Projetos de infraestrutura na Amazônia: a quem devem beneficiar?

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Bruno Batista/VPR / Agência Brasil

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Por Philip M. Fearnside, Laurent Troost e Paulo Moutinho

As escolhas sobre infraestrutura devem ser feitas para que os meios de subsistência das populações amazônicas sejam fortalecidos dentro dos limites da necessária conservação ambiental. Para que isto aconteça, contudo, algumas questões-chave devem ser respondidas. A primeira é: quem se beneficia da infraestrutura planejada? Muito da infraestrutura na Amazônia claramente não foi construída para beneficiar a população da região. A infraestrutura deve ser apenas aquela que beneficie os habitantes da Amazônia e tenha mínimo impacto sobre os ecossistemas terrestres e aquáticos.

A questão seguinte trata de quem deve se beneficiar. A população da Amazônia brasileira é mais de 80% urbana e investimentos em infraestrutura precisam incluir componentes para beneficiar aqueles que vivem nas cidades. Precisa-se de empregos que tenham reduzidas demandas de energia e de recursos físicos que geram grandes custos ambientais para a paisagem circundante.

A Amazônia rural inclui povos indígenas e outros povos tradicionais, além de uma população sustentada pela pecuária e, em menor escala, pela agricultura. A pecuária tem um impacto enorme por cada emprego criado para aqueles que cuidam do gado, consertam cercas, etc. O setor agropecuário industrial recebe uma variedade de subsídios governamentais diretos e indiretos (incluindo a infraestrutura). Os povos tradicionais são aqueles que têm a necessidade mais premente de serem apoiados por questões ambientais e de direitos humanos. No entanto, a maioria dos projetos de infraestrutura e outros investimentos governamentais para residentes na Amazônia rural têm como beneficiário primário o agronegócio. O caso da rodovia BR-163 (Santarém-Cuiabá), reconstruída para transportar soja, ilustra esta tendência.

Além das questões de para quê e para quem os investimentos em infraestrutura devem ser planejados, é preciso responder à questão sobre o que pode ser ou não considerado “sustentável”. A palavra “sustentável” implica algo que durará indefinidamente, ou pelo menos por muito tempo. No entanto, a maior parte do que está sendo realizado dificilmente pode ser considerada “sustentável”. A maior parte da área desmatada é ocupada por pecuária extensiva, que degrada o solo, e manter as pastagens com base de fertilizantes encontraria limites tanto financeiros quanto físicos na escala das vastas áreas já desmatadas, sem falar daquelas que resultariam do desmatamento continuado.

Incentivar a mineração na Amazônia é uma peça central dos planos do atual governo do Brasil. A mineração é uma atividade inerentemente insustentável, já que os minérios se esgotam. O que resta quando não há mais o que minerar é o impacto ambiental da mina e o abandono da população que dela dependia. Este é o caso da esgotada mina de manganês no Amapá, onde a ferrovia e outras infraestruturas construídas pela empresa estão abandonadas e a população da cidade, criada em função da mineradora, não tem mais fonte de renda. A expectativa de vida dos projetos de mineração na Amazônia costuma ser curta: 31 anos para a proposta mina de potássio em Autazes, e apenas 12 anos para a proposta mina de ouro Belo Sun.

As decisões sobre projetos de infraestrutura na Amazônia devem se basear nos impactos socioambientais gerados diante da realidade atual. O planejamento baseado na suposição de um futuro utópico, onde as normas ambientais sejam cumpridas e respeitadas, resultará na continuidade de degradação ligados a grandes obras. “Cenários de governança” construídos sob premissas irreais têm sido frequentemente usados para justificar projetos altamente prejudiciais. Isso se aplica à maior ameaça atual à floresta amazônica: a proposta de “reconstrução” e pavimentação da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho). Esta rodovia, juntamente com estradas secundárias a ela associadas, abriria a vasta área de floresta intacta que cobre a metade oeste do Estado do Amazonas à ação de grileiros, madeireiros e outros atores que promovem o desmatamento e a degradação florestal.

A busca por “infraestrutura sustentável” pode ter efeitos perversos, e categorias de projetos devem ser descartadas quando, para a categoria, esses efeitos perversos excedem os prováveis benefícios de identificar e construir projetos ideais. As hidrelétricas amazônicas são um exemplo crítico. A história dessas barragens até agora tem sido uma sequência de desastres com impactos imensamente maiores do que aqueles que foram levados em consideração nas decisões. A perspectiva de encontrar o “santo graal” de uma barragem “boa” abre uma brecha que perpetua esse padrão. Mesmo que uma barragem teoricamente “boa” fosse construída ocasionalmente, o resultado de ter essa brecha é uma perda líquida para o meio ambiente e para a população da Amazônia. O relatório do Painel Científico para a Amazônia reconhece isso e recomenda contra quaisquer novas barragens na Amazônia com 10 MW ou mais de capacidade instalada, sem exceções. O maior impedimento para o desenvolvimento sustentável e de baixo impacto é a concorrência de caminhos com características opostas.

 

Sobre os Autores

Philip M. Fearnside é biólogo, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em Manaus, Amazonas. Suas diversas pesquisas são unidas pelo conceito de serviços ambientais ou serviços ecossistêmicos reguladores e incluem as causas e processos de desmatamento e degradação florestal, suas emissões de gases de efeito estufa entre outras consequências, e os impactos e a sustentabilidade de hidrelétricas, agricultura, pecuária e manejo florestal. Fearnside foi autor coordenador do Capítulo 20 e coautor dos capítulos 14, 15 e 19 do Relatório de Avaliação da Amazônia 2021 produzido pelo Painel Científico para a Amazônia.

Laurent Troost é arquiteto belga radicado em Manaus desde 2008, fundador da “Laurent Troost Architectures”. Desenvolve projetos integrados com a natureza ou onde a natureza define espaços arquitetônicos. Ganhou inúmeros concursos e prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio de Arquitetura Akzonobel Tomie Ohtake ou o Dezeen Award. Laurent foi Diretor de Planejamento Urbano do Município de Manaus de 2013 a 2020 e desde então é consultor do Banco Mundial sobre cidades amazônicas. Troost contribuiu ao Capítulo 34 do Relatório de Avaliação da Amazônia 2021 produzido pelo Painel Científico para a Amazônia.

Paulo Moutinhoé doutor em ecologia pela Unicamp, estuda as causas do desmatamento na Amazônia e suas consequências para a biodiversidade, mudança climática e habitantes da região. Tem trabalhado na Amazônia brasileira há mais de 25 anos e foi cofundador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM, do qual foi Diretor Executivo por duas vezes (2006 a 2009 e 2015). Moutinho foi também cofundador do Observatório do Clima, uma rede de instituições brasileiras para o debate das mudanças climáticas. Atualmente é pesquisador sênior do IPAM. Moutinho co-coordenou o grupo de trabalho 11 e contribuiu aos Capítulos 30, 32 e 34 do Relatório de Avaliação da Amazônia 2021 produzido pelo Painel Científico para a Amazônia.


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Este texto foi publicado originalmente pela agência Bori [Aqui!].

