Outra curiosa prisão de Anthony Garotinho, agora na companhia de Rosinha

Que me perdoem os que estão soltando rojões pela cidade de Campos dos Goytacazes em função das prisões dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, num suposto desdobramento da Operação Chequinho [1]. É que novamente existem algumas curiosidades que não posso deixar de mencionar.

rosinha garotinho

Primeiro, o juiz que determinou atua na Comarca de Campos Goytacazes, mas ordenou que os ex-governador fossem levados para o mesmo presídio onde está o numeroso grupo de desafetos liderados por Sérgio Cabral.  Para quem não se recorda, na outra prisão determinada pelo mesmo juiz, o destino dado a Anthony Garotinho tinha sido uma unidade prisional em Bangu.  

A segunda curiosidade é de que um dos delatores é um empresário local que ainda possuiria contratos na atual gestão do jovem prefeito Rafael Diniz.  Ainda que não haja nada de ilegal nessa situação, a mesma não deixa de ser curiosa.  Mas muito curiosa, mesmo.

Como o casal de governadores já demonstrou possuir uma boa assessoria jurídica nos embates anteriores, vamos esperar pelo desenrolar dos acontecimentos. Particularmente fico com a sensação de que estamos diante daquilo que chamei hoje mesmo de “cortina de fumaça” destinada a nos impedir de ver a realidade que nos cerca como um todo. Adicionando-se a isso há o fato de que Anthony Garotinho é uma espécie de bode expiatório preferencial para ser usado em situações em que o grupo que domina a política fluminense é pego em situações melindrosas, como foi o caso do retorno do trio de mandarins da Alerj para a mesma prisão para onde Anthony e Rosinha foram enviados hoje.

Enquanto isso, a cidade de Campos dos Goytacazes continua com seu cotidiano de assaltos, degradação de serviços públicos essenciais e flagrante abandono da sua população mais pobre.  E o jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais se fingindo de mortos e aliviados com a distração fornecida pela prisão de Anthony e Rosinha Garotinho.

 


[1] https://exame.abril.com.br/brasil/anthony-e-rosinha-garotinho-sao-presos-pela-pf-no-rio/

E o troféu de vencedor vai para…. Anthony Garotinho!

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Analisando friamente os dois últimos dias em Campos dos Goytacazes, não hesito em afirmar que Anthony Garotinho já conseguiu o seu intento de desestabilizar seu incontáveis adversários e retomar a primazia do debate político.

Para isso contou com a ajuda insubstituível do jovem prefeito Rafael Diniz e seu trupe de menudos neoliberais que se esforçam para entregar uma pauta incontável de tópicos com os quais Anthony Garotinho pode usar a sua verve para desmoralizar quem prometeu mudança e até agora só entregou uma mal disfarçada guerra aos pobres.

Apesar de nem tudo serem flores para Anthony Garotinho,  há que se reconhecer que ele é um “fast learner”, ou seja, consegue aprender com uma velocidade muito acima da média.  

Além de ser um indivíduo que aprende fácil, Anthony Garotinho ainda conta com o inevitável e genuíno descontentamento que borbulha nas imensas camadas pobres da população que votou em Rafael Diniz e hoje se vê como o único alvo de uma guerra seletiva ao déficit financeiro que assombra os cofres do município. Aliás, o maior problema para Garotinho será superar a falta de estruturas comunitárias que agilizem a organização da revolta que é real e sobre a qual ele não possui nenhum controle.

Enquanto isso, ao governo municipal resta a dura tarefa de entender que a primazia do controle político do município que foi dada praticamente de mãos beijadas para Anthony Garotinho não será retomada apenas com a colocação de imagens em caixões ou com a manifestação favorável da mídia corporativa. Se conseguirem fazer isso, talvez Rafael Diniz e seus menudos neoliberais ainda peçam ajuda aos universitários (ou melhor universidades) para que se formulem políticas estratégicas para preparar o município de Campos dos Goytacazes para o futuro pós-royalties que se avizinha rapidamente.

Charge publicada no dia de hoje (07/10) pelo jornal Folha da Manhã reproduzindo suposto diálogo ocorrido na frente do Centro Adminsitrativo José Alves de Azevedo.

