UENF ou “Dr. CAR”? Façam sua escolha…

A UENF de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola ameaça repetir Greta Garbo e acabar no Irajá?

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Por Douglas Barreto da Mata

Eu falo com toda sinceridade que carrego em minha alma:

Gostaria muito de resgatar o respeito e a admiração que tive um dia pela UENF.

Eu sempre invejei muito o debate acadêmico, ainda que tenha sempre expressado isso de forma ácida, e nem sempre polida.

Até com os meninos que acompanhei desde a formação/pós graduação, que chamo de “os que falam javanês”, um grupo das ciências sociais e políticas que fariam Karl Marx pedir para retornar ao útero de sua mãe, para ser abortado.

Não consigo  entender a incapacidade deles não enxergarem aspectos cruciais da realidade que os cercam, e as tolices que veiculam em seus textos, as baboseiras da “busca pela democracia”, ou “patrimonialismo”. 

Afinal, que porcaria é essa? 

Não seríamos tudo e todos nós, imersos no capitalismo, desde a versão Revolução Industrial I até a versão 4.0, um patrimonialismo universal, universalidade essa que não comporta a menor sombra de Democracia, embora dela mimetize aspectos formais de representação e concessões individuais de “direitos”, onde aos mais ricos cabem tais “prerrogativas de cidadania” e aos pobres as obrigações?

Por aqui somos livres (?) para gritarmos em alto e bom som que morremos de fome, como não?

Quando é que a superestrutura, ou como gostam alguns, extra estrutura, de um sistema que reifica (“coisifica”) o trabalho e todas as sócio reproduções daí advindas, poderia não ser patrimonialista, ou por outro lado, poderia ser democrática?

Mais ou menos como buscar um tigre vegetariano, essa é a essência da “sociologia” e da ciência política atuais, e talvez, desde sempre.

Enfim, mesmo assim, admiro a incansável fé que eles portam, adorando a “ciência” como fim, e não como meio, procurando teses de (auto) justificativa e legitimação para suas existências acadêmicas e da própria cátedra de escolha.

Dá medo ir além, eu sei, porque no fim você pode descobrir que tudo pelo que você viveu não faz o menor sentido, ou pior, você passou toda a vida desafiando o óbvio (o óbvio aqui tem nome, materialismo dialético), e chegou a lugar algum, ou pior ainda, serviu a quem dizia combater.

Valha-me Santa Ellen Meiksins Wood, valha-me.

Mas tudo isso é papo para outra hora.

Na verdade, o que me move aqui é outra coisa, mas tem tanta ligação com o ocaso da UENF, como o “javanês” falado por alguns de seus próceres.

Eu diria que foi justamente esse processo de indigência intelectual (vejam bem, não acadêmica, mas intelectual, que é instância bem mais ampla), daqueles que deveriam pensar a Universidade e fazer a Universidade, é que possibilitou que a UENF virasse uma franquia de “social-green washing”.

Ao ler o texto do Marcos Pedlowski (Aqui!) imediatamente pensei nesse termo.

Já disse antes, em outros textos, que as universidades, dentro do sistema capitalista, são estuários de conhecimento para reposição tecnológica necessária aos arranjos econômicos, e talvez, uma construção de uma estrutura teórica que diz desafiar o estamento, mas o revalida, pois que sempre é consentida.

Quando há qualquer perigo nessa relação de compadrio, chamam-se tipos como os que controlam a UENF há algum tempo.

Nestes casos (como da UENF) se transformam em descaradas correias de transmissão do capitalismo mais porco e periférico, aquele que nos devora sem talheres ou serviços de prata, mas com as mãos e unhas sujas, levando nossas vísceras às bocas fétidas de dentes afiados.

É como se disséssemos, exagerando, que a Harvard  University e a UENF fossem a mesma coisa federonta no sistema capitalista, só que a Harvard University o é em sanitário de ouro, ducha climatizada e toalhinhas de linho egípicio 1000 fios, enquanto a UENF é depositada em uma moita do V Distrito de São João da Barra, e para a higiene, folhas de urtiga que sobraram da devastação causada pelo Porto do Açu.

A forma subalterna como se comporta as representações institucionais da UENF, seguido do silêncio omisso da quase totalidade dos seu pares, e por final, o amordaçamento das vozes dissidentes, não permite outra postura senão a que tem desempenhado a atual reitoria:

– Procurar um caraminguá na “pilantropia” empresarial, e assim, oferecer-se para “lustrar” a “biografia corporativa” dos “engolidores de mundos”.

Quem tem carro e já procurou local para lavagem do bólido, com certeza conhece, ou deveria, porque são bons, a franquia “Dr. CAR”.

Nada mais apropriado para associar à nossa ex-Universidade:

DR. SOCIAL & GREEN WASHING.

Tudo é questão de marketing e “brand working” (ops, desculpem, não é trocadilho com o ex-secretário de educação de javanês que saiu dos bancos da UENF para integrar o pior governo da história da cidade).

Pela segunda vez, tribunal dos EUA proíbe herbicidas dicamba e considera que a EPA violou a lei

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Plantios de uvas mortas por deriva de dicamba no Texas, EUA.

Por Johnathan Hettinger para o The New Lede

Desferindo um golpe em três das maiores empresas agroquímicas do mundo, um tribunal dos EUA proibiu esta semana três herbicidas amplamente utilizados na agricultura americana, concluindo que a Agência de Protecção Ambiental (EPA) violou a lei ao permitir a sua presença no mercado.

A decisão é específica para três herbicidas à base de dicamba fabricados pela Bayer, BASF e Syngenta, que foram responsabilizados por milhões de hectares de danos às colheitas e danos a espécies ameaçadas e áreas naturais no Centro-Oeste e no Sul dos EUA.

Esta é a segunda vez que um tribunal federal proíbe esses herbicidas desde que foram introduzidos na temporada de cultivo de 2017. Em 2020, o Tribunal de Apelações do Nono Circuito emitiu a sua própria proibição, mas meses depois a administração Trump reaprovou os produtos para matar ervas daninhas, apenas uma semana antes da eleição presidencial, numa conferência de imprensa no estado indeciso da Geórgia. 

Mas um juiz federal no Arizona decidiu na segunda-feira que a EPA cometeu um erro crucial ao reaprovar o dicamba, concluindo que a agência não o publicou para aviso público e comentários, conforme exigido por lei. O juiz distrital dos EUA, David Bury, escreveu numa decisão de 47 páginas que se trata de uma violação “muito grave” e que se a EPA tivesse feito uma análise completa, provavelmente não teria tomado a mesma decisão. 

Bury escreveu que a EPA não permitiu que muitas pessoas profundamente afetadas pelo herbicida – incluindo agricultores especializados, grupos conservacionistas e outros – comentassem. 

