O novo projeto de computação em nuvem franco-alemão para definir padrões e desafiar os líderes de mercado dos EUA

A plataforma digital GAIA-X visa criar um ecossistema europeu de computação em nuvem que conecta usuários a provedores em todo o mundo

bigstock

Por Goda Naujokaitytė para a Science| Business

A França e a Alemanha estão lançando uma nova plataforma de computação em nuvem destinada a definir padrões europeus conjuntos para computação em nuvem – e indiretamente desafiar os provedores de nuvem americanos dominantes.

 Estabeleceremos um conjunto de regras e padrões que darão um enorme impulso à soberania de dados dos usuários europeus de nuvem e de borda “ ,disse o ministro da Economia alemão Peter Altmaier, no lançamento do projeto em 4 de junho, chamado GAIA- X.

O sistema, que começa no início de 2021, tem como objetivo permitir que os europeus usem recursos de nuvem de qualquer fornecedor no ecossistema e alterne facilmente entre fornecedores sem perder dados, oferecendo total transparência sobre quem tem acesso aos dados. A dificuldade de mudar de um provedor de nuvem para outro tem sido um fator importante para o domínio dos três principais provedores de nuvem dos EUA: Amazon, Microsoft e Google.

“Isso oferece aos usuários europeus a liberdade de escolha e oferece aos prestadores de serviços europeus uma enorme quantidade de visibilidade e oportunidades de mercado”, disse Altmaier.

No entanto, com quase 70% do mercado europeu dominado pelas grandes empresas de tecnologia dos EUA, é mais fácil falar do que fazer, disseram analistas. “Se você observar o mercado de nuvem do ponto de vista comercial, seria muito difícil excluir atores de nuvem não pertencentes à UE”, disse Candice Tran Dai, especialista da Fundação Global para Estudos e Pesquisas Cibernéticos. 

Por enquanto, a criação da nova plataforma européia será gerenciada por 22 provedores e usuários de nuvem da Alemanha e da França, incluindo ATOS, Bosch e Siemens, através de uma organização sem fins lucrativos que será instalada em Bruxelas em breve. O grupo apresentará regulamentos claros e requisitos de engenharia para a plataforma e, em seguida, convidará outras empresas da Europa e de outros países a participar da iniciativa.

“Esses membros fundadores se ofereceram voluntariamente para criar e estabelecer essa associação e seus estatutos e outras políticas como um serviço para a futura comunidade de membros”, disse Gerd Hoppe, membro do conselho executivo da Beckhoff Automation, em nome do grupo.

Competição forte

O projeto é o mais recente de uma série de esforços europeus para desafiar o domínio dos gigantes tecnológicos dos EUA no mercado – por exemplo, através de propostas francesas para impor um imposto digital às plataformas tecnológicas dos EUA. Esse sentimento foi reforçado pela crise do COVID-19, que interrompeu as cadeias de suprimento globais e, para muitos políticos europeus, sugeriu que seus setores haviam se tornado muito dependentes de empresas fora de seu controle. Como resultado, os governos alemão e francês em particular agora estão pressionando a noção de “soberania tecnológica”.

“Não somos a China, não somos os Estados Unidos, somos países europeus com nossos próprios valores e interesses econômicos que queremos defender”, disse o ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, falando no evento de lançamento.

Apesar das palavras combativas, os criadores do projeto não estão excluindo as empresas americanas do esforço – de fato, dizem os analistas, seria tecnicamente difícil prosseguir inteiramente sem elas. Tanto a Amazon, o maior provedor de serviços em nuvem na Europa quanto o Google, participaram de grupos de trabalho técnicos do GAIA-X. E ambos estão felizes em continuar a fazê-lo, disseram seus porta-vozes.

A Microsoft, o segundo maior fornecedor da Europa, também pode participar. ” Estamos discutindo nossa participação e estamos convencidos de que podemos garantir a arquitetura tecnológica apropriada e atender aos princípios operacionais necessários e estamos ansiosos pela oportunidade de ajudar a fortalecer a soberania digital da Europa por meio de nossa contribuição ” , disse um porta-voz da Microsoft.

Na sua essência, Tran Dai, do Asia Center, acredita que as prioridades do programa não são desafiar frontalmente os concorrentes estrangeiros, mas criar uma estrutura técnica comum para serviços em nuvem na Europa, de acordo com as regras e valores europeus de proteção de dados. “Trata-se de padronização e harmonização”, disse Tran Dai. Mas, disseram

Além da cooperação franco-alemã

A idéia de estabelecer uma plataforma europeia de computação em nuvem surgiu em julho do ano passado, após uma conversa entre Altmaier e a chanceler alemã Angela Merkel. Em agosto, a França aderiu à iniciativa. Quase um ano depois, o GAIA-X finalmente está tomando forma, e os dois países estão chamando de o primeiro passo para estabelecer um ecossistema de dados europeu.

