O oráculo de Garotinho em andamento

Publiquei no dia 25 de Março uma nota comentando uma previsão que o ex-governador Anthony Garotinho havia feito em seu blog sobre o nervosismo que estaria grassando na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em função de uma possível ação polícial (Aqui!).

Pois bem, hoje a mídia coporativa está anunciando mais uma das espetaculares ações da Polícia Federal no âmbito da chamada operação Lava Jato que afeta cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB) (Aqui!Aqui! e Aqui!).

Sobre essa operação de hoje certamente ainda teremos outros desdobramentos que afetarão personagens que foram inclusos na “profecia” de Anthony Garotinho. Uma certeza disso é que o Jorge Picciani, ao contrário dos conselheiros do TCE, não teve prisão preventiva decretada, mas apenas deverá ser levado debaixo de ferros para depor. Se tomarmos como exemplo o caso do deflagrador desta operação, o ex-presidente do TCE Jonas Lopes Filho, conduções coercitivas têm sido uma boa senha para decifrar futuras delações.

Agora, uma coisa é certa: a temperatura no Palácio Guanabara deverá subir muito hoje. É que, pensemos bem, qual é a cabeça (ou seria o pé?) que Jorge Picciani ainda poderá entregar a estas alturas do campeonato das delações premiadas? Não é preciso nem ter poderes de oráculo para prever!

O oráculo de Anthony Garotinho

O ex- governador Anthony Garotinho publicou uma nota neste sábado que poderia ser tomada como um oráculo se não estivéssemos vivendo em que até os mais profundos segredos chegam ao conhecimento de poucos privilegiados (normalmente alojados dentro da mídia corporativa) que se ocupam de disseminá-las na forma de informação ou projeção do futuro (Aqui!).

Vejamos a nota abaixo:

oráculo

Alguns poderão dizer que Anthony Garotinho está simplesmente destilando veneno, outros dirão que está chutando um fato que está prenhe para acontecer faz tempo. 

Mas como Anthony Garotinho não opera jamais sem fontes, ele pode estar realmente nos oferecendo um oráculo para acontecimentos que afetarão a política fluminense na próxima semana. Se confirmado o oráculo, a situação do (des) governador Pezão poderá piorar sensivelmente visto que até agora todo o ônus da chamada Operação Lava Jato ficaram nas costas do ex (des) governador Sérgio Cabral.

Como Anthony Garotinho mencionou que há “boi” no meio, ele parece sinalizar que a bomba vai explodir na Assembleia Legislativa já que lá existem vários pecuaristas que se ocupam da criação de gado de raça em posições importantes. Mas ele pode estar contando o milagre certo, mas apontando para o bicho errado.

De toda forma, a saída vai ser esperar a próxima semana transcorrer para ver que bicho (ou seria Palácio?) dá.

(Des) governo Pezão e os servidores: medo de uns, descaso completo com outros

pezao cabral

A relação do (des) governo Pezão com os servidores estaduais é definitivamente marcada por uma dicotomia que não pode ser mais escondida: medo de uns, completo descaso para outros.   Essa dicotomia fica evidente na última decisão de que começar a pagar os salários de Fevereiro dos servidores da segurança e da educação sem que se tenha quitado o devido a mais de 100 mil servidores de órgãos que não possuem nem o armamento ou a quantidade de pessoas para exercer pressão.

A questão que já deve (ou deveria) estar clara para o conjunto dos servidores é que não há falta de dinheiro nos cofres estaduais, mas sim uma alocação de pagamentos que coloca os interesses e necessidades dos servidores num solene e distante último lugar nas prioridades deste (des) governo.

Enquanto isso, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que privatizou a toque de caixa a CEDAE se coloca na condição de cúmplice desta situação. Ontem (08/3) por exemplo, aprovaram em primeira discussão o parcelamento em 10 vezes do pagamento do IPVA para os servidores estaduais e pensionistas (Aqui!). Ora, que grande consolação! É que diante do aumento das dívidas e da falta de condições de manter suas famílias, a última coisa com que os servidores irão se preocupar será com o pagamento de impostos. 