A ação foi movida por agricultores e grupos conservacionistas que afirmaram que a EPA violou duas leis em sua aprovação: a Lei Federal de Inseticidas, Fungicidas e Rodenticidas e a Lei de Espécies Ameaçadas. 

O porta-voz da EPA, Jeffrey Landis, disse que a agência ainda está revisando a decisão, mas se recusou a comentar mais.

“Repetidas vezes, as evidências mostram que o dicamba não pode ser usado sem causar danos massivos e sem precedentes às explorações agrícolas, bem como pôr em perigo plantas e polinizadores”, disse George Kimbrell, diretor jurídico do Centro de Segurança Alimentar, que litigou o caso.

Preocupações científicas

Os documentos apresentados no processo mostram que a EPA estava com pressa para aprovar o dicamba em outubro de 2020, com os cientistas reclamando que não tiveram tempo suficiente para fazer uma análise adequada, descobriu o The New Lede.

Um ano depois, a EPA emitiu um relatório em dezembro de 2021 que concluiu que, apesar das novas restrições, o dicamba ainda estava se afastando de onde era aplicado, e era duvidoso que o dicamba, usado em dezenas de milhões de acres de culturas de algodão e soja nos EUA , poderiam ser legalmente mantidos no mercado. 

Bury escreveu que se a EPA considerasse o relatório de 2021, os comentários das agências agrícolas estaduais, agricultores especializados e outros, provavelmente não reaprovaria o dicamba.

“Estamos aliviados que mais uma vez o tribunal tenha visto claramente as estratégias da EPA para forçar um produto que é perigoso demais para estar no mercado”, disse Lori Ann Burd, diretora do programa de saúde ambiental do Centro para Diversidade Biológica, que processou junto com outras organizações sem fins lucrativos a National Family Farm Coalition, Pesticide Action Network.

“Não importa até que ponto a EPA vá para se contorcer para fazer a vontade da indústria, ela simplesmente não consegue passar na avaliação legal. Esperamos que eles finalmente entendam a mensagem e parem de aprovar este produto incrivelmente perigoso.”

A decisão afeta o herbicida XtendiMax à base de dicamba da Bayer, que herdou quando adquiriu a Monsanto em 2018, bem como o herbicida Tavium da Syngenta e o herbicida Engenia da BASF. 

Em comunicado divulgado após a decisão, a Bayer disse que discorda da decisão judicial e está “avaliando” como responder. “Nossa principal prioridade é garantir que os produtores tenham os produtos aprovados e o apoio de que precisam para cultivar suas culturas com segurança e sucesso.”

A BASF também disse em comunicado que estava avaliando suas opções legais e aguardando orientação da EPA à luz da ordem. A Syngenta não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A notícia chega num momento particularmente ruim para a Bayer, que está se recuperando de outros problemas relacionados à Monsanto com produtos para matar ervas daninhas, principalmente litígios em massa sobre os herbicidas Roundup à base de glifosato da Monsanto, que até agora custaram bilhões à Bayer em veredictos e acordos de júri e corroeram os acionistas. confiança. Os demandantes alegam que o Roundup causa linfoma não-Hodgkin. 

A Syngenta também enfrenta litígios em todo o país devido ao seu herbicida paraquat, que milhares de demandantes afirmam causar a doença de Parkinson. 

Propenso a deriva

A decisão do tribunal observa que os agricultores têm outras opções além dos produtos dicamba afectados, incluindo o sistema de soja Enlist fabricado pela Corteva (anteriormente DowDupont) que utiliza o produto químico 2,4-D, para matar ervas daninhas entretanto. Este sistema é o principal concorrente do sistema baseado em dicamba da Bayer.

O dicamba foi introduzido na agricultura americana em 1967, mas nunca foi amplamente utilizado durante os meses quentes porque era bem sabido que o produto químico pode volatilizar e percorrer longas distâncias quando as temperaturas sobem. A volatilização ocorre quando as partículas de dicamba passam de líquido para gás horas ou dias após a aplicação do herbicida, transformando-se efetivamente em nuvens de herbicida e causando danos à paisagem.

Dicamba também é propenso a ser levado pelo vento longe de onde é aplicado; além disso, pode mover-se para valas de drenagem e corpos d’água como escoamento durante chuvas. 

A Monsanto, juntamente com a gigante química BASF, introduziram novas formulações de herbicidas dicamba que, segundo eles, não seriam tão voláteis, e incentivaram os agricultores a comprar as recém-criadas culturas tolerantes ao dicamba da Monsanto. Os agricultores que comprassem as sementes especializadas poderiam pulverizar dicamba nos campos enquanto as culturas cresciam, matando as ervas daninhas, mas não os produtos preciosos. O sistema refletia o sistema “Roundup Ready” de herbicidas à base de glifosato que a Monsanto vendia há muito tempo aos agricultores para serem usados ​​em conjunto com milho, soja e outras culturas geneticamente modificadas tolerantes ao glifosato. À medida que o glifosato perdesse eficácia, os agricultores poderiam usar o dicamba para combater ervas daninhas teimosamente resistentes, prometeram as empresas.

Culturas resistentes a Dicamba foram plantadas em até 65 milhões de acres, estimou a EPA, uma área maior que o estado de Oregon.

As primeiras versões aprovadas pela EPA do dicamba foram consideradas menos propensas a sair da meta feita pela Monsanto e pela BASF para a temporada de cultivo de 2017. Desde então, o dicamba causou danos às colheitas em milhões de hectares e tem sido objeto de vários processos judiciais. Documentos de descoberta apresentados no litígio mostraram que as empresas sabiam que seus herbicidas dicamba provavelmente causariam danos às colheitas fora do alvo. 

Durante anos, a Bayer e a BASF culparam outros factores, para além dos seus herbicidas, incluindo a utilização ilegal de produtos químicos mais antigos, pelos danos. A cada ano, a EPA e os estados impõem novas restrições, mas elas não estão funcionando, escreveu o juiz. 

“Embora a EPA esteja altamente confiante de que as medidas de controle eliminariam qualquer risco desse tipo com apenas um efeito mínimo, os relatórios de incidentes apresentados ano após ano reclamando do movimento externo de dicamba OTT refletem o contrário”, escreveu Bury. 

Em fevereiro de 2020, um júri federal no Missouri concedeu ao maior produtor de pêssegos do estado US$ 265 milhões pelos danos à sua fazenda, embora esse total tenha sido posteriormente reduzido por um juiz federal. A BASF e a Bayer dividiram os US$ 15 milhões em indenizações compensatórias, e a Bayer e Bader acertaram indenizações punitivas por um valor confidencial, mostram os registros judiciais. Em junho de 2020, a Bayer anunciou um acordo de US$ 400 milhões com produtores de soja que foram prejudicados pela deriva não-alvo. 

