Com olho em vaga no Senado Federal, André Ceciliano (PT) acende uma vela para Deus e outra para o diabo

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De olho no Senado Federal, o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), acenda velas para Deus e o diabo. Ingênuos serão os servidores públicos estaduais se caírem nas promessas dele.

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, André Ceciliano (PT), vem realizando uma série de ações aparentemente contraditórias na condução em regime de urgência da adesão do estado do Rio de Janeiro a uma nova rodada do famigerado “Regime de Recuperação Fiscal” (RRF). É que, por um lado, Ceciliano acertou com o governador acidental Cláudio Castro (PSC) a passagem em ritmo “The Flash” na série de projetos e emendas constitucionais cujo resultado imediato é cassar uma série de direitos dos servidores públicos estaduais.  Já, por outro lado, o político, cujas bases estão firmemente na Baixada Fluminense, promete que não irá aprovar nada que prejudique os direitos dos servidores públicos.

Esse exercício de “acender uma vela para Deus e outra para o diabo” simplesmente não tem como dar certo, pois, se a adesão ao RRF se der na forma determinada pelo Ministério da Fazenda, a coisa que vai acontecer, além do aumento da dívida pública estadual, é justamente o desaparecimento de direitos que têm mantido os vencimentos dos servidores estaduais com um mínima de proteção, pois reposição inflacionária que é bom não acontece há vários anos.

Mas se acender velas para entidades incompatíveis é um exercício fútil, o que espera ganhar André Ceciliano? Pelo que informa o site informativo “Diário do Rio“, o que Ceciliano mira mesmo é uma vaga no Senado Federal, em uma costura política que envolve forças que aparentemente (notem que eu disse aparentemente) são irreconciliáveis, alcançado até Flávio Bolsonaro e o próprio governador acidental Cláudio Castro.

Como a trajetória do PT do Rio de Janeiro é marcada por esse tipo de aliança amplíssima, os servidores públicos estaduais fariam melhor se não caíssem na conversa fácil de André Ceciliano e investissem forte na sua mobilização política, tanto contra a adesão ao RRF quanto a aprovação da chamada “Reforma Administrativa”.  É que ficar na dependência da boa vontade de Ceciliano seria, ao que tudo indica, uma espécie de morte anunciada. Por isso é tão importante apoiar as ações  que o Fórum Permanente de Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (FOSPERJ) está programando para pressionar os deputados estaduais na próxima semana (ver cartaz abaixo).

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Os fundos abutres serão os únicos a ganhar se Alerj aumentar contribuição previdenciária dos servidores

Ainda não está oficialmente em pauta, mas já se sabe que o presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano (PT), deverá colocar em votação já na próxima 4ª. feira (24/05), o projeto de lei de autoria do (des) governador Luiz Fernando Pezão que aumenta a contribuição previdenciária dos servidores estaduais de 11% para 14%. A coisa é tão melindrosa que a votação estava programada para ocorrer praticamente em segredo, na mesma maneira em que se votou a privatização da CEDAE. Felizmente para os servidores, apesar do tempo exíguo para se mobilizarem, a informação foi vazada e agora nuvens carregadas já se movimentam para a Alerj que se encontra sob forte escolta da chamada Força Nacional.

A votação desse aumento é escandalosa sobre vários aspectos. Primeiro porque mais de 200 mil servidores ainda não viram a cor dos salários, e Pezão ainda deve o 13º. salário de 2016 para todo o funcionalismo estadual. Assim, ao colocar em votação esse projeto que é apenas o início do arrocho pretendido por Pezão, a Alerj está quebrando o compromisso de apenas votar medidas que onerassem os servidores após o pagamento de todos os salários atrasados.

Mas o segundo e importante fato que salta aos olhos (ou deveria fazer saltar) é que esse aumento ocorre após a Câmara de Deputados ter retirado esse mecanismo da chamada Lei de Recuperação Fiscal enviada pelo ainda presidente “de facto” Michel Temer que assinou o projeto sem se importar com a ausência do aumento da taxação. Em outras palavras, a base governista na Alerj quer ser mais realista do que o (ainda) rei.

Entretanto, o terceiro e mais crucial aspecto desse aumento é que o mesmo só servirá para aumentar o fluxo de dinheiro que já não é pequeno para os chamados “fundos abutres” que controlam os papéis podres do chamado “Rio Oil Finance Trust” que foi criado no paraíso fiscal de Delaware por decisão da troika formada por Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Gustavo Barbosa (então diretor-presidente do RioPrevidência e atualmente (des) secretário estadual de Fazenda (Aqui!, Aqui!, Aqui! Aqui!). A verdade é que antes de votar qualquer aumento de contribuição, o que a Alerj deveria ter aberto uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o destino que foi dado aos mais de US$ 3 bilhões que a operação rendeu aos cofres estaduais.

Aliás, não é só a Alerj que deve explicações no caso da operação Delaware, mas também o Ministério Público que já deveria ter uma inquérito civil público aberto para apurar essa operação para lá de esquisita e, até onde eu saiba, nunca mexeu uma palha para realizar as devidas apurações sobre os responsáveis desse caso escabroso.

E que nenhum servidor se deixe enganar.  Esse aumento de mais de 27% na contribuição previdenciária não só não vai resolver a crise do RioPrevidência, como também é apenas o primeiro passo de uma verdadeira onda de medidas de arrocho que o cambaleante (des) governo Pezão pretende aplicar nos servidores, sabe-se lá em nome de quais interesses (mas provavelmente diretamente ligados aos especuladores internacionais que hoje efetivamente controlam parte da receita financeira do Rio de Janeiro.

Por essas e outras é que quem puder estar na Alerj na próxima 4ª. feira tem que estar. É que deixar um problema desse tamanho nas mãos da minoritária bancada de oposição vai custar caro, mas muito caro, a bolsos que já andavam mais cheios de contas para pagar do que de dinheiro.

Finalmente, não como deixar de mencionar o papel lamentável que está sendo cumprido pelo deputado André Ceciliano (o mais piccianista dos deputados do PT fluminense) que corre o risco de entrar para a história como aquele que colocou definitivamente uma faca no coração de servidor público estadual fluminense. Mas como fatos recentes mostram, não há como se juntar ao golpe e depois escapar ileso. E é bom André Ceciliano lembrar bem disso, pois os servidores não esquecerão.