A sombra da fraude apenas serve para tentar esconder o medo da derrota por Jair Bolsonaro

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O site UOL publicou neste domingo uma matéria assinada pela jornalista Carla Araújo que retrata mais uma intromissão indevida do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, no sistema eletrônico que controla as eleições no Brasil. A intromissão é indevida porque não há nenhuma base constitucional para que as forças armadas possam interferir, ao menos de forma republicana, no processo eleitoral. Como testemunha ocular do antigo processo eleitoral via cédulas de papel, sei bem que o general Paulo Sérgio Nogueira tem a perfeita noção de que em nome do presidente Jair Bolsonaro, ele está usando o poder armado dos militares para impor uma pressão indevida sobre o sistema eleitoral brasileiro.

A questão de fundo é que a imensa maioria dos brasileiros já sabe que o que leva o presidente Jair Bolsonaro não possui nenhuma preocupação eleitoral com transparência eleitoral, na medida em que ele é o presidente que criou o incrível sistema de cem anos de bloqueio sobre questões que envolvam o funcionamento do seu (des) governo.

REPORTAGEM DE 1993 MOSTRA QUE BOLSONARO CRITICA MESMO É A URNA, ELETRÔNICA  OU NÃO | Cortes 247 - YouTube

Então o que move Jair Bolsonaro e seus parceiros militares? Claramente o medo de perder as eleições, as quais as pesquisas mostram como praticamente um caso perdido.  A raiz desse medo, ao menos por parte do presidente Jair Bolsonaro, é justamente que o eventual vencedor, provavelmente o ex-presidente Lula, comece o próximo ciclo de governo justamente acabando com o segredo de 100 anos.

Em outras palavras, questionar o sistema eletrônico não tem nada a ver com democracia, mas com o medo dela. 

O fundo do mar profundo está mais carregado de plástico do que se supunha

Milhões de toneladas de resíduos plásticos acabam nos oceanos todos os anos, a maioria dos quais se acumula na forma de minúsculas partículas nos sedimentos. Mesmo o fundo do mar profundo não está sendo poupado

Grund der Tiefsee stärker mit Plastik belastet als angenommen

Camarão de alto mar na Fossa Kuril-Kamchatka. Foto: Nils Brenke / dpa

Onde quer que os cientistas tenham procurado por partículas finas de plástico, eles encontraram. Por exemplo, no fígado de humanos – anteriormente também em outros órgãos. Ou em todos os cantos dos continentes e oceanos: no Monte Everest, no Himalaia, bem como na Fossa das Marianas, onde mergulhadores encontraram um saco plástico a quase 11.000 metros de profundidade.

Agora, uma equipe de pesquisadores da Senckenberg Nature Research Society, da Universidade Goethe de Frankfurt e do Alfred Wegener Institute (AWI) em Bremerhaven também analisou outras áreas do mar profundo. O resultado: o fundo do mar está ainda mais contaminado com microplásticos do que se supunha anteriormente.

A equipe coletou amostras de sedimentos na Fossa Kuril-Kamchatka do Pacífico Ocidental em 2016. Nestes, entre 215 e 1596 das minúsculas partículas de plástico foram detectadas por quilograma de sedimento, mais do que antes, disse a Sociedade Senckenberg. A grande diversidade biológica no fundo do mar mais profundo está gravemente ameaçada pela poluição.

Grande parte dos resíduos plásticos nos mares vem das áreas continentais, através dos rios ou de nossas águas residuais, por exemplo. Pedaços maiores de plástico são moídos em partículas cada vez menores ao longo de décadas. Parte do lixo se acumula em enormes pilhas de lixo na superfície dos oceanos, mas a maioria afunda em trincheiras marítimas milhares de metros abaixo da superfície.

 “Retiramos um total de 13 amostras em sete estações diferentes na vala, em profundidades entre 5.740 e 9.450 metros. Nenhum deles estava livre de microplásticos”, disse a bióloga marinha do Instituto de Pesquisa Senckenberg e Museu de História Natural de Frankfurt am Main, Serena Abel. Ninguém teria esperado uma quantidade tão grande de partículas de microplástico antes.

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Um saco plástico flutua no Mar Vermelho Foto: Alexis Rosenfeld/Getty Images

“A cada ano, cerca de 2,4 a 4 milhões de toneladas de plástico chegam aos rios através dos rios como resultado do consumo global extremo de plástico e do descarte de resíduos mal organizado”, diz a pesquisadora Angelika Brandt. O mar profundo se tornará o depósito do lixo. Um total de 14 tipos diferentes de plástico foram descobertos. Os pesquisadores apresentaram seus resultados na revista Science of the Total Environment.