Do contrário, o caixão com as fotografias de Anthony e Rosinha Garotinho será apenas uma espécie de auto premonição para uma administração municipal que semeou ventos e colheu tempestades.

garotinho caixao

E de adiantará as fotos “ops” na entrega de veículos assegurados por emenda parlamentar de  um deputado federal  condenado em última instância pelo Supremo Tribunal Federal justamente pelo suposto envolvimento no superfaturamento de  ambulâncias [1]! 

Por último, volto a citar a minha impaciência com os partidos políticos que se dizem de esquerda. Ao ficarem paralisados frente ao embate que está ocorrendo, estas agremiações nada fazem para que se possa superar a dicotomia em curso. E, pior, deixam abandonado o trabalho de defender os pobres da guerra promovida contra eles pelo governo Rafael Diniz. Depois não adianta reclamar dos métodos de ação de Anthony Garotinho. É que pelo menos ele age.


[1] http://www.jornalterceiravia.com.br/2017/05/02/paulo-feijo-e-condenado-a-12-anos-por-envolvimento-na-mafia-das-sanguessugas/

Campos dos Goytacazes no ritmo de “Atômica”?

campos

Há umas semanas atrás estive num cinema local para assistir ao filme de ação/espionagem “Atômica” cujo personagem central interpretado pela atriz sul africana Charlize Theron que ao final da trama se revela uma agente tripla num jogo mortal envolvendo a extinta União Soviética, o Reino Unido e os EUA.

Pois bem, observando o andamento da cena política de Campos dos Goytacazes parece que alguns articulistas locais atribuem o mesmo papel de “Jack-of-all-trades” da personagem de Charlize Theron ao ex-governador Anthony Garotinho. Uma hora é anunciada a sua morte política para minutos depois ser disseminada a ideia de que Garotinho está por detrás de todas as movimentações anti-governo Rafael Diniz.  Da forma que a coisa está sendo apresentada cabe a Garotinho decidir se teremos paz ou guerra na nossa cidade. Esse é um desdobramento que não encaixa no prognóstico de que Garotinho se tornou um defunto político ambulante.

Por outro lado, vamos assumir que o grupo de Anthony Garotinho está organizando protestos contra a extinção de políticas sociais promovida pelo jovem prefeito Rafael Diniz em nome de um suposto esforço de controle do déficit fiscal municipal. Não estaria este grupo dentro do seu direito democrático de agir e organizar a oposição política? Por que raios agora, depois de passarem oito anos sob ataque cerrado, os partidários de Garotinho deveriam se calar, agora que ocupam o papel de oposição?

Não me lembro de ter visto os apoiadores do atual prefeito distribuindo rosas vermelhas durante as sessões em que o então vereador Rafael Diniz usava de sua verve para fustigar o médico Edson Batista por exercer um estilo de presidência que tornava a Câmara de Vereadores numa espécie de “puxadinho” da sede do executivo municipal.

Indo ao que é essencial nesse debate, me parece que quando se atribui a Anthony Garotinho o papel de único responsável pela atmosfera belicosa que estamos vivenciando no município, o que está se fazendo é tentar ocultar que há uma forte insatisfação popular que pode eclodir na forma de protestos descontrolados.  Aliás, já apontei para essa possibilidade mais de uma vez, mas a marcha da tesoura que extingue programas sociais não foi cessada, muito pelo contrário.

Conversando com um daqueles observadores argutos da realidade social, ele me contou que em Angra dos Reis houve um corte semelhante nos subsídios dados aos mais pobres para que eles pudessem usar transporte público. Segundo esse interlocutor bastou que se queimasse um ônibus para que a Prefeitura de Angra dos Reis revisse a extinção dos subsídios. A questão aqui é se a população vai se contentar em incinerar apenas um veículo ou se o prefeito Rafael Diniz vai esperar que isso aconteça para rever sua decisão de acabar com a passagem social.

 E que depois não se queira atribuir a Anthony Garotinho a responsabilidade de se oferecer o combustível para o incêndio. Essa responsabilidade, meus amigos, cabe a quem tem nome e CPF e pode atender pelo codinome “semeador de esperanças frustradas”. É que não se alimenta esperanças para depois quebra-las, e ficar impune.

A guerra aos pobres do governo Rafael Diniz gera o risco de uma grave insurreição social em Campos dos Goytacazes

O maior erro que se cometer em política é provar que o seu adversário está certo. Partindo dessa questão básica das disputas entre diferentes correntes que emergem no esforço do controle de governos, não tenho como não observar o papel que o jovem prefeito Rafael Diniz está cumprindo para assegurar que o ex-governador Anthony Garotinho e seu grupo político possam ressurgir das cinzas menos de um ano depois de sofrerem uma acachapante derrota eleitoral.

