“Out of time” – Curta-metragem documenta a trágica saga de uma cidade em Nebraska que foi envenenada por agrotóxicos

Por The New Lede 

Por décadas, Mead, Nebraska, foi uma cidade rural pacífica — até que toxinas geradas pela usina de etanol da área envenenaram a terra, a água e o ar de Mead. Farm to Fuel , um documentário curto, baseia-se em reportagens investigativas do The New Lede (TNL) , copublicado com o The Guardian , que expôs como o descarte imprudente de resíduos contaminados com agrotóxicos pela usina criou um desastre ambiental . No centro da crise estão os agrotóxicos neonicotinoides, ainda amplamente usados ​​nos EUA, apesar das crescentes evidências de seus danos.

Alex Hinton, da TNL , viajou para Mead, Nebraska, onde se encontrou com o fazendeiro Stan Kaiser e sua família, que compartilharam sua história de devastação ambiental, relatada anteriormente pelo The New Lede . Hinton falou com a Dra. Judy Wu-Smart da Universidade de Nebraska-Lincoln, cuja pesquisa inovadora foi crucial para expor os perigos dos agrotóxicos neonicotinódes, e com a ex-senadora estadual Carol Blood, que tem liderado a luta por regulamentações mais fortes para evitar que tragédias como essa aconteçam novamente.

A luta de Mead por justiça está longe de terminar. Apesar do fechamento da planta, seu legado tóxico persiste, levantando questões urgentes sobre negligência corporativa, responsabilidade ambiental e a segurança de comunidades rurais em toda a América. Enquanto isso, os neonicotinóides continuam a ser usados ​​em milhões de hectares de terras agrícolas, infiltrando-se em ecossistemas e ameaçando polinizadores, vida selvagem e saúde humana. Hoje, os moradores de Mead ainda estão exigindo respostas, ainda buscando responsabilização e ainda vivendo com as consequências de um sistema que falhou com eles.



Stan Keiser discute as perdas de sua família devido à contaminação generalizada por agrotóxicos

Baixe o documentário (Aqui!)

O documentário é co-publicado com a FERN (The Food and Environment Reporting Network) .


Fonte: The New Lede

Projeto em discussão Comissão Europeia promete regras comerciais rígidas sobre agrotóxicos e carne bovina

As promessas ecoam a retórica crescente do chefe agrícola da UE, Christophe Hansen, e do comissário de Saúde e Bem-Estar Animal, Olivier Várhelyi

Por Maria Simon Arboleas e Sofia Sánchez Manzanaro  para a Euractiv

Um rascunho da visão da Comissão Europia para o setor agroalimentar da União Europeia (UE) adota uma posição dura sobre o comércio de alimentos e promete impor padrões mais rigorosos a países terceiros no que diz respeito a agrotóxicos e ao bem-estar animal.

Em 2025, o executivo da UE quer apresentar um plano ambicioso para fortalecer a reciprocidade nos padrões de produção, de acordo com um rascunho do roteiro para a UE e alimentos, que será revelado em 19 de fevereiro e analisado pela Euractiv.

De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, a parte sobre padrões comerciais é a que está levantando mais suspeitas na discussão interna em andamento da Comissão, pois significaria encontrar um novo equilíbrio em um momento em que o executivo da UE está tentando expandir sua rede de parcerias comerciais.

“A Comissão buscará, em consonância com as regras internacionais, um alinhamento mais forte dos padrões de produção aplicados aos produtos importados, principalmente em relação a agrotóxicos e bem-estar animal”, diz o texto.

A Comissão promete garantir que os agrotóxicos mais perigosos proibidos na UE “não sejam permitidos de volta” por meio de importações. Ela também promete impedir que substâncias proibidas sejam produzidas no bloco para exportação para outros lugares.

As promessas ecoam a retórica crescente do chefe da fazenda da UE, Christophe Hansen , e do comissário de Saúde e Bem-Estar Animal, Olivier Várhelyi, que recentemente sinalizaram uma abordagem mais rígida aos padrões de produção para alimentos importados. Os ministros da agricultura da UE se juntaram ao esforço no mês passado, instando o executivo da UE a reprimir as importações que contêm resíduos de agrotóxicos proibidos.

O plano também propõe uma “força-tarefa dedicada” para fortalecer os controles de importação com verificações maiores, uma medida há muito exigida pelo Parlamento Europeu.

Sobre bem-estar animal, a Vision também busca usar uma revisão de regras há muito adiada para garantir que produtos importados atendam aos padrões de pecuária da UE. “A revisão direcionada da legislação de bem-estar animal será uma oportunidade de aplicar isso de forma compatível com a OMC”, diz o texto.

O documento também sugere estender a rotulagem de origem obrigatória a mais produtos agrícolas e pesqueiros.

Para frente e para trás na sustentabilidade

Para dar aos agricultores mais alternativas aos agrotóxicos sintéticos, a Comissão diz que apresentará uma proposta em 2025 “que acelera o acesso aos bioagrotóxicos”, incluindo um procedimento rápido para sua autorização.

Banir produtos químicos também pode se tornar mais difícil. A Comissão irá “considerar cuidadosamente qualquer proibição adicional de agrotóxicos se alternativas não estiverem disponíveis dentro de um prazo razoável e a um custo razoável”, exceto onde a saúde humana ou habitats agrícolas importantes estejam em risco.

O documento reconhece o setor pecuário como “uma parte essencial da agricultura da UE” que mantém altos padrões, mas nem sempre é recompensado pelo mercado. A Comissão lançará um “fluxo de trabalho sobre pecuária” para desenvolver caminhos de políticas que abordem a pegada climática do setor, ao mesmo tempo em que destaca seu papel na manutenção ambiental.

Embora o documento não priorize proteínas vegetais em detrimento de proteínas animais, conforme recomendado pelo Diálogo Estratégico, ele descreve planos para construir “um sistema de proteínas da UE mais autossuficiente e sustentável”.

Comida e preços

Com o poder de barganha dos agricultores na cadeia de fornecimento de alimentos em evidência, o roteiro promete não tolerar práticas “onde os agricultores são sistematicamente forçados a vender abaixo dos custos”.

A Comissão disse que revisaria a Diretiva sobre Práticas Comerciais Desleais (UTPs) para abordar essa questão, uma medida que deve ocorrer após a avaliação das regras em novembro deste ano.

Do lado da oferta, a nova legislação para compras públicas terá como objetivo fornecer incentivos para promover o consumo de “produtos locais e sazonais” e alimentos produzidos com altos padrões ambientais, como os orgânicos.

Angelo Di Mambro contribuiu para a reportagem .

[DE]


O Brasil sob o Lula III: uma economia fóssil e fortemente (agro) tóxica

Quem ouviu o discurso da terceira posse do presidente Lula ficou com a impressão que haveria algum nível de ruptura com o período de Jair Bolsonaro, fosse na pauta de costumes ou na ancoragem da economia brasileira. Passados pouco mais de dois anos, aquele discurso jaz abandonado nas práticas e costumes das ações práticas do governo Lula.

