Em editorial, The Guardian afirma que o mundo não pode desviar os olhos do que está acontecendo na Amazônia

A visão do  “The Guardian” sobre o Brasil e a Amazônia: não desvie o olhar

Uma área desmatada de floresta perto de Porto Velho, estado de Rondônia, Brasil. Forest A floresta tropical pode parecer distante. Mas não podemos dar ao luxo de torcer as mãos e desviar o olhar. ‘Fotografia: Reuters

Editorial

Existe um consenso de que a cooperação internacional é necessária para limitar o perigo do aquecimento global há décadas. O sucesso da ação de retaguarda contra esse conhecimento, liderado por interesses em combustíveis fósseis, é uma catástrofe cuja extensão total ainda está por se desdobrar. Os banqueiros centrais agora estão exigindo que umatransição econômica inteira” siga a pandemia se o mundo quiser evitar as perturbações extremas que o aumento da temperatura de 4 ° C traria.

Indiscutivelmente, o caos desencadeado pelo coronavírus fez com que esse futuro parecesse menos remoto, e ações para evitá-lo mais necessário. O risco é que o vírus tenha o efeito oposto: focar as mentes na ameaça agora e não na que pode ser ignorada por mais alguns anos.

Em nenhum lugar esse perigo é maior do que no Brasil. O país mais populoso da América do Sul é responsável por 2,25% das emissões globais (em comparação, os EUA, com uma população 50% maior, emitem sete vezes mais). Mas a aceleração do desmatamento coloca o Brasil, que tem 60% da floresta amazônica dentro de suas fronteiras, no centro da luta para evitar o aquecimento global descontrolado. Isso ocorre porque a Amazônia é o maior sumidouro de carbono terrestre do planeta e desempenha um papel crucial no ciclo da água, além de fornecer um lar para mais espécies do que qualquer outro lugar em terra.

Vinte e oito anos atrás, em junho de 1992, a convenção-quadro da ONU sobre mudança climática foi aberta para assinatura no Rio de Janeiro. Mas desde que o presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, assumiu o cargo há 18 meses, seu governo sabotou anos de trabalho de ambientalistas e ativistas indígenas que visavam proteger a floresta tropical e, em vez disso, atiçou as chamas de sua destruição por madeireiros ilegais, mineiros e pecuaristas. . No ano até julho de 2019, as perdas dispararam para 9.800 km2 e pesquisas prevêem que a floresta tropical está a caminho de um ponto de inflexão que a tornaria um emissor de carbono em meados da década de 2030. Agora, teme-se que a pandemia de coronavírus acelere isso.

Na quinta-feira, o Brasil ultrapassou a Itália e se tornou o país com o terceiro maior número de mortos em Covid-19 (atrás dos EUA e do Reino Unido), depois que um registro diário de 1.743 mortes elevou o total para mais de 34.000. Enquanto Bolsonaro continua atacando medidas de saúde pública, a população indígena da região amazônica parece cada vez mais ameaçada por violência e doenças, com cinco assassinatos no estado do Maranhão em seis meses.

A floresta tropical pode parecer distante. Mas não podemos dar ao luxo de torcer as mãos e desviar o olhar. É preciso puxar todas as alavancas possíveis que possam influenciar o governo e a indústria de carne do Brasil. Nesta semana, o Guardian informou que os bancos do Reino Unido forneceram mais de US$ 2 bilhões em apoio a empresas ligadas ao desmatamento. Essas instituições agora devem estar sob pressão, juntamente com investidores americanos como a BlackRock. Assim como políticos e reguladores.

Será necessário um grande esforço internacional para preservar a floresta amazônica. O agronegócio é responsável por mais de um quinto do PIB do Brasil. Se a indústria de gado deve enfrentar restrições, também deve haver incentivos. Os negociadores internacionais de comércio e clima têm um trabalho duro pela frente. Também há um trabalho a ser feito pela opinião pública.

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Este editorial foi publicado originalmente em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

BrazilFoundation e Conservação Internacional lançam ação conjunta para arrecadação de fundos a comunidades da Amazônia

Iniciativa tem como objetivo financiar combate a COVID-19 por meio de instituições que estão atuando na linha de frente na região

BrazilFoundation » Na Amazônia, aliar inovação à valorização dos ...

A BrazilFoundation, organização de filantropia estratégica no Brasil, e a Conservação Internacional (CI-Brasil), uma das principais organizações ambientais do mundo, se unem em uma ação global para mobilizar recursos e oferecer ajuda humanitária aos povos indígenas e tradicionais da Amazônia brasileira. A ação Amazônia Sempre tem a meta de arrecadar R$ 5 milhões para financiar organizações sociais que desenvolvem projetos voltados para atender as necessidades destas populações e para a proteção da biodiversidade local, principalmente durante a pandemia da Covid-19 que ameaça suas vidas e seus meios de subsistência. A campanha já começa com força expressiva de sensibilização e uma importante doação: o banco BTG-Pactual deu o start doando um valor de R$ 100 mil reais.

As doações podem ser feitas pelo site brazilfoundation.org/amazonia a partir do dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.