O GAI-X é “nada menos que um luar europeu na política digital”, disse Altmaier. Até o nome sugere isso, acrescentou, aludindo à deusa grega Gaia, adorada como a mãe da vida.

Para torná-lo verdadeiramente europeu, a França ea Alemanha espero que outros países europeus vão aderir à iniciativa o nce a plataforma está totalmente configurado. Isso permitirá que o GAIA-X se expanda e dê lugar aos países da UE que estabelecem um ecossistema de dados conjunto.

“O que queremos criar é uma infraestrutura de dados federada que garanta que valores europeus … como abertura, interoperabilidade, transparência sobre o uso dos dados e confiança sejam sempre garantidos”, disse Boris Otto, diretor executivo da Fraunhofer Instituto de Tecnologia de Software e Sistemas e uma das pessoas por trás do GAIA-X. Ele acredita que esses valores são atraentes para empresas fora da Europa, sugerindo que, assim como o GDPR foi exportado para todo o mundo, “coisas semelhantes acontecerão com o Gaia X”.

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pela Science|Business [Aqui!].

TV alemã ZDE mostra a pandemia da COVID-19 no Brasil como ela realmente é

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Um dos aspectos inquietantes que sempre rondam a minha mente é de como os brasileiros, mesmo após passadas as marcas de 1 milhão de infectados e de pelo menos 50 mil mortos pela COVID-19, ainda se arriscam às ruas como se nada de especial estivesse acontecendo. Aos olhos do resto do mundo, essa situação causa profunda estranheza, pois a letalidade da pandemia já é algo mais do que estabelecido.

Como tenho assistido a muitos programas de TVs estrangeiras, me arrisco a dizer que parte do problema está na forma pela qual a pandemia da COVID-19 está sendo apresentada aos brasileiros pela mídia corporativa, especialmente pelas redes de TV. É que, apesar de buscarem mostrar um suposto compromisso jornalístico de apresentar a verdade à população, a cobertura que está sendo feita omite as cenas mais explícitas da letalidade da pandemia, especialmente entre os mais pobres. A cobertura aqui, como em tantos outros casos, tem sido superficial e fragmentada, sendo um dos elementos indutores de uma espécie de letargia que torna as infecções e mortes causadas pela coronavírus, algo que é distante do cotidiano das pessoas; uma espécie de filme que só passa na TV do vizinho.

Vejamos por exemplo, uma matéria que foi ar neste domingo na Alemanha via o canal de TV ZDE, um canal de televisão público e um dos maiores da Europa, que faz uma síntese bastante efetiva de todos os ângulos que a pandemia da COVID-19 assumiu no Brasil, e isto tudo em menos de 2 minutos. E o interessante é que nem se precisa entender alemão para seguir o fio da meada da reportagem que mostra cenas que a mídia brasileira vem omitindo da maioria da população.

Entre outras coisas, o que fica apontado na matéria é que no Brasil, os números da COVID-19 continuam a subir, sendo que o nosso país tem o segundo maior número de casos e a terceira maior mortalidade no mundo.  E as causas da expansão da pandemia são relacionados à falta de testagem, inexistência de infraestrutura hospitalar, e a ação do presidente Jair Bolsonaro que é mostrado naquela infame cena em que ele chegou à cavalo em uma manifestação em que seus apoiadores pediam o fechamento do congresso nacional e do Supremo Tribunal Federal há umas semanas atrás.

Mas o que deve impressionar a audiência alemã são as condições caóticas em que corpos estão sendo retirados em comunidades pobres e a multiplicação de valas coletivas em diferentes partes do território brasileiro.  Essas cenas certamente estão chocando uma audiência que atravessou e perdeu duas grandes guerras mundiais, pois os alemães sabem que só em condições de degradação extrema do funcionamento do Estado é que as Nações devem lançar mão de valas coletivas.

Mas volto a dizer, parte da distância que se está criando entre a maioria da população e os resultados da pandemia da COVID-19 é fruto exatamente da falta de informação sobre o que, de fato, está acontecendo. E não me parece que a culpa por isso seja só do governo Bolsonaro que, como a reportagem da ZDE mostra, tem se esforçado para minimizar a gravidade da pandemia.

Vergonha internacional para Jair Bolsonaro e para o Brasil

“Brasil acima de tudo”? Dezoito meses após a posse do presidente Bolsonaro, seu lema é o oposto. Uma vez que a imagem positiva é destruída, muitos amantes do país ficam perturbados.

