Pesquisadora da UFPR descobre floresta de 290 milhões de anos “congelada no tempo”

Preservada em rochas, floresta de licófitas de Ortigueira (PR) mostra o ecossistema da era paleozoica de forma raramente encontrada na região tropical do planeta

Ortigueira-11A floresta fossilizada de Ortigueira está “em posição de vida”, o que, no mundo botânico, equivale à conservação da cidade de Pompeia, soterrada da maneira que estava após a erupção do Monte Vesúvio, em 79 d.C. A foto mostra como os caules de licófitas estão visivelmente em posição vertical. Fotos: Thammy Mottin/Arquivo pessoal

Por Jéssica Tokarski para o “Ciência UFPR”

Uma floresta com 164 árvores da linhagem das licófitas foi encontrada fossilizada no município de Ortigueira, no estado do Paraná — antigo paleocontinente Gondwana —, local em que viveu há cerca de 290 milhões de anos. A descoberta foi feita pela estudante do Programa de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Thammy Ellin Mottin, durante sua pesquisa de doutorado, e publicada no periódico Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.

Segundo a pesquisadora, o achado pode ser comparado a uma janela que permite ver o passado.

“As árvores estão preservadas dentro da rocha da exata maneira em que viviam, ou seja, elas ainda guardam as características daquele ecossistema de cerca de 290 milhões de anos atrás”.

Por terem raízes, as plantas podem ser preservadas na sua posição original, isto é, na forma vertical, diferente do que ocorre com organismos que se movem. Contudo, florestas fósseis preservadas em posição de vida são extremamente raras no mundo, especialmente no paleocontinente Gondwana, onde, até hoje, só há o relato de mais dois locais com plantas da linhagem preservadas desta forma: na Patagônia argentina e no estado do Rio Grande do Sul, regiões em que o número de licófitas é bem menor e cujos caules se encontram deformados verticalmente.

Pesquisadores registraram a estratificação da Formação do Rio Bonito que aponta a idade dos fósseis.

Pesquisadores registraram a estratificação da Formação do Rio Bonito que aponta a idade dos fósseis

As licófitas de Ortigueira não estão comprimidas como nesses outros dois lugares, permitindo uma reconstrução da planta com mais fidelidade. Isso fez com que informações de como as árvores eram distribuídas no terreno, quantidade por hectare, relação das árvores entre si, sua interação com o ambiente, entre outros aspectos, pudessem ser recuperadas.

Thammy conta que o sistema de raízes das árvores que encontrou nunca havia sido descrito em licófitas do Gondwana.

“O sistema de raízes forma lobos que partem da base dos caules, cuja função seria a ancoragem da planta no substrato”. A autora ainda revela que essa vegetação mostra vestígios de como se dava a interação das árvores com o substrato e de como era a interação entre as plantas. “Formavam grupos de três a quatro árvores espaçados entre si”.

Pangeia: um megacontinente que gerou os continentes atuais

Há milhões de anos, na época em que viviam as licófitas de Ortigueira, havia um único bloco continental, denominado Pangeia, que foi formado ao longo de dezenas de milhões de anos pela aproximação dos antigos megacontinentes chamados Euramérica (ou Laurásia), Sibéria, Gondwana, entre outros de menores dimensões.

Posteriormente, esse bloco de Terra se fragmentou, gerando a configuração continental atual.

Durante esse período, conhecido como Permiano, a Terra foi cenário de eventos biológicos importantes, como a diversificação das plantas terrestres, seguida pela diversificação de insetos, que estavam diretamente associados aos habitats ocupados pelas plantas.

Além disso, surgiram pela primeira vez importantes linhagens de répteis que mais tarde, na era mesozoica, dariam origem aos mamíferos.

A partir da separação das placas africana e sul-americana e da formação do Oceano Atlântico entre elas, Gondwana passou por um processo de fragmentação originando as regiões que hoje conhecemos como América do Sul, África, Antártida, Austrália e Índia, além de outras menores.

“Os continentes que compunham o Gondwana possuem rochas que contêm fósseis de flora e de fauna característicos, que permitem correlacionar os subcontinentes formadores do Gondwana e mostrar que eles estavam unidos no passado”, explica Thammy.

Licófitas faziam parte da vegetação do Devoniano

As licófitas são umas das primeiras plantas vasculares, que possuem vasos condutores de seiva, existentes na Terra.

Originárias no Devoniano, período geológico que compreende aproximadamente entre 416 a 359 milhões de anos atrás, são representadas por espécies arbustivas, ainda existentes, e arborescentes, já extintas.

Segundo a doutoranda, as licófitas podiam alcançar alturas de até 40 metros.

“Elas são importantes na história evolutiva das plantas e dos ecossistemas terrestres, pois apresentaram uma novidade, que são os tecidos condutores, o que permitiu a definitiva ocupação do ambiente terrestre e o crescimento em altura das plantas”.

