Jair Bolsonaro, amarelou e foi assistir ao debate no sofá via o NETFLIX

Munido de um daqueles atestados médicos para lá de convenientes, o deputado federal Jair Bolsonaro evadiu o último dos debates presidenciais do 1o. turno.  E depois de arranjar forças para dar uma entrevista à TV Record comandada pelo bispo Edir Macedo, ele foi sentar no sofá e assistir o debate via o NETFLIX (ver imagem abaixo).

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O ar zombateiro que Bolsonaro mostra na imagem acima é típica daqueles que nutrem profundo desprezo pela democracia. Mas nem todo o sorriso do mundo vai esconder um fato inequívoco: ele amarelou!

É que Bolsonaro claramente não é bobo, e não iria arriscar expor suas conhecidas limitações justamente num momento decisivo da campanha que ele só pode vencer se acabar no primeiro turno.

E lembremos que esse candidato que descansa em sofá esplêndido tem um programa de governo que deverá regredir as relações entre capital e trabalho no Brasil para antes da década de 1930 quando nem ainda se havia instalado o Estado Novo.

Aos trabalhadores que ainda não entenderam a mensagem escondida por detrás do discurso anti-corrupção, há que se lembrar que a dupla Bolsonaro/Mourão pretende acabar com o 13o. salário, com o adicional de férias, com a estabilidade dos servidores públicos, e privatizar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o que ainda resta de público na Petrobras.

Por isso, é fundamental que ele seja derrotado tanto em sua agenda de contrarreforma trabalhista, como em sua clara propensão para a implantação de um modelo particularmente autoritário no Brasil.

Hamilton Mourão, o vice indigesto, gera furor no Twitter com suas declarações contra os trabalhadores

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Falas do vice Mourão contra direitos trabalhistas geram 187 mil tuítes, aponta FGV DAPP

Falas de general Mourão sobre 13º e férias remuneradas foram responsáveis por cerca de 18% do debate sobre presidenciável do PSL no período; apoiadores do deputado foram ao Twitter pedir que Bolsonaro impedisse novas declarações polêmicas do vice e do economista Paulo Guedes

As declarações contra direitos trabalhistas previstos na Constituição dadas pelo general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, repercutiram intensamente no debate sobre Bolsonaro desde o começo da tarde desta quinta-feira (27). Das 14h de quinta até as 13h desta sexta (28), de um total de 1,01 milhão de referências ao deputado federal no Twitter, 187,3 mil (18,7%) abordaram a fala de Mourão crítica ao 13º salário, ao pagamento de adicional de férias aos trabalhadores e outros benefícios trabalhistas. Foi um dos principais picos de repercussão econômica na discussão eleitoral sobre Bolsonaro desde o início da campanha.

Até as 23h de quinta, as menções ao assunto tiveram volume de menções médio de 14 mil tuítes por hora, com ampla visão negativa sobre a fala, principalmente a partir do impacto que poderia gerar na campanha de Bolsonaro. Tal repercussão crítica ocorreu, inclusive, entre apoiadores do deputado, que foram ao Twitter pedir que Bolsonaro impedisse novas declarações polêmicas, também com referências ao economista Paulo Guedes.

Alguns perfis, no entanto, endossaram a opinião de Mourão, com críticas ao que chamaram de “manipulação da imprensa” e mesmo ao próprio Bolsonaro, por entenderem que a leitura do general acompanha princípios associados à redução do Estado e ao estímulo à classe empresarial. Por isso, mostraram-se contrários à manutenção dos direitos criticados por Mourão e traçaram comparativos com, por exemplo, o sistema de remuneração nos Estados Unidos — ao questionar o 13º salário e o adicional de férias, o vice de Bolsonaro os havia chamado de “jabuticabas”, porque só existem no Brasil.

Paulo Guedes e escolha de Mourão como vice em xeque

Dentro do debate sobre os comentários de Mourão, o principal subtema foi a crítica ao 13º salário, respondendo por 52,7 mil tuítes, com majoritário sentimento negativo. Já a opinião sobre as férias remuneradas dos trabalhadores respondeu por 33,8 mil postagens. O economista Paulo Guedes, que este mês também fez comentários polêmicos e rejeitados pelo próprio Bolsonaro, foi citado em 8,7 mil tuítes, em especial por conta da proposta de recriação da CPMF.

Outro tópico relembrado na web foi a defesa, por Mourão, de uma constituinte elaborada por “notáveis”, sem a necessária atuação de parlamentares eleitos. Esse debate foi mobilizado por tuíte de Bolsonaro com críticas ao próprio vice, no qual defendeu o direito constitucional ao 13º salário e definiu como “ofensa” criticá-lo. A repercussão direta do posicionamento do candidato gerou 16,8 mil publicações.

À esquerda e entre influenciadores, outro ponto de debate foi a posição do general como “principal adversário” de Bolsonaro na campanha, junto a Guedes. Perfis de humor, de atores políticos e de celebridades afirmaram, com acentuada ironia, que Mourão rotineiramente consegue fazer “estragos” contra Bolsonaro que nenhum adversário político se aproxima de obter ao atacá-lo. Cerca de 900 publicações, inclusive, lembram que outros nomes ficaram próximos de integrar a chapa presidencial, como a advogada Janaina Paschoal, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o astronauta Marcos Pontes. Afirmam que, com qualquer outra escolha, o desgaste seria menor que o provocado por Mourão.

FONTE: Insight Comunicação

 

Em ato de sincericídio, vice de Bolsonaro indica intenção de acabar com o 13o. salário e o adicional de férias

Em matéria publicada pela Revista Veja somos informados de mais algumas pérolas que se pretende implementar numa eventual vitória da chapa formada por Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão.  Segundo nos informa, o jornalista João Pedroso de Campos , em uma palestra realizada na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana (RS), o general da reserva apontou como os principais alvos de uma futura reforma trabalhista o 13o. salário e o adicional de férias que seriam “jabuticabas” que só existem no Brasil [1].

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Eu não sei bem o que anda acontecendo com o General Mourão no Rio Grande do Sul, mas esse tipo de revelação das intenções da chapa que ele forma com Jair Bolsonaro beira o que se pode chamar de “sincericídio”. 

O problema é que se as audiências para quem ele anda revelando as reais intenções das políticas que seriam executadas em seu governo adoram ouvir este tipo de absurdo,  para a classe trabalhadora brasileira estes são retrocessos inaceitáveis.

É que aquilo que está sendo chamado de “jabuticaba” pelo general da reserva (que recebe salários bem acima da média dos trabalhadores brasileiros) são itens fundamentais para que as pessoas possam equilibrar suas contas ao longo de um ano de trabalho. 

E como já disse para um amigo que tinha um estabelecimento comercial e reclamava de pagar esses direitos trabalhistas aos seus empregados, a saída para cessar esses pagamentos é bem simples: que se eleve o valor dos salários pagos no Brasil.  Mas isso não parece ser uma prioridade para o pessoal da chapa liderada por Jair Bolsonaro.

Aliás, há que se agradecer ao general Mourão por toda a sua sinceridade. É que ela ajudará muitos eleitores indecisos a  escolherem de forma mais esclarecida quem deverá ser o próximo presidente do Brasil. Valeu general!


[1] https://veja.abril.com.br/economia/vice-de-bolsonaro-diz-ser-contra-pagamento-de-13o-salario/