelo G1, o estudo foi realizado ao longo de cinco meses, de outubro de 2023 a março de 2024, em três pontos específicos do rio Santo Antônio, situados em Guia Lopes da Laguna. Os resultados, publicados no Dia Internacional da Água, visam alertar para a má conservação do solo e para o uso de agrotóxicos proibidos, destacando a importância da preservação dos recursos hídricos.

Durante as análises, foram identificados outros componentes químicos e bactérias preocupantes nos pontos de coleta, incluindo coliformes fecais e metolacloro, este último reconhecido por sua extrema toxicidade. Além disso, foram encontrados níveis elevados de nitrato e fosfato, provenientes de agrotóxicos utilizados em plantações próximas ao rio.

Gustavo Figueirôa, pesquisador da SOS Pantanal, em entrevista ao jornalista José Câmara, ressaltou a gravidade da situação, enfatizando a baixa qualidade da água, a presença de substâncias nocivas e a falta de matas ciliares, essenciais para filtrar contaminantes antes de atingirem os rios. Ele também apontou o mau uso do solo e a ausência de Áreas de Proteção Permanente (APP) como fatores contribuintes para a contaminação.

A preocupação não se restringe apenas à saúde humana, mas também à biodiversidade, com destaque para as comunidades ribeirinhas e indígenas, que enfrentam maior exposição aos agrotóxicos devido ao contato direto com a água contaminada. Larissa Bombardi, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), ressaltou a necessidade de regulamentações mais rigorosas e do avanço da agricultura agroecológica como soluções para mitigar os impactos dos agrotóxicos.

Diante das descobertas, a SOS Pantanal propôs recomendações urgentes, incluindo a implementação de um programa de restauração das Áreas de Preservação Permanente e o estabelecimento de fóruns para debater práticas conservacionistas. O governo de Mato Grosso do Sul se comprometeu a realizar verificações nos pontos analisados pela ONG e a tomar medidas para melhorar a qualidade dos recursos hídricos.


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Este texto foi inicialmente publicado pelo “Mídia Ninja” [Aqui!].

Quando um clima raivoso se encontra com a indisposição para adaptar ao “novo normal”

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Total de chuva acumulada segundo o CEMADEN. Campos dos Goytacazes com 241.8 mm

Por um misto de interesse profissional com inquietação pessoal, estou lendo atualmente o livro da física e filósofa alemã Friederike Otto, o “Angry Weather” (ou em uma adaptação livre “Clima Raivosa”) onde são explicados os mecanismos que estão gerando uma combinação indesejável entre super tempestades e secas extremas (ver imagem abaixo).

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A explicação de Otto e seu grupo de cientistas é de que as mudanças climáticas estão alimentando alterações drásticas no comportamento diário da atmosfera no tocante à distribuição de calor e umidade, o que faz com que super tempestades sejam cada vez mais comuns, passando de milhares de anos para décadas ou anos para se repetirem, o mesmo acontecendo com as secas.

Essa nova dinâmica (ou “novo normal”) ditada pelo aquecimento da atmosfera requer que sejam desenvolvidas medidas de adaptação climática, especialmente em cidades visto que ali está concentrada a maior parte da Humanidade.  No entanto, salvas raras exceções, na maioria dos países, o que se vê é uma procrastinação imensa no tocante à adoção de medidas que possam minimizar a passagem dessas super tempestas, o que faz com que a devastação que elas causam seja magnificada.

Esse é exatamente o caso do Brasil, onde as medidas de adaptação climática são praticamente inexistentes, visto que aqui ainda perdure uma visão basicamente sacra do funcionamento dos mecanismos que controlam a atmosfera e os eventos meteorológicos. É o famoso foi Deus ou foi São Pedro quem quiseram. Com esse tipo de atitude temos implicações orçamentárias porque inexistem obras de infraestrutura para gerar ambientes urbanos mais preparados para assimilar os grandes volumes que chegam nas super tempestades.

Como tenho estudado com mais ênfase a cidade de Campos dos Goytacazes, me parece evidente que aqui essa discussão é ainda distante, pois ficamos presos em uma mentalidade clubística quando se trata de estabelecer políticas públicas. E quando as super tempestades chegam, o que temos é um arremedo de resposta que sempre fica dependente do tempo de duração e da capacidade do rio Paraíba do Sul receber rapidamente o que sai das ruas e avenidas da cidade. O problema é que aqui temos bairros que ficaram com água acumulada por semanas, dando espaço para a proliferação de vetores de doenças e a agudização de situações sociais já precárias. E mesmo em ruas localizadas em áreas mais centrais, temos casos de água acumulada que não seguem o padrão de outras áreas. Um bom exemplo é a Rua Edmundo Chagas que fica próxima do Teatro Trianon (Ver vídeo abaixo).