A vegetação era uma das mais abundantes nas florestas tropicais do Período Carbonífero – que sucedeu o Devoniano e precedeu o Permiano – no paleocontinente Euramérica, quando a região estava em áreas equatoriais da época, sob climas quentes e úmidos.

De acordo com Thammy, as licófitas da Euramérica deram origem a importantes depósitos de carvão que são explorados hoje em dia.

“Com a abertura de minas e novas frentes de exploração de carvão naquela região, é relativamente comum a descoberta de licófitas preservadas in situ”. Ela explica que a preservação in situ ocorre quando um conjunto de plantas é fossilizado no local onde vivia.

Já o paleocontinente Gondwana, durante o Período Carbonífero, passava por um severo estágio glacial, o que impedia o desenvolvimento de florestas e vegetações abundantes e exuberantes.

“Foi somente com o final da glaciação, no início do Permiano, que a melhora climática permitiu que as licófitas pudessem colonizar vastas áreas do Gondwana, a exemplo da região atual de Ortigueira”, descreve a pesquisadora.

As retratadas neste estudo estão preservadas exatamente no local onde viviam, ainda enraizadas no substrato pretérito. Portanto, são consideradas in situ. Além disso, elas estão preservadas verticalmente às camadas, em posição de vida.

O que a descoberta revela sobre aquela época

Após analisarem as rochas e as plantas encontradas e associarem os resultados a diversos trabalhos científicos, Thammy e seus colegas puderam reconstruir o ambiente em que a floresta viveu e a forma como morreu.

Na época em que a floresta estava viva, Ortigueira era banhada pelo antigo Oceano Panthalassa. A região costeira sofria influência da água doce dos rios e da água salgada do mar. “As plantas viviam nessa transição entre terra e mar, em algo semelhante ao que seria uma região de manguezal. Elas ocupavam um substrato frequentemente inundado.”, destaca a doutoranda.

As licófitas eram uma das poucas plantas da época que suportavam viver em áreas inundadas e em condições de água salgada, por isso ocorrem poucas plantas associadas a essa vegetação. Segundo estimativas dos estudiosos, os exemplares encontrados em Ortigueira alcançavam alturas entre quatro e 18 metros. Eles utilizaram o diâmetro dos caules para chegar a esse dado.

Soterramento causado por inundação levou floresta ao colapso

Fortes chuvas causaram uma inundação fluvial, isto é, o transbordamento da água dos rios. Esse tipo de evento contém, além de água doce, grande quantidade de sedimentos, como partículas de areia e argila.

“Presume-se que os sedimentos foram cobrindo as árvores progressivamente, levando à asfixia e à compressão das raízes. O soterramento continuou até o ponto em que a parte superior das licófitas colapsou, deixando exposta parte do caule. A parte interior do caule foi sendo removida pela ação da água e foi preenchida por sedimentos que ainda chegavam e que terminaram por soterrar completamente a floresta”.

Devido ao estado excepcional de conservação da floresta, os cientistas acreditam que todo esse processo ocorreu rapidamente no tempo geológico, em questão de dias ou poucos anos, enquanto um processo de fossilização em condições normais costuma demorar milhares ou milhões de anos.

“No tempo geológico, esse período de dias a poucos anos é comparável a um piscar de olhos. Nesses casos, o que vemos atualmente nessa floresta é muito fidedigno ao que era o ecossistema da época em que vivia”.

Vestígios da vida passada

Assim como os fósseis dos demais seres vivos, plantas fossilizadas preservam uma enorme quantidade de valiosas informações que revelam aspectos da evolução biológica, datação e reconstituição da história geológica da Terra, ecossistemas e climas do passado.

Muitas dessas informações são difíceis de recuperar pois, durante sua vida ou morte, as plantas colapsam e são levadas para longe de seu habitat, perdendo suas características originais. Por isso a vegetação descoberta no Paraná é ainda mais importante, devido à sua rara fossilização instantânea, que torna seus elementos extremamente fiéis.

“O registro da floresta de licófitas em Ortigueira é significativo para a história da evolução das plantas no Gondwana e também em escala global. Uma floresta tão completa e bem preservada como essa pode servir como comparação, que até então não havia sido feita, com o registro das florestas de licófitas de outras partes do mundo e ajudar a estabelecer semelhanças e diferenças na evolução destas plantas”, acredita Thammy.

Dessa forma, a história das licófitas, que é contada apenas com base em descobertas da Europa e dos Estados Unidos, pode passar a considerar a descoberta do Gondwana, em Ortigueira.

A floresta descrita ainda ajuda a traçar o clima existente na época, demonstrando que uma importante mudança climática ocorreu naquele período, com a passagem de uma forte glaciação para um período de clima mais quente, chamado pós-glacial.