Brasil Jair Bolsonaro comendo cachorro-quente (Reuters / A. Machado)Bom apetite: Jair Bolsonaro puxa sua máscara para comer um cachorro-quente

Quando ela se encontra com seus amigos alemães, ela agora abaixa a cabeça. “Em certos círculos, sinto vergonha quando digo que sou do Brasil”, diz Bianca Donatangelo. “Nunca foi assim antes.”

Alemanha Brasil Bianca DonatangeloBianca Donatangelo: “Uma tristeza indescritível”

A brasileira é editora-chefe da “Tópicos”, revista  da Sociedade Alemã-Brasileira (DBG). Como muitos outros compatriotas, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a leva ao desespero.

“Está destruindo nosso país, é incrivelmente triste”, diz ela em entrevista à Deutsche Welle. E ela tem certeza: “O Brasil não se livrará dessa má reputação tão cedo, mesmo que um novo governo chegue”.

De anfitrião da Copa do Mundo a forasteiro

O acidente no Brasil é de tirar o fôlego. Há dez anos, o país estava prestes a ultrapassar a França como a quinta maior economia do mundo. Agora caiu para o décimo segundo lugar. Atualmente, a renda per capita no Brasil é um terço menor que a dos chineses.

“O Brasil estragou tudo?” (O Brasil estragou tudo?). Já em setembro de 2013, o “economista” britânico abordou a crise no maior país da América Latina. Nesse ponto, a queda do país ainda não era previsível em sua verdadeira extensão.

Pelo contrário: o Brasil se apresentou como sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. E também estava se tornando cada vez mais autoconfiante.

Por causa dos governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) e sua sucessora Dilma Rousseff (2011-2016), o Brasil ganhou reputação internacional. 

capa

Profético: A capa da revista “Economist” de 28 de setembro de 2013. “O gigante verde está despertando”

 

O país participou de missões internacionais da ONU no Haiti, no Congo e nas Colinas de Golã. E foi o líder diplomático no grupo de economias emergentes, os chamados países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Internacionalmente, foi dada muita atenção ao êxito da luta contra a pobreza com vários programas sociais, que ajudaram cerca de 30 milhões de brasileiros a avançar para a classe média. O correspondente do Brasil, Alexander Busch, resumiu o humor eufórico no título de seu livro, publicado em 2009: “Economic Power Brazil. The Giant Green Awakens”.

O lado sombrio  do Brasil

A euforia agora evaporou. “A imagem positiva se foi”, diz Friedrich Prot von Kunow, presidente da Sociedade Alemã-Brasileira, que foi embaixador no Brasil entre 2004 e 2009.

O diplomata atualmente não vê “nenhum progresso social, mas um desastre econômico”. Sua conclusão: “Do ponto de vista alemão, uma personalidade como Bolsonaro é inconcebível. Também é muito difícil para mim pessoalmente”.

Para a brasileira Bianca Donatangelo, o lado sombrio de sua terra natal é revelado pelo governo Bolsonaro. “No Brasil, quatro mulheres são assassinadas todos os dias, e a discriminação contra negros e indígenas está profundamente enraizada na sociedade”, explica ela. “Mas esses tópicos geralmente são suprimidos”.

gripezinhaApenas uma “gripezinha” para o Presidente do Brasil: valas comuns estão sendo escavadas para os mortos do COVID-19 em São Paulo

Isolamento internacional

Bolsonaro continua a impulsionar o isolamento internacional do Brasil. Como seu modelo político, o presidente dos EUA, Trump, ele ameaça deixar o acordo climático de Paris, deixar a Organização Mundial da Saúde e transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.

“Bolsonaro é ainda mais radical que Trump na crise do coronavírus”, disse o especialista brasileiro Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Universidade Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. “A assinatura do acordo de livre comércio entre o mercado sul-americano Mercosul e a UE está se tornando cada vez mais improvável”, twittou recentemente.

trump bozo

Trump e Bolsonaro parecem ter mais em comum do que apenas um sorriso envolvente

A Alemanha e a Noruega também estão se mantendo à distância . Devido ao aumento dramático do desmatamento na Amazônia brasileira, eles congelaram temporariamente o dinheiro para a proteção florestal em agosto de 2019. O Ministério do Desenvolvimento Alemão (BMZ) está procurando novos parceiros de cooperação no país e está ficando sem projetos existentes.

“Não mostre o ombro frio”

A indústria alemã no Brasil, que Bolsonaro apoiou por sua agenda econômica liberal, agora está sofrendo com a perda de imagem do país. “Não há dúvida de que o Brasil e a América Latina se tornaram significativamente menos atraentes”, disse Philipp Schiemer, chefe da Mercedes-Benz do Brasil, em entrevista ao jornal de negócios alemão “Handelsblatt”.

