Lançamento de livro sobre pesca artesanal no Norte Fluminense

 

Convidamos para o lançamento da coletânea “Pesca Artesanal no Norte Fluminense: estudos de caso sobre meio ambiente, conflito e resistência de um modo de vida” organizada por José Colaço (COC/UFF), que conta com trabalhos realizados por pesquisadores do Neanf/UFF nos últimos anos e um texto inédito do Prof. Aristides A. Soffiati (UFF)

O livro integra a Coleção Conflitos, Direitos e Sociedade do INCT-InEAC/UFF e consolida os primeiros estudos de carácter empírico e etnográfico sobre a pesca artesanal na região após a refundação do Neanf na UFF. A apresentação da obra foi escrita pelo Prof. Fábio Reis Mota (GAP/PPGA/UFF).
 
O lançamento acontecerá no dia 03 de abril, quarta-feira, às 18h, no Auditório do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da UFF em Campos-RJ. Na ocasião será realizada uma Mesa Redonda com a presença dos autores dos capítulos.

Serão emitidos certificados de participação para os presentes no evento e haverá venda de livros no local.

Pedimos, por gentileza, que compartilhem o convite em suas redes.

 

Portos, erosão costeira e os riscos previsíveis da negação do óbvio

O jornal  O DIÁRIO traz na sua edição deste domingo uma matéria que mostra de forma rigorosa os diferentes mecanismos que estão causando processos de erosão costeira entre Atafona e Barra do Furado na região Norte Fluminense (Aqui!).

erosão portos

Um ponto que julgo positivo nesta matéria é que os dois entrevistados, os professores Eduardo Bulhões e Aristides Soffiati, separam com clareza as diferentes causas que estão por detrás da parte das faixas de praias num território razoavelmente pequeno. Enquanto o Pontal de Atafona é alterado pela diminuição da capacidade hídrica do Rio Paraíba do Sul, as localidades entre Barra do Açu e Farol de São Thomé sofrem os efeitos da construção dos portos do Açu e de Barra do Furado.

Saber distinguir as causas é importante porque só assim medidas de mitigação eficientes podem ser desenhadas e implantadas. Além disso, no caso dos efeitos diretos dos diques construídos para proteger as duas estruturas portuárias, ao menos no caso do Porto do Açu já estava previsto que haveria um consequente processo erosivo na localidade de Barra do Açu. Por isso mesmo é importante que estruturas de proteção sejam estabelecidas, visto que as interferências que essas estruturas estão causando são de caráter permanente. 

Por essa matéria trazer contribuições essencialmente técnicas é que considero altamente improdutiva a declaração costumeira da Prumo Logística Global  no sentido de negar qualquer interferência dos seus terminais e quebra-mares na destruição da Praia do Açu. E como essa declaração se baseia em apenas um relatório (o do Prof. Paulo César Rosman do COPPETEC/UFRJ) que não fez qualquer tipo de medida e se baseou numa análise qualitativa de imagens de satélite, essa postura da Prumo Logística fica ainda mais desacreditada.

Eu espero que essa postura da Prumo Logística de negar responsabilidade do Porto do Açu na destruição da Praia do Açu não se repita em relação aos gestores do Porto de Barra do Furado. É que como mostrou a reportagem do O DIÁRIO, esse efeito combinado das duas estruturas portuárias já estão causando uma forte sinergia que com características fortemente destrutivas.  Para piorar essa situação, outras estruturas portuárias estão planejadas para o Norte Fluminense e para o Sul Capixaba (ver mapa abaixo), o que poderá ampliar ainda mais um problema que não pode continuar a ser ignorado pelas autoridades públicas e corporações privadas.

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