Procura por rochas levou à revelação da floresta

A cientista conta que visitava afloramentos de rochas no norte do estado para coletar dados e amostras de rochas do período de transição entre a glaciação do neopaleozoico para um estágio pós-glacial, quando descobriu a floresta descrita no artigo.

Ela estava junto com seu orientador, Fernando Vesely, que é professor do Departamento de Geologia da UFPR e coordenador do Laboratório de Análise de Bacias (Labap) e de outros três pesquisadores norte-americanos que desenvolveram projetos com o grupo de pesquisa da universidade. Após o achado, a pesquisa também teve o suporte do paleobotânico Roberto Iannuzzi, professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e co-orientador da tese.

Para estudar as plantas, os pesquisadores utilizaram métodos diretos e indiretos, incluindo a análise de todas as árvores em relação ao diâmetro do caule, altura, modo de preservação, morfologia, constituição e mapeamento das árvores utilizando um GPS de alta precisão.

“Pela primeira vez no mundo no estudo de árvores fósseis, empregamos um radar de penetração no solo (ground penetrating radar – GPR) para localizar árvores em subsuperfície. O método trouxe resultados bastante satisfatórios”.

Além dos avanços científicos proporcionados pela descoberta da floresta de licófitas, Thammy acredita que o achado pode ajudar a população a se aproximar de conceitos como noção do tempo geológico, noção de ambientes que existiram no passado e não existem mais atualmente, além de proporcionar uma visão do ecossistema dessa vegetação, que é diferente dos atuais.

“Experiências como essa ajudam a população a compreender processos e cenários da história da Terra que não são ensinados nas escolas”, finaliza.


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Este texto foi originalmente publicado pelo “Ciência UFPR” [Aqui!].

Associação indígena refuta PF e aponta ação de grupo organizado nas mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips

bruno dom

Em nota, a direção da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari questionou as informações dadas pela Polícia Federal  à imprensa no sentido de que os assassinos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips teriam agido sozinhos (ver imagem abaixo)

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A nota da Unijava afirma que os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips não “se trata apenas de dois executores, mas sim de um grupo organizado que planejou minimamente os detalhes desse crime”.

A direção da Unjivaja exigiu não apenas a continuidade e aprofundamento das investigações, mas também que a PF “considere as informações qualificadas” que a entidade teria repassado via ofício ao órgão policial.

Pesquisador italiano é condenado por causar danos corporais em paciente usando procedimento experimental com células-tronco

Tribunal sueco deu a Paolo Macchiarini, uma vez aclamado como pioneiro na medicina regenerativa, uma pena suspensa

STOCKHOLM 201300806Surgeon Paolo Macchiarini at the Karolinska Institute in Stockholm 2013
Foto Lina Alriksson / DN / TT / Kod 3000
***OUT SWEDEN OUT***

Paolo Macchiarini, em uma foto de 2013, implantou traqueias sintéticas em vários pacientes; todos, exceto um, morreram após complicações com os implantes. LINA ALRIKSSON/ALAMY

Por Gretchen Vogel para a “Science”

Um cirurgião que há apenas uma década era celebrado em todo o mundo como pioneiro em transplantes de células-tronco foi condenado por uma acusação de “causar danos corporais”, um crime, em um tribunal sueco. O tribunal distrital de Solna considerou hoje Paolo Macchiarini inocente de outras acusações, incluindo agressão agravada, relacionadas a três pacientes que ele tratou enquanto trabalhava para o famoso Instituto Karolinska (KI). O tribunal disse que a pena era “uma pena suspensa”, mas não especificou quanto tempo a pena seria se imposta. A pena máxima de prisão por causar danos corporais é de 4 anos.

O veredicto é o mais recente desdobramento da impressionante queda da graça de Macchiarini. Em 2010, o cirurgião italiano foi recrutado pelo KI – sede do comitê que concede o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. Um ano depois, ele começou a implantar traqueias sintéticas semeadas com células-tronco isoladas da própria medula óssea dos pacientes, alegando que as células cresceriam e se integrariam ao tecido dos pacientes. As operações foram saudadas na época como um avanço na medicina regenerativa, embora alguns observadores permanecessem céticos Macchiarini foi demitido em 2016 em meio a alegações de fraude e má conduta científica depois que muitos de seus receptores de transplante morreram.

Macchiarini tem afirmado consistentemente que é inocente. Em depoimento no tribunal, ele se defendeu como apenas tentando ajudar pacientes desesperadamente doentes e disse que tinha o total apoio de KI e seus colegas.  O advogado de Machiarini não respondeu aos e-mails da Science hoje.

A sentença branda vem como uma decepção para os críticos de Macchiarini. O cirurgião cardiotorácico Matthias Corbascio, um dos ex-colegas de Macchiarini no KI que primeiro levantou questões sobre o trabalho, descreve-o como “terrível” e “insano”. “O tribunal basicamente lhe deu um tapa no pulso”, diz Corbascio, que agora está na Universidade de Copenhague. “Há pessoas que vão para a cadeia por 5 anos por não pagarem seus impostos. Esse cara mutilou pessoas.”

