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Por Douglas Barreto da Mata
Depois de um texto meu publicado no site Tribuna NF achei por bem dar algumas informações sobre o setor sucroalcooleiro, compreendido como cadeia econômica primária, o plantio, e o setor secundário de transformação, as usinas. Há setores derivados, mas também no ramo de insumos e bens de capital (máquinas e implementos) ocorreu uma retração severa e perda de valor agregado.
A decadência dessa atividade agroindustrial pode ser explicada por vários motivos, como a redução da produtividade dos solos esgotados por séculos de uso, e queimadas, gestão perdulária e ineficiente, com baixíssimo nível de reinvestimento tecnológico, ao contrário de SP e algumas plantas em GO, e etc., oscilações de preços, e por fim, a interrupção dos subsídios estatais, a enorme teta chamada pró Álcool, no meado para o fim dos anos de 1980.
Alguns argumentos tentam sustentar a relevância desse setor, e dizem que houve uma renovação, que hoje coloca essa cadeia produtiva como uma das maiores empregadores na cidade. Meia verdade. Colocados à luz dos dados, no ano de 2024, por exemplo, o CAGED informa que foram 4.000 desligamentos, quase 100% da atividade agroindustrial canavieira, impactando a empregabilidade local.

Setor sucro-alcooleiro é marcado pela sazonalidade do emprego e pelos baixos salários pagos aos trabalhadores
Emprego e desemprego, é a sazonalidade, natureza desse setor. Por outro lado, qual é o custo desses empregos? Alto. O Estado do Rio de Janeiro renuncia 16% de ICMS com a atividade, já que só recolhem 2% do tributo. Isto é, o Rio gasta milhões que não tem para uma atividade que produz pouco, gera empregos de baixo salário e ainda por cima, semestrais.
Eu me arrisco a dizer, sem pesquisa prévia, que a maioria de trabalhadores no setor têm suas rendas complementadas por programas sociais, sim, justamente as medidas de proteção que os latifundiários odeiam, e dizem ser um convite à vadiagem. Quer dizer, sem o dinheiro do governo, boa parte dos empregados passaria fome na entressafra, ou teria que migrar, como sempre foi costume.
Do lado ambiental, na última safra foi recorrente o uso de queimadas, prática que se tentou abolir por força de lei, mas parece que a lavoura é terra sem lei. O contribuinte paga para ter duas ruas, casas e pulmões entupidos de fuligem e dos produtos químicos que são levantados juntos (o mercúrio, por exemplo).

Fumaça das queimadas dos campos de cana elevam teor de mercúrio atmosférico em Campos dos Goytacazes, segundo estudo da PUC/RJ
É esse setor que anuncia ter mudado, que reivindica ter entrado na modernidade. Não adianta pintar o tigre de branco, e tratar o bicho como gato doméstico, porque ele ainda vai ser tigre.






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