Assim, é urgente que se passa a discutir a questão da adaptação climática urbana como algo urgente e necessário. O problema é que não me parece que isso acontecerá se forem mantidos os mesmos estilos de fazer políticas e definir orçamentos que perduram atualmente na maioria dos municípios brasileiros, incluindo Campos dos Goytacazes.

Estudo da ANA aponta que cada R$ 1 investido em sistemas de alerta para eventos climáticos extremos pode evitar perdas de R$ 661

A partir de estudos de casos, publicação da ANA traz levantamento inédito sobre relação entre o valor investido na Rede Hidrometeorológica Nacional e o retorno que ela dá para diferentes atividades que dependem de água, como saneamento básico, irrigação, geração hidrelétrica e transportes
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Nesta sexta-feira, 22 de março, quando é celebrado o Dia Mundial da Água, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) lança o estudo Avaliação de Custos e Benefícios da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) – Estudos de Casos. A publicação traz um levantamento inédito sobre a relação entre o valor investido na Rede e o retorno que ela proporciona para a sociedade. O estudo foi financiado pela ANA e desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS). 

Um exemplo das conclusões do estudo é que o emprego dos dados na configuração e implementação de sistemas de alerta para eventos climáticos extremos, como secas e inundações, pode evitar perdas de até R$ 661 para cada R$ 1 investido, relação quantificada a partir das perdas e custos evitados em decorrência de alertas para inundações em áreas urbanas.

O estudo também apresenta o levantamento realizado em dois municípios do Rio Grande do Sul – São Sebastião do Caí e Montenegro – sujeitos a cheias frequentes no rio Caí. Neles os dados e informações da RHN permitem o mapeamento de áreas inundáveis com seus respectivos períodos de retorno – periodicidade estimada entre ocorrências de tais eventos. Se empregadas no planejamento urbano, de modo a restringir ocupações em áreas inundáveis, essas informações poderiam trazer um retorno (em danos e perdas evitadas) de até R$ 14 para cada R$ 1 investido.

A partir de um estudo de caso da bacia hidrográfica do rio Taquari-Antas, a cada R$ 1 aplicado no custeio da rede de monitoramento local para produzir os dados de melhor qualidade, são esperados benefícios de até R$ 106, o que está associado à redução de custos decorrentes de eventual superestimativa da garantia física (quantidade de energia que a hidrelétrica é capaz de garantir) de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Outro resultado do levantamento aponta que cada R$ 1 investido na RHN para disponibilizar dados ao processo decisório para operação hidrelétrica na bacia do rio Paraná pode trazer um retorno de R$ 134.

O estudo abordou aspectos gerais do uso dos dados hidrológicos gerados para os setores usuários do saneamento básico, produção agrícola e industrial, geração de energia, transportes, infraestrutura e defesa civil. A partir do levantamento sobre os custos de implementação e operação da rede de monitoramento sob responsabilidade da ANA, foi selecionado um grupo de setores da economia para quantificar os benefícios decorrentes do uso de dados hidrológicos, os quais foram comparados com os custos de produção dos dados da RHN. Assim, foi possível realizar uma análise de custos e benefícios proporcionados pela Rede.

O estudo reforça a importância do monitoramento hidrológico e a necessidade de se aprimorar a atuação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico na coordenação da Rede Hidrometeorológica Nacional. Essa ferramenta de monitoramento é necessária para o conhecimento da quantidade e qualidade dos recursos hídricos no País, assim como para subsidiar e qualificar decisões tomadas por órgãos e entidades públicas e privadas a partir dos dados de monitoramento hidrológico.

O lançamento do estudo acontecerá às 14h30, durante o evento em celebração ao Dia Mundial da Água, realizado pela ANA, no Auditório Flávio Terra Barth, na sede da Agência, em Brasília (DF), com transmissão pelo canal da ANA no YouTube. A programação da celebração ao Dia Mundial da Água começa a partir das 9h, com homenagens e lançamentos.

A Rede Hidrometeorológica Nacional

A ANA coordena as atividades desenvolvidas no contexto da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) conforme estabelecido pela Lei nº 9.984/2000. A Agência possui uma rede de monitoramento de níveis e vazões de rios e de chuvas em todo o Brasil. São mais de 4,7 mil estações de monitoramento, sendo aproximadamente 1.900 estações fluviométricas (medem níveis e/ou vazões de rios) e 2.800 estações pluviométricas (medem chuvas).

