Desembargador dá liminar em favor da Norsk Hydro e impede exames de contaminados em Barcarena

norskA própria Hydro reconheceu a contaminação e pediu desculpas. O que vale para a Justiça?

A multinacional norueguesa Norsk Hydro foi flagrada despejando resíduos industriais de mineração nos rios em que habitam centenas de comunidades em Barcarena. Até o presidente mundial Svein Brantzaeg admitiu e desculpou-se. Mas depois negou, mesmo diante do verdadeiro complexo de canais e tubulações clandestinas utilizadas para esse fim.

Ninguém sabe ao certo o que contém a lama vermelha e os efluentes que a Hydro deposita na bacia DRS2, construída sobre uma reserva ecológica projetada para proteger comunidades pobres. Pior: a Semas autorizou o funcionamento mesmo sem qualquer licenciamento ambiental. Ou seja, a Hydro pode despejar o material perigoso e letal nessa bacia sem que ninguém possa acusá-la de nada.

Diante do risco de mais vidas humanas serem consumidas pelo câncer e outras enfermidades em proporção inexplicável em Barcarena, o juiz da 5ª Vara da Fazenda de Belém determinou, em ação civil pública ajuizada pela Cainquiama, que fosse realizado sorteio de 367 moradores – critério científico do Instituto Evandro Chagas, o IEC – a fim de obter amostragem das contaminações por meio de exames nos moradores do entorno da planta industrial. O IEC iria fazer esses exames.

A partir daí, constatado nível de contaminação considerado preocupante, seriam analisados os demais moradores. Ou seja, a medida era para apurar qual a extensão de contaminados e a partir daí verificar meios de tratamento. Não se trata de exames para obter valor de indenização, mas para tratar com urgência de pessoas, várias delas com a saúde agravada e outras que nem tiveram tempo de se submeter a qualquer exame, pois já morreram.

A Norsk Hydro se desesperou porque essa decisão do juiz coloca em risco o seu segredo guardado a sete chaves: o desconhecido potencial poluidor, que não consta em seu licenciamento ambiental na Semas e nem na sua autorização minerária na Agencia Nacional de Mineração. De tal modo ela protege isso e entra em pânico, que uma pesquisadora da UFPA colheu amostras da lama vermelha, em 2010, com autorização do Ministério Público Federal. A pesquisadora recebeu ameaças a ponto de destruir as conclusões da pesquisa feita.

O sorteio dos moradores que seriam analisados ocorreria hoje pela manhã, no Fórum Cível em Belém. Mas, por meio de uma liminar concedida ontem (7) em favor da Norsk Hydro pelo desembargador Luiz Neto, do Tribunal de Justiça do Pará, ficou decidido que as pessoas irão esperar até o final do processo para saber se devem ou não ser examinadas.

As tão conhecidas liminares utilizadas para todas as urgências de ricos e poderosos não podem ser concedidas quando se tratar de vidas humanas de pessoas pobres diante de uma multinacional que lucra R$ 21 bilhões ao ano só com a produção da Alunorte.

Pela liminar concedida pelo desembargador Luiz Neto, porém, as vítimas da Norsk Hydro devem esperar até o final do chamado “rito ordinário” – nome dado aos intermináveis processos -, apesar de 10 em cada 10 operadores do direito afirmarem que as medidas de urgência foram ampliadas pelo novo Código de Processo Civil.

Será que o desembargador Luiz Neto poderia ao menos conceder liminar obrigando que as vítimas não morram até o final do processo?

Essa decisão tem tudo para abarrotar o Judiciário paraense de ações de desvalidos e pessoas com doenças graves hoje reféns de grandes grupos multinacionais que matam e envenenam comunidades  inteiras.

Impunemente, diga-se.
Veja a íntegra da decisão do Desembargador Luiz Neto [Aqui!].
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Este artigo foi originalmente publicado pelo site Ver-O-Fato [Aqui!].

No Pará, atingidos por barragem da Norsk Hydro (Alunorte) adoecem e lutam por tratamento

Há um ano, vazamento da barragem operada pela mineradora atingiu cerca de 20 mil pessoas da cidade de Barcarena e comunidades vizinhas, e tem levado a casos de doenças infecciosas e câncer

 

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Mineradora Hydro Norte se nega a reconhecer as 20 mil atingidas pelo rompimento da barragem de bauxita

Por Redação RBA

São Paulo – Moradores do município de Barcarena, no interior do Pará, e de cidades vizinhas, protestaram nesta segunda-feira (18) em frente à empresa mineradora Hydro Alunorte responsável pelo vazamento de uma barragem que despejou rejeitos tóxicos na bacia do rio Murucupi e do rio Pará, contaminando a água e atingindo ao menos 20 mil pessoas.