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“Até agora, o fundo do mar mais profundo era considerado um ambiente relativamente inalterado e estável no qual os microplásticos são depositados e permanecem em um só lugar”, disse Abel. Os pesquisadores ficaram surpresos que as amostras tiradas a poucos metros de distância tinham uma estrutura muito diferente. “Isso mostra que ambiente dinâmico são as profundezas do mar profundo.” Redemoinhos, correntes e organismos manteriam o sedimento em movimento.

Os cientistas já haviam demonstrado poluição plástica em regiões oceânicas mais profundas. De acordo com um estudo australiano, até 16 milhões de toneladas de microplásticos são armazenados no fundo do mar. Para o estudo de 2020 , os pesquisadores usaram um braço robótico para coletar amostras do fundo do mar da Grande Baía Australiana a uma profundidade de até 3.000 metros.

Os microplásticos são partículas de plástico com cinco milímetros ou menos. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) estima que cerca de 1,5 milhão de toneladas de microplásticos entram no mar todos os anos. Os efeitos ainda não foram amplamente pesquisados. Mas o plástico também entra na cadeia alimentar através de animais marinhos e, portanto, para os seres humanos. Dois terços destes são fibras de roupas. De acordo com novas estimativas, a enxurrada de lixo provavelmente aumentará no futuro. De acordo com dados anteriores da AWI, a produção global de plástico deve dobrar até 2045.


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Este texto foi originalmente publicado em alemão pela revista Der Spiegel [Aqui!].

O escândalo na Fundação Ceperj envolve deputados, funcionários fantasmas, rachadinha, e uso de dinheiro obtido com a privatização da CEDAE

Cláudio Castro lança Casa do Consumidor

Em uma minuciosa reportagem preparada por uma equipe de jornalistas da Rede Globo são dados detalhes bem específicos sobre um amplo esquema de corrupção que estaria ocorrendo na Fundação Centro Estadual de Estatísticas,Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Fundação Ceperj), envolvendo a participação de deputados na captação da maioria dos salários pagos a servidores extra-folha (o famigerado esquema da rachadinha) e, pasmem, com recursos obtidos com a venda da CEDAE (ver vídeo abaixo).

Ainda que sempre se possa dar o direito de resposta (aliás, eu fico curioso para ver se haverá algum deputado que tentará responder ao que está mostrado na reportagem), os depoimentos dos ex-funcionários não deixa muito espaço para dúvida no sentido de que recursos obtidos com a desnecessária privatização da CEDAE estão sendo utilizados para alimentar um esquema nada republicano de apropriação de verbas públicas por deputados estaduais e dirigentes da própria Fundação Ceperj.

Um dos detalhes que mais me causou espécie é que dos quase R$ 500 milhões empenhados apenas no primeiro semestre de 2022, cerca de R$ 225 milhões vieram dos recursos obtidos com a privatização da CEDAE, o que explica bem a pressa que o governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teve para entregar um patrimônio público tão estratégico à iniciativa privada por valores bem aquém de deveriam ter sido. 

De quebra, é curioso verificar que os valores gastos na Fundação Ceperj até junho são 50 vezes maiores do que o foi investido em bolsas e projetos de pesquisa na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e 30 vezes mais do aplicado com a mesma finalidade na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

E antes que eu me esqueça, o único deputado que teve seu nome citado na reportagem como beneficiário do esquema de rachadinhas na Fundação Ceperj é o campista Rodrigo Bacellar que hoje foi citado em outra reportagem do UOL sobre favores recebidos de membros da máfia da exploração ilegal de ouro na Amazônia.  Já entre os denunciantes do esquema estão os deputados Flávio Serafini  (PSOL) e Marta Rocha (PDT). 

Pedrada dupla: matéria no UOL liga Rodrigo Bacellar à “máfia de barões do ouro” e acerta em cheio em Cláudio Castro

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De pedra a vidraça: reportagem do UOL ao mirar em Rodrigo Bacellar, termina acertando em cheio em Cláudio Castro

Uma reportagem escrita pelo competente jornalista Ruben Berta que foi publicada hoje pelo portal jornalístico UOL deverá trazer fortes reverberações não apenas na política de Campos dos Goytacazes, mas também deverá atingir em cheio a campanha eleitoral do governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. É que a reportagem traz amplos detalhes sobre o que Ruben Berta demonstra ser potencialmente um imenso batom na cueca do deputado Rodrigo Bacellar, que se tornou bastante poderoso a partir do impeachment do ex-governador Wilson Witzel, ocupando atualmente a estratégica secretaria de governo de Cláudio Castro (ver imagem abaixo).