Os recursos beneficiarão organizações que trabalham junto a populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas para impulsionar o desenvolvimento social e econômico local, conciliando a proteção da natureza. Além disso, as iniciativas devem estar atuando para combater os danos imediatos da COVID-19 nas comunidades indígenas e tradicionais amazônicas. Nesta ação, BrazilFoundation e CI-Brasil vão apoiar organizações que trabalham em conjunto aos seus programas, consideradas de referência na atuação direta com as comunidades que mais precisam.

“A Amazônia é um dos territórios mais suscetíveis aos danos causados pela crise devido à ausência ou dificuldade de acesso a serviços básicos. Por isso, nos unimos à Conservação Internacional para angariar fundos e colaborar para a proteção da Floresta Amazônica, de suas comunidades e das economias locais que dependem dela como fonte de alimento e atividade produtiva”, explica Rebecca Tavares, CEO da BrazilFoundation.

“Acreditamos que, por meio destas iniciativas, além de protegermos os guardiões da floresta, estamos contribuindo para a justiça social dessas comunidades que vivenciam inúmeros conflitos cotidianamente. Os povos da floresta cumprem um papel fundamental na proteção da Amazônia, o que consequentemente garante bem-estar para todos, independente da distância física que estejamos da floresta, por meio dos serviços ambientais que o bioma nos brinda, como o regime de chuvas que nutre a produção de alimentos, a qualidade do ar que respiramos e a estabilidade climática, entre outros benefícios para prosperarmos como sociedade”, ressalta Mauricio Bianco, vice-presidente da CI-Brasil.

As doações garantirão o apoio imediato a milhares de famílias vulneráveis e, a longo prazo, o investimento em ações de proteção da floresta, da biodiversidade e das populações indígenas tradicionais da Amazônia.

“A missão da Conservação Internacional é salvaguardar a natureza para o bem-estar da humanidade – uma missão que é impossível de ser realmente alcançada nas sombras do preconceito e da injustiça profundamente arraigados”, explica M. Sanjayan, CEO da Conservação Internacional.

O designer brasileiro Francisco Costa é um dos embaixadores da iniciativa e atuará ativamente com sua rede de em prol da ação. “Me sinto honrado em ajudar a inspirar a campanha #AmazoniaSempre ao lado de duas organizações sem fins lucrativos, que fico feliz em chamar de meus parceiros”.

Sobre a BrazilFoundation

A BrazilFoundation mobiliza recursos para ideias e ações que transformam o Brasil. A fundação trabalha com líderes, organizações sociais e uma rede global de apoiadores para promover igualdade, justiça social e oportunidade para todos os brasileiros. Em 20 anos de atuação, a BrazilFoundation já arrecadou mais de US﹩ 53 milhões que foram investidos em mais de 625 organizações sociais de todo o país nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Desenvolvimento Socioeconômico e Direitos Humanos.

Sobre o Fundo Amazônia da BrazilFoundation

O Fundo Amazônia foi criado pela BrazilFoundation com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento sustentável de pessoas e comunidades da Amazônia brasileira, por meio do apoio a ações para a conservação da biodiversidade e desenvolvimento socioeconômico local.

Sobre a Conservação Internacional (CI-Brasil)

A Conservação Internacional usa ciência, política e parcerias para proteger a natureza da qual as pessoas dependem para obter alimentos, água doce e meios de subsistência. Fundada em 1990 no Brasil, a Conservação Internacional trabalha em mais de 30 países em seis continentes para garantir um planeta saudável e próspero, que sustenta a todos.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:

BrazilFoundation

Conservação Internacional:

Priscila Steffen: psteffen@conservation.org

Revelado: Bancos e investidores britânicos investiram R$ 10 bilhões em frigoríficos brasileiros ligados ao desmatamento na Amazônia

Investigação revela laços entre instituições financeiras e três empresas brasileiras ligadas à destruição ambiental

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Os incêndios florestais na Amazônia atingiram um recorde em 2019. Fotografia: Carl de Souza / AFP

Bancos e instituições financeiras britânicos forneceram mais de US$ 2 bilhões (em torno de R$ 10 bilhões) em apoio financeiro nos últimos anos a empresas brasileiras que atuam na produção de carne bovina que foram ligadas ao desmatamento na Amazônia,  uma nova pesquisa de pesquisa acaba de revelar

 Milhares de hectares da Amazônia estão sendo derrubados todos os anos para o plantio de pastagens e para garantir o fornecimento de carne bovina para os mercados mundiais.

Além de fornecer apoio financeiro ao Frigorífico Minerva, a segunda maior exportadora de carne bovina do Brasil, e à Marfrig, a segunda maior empresa  brasileira de processamento de carne, as instituições financeiras com sede no Reino Unido detém dezenas de milhões de dólares em ações da JBS, a maior empresa de carne do mundo.

Todas as três empresas envolvidas na produção de carne bovina foram ligadas ao desmatamento em suas cadeias de suprimentos, embora digam que estão trabalhando para monitorar seus fornecedores e mitigar riscos.