A RHN visa a prover informações de boa qualidade, para atender aos diversos estudos e projetos na área de recursos hídricos, sendo fundamentais em análises relacionadas a aproveitamentos hidrelétricos, à gestão dos recursos hídricos, ao planejamento e manejo integrados de bacias hidrográficas, saneamento básico, abastecimento público e industrial, navegação, irrigação, pecuária, previsão hidrológica, dentre outros estudos de grande importância científica e socioeconômica, bem como de impacto ambiental. Os dados registrados fornecem subsídios à efetiva implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei nº 9.433/1997.

Jornada da Água 2024

O lançamento do estudo acontece no contexto da Jornada da Água 2024, que prevê uma série de atividades, campanhas e eventos durante todo o ano. O tema apresentado pela ANA para o Dia Mundial da Água deste ano e para nortear as ações da Agência durante 2024 dentro da Jornada – A Água nos Une, o Clima nos Move – foi concebido para sensibilizar a sociedade, os membros da Administração Pública, os atores dos setores de recursos hídricos e saneamento básico, entre outros entes estratégicos para o cuidado com as águas do Brasil. Acesse o hotsite temático da Jornada em: https://jornadadaagua.ana.gov.br/

 81% do desmatamento no Cerrado em 2023 foi concentrado em cinco bacias hidrográficas

Bioma perdeu 1 milhão de hectares em 2023, elevando o risco hídrico em 373 municípios em todo o Cerrado.
cerrado desmatado

Em 2023, 81% do desmatamento no Cerrado se concentrou nas regiões abastecidas pelas bacias hidrográficas do Alto Tocantins, São Francisco Médio, Alto Parnaíba, Itapecuru e Araguaia, potencialmente elevando o risco hídrico de 373 municípios na região. Dados foram publicados nesta sexta-feira pelo SAD Cerrado (Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado), desenvolvido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Conhecido como a caixa d’água do Brasil por abrigar oito das doze principais regiões hidrográficas brasileiras, o Cerrado tem reduzido sua capacidade de absorção e retenção de água por conta da perda de vegetação nativa. As altas taxas de desmatamento nessas áreas podem causar diversos impactos negativos nos recursos hídricos, como o rebaixamento dos lençóis freáticos e o aumento do risco de escassez de água.

“O desmatamento afeta diretamente os recursos hídricos, e estudos recentes mostram uma diminuição da vazão dos rios no Cerrado nos últimos anos devido às altas taxas de desmatamento no bioma. Essa redução pode impactar o abastecimento hídrico de cidades, a produção de energia elétrica e a agropecuária. o”, alerta Fernanda Ribeiro, coordenadora do SAD Cerrado e pesquisadora do IPAM.

Essas bacias estão localizadas no norte do Cerrado e na região do Matopiba, onde se concentram as grandes áreas de desmatamento e as nascentes dos principais rios brasileiro, como por exemplo o Rio Araguaia e o Rio Tocantins. A região também concentra a maior parte dos remanescentes de vegetação nativa do bioma.

Bacias mais afetadas

Na bacia do Tocantins Alto, segunda maior do bacia do Cerrado e a mais desmatada em 2023 no bioma, foram perdidos 274 mil hectares de vegetação nativa – 26% de tudo que foi perdido em 2023. A bacia abriga as nascentes do Rio Tocantins, segundo maior território brasileiro e serve como uma rota comercial fundamental para o escoamento e irrigação da produção agrícola na região central do País.

Já a bacia do Médio São Francisco, sexta maior do país e a segunda mais desmatada em 2023 no Cerrado, perdeu 200 mil hectares de vegetação nativa – 14,4% de todo o desmatamento do ano passado no bioma. Essa bacia abriga as principais afluentes do Rio São Francisco que se estende por 2.863 km, abastece mais de 15 milhões de habitantes e possui quatro usinas de geração de energia que, juntas, possuem produção estimada em 9.9 milhões de quilowatts, mas que se encontra ameaçada pelas secas cada vez mais frequentes.

A bacia do Alto Parnaíba teve 189 mil hectares de sua vegetação desmatada – cerca de 13% do desmatamento do bioma em 2023. A bacia abriga as nascentes do Rio Parnaíba, localizado na região central do Matopiba. Essa região é dominada por grandes propriedades, com um crescente uso de água para a irrigação de sua produção. Em 2023, um Parque Nacional foi criado para proteger suas nascentes, mas esse esforço de conservação parece ser ainda insuficiente para a conservação dos recursos hídricos da região.
 

“A proteção das bacias hidrográficas do Cerrado depende de um melhor entendimento e caracterização da destinação da água do bioma, aliado à uma estratégia integrada entre os setores público e privado. Além disso, é necessário implementar e reforçar políticas públicas que promovam a conservação dos remanescentes de vegetação nativa e a restauração de áreas degradadas em locais estratégicos nas bacias hidrográficas”, destaca Fernanda.

