Brasil pode estar vivendo uma epidemia silenciosa de intoxicação por agrotóxicos

Novo estudo estima mais de 400 milhões de intoxicações agudas por ano no mundo e acende o alerta em um país que consome grandes volumes de agrotóxicos, inclusive substâncias proibidas na União Europeia

Um novo estudo publicado nesta quarta-feira (2) na revista científica Frontiers in Public Health oferece números que deveriam produzir um sério debate sobre os custos humanos do modelo agrícola contemporâneo. No artigo intitulado Worldwide unintentional acute pesticide poisonings: reassessing the occupational and non-occupational burden, Wolfgang Boedeker, Meriel Watts, Peter Clausing e Emily Marquez estimam que ocorram atualmente entre 402 milhões e 433 milhões de casos de intoxicação aguda não intencional por agrotóxicos todos os anos no mundo, acompanhados por aproximadamente 11 mil mortes. Mais impressionante ainda é a estimativa de que cerca de 46% da população mundial envolvida na agricultura seja intoxicada por agrotóxicos a cada ano.

O trabalho de Boedeker e seus colegas merece atenção não apenas pela magnitude dos números apresentados, mas também pelo esforço realizado para ampliar e atualizar a base empírica utilizada para estimar a dimensão mundial das intoxicações. Os autores analisaram informações referentes a 139 países, combinando 214 trabalhos científicos publicados entre 2006 e 2023 com dados da base de mortalidade da Organização Mundial da Saúde. O estudo também incorporou uma análise de sensibilidade destinada a avaliar como diferenças metodológicas entre os trabalhos poderiam afetar as estimativas globais. Mesmo quando os autores adotaram critérios mais restritivos, o resultado continuou impressionante: o número anual estimado permaneceu acima de 400 milhões de intoxicações.

Há outro elemento particularmente importante nesse trabalho. Entre 1990 e 2023, o consumo mundial de agrotóxicos praticamente dobrou, passando de aproximadamente 1,8 milhão para 3,8 milhões de toneladas anuais. Entretanto, essa expansão foi profundamente desigual. Enquanto o consumo caiu cerca de 5% na Europa, aumentou aproximadamente 210% nas Américas e 185% na África. A geografia mundial da exposição aos agrotóxicos está, portanto, se deslocando justamente em direção às regiões onde frequentemente são mais frágeis os mecanismos de fiscalização ambiental, vigilância epidemiológica, proteção aos trabalhadores rurais e controle da comercialização das substâncias mais perigosas.

E o Brasil no meio dessa tempestade química?

É justamente nesse ponto que o estudo publicado na Frontiers in Public Health deveria acender todas as luzes vermelhas no Brasil. O país ocupa posição central no mercado mundial de agrotóxicos e apresenta níveis extraordinariamente elevados de consumo. Dados reunidos em outro estudo publicado em 2025 indicaram que somente em 2021 foram aplicadas aproximadamente 719,5 mil toneladas de agrotóxicos nas áreas agrícolas brasileiras, quantidade equivalente ao consumo conjunto dos Estados Unidos e da China naquele ano. A aplicação média brasileira chegou a cerca de 10,9 quilos por hectare, contra 2,85 kg/ha nos Estados Unidos e 1,9 kg/ha na China.

Os dados oficiais do Ibama mostram que essa dependência química continua extraordinariamente elevada. Somente o glifosato e seus sais responderam por aproximadamente 231,9 mil toneladas comercializadas em 2024. O mancozebe alcançou 75,1 mil toneladas, enquanto substâncias como 2,4-D, acefato e glufosinato continuam figurando entre os ingredientes ativos mais comercializados no território brasileiro.

Mas o problema brasileiro não está apenas na quantidade utilizada. Está também na qualidade toxicológica das substâncias que permanecem autorizadas.

Levantamentos recentes indicam que sete dos dez ingredientes ativos mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia, entre eles mancozebe, 2,4-D, acefato, clorotalonil, atrazina, S-metolacloro e dibrometo de diquate. Isso significa que substâncias consideradas perigosas demais para serem utilizadas em sistemas agrícolas europeus continuam sendo despejadas em grandes quantidades sobre lavouras brasileiras.

A discrepância regulatória é ainda maior quando se observa o conjunto das substâncias autorizadas. Em março de 2025, dos 369 ingredientes ativos químicos autorizados para utilização no Brasil, 234 — ou 63,4% — não estavam autorizados na União Europeia. Além disso, entre 2019 e 2024, centenas de novos produtos contendo princípios ativos não autorizados no mercado europeu continuaram recebendo registro brasileiro.

O próprio Ibama reconhece problemas graves com determinadas substâncias ainda utilizadas no país. Em dezembro de 2025, o órgão iniciou a reavaliação ambiental do metomil e do tiodicarbe, classificados como altamente tóxicos ao ambiente, altamente transportáveis e persistentes e altamente tóxicos para abelhas e pequenos crustáceos aquáticos. O metomil já havia sido banido em cerca de 50 países, mas sua comercialização brasileira vinha crescendo.

