‘Trata-se de sobrevivência’: um inglês de Yorkshire em busca de justiça pelo desastre da barragem de Mariana

mariana 1Área do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, destruída após o rompimento da barragem de Fundão em novembro de 2015. Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Por Deborah Linton para o “The Guardian”

Em 2015, o pior desastre ambiental do país forçou Jonathan Knowles a deixar sua casa brasileira. Agora, ele e 200.000 outras vítimas esperam ganhar um processo de £ 5 bilhões em um tribunal inglês

O brilho amarelo pálido do sol da primavera do Brasil se pondo sobre o Rio Doce em uma noite de sexta-feira em outubro de 2015, a vida para Jonathan Knowles era tão boa quanto antes. A vida modesta que ele levava de um negócio de válvulas de água o fez terminar cada semana de trabalho da mesma maneira, com sua esposa Sheila e seu filho de quatro anos, Enzo. Eles arrumavam cadeiras no jardim de sua casa de dois quartos, uma construção nova nos arredores de Governador Valadares, no interior de Minas Gerais, onde pegavam carne marinada na churrasqueira e exibiam videoclipes dos anos 80 de um projetor para uma parede. “Adorávamos nossa vida”, lembra Knowles, um yorkshire que se mudou para o Brasil por amor.

Uma semana depois, às 15h45 do dia 5 de novembro, a barragem de rejeitos de Fundão estourou na cidade de Mariana, a 240 quilômetros de distância, liberando cerca de 40m 19 pessoas, deixando centenas de desabrigados e desencadeando o maior desastre ambiental do país . Aldeias, meios de subsistência, fazendas, peixes e vida selvagem foram obliterados. Ele destruiu, danificou ou contaminou tudo em seu caminho, os tribunais ouviram desde então.

Moradores olham para o bairro de Bento Rodrigues, submerso na lama após o rompimento da barragem

A vila de Bento Rodrigues ficou completamente submersa na lama após o rompimento da barragem. Centenas ficaram desabrigados e 19 mortos na área. Fotografia: Ricardo Moraes/Reuters

Torrentes de água poluída correram por 650 km (400 milhas) no Oceano Atlântico, causando um prejuízo estimado de £ 2,5 bilhões na biodiversidade da região e deixando para trás uma limpeza que deve levar mais de uma década.

“A vida era fenomenal – até que se tornou sobre sobrevivência”, diz Knowles, 57, que está entre as mais de 200.000 pessoas que entraram com um processo de US$ 6,9 bilhões (£ 5 bilhões) – entre as maiores ações coletivas da história jurídica inglesa – contra a mineração anglo-australiana. multinacional BHP , que era dona da Samarco em conjunto com a gigante brasileira de mineração de minério de ferro Vale.

O caso deve ser reavaliado no tribunal de apelação no próximo mês, na última etapa de uma luta legal de três anos e meio em solo britânico que busca “reparação completa e justa” em nome de mais de 190.000 indivíduos, 530 empresas, 150 membros das comunidades indígenas Krenak, 25 municípios e 15 instituições religiosas, incluindo a arquidiocese católica romana de Mariana. Para as vítimas, é uma “oportunidade de justiça de verdade”, disse no ano passado o procurador-geral da região, Frederico de Assis Faria .

Para Knowles, a visão do rio imediatamente após o desastre deixou uma marca indelével: “A água estava marrom como uma sopa grossa de chocolate; uma avalanche de lama. Veio como ondas gigantes. Com o passar dos dias, toda a superfície até onde você podia ver se tornou um cobertor de peixes mortos. Vacas e cavalos flutuavam sem vida em suas costas, apenas suas pernas visíveis acima da água.

Vista aérea de detritos e lama ao longo de um vale após o rompimento das barragens

A devastação em Bento Rodrigues no dia seguinte à catástrofe. Fotografia: Felipe Dana/AP

“Aquela água costumava ser tudo. É onde as pessoas se reuniam para pescar, voar de asa delta e praticar esportes aquáticos, caminhar e correr nos finais de semana. De seus bancos férteis cresceram dez variedades diferentes de manga; macacos viviam em uma ilha em seu centro.”

Após o colapso, tornou-se um lugar a temer, diz ele. “Mesmo agora, seis anos depois, você pode colocar um ímã em um saco plástico e, se tocar na lama ao redor do rio, ele gruda.”

Uma vida revirada

Knowles e Sheila, nascida no Brasil, se conheceram em Harrogate, Inglaterra, em 2009, quando ela era passageira do ônibus que ele dirigia. Eles se mudaram para o Brasil no ano seguinte, enquanto ela estava grávida de Enzo: “Nós nos instalamos no meio do nada. A terra é plana como uma panqueca, exceto por uma enorme montanha que fica, como uma espinha, nos arredores.

