Liberação “fast track” de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro: a posição da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação

agrotóxicos aereos

Nota da ABECO sobre a liberação de novos agrotóxicos no Brasil

A Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação – ABECO, por meio do seu Grupo de Trabalho em Políticas Públicas, manifesta extrema preocupação com as autorizações expedidas pelos órgãos competentes da Administração Pública Federal de novos produtos com ingredientes ativos de reconhecida toxicidade em humanos e no meio ambiente para emprego na agricultura e residências.

Não se trata apenas da autorização de produtos novos no mercado, mas também de novos usos. Como exemplos, incluem-se formulações de Fipronil, Imazetapir (Imazethapyr), Sulfentrazone, Acefato (Acephate), Atrazina (Atrazine), Carbendazim e Lactofen, Todos desses ingredientes ativos – em razão de sua alta toxicidade e/ou longa persistência no ambiente – tiveram seu uso banido em outros países, especialmente os da União Europeia. Essa ampliação das possibilidades de uso, além de aumentar o risco de intoxicações graves em trabalhadores e consumidores dos produtos no Brasil, ameaçam nossa biodiversidade. Podem ainda afetar negativamente a economia caso exportações brasileiras sejam prejudicadas por terem sido encontrados resíduos de tais agrotóxicos em produtos comercializados no exterior.

Os meios de tratamento de água para consumo humano convencionais disponíveis não são adequados para remover os resíduos desses agrotóxicos que atingem os cursos de água e aquíferos. Não por acaso, dados recentes mostram que parcela significativa dos municípios brasileiros são abastecidos por águas contaminadas por agrotóxicos com potencial de danos à saúde e promoção de doenças crônicas. Essa associação de fatos sobrecarrega ainda mais os serviços de saúde e a seguridade social em longo prazo, socializando perdas econômicas e com potencial de comprometimento da qualidade de vida em diferentes segmentos da sociedade brasileira.

Finalmente, mas não menos importante, o Brasil tem experimentado diminuições expressivas na abundância de insetos polinizadores em algumas regiões. A perda de polinizadores em áreas agrícolas não é somente na biodiversidade, mas compromete a produtividade de cultivos com consequências econômicas negativas, pois tais insetos, como abelhas (mas não apenas estas), respondem pela polinização de cultivos, desde frutas até grãos.  É sabido que alguns agrotóxicos liberados e outros já disponíveis no mercado, como o Sulfoxaflor, causam danos em abelhas e outros insetos e têm tido a licença de uso revista ou liberada com restrições em outros países.

Para proteger o bem-estar da sociedade, a economia e a biodiversidade brasileira, solicitamos que os Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Meio-Ambiente, e da Saúde por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária promovam a revisão dessas autorizações de uso de agrotóxicos, bem como garantam os instrumentos de controle, que incluem o monitoramento dos agrotóxicos em uso, a ampliação do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), o fortalecimento do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua), e a implementação de ações de efetiva proteção dos corpos d’água da contaminação por agrotóxicos.

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Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (ABECO)

ANEXO

Abaixo listamos alguns artigos científicos que atestam os efeitos danosos desses agrotóxicos em organismos e a importância da biodiversidade para prover serviços ambientais sustentáveis e economicamente viáveis para nossa sociedade. Estes artigos podem ser acessados nos links indicados:

Efeitos genotóxicos e mutagênicos da atrazina, inclusive em humanos, e feminilização de machos de anfíbios:

Brusick et al. 1994. An assessment of the genetic toxicity of atrazine: Relevance to human health and environmental effects. Mutation Research/Reviews in Genetic Toxicology 317: 133-144. https://doi.org/10.1016/0165-1110(94)90021-3

Rimayi et al. 2018. Effects of environmentally relevant sub-chronic atrazine concentrations on African clawed frog (Xenopus laevis) survival, growth and male gonad development. Aquatic Toxicology 199: 1-11. https://doi.org/10.1016/j.aquatox.2018.03.028

Efeitos do acefato no sistema nervoso central e no sistema urinário:

Farag et al. 2000. Developmental toxicity of acephate by gavage in mice. Reproductive Toxicology 14: 241-245. https://doi.org/10.1016/S0890-6238(00)00074-5

Poovala et al. 1998. Role of oxidant stress and antioxidant protection in Acephate-induced renal tubular cytotoxicity. Toxicological Sciences 43: 403-409. https://doi.org/10.1093/toxsci/46.2.403

Alguns efeitos do Fipronil e seus compostos secundários:

Hainzl et al. 1998. Mechanisms for selective toxicity of Fipronil insecticide and its Sulfone metabolite and Desulfinyl photoproduct. Chemical Research in Toxicology 11: 1529-1535. https://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/tx980157t

Key et al. 2003. Toxicity of the insecticides Fipronil and Endosulfan to selected life stages of the Grass shrimp (Palaemonetes pugio). Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology 70: 533-540. https://doi.org/10.1007/s00128-003-0019-z         

Efeitos genotóxicos de Imazetapir:

Pérez-Iglesias et al. 2015. Toxic and genotoxic effects of the imazethapyr-based herbicide formulation Pivot H® on montevideo tree frog Hypsiboas pulchellus tadpoles (Anura, Hylidae). Ecotoxicology and Environmental Safety 119: 15-24. https://doi.org/10.1016/j.ecoenv.2015.04.045

Efeitos de Carbendazim:

Singh et al. 2016. Toxicity, monitoring and biodegradation of the fungicide carbendazim. Environmental Chemistry Letters 14: 317-329. https://doi.org/10.1007/s10311-016-0566-2

Importância da biodiversidade na provisão de serviços ecossistêmicos:

Joly A. et al. 2018. 1o Diagnóstico Brasileiro e Sumário para Tomadores de Decisão – Biodiversidade e Serviços ecossistêmicos. Plataforma brasileira de biodiversidade e serviços ecossistêmicos (BPBPES), Campinas, SP. Disponível em: https://www.bpbes.net.br/produtos/

Importância de polinizadores na produção de alimentos:

BPBES/REBIPP (2019): Relatório temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil. Marina Wolowski et al. Maíra C. G. Padgurschi (Org.). 1ª edição, SãoCarlos, SP: Editora Cubo. 184 páginas. Disponível em: https://www.bpbes.net.br/wp-content/uploads/2019/02/BPBES_Completov5.pdf

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Esta nota foi inicialmente publicada pela Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação – ABECO [Aqui!]

Para proteger abelhas, EUA proíbe agrotóxicos neonicotinóides que governo Bolsonaro liberou no Brasil

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Em uma demonstração indiscutível de como o governo Bolsonaro está empurrando o Brasil na contramão da proteção ambiental de espécies polinizadoras de alto valor para a agricultura brasileira, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) publicou ontem o banimento de 12 agrotóxicos da classe dos Neonicotinóides por causarem danos a abelhas e outros polinizadores.

Dentre os agrotóxicos banidos pela EPA, 7 deles continham os princípios ativos Imidacloprid, Azoxistrobina e a Tiametoxam.  Caminhando no sentido contrário, o governo Bolsonaro liberou diversos agrotóxicos contendo exatamente os mesmos princípios ativos.