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O problema para Rodrigo Bacellar, e de quebra para Castro, é que a reportagem de Ruben Berta esmiuça em detalhes uma relação íntima do deputado campista com uma rede de empresas ligadas à extração ilegal de ouro na Amazônia, a partir da prosaica (na falta de melhor definição) da cessão de um helicóptero para uso em andanças e pajelanças políticas no interior do estado do Rio de Janeiro.

O interessante é que a matéria de Ruben Berta não fica apenas na relação entre Rodrigo Bacellar e a empresa Zocar Rio Caminhões, mas se estende para apontar que, após acumular grande poder no governo Castro, o deputado campista seria um dos principais beneficiários de um esquema que utiliza cargos secretos que estão sendo realizados pela Fundação Ceperj.

Somando essas duas vias, o que temos é que de pedra, Rodrigo Bacellar pode estar passando rapidamente a vidraça, na medida em que se envolveu com um grupo cujos emaranhados com a justiça já resultaram na apreensão de bens e prisões de envolvidos no bilionário esquema de extração ilegal de ouro na Amazônia.

Quem deve estar rindo, do alto de sua longa vivência política, dos problemas que alcançaram Rodrigo Bacellar é o ex-governador Anthony Garotinho. É que essa situação certamente causará constrangimento e embaraço a Rodrigo Bacellar que do alto do seu poder tinha se tornado uma verdadeira pedra no sapato não apenas dele, mas de toda a família Garotinho. 

Mas aos navegantes  fica a lição: se for querer ser pedra na política, melhor evitar certos mimos que repentinamente podem se transformar em imensas vidraças.

Com contas reprovadas pela Câmara Municipal, Águas do Paraíba ganha “presente” retroativo que pesará no bolso dos campistas

Desembargador concede liminar a Águas do Paraíba e autoriza reajuste de 18% na conta de água e esgoto retroativo a janeiro de 2022

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Por Ralfe Reis  

O desembargador Adriano Celso Guimarães, da Oitava Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu nesta quinta-feira (14) antecipação de tutela a Águas do Paraíba, em agravo de instrumento interposto pela concessionária, para aumentar o valor da conta de água e esgoto em 18,10%.

A liminar precaríssima ainda determina o reajuste retroativo a primeiro de janeiro de 2022.

“Considerando os precedentes jurisdicionais colacionados, a previsão contratual autorizando a recomposição anual das tarifas de acordo com a variação dos custos dos insumos e a própria concordância do Prefeito municipal acerca da existência da cláusula de reajuste, sem trazer, em sua decisão, qualquer embargo ao montante da variação postulada, defiro. em antecipação de tutela, a pretensão recursal para que se proceda à aplicação do reajuste tarifário, retroativo a primeiro de janeiro de 2022, no percentual de 18,10% (dezoito vírgula dez por cento).”, decidiu o desembargador.

No último dia 28 de junho, o juiz Leonardo Cajueiro, da 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes, indeferiu o pedido da poderosa Águas do Paraíba (aqui).

Em dezembro de 2021, o prefeito Wladimir Garotinho vetou o reajuste contratual de 18,10% e o alinhamento tarifário de 1,946% requerido pela concessionária.

À época, a Câmara Municipal também reprovou as contas da concessionária, e recomendou que não fosse concedido o reajuste.

Com lucros milionários, a Águas do Paraíba atua em Campos dos Goytacazes com contrato precário, atualmente através de aditivos, praticamente vitalícios.

A concessionária sempre utiliza de mecanismos judiciais para colocar seu contrato precário acima das leis e dos atos discricionários do poder executivo e legislativo.

A decisão de hoje vai levar vários campistas à falência.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo “Blog do Ralf Reis” [Aqui!].

Fêmeas de sabiás com ninhos em prédios são mais destemidas do que as que permanecem nas árvores

Indivíduos têm personalidades diferentes que podem interferir na adaptação ao ambiente urbano

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(Foto: Augusto Batisteli)

Fêmeas “destemidas” de uma espécie de sabiá – sabiá-barranco (Turdus leucomelas) – estão melhor preparadas para adaptação ao ambiente urbano que suas colegas medrosas, mostrou estudo desenvolvido no campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Carlos (SP). A pesquisa, conduzida por Augusto Florisvaldo Batisteli, hoje doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PPGERN) da UFSCar, investigou a personalidade das fêmeas por meio da diferença de comportamentos entre elas na escolha de locais para a construção de ninhos.

