Um mês da tragédia em Petrópolis: ação do Greenpeace Brasil homenageia as vítimas e cobra medidas do Estado para evitar novas catástrofes

Ato simbólico com 233 sinalizadores e coroas de flores simbolizam a urgência de ações para o enfrentamento da crise climática

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Ativistas do Greenpeace Brasil homenageiam as vítimas de Petrópolis no Palácio Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro, e pressionam para que seja decretado emergência climática | Foto: Gabrielle Souza / Greenpeace

Rio de Janeiro, 15 de março de 2022 – Hoje (15) completa um mês das chuvas intensas que culminaram em uma grande tragédia na cidade de Petrópolis (RJ). Nesta manhã, o Greenpeace Brasil levou para a frente do Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, 233 sinalizadores e coroas de flores representando as 233 vidas perdidas e contabilizadas até o momento. A ação teve como objetivo prestar homenagem às vítimas das enchentes e deslizamentos que atingiram o município no mês passado, além de pressionar o governador Cláudio Castro para que decrete Emergência Climática e execute imediatamente o plano de adaptação.

Apesar do Rio de Janeiro possuir este plano, não existem estratégias de implementação, prazos ou etapas de execução, e tampouco orçamento. Aliás, o governo do estado não usou nem metade do orçamento previsto para o ano passado do Programa de Prevenção de Catástrofes do Rio de Janeiro. Em 2021, foram utilizados R$165 milhões dos R$402 milhões disponíveis – dinheiro que poderia ter sido destinado a obras de infraestrutura.

Para o porta-voz de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus, a ação da organização em frente ao Palácio Guanabara é uma forma de pressionar o poder público para que mais tragédias como essa não ocorram: “As fortes chuvas no mês de fevereiro levaram 233 vidas em Petrópolis, mas o que ocorreu na região é um exemplo da falta de implementação de direitos básicos e execução de um plano de adaptação climática no Estado. O Rio de Janeiro precisa decretar Emergência Climática e implementar efetivamente o seu plano de adaptação, elaborando-o junto às populações mais impactadas. Essas são ações fundamentais para que o Estado se antecipe às próximas catástrofes”.

Além de ações como essa em frente ao Palácio Guanabara, o Greenpeace Brasil também tem trabalhado para fortalecer iniciativas que já estão sendo desenvolvidas nos territórios. No caso de Petrópolis, a organização destinou recursos por meio de parceiros locais para a compra de mantimentos, roupas e necessidades urgentes para as famílias atingidas pela catástrofe, além de iniciar uma petição para que os estados decretem Emergência Climática e executem planos de adaptação, evitando que novas tragédias ocorram e que mais vidas sejam perdidas.

Confira as principais imagens da ação

Gastos com agrotóxicos na soja foram de R$ 31,4 bilhões só em 2021

Fungicidas para controle da ferrugem asiática movimentaram R$ 9 bilhões

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Por: AGROLINK -Leonardo Gottems

O mercado brasileiro de defensivos agrícolas (leiam-se AGROTÓXICOS) para a soja faturou R$ 31,4 bilhões na temporada 2020-21, aponta recém-concluído estudo da consultoria Spark Inteligência Estratégica. O resultado representou alta de 17% ante o ciclo 2019-20 (R$ 26,7 bilhões).

A expansão se deve, em grande parte, ao crescimento na área plantada de 5% na safra 2020-21, para acima de 38 milhões de hectares. Com isso, a soja seguiu na posição de principal mercado do setor de defensivos agrícolas (leia-se AGROTÓXICOS), de acordo com o BIP (Business Inteligence Panel).

De acordo com o coordenador de projetos da Spark, Lucas Alves, o segmento de fungicidas liderou novamente a comercialização de agroquímicos (leia-se AGROTÓXICOS) para soja, com 41% das vendas ou R$ 12,8 bilhões. Desse montante, produtos voltados ao controle da ferrugem asiática ou ferrugem da soja movimentaram R$ 9 bilhões, uma elevação de 10% comparada à safra 2019-20. Os fungicidas como um todo tiveram alta da ordem de 13%.

Os dados do BIP Spark por categoria de produtos mostram o segmento de inseticidas na segunda posição do ranking, com 25% de participação e vendas de R$ 7,880 bilhões, uma variação positiva aproximada de 23% ante o ciclo anterior (R$ 6,39 bilhões). Já os herbicidas ocuparam a fatia de 22% do total. A comercialização destes produtos chegou a R$ 6,940 bilhões, cerca de 19% acima do período 2019-20 (R$ 5,79 bilhões).

Ainda de acordo com a Spark, produtos para tratamento de sementes, com 8% das vendas totais, avançaram 13,5%, para R$ 2,427 bilhões, contra R$ 2,138 bilhões. Outros produtos, que equivaleram a 4% do mercado de agroquímicos para soja, fecharam a safra 2020-21 com crescimento de 20%, para R$ 1,361 bilhões ante R$ 1,129 bilhões.

De acordo com Lucas Alves, a ferrugem asiática constitui hoje a preocupação central do sojicultor na safra. A doença identificada em 2001, explica ele, representa risco elevado à produtividade e enseja diferentes estratégias de manejo, sobretudo em virtude do desenvolvimento de resistência, pelo fungo causador da ferrugem (Phakopsora pachyrhizi), a determinados ingredientes ativos de fungicidas.

