Uma instalação de produção de petróleo ao largo da costa da África Ocidental em 2015.© George Osodi/Bloomberg News
Por Collin Eaton para “Wall Street Journal”
A Exxon Mobil, a Chevron e outras empresas de energia estão acelerando suas buscas por novas oportunidades de exploração de petróleo e gás, bem longe dos perigos da guerra no Oriente Médio.
A Exxon delineou recentemente um plano potencial para investir até US$ 24 bilhões nos campos de petróleo em águas profundas da Nigéria, enquanto a Chevron expandiu sua presença na Venezuela. A BP adquiriu participações em blocos de petróleo na costa da Namíbia e a TotalEnergies assinou um acordo de exploração com a Turquia. As principais empresas petrolíferas poderão, juntas, gerar US$ 120 bilhões em valor com seus empreendimentos de exploração nos próximos anos, estimou na quinta-feira a empresa de pesquisa e consultoria energética Wood Mackenzie.
Os contratos futuros de petróleo dos EUA estão sendo negociados perto de US$ 88 o barril, acima da faixa de US$ 65 em que oscilavam antes da guerra. Os preços despencaram na sexta-feira depois que o presidente Trump e autoridades iranianas disseram que o Estreito de Ormuz havia sido reaberto. O Irã posteriormente afirmou que o estreito havia sido fechado novamente.
As empresas petrolíferas querem maximizar a sua produção para tirar proveito dos preços mais altos, mas dentro dos limites dos seus orçamentos atuais e sem assumir os custos adicionais de grandes investimentos, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.
De acordo com a Wood Mackenzie, as principais companhias petrolíferas, em conjunto, gastaram em média US$ 19 bilhões por ano em exploração global entre 2021 e 2025.
Executivos do setor energético também estão focados em uma missão de longo prazo: encontrar petróleo e gás suficientes para sustentar seus lucros até a década de 2030, disseram algumas fontes. O fechamento do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o petróleo e o gás entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, reteve 20% do consumo diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Algumas empresas petrolíferas ocidentais com operações no Oriente Médio sofreram perdas significativas. A Exxon afirmou que a guerra reduziu sua produção global de petróleo e gás em 6% no primeiro trimestre. A empresa prevê uma perda de receita de cerca de US$ 5 bilhões por ano, após danos sofridos em instalações de gás natural no Catar. Sua parceira, a Qatar Energy, estimou que os reparos podem levar até cinco anos.
Por ora, espera-se que o setor de petróleo e gás desvie sua atenção do Golfo Pérsico. Poucos dias antes do início da guerra, a Chevron anunciou que estava iniciando negociações exclusivas com a Basra Oil, do Iraque, para adquirir uma participação em um dos maiores campos de petróleo terrestres do mundo, o West Qurna 2. No entanto, analistas afirmam ser improvável que as empresas petrolíferas ocidentais fechem grandes negócios no Oriente Médio até que o conflito esteja totalmente resolvido.
O campo petrolífero de West Qurna 2, no Iraque, em 2014.© Essam Al-Sudani/Reuters
Em vez disso, as consequências econômicas da guerra estão levando as empresas a diversificar seus portfólios e a distribuir o risco de interrupções pelo mundo. As empresas de energia também estão tentando aumentar suas reservas. Os produtores mundiais de petróleo precisam encontrar recursos suficientes para adicionar 300 bilhões de barris às suas reservas coletivas para atender à demanda global até 2050, de acordo com a Wood Mackenzie.
Exxon, Chevron, Shell, BP e TotalEnergies estão analisando atentamente novas oportunidades de perfuração na África, América do Sul e Mediterrâneo Oriental, que poderiam reabastecer suas reservas para a próxima década.
Na semana passada, a Exxon deu um passo importante rumo à perfuração na costa da Grécia. Nos últimos meses, a empresa assinou acordos preliminares de exploração com o Iraque, a Turquia e o Gabão. Em Trinidad e Tobago, a empresa está realizando estudos sísmicos para encontrar petróleo e gás nas águas profundas do país. Os investimentos internacionais da Exxon totalizaram cerca de US$ 9 bilhões no ano passado, incluindo seus projetos em andamento.
Enquanto isso, a Chevron reforçou sua equipe de exploração, inclusive por meio da aquisição da Hess no ano passado, por US$ 53 bilhões. A empresa contratou Kevin McLachlan, ex-executivo da TotalEnergies, para o cargo de vice-presidente de exploração. A Chevron destinou US$ 7 bilhões para investimentos em projetos offshore em todo o mundo neste ano.
Na Venezuela, onde a Chevron é o maior investidor estrangeiro , a empresa concordou na semana passada com um acordo de troca de ativos que fortalecerá sua posição em regiões ricas em petróleo pesado e viscoso, preferido pelas refinarias americanas. A estatal Petróleos de Venezuela vendeu à Chevron uma participação adicional de 13% em uma de suas joint ventures na Venezuela. Outro projeto, no qual a Chevron detém 30% de participação, recebeu direitos de desenvolvimento para uma área vizinha.
Bombas de extração de petróleo perto do Lago Maracaibo, na Venezuela.© Leonardo Fernández Viloria/Reuters
Em uma conferência sobre energia realizada em Houston no mês passado, o CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que a recente mudança nas leis que regem os contratos de combustíveis fósseis no país é um bom primeiro passo.
“Ainda há coisas que acredito que precisam acontecer para incentivar o investimento na escala que as pessoas gostariam de ver”, disse Wirth. Ele acrescentou que as operadoras na Venezuela precisam de uma resolução de disputas mais duradoura e previsível, entre outras preocupações.
A Casa Branca está pressionando para que mais empresas petrolíferas americanas invistam no setor petrolífero venezuelano, que se encontra em situação precária. A maioria das empresas de perfuração se mostra cautelosa em investir no país após anos de má gestão.
A Chevron planeja realizar trabalhos de exploração ainda este ano no Egito, onde detém 9 milhões de acres líquidos no Mar Mediterrâneo, e confirmou recentemente descobertas substanciais de petróleo no Golfo do México. No início deste ano, a empresa conquistou quatro concessões offshore perto da Grécia, além de um bloco petrolífero na Líbia.
Prevê-se que os preços do petróleo permaneçam elevados nos próximos meses, mesmo que o gargalo no Estreito de Ormuz seja resolvido.
“Preços elevados e sustentados do petróleo são os melhores aliados da exploração”, disse Schreiner Parker, analista da Rystad Energy, uma empresa de pesquisa e consultoria. “A médio e longo prazo, haverá um prêmio de risco atrelado a cada barril extraído do Golfo Pérsico, o que incentivará a exploração em novas áreas.”
Escreva para Collin Eaton em collin.eaton@wsj.com
Fonte: msn.com