Pesquisas investigam influência das águas do Amazonas no Atlântico

Laboratório da UFSCar integra projeto que também estuda a quantidade de plástico que é transportada para o Oceano

unnamedVeleiro Tara em expedição no rio Amazonas (Crédito: Julie Nedelec para Tara Foundation)

O rio Amazonas despeja, por segundo, cerca de 200 milhões de litros de água doce no Oceano Atlântico. Para investigar a influência deste encontro sobre o ambiente oceânico, um grupo internacional de cientistas a bordo do veleiro de pesquisa Tara coletou amostras de água na região, em diferentes profundidades. Parte dessas amostras está, hoje, no Laboratório de Biodiversidade e Processos Microbianos (LBPM) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a cerca de 2.500 km da foz do Amazonas e quase 300 km da praia mais próxima.

Pesquisadores do LBPM estiveram a bordo do veleiro Tara na sua chegada ao Brasil, no final de 2021. A expedição, que também buscou levantar a quantidade de microplásticos que é transportada para o mar, integra o projeto AtlantECO [https://pt.atlanteco.eu/], parceria entre Europa, Brasil e África do Sul. Seu objetivo principal é investigar a diversidade e as funções dos microrganismos no Oceano Atlântico. A bordo do Tara e outras embarcações, são feitas expedições em diversas localidades. Na Amazônia, dentre as pessoas embarcadas no Tara estava Paula Huber, pós-doutoranda na UFSCar, como cientista-chefe do veleiro nas atividades realizadas entre Macapá (AP) e Salvador (BA). Huber integra a equipe do LBPM, coordenado por Hugo Sarmento, docente no Departamento de Hidrobiologia (DHb) da UFSCar, que esteve em outras etapas da missão.

Huber conta que foram coletadas amostras no rio Amazonas, da pluma do rio – massa de água doce que vai da foz do Amazonas até 3.000 km da costa, onde se mistura com a água do mar – e de regiões do Atlântico que não têm influência da água doce que vem do rio. “As amostras coletadas nos permitem estudar os microbiomas superficial e profundo nesta região combinando técnicas moleculares e de microscopia de ponta. Além disso, vamos quantificar os plásticos nesta região e os microrganismos associados, que são conhecidos como ‘plastisfera'”, relata a pesquisadora da UFSCar.

Ela explica que as amostras de água foram coletadas, processadas e armazenadas a bordo do Tara até o final da expedição, quando foram enviadas para análise em diferentes laboratórios. Na UFSCar, serão feitas análises de sequenciamento genético. “Uma vez que a identificação morfológica de microrganismos é quase sempre impossível, é necessário sequenciar os seus genes para identificá-los e, sobretudo, para identificar as diversas funções ecológicas que eles desempenham, essenciais para o funcionamento desses ecossistemas”, explica Sarmento.

Todos os resultados e dados gerados pelo AtlantECO serão de acesso público e estarão abertos para utilização de qualquer pessoa em todo o mundo.

Microplástico a caminho do mar

Paula Huber aponta que os rios de todo o mundo funcionam como importantes vias para o plástico chegar ao oceano. Além da sua dimensão e da quantidade de água doce que o Amazonas despeja no mar diariamente, ele percorre 40% da América do Sul e é uma das principais fontes de resíduos plásticos no Oceano.

“A maior parte do plástico presente no rio fragmenta-se rapidamente e transforma-se em micro e nanoplásticos enquanto segue em direção ao mar. Esse microplástico é transportado por correntes oceânicas e, parte dele, passa por regiões de alta biodiversidade e pode causar consideráveis impactos, particularmente na vida microbiana marinha”, explica Huber.

Hugo Sarmento relata que muitos animais confundem esse microplástico com alimentos, muitas vezes morrendo por não conseguirem digerir o material. Nesse contexto, o docente destaca a importante participação de todas as pessoas, mesmo as que não moram próximo ao mar, quanto ao uso racional e descarte correto do plástico. “Mesmo quem mora no interior deve saber que nosso plástico também chega aos oceanos através dos rios, já na forma de microplástico, causando danos infinitos a esse bioma”, reforça.

Julho sem plástico

O oceano recebe toneladas de plástico todos os anos, que chegam a formar ilhas com tamanhos maiores que o estado de São Paulo. Desde 2011, um projeto iniciado pela instituição australiana Earth Carers Waste Education tem por objetivo incentivar as pessoas a diminuir o consumo de plástico e, assim, seus impactos no ambiente. O movimento foi ganhando mais adeptos ao redor do mundo e hoje acontece em diversos países.

No Brasil, a campanha “Julho sem Plástico” é realizada por diferentes entidades e grupos com foco na conscientização e estímulo a comportamentos que favoreçam o consumo e o uso cada vez menores do plástico. As orientações principais divulgadas pelas iniciativas incluem a escolha de embalagens que não usem plástico ou tenham pouca quantidade do material; reutilização das embalagens plásticas; descarte correto do plástico, quando não há opção de reuso; utilização de produtos mais sustentáveis (canudos em inox, sacolas ecológicas, escovas de dente de bambu, dentre outros); e, por fim, incorporação desses hábitos para além do mês de julho. Para os órgãos governamentais, a pressão é de implementar regulamentação para banir os plásticos de uso único (descartáveis).

UOL revela que enquanto asfixia a Uenf, Cláudio Castro usa fundação para bancar gastos milionários com “folha secreta” de 18 mil cargos

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O governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, asfixia as universidades estaduais, para manter uma folha secreta com 18 mil cargos

Em uma reportagem assinada pelo jornalista Igor Mello, o portal UOL revela que o governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, vem realizando um dispêndio expressivo em “cargos secretos” por meio da  Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) cujo orçamento em relação ao ano passado aumentou quase R$ 300 milhões. Segundo os dados levantados por Igor Mello, os pagamentos já efetivados só no primeiro semestre são 89% maiores do que os realizados em todo o ano de 2021. 

Mello também analisou os dados de empenho (reserva de valores para pagamentos de despesas já contratadas) e execução de despesas (pagamentos já efetivados) da Ceperj divulgados pela Secretaria Estadual de Fazenda. Como resultado dessa análise ficou demonstrado que Cláudio Castro já empenhou R$ 414,9 milhões na Ceperj —sendo que este valor supera em muito os R$ 127,4 milhões reservados em todo o ano de 2021.  Além disso,  após assumir o cargo vacado pelo impeachment de Wilson Witzel, Cláudio Castro aumentou em 25 vezes o orçamento da Ceperj em relação ao patamar de 2019.

Para efeito de comparação com os anos anteriores, a reportagem assinada por Igro Mello considerou valores reservados para o pagamento de despesas porque o orçamento relativo aos primeiros seis meses deste ano ainda não foi integralmente pago, o que é realizado ao longo do ano conforme os serviços são prestados (ver figura abaixo).

gastos CEPERJ

Um gráfico elaborado a partir de dados obtidos na Secretaria Estadual de Fazenda do Rio de Janeiro (Sefaz) mostra que os valores empenhados nos anos anteriores foram quase integralmente pagos. O orçamento do órgão pode ainda aumentar ao longo do ano. A reportagem do UOL mostrou, por exemplo, que Cláudio Castro remanejou R$ 58 milhões da Educação para a Ceperj no dia 30 de junho — sendo que estes recursos não estavam incluídos no orçamento de R$ 414,9 milhões (valor atualizado no final do mês passado pela Secretaria de Fazenda).