É que se lembrarmos o que diziam os anúncios da campanha eleitoral do candidato derrotado Chicão Oliveira, o futuro das políticas sociais construídas para mitigar a profunda desigualdade social que existe em Campos dos Goytacazes estaria ameaçado caso o candidato Rafael Diniz fosse eleito. 

E pimba! Primeiro se fechou o restaurante popular, agora se acaba de vez com a passagem social., deixando na fila da guilhotina o “Cheque Cidadão” e o “Morar Feliz”. Esse desmanche se mostra irreversível, mesmo que os anúncios vindos pela boca do jovem prefeito ou de seus menudos neoliberais sejam menos explícitos, tornando o fim inevitável em “ajustes” para melhorar o que está sendo exterminado.

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O problema que, além de garantir a proeminência política de Anthony Garotinho no município de Campos dos Goytacazes, esse extermínio das políticas sociais de mitigação da desigualdade social extrema também está servindo para gestar uma crise sem precedentes na história recente deste rico/pobre município. É que confrontada com uma gravíssima crise econômica, a maioria da nossa população agora se verá diante de um custo insuportável até se precisar ir procurar empregos onde eles ainda existem.

Ao conversar na noite passada com um amigo que mora no entorno da Lagoa do Vigário (aliás, essa pessoa conhece o jovem prefeito desde que este era menino), ele me assegurou que há uma crescente revolta dentro da população mais pobre e que está sendo atingida em cheio pelos cortes (seletivos) que estão sendo operados em nome de um ajuste fiscal tão seletivo quanto o realizado pelo (des) governador Pezão no plano estadual. Como esse meu interlocutor é uma pessoa normalmente calma e sempre bastante lúcida, o vaticínio dele deveria preocupar Rafael Diniz e seus menudos neoliberais.  É que quem gesta a revolta aberta deveria estar preparado para conviver com seus efeitos sob pena de ser arrastado pela corrente. Friso que este meu interlocutor é um trabalhador de carteira assinada e que nunca precisou recorrer a quaisquer uma das políticas sociais ora exterminadas. Em outras palavras, em suas observações ele não se move por sentimentos individualistas, mas apenas exerce sua alta capacidade analítica.

Volto a dizer que tudo indica que falta neste jovem/velho governo aquela espécie do “ministro do vai dar merda” preconizado por Luís Fernando Veríssimo. É que tudo indica que a ausência dessa figura que nos governos de Rosinha Garotinho era ocupado com alto nível de eficiência pelo glacial Suledil Bernardino.  Como ainda não chegamos nem ao final do primeiro ano de governo “da mudança” me parece urgente que alguém ocupe este posto para evitar, inclusive, que tenhamos a ocorrência de algo muito pior do que possibilitar a que Anthony Garotinho reassuma a supremacia política no município.  É que nem mesmo Anthony Garotinho vai conseguir, ainda que queira, impedir que a revolta popular que borbulha discretamente nas regiões mais pobres de Campos dos Goytacazes tome ares de insurreição aberta. A ver!

Agora é que são elas: TSE produz o inevitável habeas corpus e Anthony Garotinho está livre para falar

Apesar de não ser detentor de nenhum tipo de poder premonitivo havia anunciado neste blog que a concessão de um habeas corpus em favor do ex-governador Anthony Garotinho era quase uma inevitabilidade em face das condições singulares em que se deu a decretação de sua prisão pelo juiz Ralph Manhães [1].

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Assim não recebi com qualquer tipo de surpresa a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite passada de não apenas conceder o habeas corpus requerido pela defesa de Anthony Garotinho, mas também de suspender todas as medidas draconianas que tinham sido impostas a ele ao longo do caminho, incluindo a curiosíssima proibição do ex-governador abordar o processo ao qual está respondendo pela suposta malversação de recursos públicos para a captação de votos.

Aliás, surpreendente seria se o TSE decidisse não conceder o habeas corpus, já que o caso se reveste de vários elementos contenciosos onde é colocada em xeque a imparcialidade não apenas do juízo de primeira instância, mas também do plenário do Tribunal Regional Eleitoral.