E, pior, o que se vê é o reforço do apoio às ações do latifúndio agro-exportador e sua agricultura envenenada, e ainda pressões explícitas para o avanço das explorações petrolíferas na região da foz do Rio Amazonas, uma área tão biodiversa quanto perigosa para a instalação das estruturas que tratam da extração de petróleo e gás.

Pouca gente nota, mas no Lula III até o discurso neodesenvolvimentista foi jogado para escanteio, e ninguém no atual governo faz sequer menção à ideia de que precisamos desenvolver o Brasil e não simplesmente correr atrás de superávits na balança comercial.  Vivemos uma época de realismo trágico, pois o que parece importar mesmo é garantir que Lula III vire Lula IV, sem que isso nos ofereça qualquer janela para um futuro menos poluído, quente e catastrófico como se antevê com o aprofundamento da crise sociambiental que as mudanças no clima da Terra estão trazendo.

O presidente Lula sequer nos aponta para o simulacro de utopia que seu discurso de posse sinalizou. Lula agora é uma versão garoto-propaganda da economia fóssil que se cala com os crimes cometidos contra os povos originários que são a nossa última barreira de defesa contra a perda das florestas tropicais. Há ainda que se lembrar que ao insistir na pavimentação da BR-319, Lula fornece a justificativa ideológica que todos os tipos de aventureiros existentes na Amazônia avancem de forma decidida para destruir o último grande bloco de reservas relativamente intacto que ainda escapou da sanha devastadora dos desmatadores. Mais ainda, fornece uma via de acesso fácil para que a destruição se espalhe, em que pesem todas as evidências científicas do que a destruição da floresta amazônica traz para o Brasil.

Curiosamente quem se arrisca a falar o óbvio sobre as ações práticas do Lula III ainda corre o risco da demissão sumária como foi o caso do economista David Deccache que foi demitido do posto de assessor da bancada federal do PSOL por ousar criticar o viés neoliberal do ministro Fernando Haddad.  Esse caso é uma expressão de como a visão fóssil e (agro) tóxica está enraizada na esquerda institucional que parece ter capitulado sem nenhuma vergonha a um modelo econômico que apenas reforça as profundas desigualdades historicamente existentes no Brasil.

Mas em meio a essa situação tão desafiadora é preciso dizer que não há tempo para lamentações. As tarefas postas pela perpetuação pela economia fóssil e (agro) tóxica precisam ser enfrentadas de forma urgente, até porque esse modelo é garantia de que continuaremos caminhando para um cenário climático catastrófico para a classe trabalhadora brasileira.  É preciso informar, dialogar e mobilizar todas as forças sociais que se opõe ao modelo neoliberal que controla o Estado brasileiro neste momento, independente de quem esteja no controle da máquina federal.  A verdade é que as consequências para a inação são fortes demais para que deixemos tudo como está, como se não houvesse outra saída. A verdade é que as saídas existem, mas não será com a continuidade de Lula como garantidor de um futuro melhor que isso vai acontecer. E quanto antes entendermos isso, mais fácil será iniciar a construção dos instrumentos que a crise social e climático nos demanda nesta conjuntura histórica.

Ah, sim, quando acenarem com o espantalho da extrema-direita, lembrem que tanto Hugo Motta quanto David Alcolumbre foram eleitos por uma aliança cada vez mais corriqueira entre o PT de Lula com o PL de Jair Bolsonaro.

Perfilamento de oponentes da indústria de agrotóxicos foi interrompida nos EUA após a prática da empresa ser exposta

Por Carey Gillam, Margot Gibbs e Elena Debre para o “the Nee Lede”

Uma empresa norte-americana que estava secretamente traçando perfis de centenas de defensores da alimentação e da saúde ambiental em um portal privado interrompeu as operações devido à reação generalizada após suas ações terem sido expostas pelo The New Lede em colaboração com o Lighthouse Reports e outros parceiros de mídia.

A empresa de St. Louis(Missouri), v-Fluence, está fechando o serviço, que ela chamou de “wiki de stakeholders”, que apresentava detalhes pessoais sobre mais de 500 defensores ambientais, cientistas, políticos e outros vistos como oponentes de pesticidas e culturas geneticamente modificadas (GM). Entre os visados ​​estava Robert F. Kennedy Jr., a escolha controversa do presidente Trump para Secretário de Saúde e Serviços Humanos. 

Os perfis frequentemente forneciam informações depreciativas sobre os oponentes do setor e incluíam endereços residenciais, números de telefone e detalhes sobre membros da família, incluindo crianças.

Os perfis foram fornecidos a membros de um portal da web somente para convidados, onde a v-Fluence também ofereceu uma variedade de outras informações para sua lista de mais de 1.000 membros. A associação incluía funcionários de agências regulatórias e políticas dos EUA, executivos das maiores empresas agroquímicas do mundo e seus lobistas, acadêmicos e outros. 

O perfil foi parte de um esforço para minimizar os perigos dos agrotóxicos, desacreditar oponentes e minar a formulação de políticas internacionais, de acordo com registros judiciais, e-mails e outros documentos obtidos pela redação sem fins lucrativos Lighthouse Reports. A Lighthouse colaborou com The New Lede, The Guardian , Le Monde, Africa Uncensored, Australian Broadcasting Corporation e outros parceiros de mídia internacionais na publicação da investigação em setembro de 2024.

As notícias sobre o perfil e o portal privado geraram indignação e ameaças de litígio por parte de algumas das pessoas e organizações perfiladas.

O professor pesquisador de Londres Michael Antoniou, que foi perfilado no portal com informações depreciativas sobre sua vida pessoal e de membros da família, disse temer que as ações para remover os perfis possam ser “muito pouco e tarde demais”.

“Aqueles de nós que foram perfilados ainda não sabem quem acessou as informações e como elas foram usadas”, ele disse. “Isso nos atrapalhou em nossas carreiras ou fechou portas que de outra forma poderiam estar abertas para nós? O fato de que a V-Fluence e as indústrias que ela atende recorreram a esses métodos desonestos mostra que eles não conseguiram vencer no nível da ciência.”

A V-Fluence não apenas eliminou o perfil, mas também fez “cortes significativos de pessoal” na esteira da exposição pública, de acordo com  Jay Byrne, o ex-executivo de relações públicas da Monsanto que fundou e lidera a v-Fluence. Byrne culpou as dificuldades da empresa pelos “custos crescentes do assédio contínuo de litigantes e ativistas à nossa equipe, parceiros e clientes com ameaças e falsas representações…” 

Ele disse que os artigos publicados sobre o perfil da empresa e o portal privado eram parte de uma “campanha de difamação” baseada em “representações falsas e enganosas” que “não eram apoiadas por nenhum fato ou evidência”.

Para piorar os problemas da empresa, vários patrocinadores corporativos e organizações do setor cancelaram contratos com a v-Fluence, de acordo com uma publicação para profissionais da agricultura.  