Alguém precisa avisar a ministra da Agricultura e seu colega do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, que aquilo que é banido nos EUA não deveria ser liberado no Brasil. Afinal, se esses compostos são ruins para as abelhas dos EUA, não podem boas para as que polinizam os campos do Brasil.

Abaixo matéria publicada pelo Centro de Segurança Alimentar (CFS) sobre o banimento dos agrotóxicos neonicotinóides nos EUA.

Agência Ambiental dos EUA cancela 12 agrotóxicos por causarem danos abelhas e outras espécies ameaçadas de extinção

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Washington, D.C. — Ontem (20/05), a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) anunciou os últimos avisos de cancelamento da autorização de 12 agrotóxicos neonicotinóides no Registro Federal. A decisão de retirar os agrotóxicos do mercado era necessária como parte de um acordo legal em dezembro de 2018 de um bem-sucedido caso do Centro de Segurança Alimentar (CFS) – litigado de 2013-2018 em nome de uma coalizão de conservacionistas e apicultores – sobre a falha da EPA de proteger polinizadores, apicultores e espécies em extinção desses agrotóxicos perigosos. A segunda metade do acordo terá início nos próximos anos: pela primeira vez, a EPA é obrigada a analisar e abordar os impactos de toda a classe de agrotóxicos neonicotinóides em espécies ameaçadas de extinção sob a Lei de Espécies Ameaçadas.

“O cancelamento de hoje desses agrotóxicos neonicotinóides é uma batalha duramente conquistada e um marco na direção certa”, disse George Kimbrell, Diretor Jurídico da CFS e principal conselheiro no caso. “Mas a guerra contra os agrotóxicos continua: Continuaremos a lutar de forma diligente para proteger nosso planeta, as abelhas e o meio ambiente dessas e de outras toxinas perigosas semelhantes.”

Os agrotóxicos cancelados no assentamento são uma classe relativamente nova de pesticidas conhecidos como pesticidas neonicotinóides ou “neônicos”. Quimicamente relacionados à nicotina, os neonicotinóides interferem no sistema nervoso dos insetos, causando tremores, paralisia e eventual morte, mesmo quando administrados em doses muito baixas. Ao contrário dos agrotóxicos tradicionais, os neônicos são sistêmicos – o que significa que eles são distribuídos por toda a planta, tornando-a inteiramente tóxica. As abelhas e outros polinizadores são expostos a esses produtos químicos tóxicos por meio de pólen, néctar, poeira, gotas de orvalho nas folhas das plantas e no solo onde nidificam muitas espécies de abelhas nativas.  Os neonicotinóides entraram em uso intensivo em meados da década de 2000, ao mesmo tempo em que os apicultores começaram a observar casos generalizados de perdas de suas colônias.

“Neonicotinóides representam uma enorme ameaça para as nossas abelhas e polinizadores”, disse Neil Carman,  responsável por polinizadores para o The Sierra Club, um autor doo processo. “Tirar esses produtos do mercado é absolutamente necessário”.

Neonicotinóides são 10.000 vezes mais tóxicos para as abelhas do que qualquer outro agrotóxicos. Eles são tipicamente aplicados como um revestimento de sementes, um processo pelo qual os agrotóxicos são misturados com grandes lotes de sementes, a fim de revesti-los antes que as sementes sejam plantadas. Depois que as sementes revestidas de neonicotinóides são plantadas, as substâncias químicas se espalham muito além da cultura para a qual são destinadas e podem contaminar as flores silvestres, o solo e a água das redondezas – o que representa uma ameaça significativa às abelhas que buscam e nidificam na área. Sabe-se há vários anos que esses produtos químicos podem matar ou enfraquecer mais do que apenas as pragas alvo. Danos não visados ​​podem ocorrer em invertebrados benéficos, bem como em pássaros e outros animais selvagens, através de efeitos diretos e indiretos.

O caso CFS foi originalmente apresentado em 2013. Em maio de 2017, o Tribunal decidiu em favor dos demandantes. Representados pelo conselho jurídico da CFS, os demandantes incluíam CFS, Sierra Club, Além de Pesticidas, Centro de Saúde Ambiental, Pesticide Action Network e quatro apicultores comerciais, Steve Ellis, Jim Doan, Tom Theobald e Bill Rhodes.

Background

A União Européia proibiu três agrotóxicos neonicotinóides de serem usados ​​em plantações depois que a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar expressou preocupação sobre os danos que esta classe de agrotóxicos representa para os polinizadores. A França também proibiu o uso de mais dois agrotóxicos neonicotinóides em campos de cultivo e em estufas. Em 2017, a CFS entrou com outra ação legal contra a EPA exigindo que as sementes com revestimento neônico não escapem mais da regulamentação. Em 2018, a CFS protocolou uma notificação de intenção de processar a administração Trump por reverter uma moratória sobre pesticidas neônicos e culturas geneticamente modificadas em refúgios de vida silvestre.

A CFS recentemente endossou a Lei de Proteção aos Refúgios de 2019, que restabelecerá a moratória sobre os refúgios de vida silvestre, e apoia a Lei de Proteção dos Polinizadores da América, que exigiria que a EPA tomasse medidas imediatas para proteger os polinizadores do neônio. A CFS também está pedindo ao Estado da Califórnia para proteger quatro espécies de abelhas, adicionando-as à Lista de Espécies em Perigo do estado. O CFS acaba de lançar um aplicativo gratuito Wild Bee ID que capacita jardineiros para ter um papel ativo na conservação das abelhas, identificando as abelhas em seus quintais que são nativas da América do Norte e as plantas que as abelhas nativas evoluíram para polinizar.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo Centro de Segurança Alimentar (CFS) [Aqui!].

Venda de agrotóxicos no Brasil: A dupla moral da Bayer e da BASF

campanha

Campanha Contra os Agrotóxicos

bayer dupla moral

O número de agrotóxicos proibidos, mas vendidos abertamente no Brasil pela Bayer, aumentou em 50% de 2016 para 2019 / Reprodução

Por Christian Russau*

Consta que na famosa Semana da Arte Moderna de 1922 o bibliotecário, jornalista, poeta, compositor e publicitário Bastos Tigre inventou o slogan “Se é Bayer, é bom”, que se tornou um dos mais conhecidos na história da América Latina. Perguntamos: “Se é Bayer, é bom mesmo?”

Um olhar mais atento à carteira de produtos da Bayer no Brasil revela algumas surpresas. Em sua página na internet, a empresa apresenta os agrotóxicos que oferece ao mercado brasileiro e esclarece sua composição. Nós cruzamos a lista das substâncias químicas que a Bayer afirma utilizar em seus produtos com a lista de substâncias químicas proibidas pela União Europeia (UE), como consta no banco de dados de pesticidas da UE. Fizemos este procedimento em 2016 e repetimos em 2019.