O experimento realizado, com orientação de Hugo Sarmento, docente no Departamento de Hidrobiologia (DHb), mostrou que as fêmeas com ninhos em árvores têm mais medo de situações desconhecidas do que aquelas com ninhos em construções humanas, como prédios, que se mostram mais destemidas.

Em etapa anterior da pesquisa, Batisteli havia identificado vantagens para o animal em fazer ninho em prédios, relacionadas, por exemplo, ao tempo de incubação, conforme divulgado no Portal da UFSCar. O pesquisador quis então entender se os indivíduos da espécie apresentavam diferenças de personalidade e se elas poderiam ter relação com a escolha do local para o ninho. Estudos de outros pesquisadores já indicavam, neste sentido, a predominância de certas personalidades animais em ambientes modificados pela ação humana, mas sem testar se isso interferia na sua habilidade de exploração dos recursos oferecidos por esses locais.

Para a análise da personalidade, o pesquisador fez testes de neofobia – que avaliam a aversão a situações desconhecidas. 

Quando o animal saía do ninho, Batisteli inseria um objeto desconhecido (cubo mágico ou uma pequena bolinha) próximo ao local. Depois, media o tempo que a fêmea demorava para voltar a incubar os ovos durante os testes.

Apenas as fêmeas de ninhos em árvores foram inibidas pela presença do objeto, demorando mais tempo para voltar ao ninho, na comparação com o momento no qual não havia nenhum objeto. “Elas demoravam 4 min e 42 segundos para voltar a incubar os ovos em uma situação neutra, e 8 minutos e 45 segundos para voltar quando havia um objeto estranho ao lado do ninho – uma diferença de 86%”, analisa o pesquisador. As fêmeas com ninhos em construções não foram inibidas pelos objetos estranhos próximos ao ninho – voltaram no tempo habitual, sendo indiferentes à intervenção.

Os achados mostram a espécie se adaptando ao ambiente urbano, mas é preciso olhar crítico para esta conclusão.

“Podemos ficar com a impressão de que, um dia, todas as espécies vão se adaptar facilmente às cidades, mas não é isso o que acontece. Algumas jamais conseguirão habitá-las, por necessitarem de locais estritamente florestais, sombreados, úmidos e brejosos”, exemplifica o biólogo. Para as que toleram as cidades, também há outro processo: desenvolver as adaptações. “Além disso, não sabemos onde essa adaptação vai parar e, principalmente, o que vai acontecer com o resto da espécie que não está adaptado. Outra questão envolve conflito com os humanos, caso a ave passe a explorar muito intensamente o ambiente, entrando nos prédios, por exemplo.” 

Para o pesquisador, a tese tem caráter inovador por dois principais fatores: estudar reprodução de aves que não usam apenas as florestas para o processo; e analisar a personalidade desses indivíduos. 

“Os biólogos passaram a olhar melhor as diferenças entre os indivíduos recentemente. O enfoque mais comum ainda é olhar para as populações, os grupos de indivíduos, como se fossem clones uns dos outros, mas não são”, situa. 

Segundo Batisteli, a Ciência evidencia padrões na Natureza, mas o mecanismo pelo qual os indivíduos levam ao surgimento desses padrões na espécie ainda é uma incógnita. “A população não decide; quem toma decisões é cada um dos indivíduos. Por isso, ainda estamos tentando entender como as decisões individuais levam a esses padrões populacionais”, conta.

Os estudos não param nestas descobertas. Agora, em seu pós-doutorado, realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), com supervisão de Marco Aurélio Pizo Ferreira – docente no Departamento de Biodiversidade da Unesp – e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estão de São Paulo (Fapesp), Batisteli investiga se os indivíduos já nascem com personalidade diferente ou se a adquirem mais tarde, após interação com o ambiente. 

Dados detalhados sobre a pesquisa de personalidade em sabiás-barrancos foram publicados em artigo, na revista científica Animal Behavior, que pode ser acessado neste link.

Estudo alerta para zoonoses emergentes associadas ao desmatamento no Brasil

zoonosis-Brasil-996x567A doença de Chagas, transmitida por insetos, é uma das zoonoses presentes no Brasil. Um estudo constatou que sete estados brasileiros apresentam alto risco de apresentar surtos de zoonoses. Crédito da imagem: Agência Brasília/Flickr , licenciada sob Creative Commons 2.0

  • Pesquisa no Brasil alerta para fatores de risco para surgimento de nova pandemia
  • Estudo avaliou o risco de zoonoses nos 27 estados do Brasil usando um novo método quantitativo
  • O estudo descobriu que sete estão em alto risco de sofrer surtos de zoonoses.