Cenário em 2024

Em fevereiro de 2024, o SAD Cerrado detectou 38 mil hectares de desmatamento no Cerrado, uma redução de 52% em relação a fevereiro de 2023, quando o desmatamento somou 79 mil hectares. Os Estados mais afetados foram o Tocantins, com 10 mil hectares desmatados, Bahia, com 8 mil hectares desmatados e Piauí, que perdeu 5 mil hectares de vegetação nativa. O município de Cocos localizado no oeste da Bahia foi o responsável pela maior área desmatada, totalizando 3 mil hectares desmatados.

Em relação às bacias hidrográficas, o cenário se repete no primeiro bimestre de 2024. Nos dois primeiros meses do ano o Cerrado já acumulou 89 mil hectares desmatados. Desse total, 83% estão concentrados em cinco das vinte e quatro bacias hidrográficas do Cerrado (São Francisco Médio com 24 mil hectares; Tocantins Alto com 22 mil hectares; Parnaíba Alto com 15 mil hectares; Parnaíba Baixo com 6 mil hectares e Araguaia com 5 mil hectares desmatados).

Sobre o SAD Cerrado

O Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado é um projeto de monitoramento mensal e automático que utiliza imagens de satélites ópticos do sensor Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia. O SAD Cerrado é uma ferramenta analítica que fornece alertas de supressão de vegetação nativa para todo o bioma, trazendo informações sobre desmatamento no bioma desde agosto de 2020.

A confirmação de um alerta de desmatamento é realizada a partir da identificação de ao menos dois registros da mesma área em datas diferentes, com intervalo mínimo de dois meses entre as imagens de satélite. O método é detalhado no site do SAD Cerrado.

Os relatórios de alertas para o mês de fevereiro e períodos anteriores estão disponíveis neste link. No painel interativo, é possível selecionar estados, municípios, categorias fundiárias e o intervalo temporal para análise.

O objetivo do sistema é fornecer alertas de desmatamentos maiores de um hectare, atualizados mês a mês. Pesquisadores entendem que o SAD Cerrado constitui uma ferramenta complementar a outros sistemas de alerta de desmatamento no bioma, como o DETER Cerrado, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), otimizando o processo de detecção em contextos visualmente complexos.

Acesse os dados georreferenciados clicando aqui.

Enel alerta para possibilidade de fortes chuvas no RJ e aciona plano de emergência

Plano emergencial inclui reforço no contingente operacional e aumento da capacidade dos canais de atendimento, incluindo o call center 

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Rio de Janeiro, 21 de março de 2024 – Com o alerta da meteorologia para a possibilidade de tempestades a partir de hoje (21) na área de concessão da Enel Distribuição Rio, a distribuidora acionou o seu plano de emergência para eventos climáticos e estará em plena mobilização, com reforço das equipes operacionais e dos canais de atendimento para eventuais ocorrências que envolvam o fornecimento de energia nos 66 municípios da área de concessão da empresa.

O alerta meteorológico prevê um cenário climático adverso a partir da tarde desta quinta-feira na Costa Verde, na Região Serrana e no Grande Rio, com possibilidade de chuva forte, ventos e descargas atmosféricas. Entre a sexta-feira (22) e o sábado (23), o alerta vale para todas as regiões, principalmente Sul, Serrana e Lagos, e nas cidades de Niterói, São Gonçalo, Magé e Macaé.

O plano mobilizado pela Enel Rio prevê o reforço do número de equipes em campo e de todos os canais de atendimento, incluindo o call center, que poderá ter sua capacidade de atendimento duplicada em casos de um evento climático severo. A partir dos alertas de clima severo emitidos pelas autoridades, a empresa iniciou ações de comunicação direta com os clientes para informar a população sobre os riscos trazidos pelas chuvas. A distribuidora tem mantido diálogo também com as principais autoridades estaduais e dos municípios atendidos pela empresa.

Em situações de contingência, devido ao alto volume de chamadas no call center, a empresa orienta que os clientes utilizem preferencialmente os canais digitais para maior agilidade do atendimento, como o site (www.enel.com.br), o aplicativo Enel (disponível para iOS e Android) ou ainda mandar o WhatsApp Elena: (21) 99601-9608.

A empresa aproveita para reforçar dicas importantes de segurança com a rede elétrica em casos de tempestades:

– Se encontrar um cabo partido, não se aproxime; 

– Não encoste em objetos metálicos: como semáforos, postes de iluminação pública, pontos de ônibus, portões e grades;

– Retire os equipamentos da tomada e deixe-os fora do alcance da água; 

– Busque abrigo seguro: em caso de ventos intensos, procure locais seguros, longe de estruturas suscetíveis a danos, como postes, árvores ou fiações elétricas;

– Evite áreas arborizadas: durante tempestades, há risco de queda de árvores e descargas atmosféricas (raios).

