O colapso do “superporto do Açu”: o pior cego é aquele que enxerga e não quer ver

A bancarrota das empresas “X” ainda não foi publicamente assimilada pelos defensores locais da pseudo-infalibilidade de Eike Batista.  As viúvas deixadas pela derrocada inexorável de Eike Batista e seu império de empresas pré-operacionais incluem jornalistas, candidatos a político, político em exercício pleno de cargos públicos, e ex-ocupantes desses mesmos cargos públicos.  Para esses personagens nem a gigantesca quebra da OG(X) e da OS(X)  parecem trazê-los à realidade desoladora que se estabeleceu pelo derretimento das empresas “X”. Para eles não há crise social, econômica e ambiental em São João da Barra, a qual ameaça engolir os municípios vizinhos.

Mas não é com as viúvas de Eike com quem eu me preocupo, pois os motivos que cimentam tanta adesão local a um personagem que hoje não comove muita gente fora dos limites do Norte Fluminense deve ter suas razões privadas, algumas de cunho inconfessável. Mas eu me preocupo sim com que está por vir na esteira da derrocada de Eike Batista não apenas para as centenas de famílias de agricultores e pescadores do V Distrito de São João da Barra que tiveram suas vidas colocadas de cabeça para baixo, mas para o conjunto da população regional. É  que os custos econômicos desse colapso vão acabar, quase que certamente, recaindo sobre as costas dos pobres. É só prestar atenção na alocação orçamentária que está sendo proposta em São João da Barra para ver que as centenas de milhões de reais trazidas pelos royalties do petróleo continuaram passando ao largo dos reais problemas que vive a sofrida população sanjoanense.

Dito isto, é hora de que se diga de uma vez por todas que a fábula de um superporto com distrito industrial nunca passará de uma estória da carochinha. E, pior, que o que está se desenhando nas terras controladas pela EIG Global Partners não vai trazer o eldorado prometido por Eike Batista. Quando muito o que este enclave estadunidense vai conseguir trazer é mais gente para estressar ainda mais os limitados serviços públicos que são oferecidos para a população de São João da Barra. Quanto mais cedo isso for assimilado pelos que querem um verdadeiro ciclo de desenvolvimento no Norte Fluminense, mais cedo partiremos para uma discussão séria sobre qual modelo de desenvolvimento é mais adequado não apenas para São João da Barra, mas para todos os municípios de nossa região.

Persistir na esperança enganosa apenas empurrará mais a situação para o precipício ou, pior, para um gigantesco atoleiro de areia que está sendo criado pelo vento que sopra sobre a montanha de areia salgada que foi construída por Eike Batista no V Distrito de São João da Barra.

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