A Marfrig, uma empresa brasileira de carnes que fornece cadeias de fast-food em todo o mundo, foi flagrada comprando gado de uma fazenda que usava terra desmatada no ano passado.

A JBS continua incapaz de monitorar uma proporção significativa de seus fornecedores, apesar de operar pesadamente na Amazônia, enquanto no ano passado a Marfrig admitiu que mais da metade dos bovinos que abatia eram originários de fornecedores indiretos, os quais não  a empresa não tinha como monitorar.

De acordo com uma investigação conjunta do  “The Guardian”, pela Unearthed e  pelo Bureau of Investigative Journalism, dados financeiros entre janeiro de 2013 e maio de 2019 mostram que o HSBC subscreveu US $ 1,1 bilhão em títulos da Marfrig e US $ 917 milhões do Minerva, e também possuíam quase US $ 3 milhões em ações da JBS.

A Schroders possuía US $ 14 milhões em títulos da Marfrig e US $ 12 milhões em títulos da Minerva, enquanto a Standard Life Aberdeen possuía US $ 10 milhões em títulos da Marfrig e US $ 3 milhões em ações da JBS. A Prudential UK possuía US $ 23 milhões em ações da JBS e US $ 5 milhões em títulos da Minerva.

Os bancos freqüentemente detêm títulos e ações em nome de clientes que investem através de seus fundos de gerenciamento de ativos.

Outras instituições europeias forneceram US $ 2,1 bilhões adicionais em apoio. O Santander subscreveu US $ 1,4 bilhão em títulos nas três empresas. O Deutsche Bank subscreveu US $ 69 milhões em títulos da Marfrig e emprestou à JBS US $ 57 milhões.

As instituições européias também detinham participações significativas na JBS: Crédit Agricole, Deutsche Bank e Santander investiram US $ 37 milhões, US $ 12 milhões e US $ 7 milhões, respectivamente. Todos os dados estavam corretos em maio de 2019.

A Comissão Europeia está considerando novas regras de relatórios financeiros à luz da crise do coronavírus que exigiria que bancos, seguradoras e empresas listadas divulgassem sua exposição à perda de biodiversidade e ao risco de pandemia. Os cientistas já alertaram que o desmatamento está aumentando o risco de novas doenças emergirem.

Algumas das instituições financeiras disseram ao “The Guardian” que estavam se engajando com as três empresas por causa do desmatamento e poderiam reconsiderar seu apoio se vissem progresso insuficiente.

As três empresas envolvidas na produção de carne afirmam estar confiantes de que as fazendas onde as compras de gado abatido em suas plantas não estão envolvidas no desmatamento, mas também aceitam que não podem saber a origem de alguns animais que passaram por outras fazendas anteriormente.

Em um comunicado, a JBS afirmou ter bloqueado milhares de fornecedores diretos por violar regras relativas ao desmatamento, e que estava trabalhando com o governo federal e com a indústria brasileira para desenvolver soluções para monitorar fornecedores indiretos.

O Frigorífico Minerva afirmou que “não existem dados e estatísticas acessíveis e confiáveis ​​sobre toda a cadeia de rastreabilidade de gado” no Brasil e que está avaliando uma nova ferramenta desenvolvida pela Federação Nacional da Vida Selvagem e pela Universidade de Wisconsin para monitorar fornecedores indiretos. A Marfrig disse que estava desenvolvendo uma ferramenta para combater o risco de comprar de fornecedores indiretos que não pode monitorar.

“Nenhuma instituição financeira do Reino Unido deve lucrar com a destruição de florestas tropicais ou outros habitats preciosos no Brasil ou em qualquer outro lugar. Se o governo alega que a liderança global no clima tem algum significado, deve parar de fechar os olhos para os vínculos entre os bancos britânicos e o desmatamento na Amazônia, introduzindo uma regulamentação forte, penalidades severas e disposições rigorosas sobre a transparência pública total de questões ambientais e sociais. impactos de todas as carteiras de investimentos ”, disse Caroline Lucas,  parlamentar verde do Brighton Pavilion.

stopA Extinction Rebellion UK se reúne em frente à empresa de investimentos BlackRock para desafiá-la por suas responsabilidades com a crise climática. Foto: Guy Bell / Alamy

Em resposta às descobertas, um porta-voz da Aberdeen Standard Investments disse que: “definitivamente, existem deficiências no monitoramento da cadeia de suprimentos para toda a indústria de carne bovina no Brasil, mas essas práticas estão melhorando em toda a indústria e o ativismo dos investidores desempenha um papel importante nesse desenvolvimento. No momento, continuamos investindo, mas isso pode mudar dependendo de vários fatores. ”

Schroders disse que estava em diálogo com a Minerva e a Marfrig e que “se não víssemos esses sinais de progresso, certamente consideraríamos mudar nossas recomendações para essas empresas”.

O Deutsche Bank disse que não financia atividades onde há evidências claras e conhecidas sobre o desmatamento de florestas primárias, áreas de alto valor de conservação ou turfeiras, extração ilegal de madeira ou uso não controlado e / ou ilegal de fogo. O Crédit Agricole disse que não financia projetos em terras desmatadas com alto valor de biodiversidade.