A verdade é que qualquer saída para a atual crise passa pelo conjunto dos servidores tomando consciência de que as soluções para seus problemas não vão aparecer no que depender do (des) governo Pezão ou da Alerj, mas sim de uma mobilização que possa desembocar numa greve geral. É claro que provavelmente para poder fazer isso, os servidores vão ter que derrotar parte da sua própria estrutura sindical que claramente já entrou em acordo com o (des) governo Pezão e com sua base na Alerj para obter vantagens pontuais e setorizadas.

E quanto antes os servidores entrarem no processo de construção de uma greve geral, melhor. Do contrário, até o final deste primeiro semestre, o morimbundo (des) governo Pezão terá aprovado o seu pacote de Maldades. A ver!

Nova modalidade da privataria do (des) governo Pezão: privatização relâmpago da CEDAE

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Os jornais da mídia corporativa estão noticiando que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) irá tentar aprovar a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) num procedimento relâmpago que incluirá uma diferença de apenas uma hora entre o início da reunião do chamado Colegiado de Líderes e a colocação do projeto para aprovação no plenário (Aqui! e Aqui!).

Essa pressa toda não se deve a nenhuma urgência para pagar os salários e direitos atrasados dos servidores públicos, mas para impedir uma discussão mais ampla sobre o preço para de lá irrisório que se pretende vender a CEDAE (querem vender por  R$ 3,5 bilhões uma empresa que vale algo em torno de R$ 20 bilhões!).

O interessante é que nem a motivação de vender a CEDAE para garantir um empréstimo bancário existe mais, pois esta manobra foi impedida a partir de um decisão monocrática do ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal.

A verdade é que essa privatização relâmpago é apenas mais uma face obscena da privataria que foi instalado por Sérgio Cabral e está sendo continuada por Luiz Fernando Pezão no Rio de Janeiro.

E adivinhe quem vai ficar com a parte mais salgada desta conta? Se pensou nos mais pobres, acertou.

Porto do Açu: quarta reportagem do SBT RIO trata da criação de uma CPI para analisar irregularidades

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A quarta e penúltima reportagem da série “Porto da desilusão” que foi produzida pelo SBT RIO abordou, entre outras coisas, a possível criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para averiguar as irregularidades cometidas durante o processo de implantação do Porto do Açu.

Além disso, a reportagem abordou de forma prática a discrepância existente as promessas de um ciclo virtuoso de desenvolvimento no Norte Fluminense, especialmente no município de São João da Barra, e o que está efetivamente acontecendo.

Ambos aspectos da reportagem são importantes, pois há ainda existe uma grande falta de conhecimento sobre os reais impactos (positivos e negativos) que o Porto do Açu trouxe para São João da Barram, e especialmente para os habitantes do V Distrito.

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Este vídeo não existe

 

TRE aumenta calvário de Pezão e cassa seu mandato por abuso do poder econômico

Como já estava previsto, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE) cassou no dia de hoje (08/02) a chapa composta por Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles por, surpresas das supresas, abuso do poder econômico nas eleições de 2014 (Aqui!, Aqui! e Aqui!).

Segundo o que apurou o TRE, empresas que receberam benefícios financeiros(olha aí a farra fiscal colocando as garras de fora!), contribuíram para a campanha eleitoral de Pezão e Dornelles no que se configurou uma grossa violação da legislação eleitoral.

Agora, convenhamos, até o mais inocente dos entregadores de santinhos de campanha desconfiava que havia algo de errado com a enxurrada de materiais de campanha que tomaram o Rio de Janeiro para impulsionar uma candidatura que tinha nascido sob o espectro da falência política do hoje aprisionado ex (des) governador Sérgio Cabral.