“O rio de uma milha de largura serpenteia pela paisagem e a área tem seu próprio clima único. Um calor constante e parado bate do chão.”

Um casal senta-se com seu filho em um banco de parque

Jonathan Knowles e sua esposa, Sheila, com seu filho de 10 anos, Enzo, em Harrogate, North Yorkshire. Fotografia: Richard Saker/Guardian

Knowles, que trabalhava na construção civil, chegou ao Brasil durante um boom de construção. Em março de 2015, ele começou a importar válvulas que havia desenvolvido para ajudar a população local a regular as contas de água flutuantes. Em setembro – dois meses antes do rompimento da barragem – ele havia vendido um quarto de seu estoque e empatado.

A notícia do desastre chegou no início da manhã de 6 de novembro. “Na vila, eventos de mudança de vida foram anunciados por um carro fornecendo informações por Tannoy. Era a primeira coisa da manhã e estávamos dentro de casa. Entrei no jardim da frente e reconheci a descrição, em português, de uma avalanche de água. Então veio uma palavra que eu não tinha ouvido antes – ‘barragem’, português para barragem.”

Os moradores foram orientados a armazenar água em banheiras, bacias e recipientes para durar um mês. “Enchemos uma lixeira de 1.000 litros e, algumas semanas depois, mais 2.000 litros de um poço fora da cidade. Durante seis semanas, tomamos banho em baldes, usamos água engarrafada para escovar os dentes, lavar e ferver legumes e usar água da torneira para limpar. Caminhões que ofereciam garrafas de água gratuitas estacionados todos os dias e as pessoas faziam fila na rua.

“As pessoas pararam de sair. A indústria de hospitalidade alimentar parou. A Starbucks parou de servir porque não conseguia lavar os copos.”

Nos dias que se seguiram, os cientistas identificaram metais tóxicos, incluindo arsênico, mercúrio, níquel e alumínio no abastecimento de água, que foi rapidamente tratado. Um estudo de dezembro de 2021 com mais de 300 pessoassobre o impacto desses metais na população local encontrou um “risco elevado para a saúde das comunidades que vivem nas áreas vizinhas”. Incluiu relatos de distúrbios de saúde mental, lesões de pele, distúrbios gastrointestinais, dores ósseas e mal-estar, todos potencialmente ligados ao desastre.

Uma mulher brasileira na margem de um rio laranja altamente poluído

A lama tóxica poluiu o rio Doce, usado por indígenas brasileiros como a tribo Krenak para pescar, mas também como local religioso. Fotografia: Heriberto Araújo/Guardian

Knowles se lembra de um esforço para fazer as pessoas confiarem no abastecimento de água. “Muito da população confia em Deus, e a igreja estava encorajando as pessoas a não entrarem em pânico, mas a escrita estava na parede”, diz ele. “Eu não podia mais confiar que a água em que bebíamos e nos banhamos, o chão em que andávamos, era seguro. A construção foi interrompida e ninguém estava comprando válvulas de água. Meu negócio iria embora; nosso dinheiro acabaria”.

Logo após o Natal de 2015, com suas últimas 1.000 libras, Knowles comprou um voo de volta para Harrogate, em Yorkshire. Ele chegou em março de 2016 com uma mala e um cartão de crédito. Sheila e Enzo ficaram no Brasil na casa dos pais dela. Eles se juntaram a ele na Inglaterra em 2018, assim que ele conseguiu pagar as passagens aéreas.

Foto aérea de gaivotas voando sobre um rio marrom-avermelhado

Gaivotas sobrevoam a foz do poluído Rio Doce, próximo a Regência. Fotografia: Ricardo Moraes/Reuters

Knowles, que também tem três filhos adultos e cinco netos de seu primeiro casamento, diz: “Deixar meu filho no Brasil me destruiu por dentro. Eu estava com medo de que se eles não saíssem, eles morreriam. Eu tive que voltar para a Inglaterra e ganhar dinheiro para nós. Eu não podia ficar sentado esperando por um milagre.”

Ele arrumou um emprego de lavador de louças, vivendo com £ 1 por dia: “Eu ficava na prateleira ‘vendida por’ em Asda esperando que os pedaços finais fossem reduzidos a 10 p. Eu encheria minha bolsa com o que quer que aparecesse.

“Eu economizei para renovar minhas licenças de ônibus e caminhões, depois consegui meu antigo emprego de volta na empresa de ônibus. Eu estava me concentrando na sobrevivência; não havia tempo para desmoronar.”

Ele dormiu no sofá de um amigo, depois alugou um quarto vago barato, onde ainda mora. Sheila, 52, e Enzo, agora com 10, moram em um pequeno apartamento alugado a 10 minutos de distância. É o único arranjo de vida que a família pode pagar.