A Prudential UK afirmou estar se envolvendo ativamente com empresas que operam na região amazônica para encontrar soluções. O HSBC disse que conduzia análises de clientes por seu compromisso com práticas de negócios sustentáveis. O Santander disse que conduz revisões anuais de mais de 2.000 clientes no Brasil, incluindo aqueles que são grandes produtores de soja, comerciantes de soja e frigoríficos, especialmente sobre sua cadeia de suprimentos.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Antiambientalismo de Bolsonaro atrapalha o comércio do Brasil com exterior

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O Parlamento Holandês aprovou ontem uma moção contra a ratificação do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia (UE). Para a maioria dos deputados holandeses, o acordo provocaria maior desmatamento na Amazônia e no Cerrado, além de criar uma concorrência desleal para os agricultores europeus, que teriam de observar normas mais rígidas do que os seus colegas sul-americanos. Segundo comentário feito por Marcelo Godoy no Estadão, “em um país tradicionalmente liberal e voltado para o livre-comércio, o voto dos parlamentares holandeses foi uma virada.”

No mês passado, o Parlamento Europeu publicou uma análise sobre os riscos ambientais, econômicos e comerciais da ratificação do acordo. O documento se foca no Brasil, onde a antipolítica ambiental de Bolsonaro e Salles é o principal obstáculo para que o acordo saia do papel.

Como O Globo disse em seu editorial de ontem, a política ambiental do governo Bolsonaro permeia a análise e levanta as principais dúvidas que impedem a ratificação do acordo comercial (que demorou mais de 20 anos para ser negociado). Mais do que isso, o “radicalismo antiambientalista exibido pelo governo Bolsonaro já é pretexto de cartéis europeus de alimentos para um programa protecionista, de substituição de importações de proteínas hoje adquiridas no Brasil e na Argentina”.

Em suma, além de comprometer o acesso a mercados que ainda são fechados para o comércio exterior brasileiro, a irresponsabilidade do governo Bolsonaro para com o meio ambiente está servindo de justificativa para que a União Europeia discuta o estabelecimento de restrições de acesso em mercados para os quais já vendemos.

Óbvio que essa situação não foge à atenção dos setores exportadores brasileiros, cada vez mais temerosos sobre as consequências dos devaneios ambientais de Jair Bolsonaro e Ricardo Salles sobre o comércio exterior do país. Como bem lembra O Globo, os grandes exportadores não aceitaram participar do anúncio pró-Salles publicado na semana passada.

Em tempo: Matéria do Nexo Jornal faz um panorama do “sinceridício” de Ricardo Salles na reunião ministerial de 22 de abril e da reação de ambientalistas e empresários à fala da “boiada”. A matéria reconstitui a campanha #NomeAosBois, promovida por organizações da sociedade civil para questionar a participação de grandes empresas no anúncio pró-Salles.

ClimaInfo, 4 de junho de 2020.

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Este artigo foi inicialmente publicado pelo ClimaInfo [Aqui!].

Nota técnica do INPE alerta sobre efeitos devastadores da explosão do desmatamento na Amazônia em 2020

Desmamento acumulado entre 1 de agosto de 2019 e 14 de maio de 2020, já representa 89% da área detectada para o periodo equivalente em 2018/2019.

Smoke billows during a fire in an area of the Amazon rainforest near Porto VelhoOndas de fumaça emergem de um incêndio florestal em Rondônia em 2019.  Reuters

Uma nota técnica preparada pelo Laboratório de Ecossistemas e Ciências Ambientais nos Trópicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresenta dados  que deverão gerar repercussão internacional, na medida em que mostram um avanço consistente do desmatamento na Amazônia brasileira, e um recuo nos dispêndios financeiros por parte do governo Bolsonaro em medidas que pudessem frear este processo. 

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A referida nota técnica afirma, entre outras coisas, que “no ano de referência (2019/2020), a área de alertas de desmatamento acumulada entre , com uma projeção de desmatamento de 9.319±480 km2″ .  A nota acrescenta ainda que tal “estimativa de desmatamento corresponde a aproximadamente de 95% da taxa oficial de desmatamento em 2019 (9.762 km2)“. E que “sem uma intervenção imediata, espera-se que as atividades de desmatamento continuem crescentes nos próximos meses, como observado no mesmo período em 2019, e que mais um recorde de desmatamento na história recente da Amazônia brasileira” .

Os dados apresentados na nota técnica do INPE também  mostram que o estados do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas concentram o grosso do desmatamento, que agora avança de forma consistente dentro de unidades de conservação.(ver figura abaixo).

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E como onde há desmatamento, há fogo, a nota técnica aponta que a intensificação do
processo de desmatamento “resultará diretamente em mais eventos de queimadas na Amazônia em 2020”.  Além disso, a nota prevê que “o fogo do desmatamento, quando combinado com mais fontes de ignição, mais bordas florestais e a possibilidade de um clima mais seco, deverá intensificar a disseminação de focos de incêndio de forma descontrolada na paisagem, gerando incêndios como os observados em 1998, 2005, 2010, 2015/2016”, o que já está ocorrendo mesmo que a alta estação das queimadas não tenha sido iniciada (ver figura abaixo).