Desta forma, os gastos previstos com a Ceperj superam neste ano o de órgãos importantes  do governo do estado.  A Empresa de Obras Públicas teve empenhos de R$ 386,8 milhões; na Companhia Estadual de Habitação foram empenhados R$ 339,7 milhões, e no Inea (Instituto Estadual do Ambiente), órgão responsável pela fiscalização e licenciamento ambiental no estado, R$ 246,6 milhões.

 Para se ver como toca a banda de Castro, os gastos também são bastante superiores aos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), que tem aproximadamente 7.600 alunos de graduação e pós-graduação. No primeiro semestre, a universidade empenhou R$ 249 milhões. E o pior é que ainda tem gente dentro da Uenf que tenta apontar o governador acidental como alguém que se importa com as universidades estaduais. Como se vê agora, a preferência mesmo é por manter um exército de servidores extra-quadro que ninguém conhece, ninguém viu.

Uber quebrou leis, enganou a polícia e pressionou secretamente governos, revela vazamento de documentos

  • Mais de 124.000 documentos confidenciais vazaram para o Guardian
  • Arquivos expõem tentativas de lobby de Joe Biden, Olaf Scholz e George Osborne
  • Emmanuel Macron auxiliou secretamente o lobby do Uber na França, revelam textos
  • Empresa usou ‘kill switch’ durante as incursões para impedir que a polícia visse dados
  • Ex-CEO da Uber disse a executivos que ‘violência garante sucesso’

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Por Harry Davies, Simon Goodley, Felicity Lawrence, Paul Lewis and Lisa O’Carroll para o “The Guardian”

O tesouro vazado de arquivos confidenciais revelou a história interna de como a gigante da tecnologia Uber desrespeitou as leis, enganou a polícia, explorou a violência contra motoristas e pressionou secretamente os governos durante sua expansão global agressiva.

O vazamento sem precedentes para o Guardian de mais de 124.000 documentos – conhecidos como arquivos Uber – expõe as práticas eticamente questionáveis que alimentaram a transformação da empresa em uma das exportações mais famosas do Vale do Silício.

O vazamento abrange um período de cinco anos em que o Uber era administrado por seu cofundador Travis Kalanick , que tentou forçar o serviço de táxi em cidades ao redor do mundo, mesmo que isso significasse violar leis e regulamentos de táxi.

Durante a feroz reação global, os dados mostram como o Uber tentou reforçar o apoio cortejando discretamente primeiros-ministros, presidentes, bilionários, oligarcas e barões da mídia.

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Taxistas franceses protestando contra serviços privados de aluguel como o Uber. Fotografia: Olivier Coret/Rex/Shutterstock

Mensagens vazadas sugerem que os executivos do Uber não tinham ilusões sobre a violação da lei da empresa, com um executivo brincando que eles se tornaram “piratas” e outro admitindo: “Somos apenas ilegais”.

O cache de arquivos, que abrange 2013 a 2017, inclui mais de 83.000 e-mails, iMessages e mensagens do WhatsApp, incluindo comunicações muitas vezes francas e sem verniz entre Kalanick e sua equipe de executivos.

Os arquivos do Uber são uma investigação global baseada em um tesouro de 124.000 documentos que vazaram para o Guardian. Os dados consistem em e-mails, iMessages e trocas de WhatsApp entre os executivos mais seniores da gigante do Vale do Silício, além de memorandos, apresentações, cadernos, documentos informativos e faturas.

Os registros vazados cobrem 40 países e vão de 2013 a 2017, período em que o Uber estava se expandindo agressivamente pelo mundo. Eles revelam como a empresa infringiu a lei, enganou a polícia e os reguladores, explorou a violência contra motoristas e fez lobby secreto contra governos em todo o mundo.

Para facilitar uma investigação global de interesse público, o Guardian compartilhou os dados com 180 jornalistas em 29 países por meio do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). A investigação foi gerenciada e liderada pelo Guardian com o ICIJ.

Em um comunicado , a Uber disse: “Não temos e não daremos desculpas para comportamentos passados que claramente não estão alinhados com nossos valores atuais. Em vez disso, pedimos ao público que nos julgue pelo que fizemos nos últimos cinco anos. e o que faremos nos próximos anos.”

Em uma troca, Kalanick rejeitou as preocupações de outros executivos de que enviar motoristas do Uber para um protesto na França os coloca em risco de violência de oponentes furiosos no setor de táxi. “Acho que vale a pena,” ele retrucou. “A violência garante o sucesso”.

Em um comunicado , o porta-voz de Kalanick disse que “nunca sugeriu que o Uber deveria tirar vantagem da violência em detrimento da segurança do motorista” e qualquer sugestão de que ele estivesse envolvido em tal atividade seria completamente falsa.

O vazamento também contém textos entre Kalanick e Emmanuel Macron , que secretamente ajudou a empresa na França quando era ministro da Economia, permitindo ao Uber acesso frequente e direto a ele e sua equipe.

Macron, o presidente francês, parece ter feito um esforço extraordinário para ajudar o Uber, chegando a dizer à empresa que havia feito um “acordo” secreto com seus oponentes no gabinete francês.

Em particular, os executivos da Uber expressaram desdém mal disfarçado por outros funcionários eleitos que eram menos receptivos ao modelo de negócios da empresa.

Depois que o chanceler alemão, Olaf Scholz, que era prefeito de Hamburgo na época, se opôs aos lobistas do Uber e insistiu em pagar um salário mínimo aos motoristas, um executivo disse a colegas que ele era “um verdadeiro comediante”.

Quando o então vice-presidente dos EUA, Joe Biden, na época apoiador do Uber, chegou atrasado a uma reunião com a empresa no Fórum Econômico Mundial em Davos, Kalanick mandou uma mensagem para um colega: que cada minuto de atraso que ele está, é um minuto a menos que ele terá comigo.

 Depois de conhecer Kalanick, Biden parece ter alterado seu discurso preparado em Davos para se referir a um CEO cuja empresa daria a milhões de trabalhadores “liberdade para trabalhar quantas horas quiserem, gerenciar suas próprias vidas como quiserem”.

 O The Guardian liderou uma investigação global sobre os arquivos vazados do Uber, compartilhando os dados com organizações de mídia de todo o mundo por meio do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). Mais de 180 jornalistas de 40 meios de comunicação, incluindo Le Monde, Washington Post e BBC, publicarão nos próximos dias uma série de reportagens investigativas sobre a gigante da tecnologia.

Em comunicado em resposta ao vazamento , a Uber admitiu “erros e equívocos”, mas disse que se transformou desde 2017 sob a liderança de seu atual presidente-executivo, Dara Khosrowshahi.

“Não temos e não vamos dar desculpas para comportamentos passados que claramente não estão alinhados com nossos valores atuais”, afirmou. “Em vez disso, pedimos ao público que nos julgue pelo que fizemos nos últimos cinco anos e pelo que faremos nos próximos anos.”