“Reunião de informações”

Desde seu lançamento em 2001, a v-Fluence tem trabalhado com os maiores fabricantes de agrotóxicos do mundo e fornecido serviços autodescritos que incluem “coleta de informações”, “mineração de dados proprietários” e “comunicações de risco”.  

Um cliente de mais de 20 anos é a Syngenta, uma empresa estatal chinesa que está sendo processada por milhares de pessoas nos EUA e Canadá que alegam que desenvolveram a doença cerebral incurável Parkinson por usar os herbicidas paraquat da Syngenta. O primeiro teste nos EUA está programado para começar em março. Vários outros estão programados para os meses seguintes.

Byrne e v-Fluence são nomeados como co-réus em um dos casos contra a Syngenta. Eles são acusados ​​de ajudar a Syngenta a suprimir informações sobre os riscos de que o paraquat da empresa poderia causar a doença de Parkinson e de ajudar a “neutralizar” seus críticos. (A Syngenta nega que haja uma ligação causal comprovada entre o paraquat e o Parkinson.) Byrne contesta as alegações no processo. 

A v-Fluence, que também tinha a antiga Monsanto Co. como cliente , garantiu algum financiamento do governo dos EUA como parte de um contrato com uma terceira parte. Registros de gastos públicos mostram que a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) contratou uma organização não governamental separada que gerencia uma iniciativa governamental para promover culturas GM em nações africanas e asiáticas.

Essa organização, o Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar (IFPRI), pagou à v-Fluence um pouco mais de US$ 400.000, aproximadamente entre 2013 e 2019, por serviços que incluíam o enfrentamento de críticas às “abordagens agrícolas modernas” na África e na Ásia.

O “portal de rede social privada” criado pela v-Fluence era parte do contrato e deveria fornecer, entre outras coisas, “suporte tático” para esforços de ganhar aceitação para as culturas GM . A empresa chamou a plataforma de “Bonus Eventus”, nomeada em homenagem ao deus romano da agricultura  cujo nome se traduz como “bom resultado”.

Um contrato separado assinado pelo Departamento de Agricultura dos EUA nos últimos meses do primeiro mandato do presidente Donald Trump também forneceu aos funcionários do governo acesso ao portal, incluindo os “documentos de histórico das partes interessadas” sobre cientistas e ativistas que a v-Fluence diz ter removido. 

O perfil de Kennedy o descreveu como “um litigante ativista antivacinas, anti-OGM e antipesticidas que defende várias alegações de conspiração em matéria de saúde e meio ambiente”.

Questões legais

Após as operações se tornarem públicas em artigos do The New Lede, do The Guardian e de parceiros de mídia, a v-Fluence contratou um escritório de advocacia para conduzir uma revisão independente sobre se o perfil pode ou não ter violado o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia. O regulamento tem como objetivo proteger o direito de um indivíduo sobre a coleta e o uso de seus dados pessoais.

A análise descobriu que a v-Fluence “não estava sujeita ao GDPR”, mas recomendou que a v-Fluence lidasse com “dados pessoais da UE consistentes com os requisitos do GDPR no caso de o Regulamento ser considerado aplicável”, disse a empresa em uma declaração . Uma das recomendações foi remover os perfis, reconheceu a empresa.  

A v-Fluence continuará a “oferecer pesquisas às partes interessadas com diretrizes atualizadas para evitar futuras interpretações errôneas do nosso produto de trabalho”, de acordo com a declaração da empresa.

Wendy Wagner, professora de direito na Universidade do Texas com experiência na regulamentação de substâncias tóxicas, disse que parecia haver poucos motivos para manter esse banco de dados, além de ser usado para assediar oponentes.

“Estou bastante familiarizado com o assédio corporativo de cientistas que produzem pesquisas indesejadas, e às vezes isso inclui desenterrar informações pessoais sobre o cientista para fazer seu trabalho parecer menos confiável”, disse Wagner. “Mas não encontrei o uso de bancos de dados maiores que rastreiam detalhes pessoais de vários críticos de uma corporação (incluindo cientistas e jornalistas independentes). É difícil ver a relevância de detalhes pessoais sem o uso como assédio.”

(As jornalistas do Lighthouse Margot Gibbs e Elena DeBre foram coautoras deste artigo.) 

(Este artigo foi publicado em parceria com o The Guardian.)


Fonte: The New Lede

Luta contra os fabricantes de agrotóxicos sacode o campo nos EUA

A batalha continua contra as proteções legais propostas para proteger os fabricantes de agrotóxicos

Por Carey Gillam para o “The New Lede”

Os esforços das empresas de agrotóxicos para aprovar leis que possam bloquear litígios contra elas estão gerando batalhas em vários estados agrícolas dos EUA e colocando alguns grupos agrícolas uns contra os outros.

Leis foram introduzidas em pelo menos 8 estados até agora e rascunhos estão circulando em mais de 20 estados, apoiados por uma enxurrada de publicidade apoiando as medidas.

A luta é particularmente feroz agora em Iowa, onde os oponentes chamam a lei proposta apoiada por agrotóxicos de “Cancer Gag Act”, devido aos altos níveis de câncer em Iowa que muitos temem estar ligados ao grande uso agrícola de agrotóxicos no estado. Iowa tem a segunda maior taxa de novos casos de câncer nos EUA e a taxa de câncer que mais cresce. 

Os organizadores contra o projeto de lei de Iowa estão planejando um comício no capitólio estadual na segunda-feira, depois que o senado estadual votou em 5 de fevereiro para avançar a medida. O projeto de lei impediria as pessoas de processar os fabricantes de agrotóxicos por não alertá-los sobre os riscos à saúde, desde que os rótulos dos produtos sejam aprovados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA).  

Os oponentes dizem que a legislação impedirá que agricultores e outros usuários de agrotóxicos responsabilizem as empresas na justiça caso seus produtos causem doenças ou ferimentos.

“Estamos muito preocupados. Nossos fazendeiros acham que se tiverem ferimentos ou doenças devido ao uso de um agrotóxico, eles devem ter acesso aos tribunais”, disse Aaron Lehman, um fazendeiro de milho e soja de Iowa que é presidente do Iowa Farmers Union . “Nós simplesmente não achamos que o campo de jogo deva ser inclinado (em favor dos fabricantes de agrotóxicos).”

Mas os defensores da legislação dizem que estão tentando garantir que os agricultores não percam o acesso a herbicidas benéficos, inseticidas e outros produtos químicos que são comumente usados ​​no cultivo de alimentos. Eles sustentam que os advogados de responsabilidade civil exploram e induzem pessoas doentes a entrar com ações judiciais que não são apoiadas por evidências científicas, e tais ações devem ser limitadas.

Vários grandes grupos agrícolas, incluindo a Iowa Farm Bureau Federation, estão apoiando o projeto de lei.

As ações nos estados vêm junto com uma pressão simultânea por mudanças na lei federal que efetivamente protegeriam as empresas de processos movidos por pessoas que alegam ter desenvolvido câncer ou outras doenças devido ao uso de agrotóxicos.