Mas qual é afinal a importância desta decisão, visto que o (des) governador Pezão vai se manter no cargo até o julgamento final no Tribunal Superior Eleitoral? É que claramente seu (des) governo já vinha num ritmo cambaleante em face da completa ineptude para enfrentar a crise que a farra fiscal comandada por Sérgio Cabral causou aos cofres fluminenses. Agora, com essa cassação, Pezão vai enfrentar ainda mais demandas para que sofra um processo de impeachment rápido e certeiro.

Um fato peculiar, e que deve ter causado certo assombro, é que a decisão do TRE não apenas resulta na cassação dos mandatos de Pezão e Dornelles, mas como estipula a realização de eleições diretas para preencher os cargos. Com isso, certamente, nem o astuto Jorge Picciani contava.

Finalmente, a temperatura do ato público que será realizado na frente da ALERJ certamente vai subir. Resta saber se o Batalhão de Choque da Polícia Militar vai estar disposto a partir para a violência para defender um (des) governo que está balançado por um fio de cabelo. A ver!

“Muy amigo”: em troca de salários em dia, (des) governo Pezão promove confisco salarial histórico

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Após quebrar o estado do Rio de Janeiro com uma versão “sui generis” de ultraneoliberalismo, o (des) governo Pezão está tentando coagir o funcionalismo estadual a aceitar calado um confisco salarial histórico. A mordida nos salários para supostamente equilibrar as contas estaduais está sendo apresentada como a única saída para servidores, aposentados e pensionistas terem de volta um mínimo de capacidade de organizar suas vidas. É o tal do “sacrifício” em nome do bem coletivo.

Mas qual é o tamanho da mordida, afinal? Isso o (des) governador Pezão convenientemente não informa e a maioria absoluta da mídia corporativa faz cara de paisagem para não perguntar.

Agora observem a figura abaixo com atenção, pois ela nos dá a resposta à pergunta que o jornalismo chapa branca não quer fazer.

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È isso mesmo, o preço da volta do dalário em dia será equivalente a entregar o décimo terceiro mais o adicional de férias para o (des) governo Pezão continuar sua farra fiscal e o processo de endividamente público via securitização dos royalties do petróleo.

E que ninguém se engane. Como essa medida é um paliativa que não resolverá absolutamente nada das questões estruturais que causam o colapso financeiro do Rio de Janeiro, esse confisco é apenas o primeiro de vários.

Desta forma, a hora de reagir agora, deixando de lado qualquer ilusão que entegando os anéis (décimo terceiro e adicional de férias) ficaremos com os dedos. Na próxima vez levarão os dedos das mãos como antecipação da tomada dos dedos dos pés.

Às ruas, servidor!

Por que Pezão ainda não sofreu impeachment? Porque ainda é útil!

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O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (MUSPE) está convocando mais um ato público para o dia 02 de Fevereiro cujo mote aparente ser a demanda de que o (des) governador Luiz Fernando Pezão passe por um processo de impeachment (ver cartaz abaixo).

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Mas alto lá, a pergunta que realmente importa é a seguinte: por que Pezão ainda está ocupando o cargo de (des) governador do Rio de Janeiro em primeiro lugar?  Antes de que qualquer coisa, esqueçamos das suspeitas de que ele também se beneficiava do complexo esquema de corrupção criado e executado pelo seu mentor politico, o hoje aprisionado ex-(des) governador Sérgio Cabral, e seu amigo do peito, Hudson Braga (o Braguinha). É que até hoje, verdade seja dita, essas suspeitas não passaram disso. A bem da verdade, Pezão continua incólume no furacão que se abateu sobre Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo.

Digo isso porque razões materiais para “impeachar” dispensam até o uso dessas suspeitas. Bastaria analisar um conjunto de decisões completamente desastradas do ponto de vista técnico e político que ele sancionou para que seu pedido de impeachment fosse formalizado e rapidamente aprovado. Aliás, como  o MUSPE protocolou novo e bem fundamentado pedido de impeachment, bastaria a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALerj) cumprir o seu papel de constitucional para que Pezão fosse mandado de volta para Piraí.