Agora que Anthony Garotinho poderá voltar aos microfones da Rádio Tupi, provavelmente já na próxima segunda-feira, é bem provável que possamos ouvir por própria voz alguns dos elementos que já constam dos autos, a começar pelo pedido de suspeição de várias autoridades envolvidas no que foi conhecida como “Operação Chequinho”.

Por outro lado, quem mais deve estar se preocupando com essa reviravolta na situação legal de Anthony Garotinho é o jovem prefeito Rafael Diniz, seus menudos neoliberais e os elementos da mídia corporativa que se refastelaram com o silêncio obsequioso imposto a um político que não tem medo do confronto.   Aliás, uma das lições desse caso foi verificar como alguns conseguem bater sem dó em quem não pode se defender. 

No caso particular do jovem prefeito Rafael Diniz e seus jovens neoliberais, me atrevo a dar um pitaco de conselho: trabalhem mais em prol da resolução da grave crise social e econômica que ameaça engolir a cidade que todos nós amamos, e deem menos entrevistas que são lidas apenas por quem, mormente não está sofrendo na carne as consequências dos cortes seletivos que foram feitos nas despesas do município. Essa parece ser uma fórmula bem pueril, mas ainda parece ser a única saída possível para evitar que haja um naufrágio precoce de uma administração que começou cercada de tantas esperanças, e até agora se mostrou um estelionato eleitoral completo.

E lembrem-se: Anthony Garotinho agora não está mais sob silêncio obsequioso. E na arte de se comunicar, ele ainda, apesar de seus problemas legais, ainda é rei sem sucessor à vista na planície onde os índios Goytacazes um dia correram livres.

Em suma: agora é que são elas, pois a caça tenderá a se transformar em caçador. A ver!


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/09/19/anthony-garotinho-e-sua-singular-prisao-domiciliar/

Na caçada a Anthony Garotinho, surge o estranho caso da oferta de suborno envolvendo o advogado Luiz Felipe Klem de Mattos

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Quando a gente pensa que já viu de tudo no que se tornou uma verdadeira caçada ao escalpo do ex-governador Anthony Garotinho, novos fatos aparecem para mostrar que as esquisitices parecem não ter fim. Agora, surge o indiciamento do ex-procurador da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, o  advogado Luiz Felipe Klem de Mattos.  Nesse novo desdobramento, o  Luiz Felipe Klem de Mattos é apontado como o portador de uma oferta não concretizada de suborno ao juiz Glaucenir de Oliveira supostamente para evitar a prisão de Anthony Garotinho.

Como o advogado Luiz Felippe Klem de Mattos ainda não foi encontrado para dar a sua versão dos fatos narrados por dois empresários que seriam amigos do juiz Glaucenir de Oliveira sobre esta tentativa de suborno, resta-nos esperar para que ele apareça para depor.

Agora numa dessas curiosidades que cercam a vida numa cidade do interior, eu posso dizer que conheço razoavelmente bem o ex-procurador da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes porque ele foi meu orientando no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf. E por julgar que o quase 2 anos em que interagimos de forma mais próxima na relação orientador-orientando, posso afirmar que estranhei muito essa notícia de que ele seria o porta-voz de uma oferta de suborno, ainda por cima para um juiz. 

Sem querer me alongar demais, posso adiantar que não vejo no ex-procurador da Câmara de Vereadores, o perfil de alguém que deseje afrontar um juiz com uma oferta de suborno para impedir uma prisão. Uma das razões para isso é que o advogado  Luiz Felippe Klem de Mattos tem aspirações profissionais que seriam abatidas sem apelação caso essa denúncia fosse comprovada. E por ele prezar o seu escritório de advocacia e seus sócios é que acho essa história meio rocambolesca.

Aliás, no último período da duração da nossa relação orientador/orientando, o advogado Luiz Felippe Klem de Mattos estava tão assoberbado com o processo de intervenção na empresa Pátio Norte que me parece meio esquisito que ele ainda arrumasse tempo para se envolver numa empreitada tão esquisita como a que está sendo atribuída a ele.

Por último, há que se mencionar que essa tentativa de suborno atribuída a Anthony Garotinho sequer bate com seu perfil que é de entrar em choque primeiro para depois ver se há espaço para negociar.

Enfim, agora vamos esperar para ver que novidades surgem nesse caso. E como diriam William Shakespeare… “and the plot thickens“.