A Bayer, proprietária alemã da antiga Monsanto Co., é a principal arquiteta da estratégia, projetada como um meio de combater milhares de processos movidos por fazendeiros e outros que culpam o uso dos herbicidas Roundup da Monsanto por causar câncer.

O litígio custou até agora à Bayer bilhões de dólares em acordos e vereditos do júri favorecendo os demandantes, e mais casos estão pendentes. A empresa diz que a busca pelas mudanças legislativas é necessária para proteger seus “investimentos importantes” e garantir que os fazendeiros não percam o acesso ao Roundup.

A Bayer diz que se uniu a mais de 360 ​​grupos de produtores e da indústria para impulsionar as mudanças legislativas federais e à coalizão de organizações agrícolas Modern Ag Alliance para lutar pelas mudanças nas leis estaduais que ajudam a proteger os fabricantes de pesticidas de litígios.

A CropLife America, que faz lobby em nome da Bayer e de outros fabricantes de agrotóxicos, afirma que a EPA é a “ agência federal especialista ” encarregada pelo Congresso de avaliar a segurança dos pesticidas. As empresas não têm a opção de adicionar avisos aos seus rótulos se a EPA não tiver considerado tais avisos precisos, de acordo com a CropLife .

Além de Iowa, as medidas estão avançando em outros estados. No Missouri, o antigo estado natal da Monsanto, a proposta de lei de proteção foi aprovada pelo House Agriculture Committee em 4 de fevereiro.

A legislação ainda não foi formalmente introduzida em Idaho, mas um rascunho tem circulado entre os legisladores, disse Jonathan Oppenheimer, diretor de relações governamentais da Idaho Conservation League. A liga e um contingente de outros grupos de oposição realizaram uma coletiva de imprensa na semana passada denunciando os esforços para aprovar o que os grupos chamam de lei de “Imunidade de Empresas Químicas”.

Eles citaram pesquisas que mostram níveis elevados de agrotóxicos em mulheres grávidas que vivem perto de campos agrícolas e um estudo que descobriu que a ocorrência elevada de câncer  está correlacionada à exposição ao uso destes produtos. 

“Há preocupações significativas com o fato de que a EPA não conduz seus próprios estudos de segurança sobre esses produtos antes de serem aprovados”, disse Oppenheimer. “Eles confiam nesses estudos de pesquisa da indústria. E quando você olha para o histórico de aprovação de agrotóxicos, houve vários casos em que os fabricantes sabiam que seus produtos causavam certos danos, mas buscavam limitar a divulgação pública desses estudos. Como resultado, muitos produtos perigosos estão no mercado há anos. Muitas vezes, leva décadas para a EPA retirar a aprovação desses produtos.”

Junto com as ações legislativas estaduais, a EPA abriu no mês passado um período de comentários públicos sobre uma petição apresentada pelos procuradores-gerais de Nebraska, Iowa, Alabama, Arkansas, Geórgia, Indiana, Louisiana, Montana, Dakota do Norte, Carolina do Sul e Dakota do Sul buscando uma emenda à lei federal que tornaria mais difícil para as pessoas processarem os fabricantes de agrotóxicos.

As modificações propostas proibiriam quaisquer requisitos de rotulagem estaduais que fossem “inconsistentes” com as conclusões da EPA sobre a segurança de um agrotóxico.

“Declarações ou conclusões sobre os efeitos do produto na saúde humana, incluindo a probabilidade de causar câncer, defeitos congênitos ou danos reprodutivos, que sejam diferentes das descobertas e conclusões da EPA” seriam consideradas “rotulagem enganosa”, afirma a emenda proposta.

Assim como as leis estaduais propostas, o texto essencialmente impediria ações judiciais contra fabricantes de pesticidas que os acusassem de não alertar o consumidor sobre certos riscos à saúde se a EPA não tivesse exigido que esses riscos fossem explicitados no rótulo do produto.

A EPA está aceitando comentários até 20 de fevereiro.

De volta a Iowa, espera-se que o projeto de lei seja aprovado pelo senado estadual, mas a projeção é de que enfrentará uma batalha difícil na câmara dos deputados.

Apesar de uma “enxurrada” de anúncios online e em jornais por parte dos proponentes do projeto de lei de Iowa, a oposição é forte, disse Andrew Mertens, diretor executivo da Associação de Justiça de Iowa, que se opõe ao projeto de lei.

“ Pesquisas em Iowa indicariam que o público em geral simplesmente não vai cair na mensagem da Bayer”, disse Mertens. “Mas os legisladores podem ser influenciados de maneiras que os eleitores não podem, então a luta está longe de acabar.” 


Fonte: The New Lede

Agrotóxico e incidência de câncer de mama: estudo feito no Paraná ganha projeção internacional

Pesquisa coordenada pela professora Carolina Panis, na região de Francisco Beltrão, foi publicada na prestigiada revista The Lancet 

Uma professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) ganhou projeção internacional por ser a primeira cientista do mundo a evidenciar a relação entre agrotóxicos e câncer de mama.

 A pesquisa, de autoria da professora doutora Ana Carolina Panis, foi tema de um editorial da prestigiada revista The Lancet, periódico científico da área médica de respaldo internacional.

Bioquímica, Carolina é docente do curso de Medicina do campus da Unioeste em Francisco Beltrão. Especializada em pesquisa na área do câncer, quando chegou ao Sudoeste do Paraná, região marcada pelo agronegócio, ela entrou em contato com mulheres agricultoras e iniciou o estudo, que hoje se tornou referência.

Professora Ana Carolina

Docente tem formação em bioquímica e pesquisa o câncer. Foto: Divulgação

A pesquisa é resultado da parceria entre a Unioeste e o Departamento de Saúde Global da Universidade de Harvard em Boston, nos Estados Unidos, onde a docente é pesquisadora visitante desde 2019.

Uma história que definiu uma carreira

O estudo teve início em 2014, quando Carolina começou a trabalhar na Unioeste. Ela já desenvolvia pesquisas relacionadas ao câncer em áreas urbanas, mas em Francisco Beltrão observou que havia um componente diferente que era o agrotóxico.

A professora começou a conversar com as pacientes e notou que, de dez mulheres portadoras de câncer de mama, sete eram agricultoras. “Essa história definiu minha carreira”, diz.

alunos unioeste

Estudantes também integram grupo de pesquisa. Foto: Divulgação Unioeste

Após a constatação, Carolina recorreu à literatura científica em busca de artigos que trouxessem informações comprovando ou relacionando o câncer de mama e os agrotóxicos, mas para a surpresa dela nada foi encontrado.

Botinas e pés na estrada

A partir da constatação feita, a professora pegou as botinas e saiu em busca de mulheres nas propriedades rurais. Ela ia às casas para tomar café com elas e conversar. Assim, observou que as mulheres eram agricultoras, porém não aplicavam agrotóxico nas lavouras, tarefa restrita aos filhos e maridos.

