Leitor do blog envia imagem e pergunta: para onde vai o esgoto coletado na Barra do Açu?

trator limpa fossa

A imagem acima é de um trator acoplado a um tanque de estocagem de esgoto que foi tirada num momento de descanso do operador dessa engenhoca na localidade de Barra do Açu, que fica na região costeira do V Distrito de São João da Barra. O leitor do blog ainda me perguntou se eu sabia para onde esse material está sendo levado para ser despejado.

Como não tenho como oferecer uma resposta precisa ao que o leitor me perguntou (mesmo porque autorizar o trabalho de remoção de esgotos está fora da minha jurisdição de professor da UENF), transfiro a questão para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de São João da Barra e para o Instituto Estadual do Ambiente (INEA).  Afinal de contas, se o que está removido é esgoto urbano nada mais justo que esses dois órgãos ambientais possam informar à toda população o destino do material que está sendo, suponho eu, coletado de forma legalizada a partir de processos técnicos que devem ter passado pelo escrutínio dessas duas instâncias.

Esse aqui pode ser um exemplo clássico de que se seguirmos a trilha deixada por algo ou alguém, é possível que cheguemos a respostas surpreendentes sobre questões prementes que ninguém parece ter uma explicação plausível. Será?

Reuters: OSX tem prejuízo de R$1,84 bi no 3o trimestre

SÃO PAULO (Reuters) – A empresa de construção naval OSX teve prejuízo de 1,84 bilhão de reais no terceiro trimestre, revertendo o lucro de 6,92 milhões registrado um ano antes, informou a empresa do grupo do empresário Eike Batista na noite de segunda-feira.

O resultado foi impactado por provisões para queda no valor de plataformas e para perdas com calotes.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou negativa em 1,839 bilhão de reais, ante resultado positivo em 13,1 milhões registrados um ano antes.

A receita líquida total da companhia somou 151,9 milhões de reais, avançando sobre os 80,4 milhões de um ano antes.

A OSX entrou com pedido de recuperação judicial este mês, vinculado ao processo da sua empresa-irmã OGX, em procedimento chamado juridicamente de “distribuição por dependência”.

O pedido de recuperação foi aceito na véspera, pelo juiz da 4a Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, Gilberto Clovis Farias Matos, segundo informações do TJ-RJ.

Outras empresas do grupo EBX, do empresário, incluindo OGX e MMX, podem divulgar resultados de terceiro trimestre na sexta-feira, após adiarem datas marcadas anteriormente.

(Por Roberta Vilas Boas)

FONTE: http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE9AP00P20131126

INEA estende licença de instalação do Porto do Açu para 2016

Açu aérea 1

O extrato abaixo foi publicado hoje no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro e dá conta que a licença de instalação do Porto do Açu foi estendida por mais 3 anos.

LLX extensão licença

Este fato é positivo para a LL(X) (ou seja qual for o nome que a empresa deverá ter após sua próxima assembléia de acionistas), pois a última coisa que seus novos proprietários iriam querer é assumir um empreendimento sem licença ambiental.

Agora, convenhamos, que a extensão do prazo para sua instalação para 2016 é um reconhecimento tácito de que o andamento das obras não anda sim tão rápido que possa permitir a inauguração do Porto do Açu em 2014.

Por outro lado, não deixa de ser peculiar que um empreendimento cercado de tantos problemas sociais, trabalhistas e ambientais tenha sua licença de instalação prorrogada sem que a sociedade fluminense seja sequer consultada. Mas esse é o (des) governo comandado por Sérgio Cabral e o ambiente gerido por Carlos Minc.

Finalmente, um aspecto interessante nessa autorização: o que foi beneficiado pela extensão de prazo foi apenas o “terminal portuário denominado como Porto do Açu”.  É que eu venho dizendo, o Complexo Industrial Portuário do Açu vai acabar sendo apenas um porto. E olhe lá!

