Monsanto Years, o álbum de Neil Young contra a Monsanto e outras corporações poluidoras chegou em minhas mãos!

pedlowski neil

 

Venho ouvindo as músicas de Neil Young desde quando eu tinha 18 anos e ganhei o álbum “Comes a Times” de uma amiga no amigo secreto do final de ano no último ano do ensino médio. De lá para cá, aprendi inglês o suficiente para escrever uma tese de doutorado e para entender os meandros poéticos da música do bardo canadense.

Neil Young está à beira dos 70 anos e eu na beirada dos 55. Apesar de ter visto apenas um show ao vivo dele na terceira edição do Rock in Rio, comprei quase tudo o que apareceu pela frente nesses últimos 37 anos. Agora me chegou às mãos o “Monsanto Years” que comprei na forma de pré-ordem na Amazon. Posso dizer como fã que as críticas sobre certas descontinuidades no álbum são corretas, mas passam ao largo do mais relevante. Monsanto Years não é um álbum qualquer de protesto, mas sim uma síntese do que Neil Young vem dizendo desde que ficou famoso ao tocar em Woodstock em 1969.

Essa faixa é “People want to hear about love” e critica a alienação dos que só querem ouvir músicas sobre amor, e esquecem do poder que as corporações sobre todos os aspectos de suas vidas. Poluição, petróleo, OGMs e agrotóxicos.

Rock on, Neil Young!

Reinações de Kátia Abreu: agrotóxico ainda mais nocivo é aprovado pela Anvisa

codigo florestal

Vivemos tempo curiosos, para não dizer outra coisa, no Brasil. De um lado, temos um congresso onde a base do (des) governo comandado por Dilma Rousseff deixa e rola, aprovando em menos de 24 horas aquilo em que foi derrotado numa primeira votação, como foram os casos do financiamento privado das campanhas eleitorais e a redução da maioridade penal. Nesses casos, o neoPT adota uma face de que ainda é o velho PT e assume um discurso de que é oposição ao que ajudou a criar.

Mas um olhar mais apurado para outras áreas de atuação dos ministros e agentes indicados por Dilma Rousseff, veremos que esse suposto ensaio de uma “saída pela esquerda” do PT não passa de encenação pura. 

O caso mais emblemático para mim do abraço com a direita que caracterizou o estelionato eleitoral realizado por Dilma Rousseff e o neoPT não foi a indicação de Joaquim Levy para comandar o ministério da Fazenda. É que há outra ministra ainda mais alinhada com o ultra-reacionarismo no ministério neoliberal de Dilma, a dublê de senadora e latifundiária, a senhora Kátia Abreu. E sejamos sinceros, Kátia Abreu nunca disse que mudou ou que não continuaria incentivando as práticas nefastas que sempre defendeu. Não obstante, Kátia Abreu é seguramente uma das pessoas de maior confiança de Dilma Rousseff no atual ministério, visto que sua presença decorreu de uma escolha pessoal da presidente.

Mas o que tem Kátia Abreu a ver com a notícia abaixo publica pelo jornal Folha de São Paulo sobre a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de um agrotóxico ainda mais nocivo à saúde humana do que os venenos agrícolas existentes no mercado brasileiro? Ora, tudo! É que desde antes de ser ministra, e isso continuou depois de sua posse no ministério da Agricultura, Kátia Abreu vem defendendo a liberação de venenos mais potentes para turbinar a produção de grãos que fazem a festa do latifúndio agro-exportador.

O problema é que se presta mais atenção nos tópicos que são passíveis de debate num congresso claramente tão ultraconservador quanto Kátia Abreu, outras coisas passam no melhor estilo “os cães ladram e a caravana passa”. Lamentavelmente, o que fica de prático é a disponibilização de venenos ainda mais potentes cujos efeitos recairão não apenas sobre a saúde dos trabalhadores e agricultores que os manuseiam diretamente, mas sobre toda a sociedade brasileira.

No caso específico deste veneno é importante notar que o mesmo será provavelmente utilizado no Norte Fluminense, visto que foi liberado pela Anvisa para uso na monocultura da cana-de-açúcar.

Governo contraria a lei e libera agrotóxico mais nocivo à saúde

REYNALDO TUROLLO JR., DE SÃO PAULO

Contrariando a lei, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a liberação de um agrotóxico mais nocivo à saúde do que outros já existentes no mercado com o mesmo princípio ativo e para o mesmo fim.

À Folha, a agência justificou a liberação como sendo um “erro”. Afirmou que o produto foi classificado como mais tóxico porque não conseguiu fazer os testes corretamente. Agora, mesmo sem parte dos exames, a Anvisa vai reclassificar o produto como menos nocivo, a fim de regularizá-lo (leia texto abaixo).

Para que um defensivo agrícola possa ser comercializado, é necessário aprovação do Ibama (órgão ambiental), da Anvisa (saúde) e do Ministério da Agricultura, que avalia a eficácia agronômica e, por fim, emite o registro.

Editoria de Arte/Folhapress

Os testes da Anvisa nessa etapa analisam a toxicidade aguda, que afeta principalmente o agricultor que manuseia e aplica o agrotóxico, além das comunidades no entorno das plantações.