No entanto, Schiemer não vê tudo de maneira negativa: “O governo tornou as leis trabalhistas mais flexíveis para que demissões em massa ainda não ocorram como nos Estados Unidos”, diz ele. “E ela rápida e eficientemente organizou ajuda financeira de emergência para os pobres”.

Mesmo que a brasileira Bianca Donatangelo não encontre nada de positivo no governo de Bolsonaro: ela está convencida de que seria errado mostrar ao Brasil o ombro frio no momento. “Por causa da crise, você não pode simplesmente jogar toda a história e cultura do país no lixo”, diz ela. “Bolsonaro não é o Brasil.”

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Este artigo foi publicado originalmente em alemão pela Deutsche Welle [Aqui!].

Petição pede boicote de supermercados alemães ao Brasil por desmatamento da Amazônia

A iniciativa visa pressionar três das maiores redes de supermercados da Alemanha a não comprarem mais do Brasil, principalmente produtos agrícolas. Se obtiver adesão, o boicote pode resultar no fechamento de 70% do mercado varejista alemão às mercadorias brasileiras.

bolso neroIlustração da petição online da ONG alemã Campact, que conseguiu mais de 300 mil assinaturas. A iniciativa exorta três das maiores redes de supermercado da Alemanha a não venderem mais produtos brasileiros devido ao desmatamento da Amazônia. © Campact

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

Um abaixo-assinado que colheu mais de 300 mil assinaturas em menos de uma semana exorta três das maiores redes de supermercado da Alemanha a não venderem mais produtos brasileiros por causa do desmatamento da Amazônia.

A ação, lançada na terça-feira (09/06) pela Campact, ONG sediada em Berlim, critica a polêmica Medida Provisória 910/19, substituída pelo Projeto de Lei 2633/20, sobre regularização fundiária. O projeto é conhecido por seus críticos como “PL da Grilagem”, por apresentar risco de promover mais devastação florestal. 

A organização alemã cita uma ameaça de boicote formulada em maio pelas principais redes de supermercados do Reino Unido e pede que três grandes redes alemãs sigam o exemplo. O apelo é dirigido às companhias Lidl, Edeka e Aldi Nord, que figuram entre as cinco maiores varejistas da Europa em volume de faturamento.  

A Campact afirma que duas grandes redes alemãs, Aldi Süd e Rewe, já aderiram à iniciativa das redes britânicas, que ameaçaram no mês passado, em carta aberta ao Congresso Nacional, boicotar produtos brasileiros em caso de aprovação da proposta de regularização fundiária.

"Salvem a floresta: parem Bolsonaro!", diz mensagem veiculada na petição ONG alemã Campact.“Salvem a floresta: parem Bolsonaro!”, diz mensagem veiculada na petição ONG alemã Campact. © Campact

Bloqueio de 70% mercado varejista alemão ao Brasil

O sucesso da petição da Campact, com a adesão dos três supermercados, fecharia, segundo a ONG, 70% mercado varejista alemão aos produtos brasileiros. O objetivo da ONG alemã é aumentar a pressão para que o texto seja não só retirado da pauta do Congresso, mas descartado por completo.

A proposta de lei ameaça a população indígena, a biodiversidade e o clima. Normalmente, recorreríamos diretamente aos políticos. Mas no caso do radical de direita Bolsonaro, a diplomacia é impossível. Por isso, visamos seu lado mais sensível: o sucesso econômico. Bolsonaro depende do apoio do lobby do agronegócio”, diz o texto da petição online, que também foi enviado a 2,3 milhões de assinantes do boletim informativo da entidade. 

“Queremos que as redes de supermercado alemãs se juntem aos supermercados britânicos no boicote a produtos brasileiros, principalmente à carne bovina, para pressionar economicamente o governo Bolsonaro”, afirma o grupo.

O texto da petição dá destaque à afirmação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião ministerial do governo, em que ele fala em aproveitar o “momento de tranquilidade na aspecto da cobertura de imprensa” durante a crise de Covid-19 no Brasil para “passar a boiada”: mudar regras e simplificar normas ambientais.

“Em vez de punir o desmatamento ilegal, Bolsonaro permite a destruição da floresta. Essa lei é como um convite para destruir a Floresta Amazônica – isso pouco antes da temporada de queimadas”, disse em entrevista exclusiva à RFI Friederike Gravenhorst, integrante da Campact. “O pulmão verde da Terra está em perigo.” 