O crime da empresa completou um ano neste mês de fevereiro, mas de acordo com denúncias dos manifestantes, até hoje a situação ainda está impune e a Hydro Alunorte se nega a reconhecer o número total de atingidos. Desde a degradação das águas dos rios que cercam diversas comunidades ribeirinhas, moradores têm convivido com doenças infecciosas até casos de câncer. “As pessoas estão morrendo caladas”, alerta a agricultura e uma das atingidas, Cleide Monteiro em entrevista à Rádio Brasil Atual

De acordo com o representante do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), no Pará, Robert Rodrigues, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado por representantes estaduais, federais e pela mineradora, foram reconhecidas 20 mil vítimas, mas, desse total, 13 mil foram cadastradas para receber indenização por parte da empresa, mas apenas 1.600 estão sendo indenizadas.

Nesta sexta-feira (15), representantes do Estado e da mineradora não compareceram à uma audiência pública marcada para determinar as próximas ações de recuperação. “O Ministério Público está sendo conivente com a empresa. E o governo do estado apesar de ter recebido no ano de 2018, R$ 250 milhões de royalties da mineração, não tem nenhum projeto, programa estadual de segurança de barragem ou um fundo que desvie esse dinheiro para ser aplicados para a população atingida”, critica o membro do MAB à repórter Beatriz Drague Ramos.

FONTE: Rede Brasil Atual [Aqui!]

Hydro anuncia fechamento de toda produção de alumina no Brasil

A Norsk Hydro suspenderá a produção de sua refinaria de alumina Alunorte, no Pará, que tem operado com metade da capacidade desde março devido a uma disputa ambiental, informou a empresa nesta quarta-feira, levando a uma queda de 13 por cento em suas ações, para uma mínima de 21 meses.

A decisão de paralisar a maior refinaria de alumina do mundo também desencadeou a paralisação de sua mina de bauxita de Paragominas, que abastece a Alunorte, e pode ter consequências para a produção de alumínio na fábrica próxima de Albras e em outras instalações da Hydro, disse a empresa.

fechaIMAGEM DA REFINARIA DA ALUNORTE: “a decisão de fechar a Alunorte e Paragominas terá consequências financeiras e operacionais significativas”, disse comunicado da empresa (Ricardo Moraes/Reuters)

“Embora seja cedo demais para determinar o impacto total, a decisão de fechar a Alunorte e Paragominas terá consequências financeiras e operacionais significativas, potencialmente também para o portfólio de alumínio primário da Hydro, incluindo a Albras”, disse a empresa em um comunicado.

A Alunorte produziu 6,4 milhões de toneladas de alumina em 2017, cerca de 10 por cento da produção global fora da China e o suficiente para produzir cerca de 3 milhões de toneladas de alumínio. Sua parada parcial no começo do ano elevou os preços de mercado para alumina e alumínio.

O corte original da produção ocorreu depois que a empresa admitiu ter feito liberações não autorizadas de água não tratada durante fortes chuvas. Embora a Hydro tenha dito que seus problemas foram corrigidos, ainda não conseguiu convencer as autoridades a permitir a normalização da unidade.

A decisão de interromper toda a produção foi tomada porque a área de depósito de resíduos da refinaria está perto da capacidade total e a disputa em andamento está impedindo a Hydro de usar uma instalação de resíduos recém-criada.

A empresa afirmou no início deste ano que declarou força maior em algumas entregas de alumina do Brasil.

“A Alunorte é a única fornecedora (de alumina) da Albras e é uma grande fornecedora de nossas fábricas de alumínio norueguesas. Vamos agora tentar cobrir nossa necessidade de alumina no mercado”, disse um porta-voz da empresa.

A decisão de fechar a Alunorte e Paragominas afetará “funcionários diretos e indiretos” em ambas as fábricas, disse a Hydro.

“Continuaremos trabalhando de forma construtiva com as autoridades para levantar o embargo e retomar as operações, a fim de restabelecer a Alunorte como a principal refinaria de alumina do mundo”, acrescentou a Hydro.

Fonte: Reuters (Oslo)

Brasil de fato lançou filme sobre barcarena no dia do meio ambiente

Cidade do Pará sofreu com 20 crimes ambientais graves nos últimos 15 anos; documentário “Tinha Gosto de Perfume: Barcarena e os Crimes Ambientais Impunes” conta histórias de moradores; exibição será nesta terça-feira 5 em São Paulo

barcarena

Brasil de Fato  O documentário Tinha Gosto de Perfume: Barcarena e os Crimes Ambientais Impunes, produzido pelo Brasil de Fato, retrata a realidade cotidiana dos cerca de 99 mil moradores da cidade de Barcarena, no Pará, que enfrenta gravíssima crise humanitária por conta de recorrentes acidentes causados pela indústria da mineração de bauxita para produzir alumínio.

Entre 2003 e 2018, foram 20 acidentes que resultaram em contaminação significativa da terra, do ar ou das águas de Barcarena, segundo um estudo da Comissão de Direitos Humanos da Alepa (Assembleia Legislativa do Pará). Isso significa uma contaminação grave a cada nove meses.

