Rafael Diniz brinca de roleta russa com transporte público em Campos dos Goytacazes

ponto modeloPonto “modelo” sendo instalado na localidade de Goitacazes. Estrutura terá várias comodidades. Resta saber se a população terá transporte de qualidade.

Tenho recebido insistentes contatos para explicar como deverá funcionar o “novo” sistema de transporte público em Campos dos Goytacazes, principalmente por parte de usuários que não moram na malha urbana principal. Para muitos das pessoas que tem feito contato em busca de explicações, o jovem prefeito Rafael Diniz está novamente jogando roleta russa com os mais pobres.

Coomo estou concluindo a orientação de uma monografia de graduação no curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense cujo foco é justamente o processo de mobilidade e acessibilidade urbana, posso dizer que novamente a gestão de Rafael Diniz realizou um simulacro de debate público para impor seu “novo” modelo de transporte público ao realizar plenárias que ocorreram em horários inviáveis para os usuários do sistema e com baixíssima publicização (o convite oficial apareceu no site oficial com apenas dois dias de antecedência (ver figura abaixo)

plano mobilidade

Calendário com as datas e temas das plenárias do Programa de Mobilidade Sustentável. Fonte: Portal da Prefeitura.

O que mais me chama a atenção é a fórmula de permitir apenas a presença de ônibus nas áreas centrais, deixando as localidades mais distantes para serem servidas para operadores de vans. De forma objetiva, aos empresários de ônibus ficou reservando o filé mignon do mercado, enquanto que para as vans vai sobrar o osso (ver figura abaixo).

trajetoProposta de Trajeto existente com Integração de Modais  Fonte: Minuta do Projeto Básico para  Licitação do Sistema de  Transporte Coletivo Alimentador de Passageiro em Campos dos Goytacazes.

Outro aspecto que tem deixado muitas pessoas especialmente céticas é que sabe-se lá por que razões o jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais decidiram impor o funcionamento do “novo” sistema, sem que os pontos de alimentação estejam devidamente estruturados para receber os passageiros.  É o tipo da improvisação que não só contribui para o descrédito precoce da proposta junto aos usuários, mas como também reflete uma volúpia que não se vê em várias outras áreas da administração, especialmente quando se trata de apoiar os cidadãos que vivem em localidades distantes do centro da malha urbana principal do município.

Sem querer ser ave de mau agouro, penso que as dúvidas do que fizeram contato comigo serão transformadas rapidamente em revolta. É que o “novo” sistema não apenas mantém velhos vícios do sistema que se pretende substituir, como também não mexe nas causas principais dos problemas que tornam hoje o sistema público de transporte de Campos dos Goytacazes algo mais do que precário.

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Em Cracóvia, Polônia, trem de superfície percorre a região central, tendo ciclovias correndo em paralelo.

Tendo visitado a cidade de Cracóvia, capital histórica da Polônia, que possui uma população de 700 mil habitantes, pude lá ver a perfeita integração entre trem-metro-ônibus-bondes elétricos a preços não apenas baratos, mas também com uma ampla gama de descontos e isenções para professores, estudantes e aposentados.   Cito o caso de Cracóvia não apenas porque a Polônia não é exatamente a fina flor do capitalismo europeu, mas porque a cidade possui inclusive um rio que a divide ao meio como no caso de Campos dos Goytacazes.  Lamentavelmente, presumo que enquanto os habitantes de Cracóvia podem acessar um sistema eficiente e barato, em Campos dos Goytacazes continuaremos submetidos a serviços de baixíssima qualidade.

Inacessibilidade no campus: a degradação do patrimônio que a reitoria da UENF não vê (ou finge que não vê)

Tocando mais uma vez no assunto da carta lançada pela reitoria da UENF onde foi dito que ações serão tomadas para “proteger o patrimônio público da universidade”, outro leitor deste blog me lembrou do problema da falta de acessibilidade que persiste no campus, e me enviou as imagens abaixo que demonstram quão difícil é circular no campus, seja a pessoa portadora de algum tipo de deficiência física ou não.

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Ai eu me coloquei a pensar e lembrei que no cada vez mais distante ano de 2011, a UENF contratou os serviços de uma empresa chamada SERV NORTE para refazer as calçadas e melhorar as condições de acesso dentro do campus, ao custo de R$ 1.257.305,04  como mostra a placa abaixo.

acessibilidade

Ai eu pergunto à reitoria da UENF: onde anda o mesmo senso de urgência para proteger o patrimônio público e os membros da comunidade universitária da UENF que têm de circular por essas vias internas tão impróprias e que, inclusive, já causaram quedas e contusões? 

Pelo jeito, estamos diante de um caso explícito de preocupação seletiva por parte da reitoria da UENF. Enquanto isso, salve-se quem puder!

Estudante reivindica melhores condições de acessibilidade na UENF

 

EU, LUIZ ANTÔNIO, estudante da UENF (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE) curso Licenciatura em Química, reivindico ACESSIBILIDADE para todas as deficiências.

ACESSIBILIDADE É PLENA E SEM FRONTEIRAS !!! .

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ALÉM  do restaurante universitário,aumento da bolsa universitária,alojamento; venho chamar a atenção e reivindicar as acessibilidades da UENF.

Acessibilidade não apenas  para  pessoas com deficiências ou mobilidades reduzidas, mas para todos os membros da sociedade para que possam se adaptar e se locomover, eliminando as barreiras.

NÃO à exclusão.As inclusões sociais, incluem os usos de produtos, serviços e informações.

        Semáforo sonoro, Inscrições e Material em braille. Os bebedouros e orelhões ao alcance de todos. Acessibilidade é o respeito da limitação de cada um.

        Calçadas: Piso tátil (são faixas em alto relevo fixadas no chão para fornecer auxílio na locomoção pessoal de deficientes visuais ).

A falta de acessibilidade no setor de ensino influência em muito no psicológico,no caráter,na aprendizagem,nas potencialidades,no convívio social,na habilidades, na formação de um raciocínio lógico, nos valores morais, e nas competências do aluno.

         Acessibilidade não é difícil, é preciso. A lei garante como direito de todo cidadão!

                 CAMPOS DOS GOYTACAZES,15/04/2014.