Um painel de três juízes do Tribunal de Apelações do 9º Circuito anulou a aprovação de 2018 , concluindo que a EPA havia realizado análises falhas e “subestimado substancialmente” os riscos associados aos herbicidas dicamba vendidos pela Monsanto e BASF, tornando a aprovação da EPA ilegal. Além disso, um exame da aprovação de 2018 pelo Gabinete do Inspector Geral (OIG) da EPA concluiu que os nomeados políticos que trabalham na gestão da EPA violaram a política de integridade científica da agência, alterando as análises e conclusões dos cientistas.

(A imagem em destaque é de uma lesão de dicamba. Foto de Amit Jhala via Universidade de Nebraska-Lincoln.)

(Uma versão desta história foi co-publicada pelo The Guardian.)


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo “The New Lede” [Aqui! ].

Tribunal dos EUA revoga aprovação do Dicamba em ‘vitória arrebatadora’ para agricultores e o meio ambiente

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Por Sustinable Pulse

Em uma  vitória arrebatadora para os agricultores familiares e para dezenas de plantas e animais ameaçados de extinção, na terça-feira um tribunal federal dos EUA revogou a aprovação do pesticida dicamba, notoriamente volátil e eliminador de ervas daninhas.

O herbicida propenso à deriva já danificou milhões de hectares de plantações e plantas selvagens todos os anos desde que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) o aprovou pela primeira vez em 2017 para pulverização em plantações de algodão e soja geneticamente modificadas pela Monsanto (agora Bayer) para sobreviver ao que de outra forma seria ser uma dose mortal. A decisão de hoje do Tribunal Distrital do Arizona, em Tucson, anula a  reaprovação do agrotóxico pela EPA em 2020  , que incluía restrições de aplicação adicionais que, no entanto, não conseguiram evitar os danos contínuos causados ​​pela deriva.

“Esta é uma vitória vital para os agricultores e para o meio ambiente”, disse George Kimbrell, diretor jurídico e advogado do Centro de Segurança Alimentar (CFS) no caso. “Repetidas vezes, as evidências mostram que o dicamba não pode ser usado sem causar danos massivos e sem precedentes às explorações agrícolas, bem como pôr em perigo plantas e polinizadores. O Tribunal reafirmou hoje de forma retumbante o que sempre defendemos: as alegações da EPA e da Monsanto sobre a segurança do dicamba eram irresponsáveis ​​e ilegais.”

Desde que o dicamba foi aprovado para pulverização “over-the-top”, a sua utilização aumentou  vinte vezes . A EPA estima que 65 milhões de acres ( dois terços da soja e três quartos do algodão ) são resistentes ao dicamba, com cerca de metade dessa área pulverizada com dicamba, uma área quase do tamanho do Alabama. Muitas das culturas não pulverizadas são  plantadas “defensivamente  pelos agricultores para evitar danos causados ​​pela deriva do dicamba.

Na decisão de terça-feira, o tribunal cancelou o uso exagerado do dicamba, considerando que a EPA violou a exigência de contribuição pública da FIFRA antes da aprovação. Esta violação é “muito grave”, segundo o tribunal, especialmente porque o Nono Circuito anteriormente detido pela EPA não considerou os riscos graves de dicamba exagerada na emissão do registo prévio. O tribunal descreveu os enormes danos às partes interessadas que foram privadas da oportunidade de comentar, como os produtores que não usam dicamba de forma exagerada e sofreram perdas financeiras significativas e estados que relataram repetidamente danos ao nível da paisagem ainda, na mesma decisão de 2020, perderam a capacidade de impor restrições maiores do que aquelas impostas pelo governo federal sem processos legislativos e/ou normativos formais. Como resultado, o tribunal concluiu que “é improvável que a EPA emita os mesmos registros” novamente depois de ter em conta as preocupações destas partes interessadas.

O tribunal também criticou a avaliação da EPA sobre os danos generalizados dos registros de 2020. A Monsanto e a EPA alegaram que este novo uso “exagerado” de dicamba não causaria danos devido às suas novas restrições de uso. Mas o tribunal concluiu que a “abordagem circular da EPA para avaliar o risco, baseada na sua elevada confiança de que as medidas de controlo irão praticamente eliminar o movimento fora do local, [levou] à sua correspondente falha na avaliação dos custos do movimento fora do local”. E, em vez disso, tal como tinham alertado investigadores independentes, as restrições falharam e o dicamba continuou a vaporizar-se e a flutuar.

“Espero que a rejeição enfática do tribunal à aprovação imprudente do dicamba pela EPA estimule a agência a finalmente parar de ignorar os danos de longo alcance causados ​​por este perigoso agrotóxico”, disse Nathan Donley, diretor de ciências de saúde ambiental do Centro para Diversidade Biológica. As populações de borboletas e abelhas ameaçadas continuarão a diminuir se a EPA continuar a transformar-se num pretzel para aprovar este produto apenas para apaziguar a indústria de agrotóxicos.”

“Estamos gratos por o tribunal ter responsabilizado a EPA e a Monsanto pelos enormes danos causados ​​pelo dicamba aos agricultores, aos trabalhadores rurais e ao ambiente, e ter interrompido a sua utilização”, disse Lisa Griffith da National Family Farm Coalition. “O sistema de agrotóxicos que a Monsanto vende não deve ser pulverizado porque isso não pode ser  feito com segurança.”

“Todos os verões, desde a aprovação do dicamba, a nossa fazenda tem sofrido danos significativos em uma vasta gama de culturas vegetais”, disse Rob Faux, agricultor e gestor de comunicações da Pesticide Action Network. “A decisão de hoje proporciona a tão necessária e esperada proteção aos agricultores e ao meio ambiente.”

Fundo

Esta é a segunda vez que um tribunal federal conclui que a EPA aprovou ilegalmente o dicamba. Um  processo anterior  resultou em um tribunal de apelações anulando a aprovação prévia do dicamba pela agência. A EPA reaprovou os mesmos usos do pesticida em 2020, levando ao  processo atual .

A decisão de hoje proíbe a pulverização de produtos de dicamba sobre culturas emergentes de soja e algodão que são geneticamente modificadas para resistir à sua pulverização. Desde 2017, o dicamba tem causado  danos causados ​​pela deriva em milhões de hectares  de soja não geneticamente modificada, bem como em pomares, jardins,  árvores  e outras plantas, em uma escala  sem precedentes na história da agricultura dos EUA .

Dezenas de espécies ameaçadas, incluindo polinizadores como as borboletas-monarca e os zangões enferrujados, também estão ameaçados pelo pesticida.

A EPA admitiu em  relatório publicado em 2021  que as restrições à sua aplicação para limitar os danos do dicamba falharam e que o agrotóxico continuava a causar danos massivos às culturas devido à deriva.

O Departamento de Agricultura dos EUA estima que até  7 milhões de hectares de soja  foram danificados pela deriva do dicamba. Apicultores  em  vários estados  relataram quedas acentuadas na produção de mel devido à deriva do dicamba, suprimindo as plantas com flores que suas abelhas precisam para seu sustento.