Um dos mais graves e recentes foi o transbordamento, em fevereiro de 2018, de material tóxico da bacia de rejeitos da Hydro Alunorte, multinacional norueguesa que explora jazidas no município, durante o período de chuvas. À época, houve contaminação de rios, igarapés, poços e nascentes na região.

A cidade de Barcarena tem aproximadamente, 31 mil crianças e adolescentes com idades entre 0 e 14 anos, o que representa 26,3% da população. O contato com a poluição e a contaminação constante causa doenças de pele, alergias e problemas respiratórios, entre outros tipos de doenças.

Danos ambientais

Outro impacto significativo ocorre sobre biodiversidade de rios e igarapés. A pesca, importante atividade de subsistência e geração de renda na região, foi interrompida por causa do sumiço dos peixes na bacia do rio Mucurupi, que tem 7 km de extensão e 20 afluentes.

Resíduos de contaminação de diversos acidentes ambientais e metais pesados estão depositados no fundo do leito do rio. Os pescadores relatam que os poucos peixes encontrados tinham “gosto de perfume” –citação que inspirou o título do documentário do Brasil de Fato.

O impacto na vida dos moradores também é econômico. Quase metade da população vive com uma renda inferior a 50% do salário mínimo. E apenas 20,8% dos moradores de Barcarena têm emprego com remuneração fixa.

Uma degradante fonte de renda que restou para centenas de moradores da cidade é a coleta de material reciclável, disputando espaço com urubus no lixão que fica próximo à Hydro Alunorte.

Para o documentário, foram feitas mais de 20 entrevistas, pesquisas e análises de dados. Ao todo, foram 25 horas de gravações e cinco dias convivendo com os moradores de Barcarena e ambientalisltas.

Lucro

A Hydro Alunorte ganhou do Estado do Pará uma isenção fiscal por 15 anos, que representa algo em torno de R$ 8 bilhões em impostos que não serão recolhidos. A multinacional, que tem negócios em outros 40 países ao redor do mundo, teve um lucro bruto de 11,2 bilhões de coroas norueguesas (R$ 4,5 bi).

Após o último acidente, a Hydro Alunorte forneceu água potável e disponibilizou atendimento médico, embora o número de exames realizados corresponda a apenas 2% da população.

Por outro lado, a multinacional norueguesa comunicou que, para apoiar a transformação social em Barcarena, pretende investir cerca de R$ 100 milhões (250 milhões de coroas norueguesas) em ações sociais nas comunidades por meio da Iniciativa Barcarena Sustentável –uma entidade legal financiada pela empresa, mas com gestão e estrutura independentes.

O gesto, porém, corresponde a 0,8% do lucro bruto global da empresa em um único ano.

Impunidade

Segundo a Hydro Alunorte, “nenhum transbordo foi evidenciado proveniente dos depósitos de resíduos sólidos em virtude das fortes chuvas de fevereiro. Entretanto, foram identificadas algumas situações relativas ao descarte de águas pluviais, que foram comunicadas pela Alunorte publicamente e confirmadas pelos estudos realizados pela força-tarefa interna e pela consultoria SGW, anunciados em 9 de abril”.

A empresa também informou que é responsável pela geração de cerca de 8.500 empregos diretos e indiretos em suas operações em Barcarena. Diz ainda que “estudos [da SGW consultoria, contratada por ela] apontam que não há evidências de que os descartes realizados tenham causado impacto ambiental significativo ou duradouro nos rios”.

A Alunorte também contesta o resultado e a precisão de dois estudos de impacto ambiental feitos pelo Instituto Evandro Chagas, que atestaram a contaminação dos rios, em fevereiro de 2018, logo após o vazamento.

A exibição do documentário Tinha Gosto de Perfume: Barcarena e os Crimes Ambientais Impunes, do grupo Brasil de Fato, será na terça-feira (5), na Casa do Baixo Augusta (rua Rego Freitas, 533, República –São Paulo/SP), a partir das 19h. O filme foi dirigido por Marcelo Cruz e Juca Guimarães. 

Logo após a exibição, haverá uma mesa de debate sobre Meio Ambiente com Karina Martins, coordenadora do MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração), e Gilberto Cervinski, dirigente nacional do MAB (Movimentos dos Atingidos por Barragens).

Confira a entrevista com Marcelo Cruz, um dos diretores do filme: 

 

FONTE: https://www.brasil247.com/pt/247/cultura/357297/Brasil-de-Fato-lança-filme-sobre-Barcarena-no-Dia-do-Meio-Ambiente.htm

 

 

 

Estudo da UFPA comprova que comunidades de Barcarena estão contaminadas com metais tóxicos

A pesquisadora Simone Pereira, do Laboratório de Química Analítica e Ambiental (Laquanam) da Universidade Federal do Pará (UFPA), não conteve as lágrimas. Depois de quase 3 anos, ela apresentou, na manhã de ontem (2), o resultado de 90 amostras de cabelo coletadas por moradores de 14 comunidades de Barcarena no ano de 2015. Chumbo, níquel e cromo são metais tóxicos que estão presentes nas amostras com níveis altos de contaminação nos organismos dos moradores. Na região, funcionam várias indústrias, incluindo a refinaria da mineradora Hydro Alunorte. 