Professora Ana Carolina Panis

Estudo demonstrou o vínculo entre o agrotóxico e o câncer de mama. Foto: Divulgação Unioeste

Durante as visitas, a professora teve a oportunidade de ver os maridos chegarem da lavoura e colocarem no tanque a roupa usada para aplicar agrotóxico. E caberia à esposa lavar. Elas lavavam, sem luvas, camisas e calças contaminadas.

Os agricultores usavam EPIs, que são equipamentos de proteção, contudo isso não impedia a contaminação das roupas internas. Ao notar o contato direto das esposas com as roupas, a professora decidiu coletar urina e sangue delas. Foi aí que constatou a presença de glifosato, atrazina e 2,4 D diclorofenoxiacético no organismo das mulheres.

No Sudoeste, o índice de câncer de mama, o que mais acomete as mulheres, é 40% maior que no restante do país.

Mulheres expostas e não expostas ao agrotóxico

A partir da constatação, a cientista comparou em um grupo de mulheres portadoras de câncer de mama as que são expostas e não expostas ao agrotóxico.

Com isso, ela pôde confirmar que as agricultoras tinham um tipo de câncer de mama mais agressivo e maior risco de metástase, cuja consequência é menos chance de sobrevida.

“Nós temos uma função perante a sociedade e temos que pensar que alguém tem que trazer uma resposta”, frisa a pesquisadora.

O estudo envolveu dados de 758 mulheres de toda a Região Sudoeste do Paraná. As mulheres expostas aos agroquímicos são as agricultoras, e as não expostas, aquelas que vivem na área urbana, sem contato com as atividades do campo, ou seja, não têm histórico de exposição aos agrotóxicos, não manipulam, não lavam roupa e não vivem na área rural.

Elas são mães e têm uma enorme preocupação

As mulheres são mães e têm enorme preocupação em saber o que está acontecendo, diz Ana Carolina. Após verificar a relação entre o agrotóxico e o câncer de mama, teve início um trabalho de toxicovigilância e educação.

Assim, começaram a ser realizadas oficinas. Nesse trabalho foram colhidos mais relatos. Algumas mulheres disseram ter dores de cabeça, sentir forte cheiro e até vomitar quando os maridos aplicavam agrotóxicos na lavoura.

Com informações em mãos, os pesquisadores começaram a recomendar que as agricultoras usassem luvas de borracha, que custam R$ 3,80, para lavar as roupas. O próprio projeto de pesquisa passou a distribuir as luvas e óculos de proteção a partir de recursos do governo estadual e parceiros privados.

As mulheres também passaram a ser aconselhadas a procurar acompanhamento médico caso o exame de coleta de urina apontasse a presença de agrotóxico.

A professora diz que a pesquisa continua e na próxima década o objetivo é tentar estabelecer quais níveis e quais tipos de agrotóxicos têm relação com o câncer de mama.

O grupo de pesquisa envolve 32 alunos ligados à medicina – graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. 

Reconhecimento Internacional

O trabalho recebeu menção no editorial da revista The Lancet em janeiro deste ano, após Ana Carolina e o grupo publicarem um artigo na revista Enviromental Science & Techonology, com o título Exposure to Pesticides and Breast Cancer in na Agricultural Region in Brazil (Exposição a Agrotóxicos e Câncer de Mama em Região Agrícola do Brasil).

Confira os artigos:

Pesticide exposure and increased risk of breast cancer for women in rural Brazil – The Lancet Oncology
https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(24)00726-5/abstract

Exposure to Pesticides and Breast Cancer in an Agricultural Region in Brazil | Environmental Science & Technology
https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.3c08695


Fonte: H2FOZ

Governo Lula quebra recorde de liberação de agrotóxicos: 663 novos produtos foram autorizados só em 2024

Tem mais veneno no seu prato: Brasil bate recorde de liberação de agrotóxicos em 2024. Aumento foi de 19% em relação a 2023, quando o país registrou queda no registro de novos produtos 

O Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo, com percentual maior do que a China e os Estados Unidos juntos

Por Leonardo Fernandes para o Brasil de Fato

 Brasil bateu recorde de liberação de agrotóxicos em 2024, segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Foram 663 produtos aprovados, um aumento de 19% em relação a 2023, quando foram liberados 555 produtos. Naquele ano, houve redução no número de liberações. A maioria dos novos produtos aprovados são genéricos de outros agentes já liberados (541). Quinze novas substâncias foram aprovadas, assim como 106 produtos de origem biológica, os chamados “bioinsumos”.   

Para Alan Tygel, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o acréscimo ainda não é consequência da nova lei de agrotóxicos, aprovada e sancionada em 2023 com vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já que a norma não está regulamentada. Ele opina que esses dados refletem a continuidade de um modelo de produção agrícola que ignora os efeitos do uso desses produtos químicos e prioriza a garantia de suas margens de lucro.  

“A curva dos novos registros vem apresentando aumento desde 2016, ano do golpe sobre a presidenta Dilma. Os dados de 2024 mostram apenas que esta tendência não se reverteu no governo Lula, pelo contrário, a estrutura de apoio ao agronegócio e às transnacionais agroquímicas segue firme e forte dentro do Executivo federal. Não estamos vendo ainda os efeitos da nova lei, pois ela ainda não está regulamentada; é apenas a continuidade de uma política de incentivo agronegócio, às exportações de produtos primários e à desindustrialização”, disse o pesquisador e ativista. 

Pedro Vasconcelos, assessor da Fian Brasil, concorda que ainda é cedo para atestar que o recorde na liberação de agrotóxicos tenha a ver com a aprovação da nova lei, mas pondera que a aprovação e sanção da nova legislação fortaleceu o papel do Mapa e enfraqueceu as demais instituições envolvidas no processo de análise e aprovação de novos registros. “A nova lei deu uma segurança jurídica para que o Ministério da Agricultura tenha a palavra final”, critica Vasconcelos. 

A nova lei dos agrotóxicos, além de encurtar os prazos de análises dos produtos, retirou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o poder de veto sobre a liberação dessas substâncias, cabendo a essas instituições apenas a classificação de risco dos produtos. Desta forma, a decisão passa a estar concentrada no Ministério da Agricultura, que já se manifestou publicamente contra qualquer medida que vise a redução do uso de agrotóxicos no Brasil

Vasconcelos avalia que os dados de 2024 revelam o tamanho a contradições internas do próprio governo que, embora já tenha se posicionado contra o abuso dessas substâncias, encontra forças contrárias a qualquer movimento no sentido de restringir o uso dos agrotóxicos no Brasil. “A meu ver, esse número de registros é o registro de uma de uma dificuldade muito grande na pauta, a ponto de não assumir de verdade um posicionamento contrário.”

Os pesquisadores alertam que esse modelo de produção agroalimentar tem levado o país à perda de área cultivada de alimentos que não são de interesse do agronegócio, que priorizam commodities para exportação. A situação agrava o quadro de insegurança alimentar no país. “Uma das consequências desta escolha é a alta do preço dos alimentos, já que a soja vem tomando lugar das plantações de comida“, afirma Tygel.  