Os demandantes são a National Family Farm Coalition, a Pesticide Action Network, o Center for Food Safety e o Center for Biological Diversity. Estas organizações são representadas por consultores jurídicos do Centro de Segurança Alimentar e do Centro de Diversidade Biológica.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo Sustainable Pulse [Aqui!].

A reitoria da Uenf, o Porto do Açu, e os escombros

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Agricultor desapropriado para a implantação do Porto do Açu posa ao lado dos escombros de sua casa no V Distrito de São João da Barra. Fonte: Mateus Gomes

Que a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) tem tentado estabelecer uma inexplicável proximidade com o Porto do Açu é um fato que está claro desde a gestão do loquaz ex-reitor, professor Raúl Palacio. Eis que agora em sua velha/nova face, a reitoria da Uenf, comandada pela dupla Rosana Rodrigues e Fábio Olivares acaba de realizar uma “oficina de integração” com o Porto do Açu no histórico edifício que abriga a Casa de Cultura Villa Maria. Pelo que se depreende do texto repercutido pela Assessoria de Comunicação da Uenf, esta oficina foi uma oportunidade para que o linguajar empreendedor disseminado durante a campanha eleitoral ocorrida em 2023 saia do papel para a prática.hall of shame
Uma primeira observação é que em se tratando do Porto do Açu, a reitoria da Uenf está como dizem os estadunidenses “barking up the wrong tree“, na medida que se o que espera é algum tipo de aporte econômico na universidade, dificilmente isto ocorrerá. É que tudo o que se analisa sobre as práticas do Porto do Açu desde o seu nascedouro em 2006 mostra que o empreendimento não está aqui para colocar, mas para tirar. Nas palavras do professor Roberto Moraes, os donos estrangeiros do Porto do Açu tratam nossa região como um mero “território de passagem” de onde tudo se tira, e muito pouco se coloca. Barking up the wrong tree – Museum of Psychology – Illustrations about us
Mas se é assim, por que o Porto do Açu se dispõe a realizar este tipo de atividade para o qual seus donos não pretendem investir? É que de forma consciente ou não, a reitoria da Uenf ofereceu um excelente momento de uma “photo op” gratuita que poderá ser replicado para os investidores que detém ações ou títulos no Porto do Açu por meio da disseminação da ideia de que o empreendimento atua dentro dos melhores conceitos e métodos da chamada “governança sócio-corporativa”. Em outras palavras, essa oficina representou uma chance do porto se promover junto aos seus investidores, tendo como cenário um dos principais patrimônios arquitetônicos de Campos dos Goytacazes. Para o Porto do Açu isso é perfeito, já para a reitoria da Uenf isso é apenas mais uma demonstração de que estamos entregues a amadores que não têm o mínimo de entendimento das tarefas que nos foram deixadas por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

Esse episódio lamentável me faz pensar naquela sugestão dada por Chico Buarque ao presidente Lula em 2003 para que ele criasse o ministério do “Vai dar Merda”. A sugestão foi dada no sentido de que se tivesse um assessor que dissesse ao presidente (no caso a reitora) sobre quando não fazer alguma coisa. É que ao receber o Porto do Açu na Villa Maria, o que se fez, na prática, foi demonstrar total desprezo pelo destino dado a centenas de famílias de agricultores e pescadores artesanais do V Distrito de São João da Barra que tiveram suas vidas reduzidas a escombros para a implantação de um enclave portuário que tirou suas terras, removeu o acesso a áreas tradicionais de pesca, salinizou terras e causou erosão costeira.

E falando em escombros…escombros
Como sei que existe uma forte preocupação com aqueles que a reitoria da Uenf opta por ignorar em suas buscas por oportunidades de “empreendedorismo”, aproveito informar aos leitores que a  Casa Criativa Santa Paciência, no dia 22 de fevereiro, abrirá seu espaço para a abertura da mostra “Escombros”, trabalho do fotógrafo campista Mateus Gomes que mostra a destruição das habitações pertencentes aos agricultores familiares que tiveram suas terras tomadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral.

No mesmo dia, às 19h, acontecerá uma roda de conversa com o tema Fotografia, pesquisa e ativismo: 15 anos do Porto do Açu e seu impacto socioambiental. Esta mesa terá a participação da Dona Noêmia Magalhães, liderança dos agricultores familiares do Açu, da professora, pesquisadora e diretora da UFF Campos Ana Costa, do artista e fotógrafo Mateus Gomes, e deste blogueiro.

Brasil soma mais de 40.000 mil casos de intoxicação aguda por agrotóxicos em 10 anos

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Por Xepa para a Mídia Ninja

O Brasil, desde 2021, lidera o ranking global de consumo de agrotóxicos, despejando 719,5 milhões de toneladas dessas substâncias anualmente, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Por trás desses números, surge uma preocupação mais urgente: os danos diretos à saúde humana. Em apenas três décadas, o aumento de 1.300% no uso dessas substâncias coloca o país como um dos maiores consumidores e importadores mundiais, expondo a população a riscos crescentes de intoxicação.

Um relatório da Friends of the Earth Europe revela que, a cada dois dias, uma pessoa perde a vida no Brasil devido à exposição a esses venenos, sendo uma em cada cinco vítimas crianças ou adolescentes com até 19 anos. Este é o preço trágico que o país paga por liderar esse preocupante ranking global.

A exposição aos agrotóxicos pode causar uma série de doenças, que vão de irritações na pele ao câncer, dependendo do produto, tempo de exposição e quantidade absorvida pelo organismo. As consequências mais graves são sentidas por pelo menos 20 mil pessoas por ano – número de registros de mortes por consumo de agrotóxicos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas notificou que mais de 40 mil casos de intoxicação aguda por agrotóxicos foram registrados no Brasil na última década. Os casos são mais recorrentes entre os trabalhadores rurais, que estão em contato direto com os produtos nocivos à saúde.

Mas nem sempre esses efeitos são percebidos a curto prazo. Um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) chama os agrotóxicos de “veneno invisível”, isso porque os efeitos na saúde podem demorar anos para serem sentidos. De acordo com a professora do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Eliane Novato, casos crônicos – que ocorrem após exposições repetidas a pequenas quantidades de agrotóxicos por um período prolongado – podem se manifestar somente em gerações seguintes.

De acordo com o relatório “Atlas dos Agrotóxicos”, publicada em 2023 pela Fundação Heinrich Böll, o Brasil se destaca como um dos maiores consumidores e importadores mundiais desses produtos, sendo responsável por 18% da aquisição mundial. Além disso, 87% dos fertilizantes utilizados na agricultura nacional são importados, conforme a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). O país permite níveis mais elevados de resíduos desses produtos em águas e alimentos, agravando ainda mais os impactos na saúde da população.