Incentivo à destruição de novas áreas da floresta

O PL 2633/20 foi apresentado após a perda de validade em maio, por falta de acordo entre os parlamentares, da controversa Medida Provisória 910/19, editada em dezembro pelo presidente Jair Bolsonaro. O projeto prevê a regularização fundiária de imóveis da União, incluindo assentamentos, sem vistoria prévia, em áreas com até seis módulos fiscais e ocupadas até julho de 2008 – o texto da MP 910 incluía zonas ocupadas até 2014 e de até 15 módulos fiscais. 

O módulo fiscal é uma unidade cujo tamanho varia de acordo com o município, podendo ir de 5 a 110 hectares.

Defensores da iniciativa alegam que ela desburocratiza a concessão de títulos a agricultores, que poderiam produzir mais, com mais acesso a crédito. Críticos argumentam que a lei premiaria quem invadiu e derrubou florestas ilegalmente em áreas públicas e, ao possibilitar que desmatadores se tornem proprietários de áreas ocupadas ilegalmente, seria um incentivo à destruição de novas áreas de floresta.

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Esta matéria foi originalmente publicada pela Rede França Internacional [Aqui!].

Em 24 horas, Campanha “Boicote Bolsonaro” já ultrapasou 228 mil assinaturas

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Ontem publiquei uma postagem falando sobre a campanha “Boicote Bolsonaro” que está sendo realizada para pressionar grandes cadeias de supermercados da Alemanha para que parem de comprar produtos agrícolas brasileiros por causa das ações de desmantelamento da governança ambiental pelo governo Bolsonaro e pelo seu ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles. 

No momento que postei a informação, a campanha tinha exatos 16.168 aderentes e buscava alcançar um objetivo relativamente modesto de  100.000 signatários. Pois bem, 24 horas depois da minha primeira postagem, o total de aderentes ao “Boicote Bolsonaro” já se aproxima de 230 mil aderentes, com o objetivo de se chegar a 275.000 signatários, objetivo esse que deverá ser elevado ao longo do dia, pois será facilmente alcançado no ritmo que as adesões estão se dando (ver imagem abaixo).

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Qual é o moral da história então?  Enquanto o Brasil fica sendo distraído por ações e atos exdrúxulos de membros do governo Bolsonaro que só fazem acelerar a difusão da pandemia da COVID-19,  o resto do mundo não só está prestando atenção no que está contecendo por aqui, mas como também ações estão sendo tomadas para punir o descompromisso ambiental que está causando um desastre de grandes proporções na Amazônia.

Nesse caso, o castigo está vindo mais rápido do que o cavalo com que o presidente Jair Bolsonaro adentrou uma manifestação pelo fechamento do congresso nacional e do STF no dia 31 de maio. E depois que o castigo chegar, não adianta chorar sobre a floresta calcinada.

 

Campanha “Boicote Bolsonaro” pressiona grandes redes alemãs a parar de comprar produtos agrícolas brasileiros

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Uma campanha de boicote foi lançada na Alemanha, mas abrangendo todos os países membros da União Européia, para que as grandes redes de supermercados alemãs (que possuem filiais em toda a Europa) parem de comprar produtos brasileiros por causa do aumento do desmatamento na Amazônia.

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A chamada para adesão argumenta que “o lobby agrícola está queimando a floresta amazônica – tão impiedosamente quanto em dez anos”. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, agora quer aumentar ainda mais o desmatamento e, posteriormente, legalizar a apropriação de terras por grandes proprietários“.

Além disso, os idealizadores da campanha acreditam (corretamente, diga-se de passagem) que ” apenas a pressão econômica ajuda: os supermercados precisam proibir em suas as prateleiras os produtos do lobby agrícola brasileiro“.  

A pressão no caso está sendo feita contra as redes Aldi Nord, Edeka e Lidl que certamente passarão a receber muita pressão já que essa campanha deverá ganhar mais tração após o início da temporada  de queimadas na Amazônia que em 2020 deverá ser, digamos, prolífica.

Em tempo: a campanha que busca obter 100 mil assinaturas, em menos de 24 horas já ultrapassou 120 mil, e agora se colocou como novo objetivo alcançar 150 mil aderentes. O blog vai acompanhar o andamento da campanha e oferecer números atualizados de aderentes ao longo da sua duração. Uma coisa é certa: a pressão sobre as cadeias de supermercados alemãs para que boicotem os produtos brasileiros vai aumentar bastante.  

Quem quiser se informar mais sobre a campanha “Boicote Bolsonaro”, basta clicar [Aqui!].