O porta-voz de Kalanick disse que as iniciativas de expansão da Uber foram “lideradas por mais de uma centena de líderes em dezenas de países ao redor do mundo e em todos os momentos sob supervisão direta e com total aprovação dos robustos grupos jurídicos, políticos e de conformidade da Uber”.

“Abrace o caos”

Os documentos vazados abrem as cortinas sobre os métodos que a Uber usou para lançar as bases de seu império. Uma das maiores plataformas de trabalho do mundo, a Uber é agora uma empresa de US$ 43 bilhões (£ 36 bilhões), fazendo aproximadamente 19 milhões de viagens por dia.

Os arquivos cobrem as operações da Uber em 40 países durante um período em que a empresa se tornou um gigante global, demolindo seu serviço de táxi em muitas das cidades em que ainda opera hoje.

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Um carro Uber em Moscou. Fotografia: Fifg/Alamy

De Moscou a Joanesburgo, financiada com financiamento de capital de risco sem precedentes, a Uber subsidiava viagens pesadamente, seduzindo motoristas e passageiros para o aplicativo com incentivos e modelos de preços que não seriam sustentáveis.

O Uber minou os mercados estabelecidos de táxis e táxis e pressionou os governos a reescrever as leis para ajudar a pavimentar o caminho para um modelo de trabalho baseado em aplicativos e de economia de shows que desde então proliferou em todo o mundo.

Em uma tentativa de reprimir a reação feroz contra a empresa e obter mudanças nas leis trabalhistas e de táxi, a Uber planejou gastar extraordinários US$ 90 milhões em 2016 em lobby e relações públicas, sugere um documento.

Sua estratégia muitas vezes envolvia passar por cima das cabeças dos prefeitos e autoridades de transporte e direto para a sede do poder.

Além de se encontrarem com Biden em Davos, os executivos do Uber se encontraram cara a cara com Macron, o primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e George Osborne, então chanceler do Reino Unido. Uma nota da reunião retratou Osborne como um “forte defensor”.

Em um comunicado, Osborne disse que era política explícita do governo na época se reunir com empresas globais de tecnologia e “convencê-las a investir na Grã-Bretanha e criar empregos aqui”.

Embora a reunião de Davos com Osborne tenha sido declarada, os dados revelam que seis ministros conservadores do Reino Unido tiveram reuniões com o Uber que não foram divulgadas. Não está claro se as reuniões deveriam ter sido declaradas, expondo a confusão sobre como as regras de lobby do Reino Unido são aplicadas.

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Táxis bloqueiam Whitehall durante um protesto contra a decisão de conceder à Uber uma licença para operar em Londres em 2016. Fotografia: Andy Rain/EPA

Os documentos indicam que a Uber era adepta de encontrar caminhos não oficiais para chegar ao poder, aplicando influência por meio de amigos ou intermediários, ou buscando encontros com políticos nos quais assessores e funcionários não estavam presentes.

Conquistou o apoio de figuras poderosas em lugares como Rússia, Itália e Alemanha, oferecendo-lhes participações financeiras premiadas na startup e transformando-as em “investidores estratégicos”.

E em uma tentativa de moldar os debates políticos, pagou a acadêmicos proeminentes centenas de milhares de dólares para produzir pesquisas que apoiassem as alegações da empresa sobre os benefícios de seu modelo econômico.

Apesar de uma operação de lobby bem financiada e obstinada, os esforços da Uber tiveram resultados mistos. Em alguns lugares, o Uber conseguiu persuadir os governos a reescrever as leis, com efeitos duradouros. Mas em outros lugares, a empresa se viu bloqueada por indústrias de táxi entrincheiradas, superadas por rivais locais de táxis ou contestadas por políticos de esquerda que simplesmente se recusavam a ceder.

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Um manifestante segura um sinalizador durante um protesto em Paris contra o Uber. Fotografia: François Mori/AP

Quando confrontado com a oposição, o Uber procurou aproveitá-lo, aproveitando-o para alimentar a narrativa de que sua tecnologia estava interrompendo sistemas de transporte antiquados e instando os governos a reformar suas leis.

Quando o Uber foi lançado em toda a Índia, o principal executivo de Kalanick na Ásia pediu aos gerentes que se concentrassem em impulsionar o crescimento, mesmo quando “os incêndios começarem a queimar”. “Saiba que isso é uma parte normal dos negócios da Uber”, disse ele. “Abrace o caos. Significa que você está fazendo algo significativo.”

Kalanick pareceu colocar esse ethos em prática em janeiro de 2016, quando as tentativas do Uber de derrubar os mercados na Europa levaram a protestos furiosos na Bélgica, Espanha, Itália e França de taxistas que temiam por seus meios de subsistência.

Em meio a greves de táxi e tumultos em Paris, Kalanick ordenou que executivos franceses retaliassem, incentivando os motoristas do Uber a realizar um contra-protesto com desobediência civil em massa.

Alertado de que isso colocaria os motoristas do Uber em risco de ataques de “bandidos de extrema direita” que se infiltraram nos protestos de táxi e estavam “preparando uma briga”, Kalanick pareceu pedir que sua equipe avançasse independentemente. “Acho que vale a pena”, disse ele. “A violência garante o sucesso. E esses caras devem ser resistidos, não? Concordaram que o lugar e a hora certos devem ser pensados.”

A decisão de enviar motoristas do Uber para protestos potencialmente voláteis, apesar dos riscos, foi consistente com o que um ex-executivo sênior disse ao Guardian ser uma estratégia de “armar” os motoristas e explorar a violência contra eles para “manter a controvérsia acesa”.

Foi uma cartilha que, sugerem os e-mails vazados, foi repetida na Itália, Bélgica, Espanha, Suíça e Holanda.

Quando homens mascarados, supostamente motoristas de táxi furiosos, atacaram os motoristas do Uber com soqueiras e um martelo em Amsterdã em março de 2015, os funcionários do Uber procuraram tirar vantagem disso para ganhar concessões do governo holandês.

As vítimas dos motoristas foram encorajadas a registrar relatórios policiais, que foram compartilhados com o De Telegraaf, o principal jornal diário holandês. Eles “serão publicados sem nossa impressão digital na primeira página amanhã”, escreveu um gerente. “Mantemos a narrativa da violência por alguns dias, antes de oferecer a solução.”

O porta-voz de Kalanick questionou a autenticidade de alguns documentos. Ela disse que Kalanick “nunca sugeriu que o Uber deveria tirar vantagem da violência em detrimento da segurança do motorista” e qualquer sugestão de que ele estivesse envolvido em tal atividade seria “completamente falsa”.

O porta-voz do Uber também reconheceu erros passados ​​no tratamento dos motoristas da empresa, mas disse que ninguém, incluindo Kalanick, queria violência contra os motoristas do Uber. “Há muito que nosso ex-CEO disse há quase uma década que certamente não toleraríamos hoje”, disse ela. “Mas uma coisa que sabemos e sentimos fortemente é que ninguém no Uber jamais ficou feliz com a violência contra um motorista.”

O ‘interruptor de matar’

Os motoristas do Uber foram, sem dúvida, alvo de ataques violentos e às vezes assassinatos por taxistas furiosos. E o aplicativo de táxi, em alguns países, se viu lutando contra frotas de táxis entrincheiradas e monopolizadas com relações acolhedoras com as autoridades municipais. A Uber frequentemente caracterizou seus oponentes nos mercados regulamentados de táxi como operando um “cartel”.