“Esse cenário elevou a taxa de utilização dos ‘fungicidas multissítios’ de 6% na safra 2014/15 (R$ 75 milhões), para 70% no ciclo 2020-21 (R$ 2,5 bilhões). Mais de 26 milhões de hectares da oleaginosa receberam tratamentos com esses produtos na última safra”, enfatiza Alves. 

Ele acrescenta que os ‘multissítios’ são empregados, principalmente, no manejo de resistência do fungo Phakopsora pachyrhizi. A prática consiste na alternância da aplicação de fungicidas com diferentes modos-de-ação, e preserva a eficácia das tecnologias no controle da doença.

“O manejo da ferrugem é realizado de maneira preventiva. Realizam-se, em média, de 3,5 a 4 aplicações desses produtos”, complementa. Conforme Alves, outras doenças da soja, que nos últimos anos eram consideradas ‘secundárias’, ganharam mais relevância no mercado de fungicidas.

A Spark realizou pesquisa com mais de 3,8 mil entrevistas junto a produtores rurais das principais regiões produtoras da oleaginosa no Brasil.


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Este texto foi publicado originalmente pelo portal Agrolink [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: com liberação de mais 25 agrotóxicos, governo Bolsonaro totaliza 1.660 liberações em 39 meses e 1,4 por dia

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Jair Bolsonaro e Tereza Cristina seguem com a marcha desenfreada de liberações de venenos agrícolas altamente tóxicos

Em uma demonstração óbvia de que não está esperando pela aprovação do Pacote do Veneno também no Senado Federal, o governo Bolsonaro liberou por meio do Ato No. 14 de 07 de março um total de 25 agrotóxicos do tipo “produto técnico”, levando seu “grand total” a 1.660 venenos agrícolas liberados em 1.169 dias de governo, o que dá a média de 1,4 agrotóxicos liberados por dia. Até para um país cuja agricultura de exportação está firmemente aprisionada na dependência química, esses números são de assombrar qualquer um que se preocupa com os ecossistemas nacionais e a saúde dos brasileiros.

Agrotóxicos proibidos na União Europeia circulam livremente no Brasil

Brasil é 2º maior comprador de agrotóxicos proibidos na Europa, que importa  alimentos produzidos com estes químicos

Um aspecto repetitivo de toda essa onda de aprovações é a presença de produtos banidos na União Europeia cuja legislação pode ser considerada mais rígida do que a brasileira. A “estrela” do Ato No. 14, com 7 produtos liberados, é o Espirodiclofeno, um acaricida que foi proibido na União Europeia (UE) em julho de 2020. Mas além desse, esse ato mais recente também liberou o fungicida Epoxiconazol que está proibido na UE desde abril de 2020.

De quebra, outro “proibidão” liberado foi o fungicida Carbendazim que está proibido desde 2014 após ter sido relacionado a uma ampla gama de doenças que incluem embriotoxicidade, apoptose, teratogenicidade, infertilidade, disfunção hepatocelular, efeitos de desregulação endócrina, interrupção de funções hematológicas, anomalias do fuso mitótico, efeito mutagénico e aneugênico.

Mas apesar de todos esses efeitos, o governo Bolsonaro liberou 10 agrotóxicos contendo o princípio ativo do Carbendazim, uma substância pertencente ao grupo químico Benzimidazol.

A predominância da China como principal fornecedora de agrotóxicos para o Brasil

Agrotóxicos produzidos na China são maioria no pacote de venenos aprovado  pelo governo Bolsonaro |

Outra característica de liberações anteriores que se repetiu no Ato No. 14 foi a forte presença de empresas chinesas no fornecimento de venenos agrícolas para a agricultura nacional, na medida que 24 dos agrotóxicos serão produzidos por empresas sediadas na China. Entretanto, a única exceção que foi o fungicida Pidiflumetofem é produzido na Suiça pela Syngenta, que também é uma empresa chinesa.

Um dado expressivo sobre a dependência brasileira da indústria chinesa de agrotóxicos é que dos 1.660 agrotóxicos liberados nos 39 meses de governo Bolsonaro, 1.001 são “Made in China”, um número que ainda não representa a totalidade do impacto chinês, na medida em que empresas sediadas em países como a Suiça (Syngenta) e Israel (Adama) são de fato propriedade da ChemChina, fundada em 1984, que é um empresa química estatal chinesa que atua nos segmentos de produtos agroquímicos,  borracha, materiais químicos e especialidades químicas, equipamentos industriais e processamento petroquímico para os setores civil e militar.

Com uma 1,4 agrotóxico liberado por dia, governo Bolsonaro deverá ultrapassar 2.000 agrotóxicos liberados em 4 anos de mandato, um verdadeiro recorde mundial

Transgênicos e agrotóxicos: dois “temperos” ocultos na comida do brasileiro  |

Se o governo Bolsonaro mantiver sua média diária de liberações de venenos agrícolas  é de 1,42 por dia, o mais provável é que a dupla Jair Bolsonaro e Tereza Cristina coloquem mais de 2.000 agrotóxicos em um mercado já saturado deste tipo de produto altamente tóxico, o que invariavelmente nos levará a uma crise sanitária em alguns anos, dada a toxicidade de muitos dos produtos que estão sendo liberados, digamos, com sofreguidão.