Noruega está “de saco cheio”, diz embaixador alemão sobre Fundo Amazônia

Para Georg Witschel, embaixador alemão no Brasil, fracasso do fundo de proteção à floresta financiado por Noruega e Alemanha e falta de ações contra desmatamento podem inviabilizar acordo comercial entre Mercosul e UE.

embaixador alemão“O fracasso do Fundo Amazônia será um torpedo no navio do acordo entre Mercosul e União Europeia”, disse Georg Witschel

Embaixador da Alemanha no Brasil há três anos e meio, o diplomata Georg Witschel mostra desenvoltura no português coloquial ao comentar as conversações com o governo brasileiro sobre o Fundo Amazônia, das quais participa. “Tenho a impressão de que sobretudo a Noruega está de saco cheio”, afirmou durante uma mesa-redonda sobre economia e meio ambiente realizada no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) no Rio de Janeiro.

A Noruega, que é parceira da Alemanha no Fundo Amazônia, responde por 90% do aporte de 1,5 bilhão de reais à espera de destinação pelo Ministério do Meio Ambiente há mais de um ano. A iniciativa foi criada em 2008, majoritariamente com doações dos dois países europeus, que, juntos, são responsáveis por 99% dos 3,3 bilhões de reais que já foram repassados. A verba é administrada por uma equipe montada para cumprir essa tarefa dentro do BNDES. Os projetos financiados têm como objetivo a redução do desmatamento e da emissão de gases do efeito estufa.

Para Witschel, a inação do governo brasileiro pode afetar de forma decisiva o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE). “O fracasso do Fundo Amazônia será um torpedo no navio do acordo entre Mercosul e União Europeia, que está bem lento”, avaliou durante a mesa-redonda, realizada nesta terça-feira (03/03).

Antes de o acordo ser finalmente assinado, em junho de 2019, as negociações se arrastaram por duas décadas. A formalização do entendimento foi celebrada pelo presidente Jair Bolsonaro à época. “Será um dos acordos comerciais mais importantes de todos os tempos e trará benefícios enormes para nossa economia”, escreveu ele numa rede social.

O governo brasileiro estima que possa haver um impacto positivo de 87,5 bilhões de dólares na economia nacional nos próximos 15 anos em decorrência do acordo de comércio entre os dois blocos, podendo chegar a 125 bilhões de dólares, incluindo aí as barreiras não tarifárias. Pelos cálculos da Confederação Nacional do Comércio (CNC), as projeções seriam de 79 bilhões de dólares e 112 bilhões de dólares, respectivamente.

Apesar da euforia, o tratado só entrará em vigor depois de validado pelos parlamentos dos 31 países-membros de ambos os blocos – 27 da UE e quatro do Mercosul. O grupo representa 25% do PIB mundial e um mercado consumidor de 750 milhões de pessoas. De acordo com Witschel, a questão ambiental é condição sine qua non para a aprovação dos termos nas casas legislativas europeias.

“Se o governo não conseguir lutar contra o desmatamento ilegal e reduzi-lo para os níveis de 2017, acho que não há nenhuma chance de o acordo ser ratificado na Alemanha. Macron e outros líderes ficarão bem felizes com isso”, afirmou.

O embaixador disse esperar que as negociações sejam bem-sucedidas, pois uma derrota beneficiaria segmentos ligados à agropecuária na França, Polônia e Irlanda, em detrimento do setor industrial e de serviços, que contribuem com muito maior peso para a economia. “É uma batalha sobre reservas de mercado e poder. O tratado não é perfeito, mas é um progresso maior nesse sentido. Sem ele, vamos voltar a uma situação bem conhecida: o ponto de onde saímos 20 anos atrás”, enfatizou.

Derrotas na Áustria e Bélgica

Ao longo do segundo semestre do ano passado, a ministra do Meio Ambiente da França, Élisabeth Borne, e o presidente Emmanuel Macron sinalizaram que o país não assinaria o acordo nas condições atuais. No Parlamento austríaco, quatro dos cinco partidos votaram contra a resolução. O projeto também foi derrotado no Parlamento regional da Valônia, na Bélgica.

Na avaliação do embaixador Witschel, somente o Partido Verde apresenta maioria crítica ao acordo na Alemanha. O bloco governista, formado pela União Democrata Cristã (CDU), a União Social-Cristã (CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD), tende a uma posição favorável. Entretanto, o mau desempenho da agenda ambiental brasileira estaria estimulando uma onda de rejeição ao tratado.

“A cada notícia negativa, perdemos dez votos no Parlamento, porque os deputados são questionados em seus distritos. É cada vez mais difícil convencê-los de que devem aprovar o acordo. Por isso, o Brasil tem de reduzir a taxa de desmatamento, de maneira rápida e significativa”, reiterou.