No entanto, em particular, os executivos e funcionários do Uber parecem ter poucas dúvidas sobre a natureza muitas vezes desonesta de sua própria operação.

Em e-mails internos, a equipe se referiu ao “status diferente do legal” da Uber ou outras formas de não conformidade ativa com os regulamentos, em países como Turquia, África do Sul, Espanha, República Tcheca, Suécia, França, Alemanha e Rússia.

Um executivo sênior escreveu em um e-mail: “Não somos legais em muitos países, devemos evitar fazer declarações antagônicas”. Comentando sobre as táticas que a empresa estava preparada para implantar para “evitar a fiscalização”, outro executivo escreveu: “Nós nos tornamos oficialmente piratas”.

Nairi Hourdajian, chefe de comunicações globais da Uber, foi ainda mais direto em uma mensagem para um colega em 2014, em meio aos esforços para fechar a empresa na Tailândia e na Índia: “Às vezes temos problemas porque, bem, somos apenas ilegais. .” Contatado pelo Guardian, Hourdajian se recusou a comentar.

O porta-voz de Kalanick acusou os repórteres de “pressionar sua agenda falsa” de que ele havia “dirigido conduta ilegal ou imprópria”.

O porta-voz da Uber disse que, quando começou, “não existiam regulamentações de transporte compartilhado em nenhum lugar do mundo” e as leis de transporte estavam desatualizadas para a era dos smartphones.

Em todo o mundo, a polícia, autoridades de transporte e agências reguladoras tentaram reprimir o Uber. Em algumas cidades, as autoridades baixaram o aplicativo e aclamaram as corridas para que pudessem reprimir as viagens de táxi sem licença, encontrar motoristas do Uber e apreender seus carros. Os escritórios da Uber em dezenas de países foram repetidamente invadidos pelas autoridades.

Nesse cenário, a Uber desenvolveu métodos sofisticados para impedir a aplicação da lei. Um era conhecido internamente na Uber como “kill switch”. Quando um escritório da Uber foi invadido, os executivos da empresa enviaram freneticamente instruções à equipe de TI para cortar o acesso aos principais sistemas de dados da empresa, impedindo as autoridades de coletar evidências.

Os arquivos vazados sugerem que a técnica, assinada pelos advogados do Uber, foi implantada pelo menos 12 vezes durante batidas na França, Holanda, Bélgica, Índia, Hungria e Romênia.

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Travis Kalanick falando para estudantes em Mumbai em 2016. Foto: dinamarquês Siddiqui/Reuters

O porta-voz de Kalanick disse que tais protocolos de “kill switch” são uma prática comercial comum e não foram projetados para obstruir a justiça. Ela disse que os protocolos, que não excluem dados, foram examinados e aprovados pelo departamento jurídico da Uber, e o ex-CEO da Uber nunca foi acusado de obstrução de justiça ou delito relacionado.

O porta-voz da Uber disse que seu software kill switch “nunca deveria ter sido usado para impedir uma ação regulatória legítima” e parou de usar o sistema em 2017, quando Khosrowshahi substituiu Kalanick como CEO.

Outro executivo que os arquivos vazados sugerem estar envolvido em protocolos de kill switch foi Pierre-Dimitri Gore-Coty, que dirigia as operações do Uber na Europa Ocidental. Ele agora dirige o Uber Eats e faz parte da equipe executiva de 11 pessoas da empresa.

A Gore-Coty disse em um comunicado que lamentava “algumas das táticas usadas para obter uma reforma regulatória para o compartilhamento de caronas nos primeiros dias”. Olhando para trás, ele disse: “Eu era jovem e inexperiente e muitas vezes recebia orientações de superiores com ética questionável”.

Os políticos agora também enfrentam dúvidas sobre se eles seguiram a direção dos executivos do Uber.

Quando um oficial da polícia francesa em 2015 pareceu proibir um dos serviços do Uber em Marselha, Mark MacGann, o principal lobista do Uber na Europa, Oriente Médio e África, recorreu ao aliado do Uber no gabinete francês.

“Vou analisar isso pessoalmente”, respondeu Macron. “Neste momento, vamos manter a calma.”

Relatório de arquivos Uber: Harry Davies, Simon Goodley, Felicity Lawrence, Paul Lewis, Lisa O’Carroll, John Collingridge, Johana Bhuiyan, Sam Cutler, Rob Davies, Stephanie Kirchgaessner, Jennifer Rankin, Jon Henley, Rowena Mason, Andrew Roth, Pamela Duncan , Dan Milmo, Mike Safi, David Pegg e Ben Butler.


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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Violência política: Policial bolsonarista assassina a tiros tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu (PR)

Marcelo Arruda foi morto enquanto comemorava 50 anos numa festa com a temática de Lula e PT

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Por Esmael Morais

A intolerância política causou uma tragédia na madrugada deste domingo, 10 de julho, em Foz do Iguaçu, Oeste do Paraná.

Armado e aos gritos, o agente penitenciário federal, Jorge José da Rocha Guaranho, invadiu a festa de aniversário do guarda municipal Marcelo Arruda, e o matou com três tiros.

Arruda comemorava seus 50 anos, com pouco mais de 40 pessoas, em uma festa de aniversário temática do PT e do Lula na sede da Aresfi (atrás da antiga Cobal) em Foz do Iguaçu.

Segundo relatos, tudo corria bem até que Guaranho invadiu a festa gritando “Bolsonaro” e “mito” e proferindo xingamentos, quando sacou uma arma de fogo afirmando que mataria a todos na festa.

A mulher do algoz com um filho no carro gritava e pedia para (ele) sair do evento.

Depois de uma rápida discussão, Guaranho saiu do evento e prometeu voltar para “uma chacina”.

Quem estava na festa não deu muita atenção ao episódio, mas Marcelo Arruda com quase 30 anos de atuação na Guarda Municipal afirmou aos amigos: “vai que esse maluco volta, por via das dúvidas vou pegar minha arma no carro”.

Não deu outra, o maluco bolsonarista voltou e executou o guarda municipal com três tiros.

Mesmo ferido, Arruda conseguiu balear o agente penitenciário evitando a chacina anunciada pouco antes na festa.

Intolerância política

O episódio mostra o clima de intolerância política que vem uma escalada crescente no país desde 2018, quando um professor foi morto em Salvador (BA) após ter declarado que votou no PT nas eleições presidenciais.

Marcelo Arruda era tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, foi candidato a vice-prefeito nas eleições de 2020 e diretor do sindicato municipal de servidores. Deixa a mulher e quatro filhos (uma filha de seis anos e um bebê de um ano).
Ferido, seu algo foi internado em hospital da cidade.

– Uma situação de intolerância e falta de respeito. Eu e o Marcelo Arruda sempre pensamos de forma diferente e isso nos fez aprofundar nossa amizade com horas de conversa e debate sobre o entender o pensamento alheio, lamentável esta situação – reagiu o publicitário Thiago Kodama nas redes sociais.