A fabricante do produto liberado no ano passado, a Ourofino, já havia sido beneficiada de falhas na área de toxicologia da Anvisa em 2012, quando um ex-chefe do setor denunciou irregularidades.

Na ocasião, cinco produtos tiveram problemas, como “pular” a avaliação ou obter a aprovação apesar de serem mais tóxicos que os chamados produtos de referência.

Ao proibir a liberação de defensivos mais tóxicos do que os já existentes (produtos de referência), o objetivo da lei, de 1989, é estimular a indústria a desenvolver tecnologias menos danosas.

Após a Folha publicar uma série de reportagens sobre as irregularidades praticadas em 2012, a AGU (Advocacia-Geral da União) emitiu parecer em fevereiro de 2013 reafirmando que “nenhum agrotóxico pode ter toxicidade maior do que a daqueles já registrados para o mesmo fim”.

O HERBICIDA

Em setembro de 2014, porém, o herbicida para cana-de-açúcar e café MegaBR, da empresa Ourofino, passou pela Anvisa e obteve registro no Ministério da Agricultura apesar de ter sido classificado como mais tóxico que seus produtos de referência, o Metrimex 500 SC e o Gesapax, da Syngenta.

O MegaBR teve classificação toxicológica de nível 2 (altamente tóxico). Já os de referência são de nível 3 (medianamente tóxico) e nível 4 (pouco tóxico), respectivamente. Todos são feitos à base da substância ametrina.

Nas aprovações suspeitas, em 2012, outro produto da Ourofino também se beneficiou pela Anvisa –o inseticida para cana SingularBR. O produto era mais tóxico que seu produto de referência, o Regent 800 WG, da Basf, e continua no mercado, pois o parecer da AGU não foi retroativo.

A empresa é a mesma que, em 2011, emprestou um jatinho ao então ministro da Agricultura, Wagner Rossi. O episódio acelerou a saída dele do governo. A CGU (Controladoria-Geral da União) investigou o caso e concluiu não haver “evidências suficientes” de irregularidade.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2015/07/1650470-governo-contraria-a-lei-e-libera-agrotoxico-mais-nocivo-a-saude.shtml

Agrotóxicos, hora de acordar para enfrentar o pesadelo

agrotóxicos

São visíveis os impactos no meio ambiente trazidos pelas enxurradas de venenos que encharcam as lavouras diariamente

Por Jacy Afonso,Do Brasil247

Não bastassem as contaminações por efluentes gasosos de todos os tipos, poluentes persistentes impostos por processos industriais, pelo escapamento de veículos, pelo desmatamento e demais fontes poluidoras, os agrotóxicos se somam ao peso no prato de cada dia do trabalhador e da trabalhadora.

No Brasil, os números impressionam. Dados da Anvisa do ano de 2013 apontam que 64% dos alimentos estão contaminados por agrotóxicos. Entre 2007 e 2014, as intoxicações por esses venenos, notificadas e registradas pelo DATASUS do Ministério da Saúde, foram 34.147, e há que se considerar ainda o significativo montante das subnotificações.

Em que pesem os avanços de iniciativas como o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), que tem como objetivos a diminuição do uso e a transição para modelos alternativos como a agroecologia e a produção orgânica, estamos diante de retrocessos quanto à liberação de princípios ativos já banidos em todo o mundo, mas permitidos aqui, a partir da flexibilização na legislação. Isso trará impactos irreversíveis para as populações.

Somam-se a isso os impactos do uso dos agrotóxicos nos trabalhadores e trabalhadoras e que atingem toda a cadeia produtiva, começando na indústria química, tanto na produção quanto no envase, no transporte, no manuseio no comércio, na aplicação no campo, no consumo dos alimentos pela população.

A saúde desses trabalhadores é comprometida no exercício do trabalho, pelo uso abusivo de venenos, e tem as suas defesas nocauteadas dia a dia, numa luta com um adversário oculto e silencioso que quando se revela, em geral, é tarde demais.

E nos locais de trabalho, como são pensados e selecionados os ingredientes que são a base da alimentação dos trabalhadores nos refeitórios das empresas, em sua maioria terceirizadas? Qual o nível de decisão, participação e monitoramento que os trabalhadores efetivamente têm nesses processos?

Na cadeia produtiva do agronegócio, é grande a vulnerabilidade dos trabalhadores, em sua absoluta maioria temporários, que são submetidos a baixíssimos salários, condições de trabalho exaustivas e, muitas vezes, condições de escravidão, tendo seus documentos retidos e ficando impossibilitados sequer de retornar às suas cidades de origem.

São visíveis os impactos no meio ambiente, as enxurradas de venenos que encharcam as lavouras diariamente. São comuns a falta de descarte correto, os derramamentos acidentais, a contaminação das águas, a intoxicação e morte de animais por terra, ar e mar, além das populações que sobrevivem da natureza e que veem sua fonte de subsistência comprometida, quando não condenada, para privilégio de poucos.

Essas são questões que devem ser aprofundadas e que requerem acompanhamento nas mesas de negociação, conselhos, comissões correlatas e demais espaços de enfrentamento ao tema. Pautar o assunto internamente e de forma mais contundente nos sindicatos, federações e confederações, propondo caminhos e soluções, são iniciativas essenciais para avançarmos na defesa de direitos sociais e para impedirmos retrocessos.