Uma epidemia química que dificilmente aparece nas estatísticas

O estudo de Boedeker, Watts, Clausing e Marquez oferece ainda uma chave fundamental para compreender o que provavelmente acontece no Brasil: os sistemas oficiais registram apenas uma fração das intoxicações realmente existentes.

Os autores mostram que muitos trabalhadores intoxicados não procuram atendimento médico, enquanto outros recebem diagnósticos que não identificam corretamente a exposição aos agrotóxicos. Entre as razões para a subnotificação estão dificuldades de acesso aos serviços de saúde, sintomas confundidos com outras doenças, falta de treinamento dos profissionais para reconhecer intoxicações, investigação inadequada dos episódios e fragmentação das bases de dados. Há estudos internacionais sugerindo que sistemas convencionais de vigilância podem subestimar dramaticamente a quantidade real de intoxicações ocupacionais.

Essa observação é particularmente relevante para o Brasil, onde o próprio artigo utiliza diferentes estudos nacionais sobre intoxicações e exposição ocupacional e apresenta uma estimativa de 26% de prevalência anual de intoxicação aguda não fatal entre a população agrícola/ocupacional brasileira, embora os próprios autores ressaltem que estimativas nacionais possuem graus diferentes de incerteza e não devem ser interpretadas como levantamentos epidemiológicos completos de cada país.

Por isso, talvez seja necessário começar a discutir seriamente a possibilidade de que esteja ocorrendo no Brasil aquilo que poderíamos denominar de epidemia química silenciosa. Não se trata de utilizar a palavra epidemia como recurso retórico, mas de chamar atenção para uma exposição populacional disseminada, repetitiva e estruturalmente produzida por determinado modelo de agricultura. Diferentemente das epidemias infecciosas, entretanto, não existe aqui um vírus ou uma bactéria facilmente identificável. Existem centenas de substâncias químicas circulando simultaneamente pelo ambiente e alcançando trabalhadores, comunidades rurais e, por diferentes vias, parcelas muito maiores da população.

E há uma diferença adicional. O artigo da Frontiers in Public Health trata essencialmente das intoxicações agudas, isto é, dos efeitos que aparecem em período relativamente curto após a exposição. Ele não pretende contabilizar toda a carga de doenças decorrente da exposição crônica aos agrotóxicos. Os próprios autores defendem novos estudos longitudinais capazes de investigar esses efeitos de longo prazo. Portanto, os 402 a 433 milhões de casos estimados anualmente representam apenas uma dimensão do problema.

É justamente aí que a noção de epidemia química ganha ainda mais relevância. A exposição brasileira não ocorre apenas durante a aplicação dos produtos. Os agrotóxicos podem alcançar trabalhadores diretamente envolvidos no preparo e pulverização, famílias residentes próximas às áreas agrícolas e ambientes contaminados por deriva, além de água e alimentos. Um estudo apresentado por pesquisadores da Fiocruz encontrou, em amostras brasileiras de água analisadas em 2024, resíduos de sete agrotóxicos proibidos na União Europeia, entre eles atrazina, metolacloro, fipronil e flutriafol.

Quando o veneno proibido lá continua permitido aqui

Existe ainda uma dimensão política que não pode ser ignorada. O contraste entre a regulação europeia e brasileira demonstra que a exposição aos agrotóxicos não resulta apenas de decisões individuais tomadas pelos agricultores. Ela é produzida também por escolhas regulatórias e econômicas.

Quando determinadas substâncias são consideradas perigosas demais para permanecer no mercado europeu, mas continuam sendo comercializadas e utilizadas em larga escala no Brasil, estabelece-se uma espécie de geografia internacional desigual do risco químico. Os riscos que sociedades com maior capacidade regulatória decidiram reduzir continuam sendo socialmente tolerados em países transformados simultaneamente em grandes produtores de commodities e grandes mercados consumidores de agrotóxicos.

Não por acaso, a literatura científica já descreve há décadas o problema do duplo padrão internacional, no qual produtos proibidos ou severamente restringidos nos países industrializados continuam sendo exportados para países como o Brasil.

O novo estudo publicado na Frontiers in Public Health demonstra que as consequências desse modelo estão longe de ser marginais. Estamos falando potencialmente de centenas de milhões de intoxicações anuais e de uma população agrícola mundial na qual quase metade dos trabalhadores pode sofrer pelo menos um episódio de intoxicação aguda por ano. Os próprios autores concluem que as evidências disponíveis já são mais do que suficientes para justificar ações imediatas e defendem a implementação da recomendação da FAO para a eliminação progressiva dos chamados Highly Hazardous Pesticides (HHPs), os agrotóxicos altamente perigosos.