Coletiva de imprensa sobre investigações e denúncia do MPF sobre fraude e corrupção na aquisição de veículos blindados pelo governo brasileiro

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro convoca os jornalistas para coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (21/03), a partir das 15h, com o procurador da República Eduardo Benones

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O Ministério Público Federal (MPF) apresentará formalmente as descobertas e ações subsequentes de uma investigação conduzida pelo MPF que envolve a empresa Combat Armor Defense do Brasil Ltda, entre outras entidades e indivíduos. Esta convocação tem como objetivo não apenas informar o público sobre os fatos investigados, mas também sublinhar a dedicação das autoridades brasileiras em manter a integridade dos processos públicos e combater a corrupção em todas as suas formas.

A investigação, desencadeada por um conjunto substancial de evidências, foi direcionada para desvendar uma complexa rede de atividades ilícitas, incluindo fraudes em licitações, possíveis práticas de: corrupção ativa e passiva; lavagem de dinheiro; e formação de associação criminosa. O foco primário recaiu sobre as operações da Combat Armor, uma empresa que, embora tenha sua matriz nos EUA, realizou transações significativas e manteve contratos extensos com várias entidades governamentais brasileiras, notadamente a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

As descobertas desta investigação são de importância crítica, não apenas devido ao volume financeiro envolvido, apurado até o momento em R$94.096.361,52, mas também pelo curto intervalo de tempo e coincidência ao quadriênio 2019-2022, bem como pela maneira como essas práticas ilícitas comprometeram a transparência e a justiça no uso dos recursos públicos.

A implicação de agentes públicos e privados nestas atividades ilícitas destaca uma preocupante vulnerabilidade em nossos sistemas de governança e licitação, exigindo uma resposta imediata e determinada por parte das autoridades competentes.

As revelações da investigação ilustram um esquema elaborado que não só afetou adversamente a alocação de recursos públicos, mas também minou a confiança da população na integridade de instituições governamentais essenciais. A presença de figuras como Daniel Beck, apoiador de Donald Trump e proprietário da Combat Armor, que esteve em Washington durante a invasão ao Capitólio, adiciona uma dimensão internacional ao caso, enfatizando a necessidade de cooperação jurídica transnacional para combater efetivamente a corrupção e outros crimes financeiros.

A coletiva visa, portanto, lançar luz sobre a profundidade e amplitude das infrações descobertas, enfatizando a importância de manter a vigilância constante e fortalecer os mecanismos de fiscalização e controle para proteger o bem público e restaurar a confiança nas instituições públicas. Com o detalhamento dos fatos e das medidas adotadas em resposta às descobertas, reiteramos nosso compromisso inabalável com a transparência, a justiça e a integridade, essenciais para o fortalecimento da democracia e da ordem social no Brasil.

A coletiva será realizada às 15h de 21 de março na sede da Procuradoria da República no Rio de Janeiro – Avenida Nilo Peçanha, nº 31, auditório do 6º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ.

Como perdi e reencontrei minha criatividade científica

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Por Jeffrey McDonnell para a Science

Como estudante de doutorado, passei muitos dias e noites em pé numa encosta íngreme de uma floresta, sob chuva, medindo como as gotas de água se movem para o solo. Eu adorava atividades ao ar livre e era mais uma brincadeira do que um trabalho. Muitas noites eu sonhava com minha pesquisa. Fiquei infinitamente curioso sobre o que vi no campo e emocionado quando consegui relacionar isso com o que li. Minhas ideias pareciam fluir como o fluxo que eu estava tentando compreender. Mas quando me tornei professor, fui inundado de responsabilidades e meu fluxo criativo diminuiu. Levei décadas para descobrir como revivê-lo.

Quando comecei meu primeiro cargo docente, não tinha mais a liberdade de me concentrar apenas na pesquisa ou pensar profundamente sobre qualquer assunto. Eu estava consumido por demandas urgentes – ficar uma aula à frente em meu ensino, completar revisões de artigos para revistas científicos, a batida constante da redação de propostas. À medida que meu laboratório cresceu, tornei-me mais um gerente de pesquisa do que um pesquisador. Deixei que as oportunidades de financiamento orientem as decisões sobre quais pesquisas realizar. Eu era como um diletante científico – passando de um projeto para outro.