Por isso tudo é que repito ser fundamental que haja um amplo debate em torno do modelo de agricultura viciada em agrotóxicos que hoje é hegemônica. O fato é que além de ser altamente poluentes e tóxicos, os agrotóxicos são hoje protegidos por uma série de benesses fiscais, causando fortes perdas financeiras a economia brasileira.

É passada a hora de se deixar de premiar o latifúndio agro-exportador e as corporações químicas às custas da degradação ambiental e do envenenamento da água e dos alimentos que os brasileiros consomem.

Quem desejar baixar a planilha contendo os 25 agrotóxicos liberados pelo Ato No. 14, basta clicar [Aqui!]. Para os interessados em baixar a planilha contendo os 1.660 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro, basta clicar [Aqui!].

Certificadora “Red Tractor” não regulamenta uso de agrotóxicos que chegam nos supermercados do Reino Unido

Pesquisa considera o esquema de garantia agrícola e alimentar ineficaz para ajudar os agricultores a reduzir o uso de produtos químicos nocivos

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Um pulverizador químico em ação. Estudos recentes revelaram declínios globais alarmantes nas populações de insetos devido em parte ao uso de agrotóxicos. Fotografia: geogphotos/Alamy

Por Helena Horton para o “The Guardian”

O esquema Red Tractor, usado para marcar alimentos produzidos com “alto padrão”, não está regulamentando o uso de agrotóxicos nas fazendas, segundo um relatório.

Como o maior esquema de garantia agrícola e alimentar do Reino Unido, que certifica cerca de 50.000 agricultores, a Red Tractor é confiável para manter os padrões ambientais. Os produtos são vendidos em todos os principais supermercados do Reino Unido. 

O esquema Red Tractor certifica cerca de 50.000 agricultores.O esquema Red Tractor certifica cerca de 50.000 agricultores. Fotografia:  Red Tractor

No entanto, a maioria dos agricultores entrevistados pela Nature Friendly Farming Network disse que o esquema não os ajudou a reduzir os pesticidas.

No geral, os agricultores sentiram que a Red Tractor estava falhando em ajudá-los a considerar seu manejo de pesticidas de maneira significativa e era ineficaz em ajudá-los a reduzir o uso de pesticidas. Apenas cinco dos 24 entrevistados da pesquisa disseram que foram incentivados pela Red Tractor a revisar seu gerenciamento de pesticidas.

Martin Lines, coautor do relatório e presidente da Nature Friendly Farming Network, disse: “Nossas entrevistas com agricultores certificados pela Red Tractor revelaram que os padrões são pouco encorajadores – e muito menos apoiam – os agricultores a reduzir o uso de pesticidas.

“Há muitos agricultores do Reino Unido trabalhando duro para mudar para o uso de alternativas não químicas e é hora da Red Tractor, como nosso maior esquema de garantia de fazendas e alimentos, se tornar um ator fundamental na condução da transição para sistemas agrícolas mais sustentáveis. Os agricultores querem – e precisam – do seu apoio para trabalhar com a natureza em vez de contra ela.”

O relatório também apontou que a Red Tractor não tinha metas para reduzir o uso desses produtos químicos nocivos. Estudos recentes revelaram declínios globais alarmantes nas populações de insetos , com mais de 40% das espécies de insetos em declínio e um terço em perigo. Juntamente com a perda de habitat, os agrotóxicos foram identificados como um dos principais fatores que impulsionam esses declínios. No Reino Unido, as borboletas diminuíram 50% desde 1976 e 13 espécies de abelhas foram extintas.

Talvez como resultado do declínio dos insetos, mais acima na cadeia alimentar as aves agrícolas caíram 54% desde 1970 e o número de ouriços caiu até 50% nas áreas rurais desde 2002.

Além disso, os pesticidas que representam maiores riscos à saúde humana e ao meio ambiente, conhecidos pela ONU como “agrotóxicos altamente perigosos”, não estão sendo eliminados pelo esquema. Os padrões da Red Tractor não incluem quaisquer restrições adicionais sobre quais pesticidas os agricultores podem usar.

Josie Cohen, chefe de políticas e campanhas da Pesticide Action Network UK, disse: “Se quisermos ter alguma esperança de resolver a crise da biodiversidade, devemos nos afastar de nossa dependência de pesticidas. Mas os padrões da Red Tractor continuam a priorizar o uso de produtos químicos, sem colocar limites em quanto ou onde eles podem ser usados. Ao contrário de muitos supermercados do Reino Unido, a Red Tractor permite que seus agricultores usem qualquer agrotóxico legal, independentemente das preocupações com os impactos à saúde humana ou ao meio ambiente.”

A Red Tractor respondeu que o setor como um todo precisava mudar sua atitude em relação aos agrotóxicos, caso contrário, um grande número de agricultores seria deixado para trás e excluído dos esquemas de padrões. Acrescentou que o novo relatório “faz algumas sugestões construtivas sobre como o conteúdo da Red Tractor pode evoluir para enfrentar esses desafios e congratulamo-nos com esta contribuição para o debate”.