O envenenamento tem sua origem na venda desenfreada desses produtos para países do Sul Global, onde a falta de regulamentação torna essas nações alvos principais. O “Atlas dos Agrotóxicos” ressalta que a União Europeia (UE), o maior mercado de exportação de agrotóxicos global, investe crescentemente em processos e exporta produtos proibidos em seu próprio território devido aos seus efeitos nocivos à saúde humana e ao meio ambiente. No Brasil, infelizmente, tais malefícios são ignorados.

A relação direta entre o aumento do uso de agrotóxicos e a expansão das áreas cultivadas com organismos geneticamente modificados é inegável. O Brasil, como maior exportador mundial de soja, carne bovina, carne de frango e açúcar, além de segundo maior exportador de grãos, viu um aumento de 70% na área cultivada com cana-de-açúcar e 75,6% na área cultivada com soja entre 2005 e 2022. Essa expansão abrange proporções preocupantes, ultrapassando os territórios combinados da Alemanha e da Bélgica.

Diante desse cenário, é evidente a dependência crescente da agricultura nacional em relação aos agrotóxicos, enquanto soluções ecológicas para preservação da saúde humana são negligenciadas. A necessidade urgente de regulamentação é clara. Chega de expor a população a esses venenos prejudiciais à saúde.

Fonte: Brasil de Fato, FAO, Atlas dos Agrotóxicos e Friends of the Earth Europe, OMS, UFMG.


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Este texto foi originalmente publicado pela Midia Ninja [Aqui!].

“Sem os povos da floresta, nenhuma iniciativa de REDD+ funciona”, diz pesquisadora do IPAM

Análise recomenda a participação paritária de povos e comunidades tradicionais em espaços de decisão e acesso a benefícios por proteção ambiental

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Iniciativas pela redução de emissões devem conter mecanismos de proteção aos direitos de povos indígenas e de comunidades tradicionais, recomenda um documento voltado a tomadores de decisão [policy brief, em inglês] lançado nesta quarta-feira, 7, pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

O foco da análise está em iniciativas de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) no bioma Amazônia.

“A intenção é evidenciar os principais obstáculos ao cumprimento das salvaguardas socioambientais de REDD+ na perspectiva dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, bem como oferecer sugestões para que os gestores estaduais consigam resolver esses obstáculos quando estiverem implementando seus sistemas jurisdicionais”, diz Raissa Guerra, pesquisadora do IPAM e principal autora do estudo.

Intitulado “Salvaguardas Socioambientais e a Garantia dos Direitos dos Povos da Floresta”, o documento identifica desafios e propõe soluções para o cumprimento das salvaguardas socioambientais – como são chamadas as medidas que podem garantir a inclusão equitativa dessas populações nas estruturas de governança e, assim, reduzir os riscos associados a projetos de compensação de emissões.

“O ano de 2023 bateu recordes de secas extremas, altas temperaturas e enchentes. Essa crise afeta de maneira mais intensa os povos indígenas, evidenciando a injustiça climática sentida por eles. Reverter esse cenário é urgente e, para isso, respeitar as salvaguardas socioambientais é o primeiro passo”, avalia Martha Fellows, coordenadora do núcleo de estudos indígenas do IPAM, também autora.

Os desafios mais citados pelos povos da floresta, quanto à construção dos sistemas de REDD+ estaduais, são apresentados em cinco categorias: participação social; protocolos de consulta; repartição de benefícios; proteção e direito aos territórios; e conflitos internos. Para chegar a esse resultado, as pesquisadoras realizaram oficinas sobre mudanças climáticas e REDD+ nos nove Estados da Amazônia Legal, algumas em parceria com a COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).

“Durante as oficinas, nós observamos que povos indígenas, quilombolas, extrativistas e outras populações locais querem mais participação e maior poder decisório na construção e implementação dos sistemas de REDD+. As salvaguardas de Cancun são um primeiro passo, mas mecanismos de proteção mais específicos e adaptados à realidade local precisam ser construídos em conjunto com os grupos envolvidos para a efetiva garantia de direitos e proteção dos territórios e modos de vida tradicionais”, comenta Ariane Rodrigues, pesquisadora do núcleo de estudos indígenas do IPAM e autora.

As salvaguardas de Cancun, citadas por Rodrigues, foram definidas em 2011 no âmbito da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) para garantir o compromisso de iniciativas de REDD+ com povos indígenas e comunidades tradicionais.

Entre as recomendações das pesquisadoras, a partir dos desafios identificados, está a criação de comitês de povos da floresta, com participação paritária, inclusive de gênero, em instâncias consultivas e deliberativas dos sistemas de REDD+ jurisdicionais, bem como a repartição justa dos benefícios econômicos da conservação. O fortalecimento do CIMC (Comitê Indígena de Mudanças Climáticas) e a garantia de acesso aos recursos naturais dos territórios pelos povos e comunidades também estão entre as sugestões.

Este policy brief reforça que sem o cumprimento das salvaguardas socioambientais e sem os povos da floresta, nenhuma política de REDD+ funciona, seja nos projetos privados, seja nos jurisdicionais. É importante que tomadores de decisão consigam estruturar seus Estados para incluir essas pessoas no mecanismo de REDD+. Elas precisam ser informadas, consultadas, e de espaços de governança que garantam a sua participação. Precisam estar inseridas nas discussões sobre repartição de benefícios e indicar como os recursos devem ser distribuídos”, acrescenta Guerra.

O mercado de carbono, por ser mais amplo, inclui atividades realizadas em diversos outros setores, como a indústria, energia e transporte. No mecanismo do REDD+, é atribuído um valor monetário à redução do desmatamento e à proteção e manutenção das florestas vivas, especialmente as mais ameaçadas. Isso é negociado em créditos de carbono, por reconhecer a contribuição e o valor econômico dos serviços ambientais prestados pela vegetação para a remoção de gás carbônico da atmosfera.

“Sabemos que a implementação de uma política de REDD+ se depara com um conjunto de desafios, como a falta de recursos, a grande extensão territorial a ser monitorada, além da dificuldade logística para realizar os processos de consulta. Mas é preciso superar essas questões”, conclui a primeira autora.

Leia o documento em português e em inglês.

Depois das revistas e conferências predatórias, os prêmios científicos predatórios

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Venho há alguns anos noticiando neste blog o impacto das chamadas revistas predatórias (veículos disseminadores do que eu considero lixo científico) que resultaram na famosa “Lista de Beall“, trabalho do hoje aposentado bibliotecário da Universidade do Colorado, Jeffrey Beall.  O impacto deste tipo de veículo é tão grande que no Brasil acaba de ser lançado um artigo escrito por pesquisadores ligados ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia que apresenta o primeiro mapeamento de revistas predatórias brasileiras.