Complicações graves

Entre 2011 e 2014, Macchiarini implantou traqueias artificiais em pelo menos oito pacientes na Suécia, Estados Unidos e Rússia. Todos, exceto um, morreram após complicações graves com os implantes. (O paciente que sobreviveu teve o implante removido.)

Quatro dos colegas de Macchiarini no KI, incluindo Corbascio, apresentaram queixas oficiais em 2014, alegando que vários artigos descrevendo as cirurgias deliberadamente deixaram de fora complicações graves nos pacientes. Eles também questionaram se Macchiarini havia obtido a devida permissão ética para as cirurgias e contestaram um artigo descrevendo experimentos em animais com a técnica.

KI contratou o cirurgião Bengt Gerdin, professor emérito da Universidade de Uppsala, para investigar a questão. O relatório de Gerdin, divulgado em maio de 2015 , concluiu que Macchiarini era culpado de má conduta, mas os administradores da universidade rejeitaram essa conclusão 3 meses depois, argumentando que Macchinarini e seus co-autores “responderam satisfatoriamente” as questões levantadas por Gerdin. Eles permitiram que Macchiarini continuasse seu trabalho como professor visitante em um laboratório de pesquisa.

No entanto, os repórteres da TV sueca também decidiram dar uma olhada no trabalho de Macchiarini. Um documentário devastador , que foi ao ar em janeiro de 2016, levou os funcionários do KI a reabrir a investigação. Na mesma época, um artigo da Vanity Fair descreveu como Macchiarini enganou uma namorada – uma produtora de notícias da NBC trabalhando em um documentário lisonjeiro sobre suas cirurgias – a pensar que eles se casariam em uma cerimônia com a presença dos Clintons e Obamas e oficializada pelo papa. A história da Vanity Fair retratava Macchiarini, que já era casado na época, como um mentiroso contumaz que exagerava ou mentia sobre diplomas, compromissos acadêmicos e realizações pessoais.

KI demitiu Macchiarini em março de 2016, 2 meses após o lançamento do documentário sueco. Em 2018, KI finalmente divulgou as conclusões de sua segunda investigação, que confirmou que ele havia cometido má conduta .

Acusações de homicídio culposo

Em 2017, promotores na Suécia acusaram Macchiarini de homicídio culposo em conexão com os três pacientes que receberam transplantes no KI em 2011 e 2012, todos falecidos: Andemariam Teklesenbet Beyene, um estudante de pós-graduação da Eritreia com um câncer de crescimento lento obstruindo sua traqueia; Christopher Lyles, um americano de 30 anos com câncer traqueal; e Yesim Cetir, um adolescente da Turquia cuja traqueia foi acidentalmente danificada durante uma cirurgia anterior. Os promotores desistiram do caso alguns meses depois, no entanto, dizendo que não tinham provas suficientes para provar o homicídio culposo.

Eles reabriram o caso em 2020, desta vez acusando Macchiarini por acusações menores de agressão agravada e lesões corporais graves. O tribunal ouviu depoimentos no caso entre 27 de abril e 12 de maio.

No julgamento, Macchiarini e seu advogado argumentaram que os pacientes, sem outras opções, haviam sido tratados sob padrões de cuidados compassivos. Outras testemunhas contradisseram isso, argumentando que com o câncer de crescimento lento de Andemariam, pequenas cirurgias e outros tratamentos poderiam tê-lo mantido vivo. “Cada paciente tinha outra opção não letal”, disse Pierre Delaere, especialista em traqueia da KU Leuven e um dos primeiros críticos de Macchiarini, em um e-mail à Science .

Um painel de juízes decidiu por unanimidade que “as intervenções não estavam de acordo com a ciência e a experiência comprovada”, de acordo com um comunicado divulgado hoje. Mas os juízes decidiram que, como os prognósticos iniciais para Andemariam e Lyles eram tão sombrios sem cirurgia, Macchiarini não poderia ser responsabilizado criminalmente nesses casos. No caso do Cetir, ele deveria saber que o risco de complicações era maior do que o benefício esperado, decidiram os juízes. Mas eles descobriram que os promotores não provaram que Macchiarini era “indiferente” aos ferimentos ou sofrimento que as cirurgias poderiam causar, o padrão exigido para agressão agravada. Em vez disso, eles o consideraram culpado de negligência e da acusação menor de causar danos corporais.