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

WWF: Produção de soja causa destruição ambiental em massa

sojaFoto: Charles Echer / Presenza CC0
Por Moritz Ettlinger para o Unsere Zeitung

Em um  novo relatório  , a organização ambientalista WWF chama a atenção para as consequências devastadoras da produção de soja para o meio ambiente, pede uma mudança em nossa dieta e regulamentações legais em nível da UE para proteger as florestas, especialmente na América do Sul.

Seja carne, peixe ou queijo: há mais soja em muitos produtos de origem animal do que você pensa – pelo menos indiretamente. Porque cerca de 55 Kg de soja per capita acabam no prato europeu todos os anos através da alimentação de vacas, porcos ou galinhas. Isso é relatado pela organização de proteção ambiental WWF em seu novo relatório, no qual chama a atenção para a destruição ambiental causada pela produção e cultivo de soja, especialmente na América do Sul.

De acordo com isso, a produção de soja na América do Sul quase dobrou nas últimas décadas – com consequências devastadoras, afinal, o cultivo da soja em sua forma atual, muitas vezes monocultural, libera grandes quantidades de gases de efeito estufa e causa considerável destruição do meio ambiente e dos ecossistemas.

A Europa não é isenta de culpa, pelo contrário, como afirma Hannah-Heidi-Schindler, especialista do WWF em nutrição sustentável: “Com o nosso consumo na Europa, estamos a contribuir para a destruição de florestas, pastagens e zonas húmidas noutros continentes” . exige “cadeias de suprimentos livres de desmatamento” para proteger florestas e ecossistemas.

Demanda por uma mudança na dieta e alterações legais

Uma mudança na dieta seria, portanto, um passo na direção certa, explica Schindler: “Uma redução no consumo de carne austríaca em um quinto liberaria tanta terra que toda a necessidade restante de ração animal de soja neste país poderia ser produzida”. Segundo a ONG, as importações de soja podem ser economizadas em 500 mil toneladas.

O atual projeto de lei da Comissão da UE, que visa combater o desmatamento para produtos que são comercializados na UE ou importados para a União, não é suficiente para o WWF.

Entre outras coisas, porque muitos ecossistemas estariam isentos disso, a ONG está, portanto, pedindo melhorias e apelando à Ministra da Agricultura Elisabeth Köstinger para fazer campanha por uma “lei efetiva de proteção florestal”. Porque: “Produtos para os quais as florestas são destruídas não têm lugar nas prateleiras dos nossos supermercados”, diz Hannah-Heidi Schindler em palavras claras.

De acordo com estimativas  de Johann Vollmann da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida (BOKU) , 90 a 95% de toda a soja em todo o mundo é processada em ração animal,  o Greenpeace  fala de 87 % das importações sendo usadas para alimentação animal na UE.

 Em 2016, a participação da soja na engorda de suínos e aves foi de 20% a 30%, como explicou  ao orf.at Werner Zollitsch, do BOKU Institute for Livestock Research . Esse procedimento nem é particularmente eficiente, pois para um 1 Kg carne seriam necessários 10 Kg de soja, diz Vollmann. O consumo direto de soja poderia alimentar dez vezes mais pessoas.

 O procedimento nem é particularmente eficiente, pois para um quilo de carne seriam necessários dez quilos de soja, diz Vollmann. O consumo direto de soja poderia alimentar dez vezes mais pessoas.

O artigo original pode ser visitado aqui

A publicação faz parte da nossa parceria de mídia com a Pressenza


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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo “Global Magazine” [Aqui!].

Bayer anuncia suspensão de investimentos na Rússia, mas agrotóxicos e remédios ficam isentos

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A multinacional alemã Bayer aparentemente criou uma espécie de moral seletiva (a do tipo que eu chamo de duplo padrão) ao anunciar a suspensão parcial de seus negócios na Rússia e na Bielo Rússia por causa do conflito militar em andamento na Ucrânia (ver declaração completa Aqui!]. 

Curiosamente (se é que se pode chamar assim), a Bayer anunciou que provisoriamente essa suspensão de atividades na Rússia não atingirá a venda de remédios e insumos agrícolas. Nesse sentido, a Bayer declarou que “como uma empresa de Ciências da Vida, temos uma obrigação ética – em todos os países em que operamos. Reter produtos essenciais de saúde e agricultura das populações civis – como câncer ou tratamentos cardiovasculares, produtos de saúde para mulheres grávidas e crianças, bem como sementes para o cultivo de alimentos – apenas multiplicaria o custo contínuo da guerra na vida humana“.

Ainda que agrotóxicos tenham sido omitidos das exceções “éticas” apontadas pela Bayer, presumo que um mercado tão atraente quanto o russo não será abastecido apenas com sementes, e a multinacional alemã não se furtará a continuar fornecendo seus venenos agrícolas que provavelmente são considerados também como sendo tão essenciais para o cultivo de alimentos como são as sementes.