“Tudo isso faz com que a população sofra os efeitos de um sistema que está destruindo. Está destruindo nossas formas de produção, a gente está comendo comida envenenada, e o nível de produtividade cai a cada momento, graças a esse modelo. É um ciclo. O nível de produtividade cai, as questões climáticas impactam cada vez, então é um modelo muito pouco adaptável, do ponto de vista climático”, avalia Vasconcelos. 

Novos venenos 

Entre as novas substâncias liberadas para uso no Brasil, duas receberam a categoria 2 na classificação toxicológica da Anvisa, como “altamente tóxico”. O Orandis, produto a base de Clorotalonil e Oxatiapiprolim, atua como fungicida e é indicado para pequenas culturas. Já o Miravis é um composto de Clorotalonil e Pidiflumetofem. Também atua como fungicida e é usado em grandes cultivos de soja, milho, algodão e trigo. Ambos são produzidos pela Syngenta. Segundo informações dos fabricantes, a inalação dos produtos pode levar a óbito, além de provocar reações alérgicas e lesões oculares em caso de exposição indevida. 


Evolução da liberação de agrotóxicos no Brasil / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Sua comida está envenenada  

A liberação massiva de sustâncias químicas para uso agrícola se reflete na qualidade da alimentação dos brasileiros e tem consequências graves à saúde. Os resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) no ano de 2023, realizado pela Anvisa, revelaram que cerca de 26% dos alimentos consumidos pelos brasileiros possuem resíduos de agrotóxicos no momento do consumo. E desses resíduos, pelo menos cinco possuem restrições e proibições em outros países, incluindo o Carbendazim, que tem uso proibido no Brasil desde 2022.  

Apenas nas amostras de arroz, foram encontrados 25 agrotóxicos tipos diferentes de agrotóxicos. Já no abacaxi, foram identificadas 31 substâncias residuais, entre elas, o glifosato, ingrediente ativo proibido em diversos países da União Europeia, a partir de estudos que o relacionam com a incidência de diversos tipos de cânceres.  

Outro produto que vem sendo utilizado em larga escala e que também foi encontrado em amostras de alimentos, como a goiaba, é o clorpirifós, que está associado a distúrbios neurológicos, malformação de fetos e ocorrências de abortos espontâneos. 

Diante desse panorama, a toxicologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Karen Friedrich reconhece o trabalho técnico da Anvisa, mas aponta limitações. “Um agrotóxico pode causar um problema ou pode não causar nada ou pode causar muito pouco, mas esse coquetel, a chance de isso interagir e potencializar os danos é muito grave”, avalia.   

Edição: Thalita Pires


Fonte: Brasil de Fato

Aves canoras estão sendo dizimidas por Fipronil usado em tratamento contra pulgas em animais de estimação, mostra estudo

Exclusivo: Produto químico usado no tratamento de pulgas e carrapatos de animais de estimação é encontrado em ninhos de chapins-azuis e chapins-reais, matando filhotes 

O fipronil é proibido para uso agrícola no Reino Unido, mas ainda é amplamente usado para impedir que animais de estimação peguem pulgas, acabando nos ninhos de pássaros canoros, como os chapins-azuis. Fotografia: Geoffrey Swaine/Rex/Shutterstock

Por Helena Horton para o “The Guardian”

Um estudo descobriu que filhotes de pássaros canoros estão sendo mortos por altos níveis de pesticidas nos pelos de animais de estimação usados ​​pelos pais para forrar seus ninhos.

Pesquisadores que pesquisaram ninhos em busca do produto químico nocivo encontrado em tratamentos contra pulgas de animais de estimação descobriram que ele estava presente em todos os ninhos. Os cientistas da Universidade de Sussex agora estão pedindo que o governo reavalie urgentemente o risco ambiental dos agrotóxicos usados ​​em tratamentos contra pulgas e carrapatos e considere restringir seu uso.

Cães e gatos são amplamente tratados com inseticidas para prevenir pulgas. Os veterinários geralmente recomendam tratamentos regulares contra pulgas como uma medida preventiva, mesmo quando cães e gatos não têm a praga. Mas os cientistas agora recomendam que os animais não sejam tratados contra pulgas, a menos que realmente as tenham.

Um chapim-real em um galho no invernoUm chapim-real. Nenhum ninho no estudo estava livre de inseticidas, disseram os pesquisadores, o que pode estar tendo consequências devastadoras nas populações de pássaros do Reino Unido. Fotografia: JMP/Abaca/Rex/Shutterstock

Já era amplamente conhecido que os produtos químicos nos tratamentos estavam afetando a vida em rios e córregos depois que animais de estimação nadavam neles, mas a descoberta da contaminação de ninhos de pássaros canoros aumentará a pressão.

Cannelle Tassin de Montaigu, principal autora do artigo de pesquisa, disse: “Nenhum ninho estava livre de inseticidas em nosso estudo, e essa presença significativa de produtos químicos nocivos pode estar tendo consequências devastadoras nas populações de pássaros do Reino Unido.

“Nossa pesquisa mostra que, com base nos produtos químicos detectados, os medicamentos veterinários contra pulgas e carrapatos são a fonte mais provável de contaminação. Realizamos nossa pesquisa quando era seguro fazê-lo, no final da temporada de reprodução, então o problema pode, de fato, ser muito pior. Isso levanta questões sobre o impacto ambiental dos medicamentos veterinários e exige uma avaliação abrangente do risco ambiental dos tratamentos veterinários.”

O estudo, publicado hoje na Science of the Total Environment , mostra que o pelo usado pelos pássaros para construir o revestimento interno de seus ninhos continha produtos químicos usados ​​em tratamentos contra pulgas de animais de estimação, como o fipronil.

Os pesquisadores coletaram 103 ninhos de chapim-azul e chapim-real que foram forrados com pelos, descobrindo que 100% dos ninhos continham fipronil, que é proibido no Reino Unido e na UE para uso agrícola, e 89% continham imidacloprida, que foi proibida na União Europeia como um produto de proteção vegetal em 2018. Ambos ainda são amplamente usados ​​em tratamentos contra pulgas de animais de estimação. O governo do Reino Unido está elaborando planos para uma proibição total de imidacloprida na agricultura, mas não para tratamentos de animais de estimação. Os pesquisadores também detectaram 17 dos 20 inseticidas que estavam testando.

Os cientistas encontraram um número maior de ovos não eclodidos ou filhotes mortos em ninhos onde houve maior incidência de inseticida.

Pesquisas recentes descobriram que esses tratamentos contra pulgas também entram nos rios, matando os animais selvagens, e que os donos de animais de estimação que os utilizam correm o risco de contaminar as mãos com os produtos químicos por pelo menos 28 dias após a aplicação do tratamento.