Na Suécia, tanto a defesa quanto a promotoria podem recorrer das decisões, e a promotora sênior Karin Lundström-Kron diz que ela e seus colegas decidirão nas próximas semanas. Eles vão examinar especialmente a decisão dos juízes de que Macchiarini não poderia ser responsabilizado pelo que aconteceu com Andemariam e Lyles “porque ele agiu em perigo”, de acordo com a declaração do tribunal. “Isso é algo que era novo para nós, então precisamos analisar isso”, diz Lundström-Kron. Ela diz que isso pode significar que os juízes pensaram que ele e os pacientes acreditavam que o tempo era curto e as opções eram poucas. O advogado de Macchiarini se recusou a comentar hoje com a mídia sueca se seu cliente iria recorrer.

Delaere sente que a sentença é leve demais para o que considera um crime grave. Ele diz que os promotores deveriam ter pressionado por acusações de homicídio culposo porque Macchiarini não tinha evidências de que as traqueias que ele implantou se desenvolveriam em órgãos com funcionamento normal. “Quando você implanta uma traqueia sintética, você tem uma certeza, que é que o paciente morrerá como resultado disso”, diz Delaere no e-mail. “A absolvição é, portanto, difícil de defender.”

Mas Gerdin diz que o veredicto não é inesperado. O tribunal teve que aplicar o padrão de “indiferença intencional” para as acusações de agressão, diz ele, o que é difícil de provar. O argumento de Macchiarini de que KI apoiou e encorajou totalmente as cirurgias provavelmente influenciou os juízes também, diz ele. Oficiais da KI “deixem-no fazer isso. Isso aliviou um pouco do fardo dele.”

Gerdin diz que a condenação em uma acusação ainda mostra “que a saúde não está acima da lei. Se, como médico, você faz coisas estúpidas, pode ser acusado”. Mas os veredictos inocentes nos outros dois casos destacam como a lei pode deixar pessoas vulneráveis ​​desprotegidas, diz ele, por exemplo, quando estão enfrentando decisões de vida ou morte e detêm menos informações do que o médico.

A condenação criminal significa que Macchiarini teria dificuldade em encontrar emprego novamente na Suécia, diz Gerdin. Mas como Macchiarini aparentemente está morando na Espanha, é improvável que tenha muito efeito. “Na verdade, não faz sentido para ele”, diz Gerdin. “Mas ele perdeu sua reputação, e isso é mais importante.”


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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pela “Science” [Aqui!].

Mortes de Bruno e Dom são citadas na capa da edição diária do “The Washington Post”

Dom e Bruno foram mortos a tiros, confessa Pelado - Amazônia Real

Os assassinatos brutais do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips são um dos assuntos mais comentados fora do Brasil neste dia de Corpus Christi. O jornal “The Washington Post” dedicou uma matéria de capa ao assunto (ver imagens abaixo).

É importante notar que a matéria assinada pelos jornalistas Terrence McCoy e Gabriela Sá Pessoa não apenas expõe as condições nas quais Pereira e Phillips foram assassinados, mas também enfatiza a posição pró-  garimpeiros e desmatadores ilegais do presidente Jair Bolsonaro, indicando ainda que o mandatário brasileiro culpou Phillips por seu desaparecimento.  Neste caso os jornalistas se referem a um comunicado ocorrido na quarta-feira,  quando Jair Bolsonaro afirmou que o jornalista era “malvisto na região”, por ter feito ” muitas matérias contra a mineração de ouro e sobre questões ambientais”.

Com esse relato jornalístico é quase certo que a imagem de Jair Bolsonaro, e a do Brasil por associação, que já não era boa, certamente vai piorar. E eu acrescento, com toda a razão.

As cenas do Parque Saraiva como oráculo do que virá até as eleições de outubro. E adianto que nada será “normal”

Imagino que a maioria dos habitantes de Campos dos Goytacazes não tem muito conhecimento da localização do Parque Saraiva, um bairro que está localizado no II Distrito do município, Goitacazes. Assim, se nem os campistas sabem da existência desse pequeno bairro, composto por nove ruas perpendiculares à RJ-216, quiçá o resto dos brasileiros que se distribuem em país de dimensões continentais (ver mapa abaixo mostrando a localização do bairro).

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Mas apesar da desproporção escalar, o Parque Saraiva se transformou ontem (15/06) em uma espécie de antessala do que deverá acontecer nas eleições gerais que ocorrerão no Brasil (ou pelo menos se espera que ocorra) no mês de Outubro.  É que num ponto empoeirado daquele pequeno bairro, se aglomeraram apoiadores dos grupos políticos familiares que hoje se degladiam para dominar a política municipal, sob as vistas preocupadas do governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.  Diante de uma plateia numerosa, o que se testemunhou foram as mais puras formas de agressão verbal que se pode manusear para tornar direitos emmeros objetos de pura barganha política (ver vídeo abaixo).

A despeito do que possa parecer, o que ocorreu no Parque Saraiva é um retrato fiel de como a dominação ideológica de setores que se valem do estado para se manter em posições privilegiadas, enquanto a maioria da população pobre se vê cotidianamente privada de direitos constitucionais básicos, como, por exemplo, o direito à moradia digna.

