Em meio à COP 26, representantes do Parlamento Europeu reúnem brasileiros para debater desmatamento na Amazônia

Evento totalmente online contará com a pesquisadora Brenda Brito, do Imazon, organização que integra a campanha Seja Legal, contra o roubo de terras públicas na região

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Enquanto na COP 26 em Glasgow, na Escócia, líderes mundiais discutem caminhos e se comprometem com metas para mitigar as mudanças climáticas, representantes do Parlamento Europeu, por meio da Comissão de Direitos da Mulher e de Igualdade de Gênero e da Comissão de Meio Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar, realizarão um encontro online no dia 9 de novembro para debater meios de manutenção da floresta amazônica brasileira em pé e proteção de sua população e povos tradicionais.

O evento “Enfrentando o desmatamento na Amazônia brasileira: um direito à terra e a perspectiva das mulheres” será totalmente online e mediado por Alessandra Moretti, membro do Parlamento Europeu. Na mesa de debate, representantes de organizações e iniciativas brasileiras falarão sobre desafios e oportunidades e também como a comunidade internacional pode atuar na defesa do patrimônio ambiental brasileiro.

O encontro online é uma iniciativa da organização italiana No Peace Without Justice em parceria com a campanha Seja Legal com a Amazônia, que une entidades do setor privado, do agronegócio e do terceiro setor no combate à grilagem de terras públicas.

A pesquisadora do Imazon, Brenda Brito, vai falar sobre regularização fundiária e sua relação com a grilagem de terras públicas e o desmatamento na região. Além dela, também participarão Daniel Lopes (Instituto Maira), Puyr Tembé (APIB), Paulo Celso de Oliveira e Gersem dos Santos Luciano (Fundo Brasil), Telma Taurepang (UMIAB) e de Eleonora Evi, membro do Parlamento Europeu.

Entre os dados que serão abordados pelo Imazon, organização signatária da Seja Legal, estão os principais resultados de um estudo sobre as leis e práticas fundiárias nos nove estados da Amazônia brasileira. A estimativa do levantamento lançado neste ano, é de que 29% da região amazônica carece de definição de posse da terra e de que 40% do desmatamento entre 2013 e 2020 ocorreu nessas áreas sem definição.

São os alarmantes dados do relatório “Dez fatos essenciais sobre regularização fundiária na Amazônia“, que mostram que as leis de terras nos estados amazônicos encorajam a invasão e desmatamento contínuos de terras públicas. Isso porque, embora 43% da área sem definição fundiária na Amazônia tenha prioridade para conservação, os procedimentos atuais não garantem a designação de posse de terra para atender esse propósito. Encontrar e colocar em prática as soluções para proteger a maior floresta tropical do planeta está no centro do debate mundial.

SERVIÇO

O que: Evento online “Enfrentando o desmatamento na Amazônia brasileira: um direito à terra e a perspectiva das mulheres”.

Quando: Dia 9 de novembro, às 13h30 (horário de Brasília).

Onde: Facebook | YouTube

Inscrições: Após a inscrição, o link de acesso será enviado por e-mail

Comissão Arns lança nota cobrando punição contra ataque de jagunços no Assentamento Fábio Henrique no sul da Bahia

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A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns vem a público manifestar seu veemente repúdio ao ataque sofrido neste domingo, 31 de outubro, por trabalhadores rurais e suas famílias, no Assentamento Fábio Henrique, na cidade de Prado, sul da Bahia.

É inaceitável que um bando de 20 homens armados invada um assentamento onde agricultores vivem e produzem de modo pacífico, com o objetivo de atentar contra a vida e a liberdade de crianças, idosos, mulheres e homens da comunidade.

Casas depredadas, ônibus incendiados, veículos alvejados por disparos, danos a instrumentos de trabalho, entre outras graves ameaças contra sua integridade física e psicológica, fizeram dos trabalhadores ali reunidos reféns da barbárie.

Diante de violência tão inominável, a Comissão Arns, fiel ao seu compromisso de defesa dos direitos humanos, cobra ação rápida do governador da Bahia, Rui Costa, para a identificação e responsabilização de mandantes e executores do crime perpetrado contra a comunidade de Fábio Henrique.