– Quando digo que as pessoas estão doentes e que a falta de respeito e diálogo é uma tragédia, alguns acham que é exagero. As pessoas estão se atacando por causa da política e agora sabemos que elas também jogam bombas e matam. Hoje eu perdi um dos meus melhores amigos – disse o petista André Alliana.

A direção nacional do PT divulgou uma nota condenando a violência política, que, segundo Gleisi Hoffmann, trata-se de um assassinato perpertrado por bolsonarista embalado por um discurso de ódio e perigosamente armado pela política oficial do atual Presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).

Abaixo, leia a íntegra da nota do PT:

Violência bolsonarista: Líder do PT em Foz do Iguaçu é assassinado

Mais um querido companheiro se foi nessa madrugada, vítima da intolerância, do ódio e da violência política. Em plena celebração de seu aniversário, em que comemorava seus 50 anos com familiares, amigos e companheiros, em Foz do Iguaçu, PR, nosso Marcelo Arruda foi assassinado por um bolsonarista que, pouco antes, havia interrompido a festa e ameaçado de armas na mão a todos os presentes, familiares, amigos, companheiros ali reunidos, na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu.

Marcelo era guarda municipal e um grande militante do PT, tendo sido nosso candidato a vice-prefeito em Foz do Iguaçu nas eleições de 2020. As últimas imagens de sua vida, gravadas no momento em que cantavam o parabéns, registram sua alegria de viver, seu entusiasmo com a militância, seu compromisso de vida com o PT e o presidente Lula.

Antes de ser assassinado com três tiros pelo policial penal fascista que o abordou no estacionamento, Marcelo tentou ainda se defender com a arma funcional que tinha em seu carro e reagiu. O assassino de Marcelo também veio a falecer. Marcelo, no seu ato derradeiro e heróico, salvou inúmeras vidas, pois o fascista também ameaçava e poderia ter assassinado a todos na festa, inclusive a sua família.

Desde o começo do ano, quando lançou uma Campanha Nacional contra a Violência Política, o PT vem alertando a sociedade brasileira e as autoridades dos vários Poderes da República para a escalada de perseguição a parlamentares, filiados e filiadas, militantes de movimentos sociais e de outros partidos de esquerda e o crescimento da violência política no país.

Embalados por um discurso de ódio e perigosamente armados pela política oficial do atual Presidente da República, que estimula cotidianamente o enfrentamento, o conflito, o ataque a adversários, quaisquer pessoas ensandecidas por esse projeto de morte e destruição vêm se transformando em agressores ou assassinos.

Marcelo estava na flor da idade, tinha uma vida pela frente com sua família, esposa e quatro filhos, a quem prestamos nossa total solidariedade e apoio, e sonhava com um Brasil justo e democrático, fraterno e solidário, que queria construir com o povo brasileiro a partir da derrota do fascismo e da eleição de Lula Presidente.

Basta de violência! Basta de destruição! É tempo de reconstrução e transformação do Brasil e das relações entre brasileiros e brasileiras! Vamos chorar e enterrar mais um companheiro que tombou vítima da violência política, basta!

Cobramos das autoridades de segurança pública medidas efetivas de prevenção e combate à violência política, e alertamos ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal para que coíbam firmemente toda e qualquer situação que alimente um clima de disputa violenta fora dos marcos da democracia e da civilidade. Iniciativas nesse sentido foram devidamente apontadas pelo PT em várias oportunidades, junto ao Congresso Nacional, o Ministério Público e o Poder Judiciário.

Marcelo, não esqueceremos de você, em sua memória continuaremos na luta contra a violência, a injustiça e a intolerância. Presente, hoje e sempre!

Gleisi Hoffmann, Presidenta Nacional do PT
Abdael Ambruster, Coordenador Nacional do Setorial de Segurança Pública do PT

Nota de Pesar – Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu

A Prefeitura de Foz do Iguaçu expressa o mais profundo pesar pelo falecimento do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, de 50 anos, na madrugada deste domingo (10). 

Marcelo era da primeira turma da Guarda Municipal e estava na corporação há 28 anos. Ele também era diretor da executiva do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (Sismufi). O guarda municipal deixa esposa e quatro filhos. 

“Agradecemos ao Marcelo Arruda por toda a sua dedicação e comprometimento com o Município, o qual nestes 28 anos de funcionalismo público defendeu bravamente, tanto atuando na segurança como na defesa dos servidores municipais”, expressou o prefeito Chico Brasileiro. 

“Desejamos à família, aos amigos e colegas de Marcelo força neste momento de dor”, complementou o prefeito. 

Com informações Portal da Cidade e redes sociais.


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Este foi originalmente publicado no blog do jornalista Esmael Morais [Aqui!].

Dica para reconhecer um bolsonarista

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Muito se fala e se aposta com o que acontecerá no Brasil após uma eventual derrota eleitoral do presidente Jair Bolsonaro nas eleições gerais de outubro. Mas como vários outros observadores da atual realidade brasileira, eu não me animo com a simples derrota eleitoral, pois o que se vê hoje é que o “Bolsonarismo” se tornou algo maior que o seu mito criador.  E mais que existem realmente figuras que incorporaram de forma profunda os elementos que parecem constituir os traços essenciais de um bolsonarista.  O trabalho, diriam alguns, seria ter um método para reconhecer quando se encontra um.

Mas pessoalmente acho que nem é preciso muito esforço para se reconhecer quando estamos diante de um legítimo bolsonarista.  Mas ainda que a maioria deles goste de falar alto e usar gestos rápidos e animados, a criatura bolsonarista é também reconhecida por comportamentos explosivos em face de situações que seriam resolvíveis com um pouco de graça e boa vontade.

Hoje, por exemplo, estava em um grande estabelecimento comercial quando a funcionária do caixa me orientou a pegar caixas grátis em um dispensário que se encontrava logo a lado.  Como estou fazendo uma obra em casa ,resolvi pegar três caixas em vez de uma.  Quando já tive colocado as caixas no carrinho de compras, um senhor que empurrava um carrinho com um criança pequena no interior me perguntou se poderia pegar uma das caixas. Eu prontamente entreguei uma delas a ele, mas o homem de cabelos comletamente grisalhos me disse que não era aquela que queria, e jogou com violência a caixa entregue por mim no depósito. Calmamente peguei a caixa jogada e disse a ele que se ele não queria, eu levaria comigo como havia planejado originalmente, dando-lhe rapidamente as costas.

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Saí dali pensando como alguém que sequer foi maltratado poderia ter tido uma reação tão intempestiva e agressiva, especialmente enquanto cuidava de uma criança pequena. A resposta que me veio à cabeça foi imediata… esse aí é bolsonarista.

Então fica a dica: se alguém em pública fala muito alto sem necessidade, usa gestos exagerados e tem reações agressivas sem provocação, vai por mim, estás diante de um bolsonarista. E aconselho, faça como eu fiz: reaja friamente e se afaste o mais rápido que puder dessa pessoa, pois nada de bom vai acontecer enquanto você estivcer perto desse tipo de pessoa.