O mais interessante é que no frigir dos ovos, o palanque que se tornou palco de trocas de farpas pontiagudas reunia apenas aliados do governador acidental Cláudio Castro, essa é a verdade inescapável.  Assim, se as agressões verbais, que ameaçaram deflagrar uma batalha campal de fins imprevisíveis, foram tão evidentes entre aliados (ainda que de ocasião), imaginemos o que poderá acontecer quando os encontros se derem entre adversários de direita e esquerda.

Como alguém já disse, esqueçam a ilusão de que haverá algum nível de normalidade cívica nos eleições de outubro. A poeira levantada nas proximidades do palanque montado para celebrar (no melhor estilo de campanha antecipada) um projeto de mirrados R$ 32 milhões é apenas o prenúncio do que virá até que cheguemos (se chegarmos) nas salas eleitorais.

Nota do WWF-Brasil sobre assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira

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O que todos nós temíamos aconteceu: a Polícia Federal confirmou na noite desta quinta (15/6) que encontrou “remanescentes humanos” que provavelmente são do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian. Eles foram mortos na região do Vale do Javari, na Amazônia, e dois suspeitos já estão presos: Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos, e Amarildo da Costa Oliveira, o ‘Pelado’.

O WWF-Brasil vem, em primeiro lugar, expressar sua solidariedade e seu apoio às famílias, aos amigos e aos colegas destes defensores da floresta.

O nível de violência aplicada a Bruno e Dom explicita como a Amazônia está à mercê da lei do mais forte, sob a qual a brutalidade é a moeda corrente. Isso eleva nossa indignação com a situação na qual os povos da floresta e seus defensores foram deixados pelo Estado brasileiro. Enquanto nos discursos oficiais “a Amazônia é nossa” e “não abrimos mão de nossa soberania”, na prática o que vemos são assassinatos brutais sem esclarecimento ou punição e o domínio territorial, baseado na coerção e na violência, por diversos criminosos: narcotraficantes, garimpeiros, grileiros, madeireiros ilegais, caçadores e pescadores ilegais. As declarações reiteradas do presidente da República de que é preciso escolta para transitar numa região onde há forte presença militar há muitos anos confirma que a tão proclamada soberania não existe: o Estado abandonou a Amazônia por conta de um projeto sem sentido de destruição da floresta e de extermínio de seus povos.

Temos visto uma série de assassinatos impunes, ou melhor, sem esforço ou empenho do Estado para esclarecer e punir. No caso de Dom e Bruno, houve inclusive relutância em iniciar as buscas. É o descaso do governo com a Amazônia e os defensores de seus povos e da floresta que permitiu o assassinato de Dom e Bruno e também de inúmeras pessoas que dedicaram suas vidas à proteção dos povos indígenas: Ari Uru Eu Wau Wau, Paulino Guajajara, Maxciel Pereira dos Santos, Zé do Lago e família. O Brasil é o quarto país do mundo que mais mata ativistas ambientais, segundo levantamento da ONG Global Witness.

É notório que nos últimos anos todas as instâncias de proteção aos povos da floresta e ao meio ambiente vêm sendo sistematicamente desestruturadas e desacreditadas. A violência contra eles aumentou exponencialmente nos últimos três anos e nada tem sido feito – muito pelo contrário, pois há no Governo Federal, conforme estudo divulgado esta semana, um projeto de destruição da Funai, órgão que deveria zelar pelos direitos indígenas, e no Congresso projetos de lei que fragilizam ainda mais a proteção a esses povos.

Não podemos deixar de destacar que a perda das vidas de Dom e Bruno está no contexto de morte da própria Amazônia. Só em maio deste ano os números de queimadas e desmatamento bateram recordes na Amazônia – as queimadas tiveram 184% de crescimento em relação à média do mês de maio dos últimos dez anos e perdeu 2.867 km de florestas entre janeiro e maio, batendo recorde de devastação pelo terceiro ano consecutivo. Nunca estivemos tão perto do ponto a partir do qual a floresta não consegue mais se sustentar. O Painel Científico da Amazônia já apontou que 17% da floresta foram desmatados e outros 17% encontram-se degradados. Apesar disso, volta e meia entram na pauta do Congresso Nacional projetos de lei que favorecem a destruição da maior floresta tropical do planeta, da qual depende o regime de chuvas que garante o abastecimento de água e energia elétrica do nosso país e do qual nossa agropecuária depende. Matar a Amazônia é matar o Brasil – um Brasil que morreu um pouco com o assassinato de Bruno e Dom.