Cabe ainda atentar para os instrumentos jurídicos como os Princípios da Precaução, estratégia adotada em Convenções e Acordos Internacionais, dos quais o Brasil é signatário, como o Protocolo de Montreal sobre gases, a Convenção de Cartagena sobre biotecnologias e os Princípios como o da Substituição de Processos e Produtos Perigosos por outros de menor risco. Exercer o direito de saber e de se recusar ao trabalho quando em condição de risco são conquistas, frutos da luta dos trabalhadores e trabalhadoras do ramo químico, que aprimoram legislações e asseguram seu cumprimento por parte das empresas.

A ação sindical exige conhecimento dos processos, estratégia para o enfrentamento aos riscos, exigência de que o poder público fiscalize, inspecione, notifique e preste contas aos trabalhadores e à população. E inclui também a exigência de que se determine a substituição de equipamentos e tecnologias que tragam risco por outras que preservem a integridade física e protejam a saúde humana e o meio ambiente.

O debate, por sua importância, não poderia deixar de estar também no cinema. O documentário intitulado O Veneno está na Mesa, do cineasta brasileiro Silvio Tendler, já tem uma segunda versão. Além de questionar o monopólio das empresas produtoras de agrotóxicos e fertilizantes e os interesses econômicos desse setor, o filme mostra ainda experiências viáveis de produção agroecológica, respeito aos trabalhadores do campo e ao meio ambiente e alerta sobre o direito a viver sem venenos. Afinal, outro mundo é, sim, possível.

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/185134/Agrot%C3%B3xicos—hora-de-acordar-para-enfrentar-o-pesadelo.htm

Brasil envenenado: IBGE mostra que consumo agrotóxicos mais do que dobrou entre 2000 e 2012

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matéria abaixo repercutida pelo site UOL, mas que foi produzido pelo jornal O ESTADO DE SÃO PAULO (fonte insuspeita para os defensores do latifúndio agro-exportador) mostra que o consumo de agrotóxicos mais do que dobrou no Brasil entre os anos de 2000 e 2012, E mais, que boa parte das substâncias que tiveram participação nesse crescimento, e que são os mais vendidos no Brasil, estão classificados como perigosos, representando 64,1% do total consumido.

O campeão de vendas no Brasil é o famigerado glifosato, produzido pela multinacional Monsanto, e que está sendo proibido em diferentes partes do mundo por ter sido como potencialmente carcinogênico. 

O mais grotesco nessa situação é que neste momento a ministra da Agricultura e dublê de latifundiária e senador, Kátia Abreu, está fazendo gestões para facilitar ainda mais a venda de agrotóxicos no Brasil, o que abriria ainda mais espaço para agrotóxicos que estão sendo banidos no resto do mundo, e que deverão ser despejados no mercado brasileira até que se esgote a produção já estocada. É assim que o Brasil se torna cada vez mais uma zona de sacrifício, com graves consequências sobre o meio ambiente e a saúde dos brasileiros.

 

Uso de agrotóxicos no Brasil mais que dobra entre 2000 e 2012

 

No Rio

 Shutterstock

Pesquisa do IBGE mostra ainda que os produtos classificados como perigosos são os mais vendidos no país (64,1%)

Pesquisa do IBGE mostra ainda que os produtos classificados como perigosos são os mais vendidos no país (64,1%)

O uso de agrotóxicos pelo agronegócio brasileiro mais do que dobrou entre 2000 e 2012. Na média do país, foram comercializados 6,9 quilos por hectare (kg/ha) plantado em 2012, alta de 11% ante o ano anterior, segundo a 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) 2015, divulgada nesta sexta-feira (19), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).O tema foi alvo de recente polêmica. Em abril, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgou documento no qual afirma que o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos, com consumo médio mensal de 5,2 quilos de veneno agrícola por habitante – uma medição diferente da apresentada pelo IBGE, a partir de dados do Ibama, que avalia o uso por hectare.

O Inca recomendou a “redução progressiva e sustentada” do emprego de agrotóxicos nas plantações, diante de evidências de que a exposição de pesticidas está ligada a casos de câncer.

A pesquisa do IBGE mostra ainda que os produtos classificados como perigosos são os mais vendidos no país (64,1%). Eles são o terceiro na classificação de risco ao meio ambiente, que inclui também altamente perigosos, muito perigosos e pouco perigosos, segundo ordem decrescente de dados à natureza e ao solo. Os muito perigosos são o segundo mais consumido (27,7%).

O agrotóxico mais empregado pelos produtores foi o glifosato, um herbicida apontado por pesquisadores como nocivo à saúde. Entre os inseticidas, o mais usado foi o acefato, que passou a ter regras mais restritas de uso determinadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2013.

A alteração do uso do agrotóxico ocorreu após consulta pública por causa de suspeita de carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva para seres humanos e efeitos neurotóxicos.

Já o fungicida mais popular foi o carbendazim, utilizado, por exemplo, nas culturas de algodão, citros, feijão, maçã e soja.

Na avaliação por localidade, a região Sudeste apresentou a maior comercialização dos venenos agrícolas por unidade de área (8,8 kg/ha), seguida pela Centro-Oeste (6,6 kg/ha).