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Por outro lado, a nota técnica também indica clara preocupação com a redução orçamentária ocorrida no IBAMA para possibilitar as ações de Normatização e Fiscalização em 2020, pois houve na Lei Orçamentária Anual (LOA), traduz-se pela redução de R$ 97,6 milhões em 2019 para R$ 76,8 milhões em 2020,  o representa 21%  a menos para o financiamento das ações que poderiam impedir o avanço das atividades ilegais que hoje aceleram os processos de desmatamento e degradação dos biomas amazônicos. Mais grave ainda é que chegando ao sexto mês do ano,  o valor empenhado para a realização das ações de controle ambiental não está próximo sequer da metade do mínimo necessário para atingir a redução de desmatamento planejada para 2020 (ver figura abaixo).

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A nota conclui que é imperativo os cenários já ocorrendo no chão da Amazônia para que se evite a degradação ambiental, a propagação de queimadas, e o aprofundamento do colapso do sistema de saúde nos estados amazônicos que já se encontram sob forte pressão por causa do avanço desenfreado da pandemia da COVID-19.

Quem desejar ler a íntegra da nota técnica do INPE, produzida em conjunto com o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), basta clicar [Aqui!].

Com o “passa boiada” de Salles e Bolsonaro, Brasil é líder mundial de desmatamento

Em 2019, o mundo perdeu um campo de futebol da floresta tropical a cada 6 segundos.

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As recentes repercussões negativas das declarações do ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, no sentido de que se aproveitasse a pandemia da COVID-19 para que “se passasse a boiada” na legislação ambiental brasileira certamente vão ganhar impulso com a divulgação dos dados anuais de desmatamento no mundo pelo “Global Forest Watch”.

Ricardo Salles aproveita pandemia e “passa boiada” no Projeto ...A política “passa a boiada” de Ricardo Salles colocou o Brasil no topo do desmatamento mundial em 2019. Em 2020 poderá ser ainda pior.

É que, dentre tantas comprovações científicas, há o fato de que o Brasil se tornou o líder mundial na perda de florestas tropicais, representando sozinho um terço de todo o desmatamento ocorrido no mundo em 2019, com o incrível total de 1 milhão e 361 mil hectares de remoção de vegetação nativa (ver gráfico abaixo).

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Os dados sobre desmatamento em reservas indígenas também deverão causar grande alarme mundial, na medida em que apenas no estado do Pará, as análises espaciais feitas pelo Global Forest Watch mostram que  novos pontos de perda preocupantes em terras indígenas (TIs), sendo que apenas na TI Trincheira / Bacajá,  houve um forte crescimento do desmatamento como resultado da apropriação ilegal de terras , enquanto que  a mineração ilegal ameaça florestas em  outras TIs como as de Munduruku e Kayapó (ver figura abaixo).GFW 2

Outro aspecto é que a evolução temporal do desmatamento em áreas consideradas como “estabilizadas” em termos de titulação da propriedade da terra aponta para a remoção total da vegetação primária, o que acabará forçando o avanço para áreas ainda intocadas de floresta, na medida em que os solos amazônicos são majoritariamente de baixa fertilidade e se tornam impróprias mesmo para o plantio de plantagens após algumas décadas (ver exemplo abaixo da evolução do desmatamento em Alto Paraíso, Rondônia).

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Este vídeo não existe

O relatório do Global Forest Watch também aponta para algo que se tornará, inevitavelmente, um calcanhar de Aquiles para o agronegócio brasileiro que é justamente a postura “passa boiada” do governo Bolsonaro que foi tão enfaticamente defendida por Ricardo Salles na reunião ministerial de 22 de abril. É que está obviamente claro que o governo Bolsonaro não possui outra intenção que não seja avançar a franja de desmatamento para regiões ainda intocadas da Amazônia brasileira.

E certamente a pressão para boicotes contra as commodities brasileiras irá aumentar sensivelmente quando as primeiras grandes queimadas de 2020 começarem a levantar montanhas de fumaça. A essas alturas do campeonato, uma nova estação de queimadas intensas é mais do que uma certeza, e Ricardo Salles não terá como esconder tanto fogo e fumaça.

Empresas renegam apoio à “boiada” de Ricardo Salles

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O anúncio publicado na semana passada por associações empresariais em favor da política ambiental de Ricardo Salles acabou saindo pela culatra. Diversas empresas que fazem parte de associações signatárias reagiram duramente e desautorizaram seu endosso. Algumas chegaram a pedir desfiliação das associações.

De acordo com Joana Cunha, na Folha, o resort Beach Park e a rede de hotéis Bourbon comunicaram sua saída da Associação para Desenvolvimento Imobiliário e Turístico (ADIT), uma das signatárias do anúncio pró-Salles. A ABIHPEC, entidade representativa da indústria de cosméticos, retirou seu endosso após ser pressionada por gigantes do setor como o Grupo Boticário, a Natura e L’Occitane.