Para o Brasil, essa recomendação deveria ser particularmente urgente. Um país que utiliza quantidades gigantescas de agrotóxicos, mantém autorizadas centenas de substâncias não permitidas na União Europeia e apresenta reconhecidos problemas de subnotificação das intoxicações não deveria continuar tratando os efeitos sanitários desse modelo como simples externalidades inevitáveis da produção agrícola.

A pergunta que precisa ser feita é relativamente simples: quanto da extraordinária produtividade do agronegócio brasileiro está sendo obtida mediante a transferência de custos ambientais e sanitários para trabalhadores rurais, comunidades agrícolas e para o Sistema Único de Saúde?

Os números apresentados por Wolfgang Boedeker, Meriel Watts, Peter Clausing e Emily Marquez sugerem que essa conta pode ser muito maior do que mostram as estatísticas oficiais. E talvez o problema mais grave seja justamente este: enquanto o agronegócio e o governantes celebram recordes de safras e exportações, podemos estar convivendo com uma epidemia química cuja verdadeira dimensão sequer conseguimos medir.

O artigo Worldwide unintentional acute pesticide poisonings: reassessing the occupational and non-occupational burden, de Wolfgang Boedeker, Meriel Watts, Peter Clausing e Emily Marquez, foi publicado em 2 de setembro de 2026 na revista científica Frontiers in Public Health, na seção Occupational Health and Safety.

Leia o artigo original na Frontiers in Public Health

Enquanto a União Europeia fecha o cerco, agronegócio reage à lista de agrotóxicos perigosos

Resistência à proposta do governo expõe dependência de substâncias altamente perigosas justamente quando mercados externos começam a endurecer suas regras

Uma matéria publicada pela Globo Rural informa que o governo federal estuda criar uma lista brasileira de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP), iniciativa que integra o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara). A proposta deveria parecer bastante elementar para um país que ocupa posição de destaque mundial no consumo dessas substâncias: identificar quais ingredientes ativos apresentam os maiores riscos para a saúde humana e para o ambiente e utilizar essa informação para orientar políticas públicas. Entretanto, representantes do chamado agronegócio reagiram à iniciativa como se o governo estivesse prestes a retirar imediatamente essas substâncias do mercado.

Essa reação revela uma primeira contradição. A inclusão de um ingrediente ativo na lista não significa sua proibição automática, mas setores ligados aos produtores, fabricantes e à bancada ruralista já apresentam estimativas bilionárias de prejuízos que uma eventual retirada dessas substâncias provocaria. Segundo os números apresentados na discussão, uma proibição poderia provocar perdas de R$ 125,5 bilhões somente nas culturas da soja e do milho. O argumento pretende demonstrar a importância econômica desses produtos, mas acaba levantando uma questão muito mais incômoda: se a retirada dos agrotóxicos classificados como altamente perigosos causaria tamanha perda, qual parcela da competitividade da agricultura brasileira depende justamente da utilização dessas substâncias?

A questão ganha importância porque o próprio agronegócio costuma apresentar a agricultura brasileira como uma das mais modernas, eficientes e tecnologicamente avançadas do planeta. Se esse discurso corresponde à realidade, o setor deveria apoiar a identificação dos ingredientes ativos mais problemáticos e investir rapidamente em sua substituição. Uma agricultura tecnologicamente avançada deveria conseguir reduzir sua dependência de substâncias que apresentam elevada toxicidade, persistência ambiental, bioacumulação ou graves impactos sobre organismos não alvo. Resistir até mesmo à elaboração de uma lista sugere uma situação bem diferente daquela apresentada nas campanhas publicitárias que celebram incessantemente a modernidade do campo brasileiro.

O problema se torna ainda mais evidente quando observamos aquilo que ocorre na União Europeia. Como discuti recentemente neste blog, a Comissão Europeia avança na adoção do princípio de reciprocidade para impedir que determinados agrotóxicos proibidos no bloco retornem ao mercado europeu na forma de resíduos presentes nos alimentos importados. Em janeiro de 2026, a Comissão Europeia reafirmou a intenção de fortalecer essa reciprocidade e anunciou medidas para restringir resíduos dos agrotóxicos mais perigosos, além de ampliar em 50% as auditorias realizadas em países de fora da União Europeia e em 33% aquelas realizadas nos postos europeus de controle de fronteira durante 2026 e 2027.

A União Europeia também começa a transformar essa orientação política em mudanças concretas. Um estudo recém-publicado pelo Joint Research Centre da Comissão Europeia identificou 18 substâncias altamente perigosas não aprovadas no bloco que ainda possuem limites máximos de resíduos acima do limite de quantificação e que afetam 235 produtos agrícolas e 86 países exportadores. O estudo concluiu que a redução desses limites poderá diminuir as importações europeias, embora a intensidade desse impacto dependa da capacidade dos países exportadores de adaptar seus sistemas produtivos.