Entre as unidades da federação, os maiores valores foram detectados em São Paulo (10,5 kg/ha), Goiás (7,9 kg/ha) e Minas Gerais (6,8 kg/ha). Os menores números foram verificados no Amazonas e Ceará, com menos de 0,5 kg/ha.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/06/19/uso-de-agrotoxicos-no-brasil-mais-que-dobra-entre-2000-e-2012.htm

Indústria química, bancada ruralista e agrotóxicos: tudo a ver!

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Não fosse o Brasil hoje o maior consumidor mundial de agrotóxicos, incluindo um bom número de substâncias banidas em outras partes do mundo, eu diria que a notícia abaixo seria apenas uma nota de intenções sem maiores impactos sobre a população brasileira e todos os que consomem a produção oriunda do latifúndio agro-exportador. Mas o caso é justamente o contrário, e o que se monta no horizonte é um aumento ainda maior da poluição das águas, solos e atmosfera cujos efeitos certamente serão drásticos.

Agora, há que se notar o papel que o BNDES se propõe a ocupar na intensificação da verdadeira guerra química que está sendo promovida pelos latifundiários, e em direta aliança com a indústria química. Também há que se levar em conta o papel dos representantes políticos do latifúndio no congresso nacional que é de diminuir ainda mais os já frágeis controles que existem neste setor. Finalmente, há que se notar o papel da ministra/latifundiária Kátia Abreu que a partir do Ministério da Agricultura quer acelerar a liberação de agrotóxicos e diminuir a capacidade de controle de órgãos como a ANVISA e IBAMA que, para começo de conversa, já é limitado.

A situação é preocupante, e só uma reação bem organizada poderá impor controles mais estritas sobre um setor (o de venenos agrícolas) que está usando o Brasil como zona de descarte de agrotóxicos banidos.

Associação brasileira de industria quimica, cria Comissão aumentar vendas para o Agronegócios

A primeira reunião da Comissão de Químicos para o Agronegócio foi realizada no dia 1 de junho, na Abiquim. O objetivo da nova comissão é contribuir para a formulação de políticas públicas visando a maior competitividade dos produtos químicos para o agronegócio e o fortalecimento da indústria química no Brasil.

O setor de químicos para o agronegócio (defensivos agrícolas e fertilizantes) corresponde a 18% do faturamento da indústria química no Brasil. Em 2014, somadas, as indústrias de defensivos e fertilizantes geraram um déficit para a balança comercial do setor de US$ 14,3 bilhões.

De acordo com o Estudo de Diversificação da Indústria Química do BNDES, o setor de defensivos agrícolas tem um dos maiores potenciais de investimentos na indústria química, podendo alcançar US$ 5,3 bilhões em 2030. Além disso, o BNDES avalia que esses investimentos podem resultar em um impacto de até US$ 18 bilhões na balança comercial do setor a partir de 2030. 

A Comissão de Químicos para o Agronegócio, que se reunirá mensalmente, é coordenada por Augusto Moraes (Basf) e tem como vice-coordenador Eduardo Bastos (Dow). A coordenadora-executiva é a gerente de Assuntos Institucionais da Abiquim, Marina Mattar.

Em 2 de julho, a Abiquim participou do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Desenvolvimento da Região Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), presidida pelo deputado federal Irajá Abreu (PSD/TO), coordenador do setor de fertilizantes da Frente Parlamentar da Química e também presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. O evento contou com a participação da ministra Kátia Abreu e diversos parlamentares.

A nova Frente Parlamentar visa promover o aprimoramento de políticas públicas para a região Matopiba, defendendo ações integradas de desenvolvimento econômico, por tratar-se de fronteira agrícola que se destaca no mercado de grãos no Brasil.

A primeira reunião da Comissão de Químicos para o Agronegócio foi realizada no dia 1 de junho, na Abiquim. O objetivo da nova comissão é contribuir para a formulação de políticas públicas visando a maior competitividade dos produtos químicos para o agronegócio e o fortalecimento da indústria química no Brasil.

O setor de químicos para o agronegócio (defensivos agrícolas e fertilizantes) corresponde a 18% do faturamento da indústria química no Brasil. Em 2014, somadas, as indústrias de defensivos e fertilizantes geraram um déficit para a balança comercial do setor de US$ 14,3 bilhões.

De acordo com o Estudo de Diversificação da Indústria Química do BNDES, o setor de defensivos agrícolas tem um dos maiores potenciais de investimentos na indústria química, podendo alcançar US$ 5,3 bilhões em 2030. Além disso, o BNDES avalia que esses investimentos podem resultar em um impacto de até US$ 18 bilhões na balança comercial do setor a partir de 2030. 

A Comissão de Químicos para o Agronegócio, que se reunirá mensalmente, é coordenada por Augusto Moraes (Basf) e tem como vice-coordenador Eduardo Bastos (Dow). A coordenadora-executiva é a gerente de Assuntos Institucionais da Abiquim, Marina Mattar.

Em 2 de julho, a Abiquim participou do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Desenvolvimento da Região Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), presidida pelo deputado federal Irajá Abreu (PSD/TO), coordenador do setor de fertilizantes da Frente Parlamentar da Química e também presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. O evento contou com a participação da ministra Kátia Abreu e diversos parlamentares.