Anthony Garotinho e sua singular prisão domiciliar

garotinho

Na ausência de fatos novos e que nos levem além do que já está estabelecido, a manuntenção da prisão domiciliar de Anthony Garotinho beira o escândalo. É que fora aqueles muitos brasileiros pobres que continuam presos sem sequer terem sido julgados, o caso do ex-governador do Rio de Janeiro incorpora muito bem como opera a justiça brasileira.

É que, lembremos, Anthony Garotinho está colocado em prisão domiciliar após condenação em primeira instância por um processo ocorrido na esfera eleitoral! Alguém imagina o mesmo acontecendo com políticos cuja culpabilidade está mais do que estabelecida e que, inclusive, continuam nos seus postos de governo? E, pior, quantos casos de decretação de “prisão domiciliar preventiva” sobre caso julgado em primeira instância existem na história jurídica do Brasil?

Como já abordei anteriormente, um “habeas corpus” em favor de Anthony Garotinho será a inevitável a consequência dessa situação. Outra inevitável consequência desse habeas corpus será a grita dos carrascos que hoje celebram o estabelecimento da exceção contra Anthony Garotinho como se justiça fosse. É que todos os que celebram a negativa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de agir no sentido do reestabelecimento do pleno estado de direito sabem que essa situação é insustentável. Numa semelhança esportiva é como aquele jogador que celebra um gol mesmo sabendo que o juiz da partida vai anular por causa de alguma irregularidade cometida, e após ser flagrado praticando um ato irregular corre para a torcida para denunciar a anulação.

Outro risco para os inimigos de Anthony Garotinho é que o local da sua prisão domiciliar se torne um tipo de magneto e atraia para aquela rua toda a multidão de desiludidos e abandonados que estão sendo gerados pelas políticas ultraneoliberais que estão sendo executadas pelo governo do jovem prefeito Rafael Diniz.  Se isso acontecer, o que deveria ser um símbolo do encerramento da carreira política de Anthony Garotinho poderá se tornar o ponto de partida de sua campanha para governador.  

Enquanto isso, nos nossos hospitais e escolas municipais se acumulam as condições para que a multidão de apoiadores cresça exponencialmente na frente da famosa “casinha” da Lapa…

Singelas dicas para o prefeito Rafael Diniz reabrir imediatamente o restaurante popular

Desde que o jovem prefeito Rafael Diniz decidiu fechar o Restaurante Popular Romilton Bárbara em nome de uma economia que considero canhestra [1], venho usando o valor de R$ 250.000,00 para estimar o custo mensal daquela importante unidade de mitigação da fome a que muitos cidadãos campistas estão sentindo neste momento de grave crise econômica. 

Também já apontei minha quase incredulidade que após o fechamento do restaurante popular, o prefeito “da mudança” tenha assinado um contrato de R$ 5.000.000,00 para abastecer a fábrica de propaganda oficial por 12 meses e outro no valor de R$  R$ 4.566.306,74, também por 12 meses, para manter em funcionamento o aeroporto Bartolomeu  Lysandro, perfazendo um gasto total de R$ 9.566.306,74 apenas nestes dois contratos [ 2 e 3

Pois bem, hoje li uma nota publicada pela jornalista Suzy Monteiro sobre um processo que será aberto pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes contra o  ex-governador Anthony Garotinho pelo valor que teria sido distribuído ilegalmente na forma de “cheques Cidadão” no total de R$ 11.000.000,00 (ver reprodução abaixo).

rafael restaurante

Nessa nota é que surge uma informação interessante. É que segundo declaração atribuída ao prefeito “da mudança”, o valor de R$ 11.000.000,00 possibilitaria o funcionamento do restaurante popular por 4 anos (ou 48 meses).  Desta forma, o custo do oferecimento mensal de refeições a pessoas pobres pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes não custaria os aludidos R$ 250.000,00, mas sim R$ 229.166,67!

Aí é que fazendo um pouco mais de contas, agora usando os dois contratos supramencionados que custarão R$ 9.566.306,74 aos cofres municipais, se o prefeito Rafael Diniz tivesse optado por alimentos os mais pobres, este montante permitiria manter o restaurante popular funcionando por 41 meses! Mas como ele optou por pagar por propaganda e por manter um aeroporto que serve a um grupo seleto de munícipes, e, é claro,  por fechar o restaurante popular e deixar um monte de gente  desprovida de pelo menos uma refeição diária.