Esse movimento europeu torna a iniciativa do governo federal correta, mas também revela seu caráter tardio e limitado. O Brasil ainda discute se deve elaborar uma lista de substâncias altamente perigosas quando um de seus principais mercados já discute como impedir que alimentos produzidos com algumas dessas moléculas entrem em seu território. A pergunta estratégica, portanto, deixou de ser apenas se a legislação brasileira permite determinado agrotóxico. Os exportadores brasileiros precisarão perguntar cada vez mais se os países compradores continuarão aceitando alimentos que contenham resíduos dessas substâncias.

A própria União Europeia mantém uma contradição que não devemos ignorar. Empresas europeias continuam envolvidas na fabricação e comercialização internacional de substâncias que enfrentam proibições ou fortes restrições dentro do próprio bloco. Assim, a Europa pode permitir que empresas sediadas em seu território obtenham lucros com a venda desses produtos para países como o Brasil e, simultaneamente, restringir a entrada dos alimentos produzidos com eles. Essa prática transfere riscos ambientais e sanitários para países terceiros e depois utiliza padrões regulatórios mais rigorosos para proteger o mercado europeu. A existência dessa contradição europeia, entretanto, não oferece qualquer justificativa para que o Brasil continue dependente dessas substâncias.

Ao contrário, o endurecimento das regras europeias deveria funcionar como um sinal de alerta. O governo brasileiro precisaria ir além da simples elaboração de uma lista e estabelecer um programa consistente de reavaliação dos ingredientes ativos prioritários, substituição gradual das moléculas mais perigosas, pesquisa pública de alternativas, fortalecimento do manejo integrado de pragas e assistência técnica para os agricultores durante a transição. Sem essas medidas, o país poderá descobrir tarde demais que aquilo que hoje aparece como vantagem econômica se transformou amanhã em obstáculo comercial.

O debate também mostra como determinados setores do agronegócio confundem competitividade imediata com estratégia econômica de longo prazo. Manter agrotóxicos baratos e conhecidos pode reduzir custos no presente, mas essa vantagem perde sentido quando os mercados compradores passam a rejeitar seus resíduos. A União Europeia aplica os mesmos limites máximos de resíduos aos produtos europeus e importados e já reforça seus mecanismos de fiscalização das importações.

Por isso, a resistência à criação da lista brasileira  de agrotóxicos altamente perigosos parece particularmente míope. O setor que se apresenta como símbolo da modernidade econômica brasileira deveria liderar a substituição das substâncias mais perigosas, e não combater sua identificação. O governo federal, por sua vez, precisa acelerar uma política que chega atrasada diante das mudanças regulatórias internacionais e não pode limitar sua atuação à produção de mais uma lista.

No final das contas, a reação à proposta  revela mais do que seus críticos gostariam. Se apenas classificar determinados agrotóxicos como altamente perigosos já provoca previsões de perdas bilionárias e intensa mobilização política, temos fortes razões para perguntar até que ponto a proclamada eficiência do agronegócio brasileiro continua sustentada por uma dependência química que poderá cobrar uma conta ambiental, sanitária e, cada vez mais, econômica. Quando mercados importantes começam a mudar suas regras, insistir no modelo anterior deixa de representar defesa da competitividade e passa a simplesmente significar resistência à realidade.

Observatório dos Agrotóxicos: governo Bolsonaro libera mais 93 agrotóxicos e chega a 1.265 liberações em 30 meses

Aumento das fabricantes chinesas e o uso de agrotóxicos altamente perigosos são marcas da tsunami de aprovações do governo Bolsonaro

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Em que pese a crise política, econômica e sanitária que o Brasil atravessa neste momento, o governo Bolsonaro continua com a tsunami de liberações de agrotóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo.   Em apenas dois atos publicados em maio e junho (Atos 26 e 29, respectivamente) foram liberados mais 93 agrotóxicos, o que implica em um “grande total” de 1.265 agrotóxicos liberados sob a batuta de Jair Bolsonaro e da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS). 

Essa verdadeira tsunami tóxica visa basicamente acelerar a compra de agrotóxicos por grandes latifundiários que estavam envolvidos com as monoculturas de exportação que incluem a soja, o milho, o algodão e a cana-de-açúcar. Em uma análise rápida dos 93 agrotóxicos aprovados é possível verificar que a maioria dos agrotóxicos liberados (seja para uso imediato por agricultores ou para fabricação de produtos pela indústria do veneno instalada no Brasil) é a persistência de produtos antigos (os chamados pós-patente) e a hegemonia de empresas chinesas em seu fornecimento.  Essas características estão certamente relacionadas a um aperto das regras de fabricação e uso em mercados mais exigentes, a começar pela União Europeia, e o envio desses produtos antigos para regiões cujos governos são mais dependentes das renda gerada pela exportação de commodities agrícolas, como é o caso do Brasil.