Um toque adicional de duplicidade moral ocorre quando a Bayer cita que as posições anunciadas hoje serão revistas em 2023, dependendo do curso do conflito bélico em andamento na Ucrânia. A questão que me parece óbvia é que dado o andamento das coisas, em 2023 o atual conflito já terá se encerrado, ainda que não se saiba ao certo o seu resultado.

Mas quem ainda se surpreende com esse tipo de moral seletiva quando se trata dos interesses das corporações multinacionais, ainda que camuflada sob o discurso da luta contra a fome e as doenças, em face de escolhas que possam colocar seus lucros em xeque?

Novos desmatamentos de áreas em regeneração desafiam esforços de restauração na Mata Atlântica

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Impedir o desmatamento de áreas de floresta que estão retomando o processo de crescimento é um dos grandes desafios para a restauração da Mata Atlântica, dado que cerca de um terço das áreas em regeneração do bioma são novamente cortadas após quatro a oito anos de crescimento. Essa conclusão faz parte de uma pesquisa publicada em março na revista “Environmental Research Letters” realizada por pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do ABC (UFABC) em parceria com pesquisadores da Columbia University, dos Estados Unidos.

A pesquisa analisou dados de imagens de satélite entre 1985 e 2019 e mapeou 4,5 milhões de hectares de Mata Atlântica em regeneração, dos quais 3,1 milhões de hectares persistiram até 2019. Atualmente, o bioma possui cerca de 32 milhões de hectares de vegetação nativa, o que corresponde a 28% de sua cobertura original. “O fato de dois terços da regeneração florestal na Mata Atlântica ter persistido até 2019 é um bom sinal para a conservação do bioma, porém a curta permanência das florestadas que são desmatadas novamente (4-8 anos) surge como um novo desafio para a restauração na região”, explica Pedro Ribeiro Piffer, doutorando da Columbia University e pesquisador líder do estudo.

A regeneração natural, ou restauração passiva, é quando uma área é propositadamente abandonada para que o crescimento da vegetação aconteça de forma natural, sem a interferência humana. Essa estratégia de restauração é considerada uma das mais eficientes e de baixo custo, sobretudo para atingir os ambiciosos compromissos brasileiros, como aqueles assumidos no Acordo de Paris em 2016 (restaurar de 12 milhões de hectares de florestas até 2030) e para o Pacto de Restauração da Mata Atlântica (recuperar 15 milhões de hectares de florestas até 2050).

“Esse resultado nos mostra um desafio duplo, pois é importante não só restaurar as áreas degradadas, mas também garantir a manutenção dessa floresta que está crescendo”, explica Jean Paul Metzger, coordenador do Programa Biota/Fapesp e um dos autores da pesquisa. As florestas em regeneração demoram décadas para recuperar aspectos como a riqueza de espécies em níveis próximos ao de florestas não perturbadas. Por esse motivo, é essencial escolher de forma estratégica áreas prioritárias para a regeneração natural.

Os pesquisadores identificaram que nas regiões de agricultura permanente houve menor área de florestas em regeneração, porém, quando existentes, tiveram maior longevidade. Já em áreas de agricultura itinerante e pastagens, ocorre o inverso: há o início do processo de regeneração em uma maior quantidade de áreas, porém com baixa longevidade. “Entender as condições que permitem uma maior permanência das florestas regeneradas é crucial para o desenvolvimento de políticas públicas que sejam eficazes em promover o aumento da cobertura florestal da Mata Atlântica, um bioma extremamente fragmentado”, ressalta Piffer.


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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Afinal, de quem é a culpa do preço abusivo da gasolina no Brasil?

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A questão disparada pelos últimos aumentos impostos pela Petrobras nos preços dos combustíveis no Brasil tem levantado uma série de debates, muito deles falaciosos, sobre qual seria a raíz do problema. Tenho assistido intervenções de jornalistas, como é o caso da global Mônica Waldvogel, que parecem mais vindas de acionistas privados da Petrobras do que profissionais cuja obrigação seria fornecer uma informação minimamente isenta.

Primeiro é preciso lembrar que a atual política de preços da Petrobras foi iniciada nos primeiros momentos do governo do presidente “de facto” Michel Temer que adotou a chamada “preço de imparidade de importação” que como em um passe de mágica transforma toda a gasolina vendida no Brasil em um produto importado, o que se sabe não reflete a realidade brasileira, pois somos atualmente um grande produto de petróleo e gás.

O segundo elemento que não tem sido corretamente abordado é o fato de que em vez de aumentar a capacidade nacional de refino, o que diminuiria a dependência de combustíveis importados, os dois últimos governos não apenas congelou a criação de novas refinarias, mas também avançou no processo de privatização das refinarias existentes, colocando nas mãos de empresas estrangeiras a porção nacional da gasolina distribuída no Brasil. A justificativa para isso seria diminuir o peso das dívidas da Petrobras, um elemento que não se sustenta, na medida que outras grandes petroleiras possuem dívidas maiores do que a da estatal brasileira (semi estatal para falar a verdade), e não entregaram seu setor de refino para as competidoras.  E o pior é que esse processo de privatização ainda poderá resultar em um grande apagão  de abastecimento em função da desarticulação que está promovendo no processo de refino e distribuição.