Interlocução com Cristina e Guedes

Ante as dificuldades de negociação com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a embaixada alemã vem tentando abrir canais de interlocução com diversas frentes do governo brasileiro. A lista inclui a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Estamos esperando uma proposta séria do Ministério do Meio Ambiente sobre como continuar”, explicou o embaixador em referência ao Fundo Amazônia. “Não queremos atuar contra o governo federal, mas tentamos abrir caminhos paralelos para resgatar a floresta e, talvez, o Fundo Amazônia. Não sou muito otimista, a situação é difícil”, declarou Witschel, que deve se reunir em abril com governadores da Amazônia Legal.

O diplomata também manifestou a intenção de estabelecer um diálogo com o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República e responsável por reativar o Conselho da Amazônia. Witschel ironizou as acusações de ameaça à soberania brasileira representada por países europeus na discussão sobre a Amazônia.

“Falo com frequência com os militares e faço uma piada com boa base histórica: mesmo que quiséssemos, não poderíamos atacar o Brasil, porque o nosso último porta-aviões está no fundo do Mar Báltico desde 1945. É impossível falar de uma ameaça militar vinda da parte de França e Alemanha”, disse o embaixador, para quem o verdadeiro risco à soberania brasileira na região se encontra em atividades criminosas, como o desmatamento e garimpo ilegais.

A ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, que é senior fellow do Cebri, também participou do debate no Rio. Ela apontou um desmonte da estrutura de governança na área ambiental, que, em sua avaliação, possibilitou a captação de 6 bilhões de reais em cooperações internacionais durante o período em que esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente (2010 – 2016).

“Acho irônico que representantes do governo brasileiro cobrem, no exterior, recursos para combater o desmatamento, como se o mundo devesse dinheiro a nós. A credibilidade construída ao longo de anos por nossa estratégia de protagonismo foi quebrada. Essas incoerências políticas estão na mesa de negociação e levam ao descrédito do país”, criticou.

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Esta reportagem foi inicialmente publicada pela Deutsche Welle [Aqui!].

Alemanha descarta liberação de verba para Amazônia

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Vice-presidente Hamilton Mourão deverá comandar o Conselho da Amazônia

Berlim diz que financiamentos congelados continuam suspensos após Mourão afirmar que pedirá dinheiro a países ricos para proteção florestal. Para governo alemão, os dois países ainda têm ideias distantes sobre o tema.

A Alemanha descartou a liberação da verba para a Amazônia suspensa em agosto. A negativa do governo em Berlim foi divulgada neste sábado (25/01) pela agência de notícias alemã DPA, depois de o vice-presidente Hamilton Mourão admitir aceitar dinheiro de países ricos para a preservação da região.

Um porta-voz da ministra alemã do Meio Ambiente, Svenja Schulze, reiterou que os repasses suspensos ano passado continuam congelados e que, para haver uma retomada, é necessário “que desenvolvamos uma percepção comum sobre o que é necessário nas áreas de proteção climática e de biodiversidade”. Mas, de acordo com a ministra, “estamos ainda muito longe disso”.

Em razão do aumento dos índices de desmatamento da Amazônia, Schulze anunciou em agosto o congelamento de investimentos de 35 milhões de euros (cerca de 155 milhões de reais), que seriam destinados a diferentes projetos de proteção ambiental no Brasil.

“A política do governo brasileiro na Região Amazônica deixa dúvidas se ainda se persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento”, declarou a ministra, em entrevista publicada em 10 de agosto pelo jornal alemão Der Tagesspiegel. No dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro desdenhou do dinheiro, afirmando que “o Brasil não precisa disso”.

Naquele mesmo mês, o governo brasileiro rejeitou oferta de 20 milhões de dólares dos países do G7 (Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Japão, Itália e Canadá) para auxílio no combate às queimadas na Amazônia.

“Rejeitou, mas depois eu vou lá com cara de pau e peço”, admitiu Hamilton Mourão em entrevista à emissora Globonews nesta quinta-feira.

Mourão deve chefiar o Conselho da Amazônia, cuja criação foi anunciada nesta semana por Bolsonaro. O grêmio deverá coordenar ações de diversos ministérios para “proteção, defesa e desenvolvimento sustentável da Amazônia”.

O Ministério do Meio Ambiente da Alemanha ressaltou que o financiamento suspenso pela pasta não tem relação alguma com o novo conselho criado pelo governo brasileiro.

MD/dpa/ots

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Este material foi inicialmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].

Mais problemas para o Brasil: Partido Verde alemão pede renegociação substantiva no acordo UE-Mercosul

O Brasil, o coração do bloco do Mercosul,  desmatam a Amazônia e viola os direitos humanos. Os Verdes acusam o governo alemão de fracassar na política comercial

mercosulOs Verdes alemães estão pedindo que as negociações com o grupo de representantes da América do Sul sejam interrompidas. Imagem:  Reuters

Por Moritz Koch e Silke Kersting

Os Verdes alemães estão pedindo ao governo federal da Alemanha que trabalhe no Conselho Europeu para congelar a ratificação do acordo Mercosul . “O capítulo de sustentabilidade do acordo é completamente inadequado”, diz uma solicitação dos verdes no grupo parlamentar do Bundestag, que foi submetida ao Handelsblatt e está programada para ser levada ao parlamento na sexta-feira. A cláusula de direitos humanos também deve ser reforçada.