O braço da lei deve impor a ordem constitucional, coibindo o banditismo desses agentes do atraso. Como jagunços de tempos arcaicos, a associação criminosa que ali atuou visa semear conflitos e mortes pela força das armas, escondendo-se sob capuzes que cobrem a vergonha da sua covardia.

Cobramos também a manutenção do reforço policial no local dos ataques, para garantir segurança às famílias que hoje vivem sob o trauma da violência sofrida. E, por fim, mas não por último, que essas famílias possam assistir neste sábado, 6 de novembro, em clima de paz, união e concórdia, ao filme “Marighella”, do diretor Wagner Moura, cuja exibição já estava prevista quando o atentado criminoso aconteceu.

Ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), que organizou este assentamento, transmitimos o nosso respeito e solidariedade, assim como abraçamos as vítimas das atrocidades.

São Paulo, 5 de novembro de 2021

Comissão Arns

MAM organiza protesto para marcar os 6 anos do incidente ambiental da Samarco em Mariana (MG)

Na manhã desta sexta-feira, 05/11, cerca de 500 trabalhadores e trabalhadoras sem terra, liderados Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e outras organizações e movimentos sociais, ocuparam a entrada da Mineradora Samarco, em Mariana (MG)l, perto da mina de Fazendão, que pertence à mineradora Vale (ver imagens abaixo)

Com o lema: O lucro não vale a vida, a ação  liderada pelo MAM tem como objetivo denunciar o  modelo  predatório de mineração implantado no Brasil, cuja impunidade tem sido a marca diante dos crimes cometidos por empresas como as mineradoras Samarco, a Vale e BHP no estado de Minas Gerais.

São 6 anos desde o fatídico dia 5 de novembro de 2015, onde nos deparamos com o rompimento da barragem de Fundão, maior crime ambiental da história do Brasil, que ceifou a vida de 19 pessoas e  aprofundou a degradação ambiental do Rio Doce em escala inédita, com a lama descendo desde a sua nascente em Minas Gerais até a foz na costa do Espírito Santo.

Os mortos e atingidos pelo Tsulama da Samarco em Mariana não podem ser esquecidos!

Organizações ambientais alertam contra rótulos verdes para gás natural e energia nuclear

ovelhasFoto: imago images / Chris Emil Janßen

Bruxelas. As organizações ambientais alertam a Comissão Europeia contra a classificação da energia nuclear e do gás natural como energias amigas do ambiente. Tal movimento contradiria as medidas que seriam necessárias para limitar a mudança climática a 1,5 graus, disse Sébastien Godinot do WWF na quinta-feira. A inclusão da energia nuclear e do gás natural na chamada taxonomia da UE seria “grosseiramente irresponsável”, disse a ativista do Greenpeace Silvia Pastorelli.

O pano de fundo para isso é o trabalho em andamento pela Comissão da UE em um sistema de classificação para investimentos sustentáveis. Isso deve dar aos investidores diretrizes claras sobre quais investimentos são considerados amigáveis ​​ao clima – o selo, portanto, oferece enormes vantagens financeiras.

Um documento circulou em Bruxelas pedindo que a energia nuclear e o gás fossem incluídos na taxonomia. De acordo com diplomatas, ele vem da França, mas também é apoiado por vários outros países, como a Polônia e a República Tcheca. Até agora, a Alemanha se manifestou claramente contra classificar a energia nuclear como amiga do clima. No entanto, existe um forte lobby para a promoção do gás como uma tecnologia de transição, a fim de garantir o fornecimento de eletricidade após a planejada eliminação da energia nuclear e do carvão.

Segundo os critérios propostos no documento, metade das fábricas de gás existentes na UE seriam consideradas “verdes”, disse Godinot. Também poderia financiar novas usinas de gás que poderiam durar até 2065. De acordo com o economista do WWF, isso não é compatível com os objetivos de proteção climática da UE.

Roger Spautz, do Greenpeace, alertou sobre as consequências ambientais dos resíduos radioativos produzidos pela fissão nuclear. “Em nossa opinião, a indústria nuclear quer entrar na taxonomia porque quer roubar dinheiro para manter seus antigos reatores funcionando”, disse Spautz. Depois de 70 anos, a indústria nuclear ainda não encontrou uma solução para o lixo nuclear, disse Godinot, colega do WWF.