O terceiro e poderoso elemento foi a hegemonia dada à iniciativa privada no comitê gestor da Petrobras, o que serviu para não apenas ampliar o poder de influência dos acionistas privados, mas também para influenciar na tomada de decisões estratégicas que a empresa teria que tomar para não apenas se manter como central no processo de extração, mas principalmente, no caso do controle de preços, no aumento de sua capacidade de refino. A indicação do presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Rodolfo Landim, com ligações óbvias com as corporações petroleiras, para presidir o Conselho Diretor da Petrobras é apenas um exemplo mais óbvio dessa situação.

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Panfleto de campanha do presidente Jair Bolsonaro prometia um preço de máximo de R$ 2,50 para a gasolina. Vê-se logo que vivemos os efeitos de mais um estelionato eleitoral

Todas essas questões estão articuladas à visão de regência de economia que está posta no governo Bolsonaro pelo seu dublê de ministro e banqueiro, o Sr. Paulo Guedes.  A partir de uma visão tacanha dos elementos macroeconômicos, especialmente em um momento tão polarizado política, econômica e militarmente falando da economia mundial, o que Paulo Guedes tem feito é aumentar a exposição da Petrobras, e das riquezas petrolíferas nacionais, aos interesses das grandes petroleiras mundiais, inclusive as controladas por outros Estados-nação.  Com isso, o Brasil perdeu o controle político e econômico da extração de petróleo em uma área cujas tecnologias ele mesmo criou, como é o caso da camada Pré-sal. Quando no futuro os historiadores tentarem explicar as ações de Paulo Guedes, obviamente sancionadas pelo presidente Jair Bolsonaro, eles terão grave dificuldade de oferecer um raciocínio lógico se os interesses nacionais forem levados em conta.

E o presidente Jair Bolsonaro nisso tudo? Em um momento de rara franqueza, ele disse que no tocante aos preços dos combustíveis que “eu não defino preço na Petrobras, eu não decido nada lá.  No entanto, essa é uma meia verdade, pois ao contrário do que prometeu em campanha, Bolsonaro não fez nada para alterar a política que controla a formação dos preços dos combustíveis no Brasil, permitindo assim que chegássemos a uma situação dramática, pois junto com a espiral inflacionária no preço dos combustíveis, o que teremos é um aumento exponencial da pobreza e da carestia entre os trabalhadores brasileiros. Na prática, o presidente Jair Bolsonaro é uma espécie de “poster boy” das petroleiras internacionais no Brasil, pois seu governo tem feito tudo que elas precisam para usufruírem das riquezas petrolíferas brasileiras, enquanto que para nós sobre apenas o que estamos vendo por aí, que é um misto de estagflação com aumento exponencial da fome.

Por isso tudo é que não podemos ou devemos cair na ladainha de que tudo se deve ao processo pretérito de gerenciamento da Petrobras, pois mesmo que roubos existissem no passado, não foi isso que gerou o nível de endividamento da empresa, nem gerou a crise que estamos vivendo no momento.

Batatas fritas como ferramentas do complexo industrial militar capitalista?

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A indústria de alimentos (?) de fast food gera doenças e erosão cultural. A saída de corporações como Coca Cola, Mc Donald´s e Starbucks da Rússia por causa da ação militar na Ucrânia pode ter o efeito inesperado que é o de diminuir os níveis de doenças entre os russos

Um desdobramento curioso da ação militar da Rússia na Ucrânia foi a saída das redes americanas de “fast food” do mercado russo em uma ação que claramente é uma espécie de retaliação gastronômica das corporações capitalistas da área de alimentos (sendo Coca Cola, McDonald´s e Starbucks apenas as bandeiras mais pesadas que já o fizeram) contra o governo de Vladimir Putin.

Deixando de lado o fato de que essas redes de “fast food” não apenas oferecem pseudo alimentos que nada de têm de saudáveis, e que são vendidos a preços exorbitantes enquanto os empregados das lojas franquiadas recebem salários miseráveis, o que essa ação das corporações multinacionais ocidentais demonstra é que até as batatas fritas vendidas pelo McDonald´s são parte integrante do chamado complexo industrial militar, ou mais simplesmente da indústria da guerra.

É que se pensarmos bem, a Rússia não é nem de perto quem lucra quando permite que as corporações do fast food operem em seu território.  Se analisarmos melhor o que essas corporações realizam na prática é a eliminação de alimentos locais, muitas vezes mais nutritivos e saudáveis do que qualquer “burguer” que a McDonald´s e seus congêneres fabricam.  Aliás, a saída da Starbucks deverá causar uma diminuição no custo de vida russo, na medida que após pagar preços miseráveis aos cafeicultores no Sul Global essa multinacional estadunidense, que possui mais de 30 mil lojas distribuídas em 80 países, vende cafés a preços ultrajantes para clientes que nunca param para pensar que estão sendo vítimas de um golpe financeiro.