Produtos altamente venenosos classificados como pouco danosos à saúde humana e ao meio ambiente

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Outra característica que está presente na tsunami tóxica do governo Bolsonaro é a liberação de produtos banidos por terem sido identificados como altamente nocivos à saúde humana e ao meio ambiente, e ainda por cima com definições de risco baixo. Exemplos gritantes disso são os agrotóxicos Ametrina, Atrazina e o exterminador de abelhas Fipronil. Aliás, com os produtos liberados pelo Ato No. 26, o governo Bolsonaro liberou o incrível total de 34 produtos formulados ou técnicos contendo o Fipronil. Como esse produto é conhecido por causar o extermínio de polinizadores benignos como é o caso das abelhas, os riscos ambientais que estão sendo impostos ao meio ambiente são altíssimos apenas quando se considera o Fipronil.  Mas como o Fipronil não é o único exterminador de abelhas que está sendo liberado, que ninguém se surpreenda se em breve tivermos uma série falta de mel e quebra de safras de culturas que dependam de polinizadores para suas floradas.

O avanço da indústria chinesa no mercado de agrotóxicos brasileiros

Outra característica marcante dos Atos 26 e 29 é a confirmação de que o Brasil se tornou um mercado preferencial para a crescente indústria chinesa de agrotóxicos. No caso do Ato No. 29 que liberou 29 produtos, o predomínio de empresas chineses ficou mais do que evidente, já que estas são as fabricantes de 24 dos agrotóxicos liberados (82,7%). Mas outro fenômeno aparente é a instalação de subsidiárias das indústrias chinesas que estão dispensado os intermediários para obter a autorização para a venda de seus produtos no mercado brasileiro. Com a velocidade de liberação que está sendo propiciada pelo governo Bolsonaro, não será de se estranhar que a influência da indústria chinesa de venenos agrícolas comece em breve a colocar em xeque a hegemonia das gigantes europeias e estadunidenses como Basf, Bayer e DowDupont.

O Brasil como zona de sacrifício de agrotóxicos altamente perigosos

Ainda que não haja a devida cobertura jornalística, o Brasil está imerso em uma combinação perversa que mistura o avanço do desmatamento na Amazônia com o aumento da demanda por agrotóxicos naquela onde as condições climáticas aceleram o processo de regeneração primária e o aumento de populações de insetos e de doenças causadas por fungus e vírus. Em certo sentido, o avanço do desmatamento na Amazônia está sendo um forte vetor para o consumo de agrotóxicos, o que em face dos últimos dados de remoção total das áreas florestas amazônicas deverá aumentar exponencialmente a demanda por venenos agrícolas.

O problema é que ao contrário do prometido não está havendo nenhuma modernização dos agrotóxicos, o que nem interessa aos fabricantes desses produtos que ganham rios de dinheiro sem que tenham que efetivamente buscar qualquer tipo de inovação no seu portfólio de produtos, já que a demanda tende apenas a crescer.

No final o que estamos nos defrontando é a transformação do Brasil em uma zona de sacrifício capitalista, onde a geração de margens espremidas de lucros pelo latifúndio agro-exportador força o avanço da franja de desmatamento dentro da Amazônia com base em sistemas agrícolas altamente dependentes do consumo de agrotóxicos. 

Quem desejar as planilhas do Ato No. 26, basta clicar [Aqui!], e a do Ato No. 29 [Aqui! ]. Já os interessados em baixar a planilha contendo a descrição completa dos 1.265 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro desde janeiro de 2019, basta clicar [Aqui!]. 

 

Soja, milho e algodão tornam o Brasil líder mundial em consumo de agrotóxicos altamente perigosos

Investigação revela quase dois terços das vendas de agrotóxicos altamente perigosos no Brasil foram impulsionadas pela soja usada para alimentação animal, em meio a temores de problemas saúde e mortes em massa de abelhas

silosUm silo de soja no “Anel da Soja”, um trecho de plantações, instalações de processamento e centros de distribuição no estado da Bahia, na região do Cerrado no Brasil. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

Por Crispin Dowler

As vastas monoculturas de soja, milho e algodão do Brasil o transformaram no mercado mais importante do mundo para agrotóxicos altamente perigosos, (HHPs) segundo uma investigação conjunta da Unearthed e da ONG suíça Public Eye.

Essa foi uma das principais conclusões de uma análise de mais de US $ 20 bilhões em dados de vendas de agroquímicos, cobrindo compras em mais de 40 países de produtos líderes nos mercados de pesticidas mais valiosos.

A análise das vendas de 2018 constatou que o Brasil – lar de até 20% da biodiversidade restante do mundoé o maior consumidor de agrotóxicos classificados como seriamente perigosos para a saúde ou o meio ambiente. Esses riscos incluíam toxicidade aguda para seres humanos, riscos de exposição crônica, como câncer ou falha reprodutiva, alta persistência no ambiente e alta toxicidade para as abelhas.