Esse é o alerta publicado no Science Advances por pesquisadores brasileiros e portugueses após avaliarem o risco de zoonoses —transmissão de doenças , de animais para pessoas— nos 27 estados do Brasil usando um novo método quantitativo.

“Mudanças no uso da terra causadas principalmente pela expansão de economias orientadas para commodities sobre áreas naturais, em particular os setores agrícola e pecuário, são os principais impulsionadores do desmatamento, perda de biodiversidade e urbanização não planejada nos trópicos. Esses também são os principais fatores do aparecimento de doenças zoonóticas”, disse Gisele Winck, principal autora do estudo , ao SciDev.Net .

Com base em um modelo matemático, o método reuniu dados registrados entre 2001 e 2019 sobre os principais fatores históricos, ambientais e socioeconômicos de nove zoonoses de notificação obrigatória: Chagas, febre amarela, febre maculosa, leishmaniose cutânea e visceral, hantavirose, leptospirose, malária e Fúria. Ele então os aplicou para rastrear áreas com maior risco de surtos de doenças.

Assim, constataram que sete estados apresentavam alto risco de ocorrência de surtos de zoonoses (Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Maranhão e Mato Grosso).

Entre eles, um denominador comum é a presença de altos níveis de cobertura vegetal, maior número e variedade de mamíferos silvestres e grande distância dos centros urbanos. Dos demais estados, oito apresentaram baixo risco de zoonoses e 12, risco moderado.

Em relação aos pontos geográficos mais vulneráveis ​​para uma nova pandemia, Winck afirma que “as regiões do bioma amazônico são as mais preocupantes, pois possuem maior número de cidades isoladas, com pouca ou nenhuma vegetação e altos índices de destruição de suas biodiversidade”.

Entre os mamíferos pesquisados ​​estavam o veado-do-pantanal, o corço vermelho e marrom (guazuncho), o veado de cauda branca, o javali, o tatu, o morcego marrom, o gambá, entre outros. Eles identificaram mamíferos selvagens cuja caça, segundo eles, deveria ser supervisionada para evitar uma nova pandemia

Winck, do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Reservatórios de Mamíferos Silvestres do Instituto Oswaldo Cruz (Rio de Janeiro), destaca que a caça, além de promover o desequilíbrio dos ecossistemas naturais, propaga doenças porque seus produtos dispensam a fiscalização sanitária.

“Embora a atividade seja legalmente permitida apenas para populações tradicionais, estima-se que milhares de toneladas de animais silvestres sejam caçados ilegalmente e comercializados em mercados populares, mesmo nos grandes centros urbanos”, detalha Winck.

“No nosso artigo identificamos mamíferos associados a uma maior diversidade de parasitas e patogénicos que são frequentemente caçados porque são abundantes e se aproximam das zonas de residência rurais e urbanas”, acrescenta.

“A pergunta a nos fazer não é se uma nova pandemia vai acontecer, mas quando vai acontecer. Se olharmos para a taxa de desmatamento e degradação florestal na Amazônia, não ficaria surpreso se a próxima pandemia explodir nessa parte do Brasil.”

Marcos Pedlowski, Centro de Ciências do Homem da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Rio de Janeiro

Os autores da pesquisa apontam que a atual crise no Brasil é caracterizada pelo descaso com as evidências científicas e ataques às organizações conservacionistas, a flexibilização das leis ambientais e a substituição de mecanismos de promoção da conservação da biodiversidade por meio de políticas ambientais destrutivas.

Eles também destacam que a tendência ascendente nas taxas de desmatamento da Amazônia, 182% acima da meta de 2020, representa uma ameaça global. No final daquele ano, quase um terço do Pantanal, a maior área úmida tropical do mundo, queimou devido a um aumento anual de 508% na ocorrência de incêndios, em comparação com a média de 2012-2019.

“A pergunta a nos fazer não é se uma nova pandemia vai acontecer, mas quando vai acontecer. Se olharmos para a taxa de desmatamento e degradação florestal na Amazônia, não me surpreenderia se a próxima pandemia estourasse nessa parte do Brasil. Acho que as observações do artigo da Science Advances devem ser levadas muito a sério”, diz Marcos Pedlowski, que não participou da pesquisa.

Pedlowski, do Centro de Ciências do Homem da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro, destaca que apesar da grande possibilidade de que o avanço do desmatamento em direção a regiões ainda virgens da Amazônia acabe liberando patógenos ainda mais letais que o SARS-COV-2, as autoridades governamentais não reagem.

“É como se estivéssemos flertando com um desastre iminente, voando às cegas. Mas é preciso enfatizar que, se algo pior acontecesse, não seria por falta de estudos científicos sérios que alertem que isso pode acontecer se as regulamentações atuais não forem modificadas”, acrescenta o especialista.