Polícia Federal investiga empresa que movimentou R$ 16 bi em ouro ilegal

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A Polícia Federal realizou ontem (7/7) uma megaoperação de combate à extração e ao comércio ilegais de ouro na Região Norte, com mandados de busca e apreensão e de prisão preventivas em sete estados. Dividida em três operações simultâneas (batizadas de Ganância, Golden Green e Comando), a ação é resultado de uma investigação de mais de um ano da PF sobre movimentações bilionárias do grupo empresarial, além da atuação de empresas de transporte aéreo para retirada do ouro dos garimpos.

De acordo com investigadores da PF, a empresa Gana Gold (atual M.M.Gold) “esquentava” o ouro extraído ilegalmente em garimpo na Amazônia Brasileira, facilitando sua comercialização com licenças inválidas. O dinheiro era lavado de diversas formas, inclusive através da criação de um criptoativo (token) próprio de uma das empresas envolvidas no esquema, com a finalidade de justificar os valores advindos da ação criminosa, como se fossem investimentos de terceiros. Entre 2019 e 2021, o grupo movimentou mais de R$ 16 bilhões, com um lucro superior a R$ 1 bilhão. Agência BrasilBandFolha e Valor, entre outros, repercutiram a ação da PF.

Por falar em garimpo, o InfoAmazonia destacou a resistência dos Povos Indígenas da Terra Raposa Serra do Sol, em Roraima, contra invasores interessados em explorar ouro na região. Nos últimos anos, as comunidades indígenas perderam o apoio da FUNAI e da Polícia Federal no trabalho de desintrusão da reserva, o que impulsionou a circulação de garimpeiros; estima-se que cerca de 4 mil estejam atualmente na área, de maneira ilegal. Em face à omissão governamental, os próprios indígenas estão se organizando em patrulhas para enfrentar e expulsar os garimpeiros, queimando balsas, apreendendo equipamentos e barracos e vigiando a reserva.

“As lideranças decidiram realizar essas ações de combate ao garimpo porque eles [garimpeiros] prejudicam muito a nossa população e a nossa Terra”, contou uma liderança Wapichana, que pediu anonimato por medo de represálias dos criminosos. “[Os garimpeiros] poluem o nosso rio com óleo, trazem bebidas e drogas. Não queremos viver dentro de uma Terra Indígena com essas situações”.

O problema do garimpo deve piorar caso a polêmica lei sancionada pelo governo de Roraima nesta semana, que proíbe a destruição de maquinário de garimpo apreendido em operações de fiscalização, saia do papel. O Globo informou que, além do Ministério Público Federal, o partido Rede Sustentabilidade também está acionando a Justiça para evitar a aplicação da nova lei. A legenda pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão da matéria e o julgamento de sua constitucionalidade.


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Este texto foi originalmente publicado pelo ClimaInfo [Aqui!].

 

Sindicalistas da Alemanha e EUA visitam Belo Horizonte para coletiva de imprensa sobre processo contra Tüv Süd na corte alemã

Julgamento, que ocorre no dia 19 de setembro em Munique, cidade sede da Tüv Süd, irá determinar se a empresa tem culpa na tragédia de Brumadinho por ter emitido, 4 meses antes do colapso da barragem B1 da Mina Córrego Feijão, um laudo que atestava sua estabilidade

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Os sindicalistas Michael Wolters, Secretário do Departamento de Assuntos Políticos e Internacionais do Sindicato Industrial de Mineração, Química e Energia – IGBCE, da Alemanha, e Tom Grinter, Diretor da IndustriALL Global Union, dos Estados Unidos, estiveram em Belo Horizonte na tarde de quinta-feira, 7 de julho, quando concederam entrevista coletiva na sede do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais. A visita teve o objetivo de reforçar o apoio em prol dos familiares dos trabalhadores e trabalhadoras vítimas da tragédia de Brumadinho, além de fortalecer o suporte em favor de todos os atingidos e atingidas pelo rompimento da Barragem I, da Mina do Córrego do Feijão. Ambos os sindicalistas lutam para conferir visibilidade em escala global e fazer memória ao segundo maior desastre industrial do século e o maior acidente de trabalho do Brasil.

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Os sindicalistas Michael Wolters, da Alemanha, e Tom Grinter, dos Estados Unidos

Além de Michael Wolters e Tom Grinter, a coletiva de imprensa contou com a presença da presidenta da AVABRUM (Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão – Brumadinho), Alexandra Andrade, e duas integrantes da diretoria Maria Regina da Silva e Jacira Francisca. O escritório de Advocacia Garcez que, juntamente com o Movimento Sindical Alemão – IGBCE, move ação indenizatória em Munique contra Tüv Süd, em favor de 183 assistidos, incluindo trabalhadores sobreviventes e familiares de vítimas, esteve representado pela advogada e atingida Juliana Rocha Braga.

Compromisso com a rede de solidariedade às vítimas

Wolters reafirmou o compromisso do IGBCE como precursor dessa rede de solidariedade internacional consagrada pelo movimento trabalhista. Perguntado sobre a atual reputação da Tüv Süd na Alemanha, o sindicalista esclareceu que trata-se de um braço do conglomerado Tüv, que se dedica, em âmbito internacional, a serviços de treinamento, certificações, inspeções e gerenciamento de projetos. Ele aponta que a empresa já teve mais prestígio como estatal e que, agora privatizada, e mais recentemente, após o escândalo do laudo suspeito que emitiu para a Vale S/A, sua reputação tem sofrido manchas, apesar de não ser de amplo conhecimento do povo alemão o ocorrido em Brumadinho. Ainda segundo Wolters, é uma estratégia do conglomerado que a Tüv Süd se torne especializada em certificações no âmbito da mineração, o que explicaria seu empenho em estreitar laços com a Vale S/A, segunda maior mineradora do mundo.

‘Que jamais outra AVABRUM tenha de se formar’

Tim Grinter discursou a favor de políticas de regulamentação e incentivo à segurança do trabalho como prioridade de investimento por parte das empresas. Grinter exalta ainda a importância do trabalho e da luta da AVABRUM, reiterando o apoio e respeito que a IndustriALL Global Union tem por essa iniciativa, e que eles estão do lado da ONG para que jamais outra “AVABRUM” tenha que se formar no mundo. Ele ressaltou ainda que “apesar de os donos das canetas, os altos executivos em seus escritórios de luxo e rodeados de pompa e amigos influentes serem considerados os poderosos, iniciativas como esta e ações em geral, que convocam a união de toda uma classe trabalhadora, têm muito poder contra as más práticas empresariais”.

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Coletiva reunião diretoras da Avabrum e sindicalistas estrangeiros

Alexandra Andrade, Regina da Silva e Jacira Francisca reforçaram o coro, por parte da AVABRUM, de que a expectativa é que a Tüv Süd seja considerada culpada e condenada em consonância com sua participação no que a ONG chama de “tragédia-crime”. As dirigentes se recusam a considerar um acidente o que ocorreu em Brumadinho, tendo em vista a constatação das investigações do Ministério Público e da Polícia Federal de que o laudo de estabilidade emitido à Vale pela empresa alemã foi de fato irregular. A luta por justiça e memória, para que nunca mais aconteça semelhante desastre em lugar nenhum do mundo, é uma das frentes do projeto Legado de Brumadinho*, idealizado pela AVABRUM.