Uma década depois, mudei-me para uma nova universidade onde não precisei correr atrás de tanto financiamento. Pude retornar ao tema que estudei para meu doutorado. Aceitei estudantes de graduação e pós-doutorado que estavam interessados ​​em “minhas” perguntas. Durante as reuniões com eles, aprendi como ser uma caixa de ressonância enquanto consideravam novas ideias e novas formas de olhar para a nossa ciência. Descobri que se eu pudesse viver o momento com eles — e não me distrair com minhas responsabilidades no meio da carreira — então poderia desempenhar um papel em seu processo de pensamento criativo.

A criatividade voltou à minha vida profissional, mas eu ainda não tinha encontrado uma maneira de estimular meu pensamento profundo. Eu era, na melhor das hipóteses, um gerente de criatividade. Mais uma década se passou antes que eu aprendesse como fazer meu próprio fluxo criativo fluir novamente.

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Estar hiperocupado na primeira metade de minha carreira docente era a antítese do pensamento criativo.  JEFFREY MCDONNELL,  Universidade de Saskatchewan

Depois de aceitar um cargo que me permitiu mudar dos Estados Unidos de volta para meu país natal – o Canadá – tive alguns meses entre empregos, o que significava que poderia acompanhar minha esposa à Carolina do Sul em uma missão de trabalho dela. Eu estava livre como um pássaro. E foi aí que começou meu primeiro pós-doutorado real. O momento eureka aconteceu – entre todos os lugares, enquanto eu estava em uma academia andando em uma esteira, observando a chuva cair no gramado lá fora. Ao ver poças se formarem e se fundirem, pude visualizar processos semelhantes que vinha tentando entender no subsolo há décadas. Foi um pequeno raio mental na minha pequena fatia do mundo científico. Mas foi estimulante porque era um tipo de pensamento que eu temia ter secado para sempre. Ficou claro que eu precisava desacelerar e sentir a chuva com mais frequência!

Em meu novo emprego, tentei prestar atenção a essa epifania. Fiz questão de pensar e escrever um pouco em casa todas as manhãs, num quarto com vista para o grande rio que atravessa a cidade. Depois disso, pedalava para trabalhar às margens daquele rio, atividade que me ajudou a processar essas ideias e a lembrar meu objetivo diário de ser curioso. A diversão impulsionou o que eu trabalhei. E logo, tive novas ideias para apresentar para meus estudantes de doutorado e pós-doutorandos.

Ao iniciar uma descida gradual até à aposentadoria, comecei a refletir sobre os altos e baixos da minha criatividade científica e sobre como ajudar os cientistas em início de carreira a evitar algumas das armadilhas em que caí. Certamente não sou um guru da criatividade ou um modelo. E sei que os ambientes que estimulam a criatividade para uma pessoa podem não funcionar para outra. Mas uma lição importante que aprendi foi que estar hiperocupado na primeira metade de minha carreira docente era a antítese do pensamento criativo.

Agora incentivo meus alunos de pós-graduação e pós-doutorados a se desconectarem e reservarem um tempo para pensar, brincar e se divertirem com suas pesquisas. E fazer dessas coisas um hábito permanente em suas vidas – mesmo que medido apenas em pequenos fragmentos de cada dia. Também lhes digo para prestarem atenção às condições e aos locais que estimulam a sua curiosidade e capacidade de pensar profundamente. A criatividade é a força vital do nosso trabalho científico. Ao discuti-lo abertamente, espero que possamos ajudar a próxima geração de cientistas a evitar perdê-lo ao longo do caminho, como eu fiz.

Jeffrey McDonnell é professor da Universidade de Saskatchewan e professor visitante na Universidade de Ludong e na Universidade de Birmingham.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela revista Science [Aqui!].

SBPC manifesta apoio e solidariedade à ministra Nísia Trindade

“A SBPC conclama todos os defensores da saúde e da vida humana a juntarem seus esforços e somarem suas vozes na defesa de uma recomposição das condições básicas de cuidado com os seres humanos de todas as idades em nosso país”

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Nota da SBPC

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) vem a público manifestar energicamente seu apoio e solidariedade à Ministra Nísia Trindade, perante o trabalho admirável que ela está realizando na recomposição do Ministério da Saúde, que foi devastado pela política negacionista do governo anterior.

Por conseguinte, a SBPC conclama todos os defensores da saúde e da vida humana a juntarem seus esforços e somarem suas vozes na defesa de uma recomposição das condições básicas de cuidado com os seres humanos de todas as idades em nosso país.

São Paulo, 20 de março de 2024.