De acordo com a comissária de finanças responsável da UE, Mairead McGuinness, a decisão sobre a classificação do nuclear e do gás deve ser tomada até o final do ano. Os estados membros e o Parlamento da UE têm então dois meses para levantar objeções – caso contrário, a taxonomia entrará em vigor. (dpa / jW)

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Com o Brasil com sua ciência em estado comatoso, Jair Bolsonaro concede a si mesmo ordem nacional do mérito científico

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Após decreto de própria lavra, Jair Bolsonaro tornou-se Grão-Mestre da Ordem Nacional do Mérito Científico, e Marcos Pontes, chanceler. Enquanto isso, a ciência brasileira continua em estado comatoso
Pode-se dizer o que for do presidente Jair Bolsonaro, mas não se pode negar que ele seja capaz de produzir momentos do mais puro e fino cinismo. É que poucas semanas após o Ministério da Fazenda ter dado uma tesourada praticamente letal na ciência brasileira com um corte de R$ 600 milhões no orçamento da CAPES e do CNPq, hoje (04/11) o Diário Oficial da União trouxe a publicação de um Decreto que concede a chamada “Ordem Nacional do Mérito Científico” a ele próprio, ao dublê de ministro e astronauta, Marcos Pontes, um seleto grupo de políticos, e, finalmente, a pesquisadores que supostamente possuem alto mérito na sua produção científica.
Um fato ainda mais saliente é que, pela ordem, os ocupantes de postos chaves no governo federal que receberão esta Ordem, são os seguintes: a) Grão-Mestre: JAIR MESSIAS BOLSONARO, Presidente da República; b) Chanceler: MARCOS CESAR PONTES, Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovações; e os membros do Conselho da Ordem Nacional do Mérito Científico: CARLOS ALBERTO FRANCO FRANÇA, Ministro de Estado das Relações Exteriores; PAULO ROBERTO NUNES GUEDES, Ministro de Estado da Economia; e MILTON RIBEIRO, Ministro de Estado da Educação.
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O que me deixa curioso nessa situação toda é o que farão com suas medalhas os pesquisadores, alguns de inegável contribuição para o desenvolvimento da ciência brasileira, durante a cerimônia de entrega desta ordem. Vão lá aproveitar o rega-bofe que certamente será oferecido após a entrega de medalhas para se congraçar alegremente com Jair Bolsonaro, Marcos Pontes, Paulo Guedes e Milton Ribeiro, como não se fossem esses senhores responsáveis pela condição comatosa em que a ciência brasileira se encontra neste momento (situação comatosa em condição de agravamento, gostaria de frisar)?
Não sei por quê, mas desconfio que nesta cerimônia que será presidida pelo “Grão Mestre” Jair Bolsonaro não teremos um momento a la Marlon Brando, quando o ator estadunidense em uma cerimônia de entrega de um Oscar por sua atuação em “O Poderoso Chefão”, enviou uma ativista apache, Sacheen Littlefeather, para recusar o prêmio entregue a ele como forma protestar pela forma como os povos originários dos EUA eram retratados em Hollywood.
O problema, como já disse um dia Simone Beauvoir, o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos. E sirvam-se as medalhas, enquanto a fila dos aeroportos continuam empurrando os cientistas brasileiros para o exílio.

A ciência moderna tem nas métricas a sua Guantánamo

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Recentemente publiquei neste blog um texto publicado pela revista Nature acerca da difusão de práticas de captura de material científico por editoras predatórias que estão cada vez mais sofisticada em atrair pesquisadores ansiosos por melhorar sua performance em um amplo mercado de índices de mensuração (as chamadas métricas). Um colega que reputo ser da mais alta capacidade científica apontou que a discussão em torno dos métricas não é novo, mas que falta apontar um caminho que não fique apenas na crítica pela crítica, pois, suponho, há que se medir para conferir algum nível de chancela de qualidade que nos permita olhar para além da quantidade de artigos publicados, pois a imensa maioria não será lida uma mísera vez sequer.

Após refletir sobre esse chamado à produção de respostas práticas para sairmos da armadilha criada pelos operadores do mercado editorial para nos meter em uma espiral interminável de publicações que estão mais para lixo científico do que para conhecimento que mereça ser classificado como ciência, penso que não haverá saída para o atual imbróglio da quantidade sobre a qualidade se ficarmos tentando colocar o gato de volta dentro do saco. Em minha modesta opinião há que se jogar o saco fora, para voltarmos a nos preocupar com o que deveria ser essencial na produção do conhecimento científico, qual seja, que o produto das pesquisas realizadas sejam de fato baseadas no uso apurado da análise crítica, de forma a privilegiar não as necessidades de obtenção de recursos financeiros, seja para executar projetos de pesquisa ou, simplesmente, atender as necessidades econômicas pessoais dos pesquisadores.