Entretanto, Pezão não só continua (des) governador como está encabeçando um acordo draconiano que tem tudo para afundar o Rio de Janeiro de vez!

Uma mente minimamente inquieta se perguntaria como é possível que um político tão claramente inepto e tão profundamente relacionado com outros políticos envolvidos em graves problemas com a justiça pode continuar num cargo tão importante.

A resposta é tão simples e chocante para mim. É que Pezão continua útil e efetivo no esforço de transformar o estado do Rio de Janeiro num modelo de reformas ultraneoliberais que misturam privatização de serviços essenciais, benesses fiscais para grandes empresas e, por que não, pitadas fortes de apropriação de recursos públicos via esquemas ilegais.  São sua utilidade e efetividade que explicam a manutenção de Pezão no cargo de (des) governador.  

Algo que me preocupa é a passividade com que os setores que cumprem o papel de ser oposição a Pezão na Alerj esboçam ao não tocar na questão do impeachment e virtualmente se contentam em causar desconfortos pontuais na aplicação de sua agenda ultraneoliberal. Como se viu recentemente com os cinco vetos que Pezão assinou em artigos da LDO de 2017,  a estratégia de internalizar e limitar o confronto com essa agenda no interior da Alerj é claramente ineficiente.

Assim, avançar o processo de mobilização em torno do impeachment é a coisa mais razoável numa condição em que se Pezão não for removido, os custos políticos e econômicos para os mais pobres serão incalculáveis.

Câmara de Deputados derrota Temer empurra pepino gigantesco de volta para o (des) governador Pezão

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O (des) governo Pezão decidiu se fazer de morto enquanto a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) sitiada pelos servidores resolveu (por certo em comum acordo com o executivo) retornar a parte substancial do pacote de Maldades para o Palácio Guanabara. 

Lá do Palácio, o (des) secretário de Fazenda e ex-presidente do RioPrevidência, Gustavo Barbosa, declarou que entendia e respeitaba a posição soberana da Alerj, e de lá foi-se para a Sefaz parcelar em nove vezes os salários de Novembro de mais da metade dos servidores do executivo.

Essa posição de aparente calma e entendimento se baseava em algo simples: distrair os servidores, enquanto se ia a Brasília para negociar um mega pacote de Maldades muito pior do que se havia proposto no Rio de Janeiro. A chancela do Senado Federal deu a entender que tudo parecia que ia dar certo.

Parecia que ia, mas não deu. É que hoje a Câmara de Deputados rejeitou todas as condicionantes que puniam os servidores como condição para um alongamento das dívidas estaduais.  

O resultado dessa decisão da Câmara dos Deputados é que agora serão as assembleias legislativas que terão que aprovar medidas punitivas para os servidores caso queiram garantir que seus estados possam ter o tal alongamento da dívida.

Em suma, quando terminar o recesso na Alerj e os trabalhos recomeçarem lá no Palácio Tiradentes, o (des) governo Pezão e sua base parlamentar vão tentar empurrar medidas ainda piores contra os servidores estaduais do que tentaram ao longo deste mês.

Com os salários atrasados e parcelados e com a perspectiva de reberem míseros R$ 370,00 até o Natal é de se imaginar que os servidores estaduais do Rio de Janeiro vão estar com pouquíssima paciência para aceitar reduções salariais, aumentos de recolhimento da previdência, extinção do triênio, e outras cositas más.

Diante disso, é de se esperar que cresce o movimento pró-impeachment do (des) governador Pezão. É que está mais do que evidente que nem mesmos os deputados mais submissos vão estar dispostos a enfrentar a fúria dos servidores para servir um (des) governador que já se mostrou bastante incompetente. E, pior, com toda chance de entrar 2017 enrolado no enredo da Lava Jato.

De toda forma uma coisa é certa: o pepino está de volta  nas mãos do (des) governador Pezão. Vamos ver como ele se sair dessa enrascada toda.