A nova Frente Parlamentar visa promover o aprimoramento de políticas públicas para a região Matopiba, defendendo ações integradas de desenvolvimento econômico, por tratar-se de fronteira agrícola que se destaca no mercado de grãos no Brasil.

A oligopolização como destino: produção de OGMs e venenos agrícolas

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A área de produção de sementes (geneticamente modificadas, frise-se) e de venenos agrícolas tem sido uma das áreas em que a formação de oligopólios tem sido mais evidente. Se examinarmos o número de empresas que desapareceram, fruto de aquisições e fusões, apenas na última década, a maioria ficaria surpresa. 

A matéria abaixo, publicada pelo Valor Econômico, dá conta da tentativa da estadunidense Monsanto de adquirir a suiça Syngenta. A matéria revela tantos aspectos tortuosos desta tentativa de compra que seria de deixar qualquer um preocupado. Mas para mim o essencial é a possibilidade de que se una sob uma mesma corporação o controle do filé mignon da agricultura mundial que utiliza o modelo da Revolução Verde: produção de sementes e de venenos agrícolas.

Se essa aquisição realmente ocorrer, as coisas vão ficar ainda mais complicadas para os agricultores familiares cuja maioria ainda consegue produzir alimentos por fora do abraço mortal que o oligopólio das sementes e dos venenos tem aplicado na agricultura mundial.

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Agrotóxicos e transgênico podem ser barreira para exportação para Europa

 

A rainha do agrotóxico e transgênico

Por Viviane Vaz

A ministra de Agricultura Katia Abreu veio à Bruxelas esta semana com uma difícil missão: convencer os europeus a aumentarem as exportações brasileiras de produtos agropecuários por meio da assinatura de um acordo sanitário entre Brasil e a União Europeia (UE). Pelo twitter, a ministra se mostrou otimista com a recepção das autoridades europeias no Parlamento Europeu e na Comissão Europeia -instituições fundamentais para criação e execução das leis na UE. Os europeus, porém, também sinalizaram que não estão dispostos a abrir mão de certas regras de vigilância sanitária, sobretudo no que diz respeito ao uso de agrotóxicos e a produção de alimentos transgênicos –amplamente difundidos no Brasil.

Uma fonte do Parlamento Europeu explicou à reportagem que entre as questões que preocuparam os eurodeputados nesta terça-feira tratam sobre os organismos geneticamente modificados (OGM) e os agrotóxicos, alem da proteção à floresta amazônica. “Eles querem ter certeza que os produtos importados do Brasil não contêm transgênicos”, disse a fonte. Para isso, os exportadores brasileiros terão de adotar regras que parte da bancada ruralista tenta derrubar no Brasil. A Câmara dos Deputados aprovou em abril o projeto que acaba com a exigência de afixar o símbolo de transgenia nos rótulos de produtos geneticamente modificados (OGM) destinados a consumo humano. O texto modifica a Lei 11.105/2005 que determina a obrigação da informação em todos os produtos destinados a consumo humano que contivessem ou fossem produzidos com OGM ou derivados, por exemplo, milho, soja, arroz, óleo de soja e fubá. Uma pesquisa realizada pela UE mostra que 62% dos europeus é contra o consumo e a produção de transgênicos no bloco. Na Europa, o consumidor ainda pode verificar nas etiquetas se o alimento que esta levando para casa é transgênico ou não.

Sobre o uso de agrotóxicos proibidos pela UE existentes na agricultura brasileira, a fonte do Parlamento Europeu afirmou que “o problema terá que ser resolvido de alguma forma para que o comercio seja aberto”. Em abril deste ano, o diretor da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Paulo Petersen alertou para o fato de que 22 dos 50 princípios ativos mais empregados em agrotóxicos no Brasil estão banidos em outros países. “Estamos em uma situação de total descontrole, o Estado não cumpre o processo de fiscalização como deveria e a legislação para o uso de agrotóxicos também não é cumprida,” disse. “Desde 2009 o Brasil assumiu a posição de primeiro consumidor mundial de agrotóxico. O consumo daria 5,5 quilos por brasileiro por ano”, completou.

A reportagem também perguntou à ministra como o Brasil pretende convencer os europeus a importarem mais do Brasil –apesar da lista de agrotóxicos que eles não consomem. “Somos um dos maiores exportadores do mundo porque toda a nossa utilização de agroquímicos estão de acordo com as normas internacionais”, defendeu a ministra.

No entanto, a Agência Internacional de Pesquisas do Câncer (Iarc, em inglês), órgão da Organização Mundial de Saúde (OMS), classificou em março deste ano cinco pesticidas como “provavelmente” e “possivelmente” carcinogênicos. Quatro deles, apesar do risco de causarem diferentes tipos de câncer, ainda estão liberados no Brasil: glifosato, malation, diazinon e parationa metílica. De acordo com pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) de 2013, na lista dos agrotóxicos proibidos em outros países ainda em uso no Brasil estão o Tricolfon, Cihexatina, Abamectina, Acefato, Carbofuran, Forato, Fosmete, Lactofen, Parationa Metílica e Thiram. “São lixos tóxicos na União Europeia e nos Estados Unidos. O Brasil lamentavelmente os aceita”, afirmou em abril deste ano a toxicologista Márcia Sarpa de Campos Mello, da Unidade Técnica de Exposição Ocupacional e Ambiental do Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde.