O problema é que como toda qualquer outra coisa, o Capitalismo transformou a ciência, e principalmente os artefatos que são usados para demonstrar a sua realização em um tipo específico de commodity (para os interessados no processo de comodificação da ciência sugiro a leitura do livro “The Commodification of Academic Research: Science and the Modern University” de Hans Radder) que, como qualquer outra, é objeto de opções mercadológicas que privilegiam o chamado “valor de troca” em detrimento do “valor de uso”. Em outras palavras, em situações corriqueiras, o interesse de quem financia  e de quem produz ciência não tem nada a ver com a melhoria da qualidade de vida das pessoas e da evolução das formas de relação com os sistemas naturais da Terra, mas simplesmente com a acumulação de riquezas.

Alguém que estiver lendo este texto poderá apontar que até aqui, a única coisa que propus de concreto foi rasgar o saco em vez de tentar colocar o gato de volta dentro dele.  E se alguém notou isso, não me resta dizer que rasgar o saco (entendido aqui como uma metáfora do processo de comodificação da ciência) será muito mais difícil do que parece em princípio. É que depois de décadas de ações para  premiar os bem comportados que estão plenamente satisfeitos em viver aprisionados no labirinto das métricas (a qual equivale a uma espécie de Guatánamo que aprisiona a produção de ciência com revestimento crítico), pois isto traz recompensas palpáveis, sejam eles materiais ou apenas de reafirmação de uma cultura acadêmica hedonística.

O problema é o capitalismo e não o clima

Dois conclaves mundiais que enfocam o debate sobre o “aquecimento global” coincidiram no final de semana passado, a COP 26 em Glasgow, na Escócia, e o G20, em Roma, na Itália

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Os EUA são responsáveis ​​por 20% das emissões totais de CO2 do mundo | Foto: Hollywood Hills, Los Angeles, CA

Por Julio Gambina para a AlaiNet

A preocupação comum é o clima, em um quadro de evidente crise econômica, com crescente desigualdade social, preços preocupantes e deterioração ambiental derivada da emissão de gases de efeito estufa produzidos pela forma de produção contemporânea. O impacto no meio ambiente é um problema acelerado desde os tempos da revolução industrial (1750), enorme após o segundo pós-guerra (1945) e de forma descontrolada nas últimas três décadas (1990-2021). A forma de produção capitalista traz esses resultados.

Uma análise resumida e didática apresenta Michael Roberts em seu blog, traçando as estatísticas das responsabilidades na emissão de CO2, com a China à frente na atualidade e os Estados Unidos longe, na acumulação histórica do desenvolvimento capitalista. O autor britânico destaca que a China “é o maior emissor de CO2 do mundo”, desde a sua posição de país com maior população do planeta e fabricante exportador do mundo. Ele acrescenta que “as emissões acumuladas na atmosfera nos últimos 100 anos vêm dos outrora industrializados e agora consumidores de energia ricos do Norte”. Ele destaca que os EUA são responsáveis ​​por acumular a emissão de “20% do total mundial. A China ocupa um segundo lugar relativamente distante com 11%, seguida pela Rússia (7%), Brasil (5%) e Indonésia (4%). ” Nessa estatística, a Argentina aparece em 14º lugar.

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Levando-se em conta as emissões relativas ao uso da Terra, o Brasil foi o quarto maior emissor de CO2 entre 1850 e 2021

O assunto é importante e no blog do FMI você pode ler uma análise sobre o assunto e América Latina e Caribe. No texto, eles afirmam que “As emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) da região são consistentes com seu tamanho econômico e população, cerca de 8% do total mundial. Mas a composição das emissões na ALC é muito diferente da de outras regiões. ” Enfatiza-se a seguir que “O setor de energia contribui muito menos para as emissões totais na ALC (43%) em comparação com a média mundial (74%). A agricultura, por outro lado, contribui com 25%, em comparação com uma média mundial de 13%. Uso da terra, mudança no uso da terra e silvicultura (LULUCF) contribuem com 19 %, muito mais do que a média mundial, pouco mais de 1%. ”

Última oportunidade

Outras fontes de informação podem ser utilizadas e é claro que a catástrofe que ameaça a humanidade não pode ser escondida, e os Estados nacionais e suas articulações globais vão de cúpula em cúpula para definir compromissos que não cumprem. O resultado é alarmante a ponto de o Secretário-Geral das Nações Unidas afirmar que “Se não agirmos com determinação, estaremos literalmente jogando nossa última chance de mudar o curso das coisas”.