O governo federal deve “advogar um novo mandato de negociação no Conselho da União Europeia (UE) que forneça regras para a proteção e conservação do meio ambiente, biodiversidade e clima, bem como normas trabalhistas e sociais para todos os capítulos relevantes para o comércio”, continua. Também precisava de um capítulo de sustentabilidade sancionável, acordos para preservar a floresta amazônica em seu tamanho atual e um mecanismo de reclamação eficaz por violações de direitos humanos.

“Vários governos europeus expressaram críticas claras ao acordo de livre comércio UE-Mercosul; a Áustria agora se comprometeu com um não ” , disse Katharina Dröge, porta-voz da facção Greens Bundestag, o Handelsblatt. “É incompreensível que o governo alemão cumpra obstinadamente um contrato que continua a alimentar o desmatamento da floresta amazônica.” Dada a situação devastadora no Brasil e o desmatamento progressivo da floresta tropical, o acordo do Mercosul deve ser interrompido e renegociado.

Os Verdes acusam a grande coalizão de fracassar na política comercial. Uma política comercial responsável reconcilia interesses econômicos, proteção climática e ambiental, desenvolvimento sustentável e proteção dos direitos humanos.

O governo federal da chanceler Angela Merkel não cumpre essa reivindicação há anos. Berlim deveria se unir à Finlândia e defender “que geralmente não entram mais na UE produtos que contribuam para a destruição de áreas florestais ecologicamente importantes”, disse Dröge.

Nova estratégia de matérias-primas é pedida

As organizações de direitos humanos Germanwatch e Misereor também estão pedindo que o acordo comercial seja interrompido. “A oportunidade de ancorar regras efetivas para a proteção dos direitos humanos e da floresta tropical no acordo foi perdida”, reclamam em comunicado conjunto.

Ministério Federal da Economia , por outro lado, argumenta que o acordo comercial oferece vantagens geoestratégicas além da política de crescimento. Por exemplo, é importante vincular os países mais importantes da América Latina à Europa – principalmente com vistas às atividades dos chineses, que também estão expandindo sua esfera de influência nessa região.

A competição geoeconômica se intensificará ainda mais no futuro, o fornecimento de matéria-prima também entrará em foco. Portanto, o Gabinete Federal decidiu uma nova estratégia de matérias-primas na quarta-feira. Os Verdes elogiam abordagens, mas pedem uma abordagem mais determinada.

Por esse motivo, o grupo parlamentar verde desenvolveu seu próprio conceito que, além da devida diligência em direitos humanos, também enfatiza a reciclagem. “O requisito deve ser que o consumo de recursos diminua e não continue aumentando”, disse o político econômico verde Dieter Janecek.

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Este artigo foi publicado originalmente em alemão pelo jornal da área financeira Handelsblatt que é impresso na cidade de Dusseldorf [Aqui!].

Vexame em Madri: Ricardo Salles é desmentido pelo governo da Alemanha sobre reformulação do Fundo Amazônia

salles mentiroso

Ricardo Salles afirmou na COP25 que o governo tinha “topado” sua proposta para reformular o Fundo Amazônia. O governo alemão, é claro, desmentiu essa afirmação do improbo ministro

Ontem (05/12),  durante a Conferência do Clima da ONU em Madri (COP-25), o ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, Ricardo Salles afirmou que a Alemanha, doadora do Fundo Amazônia ao lado da Noruega , “já topou” a nova proposta que teria sido apresentada por ele para reformular as práticas de desembolso financeiro.

Nesta sexta-feira, Ricardo Salles foi formalmente desmentido pela Embaixada da Alemanha em Brasília que fez publicar a seguinte nota:

A Embaixada da Alemanha recebe com espanto as declarações sobre o Fundo Amazônia veiculadas nesses últimos dias. A Embaixada recebeu no início dessa semana, uma proposta formal do BNDES para reformular o Fundo Amazônia, autorizada, segundo o BNDES, pelo Ministro Salles. Esta proposta está em avaliação e a Alemanha não comentou o assunto até o momento com o lado brasileiro. A avaliação será realizada em estreita cooperação com a Noruega”.

Em suma, além de ser visto como um anti-ministro do Meio Ambiente, Salles agora está oficialmente desmascarado como um mentiroso. Simples assim!