Jonathan Knowles com Sheila e filho Enzo

Jonathan Knowles com Sheila e seu filho, Enzo, no Brasil. Eles dizem que o processo judicial reaberto é sua última esperança de ter dinheiro suficiente para viver como uma família sob o mesmo teto. Fotografia: Cortesia de Jonathan Knowles

Knowles diz: “Levá-los para a Grã-Bretanha foi um grande passo. Antes de eles chegarem, nos comunicávamos diariamente pelo WhatsApp. Eu tentaria explicar a Sheila meus temores de saúde a longo prazo para Enzo. As pessoas estavam compartilhando imagens em grupos de mídia social de erupções cutâneas que desenvolveram e peixes com desfigurações que você esperaria de um incidente nuclear. Tentei explicar que o que afetou os peixes hoje pode deixar um legado para os humanos no futuro.”

O processo judicial, diz ele, é sua única esperança de reunir sua família sob o mesmo teto. A luta legal foi lançada em 2018 pelo escritório de advocacia internacional PGMBM em nome de seus mais de 200.000 reclamantes. O caso foi arquivado pelo tribunal superior em janeiro de 2021, após uma contestação da BHP, e depois pelo tribunal de apelação em março de 2021, em apoio ao caso da BHP de que reivindicações e um esquema especial de compensação já estavam em andamento no Brasil .

No entanto, os juízes de apelação concederam uma rara oportunidade de reabrir o caso em julho passado, abrindo caminho para outra decisão, prevista para abril. Os juízes descreveram o caso como de “excepcional importância, tanto pelo número de reclamantes quanto pela importância para eles de obter a indenização a que possam provar ter direito”.

O tribunal acrescentou “que, de qualquer forma, a situação enfrentada pelo tribunal era difícil e nova” e “se beneficiaria de uma consideração completa e completa por este tribunal”. A BHP sustentou que o processo não pertence ao Reino Unido.

A família de Knowles não recebeu nenhuma compensação no Brasil, onde a Samarco, a BHP e a Vale estabeleceram a Fundação Renova para mitigar as consequências ambientais do colapso e indenizar indivíduos e algumas pequenas empresas por perdas e danos. Destina-se a fornecer reparação total, mas foi criticado por sua constituição, velocidade e justiça, o tribunal de apelação ouviu. O tribunal também observou deficiências no sistema de justiça brasileiro.

Equipes de resgate em um mar de lama com uma caminhonete meio enterrada ao fundo.
Equipes de resgate buscam vítimas do desastre em Bento Rodrigues em 2015. Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A BHP disse ao Guardian que, até novembro de 2021, a Renova gastou mais de R$ 19,6 bilhões em projetos de reparação e reabilitação ambiental e econômica, incluindo R$ 7,78 bilhões em compensação e ajuda financeira a 359.000 pessoas. Eles introduziram um novo sistema simplificado de indenização em agosto.

A casa da família Knowles ainda está de pé, mas eles não conseguiram vendê-la. “O que aconteceu não pode ser reparado ou colocado de volta, então tudo se resume à sobrevivência. Minha família e eu não temos mais um lugar próprio para morar; perdemos a coisa mais fundamental – um teto sobre nossas cabeças.

“Para ver este caso e receber dinheiro suficiente para um depósito, para começar de novo, corretamente, é tudo o que ousamos esperar.”

Encontre mais cobertura sobre a idade da extinção aqui e siga os repórteres de biodiversidade Phoebe Weston e Patrick Greenfield no Twitter para obter as últimas notícias e recursos


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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [   ].

PL dos planos de saúde acessíveis beneficia operadoras e prejudica usuários

hospitalFoto: HUSH NAIDO / UNSPLASH

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Em tramitação no Senado, o Projeto de Lei dos Planos de Saúde Acessíveis (PL n. 7.419/2006) propõe novas modalidades de planos e mudanças na regulação do setor. O projeto traz benefícios às operadoras em detrimento dos usuários e impacta negativamente também no Sistema Único de Saúde (SUS), com propostas como o aumento da coparticipação para 50% e a flexibilização dos procedimentos e eventos assegurados pelo plano, sem seguir a cobertura mínima determinada pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Assim, o usuário arca com a falta e dificuldade de acesso a procedimentos, demanda que é absorvida pelo setor público. A análise é de pesquisadores da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FD/USP), publicada na sexta (11) na “Revista de Direito Sanitário”.

Os pesquisadores examinaram documentos oficiais relativos ao projeto, considerando suas justificativas econômicas e possíveis impactos das medidas no acesso à saúde. Mesmo se não aprovado, o PL é representativo de pautas comumente defendidas como solução para problemas característicos do setor, assim como das possíveis consequências de reformas para a efetivação do direito constitucional à saúde. Tal discussão ganhou mais espaço com a queda no número de beneficiários de planos privados, que se intensificou com a crise econômica de 2016 e com a pandemia.