No agronegócio, a reação à campanha pró-Salles também não foi boa. Ouvido por Giovana Girardi no Estadão, o presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), Marcello Brito, avaliou que tanto a peça publicitária quanto o discurso do ministro Salles sobre “passar a boiada” por cima das regulamentações ambientais são contraproducentes e comprometem o esforço do setor para desburocratizar processos na agricultura: “Não precisa passar coisas de baciada. Pegou mal. Pega mal pro agro. E veja bem.: não era a ministra da agricultura que estava falando, era o ministro do meio ambiente. Tem um processo meio maluco nisso aí”.

Outro porta-voz importante do setor, Pedro de Camargo Neto, que trabalhou no Ministério da Agricultura sob o governo FHC e servia como vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), renunciou ao posto por conta do apoio da entidade ao ministro Salles. “Fui contra assinar o anúncio de apoio ao Ministério do Meio Ambiente que entendo ser equivocado e que fere meus princípios. Pretender usar o momento de dor e mesmo pânico na Saúde Pública para aprovar medidas contra a burocracia fere meus princípios”, disse Camargo Neto à Mônica Scaramuzzo no Estadão.

Enquanto empresas e sociedade civil discutem a “boiada” de Salles, a verdade cruel é que o ministro está avançado em seu esforço de enfraquecimento do regramento ambiental, algo evidente pela explosão no desmatamento nos principais biomas brasileiros. Como bem coloca Eudes Lima na IstoÉ, “a boiada já está no pasto”.

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Este texto foi originalmente publicado pelo ClimaInfo [Aqui!].

Le Monde faz matéria sobre Tereza Cristina, a “Madame Desmatamento”

Tereza Cristina madame desmatamentoTereza Cristina, a “Madame Desmatamento, no seu escritório no Ministério da Agricultura em Brasília. 

Os leitores do jornal francês “Le Monde” foram premiados hoje com uma ampla matéria sobre os feitos da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a quem o jornalista Bruno Meyerfeld conferiu, com rara felicidade, o título de “Mme Déforestation”, ou “Madame Desmatamento”.  Essa matéria apresenta Tereza Cristina como o “rosto respeitável de um governo de loucos”, mas nem por isso menos responsável pelos números estratosféricos de desmatamento que vão marcar o ano de 2020 como um dos piores desde que o acompanhamento foi iniciado para medir a perda anual de florestas na Amazônia brasileira.

tereza cristina le monde

Um número que deverá causar espanto aos leitores franceses é o dos 1.202 km2   de floresta tropical que desapareceram nos primeiros quatro meses de 2020,  o equivalente a mais de 1.400 campos de futebol por dia.  Este valor recorde de desmatamento, ressalta a matéria, ocorreu no meio da estação das chuvas, e se soma aos 10.000 km2 destruídos no ano passado.

Bruno Meyerfield também informa na matéria o apelido de “Musa do Veneno” que Tereza Cristina ganhou enquanto ocupava o posto de líder da famigerada “Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), mais conhecida como “bancada ruralista”, onde defendeu com unhas e dentes a aprovação desenfreada de agrotóxicos altamente venenosos, coisa que agora ela faz com incrível celeridade enquanto segura a caneta de ministra da Agricultura.

Um ponto que é marcado na reportagem é a fala de Tereza Cristina no sentido de que ela é ouvida por Jair Bolsonaro, que lhe dá “total liberdade para expressar sua opinião”.  Até onde essa liberdade total vai é sempre uma questão a se medir, mas não há dúvida que Tereza Cristina vem realizando com maestria o papel duplo de fazer avançar os interesses daqueles que se beneficiam com o avanço o processo de desmatamento que, muitas vezes, agem juntos com os produtores de agrotóxicos que são despejados nas áreas que estão perdendo florestas.  Não é por outra razão que Tereza Cristina favorece por um lado a liberação de um número recorde de agrotóxicos banidos na União Europeia e, por outro, se posiciona de forma inequívoca na defesa da “MP da Grilagem de Terras”. 

Por tudo que aparece na matéria do “Le Monde” é que considero um equívoco deixar Tereza Cristina operando tranquilamente no segundo plano que ela escolheu, enquanto toda a atenção é jogada sobre o improbo ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, Ricardo Salles.  É que objetivamente, Ricardo Salles vem jogando o papel de “boi de piranha” e não de “passador de boiada”, já que é Tereza Cristina quem operacionaliza a ação devastadora do latifúndio agro-exportador sobre nossos ecossistemas naturais.  Mas, felizmente, sempre há um “Le Monde” da vida para nos mostrar isso, já que a mídia corporativa brasileira prefere se omitir em nome de seus próprios interesses.

 

Propaganda pró-Salles não teve o aval de empresas

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Na 3ª feira (26/5), os principais jornais do Brasil estamparam um anúncio em defesa da gestão de Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente assinado por diversas associações setoriais. Eram tantos nomes que não dava para ler direito e identificar quem eram os signatários da peça. Quem olhasse apenas a sopa de letras poderia imaginar que o apoio das organizações empresariais à política ambiental brasileira atual era generalizado e amplo. No entanto, como muita coisa vinda desta gestão, boa parte daquilo era fake news.