Eis que hoje aportou em minha caixa de correspondência eletrônica uma nova forma de fraude acadêmica que é a dos primeiros científicos predatórios (ver imagem abaixo).

premio predatório

Um primeiro sinal de que esse convite era parte de um esquema foi o fato de quem me comunicava a “outorga temporária” de um prêmio científico não se dignou a assinar a correspondência. Além disso, também me chamou a atenção que o artigo motivo do “prêmio” foi publicado em 2012, o que seria, caso o “prêmio” fosse legítimo, um belo exemplo de reconhecimento tardio de uma obra científica.

No entanto, ao acessar o site que concede a “honraria” pude logo ver que ser reconhecido me custaria a bagatela de 199,00 dólares americanos, fruto de um generoso desconto já que o preço cheio seria de 399 dólares americanos (ver imagem abaixo).

prêmio predatório 1

Após constatada o esquema fraudulento, me pus a verificar na internet se já existe alguma referência a este esquema de premiações predatórias, e confirmei que sim.  Em um texto publicado no blog EV Science Consultant, encontrei o texto “Predatory award organization – yet another scam” (“Organização de premiação predatória – mais uma fraude”) da autoria da professora associada da Leiden University, Esther van de Vosse, que lista uma série de organizações que emitem prêmios científicos fraudulentos. Ao verificar a lista criada pela professora van de Vosse,  encontrei o nome da “ScienceFather”, justamente a organização que me enviou a notificação de que eu havia sido “premiado”.

Com a sensação de que poderia haver mais informação disponível sobre a ScienceFather e seus métodos fraudulentos, fiz uma rápida procura no Youtube e rapidamente encontrei um vídeo em inglês que descreve com relativo detalhamento as características fraudulentas (ver abaixo).

Além do vídeo, encontrei uma “carta ao editor” do “Journal of Optometry” que é publicado pelo Spanish General Council of Optometry onde a autora, a doutora Jameel Rizwana Hussaindeen, alerta sobre o aparecimento de mais essa forma de fraude na forma de prêmios falsos a cientistas.

Um dos problemas em cair nesse tipo de esquema fraudulento se refere ao fato de que muitos dos incautos acabam utilizando não apenas recursos pessoais, mas também parte das verbas que são obtidas de agências do estado. Além disso, como não se sabe exatamente quem são os cabeças desses esquemas de captação de recursos via fraudes científicas, o dinheiro que é entregue em troca desses troféus sem valor pode estar alimentando outras formas de enriquecimento ilegal.

Por último, há que se ficar cada vez mais atento para que os convites desse natureza não sejam premiados com a entrega dos numerários que eles demandam.

Cartéis de citações ajudam alguns matemáticos – e suas universidades – a subir nos rankings acadêmicos de forma fraudulenta

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A.Mastin/Science 

Por Michele Catanzaro para a Science

Grupos de matemáticos em instituições na China, na Arábia Saudita e em outros países têm aumentado artificialmente a contagem de citações dos seus colegas, produzindo artigos de baixa qualidade que referenciam repetidamente o seu trabalho, de acordo com uma análise não publicada vista pela Science . Como resultado, as suas universidades – algumas das quais não parecem ter departamentos de matemática – produzem agora um maior número de trabalhos de matemática altamente citados todos os anos do que escolas com um forte historial na área, como as universidades de Stanford e Princeton.

Estes chamados “cartéis de citações” parecem estar a tentar melhorar a classificação das suas universidades, de acordo com especialistas em práticas de publicação. “Os riscos são elevados – as mudanças nas classificações podem custar ou gerar às universidades dezenas de milhões de dólares”, afirma Cameron Neylon, professor de comunicação de investigação na Curtin University. “É inevitável que as pessoas quebrem e quebrem as regras para melhorar a sua posição.” Em resposta a tais práticas, a editora analítica Clarivate excluiu todo o campo da matemática da edição mais recente da sua lista influente de autores de artigos altamente citados, publicada em novembro de 2023.

A nova análise surpreendente é o trabalho de Domingo Docampo, um matemático da Universidade de Vigo com um interesse de longa data em sistemas de classificação universitária. Nos últimos anos, Docampo percebeu que a lista de pesquisadores altamente citados (HCRs) da Clarivate estava sendo gradualmente substituída por matemáticos menos conhecidos. “Tinha gente que publicava em revistas que nenhum matemático sério lê, cujo trabalho era citado em artigos que nenhum matemático sério leria, vindos de instituições que ninguém conhece em matemática”, diz ele. Então ele decidiu investigar os dados da Clarivate dos últimos 15 anos para explorar exatamente quais universidades publicavam artigos altamente citados e quem os citava.

Os dados mostraram que entre 2008 e 2010, instituições como a Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) e Princeton produziram o maior número de artigos de matemática altamente citados (definidos como o 1% mais citado pelo número de citações), com 28 e 27, respectivamente. Mas entre 2021 e 2023, instituições com pouca tradição matemática, muitas delas baseadas na China, na Arábia Saudita e no Egipto, substituíram-nas. Neste período, a China Medical University, em Taiwan, liderou a lista com 95 artigos de matemática altamente citados – em comparação com nenhum na década anterior. A UCLA, por sua vez, teve apenas um único artigo altamente citado.

Docampo encontrou padrões que sugeriam que cartéis de citações estavam em ação. O mais revelador é que as citações aos principais artigos muitas vezes vieram de pesquisadores da mesma instituição que os autores dos artigos citados. Por exemplo, entre 2021 e 2023, duas editoras prolíficas de artigos altamente citados – a China Medical University e a King AbdulAziz University, que ostentava 66 artigos importantes nesse período – também publicaram, cada uma, centenas de estudos referenciando artigos altamente citados. Os estudos que faziam referência a artigos altamente citados também eram publicados regularmente em periódicos predatórios, descobriu Docampo, onde práticas de citação desonestas podem ser mais facilmente aceitas.

Outros cientistas concordam que as evidências apontam para uma manipulação generalizada de citações. “Temos vários investigadores a tentar aumentar artificialmente as suas citações de uma forma que não reflete de forma alguma a sua qualidade científica”, diz Helge Holden, presidente do comitê do Prêmio Abel, um dos mais prestigiados prémios em matemática. “Isso só pode ser condenado.”

Yueh-Sheng Chen, secretário-chefe da Universidade Médica da China, diz que sua universidade não se envolveu na prática. “Não sabemos nada sobre a citação direcionada e não estamos envolvidos em tal manipulação”, diz ele. O envolvimento de “especialistas e académicos de renome internacional em áreas como a matemática aplicada” faz parte da abordagem interdisciplinar da instituição à medicina, acrescenta. A Universidade King AbdulAziz não respondeu ao pedido de comentários da Science .