Mortandade de peixes continua no Canal Quitingute e desmente versão de “normalização” da situação

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Pesquisadores do Laboratório Ciências Ambientais (LCA) da UENF estiveram novamente no Canal Quitingute para coletar amostras de água nesta segunda-feira (25/11).  A primeira constatação é que a mortandade de peixes que começou há quase 15 dias continua. Essa constatação foi confirmada por moradores do V Distrito que estão encontrando peixes mortos boiando no Canal Quitingute desde Água Preta até Bajuru, numa demonstração de que o problema que causou a mortandade continua ocorrendo.

Essas constatações colocam em xeque a versão oficial do INEA de que a condições das águas do Canal Quitingute estariam voltando ao normal. Mais maiores informações sobre a qualidade das águas só deverão ser dadas até o final de hoje quando os primeiros resultados forem liberadas.

De toda forma, a situação é preocupante e agora se espera que o INEA e o Comitê de Bacias se juntem ao esforço de identificar as fontes do problema para contê-las o mais rápido possível. Agora uma coisa é certa: há algo de muito podre no reino do V Distrito, e não são só os peixes que estão aparecendo mortos que dão a pista.

Porto do Açu sob os olhos dos satélites: muita areia para pouca área construída

A evolução das tecnologias de monitoramento remoto associadas ao desenvolvimento e disponibilização de ferramentas de geoprocessamento tornaram fácil vermos quase tudo que existe na superfície da Terra nos seus mínimos detalhes. Uma ferramenta da Google que eu uso muito como geógrafo é o Earth Google que mesmo em sua versão gratuita já dá muita informação boa.Como nos últimos tenho tido que me valer do Earth Google para explicar algumas questões sobre o que anda acontecendo no V Distrito de São João da Barra com a tentativa de implantar um Complexo Industrial Portuário na Barra do Açu, me dei conta de que não havia olhado as imagens com a devida atenção.

E eis que dar uma olhada nas imagens disponibilizadas pelo Earth Google e que são do dia 29.04.2013 pude verificar que no caso do empreendimento do Açu há muito mais areia (ou seria fumaça) do que área efetivamente construída. E como de lá para cá quase nada aconteceu, podemos assumir que o mostrado nessas imagens continua bastante atual. Assim, para não deixar dúvidas mostro duas cenas abaixo. Vejamos então:

AÇU LAND 1 AÇU LAND 2

E ai é que eu me pergunto uma vez mais: por que se desapropriou tanto terra no V Distrito se as áreas alteradas para receber os diferentes empreendimentos anunciados por Eike Batista ,e tão festejados seus acólitos dentro das diferentes níveis de governo e na imprensa corporativa, continuam basicamente intocadas? Por essas e outras é que eu digo: indenizem os agricultores e pescadores e devolvam logo seus meios de produção econômico e reprodução social! Afinal de contas, as imagens do Earth Google não deixam dúvidas sobre o embuste.

O DIÁRIO: Névoa de areia salgada em distrito de SJB

MARCOS PEDLOWSKI/DIVULGAÇÃO
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Uma névoa de areia salgada invade os telhados das casas das localidades de Bajuru e Mato Escuro, no 5º distrito de São João da Barra (SJB). O problema foi levantando pelo professor Marcos Antônio Pedlowski, responsável pelo setor de Estudos sobre Sociedade e Meio Ambiente da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Segundo ele, a areia estaria depositada no aterro hidráulico construído pela LLX, do Grupo EBX, como parte das obras do Porto do Açu. O vento Nordeste seria o responsável por levar o material às residências.

“Para construir um canal artificial, removeram a areia salgada, mas em vez de colocá-la fora do oceano, que seria o certo, fizeram o aterro hidráulico, sem mecanismo de contenção, que poderia ser uma camada de argila ou brita. Com isso, a areia se movimenta e voa em direção às casas”, disse Pedlowski, que considera o 5º distrito “um caldeirão de problemas ambientais”, acrescentando que no local existe uma “duna móvel” de sete metros de altura.

Em outubro, o professor visitou as localidades. “Em poucos minutos estava lacrimejando. Soube também que os motociclistas evitam usar seus veículos em dias com ventos fortes por causa da grande quantidade de areia no asfalto. A sensação é a de que está nevando”.