Diretoria e Conselho da SBPC


Fonte: SBPC

Chefões das grandes petroleiras mundiais usam encontro para ridicularizar esforços para diminuir dependência de combustíveis fósseis

Executivos na cúpula do Texas afirmam que a transição para energia limpa está falhando e dizem que o mundo deveria “abandonar a fantasia” da eliminação progressiva dos combustíveis fósseis

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Participantes da CeraWeek em Houston. Fotografia: Callaghan O’Hare/Reuters

Por Oliver Milman para o “The Guardian”

Os principais dirigentes das grandes empresas mundiais de petróleo e gás desprezaram os esforços para se afastarem dos combustíveis fósseis, queixando-se de que uma transição “visivelmente falha” para a energia limpa estaaria sendo impulsionada a um “ritmo irrealista”.

Os executivos do petróleo, reunidos na conferência anual da indústria Cera Week em Houston , Texas, revezaram-se esta semana para denunciar os apelos por uma rápida eliminação dos combustíveis fósseis, apesar do reconhecimento generalizado dentro da indústria, bem como por cientistas e governos, de a necessidade de reduzir radicalmente as emissões que provocam o aquecimento do planeta para evitar os piores efeitos da crise climática.

“Devíamos abandonar a fantasia de eliminar gradualmente o petróleo e o gás e, em vez disso, investir neles de forma adequada”, disse Amin Nasser, executivo-chefe da Saudi Aramco, a maior empresa petrolífera do mundo, sob aplausos na sala.

Nasser rejeitou as projecções da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a procura global de petróleo e gás atingirá o pico em 2030 , alegando que o aumento dos custos da energia significa que as pessoas exigirão “a importância da segurança do petróleo e do gás” em vez de mudarem para as energias renováveis.

“Na verdade, no mundo real, a atual estratégia de transição está visivelmente falhando na maioria das frentes”, acrescentou Nasser, criticando os veículos solares, eólicos e elétricos pelo que ele disse ser um impacto mínimo na redução das emissões de gases com efeito de estufa.

“E, apesar do nosso papel de protagonista na prosperidade global, a nossa indústria é retratada como arquiinimiga da transição”, queixou-se Nasser.

Este cepticismo foi partilhado por outros executivos importantes presentes na conferência, que reúne líderes da indústria e políticos no coração petrolífero do Texas. Meg O’Neill, presidente-executiva da Woodside Energy , disse que a transição para a energia limpa não pode “acontecer a um ritmo irrealista”, prevendo que combustíveis mais limpos poderão levar até 40 anos para se desenvolver.

“Tornou-se emocionante”, disse O’Neill sobre o debate climático. “E quando as coisas são emocionais, fica mais difícil ter uma conversa pragmática.”

“Se nos apressarmos ou se as coisas correrem mal, teremos uma crise que nunca esqueceremos”, alertou Jean Paul Prates, presidente-executivo da Petrobras, a empresa petrolífera estatal brasileira, sobre a mudança para energia limpa.

Os comentários foram rapidamente denunciados pelos defensores do clima.

Os profissionais do setor “trabalham noite e dia para torpedear a transição para as energias renováveis ​​e depois têm a audácia de criticar a lentidão da própria transição”, disse Jeff Ordower, diretor da 350.org para a América do Norte. “A Semana Cera deveria destacar uma visão global em direção a um futuro limpo e equitativo e, em vez disso, temos pontos de discussão da década de 1970.”

“Devemos ser cépticos em relação a quaisquer soluções alardeadas pela indústria porque é claro que não têm um interesse real em travar a crise climática”, acrescentou Ordower.

A conferência, que tem como tema a “transição energética multidimensional, multi-velocidade e multicombustível” , tem como pano de fundo várias grandes empresas de petróleo e gás revertendo os seus planos de cortar produção e diluindo metas para eliminar gases com efeito de estufa, apesar de registarem lucros quase recorde .

Darren Woods, executivo-chefe da Exxon, que recentemente disse que o público não está disposto a pagar por um mundo com menos poluição por carbono, usou a Cera Week para falar sobre as perspectivas das tecnologias de captura de carbono e hidrogênio, que a indústria vê como caminhos aceitáveis para subsídios governamentais que não ameacem o modelo empresarial central de perfuração de petróleo e gás.

Os cientistas estão certos, no entanto, de que o mundo precisa de chegar a zero emissões líquidas até meados deste século para evitar ondas de calor desastrosas, secas, inundações e outros impactos provocados pelo clima e até agora nenhuma tecnologia é capaz de melhorar a tarefa principal. de não queimar mais petróleo, gás e carvão.

De acordo com a AIE , que classificou a indústria dos combustíveis fósseis como “uma força marginal, na melhor das hipóteses” no investimento na transição para a energia limpa, a utilização de petróleo e de gás teria de diminuir em mais de 75% até 2050 se o mundo quiser continuar a ao objectivo internacionalmente acordado de limitar o aquecimento global a 1,5ºC para além dos tempos pré-industriais.