Algumas das principais empresas filiadas às associações signatárias do anúncio rejeitaram seu envolvimento e contestaram a participação das associações setoriais. Entre elas a Natura e a Avon, filiadas à Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), uma das signatárias do anúncio. As duas empresas disseram não aprovar a peça e não terem sido consultadas sobre ela. “Os índices de desmatamento no Brasil são alarmantes e existe uma urgência real por mais fiscalização e cumprimento da legislação. A gente discorda dessa manifestação de apoio”, respondeu a Natura. O Boticário foi na mesma direção e adicionou pedido à ABIHPEC para que esta retire sua assinatura do anúncio.

Beach Park também contestou seu envolvimento no anúncio e acusou a Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT), outra signatária da peça, de não ter feito nenhuma consulta aos seus associados: “O Beach Park não foi consultado sobre esse material e não tinha conhecimento da publicação”, informou a empresa no Twitter. “Já formalizamos nossa reclamação à ADIT e pedimos a desfiliação da associação. Estamos juntos com todos os que defendem o meio ambiente”.

Da mesma forma, o gigante da hotelaria francesa, Accor Group, acusou a ADIT de não ter consultado seus associados sobre o anúncio. “[A] Accor é fortemente comprometida em reduzir sua pegada de carbono. Esse anúncio não representa nem os valores do Grupo nem seu engajamento diário. Estamos em contato com a associação e pedimos por um esclarecimento oficial”.

Também responderam na mesma linha o grupo Bourbon de hotéis, os resorts Txai, a L’Occitane, a Mars (Whiskas, Pedigree e Royal Canin), a licenciadora da marca Turma da Mônica, a Batavo e a gigante do agro Marfrig.

O anúncio em favor de Salles pode ter aprofundado ainda mais o racha dentro do agronegócio brasileiro. No Valor, Daniela Chiaretti e Fernando Lopes falam de uma divisão entre empresas exportadoras, mais modernas e sensíveis aos humores do mercado externo, e entidades mais conservadoras, fortemente alinhadas com o governo Bolsonaro.

Já o De Olho nos Ruralistas fez uma análise detalhada sobre os signatários do anúncio e identificou que alguns deles também são os principais financiadores da bancada ruralista no Congresso Nacional.

Ainda que o agronegócio tenha sido o carro-chefe do anúncio pró-Salles, a articulação em torno dele saiu do setor de construção civil, informa Mauro Zalafon na Folha. Isso é nítido na lista de signatários: das 87 entidades que assinaram o anúncio, apenas 30 são relacionadas ao agronegócio; todas as demais estão ligadas às áreas de comércio, indústria, construção e administração de imóveis urbanos.

Em tempo 1: Atingido em cheio pelo “boiada-gate” de Ricardo Salles, o PL 2.633 tenta avançar na Câmara dos Deputados depois de ter sido retirado da pauta da Casa na semana passada em virtude de desavenças entre o texto do relator Marcelo Ramos (PL-AM) e o governo federal e a oposição da sociedade civil. Ramos informou ontem que insistirá na votação do PL, eventualmente ainda na semana que vem. O governo segue pressionando para que o PL incorpore os pontos mais problemáticos da falecida MP 910, como a ampliação da isenção de vistoria para imóveis de até 15 módulos fiscais e a mudança da linha de corte temporal para titulação das terras de 2008 para 2012.

Em tempo 2: O ministro Salles parece estar fazendo escola. A ministra de energia da província canadense de Alberta disse, em uma entrevista, que “agora é um ótimo momento para construir um oleoduto porque não pode haver protestos com mais de 15 pessoas. Vamos construí-lo.” Segundo a matéria do The Globe and Mail, o entrevistador achou graça e riu. A ministra, não.

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Este artigo foi inicialmente publicado pelo ClimaInfo [Aqui!].

Live global reunirá Jane Fonda, Wagner Moura, Morgan Freeman, Maria Gadu, Peter Gabriel e Carlos Nobre em prol dos povos da Amazônia nesta quinta

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Amanhã, 28 de maio de 2020, Jane Fonda, Morgan Freeman, Carlos Santana, Peter Gabriel e vários outros artistas se unirão a líderes indígenas, cientistas e uma ampla coalizão de ONGs no Artists United for Amazonía: Protecting the Protectors, um evento global de duas horas, das 21:00 às 23:00 pelo horário de Brasília, com transmissão ao vivo via Facebook e artistsforamazonia.org

Produzido por Artists for Amazonía, o evento será apresentado pela ativista, atriz e co-estrela de “Game of Thrones” Oona Chaplin e promoverá o Fundo de Emergência da Amazônia, lançado no mês passado por uma coalizão de organizações indígenas, ONGs e aliados para responder às necessidades urgentes de povos indígenas da Amazônia ameaçados pela COVID-19. Os recursos arrecadados serão utilizados para prevenção e atendimento imediatos; alimentos e suprimentos médicos; comunicações de emergência e evacuação; proteção e segurança para territórios indígenas; e soberania alimentar e resiliência da comunidade. O Fundo de Emergência da Amazônia pretende arrecadar US﹩ 5 milhões nos próximos 60 dias para que os Guardiões da Floresta se protejam contra a pandemia nos nove países da Amazônia.