Considerando o caráter emblemático do projeto, o relatório teve como objetivo averiguar a suposta eficiência econômica das propostas, defendida em seu lançamento, e prever possíveis efeitos práticos no sistema de saúde brasileiro. A pesquisadora Ana Luisa Romão, autora do artigo e doutoranda em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da USP, afirma que as novas modalidades de planos podem parecer atraentes em um primeiro momento, mas servem muito mais ao interesse das operadoras de saúde do que da população. “Este setor atrai cortando custos, a partir do oferecimento de modalidades de plano de saúde mais baratas e simplificadas. Mas elas vêm com um preço, na queda de cobertura e na dificuldade de obter atendimento. É importante que a sociedade tenha ciência disso, de que algo que é teoricamente para aumentar o acesso do cidadão à saúde, na verdade, diminui”, diz.

A falta de cobertura do sistema privado também impacta o sistema público, aumentando filas e gastos: “O consumidor paga o plano e, na hora que precisa, tem uma cobertura deficitária e é obrigado a usar o serviço público. Os serviços básicos ficam no atendimento privado e os de maior complexidade, que são áreas historicamente deficitárias, são jogados para o sistema público, que também perde com esse gasto”, explica Romão.

A pesquisadora afirma que é necessário acompanhar os projetos legislativos e de mudanças na regulação do setor, avaliando as propostas para além do que é mais aparente. “Nem sempre colocar algo como acessível necessariamente trará o benefício de acessibilidade aos serviços. É uma briga que vai continuar, e a que se precisa estar atento para não se deixar levar por discursos muito fáceis, de que se é barato, é bom. Não necessariamente. Às vezes, o barato sai caro”, conclui Romão.

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Este foi publicado originalmente pela Agência Bori [Aqui!].

Desmatamento na Amazônia: Deter 2022 registra o pior fevereiro da série histórica

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Monitoramento de Queimadas na Amazônia em setembro de 2021. © Victor Moriyama / Amazônia em Chamas

Manaus, 11 de março de 2022 – Dados do sistema Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, reafirmam que o desmatamento na maior floresta tropical do planeta segue fora de controle. Entre os dias 1º e 28 de fevereiro, os alertas apontam para um total de 199 km² desmatados. Isso representa um aumento de 62% em relação ao mesmo mês de 2021. É a maior área com alertas para o mês desde 2016, quando foram iniciadas as medições do Deter-B. Os alertas de desmatamento se concentram principalmente nos estados de Mato Grosso, Pará e Amazonas.

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Área dos alertas de desmatamento do programa DETER-B do mês de fevereiro | Fonte: INPE

“Os dois primeiros meses deste ano tiveram áreas recordes da série histórica, no acumulado já são 629 km² mais do que o triplo do que foi observado no ano passado, 206 km² desmatados . Isso tudo em um período no qual o desmatamento costuma ser mais baixo por conta do período chuvoso na região. Este aumento absurdo demonstra os resultados da falta de uma política de combate ao desmatamento e dos crimes ambientais na Amazônia, impulsionados pelo atual governo. A destruição não para”, afirma o porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista.

Publicado na última segunda-feira (7), um estudo da Universidade de Exeter revelou que a floresta amazônica está perdendo sua capacidade de manutenção, chegando em um “ponto de não retorno”. De acordo com o estudo, três quartos da floresta estão apresentando uma resiliência cada vez menor contra secas e outros eventos climáticos adversos e, portanto, estão menos capazes de se recuperar. Assim, a previsão é de que grandes áreas irão começar a se transformar em um bioma mais parecido com uma área de floresta degradada e mais seca, gerando riscos para a biodiversidade e para o clima em escala global e intensificando a ocorrência de eventos climáticos extremos. 

“Na mesma semana em que milhares de pessoas se reuniram em Brasília, no Ato pela Terra, para exigir que o governo e o Congresso parem com o Pacote da Destruição, esse estudo publicado, a aprovação de urgência do PL da mineração em terras indígenas e os recordes dos alertas de desmatamento nos levam a refletir sobre o destino da Amazônia e seus povos. Além disso, quanto mais desmatamento, maior é a contribuição do país com a emissão de gases do efeito estufa, agravando ainda mais a crise climática e acelerando os eventos extremos como as chuvas torrenciais que vimos esse ano no Brasil. Os dados de fevereiro apontam para mais um ano em que o Brasil caminha na contramão do combate à destruição ambiental e dos direitos dos povos indígenas”, complementa Batista.

O peso da “esperteza” local nos preços da gasolina

preços abusivos

Não é segredo que a atual política de preços dos combustíveis adotada desde o governo do presidente “de facto” Michel Temer vem punindo os brasileiros, especialmente os trabalhadores que estão vivendo com os efeitos de um período de inflação alta que tende a se acelerar com o “mega aumento” determinado pela direção da Petrobras.