“Levamos quase 3 anos para fazer essa análise. Isso por que o laboratório não teve recursos. Fizemos com recursos próprios. E nesse tempo, pessoas morreram”, afirmou, emocionada. “Espero que o Ministério Público Federal assuma, de fato, a indenização para essas famílias, mesmo algumas delas não estando mais presentes”. O resultado dos exames foi entregue no salão paroquial da Igreja de Vila do Conde, em Barcarena, na manhã de ontem (2).

Foram encontrados 21 elementos químicos no organismo das pessoas, o que foi uma surpresa para a própria pesquisadora. Entre esses elementos, 3 merecem atenção: níquel, chumbo e cromo, altamente cancerígenos. Nas amostras, os metais tóxicos estavam acima do permitido: níquel 2 vezes maior; chumbo 3 e cromo 5. Assim, podem causar uma série de problemas à saúde daquela população, principalmente no sistema nervoso central e nos ossos. “O alumínio, por exemplo, está quase 27 vezes maior que o permitido. A situação em Barcarena é crítica, difícil de ser entendida”, disse Simone. “E a presença desses metais vem ao longo de anos. De 2015 pra cá alguma coisa deveria ter sido feita. Outras pessoas ainda podem morrer e, com certeza, pode ter uma relação com a contaminação”, reforça. 

Ela explica que é preciso fazer exame de sangue para confirmar o nível de contaminação interna dos moradores, já que a análise do cabelo pesquisa apenas substâncias que estão sendo expelidas pelo organismo. “Agora, precisamos acelerar o processo para retirar as pessoas debaixo da área atingida. Para nós, a urgência é o tratamento da saúde dessas pessoas”, diz a agricultora de Vila do Conde, Cleide Monteiro, de 40 anos. 

“É difícil receber um resultado acima do esperado. Tenho medo de estar altamente contaminado. Vou tentar interpretar os exames e procurar o serviço de saúde”, desabafou o assistente social Lúcio Negrão, de 41 anos. Ele foi uma das pessoas que teve amostra do cabelo coletado em 2015. Atualmente, ele mora em Vila do Conde, porém, na época residia na comunidade Dom Manuel, mas precisou se mudar devido à poluição no ar. 

 Um deles mostra o resultado individual de contaminação (Foto: Wagner Santana)

Simone Pereira disse que exames surpreenderam (Foto: Wagner Santana)

 Deputados da CPI da Hydro acompanharam audiência (Foto: Wagner Santana)

CPI começa a realizar oitivas sobre as contaminações

Cópia do resultado das análises foi entregue pessoalmente aos deputados estaduais membros da Comissão Parlamentar de inquérito (CPI) que estiveram realizando a primeira atividade externa nas instalações da empresa Hydro, ontem (2) . O objetivo da Comissão é investigar os danos ambientais provocados pelas mineradoras instaladas no polo industrial de Barcarena.

Para o deputado Carlos Bordalo (PT), o resultado dos exames apresentados pela pesquisadora reforça que a situação de Barcarena é de calamidade pública, de emergência social. Segundo ele, após os 90 dias de apuração, a CPI vai apresentar um relatório sobre a atual situação daquele município e propor medidas concretas a serem adotadas para prevenir desastres ambientais. De acordo com o deputado José Scaff (MDB), com o trabalho da Comissão, a sociedade terá a resposta que tanto precisa. E isso também envolve a investigação da isenção fiscal que a empresa Hydro recebeu do Governo do Estado. “O Estado reclama que está com dificuldades e por que deu isenção até 2030 no valor de R$ 7 bilhões?”, questiona. “Iremos junto à Secretaria de Meio Ambiente para saber quais critérios foram adotados para conceder licença para a empresa operar”, garante o parlamentar.

Hoje (3), iniciam as oitivas da CPI. O advogado Ismael Moraes, da associação dos moradores de Barcarena, um subcomandante do Corpo de Bombeiros e um pesquisador em saúde pública do Instituto Evandro Chagas serão ouvidos a partir das 13h, na sede da Alepa.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)

FONTE: http://m.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-498230-comunidades-de-barcarena-estao-contaminadas-com-metais-toxicos.html?v=68

Três mulheres de Barcarena: ameaçadas, perseguidas e intimidadas

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Barcarena (PA) – Três mulheres estão ameaçadas de morte em Barcarena, no nordeste do Pará. Duas Marias e uma Ludmilla. Mulheres pobres, negras, ribeirinhas. Estão intimidadas, perseguidas e atemorizadas porque denunciaram a contaminação dos mananciais por resíduos sólidos da produção de bauxita da maior mineradora do mundo, a Hydro Alunorte. Em meio a tanta riqueza de alumina, a cidade não tem saneamento básico, água potável e sobram impactos ambientais e desigualdade social para todos os cantos desta porção da Amazônia Oriental.
   