Link para artigo na Science Advances


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Este texto foi escrito inicialmente em espanhol e publicado pela SciDev [Aqui!].

Amazônia: degradação da floresta remanescente pode emitir tanto ou mais carbono que o desmatamento

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Em decorrência da ação humana, a maior floresta tropical do mundo já perdeu 30% de sua capacidade de reter CO2. Tema foi debatido em webinário promovido pela Aciesp em homenagem aos 60 anos da FAPESP (foto: Vinícius Mendonça/Ibama)

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – Desde o início deste século, a Amazônia já perdeu cerca de 30% de sua capacidade de reter dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa. Se for mantida a atual política, que favorece ou até mesmo promove o desflorestamento e a degradação das áreas remanescentes, essa capacidade pode zerar até o final da próxima década, com a Amazônia deixando de ser um sumidouro para se tornar um emissor de carbono.

O alerta foi feito pelo pesquisador David Montenegro Lapola, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas (Cepagri-Unicamp), no dia 6 de julho, em webinário promovido pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp) para celebrar os 60 anos da FAPESP.

Além do desflorestamento, há um outro fator de impacto, menos conhecido, que é a degradação da floresta remanescente. “Considerando a degradação por seca, a degradação por fogo, a degradação por corte seletivo de madeira e a degradação pelo chamado efeito de borda, de 4% a 38% da floresta remanescente já se encontra degradada, com emissões de CO2 equivalentes ou até maiores do que as das áreas desmatadas”, disse Lapola, enfatizando a necessidade de um novo paradigma de desenvolvimento capaz de reverter o curso da destruição e salvar a floresta.

Em março deste ano, na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26), o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, declarou que o governo brasileiro havia escolhido ir além das leis e políticas existentes e se comprometia a eliminar o desflorestamento ilegal da Amazônia até 2028. No entanto, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que, apenas no primeiro semestre de 2022, 3.971 quilômetros quadrados (km2) da Amazônia Legal foram destruídos. O desmatamento registrado em junho deste ano foi o maior para o mês desde que o instituto iniciou o monitoramento, em agosto de 2015. Aproximadamente 90% desse desflorestamento é desmatamento ilegal.

Os estudos mais consistentes mostram que conter o aquecimento global abaixo de 2 oC, preferencialmente em até 1,5 oC, comparativamente aos níveis pré-industriais, é a única maneira de evitar a catástrofe climática. E essa orientação foi consignada pelo Acordo de Paris, que entrou em vigor no final de 2016. Passados mais de cinco anos, porém, os dados mostram que estamos indo para um aumento de 3 oC, com uma notável irresponsabilidade de vários governos e a indiferença de boa parte da população.

A implementação das metas acordadas em Paris depende das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, conforme as letras iniciais da expressão em inglês) de cada país signatário do acordo. Na primeira versão da NDC brasileira, ainda de 2015, o país assumiu a meta de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 37% até 2025 e em 43% até 2030, tomando como base as emissões de 2005. Na revisão da NDC, publicada no final de 2020, esses percentuais foram mantidos, mas os valores considerados como base de cálculo foram mais altos do que os utilizados na NDC original. Ou seja, não apenas deixou-se de melhorar as metas, como seria desejável, mas também foi embutido, sob os números apresentados, um aumento real das emissões. A promessa feita pelo ministro na COP26, de reduzir em 50% as emissões de GEE até 2030, não encontra, portanto, respaldo em medidas concretas.

A maior ameaça da história

Intitulado “Mudanças climáticas globais: seus impactos e estratégias de mitigação e adaptação”, o webinário organizado pela Aciesp teve o objetivo de apresentar e discutir o segundo capítulo do livro FAPESP 60 Anos: A ciência no desenvolvimento nacional.

A abertura foi feita por Adriano Andricopulo, diretor-executivo da Aciesp, Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP, e Paulo Artaxo, integrante do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), vice-presidente da Aciesp e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Além de Lapola, participaram como palestrantes Gabriela Marques Di Giulio, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP); Pedro Leite da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP; e Mercedes Bustamante, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (ICB-UnB).

As dimensões humanas das mudanças climáticas foram objeto da intervenção de Di Giulio, que tratou de como as sociedades devem estruturar suas políticas públicas para responder aos riscos sociais em curso. “Há uma necessidade de mudanças transformativas em todas as dimensões – principalmente de uma urgente substituição desse modelo predatório de espoliação da natureza por um modelo baseado na solidariedade, no respeito à diversidade biológica e na justiça social”, afirmou a pesquisadora, lembrando que, atualmente, há quase 35 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada e cerca de 100 milhões sem acesso à coleta de esgoto.