Quase dois terços desses gastos brasileiros com HHPs foram para as vastas monoculturas de soja do país, cultivadas para atender à demanda global de ração animal para galinhas, porcos, vacas e peixes.

“Onda catastrófica”

As descobertas foram feitas após a recente visita do relator especial da ONU ao Brasil, alertando para uma “epidemia de envenenamento por agrotóxicos” no país e acusando seu governo de desencadear “uma onda catastrófica de agrotóxicos, desmatamento e mineração tóxicos que envenenarão gerações”.

Em seu primeiro ano no cargo, o presidente brasileiro de extrema direita e aliado do agronegócio, Jair Bolsonaro, avançou medidas para relaxar seus já fracos controles sobre agrotóxicos e permitiu um aumento acentuado no desmatamento da floresta amazônica.

No início deste mês, o candidato ao Prêmio Nobel e o líder indígena brasileiro de renome mundial, Raoni Metuktire, pediu ao governo do Reino Unido que imponha duras regras comerciais sobre as importações de soja para alimentação animal.

Em uma reunião com o ministro internacional do meio ambiente e florestas, Zac Goldsmith, o chefe Raoni alertou que o cultivo de soja no Brasil havia se expandido rapidamente no ano passado com o incentivo do governo Bolsonaro – tudo usando “enormes quantidades de agrotóxicos” e uma “grande parte “em reservas indígenas”“.

Um documento informativo para a reunião visto pela Unearthed pedia ao Reino Unido que “aplicasse tarifas e regras comerciais fortes sobre agrotóxicos na soja da região amazônica” e “proibisse a soja cultivada ilegalmente em territórios indígenas”.

Em 2018, o Reino Unido importou 449.867 toneladas de soja do Brasil e 59.104 toneladas de farelo de soja triturado, de acordo com a Mesa Redonda sobre Soja Sustentável.

Brazilian Indigenous Groups Lobby British PM To Condemn BolsonaroDavi Kopenawa Yanomami, Raoni Metuktire e Megaron Txucarramae conversam com a mídia do lado de fora da Número 10 Downing Street depois de entregar uma petição no início de fevereiro deste ano, pedindo ao primeiro-ministro Boris Johnson que condene as “tentativas do presidente Jair Bolsonaro de destruir nossas terras e vidas”. Foto: Peter Summers / Getty

CropLife no Brasil

A Public Eye, uma ONG que investiga violações de direitos humanos por empresas suíças, e a Unearthed trabalharam juntas para vasculhar um enorme conjunto de dados de US $ 23,3 bilhões em vendas de agroquímicos para vendas de HHPs.

A análise, dos dados obtidos da principal empresa de inteligência do agronegócio Phillips McDougall, identificou vendas de US $ 9,9 bilhões em pesticidas listados na lista de HHPs de 2019 da Pesticide Action Network.

Mais de um quinto dessas vendas de HHPs – US $ 2,2 bilhões – ocorreram apenas no Brasil, tornando-o o maior consumidor de agrotóxicos altamente perigosos do mundo. Os dados de Phillips McDougall cobrem menos da metade do mercado total de agroquímicos no Brasil, portanto o valor em dólar real do comércio de HHPs no Brasil provavelmente deve ser mais do que o dobro desse valor.

As cinco maiores empresas de agroquímicos do mundo – Syngenta, Bayer, BASF, Corteva e FMC – responderam por quatro quintos de todas as vendas de agrotóxicos do Brasil no banco de dados e três quartos das vendas de HHPs no país.

Muitos dos HHPs mais vendidos por essas empresas no Brasil são proibidos em seus países de origem.

Eles incluem os inseticidas neonicotinóides da Bayer e da Syngenta, proibidos permanentemente para uso ao ar livre na União Europeia em 2018 devido à sua toxicidade para as abelhas.

Eles também incluem o Paraquat da Syngenta, um dos agrotóxicos mais perigosos do mundo e suspeito de causar o Mal de Parkinson.

Esses gigantes agroquímicos compõem a maior parte dos membros da Croplife International, um grupo de lobby poderoso e bem financiado. A organização argumenta que seus membros só deixam HHPs no mercado em locais onde o risco pode ser gerenciado.

Mas o relator especial das Nações Unidas sobre produtos tóxicos, Baskut Tuncak, rejeitou a ideia de que era possível usar agrotóxicos perigosos com segurança no Brasil.

“A dura realidade é que o Brasil não possui nem os sistemas de governança nem a capacidade financeira e técnica no momento para fornecer uma garantia razoável de que eles serão usados com segurança”, disse ele à Unearthed e à Public Eye.

“O governo simplesmente não pode monitorar o que acontece em centenas de milhares de propriedades agrícolas existentes no Brasil”.