Desta forma, que se aja para recuperar os tais R$ 11.000.000,00 que teriam sido desviados para utilizar indevidamente o “Cheque Cidadão”.  Entretanto, que não se coloque o fechamento do restaurante popular nesse balaio, já que foi o prefeito Rafael Diniz que optou por fazer propaganda e manter o aeroporto aberto.  É o famoso cada um, cada qual. simples assim!


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/06/11/redes-sociais-sao-usadas-para-convocar-ato-em-defesa-do-restaurante-popular/

[2] https://blogdopedlowski.com/2017/09/11/governo-rafael-diniz-e-suas-prioridades-tortas-tem-dinheiro-para-propaganda-mas-nao-tem-para-alimentar-os-pobres/

[3] https://blogdopedlowski.com/2017/07/28/rafael-diniz-e-suas-curiosas-prioridades-fecha-se-o-restaurante-popular-para-economizar-enquanto-se-gasta-milhoes-para-manter-aeroporto-aberto/

Com Anthony Garotinho não basta prender, há que se esmagar a imagem e calar a sua voz

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Há quem estranhe o meu estranhamento com as condições em que está se dando a prisão domiciliar do ex-governador Anthony Garotinho. Quem estranha isso é porque não me conhece bem. É que nunca fui de me juntar às turbas que aproveitam de determinados momentos para tentarem linchar quem está caído no chão.  E por achar que é isto que vem acontecendo, não posso me furtar a expressar minha oposição não apenas à prisão domiciliar, mas como também à tentativa de esmagar a imagem pública de Anthony Garotinho. E, pior, de calá-lo.

A questão aqui é preciso que se diga não se refere a apoiar a forma de praticar política que o ex-governador Anthony Garotinho optou por exercer ao longo de sua trajetória.  Mas como não se trata de aderir ou concordar, não vejo qualquer problema em apontar para as três facetas que apontei acima.  E o que preocupa mais é o fato de que se é possível fazer o que está sendo feito contra Anthony Garotinho, não posso deixar de apontar para os efeitos ainda mais deletérios que podem recair contra milhões de brasileiros que não possuem nem a capacidade de articulação política ou os recursos que o ex-governador possui para se defender.  Em outras palavras é pelo menos afortunados que me vejo obrigado recusar a apoiar decisões judiciais peculiares ou me juntar à turba de linchadores travestidos de portadores de opiniões, fatos ou versões dos mesmos.

Por outro lado, me pergunto quais são os objetivos de se tirar Anthony Garotinho de circulação deste momento, impedindo-o de continuar exercendo suas funções profissionais como radialista. Aliás, nem deveria me perguntar. É que no meio do silêncio sepulcral que cerca a atual situação política e econômica do Rio de Janeiro, Garotinho vinha sendo uma voz expressiva na denúncia dos golpes cometidos contra o erário público por membros dos três poderes fosse no âmbito estadual ou nacional, especialmente nos muitos crimes cometidos pelo grupo do ex- (des) governador Sérgio Cabral  Assim, ao impedi-lo de trabalhar e oferecer sua visão acerca da conjuntura em que estamos metidos existe um claro favorecimento dos que têm interesse em que determinados fatos não sejam revelados a uma faixa da população que normalmente não é informada.

Também acho interessante apontar para o inevitável fato de que Anthony Garotinho, em que pesem os anúncios precoces de sua morte política, é a personalidade política mais importante que o município de Campos dos Goytacazes possui. Todos os outros políticos perto dele são expressões menores, a maioria sem qualquer capacidade de fazer frente a ele e sua conhecida capacidade de ação política.  E neste contexto é normal que os eventuais substitutos tentem se aproveitar da fragilidade causada pela decretação da prisão para dar o chamado golpe final.  Já cuidar da cidade que é bom, muito pouco ou quase nada se vê sendo feito.  E pelas ruas se seguem os assaltos, as centenas de pessoas tentando se virar nos sinais, a piora da condição do trânsito, e, sim, o aprofundamento da condição caótica em que estão as unidades municipais de saúde e de educação.

Curiosamente, a combinação dessa situação de inexistência de substitutos à altura e a demonstração objetiva de que a gestão do prefeito Rafael Diniz beira o caos são uma demonstração inequívoca de que Anthony Garotinho não será tão facilmente apagado da cena política municipal. E continuará pairando sobre o mundo político campista como um espectro amedrontador por ser inderrotável. Para desespero de seus inimigos e viúvas políticas.