O resultado é que a Bayer não só continua vendendo herbicidas, inseticidas e reguladores do crescimento no Brasil, cuja composição se encontram substâncias proibidas nos países europeus, senão o número de agrotóxicos proibidos, mas vendidos abertamente no Brasil pela Bayer, aumentou de 2016 para 2019 em 50%. 

Constavam em 2016 no portfólio de agrotóxicos da Bayer no Brasil oito ingredientes proibidos na União Europeia (Carbendazim, Ciclanilida, Dissulfotão, Etiprole, Ethoxysulfuron, Ioxinil, Thidiazuron, Tiodicarbe), em 2019 este número subiu para 12 ingredientes (Carbendazim, Ciclanilida, Etiprole, Ethoxysulfuron, Fenamidona, Indaziflam, Ioxinil, Oxadiazona, Propinebe, Thidiazuron, Tiodicarbe, Thiram), um aumento numérico de 50%.

Em 2016 obtive uma resposta por escrito da Bayer: “A lista disponibilizada pelo senhor contém substâncias que são a base de defensivos agrícolas utilizados em importantes lavouras como café, arroz e cana-de-açúcar — plantas que não são nativas da Europa, onde são cultivadas em escala muito reduzida. Por isso, a Bayer — também por motivos econômicos — não solicitou a autorização para uso dessas substâncias em países europeus.” 

Esta argumentação da Bayer, bastante astuta — para não chamá-la de folgada, por omitir que entre os ingredientes há alguns que já foram liberados no passado na UE e depois proibidos por serem nocivos ao meio ambiente ou perigoso demais para contato com seres humanos e animais — a empresa repetiu quase palavra por palavra em 2019, quando perguntávamos a eles na assembleia de acionistas da Bayer.

Fizemos o mesmo procedimento com a Basf. Resultado: Em 2016 a Basf vendia no Brasil 9 ingredientes que eram banidos na UE (Clorfenapir, Cianamida, Flufenoxuron, Imazapic, Imazapir, Imazethapyr, Saflufenacil, Sethoxydim, Tepraloxidim). Em 2019 esse número já subiu para 13 (Clorfenapir, Clotianidina, Cianamida, Fipronil, Flocoumafen, Flufenoxuron, Glufosinato, Imazapic, Imazapir, Imazethapyr, Quinclorac, Saflufenacil, Sethoxydim). Um aumento de 44%.

A Bayer e a Basf vendem no Brasil esses ingredientes banidos na UE e fazem do Brasil um dos seus maiores mercados mundiais na área de agrotóxicos. Enquanto isso, esse governo tem um interesse explícito em agradar os lucros do agronegócio brasileiro, campeão mundial dos agrotóxicos.

Se olharmos o estado de Mato Grosso, começamos a entender o panorama geral. Um estudo realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso constatou que, em 13 municípios (644.746 habitantes segundo o último censo de 2015) onde foram cultivados soja, milho e algodão entre 1992 e 2014, houve 1.442 casos de câncer gástrico, esofágico e pancreático.  Nos 13 municípios comparativos (219.801 habitantes, segundo o último censo de 2015), onde em vez de uso agrícola houve uso predominantemente turístico, o número de casos de câncer foi de 53. 

Isso resulta em uma taxa de câncer de 223,65 por 100.000 habitantes em municípios utilizados para fins agrícolas e uma taxa de câncer de 24,11 por 100.000 habitantes em municípios utilizados principalmente para turismo. Assim, nos municípios onde os pesticidas são avidamente pulverizados, a taxa de câncer é estatisticamente maior por um fator de 8.

Portanto, tive que perguntar na assembleia de acionistas da Bayer quantos medicamentos contra o câncer a Bayer vendeu nos anos 2016, 2017 e 2018 no Estado de Mato Grosso? A diretoria da Bayer não quis responder esta pergunta. “Se é Bayer, é bom mesmo?” Não me convencem.

* Christian Russau é membro da diretoria da Rede de Acionistas Críticos da Alemanha e autor do livro Empresas Alemãs no Brasil

Edição: Daniela Stefano

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Este artigo foi publicado originalmente pelo jornal “Brasil de Fato” [Aqui!]

Com a aprovação de mais 31 produtos, governo Bolsonaro chega a 197 agrotóxicos em 2019

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Com mais 31 produtos  autorizados para comercialização, governo Bolsonaro chega ao número recorde de 197 agrotóxicos liberados apenas cinco meses de 2019.

O Diário Oficial da União publicou na sua edição desta 3a. feira (21/05) o Ato No. 34 de 16 de Maio de 2019 que autoriza a comercialização de mais 31 agrotóxicos no mercado brasileiro, o que leva a uma aprovação recorde de 197 produtos antes que se complete o quinto mês do governo Bolsonaro. Com esta aprovação, o Brasil possui agora estratosféricos 2.262 liberados para comercialização em seu território, muitos deles proibidos em outras partes do mundo por serem potencialmente danosos à saúde humana e ao meio ambiente.

ato 34

Como construí uma base de dados para acompanhar e identificar as principais características dos agrotóxicos aprovados apenas no governo Bolsonaro, sob a batuta da “Musa do Veneno”, a ministra da Agricultura Tereza Cristina (DEM/ES), já acrescentei estes 31 “novos produtos”, e já posso compartilhar alguns dados que, digamos, saltam aos olhos, em uma primeira análise.

A supremacia chinesa no fornecimento de produtos técnicos

A China que vem paulatinamente assumindo o controle do fornecimento de produtos técnicos com os quais se fabricam as formulações que são utilizadas na agricultura brasileira é o país sede de 27 (87%) das empresas que constam como as primeiras, senão as únicas, fabricantes dos agrotóxicos que constam como aprovados no Ato No. 34.  Por sua vez, apenas um dos produtos técnicos aprovados é fabricado no Brasil.

Tal dependência da indústria de agrotóxicos da China tende a se aprofundar na medida em que muitos produtos que estão sendo banidos na União Europeia estão tendo sua produção transferida para lá.

Essa realidade objetiva explica o porquê do discurso anti-chinês que marcou as primeiras semanas do governo Bolsonaro ter basicamente sumido do noticiário. Isto sem falar na recente visita do vice-presidente Hamilton Mourão à China, certamente para tentar acalmar o humor dos dirigentes do governo chinês em relação aos discursos alinhados ao governo de Donald Trump que andaram sendo proferidos pelo presidente Jair Bolsonaro, e que foram claramente antagônicos à manutenção da China como principal parceiro comercial do Brasil.

Fripronil, o  assassino de abelhas, entra com mais 2 produtos no mercado brasileiro

Ao contrário de que alegou a ministra Tereza Cristina em relação ao que seria o uso ilegal do Fipronil por agricultores brasileiros, o Ato No. 34 traz a aprovação de mais agrotóxicos à base deste princípio ativo, totalizando 3 agrotóxicos aprovados desde que ela assumiu a pasta da Agricultura.

A ampliação da abundância de produtos que contém Fipronil deverá impactar ainda mais a população de abelhas. É que o Fipronil tem sido diretamente associado ao extermínio de centenas milhões de abelhas. Apenas no Rio Grande do Sul, o Fipronil foi responsabilizado por pelo menos 80% da mortandade de colmeias inteiras de abelhas.