As três mulheres ameaçadas participaram das mesmas manifestações que se intensificaram em fevereiro passado, quando lagos e poços artesianos de comunidades de Barcarena, a 40 quilômetros de Belém, foram atingidos pela lama vermelha despejada nos igarapés Bom Futuro, Burajuba e nos rios Murucupi, Tauá e Pará. O Instituto Evandro Chagas confirmou a contaminação hídrica. A denúncia teve repercussão internacional.   

A empresa multinacional norueguesa Hydro nega o vazamento de resíduos nos dias 16 e 17 do mês passado, mas pediu desculpas às comunidades de Barcarena por descartar água de chuva não tratada no rio Pará.

Maria do Socorro Costa Silva é presidente da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama) e moradora da comunidade de remanescentes quilombolas do Burajuba. Sua casa foi invadida por policiais militares em abril de 2016. Daí as ameaças não deram trégua.

“Sofro ameaças constantemente. Não sei o nome de ninguém, mas eles sabem quem eu sou. Sou ameaçada sempre porque nós denunciamos uma multinacional. Nós dissemos onde estavam as coisas erradas e provamos. A gente está botando a imagem dela [da Hydro] no chão”, afirma.

Ludmilla Machado de Oliveira, também da Cainquiama, acordou com o barulho de pedras contra as janelas de sua casa na comunidade quilombola Burajuba por volta das 3h da manhã do último domingo (18). Ela e a família não foram alvejadas porque dormiam, mas todos fugiram para Vila dos Cabanos, no centro de Barcarena. “Fico preocupada com a minha segurança, mas também com a da minha família. Se acontecer algo comigo, como é que eles ficam?”, questiona.

A terceira mulher ameaçada é Maria Salestiana Cardoso, 69, moradora da comunidade do Bom Futuro, que fica a 100 metros da bacia de rejeitos sólidos da mineradora Hydro, a DRS-2, que é alvo de investigação por poluição ambiental.

“Onde eu estou vejo um carro prateado, uma 4X4 prateada. Mas eu não tenho medo, eu não vou me calar, vou continuar denunciando o que acontece em Barcarena”, diz Maria Salestiana.

Em janeiro deste ano, o promotor Armando Brasil Teixeira pediu à Secretaria de Segurança “garantia de vida aos representantes da associação, considerando os fatos envolvendo suposta prática de crimes militares por policiais” às lideranças da Cainqueama, mas o pedido foi rejeitado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará (Segup). Para mulheres pobres, negras e ribeirinhas não há segurança.
 

Duas mortes de autoria desconhecida

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Casa de Paulo Sérgio, segundo tesoureiro da Cainquiama (Foto: Reprodução TV)

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Maria do Socorro (ao centro) no protesto após o vazamento de rejeitos em Barcarena (Foto: Cainquiama/Facebook)

 

Na linha de frente das denúncias de impactos socioambientais em Barcarena, a Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama) ingressou com duas ações contra a mineradora Hydro Alunorte por despejo ilegal de rejeitos da refinaria de alumínio nos lagos, igarapés e rios este ano. A associação representa 112 comunidades tradicionais. Além da Cainquima, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Pará (MP-PA) também têm ações nas quais acusam a mineradora de suspeita de fraudes nas licenças ambientais e na contaminação por rejeitos da produção de alumina no município.

Em 2009, quando a empresa Alunorte estava sob o controle da Vale, houve denúncias da Cainquiama, do MPF e MPPA, além de multas do Ibama. Mas nada foi alterado no cenário de Barcarena.

“Em 2009 todo mundo viu, ouviu, bateu foto do que ela fez e não fizeram nada. A empresa comprou todo mundo, inclusive algumas lideranças de comunidade. Saiu dando dentadura, máquina de costura, ‘merreca’ para os centros comunitários. Mas eu não preciso da miséria de ninguém. Meu povo precisa de respeito. Dessa vez vai ser diferente”, diz Maria do Socorro Costa Silva, presidente da Cainquiama.

“Eu só sei que vai ter mais gente morta. Pode ser que eu seja a próxima, porque dessa vez a gente levou o caso para o mundo inteiro”, concluiu ela.

A liderança afirma que, por causa das denúncias, é perseguida por motoristas em carros prateados. “Eles ficam à espreita. Sou quilombola, sou reconhecida, não tenho medo, a luta da escravidão corre no meu sangue. Não vou me calar. Nós queremos as nossas bacias hídricas despoluídas”, exige Socorro, 53 anos, que além de líder da associação é mãe.

Maria do Socorro afirma que teme acontecer um acidente pior na bacia da DRS-2 da Hydro. “Se aquilo ali romper, imagine só, a bacia tem 35 metros de altura, a nossas casas têm no máximo três, vai ser um desastre. Em Mariana [cidade soterrada com a lama da mineração da empresa Samarco, em Minas Gerais] só tinha lama, na lama vermelha tem alumina, tem soda cáustica.”