Sue Morgan, a presidente-executiva da SongBird Survival, disse: “Somos uma nação de amantes de animais de estimação e amantes de pássaros, e é extremamente preocupante ver os níveis alarmantes de agrotóxicos em ninhos de pássaros de medicamentos veterinários. Os donos de animais de estimação ficarão chateados ao saber que, ao tentar fazer a coisa certa para sustentar seus animais de estimação com pulgas e carrapatos, eles podem estar prejudicando nosso ecossistema, resultando em filhotes recém-nascidos mortos e ovos não eclodidos. Como donos de animais de estimação, precisamos ter confiança de que estamos mantendo nossos animais de estimação bem, sem impactos devastadores em nossa vida selvagem.

“Nossos pássaros canoros do Reino Unido estão em crise. Mais da metade dos nossos pássaros canoros do Reino Unido estão ameaçados ou já em declínio, e é por isso que esta última pesquisa mostra a importância de agir o mais rápido possível. Queremos que o governo realize uma avaliação de risco ambiental mais abrangente de medicamentos veterinários.”


Fonte: The Guardian

Falta conhecimento sobre o impacto dos agrotóxicos nas abelhas sem ferrão

As abelhas sem ferrão, conhecidas como meliponíneos, são polinizadores essenciais na América Latina, mas existem poucos estudos sobre como os pesticidas as afetam. Crédito da imagem: Cortesia de Ricardo Ayala para SciDev.Net

Por Daniela Hirschfeld para o SciDev 

[MONTEVÍDEO] Embora exista um número significativo de estudos toxicológicos sobre como os agrotóxicos afetam a abelha comum ( Apis mellifera ), há muito pouca pesquisa sobre seu impacto nas abelhas sem ferrão, conhecidas como meliponíneos, que são polinizadores essenciais na América Latina.

Essa é uma das conclusões de uma revisão bibliográfica realizada por pesquisadores latino-americanos, publicada na revista Science of the Total Environment , que indica que a escassa informação sobre os meliponíneos leva a omissões na regulamentação de agrotóxicos, o que poderia ter consequências significativas. para a biodiversidade e a segurança alimentar na região.

Os meliponíneos – que apresentam diferenças biológicas e comportamentais das abelhas comuns – são o maior grupo de abelhas sociais, com mais de 600 espécies registradas. São também os polinizadores fundamentais nas regiões tropicais e subtropicais e contribuem para a reprodução de muitas espécies de plantas, incluindo culturas economicamente importantes como o cacau, o café e diversas frutas.

Da mesma forma, essas abelhas possuem relevância cultural e econômica para as comunidades nativas e rurais, pois fornecem mel, pólen e própolis para fins nutricionais e de saúde.

Abelhas sem ferrão da espécie Tetragonisca fiebrigi . Crédito da imagem: Cortesia de María Sol Balbuena (Argentina) para SciDev.Net.

No entanto, trabalhos recentes revelaram que, entre 2000 e 2024, foram publicados apenas 144 artigos sobre os efeitos dos agrotóxicos nos meliponíneos. Destes, 90% foram fabricados na América Latina e 80% especificamente no Brasil. Os artigos analisaram apenas 43 espécies das mais de 600 existentes, e cinco espécies representaram quase metade dos dados coletados.

Entre os agrotóxicos, os autores identificaram estudos em 79 dos 3.400 registrados. Ao comparar com a disponibilidade de informações sobre Apis millifera , a revisão encontrou 2.054 artigos apenas sobre o impacto específico dos inseticidas. A quantidade aumenta ao adicionar outros compostos .

“A maioria desses estudos (sobre os efeitos dos agrotóxicos nas abelhas) são realizados nos EUA e na Europa, onde não existem meliponíneos, por isso eles priorizam as abelhas melíferas”, explicou Gherardo Boggo, membro, ao SciDev.Net

Além disso, “os órgãos reguladores de referência mundial, como a Agência de Proteção Ambiental dos EUA e a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, não consideram na sua legislação espécies de abelhas ausentes nos EUA ou na Europa”, acrescentou Diego Vázquez, investigador do Instituto de Investigação Biológica Clemente Estable. (IIBCE) do Uruguai e outro autor do estudo.

Este é um problema especialmente para os países latino-americanos, que seguem as recomendações destas organizações para elaborar a sua legislação. “A variabilidade que existe entre as espécies no grau de toxicidade dos pesticidas pode significar que estamos colocando em risco as abelhas nativas”, sublinhou Vázquez.

“Tal como acontece com as abelhas melíferas, os meliponíneos também enfrentam uma taxa alarmante de perda anual de colónias, como mostra outro estudo da SoLatinA, e uma das principais causas é, sem dúvida, o uso de agrotóxicos”, disse Boggo, também investigador. no Conselho de Pesquisa Agrícola e Análise da Economia Agrária (CREA) da Itália.

“A variabilidade que existe entre as espécies no grau de toxicidade dos pesticidas pode significar que estamos colocando em risco as abelhas nativas.”

Diego Vázquez, pesquisador do Instituto de Pesquisas Biológicas Clemente Estable (IIBCE) do Uruguai

A revisão recente também analisou o tema dos estudos e observou que há uma falta significativa de trabalhos focados na exposição crónica, nos ensaios de campo e nos efeitos subletais.

“Uma avaliação de risco abrangente deve incluir experimentos em nível de colônia e individual, tanto em adultos quanto em larvas, juntamente com a avaliação de efeitos subletais”, menciona o trabalho.

“Na verdade, um aspecto fundamental da biologia social nas abelhas melíferas e nas abelhas sem ferrão é a divisão do trabalho determinada pelo seu estado fisiológico e insumos externos”, acrescenta, indicando que esse aspecto não foi considerado na análise toxicológica.

Favo de mel de abelhas sem ferrão da espécie Tetragonisca angustula . Crédito: Cortesia de Aurora Xolalpa (México) para SciDev.Net

Consultado pelo SciDev.Net , Ciro Invernizzi, pesquisador da Seção de Etologia da Faculdade de Ciências da Universidade da República do Uruguai, destacou a importância deste estudo como um “alerta” sobre o papel que outros polinizadores têm na além das abelhas comuns.

Na sua opinião, durante muito tempo presumiu-se que as abelhas poderiam suplantar qualquer polinizador, mas é cada vez mais importante ter em conta outros polinizadores, tanto outros insetos sociais como solitários, sobre os quais muito pouco se sabe.

Além disso, sublinhou que o facto de o estudo ter sido realizado maioritariamente por especialistas latino-americanos e publicado numa revista de prestígio mostra a contribuição que a ciência regional pode dar. Nesse sentido, destacou também o valioso trabalho da SoLatiNa, que reúne mais de 250 pesquisadores de 16 países da América Latina e de outros países do mundo.

Entre as recomendações que emergem do trabalho, Boggo destacou a importância de aumentar a consciência e o conhecimento do público em geral, dos agricultores e das organizações políticas, fazendo-os compreender o papel vital destes polinizadores. Ele também destacou a necessidade de trabalhar na regulamentação dos agrotóxicos, incluindo os meliponinos na avaliação de risco.

“Na SoLatInA promovemos a cooperação científica multinacional focada na conservação da imensa diversidade de abelhas latino-americanas que nos rodeia e que por vezes as ignoramos”, concluiu Vázquez, que também é membro desta rede.


