Com o “passa boiada” de Salles e Bolsonaro, Brasil é líder mundial de desmatamento

Em 2019, o mundo perdeu um campo de futebol da floresta tropical a cada 6 segundos.

desmatamento

As recentes repercussões negativas das declarações do ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, no sentido de que se aproveitasse a pandemia da COVID-19 para que “se passasse a boiada” na legislação ambiental brasileira certamente vão ganhar impulso com a divulgação dos dados anuais de desmatamento no mundo pelo “Global Forest Watch”.

Ricardo Salles aproveita pandemia e “passa boiada” no Projeto ...A política “passa a boiada” de Ricardo Salles colocou o Brasil no topo do desmatamento mundial em 2019. Em 2020 poderá ser ainda pior.

É que, dentre tantas comprovações científicas, há o fato de que o Brasil se tornou o líder mundial na perda de florestas tropicais, representando sozinho um terço de todo o desmatamento ocorrido no mundo em 2019, com o incrível total de 1 milhão e 361 mil hectares de remoção de vegetação nativa (ver gráfico abaixo).

GFW

Os dados sobre desmatamento em reservas indígenas também deverão causar grande alarme mundial, na medida em que apenas no estado do Pará, as análises espaciais feitas pelo Global Forest Watch mostram que  novos pontos de perda preocupantes em terras indígenas (TIs), sendo que apenas na TI Trincheira / Bacajá,  houve um forte crescimento do desmatamento como resultado da apropriação ilegal de terras , enquanto que  a mineração ilegal ameaça florestas em  outras TIs como as de Munduruku e Kayapó (ver figura abaixo).GFW 2

Outro aspecto é que a evolução temporal do desmatamento em áreas consideradas como “estabilizadas” em termos de titulação da propriedade da terra aponta para a remoção total da vegetação primária, o que acabará forçando o avanço para áreas ainda intocadas de floresta, na medida em que os solos amazônicos são majoritariamente de baixa fertilidade e se tornam impróprias mesmo para o plantio de plantagens após algumas décadas (ver exemplo abaixo da evolução do desmatamento em Alto Paraíso, Rondônia).

O relatório do Global Forest Watch também aponta para algo que se tornará, inevitavelmente, um calcanhar de Aquiles para o agronegócio brasileiro que é justamente a postura “passa boiada” do governo Bolsonaro que foi tão enfaticamente defendida por Ricardo Salles na reunião ministerial de 22 de abril. É que está obviamente claro que o governo Bolsonaro não possui outra intenção que não seja avançar a franja de desmatamento para regiões ainda intocadas da Amazônia brasileira.

E certamente a pressão para boicotes contra as commodities brasileiras irá aumentar sensivelmente quando as primeiras grandes queimadas de 2020 começarem a levantar montanhas de fumaça. A essas alturas do campeonato, uma nova estação de queimadas intensas é mais do que uma certeza, e Ricardo Salles não terá como esconder tanto fogo e fumaça.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s