“Em vez de elevar os padrões de governança para impedir a exposição humana e o colapso da biodiversidade, o governo tornou a situação mais difícil com mudanças recentes e propostas recorrentes a tornariam ainda pior.”

Soya Production in the Cerrado Region, Brazil Cerrado Brasileiro e Produção de SojaPlantações de soja se alastram no município de Riachão das Neves, na região do Cerrado. A área faz parte do “Anel de Soja” do Brasil. Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace

Tuncak, um especialista independente da ONU em direitos humanos e substâncias perigosas, divulgou resultados preliminares de sua visita ao Brasil em dezembro.

Ele disse à Unearthed e Public Eye que os impactos à saúde do uso de agrotóxicos no Brasil eram “predominantes”. “Por exemplo, as comunidades estão sendo expostas regularmente a agrotóxicos por pulverização aérea, incluindo casas e escolas, sofrendo sintomas de envenenamento agudo e, sem dúvida, efeitos crônicos para muitos também”.

Ele acrescentou que “um grande número de afetados” parecia ser “comunidades afro-brasileiras e indígenas minoritárias”.

Larissa Bombardi, professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo, disse à Unearthed que a enorme quantidade gasta em pesticidas e HHPs para soja foi parcialmente impulsionada pela enorme quantidade de terra destinada a essa monocultura.

O Brasil agora tem mais terras transformadas em soja do que a superfície da Alemanha. No ano passado, as plantações de soja no Brasil se espalharam em um milhão de hectares, para um recorde de 36,9 milhões de hectares, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. O Brasil deve ultrapassar os EUA este ano como o principal produtor mundial de soja.

Além disso, a professora Bombardi disse que mais de 90% da soja cultivada foi geneticamente modificada para ser resistente a herbicidas como o glifosato, permitindo que eles sejam pulverizados com mais intensidade sem danificar a colheita.

O glifosato, que foi rotulado como “provável cancerígeno para seres humanos” pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) em 2015, foi de longe o HHP mais vendido pelo grupo CropLife no Brasil, com as vendas da Bayer e da Syngenta representando cerca de 24% dos produtos da CropLife. HHP liderando as vendas de produtos.

A Bayer Crop Science, que dominou o mercado global de glifosato com a aquisição da Monsanto em 2018, nega que o produto químico seja cancerígeno.

Beehives in the Cerrado Biome, Brazil Comunidades e cultura do CerradoColméias pertencentes a uma comunidade que vive no bioma Cerrado. Nossa investigação encontrou pelo menos 19 produtos químicos vendidos pelas empresas CropLife no Brasil que são classificados como altamente tóxicos para as abelhas pela EPA dos EUA. Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace

O segundo agrotóxico altamente tóxicos (HHPs) vendido pelas empresas CropLife no Brasil foi o tiametoxam, da Syngenta, com sede na Suíça, um inseticida neonicotinóide que foi permanentemente banido do uso externo na UE em 2018.

Uma publicação de 2019 da Organização Mundial da Saúde e da Organização para a Agricultura e Alimentação sobre HHPs alertou que havia um “corpo de evidências que cresce rapidamente” de que “os níveis existentes de contaminação ambiental” por neonicotinóides “estão causando efeitos adversos em larga escala nas abelhas e outros insetos benéficos”.

A professora Bombardi disse que era “muito preocupante” o governo Bolsonaro ter autorizado novos produtos neonicotinóides, mesmo quando proibidos em outros lugares. Segundo ela, as abelhas agem como um “termômetro” para medir a saúde de outras populações de insetos, porque a “atividade econômica” da produção de mel significava que mantivemos um melhor controle das mortes de abelhas.

“A biodiversidade depende da existência de insetos. Portanto, se as abelhas estão morrendo, o mesmo ocorre com os outros insetos polinizadores. Portanto, há um risco tremendo para a diminuição da biodiversidade.”

Cerca de três quartos das culturas alimentares do mundo dependem pelo menos em parte da polinização por insetos. Os cientistas alertam que um número crescente de espécies de polinizadores está sendo levado à extinção.

No ano passado, as mortes em massa de abelhas no Brasil chegaram às manchetes mundiais, com os apicultores relatando a morte de mais de meio bilhão de abelhas em três meses.

Além dos neonicotinóides tiamethoxam e imidaclopride, fabricados pela Syngenta e Bayer, respectivamente, a investigação encontrou pelo menos 17 outros produtos químicos vendidos pelas empresas CropLife no Brasil que são classificados como altamente tóxicos para as abelhas pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA.

Entre eles estavam o clorfenapir e o fipronil – outro produto químico que está associado a mortes em massa de abelhas – agrotóxicos que são fabricados pela gigante alemã de produtos químicos BASF.

 US $ 10 bilhões por ano

O mercado global total de agrotóxicos agrícolas em 2018 é estimado em torno de US$ 57,6 bilhões.