O alarme é uma chamada de atenção para a ordem produtiva, baseada na crescente exploração da força de trabalho, com menos previdência social, e na pilhagem recorrente e generalizada de bens comuns na ordem global, estimulando o consumo das elites que a afetam. condições de vida da sociedade como um todo. Não há solução para o “aquecimento global” se não forem tomadas medidas em áreas estratégicas da produção mundial, como energia, agricultura, transporte, serviços públicos essenciais, saúde, educação, visando limitar e reduzir as emissões de gases de efeito estufa, algo que não pode. ficar nas mãos do “mercado”, ou seja, de investidores privados, empresas transnacionais, em busca do lucro e da rentabilidade de seu capital.

O comentário aponta tanto para o poder das empresas transnacionais de petróleo e gás, alimentos e biotecnologia, entre tantas outras, quanto para a discussão sobre as políticas dos Estados-nação e organizações mundiais sobre para quê, como e quanto energia e produção, orientado para o que precisa satisfazer. São extensos comentários sobre a alimentação e, portanto, mais pensamento e ação na satisfação das demandas sociais e dos direitos à alimentação e energia do que estimular os mercados, justamente em um momento em que a alta dos preços concentra-se tanto em produções estratégicas de reprodução do social quanto. vida diária natural.

A solução virá mais das lutas e resistências populares, especialmente de formas alternativas de produção e reprodução socioeconômica do que de decisões públicas dos Estados capitalistas, em cúpulas como o G20 onde se propõem discutir as desigualdades e a aceleração da recuperação. Ambas as questões são o resultado da forma capitalista de organização da sociedade. É lógico que o regime do capital promova a restauração da taxa de lucro ao invés da satisfação de milhões de empobrecidos nos povos do mundo. Isso é desigualdade, um produto da ordem capitalista. Mudar o modelo de produção e desenvolvimento é a base para organizar uma ordem econômica e social que remedie os danos ecológicos e garanta a reprodução metabólica do planeta. 

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Este texto foi escrito inicialmente em espanhol e publicado pela Alainet.org [Aqui!].

Indígenas e 350.org farão protesto na sede do BTG Pactual por causa da mineração na Amazônia

Em meio à COP26, grupo denuncia escolhas do banco que, apesar de sua postura de apoio à políticas ambientais e sustentáveis, investe na exploração de petróleo e gás na Amazônia. Manifestação acontece em meio à diversas ações globais que pedem pelo fim do investimento em combustíveis fósseis
 
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Nesta sexta-feira (5), indígenas, ativistas pelo clima e representantes da sociedade civil, estarão unidos em uma manifestação pacífica, em São Paulo (SP), denunciando ações contraditórias do BTG Pactual, maior banco de investimento da América Latina, que colocam em risco a Amazônia e as comunidades indígenas do local, além de contribuir com a crise climática em todo o mundo.

A ação de ativismo será realizada durante a manhã, a partir das 10h, em frente à sede do banco, localizada em uma das ruas mais refinadas do País, para alertar sobre a ambiguidade de um banco se considerar dentro das práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) e, ainda assim, seguir com o investimento em combustíveis fósseis. O protesto contará com performances artísticas e debates para dar voz à comunidades que serão diretamente impactadas pela extração de petróleo e gás na região Amazônica.

Apesar de sua postura de apoio à políticas ambientais e sustentáveis, o BTG Pactual é hoje um dos maiores acionistas da Eneva, maior operadora de gás do Brasil, dona de duas termelétricas a carvão e responsável pela compra de blocos para a exploração de petróleo e gás na Amazônia.