Mas a alta de preços dos combustíveis tem também uma faceta local que explicita a presença de “espertos” que se valem da situação para vender seus produtos a preços mais exorbitantes antes que tenham que comprar com os valores novos impostos pela política de preços da Petrobras.

Eu dou um exemplo perto de casa: ontem saí de casa para abastecer em um posto de uma franquia local (chamemos assim por falta de melhor nome) que até o início da noite cobrava R$ 7,04 por cada litro vendido de gasolina. Eis que ao olhar para a faixa onde os preços são colocados, o valor já tinha sido elevado para R$ 7,69! Diante da alta precoce não resisti e perguntei ao frentista se o aumento não havia chegado antes do tempo, e restou a ele dizer que a ordem para mudar havia sido dada e aquele era o preço que eu teria de pagar se quisesse abastecer ali.

Como achei que esse era um comportamento abusivo, resolvi ir até o posto que fica na esquina de Sete de Setembro e Rua dos Goitacazes para tentar uma sorte melhor e fui “premiado” com o encontro do preço “antigo” que era 39 centavos mais barato do que o novo do outro posto. O detalhe é que o primeiro posto é “sem bandeira” e outro é “Petrobras”, o que coloca a questão da origem e qualidade do combustível que cada um vende.

Moral da história: se não quisermos premiar as “espertezas” que estão ocorrendo em meio à política de preços da Petrobras, vamos ter que procurar estabelecimentos cujos proprietários não recorram a práticas que nos punem ainda mais em nome de uma taxa de lucro ainda maior em um setor nos quais a grande maioria dos trabalhadores é mal paga e expostos a condições altamente precárias de trabalho.

Barragem de rejeitos da Arcelormittal, em Itatiaiuçu (MG), subiu para o Nível 3 de Emergência

Atingidos que vivem no entorno da barragem ficaram sabendo através da imprensa sobre alteração do nível de segurança da estrutura. Em 2019, famílias que vivem no entorno da estrutura precisaram deixar suas casas por conta do risco de rompimento da barragem

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 Por Coletivo Nacional de Comunicação do MAB

Atingidos de Itatiaiuçu descobriram hoje, 09, através da imprensa que a barragem que integra a Mina Serra Azul da ArcelorMittal teve o seu nível de emergência alterado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) no último dia 23 de fevereiro, após a publicação da resolução que instituiu novas normas sobre segurança de barragens no país.

Até essa data, a mineradora não havia feito nenhum comunicado aos moradores, que estão totalmente vulneráveis em caso de rompimento, sobre a alteração do nível de emergência de 2 para 3. Segundo Pablo Dias, da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a falta de informações seguras e claras por parte da mineradora agrava ainda mais o estado emocional dos atingidos. “Essa situação só aumenta o sofrimento dos moradores que convivem diariamente com a incerteza sobre o risco que suas famílias estão correndo diante da falta de clareza sobre as condições de segurança de uma barragem que armazena mais de 5 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro. Muitos desenvolvem diversos transtornos psíquicos, adoecem e acabam tendo, inclusive, dificuldades de trabalhar por conta do abalo psicológico”, afirma o coordenador.

Em 2019, atingidos pela barragem foram obrigados a deixar suas casas por conta do risco de rompimento da estrutura. Três anos após a evacuação, a população denuncia a lentidão na execução das ações de reparação por parte da mineradora. As remoções tiveram início logo após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (em 25 de janeiro de 2019). No primeiro momento, cerca de 200 moradores das comunidades Vieiras, Lagoa das Flores, Pinheiros e Retiro Colonial foram retirados de suas residências. Posteriormente, outras pessoas foram notificadas para deixarem suas casas.

Na época, após vistorias da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de ações de fiscalização do Ministério Público Federal (MPF), dezenas de barragens do país foram consideradas inseguras e ficaram impedidas de operar. As evacuações foram determinadas para os casos mais preocupantes, porém, poucas ações foram executadas para garantir a segurança da população atingida desde então.

No último mês, os moradores de Itatiaiuçu fizeram um ato no município para denunciar que seguem aguardando o  pagamento das indenizações, o levantamento da desvalorização dos imóveis, o reconhecimento de danos morais, a garantia de moradia aos caseiros e inquilinos, além do reconhecimento da perda de renda dos comerciantes.

Em seu canal de atendimento, a ArcelorMittal informou que o nível de emergência da barragem foi alterado automaticamente após modificação da legislação da Agência Nacional de Mineração, mas não comunicou o risco de rompimento. Segundo a companhia, a barragem continua monitorada e mantém as mesmas condições de segurança desde o acionamento do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração em 2019. Ainda assim, a população cobra um diálogo com informações mais claras por parte da mineradora acerca da segurança da barragem e das ações de prevenção que estão sendo implementadas diante do novo nível de emergência.