Salinização também preocupa

Além de destruir a vegetação, a areia, que estaria depositada a dois quilômetros das obras do Porto do Açu, pode causar problemas respiratórios, segundo alertou ainda o pesquisador.
“Estamos tornando o problema público, embora exista também o interesse acadêmico, onde pretendemos iniciar um estudo sobre esse material. Queremos saber, por exemplo, o teor de salinidade e se existem outros tipos de materiais depositados ali. São milhões de metros cúbicos de areia se perdendo”, informou o professor da Uenf.

Pedlowski citou o problema da salinização da água e do solo na área do 5º distrito de São João da Barra, que seria decorrente das obras do estaleiro, denunciado no final do ano passado. “Pelo jeito, os efeitos ambientais são mais amplos do que se imaginava inicialmente quando se detectou o problema”, ressaltou o pesquisador.

Em nota, a Assessoria de Imprensa da Empresa LLX informou “que há uma rede de monitoramento da qualidade do o ar na região, incluindo a localidade de Mato Escuro, no 5º distrito de São João da Barra, e não há registro de alteração nos índices desde o início da execução do aterro hidráulico. O monitoramento é realizado por empresa especializada, e os relatórios com os dados de monitoramento de qualidade do ar são encaminhados ao Inea (Instituto Estadual do Ambiente)”.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/nevoa-de-areia-salgada-em-distrito-de-sjb-6225.html

Linha de transmissão que não transmite simboliza fracasso do megaempreendimento de Eike Batista no Açu

Estive hoje visitando agricultores na localidade de Água Preta no V Distrito de São João da Barra, Passando pela estrada de acesso à localidade me deparei com o que deveria ser a linha de transmissão de energia elétrica que iria alimentar o Complexo Industrial e Portuário do Açu e um detalhe chamou a minha atenção: as torres estão lá, mas “esqueceram” de colocar os cabos de eletricidade.

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O mais desastroso disso tudo é que um número desconhecido de propriedades passou pelo doloroso processo de desapropriação, e muitas famílias que tiveram suas terras expropriadas continuam sem receber a devida compensação financeira.

E o que restou em Água Preta, além de linhas de transmissão que não transmitem, foram as placas da CODIN que hoje já estão tão desbotadas como o discurso megalômano de Eike Batista.

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Violência: outra faceta indesejável da herança maldita do Grupo EBX no Porto do Açu

Manifestantes reivindicam maior efetivo policial no 5º distrito de SJB

Foto: Gisele Soares

Moradores do 5º distrito de São João da Barra, revoltados com o constante número de assaltos e outros crimes na região, fizeram uma manifestação na divisa com o município de Campos — entre as localidades de Cazumbá (território sanjoanense) e São Bento. Eles reivindicaram o aumento de efetivo policial no distrito e reativação do DPO na localidade de Sabonete. Com pneus queimados, os manifestantes bloquearam a ponte sobre o canal São Bento — ligação entre o distrito campista e sanjoanense.

Segundo os participantes do manifesto, a população do 5º distrito é superior a oito mil habitantes e conta apenas com o DPO do Açu para atender toda região. Eles afirmam ainda que, nos últimos anos, está aumentando o número de crimes como furtos, assaltos e estupros.

— Fizemos um movimento pacífico para chamar atenção da Polícia Militar e dos governantes. Queremos a reativação do DPO de Sabonete, para ajudar o efetivo do Açu. É por isso que hoje estamos reunindo os moradores do quinto distrito — explicou a manifestante Shana Carla Siqueira, 51.

A comerciante Jocineia Peixoto participa do protesto. Ela conta que já foi assaltada três vezes e vive com medo de ser vítima da criminalidade novamente. “Às vezes penso em parar, mas preciso trabalhar e não tenho outra renda. O medo aumenta a cada dia”.

Foto: Gisele Soares

No último domingo, 10, o Bazar Ribeiro, na localidade de Campo de Areia, foi assaltado pela terceira vez somente neste ano. “Dessa vez os bandidos avisaram que voltam no próximo mês”, disse um manifestante.

Cerca de 80 pessoas participam do movimento, que é acompanhado por três guarnições da Polícia Militar. A ponte ficou interditada por mais de uma hora.