Mas então por que essas corporações estadunidenses e outras de outros países do centro capitalista resolveram dar no pé da Rússia? Provavelmente por razões que misturam o medo de sua clientela nos países centrais se irritar com a permanência na Rússia após meses de propaganda russofóbica por parte da mídia corporativa, ou ainda porque receberam ordens dos controladores do complexo militar para fingirem que se importam com os direitos humanos dos Ucranianos. Há que se lembrar que se preocupação com direitos humanos guiasse as preocupações da McDonald´s ou da Starbucks, seus conselhos diretores já teriam removido as commodities agrícolas brasileiras da sua cadeia de suprimentos dada a magnitude do que está sendo feito na Amazônia, seja contra as florestas ou contra os povos que vivem nelas. Mas salvo engano não se ouviu nada muito indignado por parte da McDonald´s ou do Starbucks contra o que está ocorrendo na Amazônia brasileira.

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Batatas fritas são uma das principais fontes de renda da McDonald´s em que pese os danos causados à saúde humana pelo seu consumo

Um gaiato na internet escreveu que com a saída da Coca Cola e da McDonald´s da Rússia, o mais provável é que caiam os índices de obesos e diabéticos dentro da população russa, e que haja uma espécie de renascimento da demanda por produtos tradicionais da culinária russa, acrescentando ainda que a partida das corporações do fast food ainda deverá permitir uma diminuição das doenças associadas ao seu consumo. Pensando bem, essa afirmação de gaiatice não tem nada.

O fato é que em um país como o Brasil onde a fome está firmemente espalhada dentro da maioria da população, gastar cerca de R$ 50,00 em um “combo” não faz o menor sentido financeiro para a imensa maioria das famílias, mas não é raro ver um trabalhador sacrificado pelas políticas ultraneoliberais dos últimos governos brasileiros gastar essa verdadeira fortuna para quem ganhar salário mínimo para agradar um filho. Por essa falta de sentido é que talvez devêssemos nos antecipar a qualquer abandono futuro do território brasileiro por parte das corporações do fast food e deixar suas lojas vazias. É que agora que está evidente que as batatas fritas superfaturadas da McDonald´s são parte do complexo militar, continuar gastando com este tipo de não alimento é ainda mais contraditório do que sempre foi.

Luiz Nishimori, o “Senhor Veneno”, fez lobby para empresas japonesas que produzem agrotóxicos

Relator do PL 6.299, deputado promoveu multinacionais Marubeni e Mitsui, esta última financiadora oculta da bancada ruralista; ele também já acompanhou Bolsonaro e filhos em viagens ao Japão; De Olho nos Ruralistas faz série sobre PL do Veneno

Por Mariana Franco Ramos

O agro é lobby. E um lobby institucionalizado. Relator do Projeto de Lei 6.299/02, conhecido como PL do Veneno, o deputado federal Luiz Nishimori (PL-PR) possui uma relação quase umbilical com empresas que produzem e vendem agrotóxicos. De Olho nos Ruralistas contou, na semana passada, que ele negociou o pagamento de uma dívida pessoal por R$ 1,5 milhão com a Syngenta, interessa direta na aprovação do projeto de lei: “Nishimori, do PL do Veneno, fez acordo por dívida de R$ 1,5 milhão com a Syngenta”.

O político atuou também a favor de multinacionais japonesas como a Mitsui e a Marubeni. O observatório publica uma série sobre possíveis conflitos de interesse na tramitação de leis relativas aos pesticidas no Congresso. Coordenador de Relações Internacionais da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a face mais organizada da bancada ruralista, e presidente do Grupo Parlamentar Brasil Japão, o paranaense é um dos principais personagens desta trama: Relator do PL do Veneno teve bens bloqueados em caso de funcionários fantasmas“.

O observatório já tinha mostrado que ele se encontrou com diretores da Mitsui em Moçambique, em 2012, quando chefiou a delegação brasileira que divulgava as vantagens do ProSavana. O projeto – parceria entre Brasil, Japão e Moçambique – é considerado um exemplo internacional de land grabbing, quando grandes empresas internacionais se apropriam, mesmo que legalmente, de terras tradicionais. A Mitsui é parceira da Vale no país africano.

Governo japonês financiou tour com Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro

Nishimori acompanhou o então candidato à presidência e seus filhos ao Japão. (Foto: Twitter)

De lá, Nishimori seguiu para o Japão, onde relatou a viagem para Moçambique, na agência de cooperação internacional, e esteve na sede da multinacional. “A relação entre Brasil e Japão é a melhor parceria possível, pois podemos oferecer recursos naturais que nenhum outro país possui e, ao mesmo tempo, o Japão nos fornece tecnologia de ponta”, comemorou, à época. Leia mais: “Deputado pró-agrotóxicos promoveu Mitsui, empresa flagrada com venenos ilegais na BA”.

Desde então, as visitas à Ásia e, em especial, às multinacionais, se tornaram corriqueiras. Algumas delas, em missões oficiais com o presidente.

Nishimori articulou entrada da Mitsui em Moçambique. (Foto: Divulgação)

Em junho de 2016, ele foi a Tóquio buscar possíveis interessados em financiar uma ferrovia para escoar a produção do oeste paranaense e do Mato Grosso do Sul, via Porto de Paranaguá. Avaliado em cerca de R$ 10 bilhões, o projeto foi apresentado aos grupos Mitsui, Mitsubishi, Hitachi e Marubeni e contava com o apoio da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap).