A Amazônia morre cada dia de forma cruel e desumana, diante dos nossos olhos, assim como aqueles que a protegem, aqueles que cuidam e se esforçam em manter a floresta em pé. Diante desta nova tragédia, é necessária uma apuração rígida para identificar se há outros envolvidos, dado os indícios de relação entre este crime e o narcotráfico na região. É preciso também que este caso tenha uma punição exemplar, que se tornem referência no combate à impunidade na região, dominada pelo crime. Não menos importante: o governo precisa cumprir seu papel com ações concretas que previnam novos massacres, como a retirada dos invasores da TI Yanomami, Uru Eu Wau Wau e nas demais terras indígenas invadidas. Não é aceitável que a Amazônia continue como terra sem lei, sem controle e atuação do Estado, vitimando seus defensores.

A favor de Althusser: revolução e ruptura na teoria marxista, uma leitura obrigatória

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Produto de um rigoroso esforço intelectual do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Eduardo Pereira da Motta, o livro “A favor de Althusser: revolução e ruptura na Teoria Marxista”, vem suprir uma lacuna bibliográfica sobre o pensamento do filósofo marxista francês Louis Althusser, refutar uma antipatia e preconceito que se constituiu sobre a Escola althussseriana ao longo de décadas (mais precisamente dos anos 1970 até a década passada).

Esta nova edição traz textos inéditos, particularmente sobre a recepção de Althusser no Brasil. Nas palavras do prefaciador, Carlos Henrique Escobar: ” O livro de Luiz Eduardo Motta tem o mérito de agrupar (com sutileza e rico em informações) o trabalho de Marx, as questões que ficaram em aberto e também, ou sobretudo, a maneira como Althusser as respondeu”.

Quem desejar adquirir esta que eu considero uma leitura obrigatória, pode clicar [Aqui!] .

Anistia Internacional cobra transparência e respeito aos direitos humanos nas buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips

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 Em resposta às informações de que as autoridades brasileiras estão tratando as buscas por Dom Phillips e Bruno Pereira como uma investigação de homicídio, Erika Guevara-Rosas, diretora da Anistia Internacional para as Américas, declarou:

“As autoridades brasileiras devem garantir total transparência nas buscas por Dom Phillips e Bruno Pereira por meio de uma investigação exaustiva, imparcial e independente, e o total cumprimento do devido processo legal em todos os momentos.”

“Os comentários cruéis e insensíveis do presidente Bolsonaro caracterizaram a insensibilidade do manejo das autoridades na busca pelos dois desaparecidos. Seus comentários insensíveis e a incerteza alimentada pela falta de informações claras, consistentes e confiáveis das autoridades brasileiras apenas revitimizam as famílias de Dom e Bruno. Ao invés de aprofundar ainda mais seu sofrimento, as autoridades devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir seus direitos à verdade e à justiça”. finalizou Guevara-Rosas.

“Os comentários cruéis e insensíveis do presidente Bolsonaro caracterizaram a insensibilidade do manejo das autoridades na busca pelos dois desaparecidos. Seus comentários insensíveis e a incerteza alimentada pela falta de informações claras, consistentes e confiáveis das autoridades brasileiras apenas revitimizam as famílias de Dom e Bruno.”

A Anistia Internacional pede às autoridades brasileiras que providenciem uma atualização completa sobre a investigação. Desde o início, as autoridades demoraram a responder perguntas sobre o caso, com a maioria das informações disponíveis sendo provenientes da mídia.

Marketing acadêmico: acesso gratuito ao livro “Ciências Ambientais na Amazônia”

A interdisciplinaridade é uma emergência oriunda de grandes problemas contemporâneos, dentre os quais as questões ambientais, que requerem nova epistemologia baseada na complexidade que demanda colaboração e coprodução entre diversos campos de conhecimento. O campo das Ciências Ambientais abrange as interações entre o ser humano e o ambiente em que estão inseridos. Por meio de abordagens multi e interdisciplinares, questões ambientais complexas a partir de perspectivas múltiplas, relacionando conhecimentos nas áreas de ecologia, ciências do solo, hidrologia, climatologia, gestão de recursos naturais e saúde são abordagens destacadas neste livro.

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O livro “Ciências Ambientais na Amazônia” traz 18 capítulos com resultados em diferentes escalas sobre as questões ambientais e suas relações sobre a biodiversidade, cidades, manejo dos recursos naturais, saúde humana, educação ambiental e agricultura para o Estado do Acre, em especial para a Região do Juruá. Este é um livro formado através das pesquisas dos docentes e discentes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Acre Campus Floresta trazendo ao público leitor parte dos resultados de anos de pesquisas.

Quem desejar baixar a íntegra do livro “Ciências Ambientais na Amazônia”, bast clicar [Aqui!].