Desastre de Mariana pode ser julgado em Londres

Nesta sexta-feira, 8 de julho, os sindicalistas seguem para Brumadinho, para mais encontros com familiares de vítimas e atingidos, conversas com a imprensa e com a população local. Uma notícia que pode repercutir a favor da decisão da corte alemã contra a Tüv Süd é que, hoje, o Tribunal de Apelação em Londres, em uma reviravolta incomum na justiça inglesa, aceitou a jurisdição após uma longa batalha nos tribunais, e o mérito da reparação, no caso de Mariana, poderá, enfim, ser julgado no Reino Unido. Trata-se de uma ação movida em prol do desastre que aconteceu na cidade mineira, em 2015, que completa sete anos sem a devida reparação. A mineradora anglo-australiana BHP, sócia da Vale na Samarco, é o alvo da ação que representa mais de 200 mil pessoas, dezenas de prefeituras e o povo indígena Krenak no Brasil.

Após recorde de alertas em junho, DETER confirma o pior 1° semestre da série histórica na Amazônia

Somente em junho foram 1120 Km2 com alertas de desmatamento. No acumulado de 2022, a área com alertas já é 10,6 % superior a do mesmo período de 2021

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Desmatamento de Floresta Pública Não Destinada em Lábrea (AM) – Foto: Christian Braga

Manaus, 8 de junho de 2022 – Dados do sistema Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje para o mês de junho mostram uma área destruída de 1.120 Km2, um recorde na série histórica e aumento de 5,5 % na área com alertas de desmatamento em relação aos registrados em junho de 2021. No acumulado do ano, essa área já chega a 3.988 Km2, número 10,6% maior que o mesmo período de 2021 que já havia sido recorde da série temporal do sistema DETER-B. 

O primeiro semestre deste ano teve quatro meses com recordes de alertas de desmatamento o que é uma péssima notícia pois existe muita matéria orgânica morta e com o verão Amazônico começando, período mais quente, com menos chuva e mais seco do ano, todo esse material serve como combustível para as queimadas e incêndios florestais criminosos que assolam a região, adoecem os moradores e dizimam a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo.

“É mais um triste recorde para a floresta e seus povos. Esse número só confirma que o Governo Federal não tem capacidade, nem interesse, de combater toda essa destruição ambiental, seja por ação ou omissões o que vemos é uma escalada inaceitável da destruição da floresta e do massacre de seus povos e defensores”, declara Rômulo Batista, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil.

O destaque ainda mais negativo fica com o Estado do Amazonas que pela primeira vez lidera a lista de estados que mais desmataram no primeiro semestre com 1.236 Km2, 30.9% do total, seguido pelo Pará com 1.105 Km2, 27,7% do total, seguido por Mato Grosso, com 845 Km2, 21,1% do total.

Enquanto o executivo nada faz para cessar a destruição, o Congresso nos dá ainda mais motivos para nos preocupar. Projetos de Lei, como o 2633/2020, que anistia grileiros, e o PL 490/2007, que abre terras indígenas para atividades predatórias, acrescentam mais uma camada de pressão sobre nossas florestas.

“Ao invés dos parlamentares estarem focados em conter os impactos da destruição da Amazônia sobre a população e o clima, no combate ao crime que avança na floresta, e que não só queima nossas riquezas naturais, mas também a imagem e a economia do país, eles tentam aprovar projetos que irão acelerar ainda mais o desmatamento, os conflitos no campo e a invasão de terras públicas. Nosso país não precisa da aprovação destes projetos. O que precisamos é de vontade política para avançar no combate ao desmatamento, queimadas e grilagem de terras”, finaliza Rômulo.

Confira imagens das áreas desmatadas no município de Lábrea no Amazonas

Microplásticos são detectados em carne, leite e sangue de animais de fazendas na Holanda

Partículas encontradas em produtos de supermercados e em fazendas holandesas, mas impactos na saúde humana ainda são desconhecidos

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Os cientistas encontraram microplásticos em 75% das carnes e produtos lácteos testados e em todas as amostras de sangue em seu estudo piloto. Fotografia: David Kelly

Por Damian Carrington, editor de Meio Ambiente do “The Guardian”

A contaminação por microplásticos foi relatada pela primeira vez em carne bovina e suína, bem como no sangue de vacas e porcos em fazendas.

Cientistas da Vrije Universiteit Amsterdam (VUA), na Holanda, encontraram as partículas em três quartos da carne e produtos lácteos testados e em todas as amostras de sangue em seu estudo piloto.

Eles também foram encontrados em todas as amostras de ração animal testadas, indicando uma rota de contaminação potencialmente importante. Os produtos alimentícios foram embalados em plástico, que é outra rota possível.

Os pesquisadores da VUA relataram microplásticos no sangue humano pela primeira vez em março e usaram os mesmos métodos para testar os produtos de origem animal. A descoberta das partículas no sangue mostra que elas podem viajar pelo corpo e se alojar em órgãos.

O impacto na saúde humana ou de animais de fazenda ainda é desconhecido, mas os pesquisadores estão preocupados porque os microplásticos causam danos às células humanas em laboratório e as partículas de poluição do ar já são conhecidas por entrar no corpo e causar milhões de mortes precoces por ano. Alguns animais selvagens também são conhecidos por serem prejudicados por microplásticos .

Enormes quantidades de resíduos plásticos são despejadas no meio ambiente e os microplásticos contaminaram todo o planeta, desde o cume do Monte Everest até os oceanos mais profundos . As pessoas já eram conhecidas por consumir as minúsculas partículas através de alimentos e água , além de inalá-las .

“Quando você está medindo o sangue, você está descobrindo a dose absorvida de todas as diferentes vias de exposição: ar, água, comida, etc”, disse a Dra. Heather Leslie da VUA. “Então é muito interessante porque imediatamente diz o que está penetrando no rio da vida.”

estudo piloto foi realizado para avaliar se os microplásticos estão presentes em animais de fazenda, carne e laticínios. “Isso deve funcionar como um impulso para explorar ainda mais o escopo completo da exposição e quaisquer riscos que possam estar associados a ela”, disse Leslie.

Os cientistas testaram 12 amostras de sangue de vaca e 12 de sangue de porco e encontraram microplásticos em todas elas, incluindo polietileno e poliestireno. As 25 amostras de leite incluíam leite de caixas de supermercado, tanques de leite em fazendas e ordenha manual. Dezoito das amostras, incluindo pelo menos uma de cada tipo, continham microplásticos.

Sete das oito amostras de carne bovina e cinco das oito amostras de carne suína estavam contaminadas. “Ainda não se sabe se há algum risco toxicológico potencial dessas descobertas”, disse o relatório. Animais de fazenda e carne ainda não foram testados em outros países, mas microplásticos foram relatados em leite comprado na Suíça em 2021 e leite de fazenda na França.

Maria Westerbos, da Plastic Soup Foundation , que encomendou a pesquisa, disse: “Com os microplásticos presentes na alimentação do gado, não é surpreendente que uma clara maioria dos produtos de carne e laticínios testados contenham microplásticos. Precisamos urgentemente livrar o mundo do plástico na alimentação animal para proteger a saúde do gado e dos seres humanos”.


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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].