Em Bruxelas, Kátia Abreu abordou a questão da produção agrícola com uso de agrotóxicos sob um prisma fortemente empresarial. “Se a Europa quer um produto com zero de agroquímicos o que temos que prever é o aumento do custo de produção exorbitante, se aqueles que estão dispostos a comprar estão dispostos a um protocolo privado que prevê limites menores do que os aceitados internacionalmente, e estiverem dispostos a pagar pelo custo, não temos problema”, afirmou à reportagem, ainda na sede da Missão do Brasil junto à UE.

Questionada se o Brasil estaria disposto a fazer um esforço para atender o mercado europeu, a ministra foi categórica. “Não temos que fazer esforços, temos que aceitar ou não um protocolo privado de determinado grupo empresarial que comercializa na Europa que queira agroquímicos abaixo dos níveis reconhecidos internacionalmente. Isso não é um esforço, isso é um negócio, se quiserem nos encomendar um produto desta natureza, somos habilitados a produzir, só que com custo de produção diferente”, disse.

Para fechar o “negócio”, eis uma lista geral publicada pela Comissão Europeia que todos os exportadores devem seguir, entre elas “regras sobre resíduos, pesticidas, remédios veterinários e contaminantes na comida e sobre a comida”,  “regras especiais sobre comida e alimento geneticamente modificado” e “requerimentos de etiquetamento” de alimentos:

O Comissário Europeu para Saúde e Segurança de Agricultura, Vytenis Andriokaitis, afirmou à delegação brasileira presente que o Brasil é um parceiro estratégico e concorda com a abertura das negociações para um acordo sanitário. “Se tivermos abordagem produtiva, podemos resolver os problemas de ambos os lados. O importante é a reciprocidade”, completou. Em definitiva, a reciprocidade de regras sanitárias será boa noticia para europeus e brasileiros, se o padrão a ser seguido pelos dois blocos seja o de quem pratica uma agricultura menos carregada de substâncias tóxicas e cancerígenas.

Viviane Vaz é jornalista e escreve de Bruxelas, Bélgica

FONTE: http://www.contraosagrotoxicos.org/index.php/528-agrotoxicos-e-transgenico-podem-ser-barreira-para-exportacao-para-europa

23 de maio: Dia Mundial de Luta Contra a Monsanto

Nesse 23 de maio milhares de pessoas saem às ruas de todo mundo para protestar contra a atuação e práticas da Monsanto.

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Da Página do MST

Prejuízos aos pequenos agricultores, danos à saúde e ao meio ambiente, formação de lobby, manipulação de pesquisas científicas e até a contratação de mercenários. Estas são apenas algumas das polêmicas nas quais a empresa estadunidense Monsanto se envolveu ao longo de seus 103 anos de existência.

Conhecida como a maior produtora de herbicidas do mundo, a Monsanto tem seu faturamento anual avaliado US$ 4,53 bilhões, o que faz com que a empresa figure entre as cem mais lucrativas dos EUA. 

Além disso, nos últimos dois anos foram investidos US$ 6,7 bilhões na aquisição de outras companhias norte-americanas de sementes e biotecnologia, tornando-se a maior empresa do ramo. 

Produtora de dois dos principais pesticidas do mundo (glifosato e o agente laranja) e líder absoluta na comercialização de sementes e transgênicos, a gigante do agronegócio retêm a maior parte do mercado mundial: 98% da comercialização de soja transgênica e 78% do milho tolerantes a herbicidas, o que a torna também uma das grandes controladoras do capital financeiro mundial. 

Mas o que está por trás de uma das maiores empresas do mundo?

Conforme a EPA, a Monsanto é a quinta maior empresa poluidora de águas dos Estados Unidos. 

Ela já lançou em terra, água, ar e subsolo, 166,8 milhões de toneladas de produtos químicos. O agente laranja – herbicida mais utilizado do mundo e produzido pela Monsanto -, foi usado pelos militares norte-americanas dos EUA para desfolhar as árvores da selva tropical do Vietnã durante a guerra nos anos 60.

Estimativas dão conta da existência de mais de 500 mil crianças nascidas no Vietnã desde os anos 60 com deformidades relacionadas às dioxinas contidas no agente laranja.

Outro carro chefe da empresa, o glifosato, que representa mais de um sexto do total das vendas da empresa – cerca de US$ 1,2 bilhão – já foi proibido em dezenas de países do mundo inteiro, como Holanda, El Salvador e Dinamarca. Muitos outros seguem com pedidos de restrições e proibição pelo mundo. 

A base das proibições são os diversos estudos que ligam o uso do glifosato a doenças causadas em seres humanos, entre as quais doenças crônicas e falências dos rins, câncer, diabetes, depressão, doenças cardíacas, autismo, anencefalia, alzheimer, doença inflamatória intestina, infertilidade, doença de Parkinson, esclerose múltipla, doenças respiratórias, entre outras. 

A Monsanto no Brasil

O Brasil ocupa o segundo lugar entre os países que mais cultivam variedades transgênicas de grãos e fibras do mundo, sementes produzidas e modificadas pela Monsanto.