Com a ampliação do uso e a falta de fiscalização, o mais provável é que haja um aumento ainda maior no extermínio de abelhas. É que além do Fipronil, houve ainda a aprovação de dois agrotóxicos à base do Imadacloprido, um agrotóxico Neonicotinóide, que também sido associado ao chamado “colapso” das abelhas. Outro neonicotinóide aprovado nessa leva foi o Tiametoxam que, ao contrário do Imadacloprido, é proibido na União Europeia.

Há ainda que se lembrar que o Fipronil é proibido para uso na União Europeia e só pode ser usado em condições altamente restritas nos EUA. Além disso, o Fipronil ficou conhecido, e posteriormente banido, por causa do escândalo envolvendo a contaminação de milhões de ovos de galinha que tiveram de ser recolhidos em países como Bélgica, Holanda, Alemanha, França, Suécia, Reino Unido, Áustria, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Polônia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia e Dinamarca.

O discurso da segurança continua sendo negado na prática

Um dos discursos mais comuns para justificar a aprovação acelerada de agrotóxicos é de que os novos produtos seriam mais modernos e seguros. Este discurso não resiste ao exame prático por duas razões básicas. A primeira é que a imensa maioria dos produtos sendo aprovados já estão disponíveis no mercado brasileiro. A segunda é que dos 31 agrotóxicos aprovados no Ato No. 34, 45% deles estão localizados nas faixas de maior toxicidade (I e II) para a saúde humana.

Outro exemplo de que não há de novo nos agrotóxicos que estão sendo aprovados via “fast track” foi a aprovação de mais 3 agrotóxicos à base da Glicina Substituída, ou seja, o Glifosato. Acontece que neste momento há uma clara rejeição ao uso deste herbicida em função das crescentes evidências de que o mesmo seria indutor do Linfoma Non-Hodgkin. Apenas nos EUA, a Bayer/Monsanto foi condenada em 3 casos que foram julgados, e no caso mais recente a multinacional alemã foi condenada a pagar uma indenização de 2 bilhões de dólares americanos a um casal de agricultores que teria contraído o Linfoma de Non-Hodgkin a partir de um longo período de exposição ao produto.

Todas essas evidências estão sendo desprezadas pela Anvisa e pelo Ministério da Agricultura e aqui no Brasil estão sendo aprovados inúmeros produtos contendo a Glicina Modificada como seu princípio ativo.

Além disso, há que se notar que 29% dos produtos liberados no Ato de No. 34 estão proibidos na União Europeia.

O céu é o limite para saciar a fome de venenos por parte da agricultura brasileira?

Como estamos apenas no mês de Maio, é muito provável que outras centenas de agrotóxicos sejam aprovados pelo governo Bolsonaro até o final de 2019. Essa é uma situação que deverá ser acompanhada de perto por todos os que se preocupam com a saúde coletiva dos brasileiros, e com os nossos ecossistemas naturais.

É que a fome insaciável por venenos agrícolas está transformando o Brasil numa espécie de banheira de produtos químicos banidos em outras partes do mundo.  Como a maioria dos brasileiros está desinformada dos amplos impactos que esse processo de uso indiscriminado de agrotóxicos poderá trazer sobre a saúde de gerações inteiras, é importante que a comunidade científica e os movimentos sociais continuem acumulando informações que possam ser transmitidas de uma forma compreensível aos que estão hoje na linha de frente do uso desses produtos que são os trabalhadores rurais, e os que estão sendo expostos de forma indireta a partir do consumo de água e alimentos contaminados, que somos todos nós.

 

Robotox, o robô que tuíta cada vez que o governo Bolsonaro libera o registro de um agrotóxico

robotox

Por Mônica Nunes para a Conexão Planeta

A parceria entre a Agência Pública de Jornalismo Investigativo e a ONG Repórter Brasil (liderada pelo jornalista Leonardo Sakamoto) tem rendido bons frutos. Um deles é o especial Por Trás do Alimento, que criaram para dissecar tudo o que acontece no mundo do agronegócio e dos agrotóxicos, com o envolvimento do governo federal. Este é um projeto muito bacana, lançado em dezembro do ano passado, ainda sob os auspícios do governo Temer, mas já com a consciência de que o de Bolsonaro não daria trégua nesse quesito. A gente só tem que aplaudir!

E agora, os dois nos brindam com mais uma iniciativa interessante e importante: o Robotox. Um robô que avisa, pelo Twitter, toda vez que o governo Bolsonaro aprovar a liberação do registro de um agrotóxico ou de um ingrediente para novas composições no Brasil.

As atualizações serão feitas com base nas publicações do Diário Oficial da União. Assim, sempre que uma liberação for feita, o robô vai disparar tuítes com a ficha completa: marca do produto, classificação toxicológica e as culturas indicadas para uso, nome comercial da empresa que o produz ou comercializa e cidade sede dessa empresa.

Mas não pense que elevai trabalhar apenas quando houver novos registros. O perfil será atualizado diariamente e também informará o número de pesticidas liberados desde o início de 2019, além da quantidade de produtos comercializados, hoje, no Brasil.

“Criamos essa ferramenta para os cidadãos poderem acompanhar, de perto e com informações oficiais, todos os novos produtos agrotóxicos que forem liberados no mercado brasileiro. É preciso que essa política tenha mais transparênciae seja mais debatida com a população”, explica Natalia Viana, co-diretora da Pública.

Para acompanhar as atualizações, é só seguir a conta @orobotox e, quando compartilhar, usar a hashtag #Robotox.

De janeiro até agora (maio), foram liberados pelo Ministério da Agricultura, sob o comando de Tereza Crisitina, conhecida carinhosamente como a “musa do veneno”,  os registros de 166 venenos. Importante dizer que, desses, 48 são considerados extremamente tóxicos pela Anvisa e por órgãos internacionais.

farra dos agrotóxicos se iniciou com o governo Temer, que, só no ano passado liberou 450 registros. Um recorde! Com um detalhe: os ingredientes ativos já eram comercializados no país, então, os novos registros dizem respeito à autorização para uso em novas culturas, para a novas empresas poderem fabricar em nosso território ou para a produção de novas composições. Tudo novo!

Ferramentas pela transparência

Se você acompanha o Conexão Planeta, a Agência Pública e a Repórter Brasil, sabe que esta é a segunda ferramenta com dados sobre agrotóxicos lançadas por essa parceria.

A primeira foi no mês de março, com a reportagem sobre a contaminação da água por agrotóxicos: um mapa que revela o nível de toxicidade da água em cidades brasileiras, que publicamos, aqui, no site.

“Nos dois casos, trabalhamos para dar transparência a dados que são públicos”, afirma Ana Aranha, jornalista da Repórter Brasil.

Ilustração: Divulgação/Pública e Repórter Brasil

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Esta matéria foi originalmente publicada pela Conexão Planeta [Aqui!].

