A morte por COVID-19 do senador que negava a gravidade da pandemia

bolso arolde

Presidente Jair Bolsonaro e o agora falecido senador Arolde de Oliveira cantaram juntos o hino da infantaria do Exército no dia 19 de novembro de 2019. Foto: Agência Brasil/Fábio Rodrigues

Inicialmente é preciso que se diga que toda e qualquer vida perdida para a infecção causada pelo coronavírus há que ser lamentada. Afinal, todo aquele que morre tem amigos e parentes com laços próximos de convivência que torna a morte um elemento trágico.

Dito isso, há que se mencionar o caso da morte por COVID-19 do senador Arolde de Oliveira (PSD/RJ) que replicou como poucos as teses negacionistas do presidente Jair Bolsonaro (ver abaixo a reprodução de um tweet de Arolde de Oliveira acerca do que ele rotulou de “vírus chinês” e do que seria uma “inutilidade do isolamento” social para evitar a propagação da COVID-19).

wp-1603380698663.jpg

A verdade é que o senador Arolde de Oliveira era uma pessoa educada com um bacharelado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), que esteve presente no meio político por quase 4 décadas, sempre como ocupante de cargos eletivos.  Isso o habilitava a ter uma compreensão mais racional e cientificamente ancorada dos riscos trazidos pela COVID-19.  Mas, claramente por causa dos seus acertos políticos, o senador optou por adotar o mesmo caminho negacionista do presidente Jair Bolsonaro. Isso torna sua morte aos 83 anos uma espécie de opção pessoal pela exposição ao risco extremo.

Assim, por mais lamentável que seja a morte de Arolde de Oliveira, me vem à cabeça a questão sobre todos aqueles que foram por ele influenciados em sua negação da letalidade da COVID-19.  Será que estão todos bem e ilesos ou estão tendo ou já tiveram o mesmo destino do senador? E se não estiverem bem e ilesos, como estarão sendo tratados?