Desde 2002 o país registrou um número crescente no consumo de pesticidas se tornando o maior consumidor do mundo e o 2° maior produtor de transgênicos.

Em 2012, a área com uso de sementes geneticamente modificadas aumentou em 3,7 milhões de hectares no Brasil, o que representa mais que o triplo da média mundial, de 3%.

Como conseqüência a enorme crescimento dos produtos transgênicos em solos brasileiros, as importações de agrotóxicos saltaram de U$S 259 milhões para U$S 2.2 bilhões em 2012, o que coloca por goela abaixo o papo de que os transgênicos diminuem a necessidade dos agrotóxicos.

Abaixo, confira diversos textos e vídeos que explicam o porquê do dia 23 de maio ser o Dia Mundial Contra a Monsanto:

FONTE: http://www.mst.org.br/2015/05/23/23-de-maio-dia-mundial-de-luta-contra-a-monsanto.html

Transgênicos e agrotóxicos: dois “temperos” ocultos na comida do brasileiro

agrotoxicos

Em 2012 publiquei com três colegas um artigo na revista científica “Crop Protection” onde mostramos alguns dos descalabros que cercam o uso cotidiano de agrotóxicos no Brasil (Aqui!). Um dos aspectos que realçamos naquele trabalho foi o uso de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo por agricultores brasileiros, fato que é apenas um dos exemplos do descalabro que cerca a comercialização dessas substâncias químicas no Brasil.

Desde então outros pesquisadores levantaram outros aspectos dessa situação desastrosa em que estamos metidos no Brasil, e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) acaba de publixar uma obra que deverá (ou deveria) se tornar leitura obrigatória não apenas para a comunidade científica, mas também para todo brasileiro interessado na qualidade da comida que chega à sua mesa. A obra intitulada “Dossiê Abrasco – um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde” (Aqui!é parte de um esforço de documentar e difundir a relação entre o uso abusivo de agrotóxicos e a proliferação de várias doenças que permanecem até o momento sem ser relacionadas. 

Mas como para cada avanço que se consegue, os latifundiários e seus representantes no parlamento conseguem dez retrocessos, a Câmara de Deputados aprovou o fim da rotulagem dos produtos que contenham componentes transgênicos. Há que se dizer que essa decisão foi obviamente alavancada pela bancada dos latifundiários sob a batuta do deputado Luiz Carlos Heinze (PP/RS), e representa um retrocesso ululante no direito do brasileiro de saber o que está sendo colocado na sua comida. E nunca é demais lembrar que nos Estados Unidos da América, pátria mãe dos transgênicos, está se travando um duro embate em defesa justamente da rotulagem dos transgênicos!

O fato é que transgênicos e agrotóxicos se tornaram os principais “temperos” da chamada agricultura da Revolução Verde e os brasileiros estão cada vez mais sendo submetidos a uma dieta afetada por eles. A reação ao uso intenso e descontrolado dos agrotóxicos e à difusão dos transgênicos terá de se tornar um ponto da agenda política dos partidos de esquerda, órgãos de defesa dos consumidores e da comunidade científica. É que não há nada mais central do que a defesa ao direito de comer alimentos que em vez de matar a nossa fome, sejam de fato vias de entrada de contaminantes em nossos corpos.

 

O “alarmante” uso de agrotóxicos no Brasil atinge 70% dos alimentos

Mais da metade das substâncias usadas aqui é proibida em países da UE e nos EUA

MARINA ROSSI São Paulo

 

Produtor, em meio a uma plantação. / AFP

Imagine tomar um galão de cinco litros de veneno a cada ano. É o que os brasileiros consomem de agrotóxico anualmente, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). “Os dados sobre o consumo dessas substâncias no Brasil são alarmantes”, disse Karen Friedrich, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Desde 2008, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos. Enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial desse setor cresceu 93%, no Brasil, esse crescimento foi de 190%, de acordo com dados divulgados pela Anvisa. Segundo o Dossiê Abrasco – um alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde, publicado nesta terça-feira no Rio de Janeiro, 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos. Desses, segundo a Anvisa, 28% contêm substâncias não autorizadas. “Isso sem contar os alimentos processados, que são feitos a partir de grãos geneticamente modificados e cheios dessas substâncias químicas”, diz Friederich. De acordo com ela, mais da metade dos agrotóxicos usados no Brasil hoje são banidos em países da União Europeia e nos Estados Unidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre os países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam, anualmente, 70.000 intoxicações agudas e crônicas.

O uso dessas substâncias está altamente associado à incidência de doenças como o câncer e outras genéticas. Por causa da gravidade do problema, na semana passada, o Ministério Público Federal enviou um documento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendando que seja concluída com urgência a reavaliação toxicológica de uma substância chamada glifosato e que a agência determine o banimento desse herbicida no mercado nacional. Essa mesma substância acaba de ser associada ao surgimento de câncer, segundo um estudo publicado em março deste ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS) juntamente com o Inca e a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). Ao mesmo tempo, o glifosato foi o ingrediente mais vendido em 2013 segundo os dados mais recentes do Ibama.