“O BTG fazer anúncios sobre o quanto é moderno e sustentável, enquanto financia a expansão de petróleo e gás em áreas preservadas da Amazônia, parece tão verdadeiro quanto uma empresa de cigarros publicar uma propaganda se dizendo amiga dos pulmões de seus clientes”, diz o diretor da 350.org na América Latina, Ilan Zugman. Para ele, é uma narrativa hipócrita, prejudicial à sociedade e que, no fim das contas, tira a credibilidade do próprio banco.

Além de ter a Eneva em sua carteira de investimentos, no último relatório anual, o BTG declarou investimentos de mais de R﹩5,4 bilhões em combustíveis fósseis e apenas R﹩964,6 milhões em energia renovável. “Com tantos setores promissores da nova economia, é surpreendente que o BTG tenha escolhido a expansão do petróleo e do gás na Amazônia como área para investir e siga com esses ativos em sua carteira. Isso revela uma desconexão assustadora do banco com os princípios ESG e com uma visão saudável de crescimento corporativo”, reitera Zugman.

Para o Cacique Jonas Mura, está na hora de pararmos de enxergar a Amazônia como um produto de grande comércio. “A Amazônia representa a vida. Não podemos aceitar que projetos que visam a exploração de petróleo e gás tenha maior valor do que uma vida”, diz.

“Os bancos e outras grandes empresas precisam parar de investir em indústrias que ameaçam os povos indígenas e toda a biodiversidade local da Amazônia e de muitos outros lugares. De nada adianta pautar o avanço econômico de poucos, deixando um rastro de destruição para tantos”, reforça Mura.

O manifesto acontece em meio à COP26 e faz parte de uma onda de ações visando revelar instituições financeiras que continuam a apoiar a indústria de combustíveis fósseis. Com mais de 120 ações em 26 países coordenadas pela 350.org e parceiros, as mobilizações expressam um sentimento coletivo de urgência, para exigir justiça climática e impedir o financiamento criminoso dos combustíveis fósseis, que matam populações em todo o mundo. A ideia é que esses bancos redirecionem seus investimentos para uma transição energética justa, apoiando as nações mais vulneráveis no enfrentamento da crise climática.

Para mais informações sobre esta o protesto citado e as manifestações ao redor do mundo, por favor, contate a 350.org.

Serviço

O quê: Manifestação contra o banco BTG Pactual, organizada por 350.org

Quando: 6ª-feira, 05/11, a partir das 10:00

Onde: Em frente à sede do BTG Pactual, em São Paulo (SP) – (Av. Brigadeiro Faria Lima, 3477 – Itaim Bibi)

Contato:

* Para apoio no local do protesto: Renata Padilha, da 350.org: (51) 99206-2626

* Para entrevistas, fotos e aspas: Paulinne Giffhorn, da 350.org: paulinne.giffhorn@350.org / +55 (41) 99823-1660

Por que o compromisso de controle de emissões do Brasil na COP-26 vale uma nota de 2 dólares?

Pode-se dizer o que se disser do governo Bolsonaro, mas ele tem seus momentos de sinceridade como no exemplo da mostra do Brasil montada no local de realização da COP-26 (ver imagem abaixo).

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É que diante da hierarquia colocada no painel, fica mais uma vez evidente quem realmente manda no governo Bolsonaro são os latifundiários. De quebra, fica confirmada a impressão de que os compromissos assinados pelo Brasil no sentido de conter as emissões e o desmatamento na Amazônia e no Cerrado valem uma nota surrada de 2 dólares.

Acredita ou finge acreditar, quem quer.

Estudo mostra que soja embutida em produtos consumidos no Reino Unido pela abordagem florestal da Cargill

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Uma investigação realizada pelo Bureau of Investigative Journalism, Greenpeace Unearthed, ITV News e Daily Mirror encontrou ligações entre o desmatamento nos biomas Amazônia e Cerrado do Brasil e produtos lácteos britânicos. A trader de soja Cargill, a empresa europeia líder em nutrição animal ForFarmers e várias empresas de bens de consumo estão conectadas à cadeia de suprimentos do Grupo Scheffer, um agronegócio brasileiro com 224.000 hectares (ha) de terras aráveis. O Grupo Scheffer tem sido repetidamente vinculado a incidentes de danos ambientais em fazendas, incluindo a derrubada de faixas de vegetação do Cerrado e o uso de fogo para limpeza de terras.