Segundo ela, as ameaças sofridas pelos membros da Cainquiama vão além das denúncias contra a Hydro Alunorte. “Todo mundo sabia e sabe do que acontece em Barcarena, mas eles fazem vista grossa. O Simão Jatene (governador do Pará pelo PSDB) sabia, os diretores da Hydro sabiam, o Luiz Fernando Rocha (ex-secretário de Meio Ambiente) sabia. Eles têm que ser preso. O Luiz Fernando foi quem deu uma licença fraudulenta para que construíssem a DRS-2. Então, eles não gostam do que a gente faz. Por isso estamos sendo ameaçados”, afirma.

No último dia 12, Maria do Socorro Costa Silva e Ludmilla Machado de Oliveira velaram o corpo do amigo e segundo-tesoureiro da Cainquiama, Paulo Sérgio Almeida Nascimento, 47 anos. Ele foi assassinado no Ramal Fazendinha, zona rural do município. Antes, em 22 de dezembro passado, outro líder da associação tombou: Fernando Pereira, também a tiros, em Barcarena. 

“Morreu o Fernando, morreu o Paulo Sergio, mas a verdade é que ela está nos matando lentamente. Cada dia a gente bebe a água (contaminada), cada dia a gente morre um pouquinho. Isso não é de agora, é de anos. Mas ninguém teve pulso de denunciar”, diz Socorro.

Ameaças depois de entrevistas

ludmillaLudmilla Oliveira, também da Cainquiama, em protesto em Barcarena (Foto: Maycon Nunes/Diário do Pará)

Moradora da comunidade quilombola do Burajuba, Ludmilla Oliveira conta à agência Amazônia Real que começou a receber ameaças depois que concedeu entrevistas a jornalistas que foram para Barcarena acompanhar os danos ambientais, em fevereiro. Ela não sabe dizer os nomes dos profissionais e nem suas respectivas empresas.  “Não sou membro da diretoria (da Cainquiama), mas sempre estou na luta. Não tenho medo da Hydro e nem de ninguém de dentro dela”, afirma.

Sobre o apedrejamento de sua casa, ela conta que estava em casa com o marido e os três filhos. “Acordamos com um barulho. Eram as janelas, que são de vidro, sendo apedrejadas. Era um barulho muito grande. Meu esposo quis sair pra ver o que era, mas não deixei. Gritamos perguntando se estava tudo bem e meus filhos responderam que estavam seguros. Mas não conseguimos sair do lugar e passamos a noite em claro. Pela manhã fomos constatar que a haviam jogado um tijolo com um pedaço de concreto para dentro de casa.”

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Pedras que atingiram a casa de Ludmila (imagens via Whatsapp).

A família fotografou o que chamou de atentado, mas não registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Barcarena. Ludmilla afirma que não confia na polícia, pois as mortes de Fernando e Paulo Sérgio estão impunes.

“A testemunha da morte do Paulo Sergio disse que viu a viatura da polícia perto do local onde ele foi morto. Então eu não tenho coragem de ir na delegacia registrar ocorrência. Não confio na polícia. Não confio no Governo do Estado. É uma desconfiança plena. Quem deveria nos defender não nos defende. O poder público deveria interceder pela gente, mandar uma medida protetiva, mas nada. Quantos ainda vão morrer por ter denunciado um crime desses? Quantas mães? Quantos pais de família?”, afirma a membro da Cainquiama.

Ludmilla disse que se dedicou muito aos protestos contra a mineradora Hydro e quer continuar, mas a família pede que recue. “A minha vontade é de continuar até o meu último fôlego, mas meus filhos e esposo querem que eu fique prisioneira em casa. Eu acho que parar de lutar não vai resolver. Eles já sabem quem eu sou. Onde eu tinha que aparecer, eu já apareci”, diz. “Mesmo com tudo isso, mesmo eu morrendo, pode ter certeza que a luta não vai parar.”

Fotos da família

Maria Salistano, em Barcarena (Foto: Jon Watts)

Maria Salistano mostra água contaminada, em Barcarena (Foto: Jon Watts)

A comunidade do Bom Futuro é uma das mais atingidas pela lama vermelha com resíduos de rejeito de bauxita da mineradora Hydro, segundo laudo do Instituto Evandro Chagas, na madrugada do dia 17 para o dia 18 de fevereiro. Lá vive Maria Salestiana Cardoso e sua família.

“Vi minha casa sendo inundada e pedi que o meu filho filmasse a situação. Sei como funcionam as coisas. No dia seguinte, a água ia ter baixado e eles iam falar que a gente estava mentindo. Então, se a gente não registra nada, ia ser como em 2009″, disse.

Aposentada, Maria Salestiana também relata, assim como Ludmilla, que começou a receber ameaças após conceder entrevistas a jornalistas que foram a Barcarena em fevereiro. Ela suspeita que entre os jornalistas haviam pessoas ligadas a mineradora Hydro.