Isto exigiria a redução de um boom sem precedentes nas infraestruturas de gás ao longo da costa do Golfo do México dos EUA, que a administração de Joe Biden procurou recentemente amortecer, anunciando uma pausa nas novas exportações de gás natural liquefeito a partir destas instalações . Na Cera Week, no entanto, Jennifer Granholm, secretária de energia de Bidendisse que a pausa será “longa no espelho retrovisor” dentro de um ano.

Em Houston, ativistas climáticos, incluindo aqueles que organizaram uma marcha fúnebre simulada fora da conferência na terça-feira para representar as comunidades afetadas pelo desenvolvimento de petróleo e gás, disseram que os executivos da indústria mostraram as suas verdadeiras intenções na reunião.

“Se você olhar para suas ações, fica claro que eles não apenas não estão comprometidos com a redução de emissões, mas também vieram para a Cera Week para continuar promovendo a produção e extração de combustíveis fósseis e atrasando a transição para um futuro de energia justo e limpo”, disse Josh Eisenfeld, gerente de campanha de responsabilidade corporativa da Earthworks.

Aly Tharp, ativista do GreenFaith, disse que os ativistas foram propositalmente impedidos de se registrar para participar do evento, deixando-os expressar suas objeções fora do local.

“Tenho a obrigação moral de interromper o envenenamento sistemático do nosso planeta causado pelos combustíveis fósseis”, disse ela. “Esses danos precisam ser vistos e compreendidos e não deixados de fora da conversa.”


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Sigma Lithium, uma empresa canadense com presença ostensiva de brasileiros no seu “Board of Directors”, pode mudar de mãos em breve

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Desde ontem, o “Blog do Pedlowski” está tendo um acesso massivo e recebendo dezenas de comentários sobre uma postagem feita acerca de um comentário produzido por um TV alemã sobre a extração de lítio no Vale do Jequitinhonha. Eu vinha tratando a Sigma Lithium, empresa que realiza a exploração de lítio nos municípios de Itinga e Arucuaí como alemã, mas um comentarista fez a devida correção e informou que a mesma está sediada no Canadá.

Como o leitor deste blog é quem geralmente envia informações que viram pistas para apurações interessantes, resolvi acessar o site corporativo da Sigma Lithium e pude verificar que não apenas a empresa está realmente sediada no Canadá, mas como também boa parte dos membros do seu “Board of Directors” são brasileiros com larga experiência na área financeira e da mineração.

Quem acessar as diferentes abas da página da Sigma Lithium notará que ali está o que há de melhor em termos de vender uma boa imagem de governança sócio-corporativa, misturando responsabilidade social com preocupações ambientais. Assim, se não fosse pela exposição que está ocorrendo pelo documentário do canal SWR, tudo continuaria muito tranquilo para as operações da Sigma Lithium que poderia continuar aplicando seus métodos “arrasa quarteirão” enquanto vende uma imagem de responsabilidade e sustentabilidade.

O interessante é que checando a internet por informações publicadas pela mídia corporativa, o que se sobressai é essa imagem bem moldada de responsabilidade socioambiental na produção de uma elusivo “lítio verde”.  Além disso, como o governo de Romeu Zema vem primando por um amplo desmanche do sistema de regulação ambiental, não fica difícil entender como os métodos da Sigma Lithium estão ocorrendo sem que haja grandes repercussões em tornos dos seus impactos ambientais e sociais. E tudo isso, é claro, em nome de uma indústria automobilística que produzem veículos “sustentáveis”.

O mais peculiar é que em setembro de 2023, o jornal “Estado de Minas” publicou uma matéria indicando a possível venda da Sigma Lithium, tendo o dono da Tesla, Elon Musk como um dos possíveis interessados na compra. Ainda  em dezembro de 2023, apesar das negativas iniciais, o “Board of Diretors” da empresa indicou que efetivamente estavam em curso negociações para a sua venda. Esse tipo de transação não é de forma alguma surpreendente, pois estamos em uma fase de grande adensamento das operações em torno da produção de carros elétricos e smartphones.

Mas é aí que mora o perigo de todas essas empresas que exploram recursos minerais estratégicos em países do Sul Global. É que o compromisso delas não é com o desenvolvimento sustentável que apregoam em suas páginas  para vender seus “green bonds” (que de verde só têm a tinta onde são impressos) ou, tampouco, com as populações que têm o azar de entrar no caminho dos seus projetos minerários. Para essas populações, o que sobra é deslocamento e ambientes totalmente inviabilizados para seus modos de vida tradicionais.