A investigação revelou que fazendas do Reino Unido que fornecem leite e laticínios Saputo (proprietária da Dairy Crest com marcas de queijos bem conhecidas como Davidstow e Cathedral City Cheddar), Arla UK (parte de uma cooperativa multinacional dinamarquesa) e Cadbury UK (de propriedade da Mondelez International ) obtêm uma parte de sua ração para gado dos produtores de rações ForFarmers e Mole Valley Feeds. Esses produtores, por sua vez, compram soja brasileira exportada pela Cargill, que adquire soja do Grupo Scheffer.

A Cargill está ligada a eventos de desmatamento e incêndios em sua cadeia de suprimentos brasileira há algum tempo. Em março de 2021, a Chain Reaction Research informou que a Cargill tinha a segunda maior exposição ao risco de desmatamento no Cerrado em 2020 (depois da Bunge), totalizando 44.644 ha. Uma pesquisa anterior de CRR descobriu que a Cargill tinha um alto risco de sofrer incêndios dentro de suas zonas de compra potenciais. Como membro do Soft Commodities Forum (SCF), a Cargill e outros comerciantes se comprometeram com uma estrutura comum para relatar e monitorar o progresso na transparência e rastreabilidade de suas cadeias de suprimento de soja no Cerrado. No entanto, ainda não está claro como as promessas do SCF se relacionam com seus compromissos de excluir a conversão de toda a vegetação nativa do Cerrado e a implementação de mecanismos eficazes de não conformidade, inclusive em relação à conversão legal. Nenhum dos comerciantes incluídos na análise do CRR apoia o Manifesto do Cerrado, que prevê a suspensão do desmatamento e a perda da vegetação nativa no bioma. As políticas de desmatamento dos comerciantes podem ser insuficientes para mitigar o risco de desmatamento em suas cadeias de abastecimento.

A Arla e a Saputo apontam as suas compras de créditos de certificação para apoiar a produção de soja responsável. No entanto, os créditos adquiridos com a certificação da Mesa Redonda para a Soja Responsável (RTRS) ou do próprio esquema Triple S da Cargill não estão vinculados a suprimentos físicos. Também permitem a mistura de soja com produto de origem não certificada, o que pode estar vinculado ao desmatamento.

A Arla admitiu que “não monitora os fornecedores escolhidos por nossos proprietários agrícolas para seus negócios”. Portanto, não sabe de onde vem a soja em sua cadeia de abastecimento. Arla, Saputo e Mondelez International são empresas de bens de consumo (FMCGs) de rápido movimento. Este setor é um dos principais beneficiários dos lucros gerados na cadeia produtiva da soja. Esse padrão é muito semelhante à cadeia de lucro do óleo de palma . Na cadeia do óleo de palma, o FMCG e os setores de varejo (incluindo supermercados, serviços de alimentação e restaurantes fast-food) obtêm 66% dos lucros brutos e 52% dos lucros operacionais do óleo de palma incorporado. Essas empresas e seus financiadores enfrentam altos riscos financeiros pela não implementação e execução de políticas de desmatamento. Em particular, financiamento e risco de reputação pode custar-lhes até 30% do valor de sua empresa ou de mercado. Estabelecer a melhor política e execução de desmatamento zero da categoria, incluindo monitoramento / verificação, exigiria que essas empresas aumentassem os preços ao consumidor em menos de 2%.

A Cargill é uma empresa privada não listada, mas muitas instituições financeiras estão envolvidas no financiamento de dívidas e emissão de títulos para suas atividades de soja na América Latina. Os principais credores em seu financiamento à soja são BNP Paribas, Itaú Unibanco, JP Morgan Chase, Bank of America e Deutsche Bank. Entre os principais investidores em títulos da Cargill estão Prudential Financial (EUA), Metlife, AIG, Nationwide Mutual Insurance e Wellington Management. Vários deles adotaram políticas de desmatamento zero e têm amplos motivos para se envolver com a Cargill. Dos produtos de dívida identificados e ajustados, 27% vieram de instituições financeiras da União Europeia (UE). As instituições da UE estão cada vez mais expostas a regulamentações financeiras sustentáveis ​​(como o SFDR) e também terão que enfrentar a regulamentação da UE sobre a devida diligência na cadeia de abastecimento (2022).

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela Chain Reaction Research [Aqui!].