A Clarivate se recusou a comentar o assunto. No entanto, em declarações online sobre a sua decisão de excluir matemáticos da lista mais recente do HCR , a empresa diz estar preocupada com “estratégias para optimizar o estatuto e as recompensas através da publicação e da manipulação de citações, especialmente através da citação direccionada de artigos publicados muito recentemente”. A matemática é especialmente vulnerável à manipulação porque o campo é pequeno, escreve a empresa. “A taxa média de publicação e citação é relativamente baixa, portanto pequenos aumentos na publicação e citação tendem a distorcer a representação e análise do campo geral.”

Mas a manipulação de citações também está acontecendo em outras disciplinas maiores, diz Félix de Moya Anegón, bibliometrista da Universidade de Granada – mas não é tão visível. Ilka Agricola, presidente do Comité de Informação Eletrónica e Comunicação da União Matemática Internacional, teme que, ao destacar a matemática, Clarivate possa ter transmitido a impressão de que o campo está infiltrado por “cientistas fraudulentos”. “Lamentamos muito que nenhuma outra opção tenha sido vista senão não listar mais a matemática”, diz ela.

A Clarivate afirma que está a receber “conselhos de especialistas externos… para discutir a nossa abordagem futura à análise deste campo”. A Docampo está trabalhando em uma métrica mais refinada, que pondera as citações de acordo com a qualidade dos periódicos e instituições citantes.

Outros pesquisadores dizem que a manipulação de citações é simplesmente um sintoma de um sistema de avaliação falho. As citações e métricas semelhantes não são suficientemente refinadas para monitorizar o desempenho individual, diz Ismael Rafols, investigador do Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia da Universidade de Leiden, e as pessoas vão sempre encontrar formas de burlar o sistema. Holden concorda: “O resultado final é que as citações não são uma boa medida da qualidade científica”.


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Este texto escrito inicialmente em inglês foi publicado pela revista Science [Aqui!].

‘Polícia’ de combate ao desmatamento no Brasil entrou em greve – ameaçando metas climáticas

Os servidores de agências ambientais do governo federal interromperam as operações de campo e poderão interromper completamente o trabalho

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Grupo de fiscalização do Ibama encerra operação de mineração ilegal em floresta nacional brasileira em 2018. Crédito: Felipe Werneck/Ibama

Por  Meghie Rodrigues para a Nature 

No último mês, os trabalhadores das agências ambientais do governo federal estiveram parcialmente em greve: pararam de trabalhar no campo, onde realizam vigilância do desmatamento e ajudam a encerrar operações ilegais de mineração. Mas, se as suas exigências não forem satisfeitas, poderão em breve aumentar a pressão sobre o governo e parar completamente de trabalhar – o que poderá interromper a investigação que ajuda na elaboração de políticas ambientais.

Funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ​​(IBAMA), órgão de proteção ambiental do país; o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra as áreas protegidas do país; e o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) pedem desde 2017 mais recursos e melhores salários.

A administração do atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, emitiu no ano passado um aumento de 9% para todos os funcionários públicos depois que ele assumiu o cargo. Mas os trabalhadores ambientais não receberam aumento nos últimos sete anos, e o aumento salarial não é suficiente para conter a inflação, dizem eles. Seu sindicato, a Associação Brasileira de Carreiras Ambientais (Ascema Nacional), aponta que, de 2003 a 2023, cerca de 720 trabalhadores ambientais foram demitidos para ocupar outras funções governamentais – o que significa que os que permanecem estão sobrecarregados.

Como candidato presidencial em 2022, Lula prometeu atingir o desmatamento zero em todos os biomas brasileiros até 2030 . Para reduzir o desmatamento, as agências ambientais tiveram que reforçar as inspeções na floresta amazônica e em outros lugares. Os seus esforços até agora parecem ter ajudado: as taxas de desflorestação na Amazónia, que é crucial para conter as alterações climáticas porque absorve enormes quantidades de dióxido de carbono, caíram para o nível mais baixo dos últimos cinco anos em 2023 .

Não só estão sobrecarregados de trabalho, dizem os funcionários, mas a sua segurança também está em risco. No terreno, têm de lidar com pessoas ligadas ao crime organizado, como garimpeiros ilegais e grileiros de terras.

Bombeiros do Prevfogo/Ibama participam de operação conjunta de combate a incêndios na Amazônia em 2019.

Trabalhadores do IBAMA e do ICMBio colaboraram em operação conjunta de combate a incêndios na Amazônia em 2019. Crédito: Vinícius Mendonça/Ibama

“Por causa da baixa remuneração, temos perdido pessoal para carreiras mais atraentes, até mesmo no serviço público”, diz Alexandre Gontijo, membro do conselho de administração da Ascema Nacional e especialista ambiental da BFS. “Nossas responsabilidades aumentam enquanto o número de servidores diminui e as coisas ficam mais difíceis à medida que o trabalho se acumula. Vigilar a Amazônia, por exemplo, não é uma tarefa trivial.”

A Ascema Nacional se reunirá com representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil e do Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos no dia 1º de fevereiro para discutir as demandas e se os trabalhadores irão suspender adicionalmente o trabalho administrativo.

Embora preocupados com as consequências, os pesquisadores brasileiros apoiam o movimento e apelam ao governo Lula para que invista nos seus trabalhadores. “Se o meio ambiente está no centro da política externa do Brasil, apoiar os trabalhadores na área deveria ser uma política interna fundamental”, diz Erika Berenguer, pesquisadora de incêndios na Amazônia na Universidade de Oxford, no Reino Unido. “É fundamental valorizar quem coloca o próprio corpo na linha de frente.”

Em comunicado à Nature , o Ministério da Administração brasileiro disse que realizou 21 mesas redondas no ano passado para negociar com funcionários federais de vários departamentos. Disse ainda que está trabalhando dentro dos limites orçamentários para atender às demandas.

Sentindo os impactos

Funcionários do IBAMA entraram em greve no dia 2 de janeiro, e trabalhadores de outros órgãos ambientais fizeram o mesmo alguns dias depois. O seu objectivo era trazer o governo de volta à mesa de negociações. No passado mês de Outubro, a Ascema Nacional reuniu-se com o ministério da gestão, mas não foi alcançada qualquer resolução. “O governo prometeu nos dar uma resposta em 30 a 45 dias, mas não obtivemos nenhuma”, diz Cleberson Zavaski, presidente do sindicato e especialista ambiental do ICMBio.

Cerca de 90% de todos os especialistas ambientais federais estão participando da greve parcial, diz Zavaski. De acordo com o Painel de Estatística de Pessoal do Brasil e a Ascema Nacional, há cerca de 4.800 trabalhadores ambientais ativos nas agências federais do Brasil.

Após a greve, apenas 16 fiscais ambientais permanecem em campo no Brasil, dois dos quais estão na Amazônia, segundo o sindicato. E os impactos começam a ser sentidos: os fiscais emitiram 93% menos multas ambientais na Amazônia durante as duas primeiras semanas de janeiro do que no mesmo período do ano passado.