A agricultura viciada em agrotóxicos envenena a comida dos brasileiros

comida agrotóxicos

O site UOL publicou ontem uma matéria reveladora sobre o estado de coisas no Brasil no tocante à contaminação causada pelo uso intensivo e, em muitos casos abusivo, de agrotóxicos pela agricultura brasileira.  E o aspecto abordado na matéria assinada por Carlos Madeiro deveria ser motivo de grave preocupação para todos os brasileiros. É que Madeiro trata da suspensão do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que produziu seu último relatório em 2015.

O problema é que desde o último relatório do Para,  cerca de 1.437 novos agrotóxicos (considerando os 166 aprovados nos primeiros meses do governo Bolsonaro) foram aprovados para comercialização no Brasil, sendo que um número significativo deles foi classificado como sendo de categoria I no tocante aos riscos à saúde humana (ver gráfico da evolução de “novos” agrotóxicos abaixo).

agrotóxicos aprovados

Examinei a lista de 166 agrotóxicos aprovados em 2019 pelo governo Bolsonaro e encontrei um número significativo de produtos voltados para uso nas mesmas culturas analisadas em 2015 pela ANVISA e constatei que cerca de 50% foram classificados justamente na categoria I para saúde humana. Não ficarei surpreso se nos anteriores, essa frequência também estiver presente.

Essa situação é particularmente preocupante mesmo nas condições em que os agrotóxicos são usados na dosagem e na cultura para os quais estes foram aprovados.  O problema, como mostra o relatório da ANVISA, isto nem sempre é feito, o que ficou demonstrado com os resultados sobre o nível de amostras insatisfatórias (19,7%) nas quais se constatou limites de resíduos acima do permitido e a presença de resíduos em culturas para os quais um determinado agrotóxico não foi aprovado para uso (ver figura abaixo).

resíduos

Fonte: Relatório PARA, ANVISA (2015)

E mesmo aqueles amostras onde a quantidade de residuos de agrotóxicos estava dentro do permitido pela legislação brasileiro (38,3%), o problema não é menor. É que, como já mostrou a professora do Departamento de Geografia da USP, Larissa Miers Bombardi, em sua obra “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia“,  a legislação brasileira é muito permissiva, tanto nas substâncias que são aqui aprovados para comercialização e uso, mas também para o limite máximo de resíduos (LMR).  Em outras palavras, o Brasil usa agrotóxicos mais venenos e em proporções mais altas do que a União Européia, por exemplo.

Um agrotóxico útil para se entender o problema é o Acefato que foi banido pela União Europeia por ser considerado como indutor de câncer, mas que continua sendo vendido legalmente no Brasil.  É que no relatório da Anvisa de 2015, a contaminação por resíduos de Acefato foi a maior de todos os produtos autorizados, e em 49% dos casos as amostras estavam acima até do que é permitido pela legislação brasileira (ver figura abaixo que mostra todos os agrotóxicos detectados na comida que chega na mesa dos brasileiros).

contaminação

Fonte: Relatório PARA, ANVISA (2015).

O gráfico abaixo, que mostra as detecções consideradas “irregulares” para a presença de resíduos de Acefato em determinadas culturas, explicita bem o problema que é estarmos consumindo alimentos contaminados com resíduos excessivos para a legislação brasileiro de um agrotóxico que é considerado como causador de câncer. É que nos alimentos em que Acefato foi encontrado acima do permitido estão abacaxi, abobrinha,beterraba, couve, morango, pimentão, repolho, tomate e uva. E , pior, em vários deles ainda foram encontrados resíduos excessivos de Clorpirifós e Carbendazim. É que o Clorpirifós também é de classe I para toxicidade humana, e o Carbendazim é de categoria II. Em suma, uma combinação explosiva e que chega a nós no interior de alimentos amplamente consumidos pelos brasileiros.

detecções irregulares

Fonte: Relatório PARA, ANVISA (2015).

A situação é ainda mais dramática porque a atual ministra do Meio Ambiente, Tereza Cristina (DEM/MS), conhecida como no congresso nacional como “Musa do Veneno“, é um defensora implacável de que se liberem ainda mais agrotóxicos para uso na agricultura brasileira. E, pior, ela ostenta uma postura indiferente aos riscos de contaminação nos alimentos ingeridos brasileiros. Isto ficou evidente em uma audiência na Câmara de Deputados no dia 09 de abril, quando Tereza Cristina associou o consumo de alimentos sem agrotóxicos como uma opção dopessoal fitness“, menosprezando o direito de todos os brasileiros consumirem alimentos livres de contaminação por agrotóxicos.

tereza-cristina

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS), é uma das defensores da aceleração no processo de liberação de mais agrotóxicos para consumo pela agricultura brasileira.

O que me parece óbvio é que a contaminação por agrotóxicos já se tornou um grave problema de saúde coletiva no Brasil, já que está demonstrado que estamos ingerindo resíduos de diversas substâncias não apenas em alimentos, mas também na água que chega nas nossas torneiras. E, pior, a contaminação por fontes diferentes acaba repetindo os agrotóxicos envolvidos, o que aumenta a dose ingerida por cada um de nós, sem que haja conhecimento disso.  Isso equivale a um processo de envenenamento silencioso, e que pode estar causando a disseminação de diversas doenças graves a partir de um processo crônico de contaminação que acaba sendo de difícil associação entre causa (agrotóxico) e efeito (doença).

VENENO

Apesar do chamado “PL do Veneno” não ter sido aprovado, o governo Bolsonaro o está aplicando na prática, e 166 novos agrotóxicos foram liberados apenas nos primeiros quatro meses de 2019.

Por isso tudo, não tenho a menor dúvida de que há que se pressionar a ANVISA para que volte a produzir os relatórios do Para, de modo a se ter um mínimo de transparência sobre o processo de contaminação da comida que chega na mesa dos brasileiros.

Ministério Público instaura inquérito para apurar agrotóxicos na água de consumo em… São Carlos (SP)

agua de consumo

Em um desdobramento que deveria estar ocorrendo em todo o Brasil, o Ministério Público do Estado de São Paulo decidiu abrir um inquérito civil público para apurar a notícia publicada de forma conjunta pela ONG Repórter Brasil e pela Agência Publica sobre o processo de contaminação da água destinada para consumo humano por um coquetel de resíduos de 27 agrotóxicos.

Como divulguei os resultados desta pesquisa para o município de Campos dos Goytacazes e mostrei que o mesmo problema está afetando a água que chega nas nossas torneiras a partir da distribuição realizada pela concessionária “Águas do Paraíba“, fico curioso para saber quando o MP do Rio de Janeiro vai instaurar um inquérito aqui em nossa cidade.

Afinal, agrotóxico contamina lá, contamina cá. Resta saber se o MP de cá fará como o de lá. Eu sinceramente espero que sim.

Instaurado inquérito para apurar contaminação de água para consumo humano em São Carlos

Reportagem identificou 27 tipos de agrotóxicos em amostras

Com o objetivo de apurar notícia de contaminação da água destinada ao consumo humano no município de São Carlos, o promotor de Justiça Flávio Okamoto instaurou inquérito civil no dia 3 de maio. O membro do MPSP pretende identificar eventuais responsabilidades junto ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (Saae) sobre os 27 tipos de agrotóxicos que teriam sido identificados na água, de acordo com reportagem publicada pela ONG Repórter Brasil.