“Falei com vários repórteres e sempre os recebi muito bem, mas dois me chamaram atenção. Eles queriam fotografar cada uma das pessoas da família. Passou um tempo, eu tenho um conhecido que trabalha dentro da Hydro. Ele me disse pra eu não dar mais entrevista porque tinham as fotos de todo mundo aqui de casa lá com eles. Confesso que fiquei assustada”, afirma. 

Maria disse que a poluição da lama vermelha de bauxita contaminou seus maiores bens na comunidade, sua plantação de árvores frutíferas, hortaliças, animais e o poço artesiano. “Tudo o que tem aqui está contaminado, e tudo foi plantado pela gente. A gente sabe que nada mais presta mais, nenhuma planta, árvore, água, nada. Até os animais morrem rapidamente, porque o solo não presta. O certo era a gente sair, mas não de qualquer jeito”, alerta. 
 

O que dizem as autoridades do Pará

A mineradora Hydro Alunorte enviou à reportagem a mesma nota que divulgou sobre a morte do tesoureiro da Cainquima, Paulo Sérgio Nascimento, na qual repudia as acusações de ameaçar e intimidar às lideranças de Barcarena.

“A Hydro condena firmemente qualquer ação dessa natureza e repudia qualquer tipo de associação entre suas atividades e ações contra moradores e comunidades de Barcarena. A empresa reforça que sua relação com a comunidade é pautada pelos valores da companhia e pelo respeito à legislação de proteção aos direitos do cidadão e do meio ambiente”, disse a empresa.    

Em resposta à reportagem ao pedido de segurança do promotor Armando Brasil Teixeira às lideranças da Cainquiama, a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará (Segup) disse que detectou que o pedido não havia sido seguido pela Promotoria Militar, órgão que pediu proteção para os membros da associação. Dessa forma, ela encaminhou o assunto para a Coordenação de Proteção a Vítima e Testemunha, vinculada à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), que analisou e identificou que o caso necessita ser acompanhado pelo programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. 
 
Para a Segup, o Programa de Proteção a Vítima e Testemunha representa o compromisso de proteger aquelas e aqueles que lutam pela efetivação dos direitos humanos no Brasil.

“A solicitação encontra-se em análise para a inclusão das pessoas nos programas pertinentes à situação de cada uma, haja vista que existem processos a serem realizados, como a elaboração do parecer técnico interdisciplinar. Ao final desta análise a decisão da inclusão será emitida pelo Conselho Deliberativo”, disse a secretaria.

A Polícia Civil, por meio da sua assessoria de imprensa, informou à reportagem que as equipes da Delegacia de Vila dos Cabanos e da Divisão de Homicídios trabalham na busca de suspeitas que tenham relação com a morte de Paulo Sérgio, mas que os detalhes ainda estão sendo resguardados para não prejudicar as investigações. Contudo, ainda não há uma linha de investigação fechada. A assessoria disse ainda que todas as possibilidades estão sendo apuradas dentro do inquérito, inclusive, a hipótese de envolvimento de policiais militares na morte de Paulo Sergio.

Esta reportagem faz parte do projeto “Olhando por dentro da floresta”, da Amazônia Real em parceria com Aliança pelo Clima e pelo Uso da Terra (CLUA).

Os textos, fotos e vídeos publicados no website da Amazônia Real estão licenciados com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia com os créditos dos autores e da agência.  

FONTE: http://amazoniareal.com.br/tres-mulheres-de-barcarena-ameacadas-perseguidas-e-intimidadas/

O teatro da Hydro-Alunorte: envenenamento das comunidades ribeirinhas, saqueio do subsolo e destruição da floresta Amazônica

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O Teatro do Real e a nossa missão: A Farsa da NORK HYDRO ASA que envenena Barcarena e a Amazônia.

A construção da ideologia que hoje denominamos desenvolvimento, herdeiro do progresso do século XIX, vem se materializando nos projetos políticos traçados para a Amazônia, desde as rodovias das décadas de 1960/70, passando pelas imensas plantas de geração de energia hidroelétricas, chegando aos parques industriais da mineração, dos imperadores do latifúndio e ultimamente as monoculturas de soja e de dendê.

Este enredo escrito para Amazônia teve seu mais recente ato: A farsa da NORKS HYDRO ASA. A empresa norueguesa atua no setor mineralógico desde inicio do século XX, perdeu sua mascara de personagem que no discurso do desenvolvimento “leva benefícios” aos habitantes onde se instala, mas não aqui no estado do Pará.

A HYDRO, fundada em 1905, tem como maior acionista o estado norueguês, bem como instituições dos Estados Unidos, Inglaterra e China, possuem relação comerciais com o Brasil desde a década de 70, adquirindo em 2010 os ativos de alumínio da VALE, dessa forma construiu uma companhia de alumínio global. Esse furto dos nossos minérios inclui: Bauxita (Paragominas-PA), participação majoritária da maior refinaria de alumina do mundo, a ALUNORTE, e também participação de 51% na empresa de alumínio do Brasil, a ALBRAS. Só no Pará, se somarmos o lucro de todas as empresas comandadas pela NORKS HYDRO ASA seu faturamento líquido está na ordem de R$ 11 bilhões em 2016, com lucro líquido de R$ 1,5 bilhão.