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Este texto foi inicialmente publicado no site oficial do MAB [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: a tsunami de agrotóxicos do governo Bolsonaro não para e mais 25 produtos foram liberados hoje

brasil agro

A tsunami de agrotóxicos do governo Bolsonaro não para. No dia de hoje, por meio do Ato No. 14 de 7 de março de 2022 foram liberados mais 25 agrotóxicos. Agora o “grand total” do governo Bolsonaro chegou a 1.634 agrotóxicos liberados desde janeiro de 2019.

Como sempre ocorre na publicação de novas liberações de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, nos próximos dias irei postar a planilha individual do Ato No. 14 de 07 de março e a outra com todos os 1.634 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro desde janeiro de 2019.

Mais uma coisa é certa: a sede por venenos agrotóxicos do latifúndio agro-exportador nacional não tem mesmo fim.

Nossa água não mata sede…mata quem a bebe!!!!!!

drinking poison

Por Douglas da Mata

O cinema, na minha opinião, tem o poder de elevar certas narrativas biográficas a um patamar de reflexão (algumas vezes em caráter coletivo) que nenhuma outra forma de manifestação artística alcança…

Vejam, esta é só minha opinião…

Tem gente que acha que este poder é da música, das artes visuais (pintura, escultura, fotografia, etc.), teatro, dança…

Eu prefiro o cinema…

Neste diapasão, dois filmes me marcaram violentamente, dentre tantos outros…

Erin Brockovich…e Dark Waters, o primeiro protagonizado por Julia Roberts, e o segundo, Mark Ruffalo…

Tratam do mesmo tema: a sistemática e criminosa ação de grandes grupos empresariais na contaminação do abastecimento de água de enormes contingentes populacionais com substâncias capazes de causar danos mortais, e em outros casos, irreparáveis aos sobreviventes…

A PG & E (sigla para Pacific Gas and Eletric Company) e a Du Pont foram as empresas desmascaradas pela ação implacável dos heróis retratados nos filmes, que como cabe a um bom enredo hollywoodiano sofrem antes com a descrença de todos, abalos familiares pela persistência que chega às raias da obsessão, e claro e principalmente, com os efeitos de desafiarem o enorme poder econômico destas megacorporações, suas ramificações na mídia e em governos!

No caso da PG&E, a substância era o cromo hexavalente, um tipo de insumo usado para evitar a corrosão das peças da usina geradora de energia pelo contato constante com a água de resfriamento e outros processos…

O cromo hexavalente era jogado no lençol freático quando a água residual dos processos era acumulada sem qualquer proteção em enormes tanques, que por óbvio, infiltravam no subsolo…

Já no caso da Du Pont, a substância empregada era o Ácido Perfluoroocatnóico, ou C8, como era conhecido na indústria…

O filme com Mark Ruffalo, apesar das óbvias diferenças entre os personagens, segue o mesmo caminho…

Merecem ser vistos, por isso nada mais contarei sobre ele…

O fato é que estamos vivendo situação parecida há décadas em nossa cidade e em nossa região…

Em um país com históricos números de péssimo atendimento em saneamento básico (água potável e recolhimento e tratamento de resíduos) a questão da água sempre foi pautada por muita desinformação, manipulação e crime!

Durante anos e anos, setores empresariais e agro empresariais captaram volumes enormes de água como insumo para suas atividades, sem qualquer pagamento, e depois, com pagamentos muito aquém do real custo do uso do recurso…

Ao mesmo tempo, as cidades dividiram o uso e consumo da água com a mesma lógica hierárquica de sempre: pobres com pouca água, e de baixa qualidade, e ricos com muita oferta e boa qualidade de água…apesar dos pobres pagarem proporcionalmente muito mais pelo produto…

Agora, nos parece que o problema afeta a todos, já que todos bebem água…envenenada…

Na cidade de Campos dos Goytacazes, e em tantas outras pelo país, as empresas de água seguem produzindo água com níveis preocupantes de substâncias tóxicas, que é oferecida todos os dias, como uma morte lenta e anunciada os cidadãos…

Faço referência ao texto do companheiro e Professor Marcos Pedlowski (aqui)

O mapa da água nos revela que não estamos em situação muito diferente dos vizinhos das plantas da PG&E ou da Du Pont…

Esta questão deveria trazer à tona um tipo de indignação coletiva desenfreada e extrema…

Imagine se alguém te disser que adiciona um pouco de veneno à sua comida todos os dias…

É o que empresas, agronegócio e empresas de captação e venda de água estão fazendo…

Como nos relatórios da PG&E, ou da Du Pont, os dados  do Mapa da Água estão aí para quem quiser ver…

Certamente alguém, contaminado pelos interesses econômicos (desculpem o trocadilho), lhes dirá que não tem jeito, como fazer para resolver um problema sem onerar este sistema?