“Outro desafio é o da segurança alimentar, neste momento em que o Brasil volta com muita força a estar presente no mapa da fome da Organização das Nações Unidas (ONU). Há mais de 125 milhões de brasileiros e brasileiras em insegurança alimentar e mais de 33 milhões em situação de fome”, informou.

Silva Dias tratou dos desafios da modelagem diante da extrema complexidade do sistema climático e das influências antropogênicas. “Há duas formas principais para entender os mecanismos responsáveis pela variabilidade do clima e o potencial papel do homem: a modelagem climática de um sistema extremamente complexo e a análise observacional do período e de estimadores do clima passado, o paleoclima. Os dois são complementares e devem caminhar juntos”, falou, destacando que é preciso cotejar e selecionar os melhores modelos, que sejam capazes de reproduzir bem o clima atual.

Bustamante associou dois processos extremamente importantes em curso, as mudanças climáticas e o declínio da biodiversidade, ressaltando que a elevação de cada fração de grau implica a intensificação dos eventos climáticos extremos, com múltiplos riscos, e que os impactos serão enormes se o aquecimento global exceder 1,5 oC. “O aquecimento global representa a maior ameaça à diversidade biológica na história humana”, disse.

A pesquisadora lembrou que o Brasil possui extraordinários ativos ambientais, que deveriam ser a oportunidade para uma nova agenda de desenvolvimento. Bem o contrário do que está sendo feito.

O webinário “Mudanças climáticas globais: seus impactos e estratégias de mitigação e adaptação” pode ser assistido na íntegra em: www.youtube.com/watch?v=0XEw7wATBWs.


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Este texto foi inicialmente publicado pela Agência Fapesp [Aqui!].

Por pressão, ANS amplia cobertura de terapias, mas não resolve o problema do rol taxativo

Agência reguladora ampliou medida que valia desde julho a pacientes com autismo; tentativa é de aliviar o Legislativo da pressão social pelo Rol

rol taxativo

Na última segunda-feira (11), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou o fim da limitação do número de consultas e sessões com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. A medida é uma vitória parcial para consumidores, porém, não resolve o problema do rol taxativo mitigado, criado pela Segunda Seção do STJ em junho deste ano.

A agência reguladora afirma que a decisão tem como proposta promover a igualdade de direitos aos usuários da saúde suplementar e padronizar o formato dos procedimentos atualmente assegurados relativos a essas categorias profissionais.

“O que pode aparentar ser uma vitória, na realidade elucida um problema maior: a tentativa da agência reguladora de desmobilizar o movimento contrário à taxatividade do rol”, afirma Ana Carolina Navarrete, coordenadora do Programa de Saúde do Idec. 

Mobilizações a favor da ampliação da cobertura de planos de saúde

Com o julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no início de junho, favorável a coberturas restritas e taxativas, os convênios passaram a não precisar cobrir o tratamento fora da lista da ANS. 

A decisão teve forte impacto para consumidores. Diversas instituições de pacientes, celebridades e familiares se mobilizaram e até mesmo se articularam com organizações em defesa de consumidores para mostrar ao Legislativo e ao Judiciário a gravidade do problema e a necessidade de uma solução urgente.

A discussão transbordou do STJ e se deslocou para a agência reguladora, para o Legislativo e para o Supremo Tribunal Federal. Em resposta, a ANS anunciou a ampliação do número de sessões para diversas terapias a pessoas com autismo e decidiu, em 11 de julho, estender também a outras condições de saúde. Um alívio para alguns, porém um perigo para a desmobilização de movimentos.

“O que gostaríamos de entender é por que a ANS não identificou a necessidade de tornar essas terapias e sessões em número ilimitado antes e só fez essas inclusões em seu rol agora. Isso diz muito sobre o o quanto a medida está voltada a evitar desgastes”, diz a coordenadora.

Navarrete completa que o importante é que essa vitória parcial na ANS não retire forças da batalha principal que é o Poder Legislativo reconhecer que as coberturas devem ser de referência mínima, pois sempre que a ciência avançar a lista ficará obsoleta.

No final de junho, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, participou de reunião com o Idec e várias organizações representativas de pacientes com câncer, transtornos do espectro autista, entre outras condições de saúde para tratar de ações assertivas que neutralizem os efeitos negativos da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pela taxatividade do rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 

Lira se comprometeu a, caso o tema não avançasse no prazo de 10 dias – a partir da data da reunião, em 29 de junho – , pautar um dos Projetos de Decretos Legislativos que suspendem os efeitos do rol taxativo da ANS. O prazo se esgotou e nenhum projeto de lei nesse sentido foi votado.