Em resposta ao pedido do Ministério Público, a Anvisa diz que em 2008 já havia determinado a reavaliação do uso do glifosato e outras substâncias, impulsionada pelas pesquisas que as associam à incidência de doenças na população. Em nota, a Agência diz que naquele ano firmou um contrato com a Fiocruz para elaborar as notas técnicas para cada um dos ingredientes – 14, no total. A partir dessas notas, foi estabelecida uma ordem de análise dos ingredientes “de acordo com os indícios de toxicidade apontados pela Fiocruz e conforme a capacidade técnica da Agência”.

Enquanto isso, essas substâncias são vendidas e usadas livremente no Brasil. O 24D, por exemplo, é um dos ingredientes do chamado ‘agente laranja’, que foi pulverizado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, e que deixou sequelas em uma geração de crianças que, ainda hoje, nascem deformadas, sem braços e pernas. Essa substância tem seu uso permitido no Brasil e está sendo reavaliada pela Anvisa desde 2006. Ou seja, faz quase dez anos que ela está em análise inconclusa.

O que a Justiça pede é que os ingredientes que estejam sendo revistos tenham o seu uso e comércio suspensos até que os estudos sejam concluídos. Mas, embora comprovadamente perigosos, existe uma barreira forte que protege a suspensão do uso dessas substâncias no Brasil. “O apelo econômico no Brasil é muito grande”, diz Friedrich. “Há uma pressão muito forte da bancada ruralista e da indústria do agrotóxico também”. Fontes no Ministério Público disseram ao EL PAÍS que, ainda que a Justiça determine a suspensão desses ingredientes, eles só saem de circulação depois que os fabricantes esgotam os estoques.

O consumo de alimentos orgânicos, que não levam nenhum tipo de agrotóxico em seu cultivo, é uma alternativa para se proteger dos agrotóxicos. Porém, ela ainda é pouco acessível à maioria da população. Em média 30% mais caros, esses alimentos não estão disponíveis em todos os lugares. O produtor Rodrigo Valdetaro Bittencourt explica que o maior obstáculo para o cultivo desses alimentos livres de agrotóxicos é encontrar mão de obra. “Não é preciso nenhum maquinário ou acessórios caros, mas é preciso ter gente para mexer na terra”, diz. Ele cultiva verduras e legumes em seu sítio em Juquitiba, na Grande São Paulo, com o irmão e a mãe. Segundo ele, vale a pena gastar um pouco mais para comprar esses alimentos, principalmente pelos ganhos em saúde. “O que você gasta a mais com os orgânicos, você vai economizar na farmácia em remédios”, diz. Para ele, porém, a popularização desses alimentos e a acessibilidade ainda levarão uns 20 anos de briga para se equiparar aos produtos produzidos hoje com agrotóxico.  

Bittencourt vende seus alimentos ao lado de outras três barracas no Largo da Batata, zona oeste da cidade, às quartas-feiras. Para participar desse tipo de feira, é preciso se inscrever junto à Prefeitura e apresentar todas as documentações necessárias que comprovem a origem do produto. Segundo Bittencourt, há uma fiscalização, que esporadicamente aparece nas feiras para se certificar que os produtos de fato são orgânicos.

No mês passado, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) sancionou uma lei que obriga o uso de produtos orgânicos ou de base agroecológica nas merendas das escolas municipais. A nova norma, porém, não tem prazo para ser implementada e nem determina o percentual que esses alimentos devem obedecer.

Segundo um levantamento da Anvisa, o pimentão é a hortaliça mais contaminada por agrotóxicos (segundo a Agência, 92% pimentões estudados estavam contaminados), seguido do morango (63%), pepino (57%), alface (54%), cenoura (49%), abacaxi (32%), beterraba (32%) e mamão (30%). Há diversos estudos que apontam que alguma substâncias estão presentes, inclusive, no leite materno.

No ano passado, a pesquisadora norte-americana Stephanie Seneff, do MIT, apresentou um estudo anunciando mais um dado alarmante: “Até 2025, uma a cada duas crianças nascerá autista”, disse ela, que fez uma correlação entre o Roundup, o herbicida da Monsanto feito a base do glifosato, e o estímulo do surgimento de casos de autismo. O glifosato, além de ser usado como herbicida no Brasil, também é uma das substâncias oficialmente usadas pelo governo norte-americano no Plano Colômbia, que há 15 anos destina-se a combater as plantações de coca e maconha na Colômbia.

Em nota, a Anvisa afirmou que aguarda a publicação oficial do estudo realizado pela OMS, Inca e IARC para “determinar a ordem prioritária de análise dos agrotóxicos que demandarem a reavaliação”.

Os alimentos mais contaminados pelos agrotóxicos

Em 2010, o mercado brasileiro de agrotóxicos movimentou 7,3 bilhões de dólares e representou 19% do mercado global. Soja, milho, algodão e cana-de-açúcar representam 80% do total de vendas nesse setor. 

Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), essa é a lista da agricultura que mais consome agrotóxicos:
Soja (40%)
Milho (15%)
Cana-de-açúcar e algodão (10% cada)
Cítricos (7%)
Café, trigo e arroz (3 cada%)
Feijão (2%)
Batata (1%)
Tomate (1%)
Maçã (0,5%)
Banana (0,2%)

As demais culturas consumiram 3,3% do total de 852,8 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados nas lavouras brasileiras em 2011.