Ora, ora, ora, senhores…

Se de fato houvesse presidentes, governadores, prefeitos, parlamentares, procuradores municipais, promotores, órgão de fiscalização, entidades de classe, enfim, se houvesse sociedade civil e entes públicos e estatais dispostos a enfrentar a questão, a solução é óbvia:

– Responsabilizar civil e criminalmente toda a cadeia produtiva e econômica vinculada ao uso de água e despejo de rejeitos tóxicos no ambiente, como agro negócio, empresas de fertilizantes e agrotóxicos, empresas de saneamento, gerando valores indenizatórios e tributações específicas para arcar com os elevadíssimos custos do tratamento de pessoas envenenadas e para prevenção e correção dos níveis de contaminações futuras!!!!!

Não enxergo ninguém, seja na direita ou na esquerda, seja o Prefeito Wladimir Garotinho, sejam seus desafetos na Câmara de Vereadores, ou sua base de apoio que sejam capazes de enfrentar este problema com, digamos, o básico: coragem…

Não, não vejo…

Até porque, Vossas Excelências, ao contrário de boa parte de nós, mortais (e com nossa água, cada vez mais mortais), podem pagar água mineral…

Eu acho que ficaremos à espera de algum filme, algum herói improvável…algum tipo de ilusão dramática e trágica, como Chagas Freitas se banhando no Paraíba do Sul…


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Este texto foi publicado inicialmente pelo blog “Peido News” [Aqui!].

Mineração em terras indígenas não resolve problema dos fertilizantes, diz Coalizão Brasil

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A integridade ambiental das terras indígenas, áreas cruciais para a estabilidade climática do país, está em risco caso a Câmara dos Deputados aprove, sem discussões mais aprofundadas e melhoras substanciais, o Projeto de Lei (PL) 191/2020, que permite a lavra de recursos minerais e o aproveitamento de energia elétrica naqueles territórios. A avaliação é da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento formado por mais de 300 representantes do agronegócio, sociedade civil, setor financeiro e academia.

A possível votação do PL em regime de urgência está sendo justificada com o equivocado argumento de que a mineração em terras indígenas resolveria a escassez de fertilizantes, em especial potássio, vindos da Rússia, na esteira da guerra entre aquele país e a Ucrânia.

A Coalizão Brasil conclui que o PL não resolve o problema no fornecimento de fertilizantes para o agronegócio, ao analisar dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Serviço Geológico Brasileiro coletados pela Universidade Federal de Minas Gerais:

  • dois terços das reservas brasileiras de potássio – matéria-prima da qual o Brasil é muito dependente da Rússia – estão fora da Amazônia;
  • somente 11% das reservas brasileiras de potássio na Amazônia estão sobrepostas a terras indígenas;
  • a ANM conta com mais de 500 processos ativos de exploração de potássio em andamento e que poderiam ser viabilizados sem agressão aos territórios dos povos originários.

A Coalizão defende que o Congresso volte sua atenção para outra discussão urgente: os diversos obstáculos encontrados no país para a produção de fertilizantes, como a insegurança jurídica, o sistema tributário e outros problemas regulatórios, que fazem com que produtos importados sejam mais competitivos do que os nacionais.

O posicionamento da Coalizão Brasil declara que: “A guerra entre Rússia e Ucrânia, portanto, não deve ser um pretexto para a aprovação de um PL que ainda não foi adequadamente debatido pela sociedade e, sobretudo, não foi consultado com as organizações representativas dos povos indígenas, os maiores interessados no assunto.

Confira a íntegra do texto a seguir:

 Mineração em terras indígenas não resolve problema dos fertilizantes

A integridade ambiental das terras indígenas, áreas importantíssimas para a estabilidade climática e proteção da diversidade cultural do país, pode estar em risco se a Câmara dos Deputados aprovar, sem discussões mais aprofundadas e melhorias substanciais, o Projeto de Lei (PL) 191/2020, que permite a lavra de recursos minerais, a construção de hidrelétricas e a agricultura industrial naqueles territórios.

O PL voltou à baila na última semana e pode ter um requerimento de urgência para sua votação aprovado a qualquer momento, sem passar pelas devidas análises de comissões competentes. A possível votação em regime de urgência está sendo justificada com o equivocado argumento de que a mineração em terras indígenas resolveria a escassez de fertilizantes, em especial potássio, vindos da Rússia, na esteira da guerra entre aquele país e a Ucrânia.

O garimpo em terras indígenas não resolve o problema dos fertilizantes. De acordo com um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais, realizado a partir de dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Serviço Geológico Brasileiro, dois terços das reservas brasileiras estão fora da Amazônia. E, mesmo naquelas localizadas no bioma, somente 11% estão sobrepostas a terras indígenas. A ausência de sobreposição significativa de reservas de potássio e terras indígenas foi também confirmada por um estudo independente realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração.