Fonte: SciDev.net

Embargo chinês afeta 5 empresas exportando soja brasileira por contaminação com agrotóxicos

Especialistas advertem que o uso extensivo de insumos químicos na agricultura é prejudicial à economia do Brasil

Por Leonardo Fernandes para o Brasil de Fato

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou, nesta quarta-feira (22), que foi notificado pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) sobre a detecção de pestes e revestimento de pesticidas na soja exportada por cinco empresas brasileiras ao país asiático. As autoridades chinesas decidiram suspender o embarque do grão brasileiro ao país até que a situação seja esclarecida.

Carregamentos das empresas Cargill Agrícola SA, ADM do Brasil, Terra Roxa Comércio de Cereais, Olam Brasil e C.Vale teriam sido afetados pela medida, de acordo com a Reuters. A agência de notícias noticiou a decisão das autoridades chinesas em 8 de janeiro. O Brasil de Fato entrou em contato as cinco companhias, mas não obteve retorno.  

Para Diana Chaib, economista e pesquisadora das relações sino-brasileiras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a decisão da China de suspender as importações de parte da soja do Brasil pode ser interpretada como “um alerta ao agronegócio brasileiro, principalmente no que diz respeito à necessidade de aprimorar os controles de qualidade e rever práticas relacionadas ao uso de agrotóxicos”. 

“A manutenção e expansão do mercado e comércio chinês dependem do cumprimento rigoroso de padrões sanitários e ambientais exigidos, e isso pode acarretar a necessidade de mudanças significativas nas práticas agrícolas brasileiras”, avalia Chaib. 

Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, lembra que os movimentos de agroecologia alertam há anos sobre a qualidade dos produtos agrícolas brasileiros, baseados na utilização de insumos químicos altamente tóxicos e prejudiciais ao meio ambiente. O ativista critica o modelo do agronegócio brasileiro, baseado em uma economia dependente de países mais desenvolvidos, e de costas para a concretização de uma política nacional de produção de alimentos.  

“Casos como esse não são incomuns, e já afetaram outros produtos, como a laranja, ou a própria carne. A aposta brasileira das últimas décadas em colocar todas as fichas no agronegócio gerou este tipo de dependência, tornando nosso país vulnerável a crises catastróficas caso os grandes importadores resolvam retaliar o Brasil por algum motivo”, afirma Tygel. 

“O que estamos vendo neste caso pode ser de fato um caso de contaminação por agrotóxicos, ou alguma doença, mas também pode ser uma barreira política ou econômica às exportações brasileiras”, avalia o ativista. “Num cenário geopolítico cada vez mais desafiador, a escolha mais estratégica para o país seria adotar um modelo de agricultura soberano, com foco na produção de alimentos saudáveis para o Brasil, e no fortalecimento dos laços com a América Latina e África, diversificando o mercado externo e deixando o país menos vulnerável às crises externas”, conclui Tygel. 

Chaib afirma que o impacto dessa medida poderá ser medido de acordo com o tempo de permanência do embargo, ou mesmo de novas restrições a outros produtos brasileiros. “Isso pode afetar os preços internos da soja no Brasil e aumentar os custos de ração para gado, o que pode tornar a carne bovina do Brasil menos competitiva no mercado internacional”, analisa a economista. “Mas esse impacto no comércio de carne bovina vai depender da extensão e da duração da suspensão de soja que a China praticar”, finaliza.

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, superando China e Estados Unidos juntos. Ao invés de desincentivar o uso desses agentes químicos na produção agrícola, o Estado brasileiro oferece bilhões de reais em isenções fiscais a empresas do mercado de agrotóxicos no país, fomentando sua utilização. Desde 2012, o país conta com um Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) que, segundo as organizações da sociedade civil, foi desmontado pelos governos anteriores. O Pronara ainda não foi retomado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por resistência do Ministério da Agricultura.

E por que só agora? 

Em entrevista ao Brasil de Fato, a biomédica e pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), Karen Friedrich, chama a atenção para os efeitos nocivos do uso extensivo de agrotóxicos na produção agropecuária, além de todas as evidências de danos à saúde coletiva e ao meio ambiente. E isso pode ter a ver com esses “incidentes” comerciais.  

“Essas substâncias usadas há décadas, elas já vão desenvolvendo as próprias pragas, vão desenvolvendo resistência. É a mesma lógica do antibiótico hospitalar. De tanto usar indiscriminadamente, desenvolveram bactérias super-resistentes. E na agricultura a gente tem essas pragas que estão desenvolvendo resistência”, afirmou a pesquisadora.   

“Então isso não é bom para o agricultor e para o agronegócio. Isso é bom para a fábrica, para a Bayer, Basf, Monsanto, Syngenta etc, que estão querendo manter esse produto no mercado até o último segundo”, disse Friedrich, referindo-se a algumas das empresas produtoras de agentes químicos usados amplamente na agricultura brasileira, e que já são proibidos em diversos outros países por comprovada relação com a incidência de cânceres e distúrbios neurológicos em humanos, além de perigosos para o meio ambiente. A pesquisadora cita o caso da atrazina, um herbicida que há mais de 20 anos tem seu uso proibido em diversos países da União Europeia, e é um dos mais utilizados nas lavouras brasileiras.  

Em nota, o Mapa afirmou que “outras unidades das empresas notificadas seguem exportando normalmente para a China, sendo as suspensões válidas apenas para as 5 unidades oficialmente notificadas”. Portanto, segue o ministério, “os volumes negociados pelo Brasil não serão afetados em função desta suspensão temporária destas 5 unidades notificadas”. 

O ministério afirmou ainda que o monitoramento dos produtos importados é “parte da rotina de fiscalização”, adotados tanto no Brasil como na China. O ministério disse ainda que aguarda os planos de ações que devem ser adotados pelas empresas para evitar novas ocorrências, e declarou ter expectativa de que o embargo seja suspenso brevemente pelas autoridades chinesas.

O Brasil de Fato questionou o ministério sobre o motivo do embargo, ou seja, ‘a contaminação química provenientes de agrotóxicos utilizados nos cultivos de soja pelo agronegócio brasileiro’, mas não obteve resposta. O Mapa se limitou a encaminhar a nota mencionada.  

A reportagem também questionou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que possui uma secretaria dirigida à gestão do comércio exterior, e à Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja); ambos sem retorno. 

A China é o maior consumidor de soja do mundo, concentrando mais de 60% do comércio mundial do grão. Segundo a Administração Geral das Alfândegas chinesa, as importações totais de soja da China em 2024 ultrapassaram os 100 milhões de toneladas, o que representou um aumento de 6,5% em relação a 2023. E a soja brasileira foi responsável por 54% das importações chinesas, seguido dos Estados Unidos, com outros 38%. Do lado brasileiro, dois terços de toda a soja produzida no país é embarcada para o gigante asiático. 

Edição: Martina Medina


Fonte: Brasil de Fato