Reativação do DPO de Sabonete é o principal pedido

“SOS DPO de Sabonete. Patrulhamento ostensivo como sempre foi”. Essa era uma das faixas usadas pelos manifestantes, que não se conformam com o fato de o DPO contar com apenas um policial, sem viatura para atender a localidade. Segundo os moradores da localidade, a reativação do Destacamento daria mais segurança à comunidade, além de diminuir a sobrecarga do DPO do Açu.

Morador de Campo de Areia, Luis Fabiano conta que apoia o ato desde o início. Ele acredita que quando o efetivo policial era maior, o 5º distrito não sofria com a violência. “A situação está complicada, o DPO de Sabonete só tem um policial e até ele corre risco. Estão roubando motos dentro de casa e as pessoas tem medo de andar nas ruas porque constantemente assaltam celulares”.

8º BPM não considera baixo efetivo da região

Em resposta a matéria Insegurança no 5º distrito, divulgada pelo SJB Online no dia 29 de outubro, a assessoria de imprensa do 8º Batalhão de Polícia Militar (Campos) afirmou que as ocorrências na região não chegam a 0,5% da atendidas pelo. Confira a resposta da PM na matéria Polícia Militar não considera baixo efetivo no 5º distrito.

Foto: Gisele SoaresFoto: Gisele SoaresFoto: Gisele Soares

 

FONTE: http://www.sjbonline.com.br/noticias/manifestantes-reivindicam-maior-efetivo-policial-no-5-distrito-de-sjb

O colapso do “superporto do Açu”: o pior cego é aquele que enxerga e não quer ver

A bancarrota das empresas “X” ainda não foi publicamente assimilada pelos defensores locais da pseudo-infalibilidade de Eike Batista.  As viúvas deixadas pela derrocada inexorável de Eike Batista e seu império de empresas pré-operacionais incluem jornalistas, candidatos a político, político em exercício pleno de cargos públicos, e ex-ocupantes desses mesmos cargos públicos.  Para esses personagens nem a gigantesca quebra da OG(X) e da OS(X)  parecem trazê-los à realidade desoladora que se estabeleceu pelo derretimento das empresas “X”. Para eles não há crise social, econômica e ambiental em São João da Barra, a qual ameaça engolir os municípios vizinhos.

Mas não é com as viúvas de Eike com quem eu me preocupo, pois os motivos que cimentam tanta adesão local a um personagem que hoje não comove muita gente fora dos limites do Norte Fluminense deve ter suas razões privadas, algumas de cunho inconfessável. Mas eu me preocupo sim com que está por vir na esteira da derrocada de Eike Batista não apenas para as centenas de famílias de agricultores e pescadores do V Distrito de São João da Barra que tiveram suas vidas colocadas de cabeça para baixo, mas para o conjunto da população regional. É  que os custos econômicos desse colapso vão acabar, quase que certamente, recaindo sobre as costas dos pobres. É só prestar atenção na alocação orçamentária que está sendo proposta em São João da Barra para ver que as centenas de milhões de reais trazidas pelos royalties do petróleo continuaram passando ao largo dos reais problemas que vive a sofrida população sanjoanense.

Dito isto, é hora de que se diga de uma vez por todas que a fábula de um superporto com distrito industrial nunca passará de uma estória da carochinha. E, pior, que o que está se desenhando nas terras controladas pela EIG Global Partners não vai trazer o eldorado prometido por Eike Batista. Quando muito o que este enclave estadunidense vai conseguir trazer é mais gente para estressar ainda mais os limitados serviços públicos que são oferecidos para a população de São João da Barra. Quanto mais cedo isso for assimilado pelos que querem um verdadeiro ciclo de desenvolvimento no Norte Fluminense, mais cedo partiremos para uma discussão séria sobre qual modelo de desenvolvimento é mais adequado não apenas para São João da Barra, mas para todos os municípios de nossa região.

Persistir na esperança enganosa apenas empurrará mais a situação para o precipício ou, pior, para um gigantesco atoleiro de areia que está sendo criado pelo vento que sopra sobre a montanha de areia salgada que foi construída por Eike Batista no V Distrito de São João da Barra.