A matéria citada pelo promotor na portaria de instauração compilou dados obtidos junto ao Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), do Ministério da Saúde, revelando que os testes realizados pelo SAAE de São Carlos revelaram a contaminação do líquido. Ainda de acordo com a reportagem, 21 dos agrotóxicos encontrados na água são de uso proibido na União Europeia em razão dos riscos que oferecem à saúde e ao meio ambiente. “(…) conforme noticiado, no Brasil há somente limites individuais para cada tipo de agrotóxico, de modo que a presença de todos os 27 tipos na água potável, ainda que dentro dos limites de cada um deles, pode representar mais de 2.700 vezes o limite de 0,5 microgramas de agrotóxicos totais por litro d’água, adotado pela União Europeia”, diz a portaria.

Entre as diligências determinadas no inquérito está o envio de ofício ao Saae para que o órgão informe, em 30 dias, sobre os testes realizados na água para consumo humano (tipos, periodicidade etc.) e sobre eventuais desconformidades detectadas nos últimos 5 anos em relação a todas as substâncias químicas que representam risco à saúde, listadas em portaria do Ministério da Saúde. Já a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Grupo de Vigilância Sanitária XII de Araraquara e a Vigilância Sanitária Municipal de São Carlos deverão encaminhar informações que entenderem pertinentes a respeito da notícia publicada pela Repórter Brasil, com sugestão de medidas que possam minimizar a contaminação de águas superficiais e subterrâneas por agrotóxicos.

O Escritório de Defesa Agropecuária de Araraquara, por sua vez, foi acionado para encaminhar relatório das atividades desenvolvidas em cumprimento ao artigo 15 do Decreto Estadual n°. 44.038/1999, informe como é realizado o controle da aquisição e utilização de agrotóxicos, bem como da destinação das embalagens vazias, e apresente sugestão de medidas que possam minimizar a contaminação de águas superficiais e subterrâneas por agrotóxicos.

Esta matéria foi inicialmente publicada no site do Ministério Público do Estado de São Paulo  [Aqui!]

Lobistas da Monsanto ficharam ilegalmente personalidades francesas

Documentos que vimos mostram o uso de arquivos para identificar pró e anti-glifosato. Práticas que provavelmente são ilegais. Uma queixa foi arquivada.

monsanto

Vista da sede da Monsanto em St. Louis, EUA, maio de 2016. AFP / Michael B. Thomas

Por Gaël Lombart para o LeParisien

Compartilhar uma lista de pessoas, com seus detalhes de contato e opiniões, sem o seu consentimento, é ilegal. A FleishmanHillard, uma subsidiária de um dos maiores grupos de comunicação do mundo, supostamente usou essa prática em nome de um de seus clientes, a Monsanto, para fins de lobby, como revelado por L ‘ Olho das 20 horas da França 2, quinta-feira à noite.

Documentos Le Parisien viu mostrar que FleishmanHillard usou, no final de 2016, dois arquivos contendo 239 nomes no total, com raras exceções personalidades francesas – políticos, jornalistas ou representantes de organizações público ou privado – com comentários sobre sua posição sobre o glifosato ou sobre seu possível apoio à Monsanto.

Na época, o gigante de pesticidas está a desenvolver uma estratégia ofensiva para defender a sua imagem e a de sua substância herbicida classificados em março de 2015 “provavelmente cancerígeno pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC), uma agência especializada das Organização Mundial da Saúde (OMS). Como o Le Monde revelou em janeiro de 2019, a Monsanto confiou à FleishmanHillard um programa chamado “Let Nothing Go” para monitorar e responder a comentários negativos na Internet, mas também para influenciar personalidades.

Identificados como “oponentes” ou “apoiadores”

Um dos arquivos da FleishmanHillard inclui 200 nomes, com informações de contato pessoal (endereços postais, e-mails, número de telefone …) e um em cada cinco sistemas de classificação. A credibilidade, influência e capacidade de apoio dos indivíduos mencionados pela Monsanto são avaliados em seis temas (agricultura, meio ambiente, nutrição, OGM, pesticidas e saúde).

Juntamente com 91 jornalistas, a categoria mais representada, há 28 executivos sindicais agrícolas, 25 políticos e 15 cientistas. Entre as pessoas-alvo, o atual ministro da Economia, Bruno Le Maire, então parlamentares dos Republicanos. Sete parlamentares verdes também estão em jogo, incluindo os deputados José Bové e Michèle Rivasi.

Em uma coluna de comentários, quatro de seus colegas, em Estrasburgo, estão carimbados como “pró-glifosato”. Uma posição refutou Philippe Juvin com o parisiense: “Concordo totalmente em ser pró-glifosato. “Chocado” com o processo, o deputado LR imagina que ele tem que ser comparado ao seu grupo, o Partido Popular Europeu (EPP), “que contou com um estudo da OMS e da FAO que o glifosato não era carcinogênico.”

Um pesquisador é descrito como o “principal adversário científico” do herbicida. Um jornalista é acusado de ser um “oponente” e outros sete recebem o título de “adversário forte” (“oponente forte”), enquanto um colunista de mídia é visto como “forte apoiadora”.

Metas prioritárias

Um segundo arquivo se concentra em 74 nomes, alguns faltando no primeiro documento. Metas prioritárias para a campanha da Monsanto, muitas das quais incluem políticos, jornalistas e representantes sindicais em sua maior parte. Um código de cores distingue “aliados”, “possíveis aliados a serem recrutados”, “partes interessadas para educar” e “partes interessadas a serem observadas”.

Um memorando da FleishmanHillard datado de 10 de janeiro de 2017 destaca a importância de atuar nesses “principais interessados” no contexto da renovação do glifosato na União Européia. Naquela época, os estados membros não conseguiram concordar, com a França pedindo uma nova autorização de curto prazo.

De acordo com este documento, as personalidades identificadas no arquivo “determinarão como as políticas tomarão sua decisão final para a votação do país na renovação”. No arquivo de código de cores, Xavier Bertrand, presidente da região de Hauts-de-France, é assim rotulado como “potencial aliado para recrutar”.

“Esses elementos envolvem apenas o autor do arquivo. Isto não reflecte a posição de Xavier Bertrand, que é que não podemos aceitar uma moratória sobre o glifosato que seja diferente entre os Estados-Membros, o que cria uma distorção da concorrência entre os agricultores “, reagimos na comitiva dos escolhidos, questionados por Le Parisien.

“Isolar” a voz dos ministros “anti-glifosato”

A categoria “Stakeholders to Monitored”, que é menos desenvolvida, inclui dois ministros, dois conselheiros ministeriais e um punhado de tomadores de decisão do governo que têm voz nas decisões sobre pesticidas. Os nomes de Ségolène Royal e Marisol Touraine, respectivamente na Transição Ecológica e Saúde, são acompanhados por esta menção lapidar: “Ela é anti-glifosato. O “objetivo” da campanha para eles é “isolar” sua “voz”.