Dois anos depois, ciceroneou o então candidato ao Palácio do Planalto e três de seus filhos – Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro. O tour, garantiu, foi financiado pelo governo japonês. Faziam parte da comitiva, ainda, Abraham Weintraub (PMB-SP) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que mais tarde se tornariam ministros da Educação e da Casa Civil, respectivamente. Foi quando o capitão reformado disse a célebre frase minha especialidade é matar“.

Em 2019, Nishimori acompanhou a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, ex-presidente da FPA. A comitiva passou ainda por China, Indonésia e Vietnã , em reuniões com autoridades e investidores. “Temos muito potencial, uma brilhante agricultura, matéria-prima de alta qualidade e podemos colaborar de maneira significativa com o mercado asiático”, disse. Eleito, Bolsonaro se reuniu com membros da FPA, em café da manhã, e reafirmou a aliança com o grupo: “Esse governo é de vocês”.

Mitsui, multinacional japonesa, é uma das financiadoras ocultas da bancada ruralista

No ano passado, a Mitsui conseguiu autorização para vender o agrotóxico Garant. O pedido foi um dos 67 concedidos pelo Ministério da Agricultura na edição de 25 de fevereiro do Diário Oficial da União (DOU). Eles se somaram a outras 967 permissões registradas até então durante o governo Bolsonaro – hoje, já são mais de 1.500.

Político comemora aprovação do PL do Veneno. (Imagem: Facebook)

Muitos desses produtos são associados ao câncer, a mutações genéticas e a malformações fetais, entre outros problemas de saúde. A chefe do Mapa, que por seu entusiasmo com o PL 6.299 foi apelidada de “Musa do Veneno”, Senhora Desmatamento na visão do Le Monde, é cotada para ser vice do candidato à reeleição no pleito presidencial de outubro.

Ainda em 2021, a Mitsui e outra companhia japonesa, a ISK, compraram juntas 25% da fabricante de pesticidas Ourofino Agrociência. Tanto a Mitsui como a Ourofino são financiadoras ocultas da FPA. Elas integram o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), cujos recursos custeiam o Instituto Pensar Agro (IPA), motor logístico da frente. É o instituto que mantém a mansão do Lago Sul, em Brasília, conhecida como “bunker ruralista”, onde parlamentares se encontram para preparar o discurso a favor do agronegócio e contra o ambiente e os povos do campo.

Empresa teve agrotóxicos apreendidos na Bahia

O observatório relatou em 2018 que um dos braços agropecuários da Mitsui do Brasil, a Agrícola Xingu, teve pesticidas apreendidos durante operação coordenada pelo Ministério Público da Bahia. Com direito a uso irregular do glifosato, um dos venenos mais utilizados – e contestados – no mundo: “Agrotóxicos proibidos são apreendidos na BA em fazenda da gigante japonesa Agrícola Xingu”.

Força-tarefa apreendeu agrotóxicos na Bahia. (Imagem: Reprodução)

A Gavillon do Brasil S.A é uma trading brasileira, braço da divisão da Marubeni, com forte presença nos mercados de fertilizantes e de grãos. Ela atua com uma variedade de commodities, incluindo soja, milho e trigo, em dezessete escritórios espalhados pelo país, desde 31 de Março de 2018. E a matriz tem relação igualmente antiga com o político.

Em 2006, o então deputado estadual já articulava a instalação de uma unidade em Maringá, seu reduto eleitoral. A visita à diretoria da empresa foi registrada pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Dois anos depois, foi ele quem anunciou a instalação de uma fábrica da companhia em Marialva, município vizinho onde ele nasceu, com investimento estimado em US$ 40 milhões.

Deputado chegar a usar DDT em plantações

O próprio parlamentar se apresenta, em suas redes sociais, como agricultor. Ele conta ter constituído a Mariagro em 1977, aos 21 anos. Na sequência, em 1993, fundou a Nishimori Distribuidora de Diesel, voltada ao comércio de combustíveis e derivados. E, em 2003, a Nishimori Agrícola Ltda, que produz sementes, mudas e outras formas de propagação vegetal.

Nishimori, o Senhor Veneno. (Ilustração: Eduardo Baptistão)

Esta última é administrada pelos filhos do político e consta em relatório produzido pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), de 2014, que listou estabelecimentos inscritos para receber permissão para comercializar agrotóxicos.

“Eu usei DDT, Parathion e BHC“, recordou-se, durante uma das audiências na comissão que avaliou o PL do Veneno, em maio de 2016. “Eu sou dessa época, eu usava. Antigamente, passavam BHC para matar piolho!”

Na sessão que culminou com a aprovação do PL do Veneno, há duas semanas, ele fez uma associação com o uso de medicamentos: “Eu peguei o Covid ontem. Não queria ser medicado, mas precisei. A planta é a mesma coisa”.

O observatório entrou em contato com o deputado federal na manhã do dia 15. No gabinete, a reportagem foi orientada a procurar a assessoria de imprensa da FPA, que ainda não retornou.

| Mariana Franco Ramos é repórter do De Olho nos Ruralistas. |

Foto principal (Divulgação): Nishimori ciceroneou Bolsonaro e filhos em visita ao Japão. (Foto: Reprodução/Facebook)


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Este texto foi inicialmente publicado pela “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” [Aqui!].