Ainda de acordo com a pesquisa da UFMG, caso sejam feitos investimentos para a extração de potássio contido nos diferentes tipos de sais e rochas potássicas, as reservas existentes no país poderiam nos conferir autonomia para além de 2100.

Além disso, a ANM conta com mais de 500 processos ativos de exploração de potássio em andamento e que poderiam ser viabilizados sem agressão aos territórios dos povos originários.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, portanto, não deve ser um pretexto para a aprovação de um PL que ainda não foi adequadamente debatido pela sociedade e, sobretudo, não foi consultado com as organizações representativas dos povos indígenas, os maiores interessados no assunto.

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento formado por mais de 300 representantes do agronegócio, sociedade civil, setor financeiro e academia, defende que o Congresso volte sua atenção para outra discussão urgente — os diversos obstáculos encontrados no país para a produção de fertilizantes, como a insegurança jurídica, o sistema tributário e outros problemas regulatórios, que fazem com que produtos importados sejam mais competitivos do que os nacionais.

Abrasco aponta como perigosa a suspensão precoce de máscaras em espaços fechados na cidade do Rio de Janeiro

Suspensão das máscaras em espaços fechados: medida intempestiva que nega a realidade da pandemia

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Foto da arte: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) considera precoce e intempestiva a medida anunciada pela Prefeitura do Rio de janeiro de suspender a obrigatoriedade do uso de máscaras em espaços fechados.

O Brasil e o mundo ainda se encontram em uma situação de pandemia, com imensas desigualdades no acesso as vacinas dentro e fora do país. Além disto, ainda não temos a real magnitude do incremento de casos provocados pelas aglomerações do feriado de carnaval, o que exige prudência e precaução até que possamos ter uma avaliação mais sólida da situação da pandemia no município do Rio de Janeiro, bem como na região metropolitana.

Nenhum município é uma ilha. Análises e decisões devem considerar o contexto local, mas também regional. Além disso, com o início das atividades escolares, é fundamental que sejam exigidos passaportes vacinais em todas as escolas (públicas e privadas), principalmente as que envolvem os segmentos com faixas etárias de 5 a 11 anos, uma vez que apenas 8,4% destas crianças possuem esquema vacinal completo. O reforço vacinal (3ª dose), atingindo apenas 42,3% da população, também caminha muito lentamente, fazendo com que a eliminação das medidas de proteção físicas (máscaras, distanciamento social e lavagem de mãos) se torne um ato precoce.

Não será negando a realidade que o Brasil poderá voltar ao normal, senão, ao contrário, enfrentando com responsabilidade e maturidade seus desafios sociais e sanitários, tendo como base os princípios da equidade no acesso às vacinas e da precaução na adoção de medidas de proteção.

Rio de Janeiro, 08 de março de 2022

Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva

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Este texto foi publicado inicialmente pela Abrasco [Aqui!].

Evento online discute a desnaturalização dos desastres, com foco no caso de Petrópolis

Webinário acontece nesta quinta, dia 10/3, com transmissão aberta via YouTube

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Nesta quinta-feira, dia 10, às 18h30, será realizado o webinário “Desnaturalizando os Desastres: o caso de Petrópolis/RJ” . O objetivo é discutir a necessidade de desnaturalização dos desastres, com foco no caso recente ocorrido no município de Petrópolis (RJ), no último dia 15 de fevereiro, que fez mais de 230 vítimas e já está entre as maiores tragédias do País. De acordo com os organizadores, sob a perspectiva da desnaturalização de desastres, não há nada de “natural” nessas catástrofes – e isso se verifica pelo histórico desses eventos na cidade e seus nexos sócio-históricos. 

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Além da abertura às 18h30, estão previstas duas rodas de debates com pesquisadores, especialistas, ativistas da área e comunidade petropolitana. Confira a programação completa  (Aqui!). A transmissão aberta acontece pelo canal da plataforma AirCentre no YouTube (Aqui!). 

Na ocasião, será lançado o 45º volume da Revista Ciência & Trópico. A revista é resultado do “II Seminário de Desnaturalização de Desastres e Mobilização Comunitária: crises ampliadas, redes e resistências”. Em sua última edição, ocorrida de 4 a 8 de outubro de 2021, o seminário abordou temas ligados à desnaturalização de desastres sob diversas perspectivas – sempre com vistas à defesa da vida humana e da preservação ambiental – desde o aspecto da mídia, das mobilizações comunitárias, das questões de gênero e dos desafios da gestão. 

O webinário e a revista são uma iniciativa conjunta de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (RJ); do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres (NEPED) do Departamento de Ciências Ambientais (DCAm) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR); do Núcleo de Pesquisas e Estudos Socioambientais (NESA) da Universidade Federal Fluminense (UFF – Campos); da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); da Pós-Graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social do Instituto de Psicologia – Programa EICOS, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ); e conta também com o apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). 

Mais informações podem ser acessadas neste documento: [Aqui!].