“Vemos que a Monsanto era, na época, uma estratégia muito identificada para garantir que os opositores do glifosato fossem bem identificados e, tanto quanto possível, combatessem. O que me choca sem me surpreender é a existência de uma estratégia para impor um produto que sabemos ser perigoso para a saúde pública “, diz Marisol Touraine. O ex-ministro também deplora a presença “espantosa” nas listas de conselheiros ministeriais, cuja posição sobre os arquivos não deveria ser pública.

Entre os “aliados” em potencial e aqueles a serem “vigiados”, os “interessados ​​em educar” reúnem um atual ministro, um de seus antecessores, conselheiros do Elysée e Matignon, vários políticos e 16 jornalistas. Suspeitam-se de poder “balançar-se”, por outras palavras para poder convencer-se.

O memorando de 2017 lembra as boas perguntas para todos os “influenciadores”: “O que nossos alvos precisam? O que os motivará a apoiar a renovação (glifosato, Ed)? Mais surpreendente: a nota pede para aprender sobre os hobbies das pessoas-alvo, por exemplo, tênis ou golfe. Por que tal interesse por um hobby? O artigo sugere que a estratégia da FleishmanHillard é emergir no mundo imaginário de usos pouco conhecidos, mas potencialmente atraentes, do glifosato, em lugares como greens, herbicidas gananciosos.

Outra tendência desejada, sem dúvida, considerando a reputação controversa da Monsanto: “debates” devem “focar” na substância em questão, não na multinacional …

Por que é ilegal?

Nenhuma das pessoas que entrevistamos foi informada de sua presença nesses arquivos antes de vazarem. No entanto, mesmo antes da entrada em vigor do Regulamento Europeu de Proteção de Dados (GDPR) em 2018, a lei francesa é clara: as pessoas catalogadas devem dar consentimento e ter o direito de acesso e retificação aos seus registros, especialmente se o objetivo é detalhar suas opiniões pessoais.

“Se não tivermos o consentimento da pessoa, devemos ter um interesse legítimo em construir o arquivo e não acho que um arquivo apresentando pessoas como oponentes entre no padrão da CNIL”, Commission Nationale Informatique et Libertés, explica Étienne Papin, advogado da Corte de Paris.

“Seja um comentário textual que é neutro, difamatório ou prejudicial em seu conteúdo, é o mesmo sob a lei de 1978. O sistema de notação, seja números, letras, códigos de cores, está em auto-dados pessoais. É geralmente aplicado o mesmo tratamento jurídico a estes códigos que os textos “, sublinha este especialista em direito informático.

Ambos os arquivos foram escritos em inglês e um deles foi consultado em Paris e em Bruxelas, segundo a France 2. Contactado por Le Parisien, Sandrine Cormary, diretor executivo da FleishmanHillard France até janeiro de 2017, disse desconhecer a existência de tais documentos. “O fato de fazer listagens é algo bastante comum em nossa profissão. Mas todo o nosso grupo está obviamente em conformidade com a lei francesa de proteção de dados e com o RGPD “, disse a atual executiva da France Omnicom, a gigante global de relações públicas FleishmanHillard.

A Bayer, o grupo farmacêutico que se fundiu com a Monsanto em 2018, também diz que eles ignoram esses documentos. “Essas não são práticas atuais na Bayer”, disse uma porta-voz do grupo na França. Afirma que o contrato entre a Monsanto e a FleishmanHillard foi concluído no final de 2018. Desde então, a Bayer selecionou outra agência de comunicação, a Partners in Innovation, que inclui membros da FleishmanHillard.

Vários procedimentos em vista

Tendo conhecimento desses arquivos, o jornal Le Monde apresentou uma denúncia em 26 de abril com o promotor público da República em Paris, especialmente para a retenção de dados “revelando as visões políticas e filosóficas de uma pessoa sem o seu consentimento”.

Qualificado em uma lista como sendo um  “oponente forte”, o jornalista Stéphane Foucart, co-autor da denúncia, é apresentado em outro documento, como “um ativista mobilizado contra a renovação do glifosato”. Quatro outros jornalistas do jornal da tarde estão presentes nos arquivos.

O procedimento poderia ser emulado. Contactada, a associação Future Generations anunciou sua intenção de registrar uma queixa. No séquito de Xavier Bertrand, especifica que o presidente da Hauts-de-France “se reserva o direito de um possível processo quando ele puder acessar o conteúdo desses arquivos”. “Não surpreende estar entre as pessoas de quem a Monsanto não gosta”, disse a ex-ministra do Meio Ambiente, Corinne Lepage, “tomará as medidas necessárias” se considerar o processo ilegal.

Quanto ao parisiense-hoje na França, incluindo três jornalistas aparecem nas listas, ele já planejou para aproveitar o Cnil.

Quem encontramos nos arquivos?
95 jornalistas
39 políticos
30 representantes de sindicatos de agricultores
17 membros de ONGs
16 cientistas
11 membros de organizações públicas  e da administração pública
8 líderes de organizações da indústria
7 funcionários ministeriais ou do Elysee
5 membros do setor de distribuição
4 fazendeiros influentes no Twitter
7 pessoas de diversas origens

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Esta reportagem foi originalmente publicada em francês pelo LeParisien [Aqui!].

VERACEL é acusada de contaminar lençol freático e afluente do Rio Sapucaeira

Moradores do Itapoã estariam tomando banho e consumindo peixes de águas contaminadas

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Uma grave denúncia de contaminação do lençol freático e contaminação de um afluente do Rio Sapucaeira provocado pelo uso de defensivos agrícolas no viveiro da Veracel, foi enviada para o Futucando Notícias contendo informações detalhadas e alertando sobre os graves riscos para a vida humana e ambiental, chamando a atenção das autoridades que precisam investigar de forma urgente os graves impactos ambientais causados pela Veracel, devendo também, segundo a fonte, verificar os relatórios anteriores e se existirem atuais, mostrando a contaminação ocorrida e os desvios feitos para que os alertas fossem ignorados.

Os lençóis freáticos são grandes extensões de água que ficam abaixo da superfície do solo, e que constituem grande parte da água doce potável do planeta.

A denúncia alerta ainda, que moradores do bairro Itapoã estariam tomando banhos e consumindo peixes de uma lagoa que também estaria contaminada com defensivos agrícolas e se localiza nos fundos do viveiro da Veracel.

Veja as informações detalhadas sobre o impacto ambiental, segundo a fonte da denúncia:

Durante auditoria do FSC/ Cerflor, realizada na Veracel em Agosto de 2015, foi identificado pelos auditores nas análises das águas subterrâneas (há poços de monitoramento do lençol freático dentro do Núcleo florestal da Veracel), que o lençol freático da área do Núcleo Florestal estava contaminado com adubos e defensivos químicos que eram usados nas aplicações dentro do viveiro da multinacional.