MPF e DPU estão processando a Vale por danos causados pelo Tsulama de Brumadinho aos índios Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe

Mais de três anos após o colapso da bacia de retenção da mina Córrego do Feijão, próximo a Brumadinho, o Ministério Público Federal quer garantir o pagamento de indenizações aos indígenas Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe que foram afetados pelo rompimento da barragem da Vale

barragem rompuda

Por Christian Russau para a “GegenStrömung”

Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) ajuizaram ontem ação cível contra a Vale S/A para obrigar a mineradora Vale a realizar um programa de reparação individual e indenizações às famílias indígenas Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe da aldeia Naô Xohã.  Os indígenas foram afetados pelo rompimento dos rejeitos da mina Córrego do Feijão, próximo a Brumadinho. Na ação, o MPF e a DPU pedem o pagamento conjunto de mais de 1.000 salários mínimos — totalizando o equivalente a cerca de 1,2 milhão de reais em indenizações “por danos materiais e imateriais sofridos por indígenas adultos, gestantes, idosos , crianças, jovens e lideranças”, que foram atingidos pelos efeitos da tragédia em uma barragem da empresa Vale em Brumadinho”, informaram MPF e DPU em seu site .

Especificamente, o MPF e a DPU exigem o pagamento de 737 salários mínimos por pessoa adulta, adicional de 61 salários mínimos por gestante, 40 salários mínimos por idoso, 111 salários mínimos por liderança indígena e 60 salários mínimos por criança ou jovem em indenização por danos materiais e imateriais sofridos individualmente pelo respectivo grupo familiar. o afetado. As vítimas são os indígenas Pataxó e Pataxó-Hã-Hãe, que compõem a aldeia Naô Hohã, além de outros grupos familiares que já indicaram ao MPF e à DPU que seus A reparação será tratada nesta ação. MPF e DPU também exigem que a mesma indenização individual seja concedida aos povos indígenas que compõem a vila de Katurama e um núcleo familiar independente mais distante dela, mas que também são afetados pelo rompimento da barragem de Brumadinho e que atualmente estão sendo apoiados por advogados particulares e negociando diretamente com a Vale. De acordo com o MPF e a DPU, o pré-requisito para isso é que esses atingidos sejam consultados previamente de acordo com o regulamento de consulta livre, prévia e informada (CLPI) e manifestem a intenção de que seus respectivos direitos à indenização individual também sejam tratados. com neste processo.

Segundo as duas instituições, o objetivo do MPF e da DPU é, por um lado, respeitar a autonomia indígena e preservar a livre escolha de advogados particulares pela população indígena. Nesse sentido, a ação ora movida pelo MPF e DPU não prejudica as negociações diretas paralelas entre a população indígena e a empresa responsável, a Vale, caso desejem continuar sendo amparadas por advogados particulares. Por outro lado, de acordo com a vontade dos órgãos judiciais MPF e DPU, os grupos não devem ser excluídos e levados em consideração na ação cível que agora foi ajuizada. Ao incluir a opção para os povos indígenas que já estão negociando diretamente com a mineradora, as instituições querem evitar o risco de uma futura prescrição do direito à reparação individual,

De acordo com o laudo pericial com o qual o MPF e o DPU justificam a ação, os indígenas nomeados Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe foram mortos pelo rompimento da barragem de Brumadinho prejudicados de várias maneiras: desde a água contaminada do rio, antes usada para beber, pescar, tomar banho e lazer, até danos culturais e espirituais, pois o rio Paraopeba, onde realizavam seus rituais, tornou-se inutilizável. Como resultado, as estruturas das aldeias crescidas e seus ambientes de vida foram permanentemente perturbados. Os indígenas também sofreram danos indiretos com o rompimento da barragem, portanto, após o rompimento da barragem, praticamente não houve atividade artesanal, atividade da qual os membros da comunidade indígena dependiam para sua subsistência, mas que se tornou não lucrativa após o rompimento da barragem, por um lado pela Escassez e falta de matérias-primas afetadas pelo rompimento da barragem ou pela perda de calma que esta atividade exige. Isso também porque que a vida dos indígenas após o rompimento da barragem foi dominada por muitas reuniões em busca de reparação, bem como protestos e manifestações necessárias.

 Para MPF e DPU é claro que: “as condições de vida [dos indígenas Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe] deram uma virada trágica, que girou em grande parte em torno do processo de reparação, de forma tão aguda que até mudaram seus planos de vida e – projetos foram interrompidos”. O MPF e a DPU lembram que “a mineradora Vale já reconheceu sua obrigação de indenizar em benefício da comunidade indígena por meio da cláusula de reajuste provisório, que foi emitida em 5 de maio. Abril de 2019 pelo MPF junto com os povos Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe da aldeia Naô Xohã com a mineradora mencionada e que também comprova o direito da população indígena afetada à indenização adequada pelos danos sofridos do ponto de vista individual Os pagamentos das indenizações ainda não foram efetuados, segundo o MPF e a DPU. Com a ação, MPF e DPU também querem evitar que os processos prejudiquem e a Vale se retire da responsabilidade antes que o programa de compensação seja totalmente concluído.


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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pela GegenStrömung [Aqui!].