Mudança estrutural

O fato de a greve ter acontecido durante o mandato de Lula é surpreendente para alguns. Sob o seu antecessor – Jair Bolsonaro, um líder favorável à indústria – a desflorestação na Amazónia atingiu o máximo dos últimos 15 anos e mais de 180 mil multas ambientais, no valor de 1,3 mil milhões de reais (260 milhões de dólares), foram anuladas. “A perda de recursos e os ataques públicos dificultaram muito o nosso trabalho [sob Bolsonaro], mas fizemos um esforço de resiliência para continuar trabalhando”, diz Gontijo. “Aí entrou Lula e, embora tenhamos tido apoio institucional público e o fim dos ataques, não tivemos mudança estrutural.”

Em comunicado público no início deste mês , o Ministério do Meio Ambiente, que abriga os órgãos em greve, disse que, após negociações no ano passado, enviou ao Ministério da Gestão um pedido para realizar chamadas públicas para preencher cerca de 3.300 vagas de pessoal no IBAMA, ICMBio e Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Os pesquisadores estão ansiosos para que as negociações dêem frutos esta semana. Celso Silva Jr, pesquisador de sensoriamento remoto e uso da terra do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, em Brasília, afirma que a vigilância e a fiscalização são fundamentais para reprimir o desmatamento ilegal na Amazônia. A greve suscita preocupação “porque a reversão da actual tendência decrescente [na desflorestação] resultaria numa maior perda de biodiversidade e de emissões de carbono para a atmosfera”.

DOI: https://doi.org/10.1038/d41586-024-00279-2


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela Nature [Aqui!].

Brasil usa mais agrotóxicos que Estados Unidos e China juntos

Agência da ONU indica que Brasil aplica mais de 720 mil toneladas de veneno contra pestes em lavouras

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Intensificação da pulverização aérea com agrotóxicos é uma das preocupações nos territórios vizinhos às plantações – Alberto César Araújo/Amazônia Real

Por Vinicius Konchinski para o Brasil de Fato

O Brasil já usa mais agrotóxicos em suas lavouras do que a China e os Estados Unidos juntos. Isso é o que mostra um levantamento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês).

Os dados divulgados pela FAO são referentes a 2021. Naquele ano, segundo a agência, foram aplicadas 719,5 mil toneladas de venenos contra pestes em lavouras nacionais. No mesmo ano, a China, que tem quase sete vezes mais habitantes que o Brasil, aplicou 244 mil toneladas. Já os EUA aplicaram 457 mil toneladas. Juntos, eles uasaram 701 mil toneladas.

De acordo com os dados da FAO, o Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo. É seguido justamente pelos EUA. A Indonésia, que usou 283 mil toneladas de veneno em suas lavouras – menos da metade do Brasil –, vem em terceiro lugar.


Dados da FAO mostram os países líderes em uso de agrotóxicos em lavouras no mundo / Reprodução/elaboração Gerson Teixeira (Abra)

O Brasil usa 10,9 kg de agrotóxicos para cada hectare de lavoura (10 mil m2). Já os EUA usam 2,85 kg/ha; a China, 1,9 kg/ha.

Em 2021, foram usados no Brasil 3,31 kg de agrotóxicos por pessoa. Nos EUA, foram 1,36 kg per capita; e na China, 0,17 kg per capita.

Modelo do agronegócio

Para Gerson Teixeira, engenheiro agrônomo e diretor da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), dados como esse mostram como a agricultura nacional tem se tornado dependente dos agrotóxicos devido a escolhas de métodos de produção.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Teixeira explicou que o Brasil, décadas atrás, optou por um modelo de produção agropecuária voltado à exportação, principalmente de soja. Isso tornou o país o segundo maior exportador de produtos agrícolas do mundo, segundo a FAO, atrás só dos EUA.

Acontece que lavouras de soja são altamente dependentes do uso de fertilizantes e agrotóxicos, ressaltou Teixeira. Isso aumentou o consumo desse tipo de veneno no Brasil.

Em 1990, segundo a FAO, o Brasil consumia 51,1 mil toneladas de agrotóxicos por ano. Em 31 anos, essa quantidade aumentou 1.300%.

“A agricultura brasileira pensava que a soja transgênica reduziria a necessidade do veneno e dos fertilizantes”, afirmou Teixeira. “Na verdade, aumentou a dependência dos dois.”

Dados do Banco Mundial tabulados por Teixeira apontam que o Brasil também já é o segundo maior consumidor de fertilizantes do mundo quando considerados a quantidade de quilos aplicados por hectares de lavouras, ficando atrás da China.

Do total de fertilizantes utilizados na agricultura nacional, 87% é importado, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Segundo a FAO, o Brasil é o maior importador de fertilizantes do mundo. Consome 18% das importações mundiais. Os EUA consomem 13% e a China, 5%.


Dados do Banco Mundial indicam quais países mais usam fertilizantes por área de lavoura / Reprodução/elaboração Gerson Teixeira (Abra)

O Brasil também é líder nas importações de agrotóxicos. Foram 283 mil toneladas importadas durante o ano de 2022, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


Dados do Ibama mostram aumento da importação de agrotóxicos pelo Brasil desde 2008 / Reprodução/elaboração Gerson Teixeira (Abra)

Riscos à saúde

Por conta do uso crescente de agrotóxicos no país, a cada dois dias, uma pessoa morre por intoxicação por uso desse tipo de veneno no Brasil. Uma a cada cinco vítimas é criança ou adolescentes de até 19 anos. Esse dado consta num relatório publicado em 2022 pela rede ambientalista europeia Friends of the Earth Europe.

De acordo com a entidade, empresas agroquímicas europeias como a Bayer e a Basf trabalham conjuntamente com o agronegócio brasileiro para disseminar o uso de veneno no Brasil, desconsiderando os malefícios causados por eles à população.

Larissa Bombardi, professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), escreveu em seu livro Agrotóxicos e Colonialismo Químico (editora Elefante) que a Europa concentra um terço da produção de agrotóxicos no mundo. Autoridades europeias, porém, já proibiram o uso de 269 tipos de defensivos por conta dos danos causados por eles à saúde. Em países como Brasil, os banimentos não chegam a 30.

Entre os 10 mais vendidos por aqui, cinco são proibidos na União Europeia, ressaltou Bombardi. “Enquanto a área plantada no país cresceu 29% de 2010 a 2019, o uso de agrotóxicos cresceu 78%”, disse ela, em palestra feita em Curitiba, no ano passado.

“Essa forma de agricultura faz mal à população e ao planeta”, disse ela. “Só a reforma agrária com foco na agroecologia oferece uma solução.”

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) participa da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e tem várias ações em parceria com a sociedade civil organizada e movimentos sociais para alertar para o perigo dos agrotóxicos e para buscar aumentar o controle e reduzir seu uso.

Edição: Nicolau Soares


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Este texto foi originalmente publicado pelo jornal “Brasil de Fato” [Aqui!].