 “a missão da HYDRO é criar uma sociedade mais viável, desenvolvendo recursos naturais e produtos de maneira inovadora e eficiente”.

Na madrugada do dia 17-02-2018 ocorreu um fato, esse já antecipado pelos próprios moradores das comunidades ao entorno do empreendimento, o rompimento de barragens de rejeitos, referindo-se a SDR1 e SDR2, da empresa norueguesa em Barcarena no estado do Pará. As denúncias das práticas irregulares da empresa em relação às questões tanto sociais como ambientais não é fato novo. Treze comunidades ribeirinhas sofrem por esse crime, destas quadro foram diretamente afetadas Água Verde, Burajuba, Jesus de Nazaré, Jardim Canaã, sem falar da escala que essa poluição pode alcança, acentuando as dificuldades que esses empreendimento trazem para as populações próximas as barragens.

Imagem do Google Maps
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Essa contaminação que, segundo relatório do Instituto Evandro Chagas (IEC) RELATÓRIO Nº: 002/2018 PROCESSO Nº: 010/2018, ‘neste momento as águas apresentaram níveis elevados de Alumínio e outras variáveis associadas aos efluentes gerados pela Hydro Alunorte’. Porém em 2012, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) que analisaram 26 comunidades, verificaram que 24 delas a água estava com altas concentrações de Chumbo. Elemento químico muito nocivo a saúde física e mental, não será surpresa quando for diagnosticado altos números de câncer na população dessas comunidades.

blurbstory.com
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Assim, podemos perceber que a missão da HYDRO é construir uma sociedade viável: viável para saquear nosso subsolo e precarizar a vida das comunidades onde se instala. De inovador nada tem a mais! E ainda, no dia 19/03 anunciou ferias coletivas aos trabalhadores e trabalhadoras afirmando que não se trata de demissões. Ai sua grande missão como empresa rouba nossas riquezas, destrói com meio ambiente, envenena e mata as populações ribeirinhas e demite/ferias seus/aos trabalhadores.

O Teatro do Real e a Promiscuidade do Estado e Governos: O Cano dos Rejeitos Não Era da Hydro, Era de São Pedro. Até Santo Entra na Peça.

De acordo com governador Simão Jatene (PSDB-PA) a culpa do ‘acidente ambiental’ em Barcarena foi de responsabilidade da quantidade de chuvas que caiu no dia. Como bom fanfarrão de comedia que é Simão Jatene culpa as fortes chuvas pelo transbordamento das bacias de rejeitos SDR1 e SDR2 e a Secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS) que de sustentável não tem nada, a não ser os conchavos, corrupção e mutretas ali existentes, fechou os olhos para as irregularidades cometidas pela HYDRO. Sem licença ambiental para funcionamento das bacias de rejeito, tubulações clandestinas que despeja água não tratada – efluentes – diretamente nos igarapés Bom Futuro, Gurajuba e nos rios Murucupi e Tauá, na bacia do rio Pará são apenas alguns elementos do cenário dessa escabrosa peça.

CONTRA A QUARENTENA DA VIDA: só a luta com nossas próprias mãos para construir uma sociedade melhor, o caminho é por uma via popular, onde o povo pode fazer a gestão do seu lugar que a qualidade de vida estará.

A empresa norueguesa NORKS HYDRO ASA coloca nossas populações em quarentena, infectando e precarizando a forma de vida dos moradores, matando o povo pobre aos poucos. A destruição dos hábitos e costumes das comunidades, afetadas direta e indiretamente por esses crimes, a privação da vida por causa da contaminação nos mostra como esse modelo, desenvolvimentista, em nada trás de benefícios para nosso povo. O relato das populações ribeirinhas de Barcarena é mais salutar que qualquer laudo de pericia. As mazelas deixadas localmente por essa e outras empresas mineralógicas refletem em uma escala regional, quiça global, o falido modelo.

Cabe a nós, os de baixo, a construção de outro modelo, pautando as demais do nosso povo subalternizado, fazendo frente a essas empresas, colocando em cheque o lucro oriundo da destruição da floresta amazônica e do sangue de nosso povo.

CONTRA O ENVENENAMENTO DAS COMUNIDADES RIBEIRINHAS!

CONTRA A DESTRUIÇÃO DE NOSSA FLORESTA!!

CONTRA O FURTO DAS NOSSAS RIQUEZAS!!!

Federação Anarquista Cabana – FACA

FONTE: https://faca.noblogs.org/post/2018/03/21/o-teatro-da-hydro-alunorte-envenenamento-das-comunidades-ribeirinhas-saqueio-do-subsolo-e-destruicao-da-floresta-amazonica/