Os dados da Phillips McDougall obtidos pela Public Eye e Unearthed cobrem US$ 23,3 bilhões em vendas globais, ou cerca de 40% do total. A parcela dessas vendas atribuíveis ao Brasil é de US $ 4,2 bilhões, o que novamente representa cerca de 40% do mercado real do país. Estima-se que as vendas totais de agrotóxicos no Brasil estejam bem acima de US $ 10 bilhões por ano, tornando-se o maior gastador do mundo em agroquímicos.

Os dados são coletados dividindo o mercado de agrotóxicos do Brasil por culturas e tipos de pragas e identificando todos os “segmentos” do mercado que valem mais de US $ 10 milhões. Pesquisadores de mercado da Phillips McDougall, em seguida, coletam dados de vendas dos produtos mais vendidos nesses segmentos.

Isso significa que os dados não cobrem culturas menores – como frutas cítricas – e não cobrem o total de gastos com agrotóxicos em qualquer cultura. No entanto, mostra em detalhes os principais agroquímicos para as culturas que são os maiores mercados de pesticidas.

A análise desses dados nos principais agrotóxicos do Brasil revelou que mais da metade dos gastos (US $ 2,2 bilhões) foram destinados a HHPs.

As plantações de soja foram o destino da grande maioria desses agrotóxicos altamente tóxicos ou prejudiciais ao meio ambiente, representando quase dois terços (US $ 1,3 bilhão) dos gastos em HHPs. Os próximos maiores mercados brasileiros de HHPs foram o milho, a US $ 372 milhões (17%), seguido pelo algodão, a US $ 223 milhões (10%).

Praticamente nenhum desses agrotóxicos perigosos intensivos usa alimentos produzidos diretamente para os brasileiros. Globalmente, cerca de três quartos da soja são usados ​​como ração animal. Da mesma forma, apenas cerca de 2% do milho do Brasil é usado para consumo humano, com a grande maioria usada como alimento animal doméstico ou exportada.

Soya Transport Trucks in Bahia State, Brazil Cerrado Brasileiro e Produção de SojaNas margens da rodovia federal BR-242, no município de Luís Eduardo Magalhães, dezenas de caminhões de transporte aguardam o carregamento de soja. Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace

Três quartos de todos os gastos com HHPs no Brasil que foram identificados na investigação – US $ 1,6 bilhão – se destinaram para as cinco principais empresas da CropLife International.

Identificamos 38 HHPs diferentes vendidos no Brasil por essas empresas – todos sediados na Europa ou nos EUA – em 2018. Entre os principais produtos vendidos pelo grupo, estava a atrazina da Syngenta – um herbicida banido há muito tempo na União Europeia que “causou estragos no mercado. vidas sexuais de sapos“- e o ciproconazol, classificado pela UE como uma toxina reprodutiva da categoria 1b, presume-se capaz de causar defeitos congênitos em nascituros”.

Um porta-voz da Bayer Crop Science, agora um importante fornecedor de glifosato no Brasil e no mundo, disse que o herbicida não deve ser classificado como um pesticida altamente perigoso, simplesmente devido à sua classificação na IARC como um “provável carcinogênico humano”.

Ele acrescentou que “os principais reguladores de saúde em todo o mundo” – incluindo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA e a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar – “concluíram repetidamente que nossos produtos à base de glifosato podem ser usados com segurança conforme as instruções e que o glifosato não é cancerígeno”.

Questionado sobre como a Bayer poderia justificar ganhar tanto com a venda de produtos químicos proibidos ou restritos na UE, ele respondeu que “a agricultura é muito diferente de região para região devido a diferentes climas, pragas, doenças e culturas”.

“No Brasil, por exemplo, os agricultores precisam gerenciar pragas, como ferrugem asiática da soja ou pressão de insetos que não existem na Europa”, continuou ele. “Como empresa de inovação, a Bayer está comprometida em desenvolver produtos específicos que atendam aos nossos altos padrões de segurança e às necessidades dos agricultores”.

O diretor de assuntos regulatórios internacionais da CropLife International, Christoph Neumann, disse à Unearthed que alguns dos ingredientes ativos da lista de pesticidas altamente perigosos da PAN International foram incluídos com base em critérios que não atendem às diretrizes da FAO e da OMS. “Os critérios citados pelo PAN geralmente são critérios ambientais que não foram acordados ou ainda endossados pela Reunião Conjunta da FAO / OMS sobre Gerenciamento de Pesticidas (JMPM)”, disse ele. “Os membros da CropLife International reconhecem o risco ambiental na avaliação de todos os pesticidas.”

Ele acrescentou que entre os 19 HHPs da CropLife mais vendidos, identificados na investigação da Unearthed e da Public Eye, todos foram registrados para uso em “pelo menos um país da OCDE” e 12 foram registrados para uso na UE.

Reportagem adicional de Lucy Jordan

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Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Unearthed/Greenpeace [Aqui!].