Veja fotos:

Para evitar a perda do selo de Certificação, a Veracel fez um revestimento em 2016, conforme fotos abaixo, mas somente na parte interna do seu viveiro de produção de mudas, não se importando com o meio ambiente e vidas em perigo, se preocupando apenas com o custo que era altíssimo para fazer em toda área do viveiro. A parte externa era muito grande e não foi realizado este revestimento, com isso os resíduos químicos que caem no solo continuaram e continuam contaminado o lençol freático.

Há um tanque de captação dentro do Núcleo florestal da Veracel que recebe toda água de defensivos químicos e a água deste tanque é lançada em “plantios Experimentais” que ficam ao lado.

O problema  é que as águas destes plantios caem direto em um afluente do Rio Sapucaeira, onde não há análise da Veracel para saber o real impacto destas águas para famílias ou pessoas que fazem uso abaixo do ponto em que estas águas contaminadas são despachadas pela empresa Veracel. Podem verificar que a Veracel não tem análise da qualidade da água que seguem do ponto onde caem para baixo, os gestores não estão nem ai com a saúde de quem está usando a água. Conforme informações de Vigilantes da Veracel, há muitos moradores do bairro Itapuã tomando banho e pescando nas águas de uma represa localizada nos fundos do viveiro. Outro problema grave são as águas de chuvas com graxa, óleos e demais contaminantes que vem do bairro itapuã e caem dentro destes efluentes.

Segundo a fonte da denúncia, a empresa Veracel nunca fez nada para resolver este Impacto Ambiental que segue contaminando peixes e espécies aquáticas que habitam neste afluente do Rio Sapucaeira.

Ainda de acordo com a fonte, em auditoria realizada em agosto de 2015, um auditor solicitou que a Veracel fizesse um estudo sobre os impactos ambientais da contaminação do solo e sobre as águas lançadas no afluente do Rio Sapucaeira. Pediu ainda para verificar se havia Morte dos Polinizadores pelas aplicações de defensivos e nunca foi feito tal estudo.

Os agentes polinizadores são fatores bióticos ou abióticos que garantem o transporte de pólen, possibilitando, assim, a propagação de espécies vegetais. Nas gimnospermas e angiospermas, a reprodução sexuada envolve um processo conhecido como polinização.

Será que realmente esta empresa está preocupada com o meio ambiente e a sociedade com diz em seus noticiários e jornais impressos?

Perigo ARSENAL NA:

Por: Jean Ramalho

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Este artigo foi originalmente publicado pelo site Futucando Notícias [Aqui!]

166 agrotóxicos já aprovados em 2019. E segue firme a marcha do veneno do governo Bolsonaro

aplicacao-de-agrotoxico

Aplicação de agrotóxicos.

Em meio a muitas outras notícias turbulentas na situação brasileira, passou despercebida a aprovação de mais 14 agrotóxicos pelo governo Bolsonaro por meio do Ato 27 que foi publicado no dia 17 de Abril de 2019, perfazendo um total de 166 agrotóxicos liberados para comercialização apenas nos primeiros 4 meses do corrente ano, um verdadeiro recorde de aprovações.

Tendo atualizado a base de dados que criei para acompanhar a marcha do veneno do governo Bolsonaro, pude confirmar algumas tendências que já estava claras desde a primeira série de aprovações, e que desmentem o discurso oficial em várias esferas no que tange as interligações existentes entre o comércio de agrotóxicos e a expansão de áreas cultivas unicamente com monoculturas voltadas para a exportação.

A primeira é que não nada de minimizador ocorrendo em termos do nível de toxicidade das substâncias aprovadas, sendo que no tocante à saúde humana, 43% das substâncias aprovadas estão nas categorias mais perigosas,  I e II, e velhos venenos conhecidos estão na lista dos contemplados (a começar pelo Acefato e pela Atrazina, ambos banidos na União Europeia) (ver gráfico abaixo).

toxicidade

Ainda no tocante ao elemento da toxicidade, analisei também a situação dos 166 agrotóxicos aprovados em relação à União Europeia e verifiquei que pelo menos 26% deles estão listados como proibidos (o que decorre da não aprovação em primeira instância ou do banimento posterior para aqueles que foram aprovados e depois tiveram comprovadas seus danos sobre saúde humana e meio ambiente) (ver figura abaixo).

EU status

O fato do Brasil estar concentrando produtos que foram banidos pela União Européia já foi verificado anteriormente pela professora Larissa Miers Bombardi do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Os resultados das pesquisas da professora Bombardi foram sintetizados na obra “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia“.  Entretanto, o que os dados relativos aos 166 agrotóxicos aprovados em 2019 mostram é que as tendências verificadas anteriormente pode não apenas estar sendo mantidas, mas também aprofundadas, tornando o mercado brasileiro uma espécie de banheira preferencial para onde são despejados agrotóxicos  indesejados na União Europeia.

Outra tendência que vejo confirmada a partir dos agrotóxicos autorizados pelo Ato 27 é a extrema dependência do Brasil em relação à China no tocante à produção de agrotóxicos para manter sua agricultura voltada para a exportação.  Nesse quesito, apesar o Brasil importar produtos técnicos que serão utilizados nas diferentes formulações que chegam ao mercado  de diversos países, no caso dos 166 agrotóxicos aprovados em 2019, 63,4% dos fabricantes primários (e em diversos casos do único fabricante) são empresas chinesas (ver figura abaixo).

fabricante primário

Um detalhe ainda mais curioso, é que 98% dos proibidos na União Europeia chegam no Brasil por meio de empresas chinesas. Este dado revela que a China não apenas é a principal fonte de agrotóxicos vendidos, mas, e especialmente, daqueles que foram banidos em outras regiões do planeta, a começar pela União Europeia. 

Por essas e outras é que aparentemente cessaram todas as manifestações belicosas contra a China que marcaram os primeiros momentos do governo Bolsonaro. É que alguém deve alertado quem atacava os laços comerciais com a China, a começar pelo ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, visto que dependemos dos chineses não apenas para assimilar a produção de várias commodities agrícolas, mas também para a compra de agrotóxicos, muitos deles, friso eu, banidos em outras partes do mundo por causa dos fortes impactos sobre a saúde humana e o meio ambiente.

Interessante lembrar o caso do Paraquat  que tem 85% de sua produção baseada na China, tornando os latifundiários brasileiros diretamente dependentes dos chineses para comprarem esse produto.  O problema é que no caso do Paraquat , o produto já foi proibido para uso na China em 2016 e os chineses irão cessar sua produção para consumo externo em 2020. Enquanto isso no Brasil, a Anvisa só deverá banir o Paraquat, isso se os ruralistas permitirem, coincidentemente em 2020.

Como ainda existem mais de 200 agrotóxicos esperando na fila para aprovação, o mais provável é que brevemente eu tenha de atualizar a minha base de dados. Entretanto, acredito que as tendências aqui observadas não apenas serão mantidas, como possuem fortes possibilidades de serem aprofundadas. Em outras palavras, mais venenos agrícolas altamente tóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo, inclusive na China que os produz para os ruralistas brasileiros consumirem.  E depois que ninguém se surpreenda se aumentar a contaminação na água que chega nas nossas torneiras e na comida que alcança a mesa de que ainda consegue comprar.