“Estamos na última semana útil para a Câmara dar uma resposta a famílias que defendem uma das causas mais justas e legítimas: o direito à vida. Esperamos que esse esforço todo de cidadania seja reconhecido pelo Congresso”, afirma Ana Carolina.

“Caso nenhum projeto seja pautado nesse sentido, o ideal seria a Presidência da Câmara colocar em votação algum dos Projetos de Decreto Legislativo já propostos por deputados no sentido de suspender os efeitos da RN 465/21 da ANS, que trata o rol como taxativo. Essa foi a promessa feita no dia 29 de junho e precisa ser cumprida”, finaliza.

Suspensão do agrotóxico Carbendazim pela Anvisa afeta 24 empresas e 41 produtos formulados no Brasil

carbendazim 1

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou, em 21 de junho, a suspensão preventiva da importação, produção, distribuição e comercialização do princípio ativo carbendazim e seus produtos técnicos.

A suspensão deve durar até a conclusão do processo de reavaliação toxicológica do agrotóxico Carbendazim, conforme determinação judicial e trâmites do processo de reavaliação pela Anvisa.

O carbendazim está entre os 20 agroquímicos mais utilizados no Brasil. Existem atualmente 41 produtos formulados e 33 produtos técnicos baseados na substância com registro ativo no Brasil, divididos entre 24 empresas (Confira a lista abaixo).

Segundo dados divulgados pela Anvisa, a reavaliação pode levar ao banimento do produto ou sua manutenção no mercado, com a adoção de medidas para reduzir os riscos decorrentes de seu uso.

Às vezes, também pode ser decidido manter o produto no mercado sem novas recomendações. Os aspectos toxicológicos que motivaram a reavaliação do Carbendazim são a suspeita de mutagenicidade (ou seja, Potencial das substâncias em induzir mutações no homem que podem ser transmitidas, via células germinativas, para as gerações futuras ou evoluir e causar câncer), carcinogenicidade (ou seja, capaz de causar câncer), além de toxicidade no processo de desenvolvimento e toxicidade no processo de reprodução humana.

Agrotóxicos Companhia Ingrediente ativo
Agroben 500 Importação Agro Carbendazim
Apollo 500 SC Maré Carbendazim
Batalha FMC Carbendazim + Flutriafol
Bendazol Adama Carbendazim
Carben 500 SC CropChem Carbendazim
Carbendazim CCAB 500 SC CCAB Agro Carbendazim
Carbendazim CULTURA BR Globachem Carbendazim
Carbendazim Nortox Nortox Carbendazim
Carbendazim STK 500 SC-B Globachem Carbendazim
Carbomax Sumitomo Carbendazim
Carbomax 500 SC Sumitomo Carbendazim
Cinturão 500 SC Allier Brasil Carbendazim
concreto UPL Carbendazim
Czar Adama Carbendazim
Domark Pro Gowan Carbendazim + Tetraconazol
Fungicarb 500 SC Sumitomo Carbendazim
Glob-Zim 500 SC Globachem Carbendazim
Hexina 500 SC Leme Carbendazim
Imperador BR Ouro Fino Carbendazim
Kilate Adama Captan + Carbendazim
Kilate FS Adama Captan + Carbendazim
Klinner Adama Carbendazim + Tebuconazol
Armário FMC Carbendazim + Cresoxim-metil + Tebuconazol
Lote 500 SC Allier Brasil Carbendazim
mandarim Sinon Carbendazim
Minx 500 SC Rotam Carbendazim
Novazim Proquimur Proquimur Carbendazim
Porteiro UPL Carbendazim
Evita CropChem Carbendazim
Procampo 500 SC Allier Brasil Carbendazim
Protestar Novozymes Carbendazim + Thiram
Rivamax Sumitomo Carbendazim + Tebuconazol
Rivax Sumitomo Carbendazim + Tebuconazol
Rodazim 500 SC Rotam Carbendazim
Faixa 500 SC Albaugh Carbendazim
Sun-Carbendazim 500 SC Allier Brasil Carbendazim
Tebuzim 250 SC Rotam Carbendazim + Tebuconazol
Toplus UPL Carbendazim
Virtuoso 250 SC Rotam Carbendazim + Tebuconazol
Wilzim Willowood Carbendazim
Desejo 500 SC Rainbow Defensivos Carbendazim

(Edição de Leonardo Gottems, repórter da AgroPages)


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela AgroPages [Aqui!].