O Artists United for Amazonía terá uma mistura inspiradora de apresentações musicais na sala de estar, entrevistas informativas, sabedoria indígena e apelos à ação. Além de Jane Fonda, Carlos Santana, Morgan Freeman e Peter Gabriel, o evento terá participação dos cientistas Thomas Lovejoy e Carlos Nobre (que têm alertado sobre o ponto a partir do qual a floresta começa a se transformar em savana), Wagner Moura, Maria Gadu,Herbie Hancock, Rocky Dawuni, Butterscotch Clinton, Xiuhtezcatl Martinez, Cary Elwes, Alfre Woodard, Wade Davis e os vencedores do Grammy brasileiro Ivan Lins e Luciana Souza. A lista completa está aqui.

No momento, existem quase 120 mil casos confirmados de COVID-19 e mais de 6 mil mortes confirmadas na Amazônia. À medida que o novo coronavírus continua a se espalhar, os povos indígenas estão cada vez mais em risco e podem enfrentar um etnocídio em potencial. Os povos indígenas Achuar no Equador registraram uma dúzia de casos, os Shipibo do Peru registraram 58 mortes e no Brasil houve 147 mortes e 1350 casos. Devido à falta de recursos de saúde em toda a região, os casos provavelmente são subnotificados e as atividades ilegais de desmatamento e extração em terras indígenas aumentam ainda mais o risco de exposição. Em abril, centenas de organizações em todo o mundo assinaram uma moratória contra incursões na Amazônia e pediram o fim de todas as atividades destrutivas que degradem e desmatam ainda mais a Amazônia. Os povos indígenas são os melhores administradores e protetores da floresta amazônica e, portanto, sua proteção é vital para a saúde de nosso planeta. “Não podemos esperar mais pelo nosso governo … estamos em perigo de extinção”, disse Jose Gregorio Diaz Mirabel, coordenador geral da COICA (Coordenador de Organizações Indígenas da Bacia do Rio Amazonas) e membro do povo Wakeunai Kurripaco da Venezuela.

“Este evento faz parte de uma extraordinária aliança de organizações e indivíduos dedicados a preservar a região com maior biodiversidade do planeta”, comenta Sarah duPont, fundadora da Amazon Aid Foundation e co-diretora da River of Gold. “A mineração ilegal e não regulamentada de ouro é uma das formas mais perigosas de desmatamento na Bacia Amazônica e libera mercúrio tóxico no ecossistema. Desde a pandemia, a mineração de ouro explodiu em toda a Amazônia e em territórios indígenas, trazendo consigo violência e a COVID-19. A Amazônia está no ponto de inflexão e os protetores da Amazônia estão ameaçados. O que acontece na Amazônia afeta a todos nós.”

Leila Salazar-López, diretora executiva da Amazon Watch, acrescentou: “A Amazônia e seus povos estão em estado de emergência devido às mudanças climáticas e à pandemia do COVID-19. É um crime contra a natureza e um crime contra a humanidade. É hora de todos se unirem e agirem em defesa da floresta e em solidariedade com os povos indígenas e tradicionais da Amazônia, que estão protegendo essa grande floresta tropical e nosso clima para toda a humanidade. e vida na Terra. “

Sobre o Fundo de Emergência da Amazônia: O Fundo de Emergência da Amazônia é uma colaboração recém-formada que trabalha em estreita coordenação com a COICA (Órgão Coordenador de Povos Indígenas da Bacia Amazônica) e suas 9 organizações nacionais, além de parceiros e aliados de ONGs na Amazônia e em todo o mundo, para apoiar resposta de emergência à Covid-19. Está hospedada na Rainforest Foundation-US e apoia diretamente subsídios de resposta rápida para prevenção e cuidados urgentes e imediatos; alimentos e suprimentos médicos; comunicações de emergência e evacuação; proteção e segurança para guardiões da floresta; soberania alimentar e resiliência da comunidade.

Sobre Artistas for Amazonía: A Campanha Artists for Amazonía está aproveitando o poder de influenciadores criativos e de entretenimento para catalisar ações globais em resposta à crise na floresta amazônica e às ameaças aos defensores da terra indígena. Juntos, defendemos a proteção permanente da Amazon.

Sobre a Amazon Aid Foundation: A Amazon Aid Foundation (AAF) é uma organização sem fins lucrativos que utiliza o poder da multimídia para educar sobre a importância da Amazônia e as implicações de sua destruição. Os projetos premiados da AAF afetam a mudança de política global e ativam o público em todo o mundo a se envolver em abordagens sustentáveis ​​para proteger a Amazônia e exigir produtos de origem responsável. A AAF apóia e promove os esforços de advocacy relacionados aos direitos humanos e indígenas, água potável, proteção de espécies e habitat e a regulamentação da mineração de ouro ilícita e não regulamentada e do uso de mercúrio.

Para outras informações:

Elena Teare – elena@amazonwatch.org ou +1.925.385.8757

Jessie Nagel – jessie@hypeworld.com ou +1.213.324.8363