TsuLama da Samarco: atingidos fecham estrada em Barra Longa (MG) para exigir direitos

Municipio Barra Longa-MG, atingido pela lama da barragem de mine

Faltando pouco mais de 3 meses para que os atingidos pelo TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton) completem três anos em que sofrem com o completo descaso das mineradores que causaram o maior acidente ambiental da mineração nos últimos 300 anos em todo o mundo, moradores do município de Barra Longa começaram o dia de hoje em luta por seus direitos.

O interessante que há uns poucos dias assisti a um documentário de uma TV espanhola onde o drama dos atingidos e a inércia das mineradores em reparar os danos causados foram abordados de forma lapidar.

Enquanto isso no Brasil, a mídia corporativa rapidamente retirou o foco de Bento Rodrigues, enquanto o governo de Fernando Pimentel (PT) não vem medindo esforços para que as mineradoras voltem a operar em Mariana, usando basicamente os mesmos sistemas de estocagem de resíduos que resultaram no incidente ambiental que matou 19 pessoas e causou danos imensuráveis aos ecossistemas do Rio Doce, desde a nascente até a sua foz em Regência.

Por isso todo apoio à luta dos atingidos do TsuLama da Samarco (Vale+ BHP Billiton).

Atingidos fecham via em Barra Longa na luta por direitos

Por Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

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Cerca de 40 atingidos pela Samarco em Barra Longa, , organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), estão na entrada da cidade bloqueando a passagem de veículos da Fundação Renova para o acesso a cidade. Desde as 6h30 da manhã os atingidos fecham a via de principal acesso a cidade. A principal reivindicação é a presença do presidente da Fundação Renova, pois, para os atingidos, ele tem o poder de decisão sobre os seguintes pontos:

– Reconhecimento das mulheres como atingidas e pagamento do auxílio financeiro emergencial às mulheres que perderam renda com o rompimento da barragem;

-Reconhecimento de todas as famílias apresentadas na lista de problemas na moradia e reposta rápida a essas famílias;

– Pagamento de aluguel, de acordo com o pago para as demais famílias atingidas, para as famílias que estão em casas em situação de risco;

-Agilidade na compra do terreno para o reassentamento da comunidade de Gesteira;

-Reconhecimento do direito ao reassentamento para todas as famílias apresentadas na lista do reassentamento de Gesteira;

-Antecipação de indenização para todos os atingidos que perderam moradia e que estão na lista do reassentamento;

-Pagamento de tratamento adequado de saúde para as pessoas com exames que indicam contaminação por metais pesados, o que envolve: atendimento em São Paulo ou em Belo Horizonte, deslocamento até o local do atendimento, fornecimento de água mineral para essas famílias, pagamento de medicamentos e de auxílio financeiro emergencial para as respectivas famílias;

– Agilidade na reconstrução das casas do parque de exposição, com apresentação de prazo para as famílias estarem novamente em suas casas;

– Indenização justa às famílias atingidas, com parâmetros acordados coletivamente entre os atingidos.

– Reconhecimento aos garimpeiros por terem perdido a atividade econômica após o rompimento da barragem, com pagamento de auxílio financeiro emergencial e indenização.

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Os atingidos não sairão da via até saírem com uma data e horário com o Presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, e sua diretoria. “Sabemos que o senhor Roberto Waack tem o poder de decisão sobre as direções da Fundação Renova. Exigimos a presença dele aqui em Barra Longa, pois estamos cansados de tanta enrolação desses representantes que vem aqui na cidade e nada resolvem ”, reivindica Simone Silva.

FONTE: https://www.facebook.com/MAB.Brasil/?hc_ref=ARTHH_d7uKr0s1Gr1zTGRdXiBRrL1tMbSNvg7xsmIp_n5_bhk3oyO911aeyfDQSC0F0&fref=nf&__xts__[0]=68.ARCZjd-nBP1bqskKkXnla16H4hOL45qj7aa41d_O6FN7Yhs7-W-h5O4xvMiwkghThQsHpolv0ZjUWo8PtClj4aSf47lonJ4zGSm6X4jQRZxrsuUQ5NlZ5nerPZU3rBaSP9xMYomFB8_A&__tn__=kCH-R

 

Leitor corrige blog e informa sobre o drama do abandono em Rio Doce (MG)

Tsulama mapa

No dia 24 de Abril publiquei uma postagem uma visita que realizei ao município de Barra Longa (MG) onde pude visitar áreas atingidas pelo TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) [Aqui!]. Naquele postagem, cometi um deslize imperdoável para um geógrafo que foi antecipar o início do Rio Doce que efetivamente só se inicia 15 km abaixo no município homônimo. Na verdade, as imagens que mostrei na postagem são do Rio do Carmo que é o que corta o território de Barra Longa.

Pois bem, um leitor do blog gentilmente me cobrou a correção do nome do rio de Barra Longa, e ainda me ofereceu informações importantes sobre os impactos causados no município de Rio Doce pela ocorrência do TsuLama.

Como as informações prestadas ao blog são extremamente importantes, estou compartilhando a mesma. Além disso, como já respondi ao leitor na seção de “comentários”, estou planejando uma nova visita aos rios do Carmo e Doce tão logo o (des) governo Pezão pague os salários que me deve.

Por ora, segue a narrativa que me foi enviada pelo leitor do blog, a quem agradeço pela correção do meu erro, e por fornecer uma descrição tão detalhada do que está acontecendo em Rio Doce.

Mas enquanto a visita a Rio Doce não acontece, compartilho um vídeo que mostra como ficou o Rio Doce logo no seu início após o TsuLama.

Corrija o nome do rio e visite a cidade de Rio Doce para ver de perto o nosso drama

Prezado professor,

Sou mineiro do município de Rio Doce, vizinho à Barra Longa, (cidade onde visitou) e gostaria de fazer algumas considerações.  O rio que passa por Barra Longa não é o rio Doce e sim o rio Do Carmo, portanto as fotografias postadas por você, retratam apenas uma pequena parte do maior crime ambiental já cometido nesse país.

A Mineradora Samarco, não dá ponto sem nó, pois arrumaram a praça da cidade de Barra Longa, as ruas próximas, realizaram pista de caminhada , parquinho,  varrendo a sujeira para onde os olhos dos visitantes (como você) e dos desavisados não alcançam.

Tudo maquiagem …. grosseira, para inglês ver!

Não nos deixemos mais ser ludibriados por uma corja de empresários e políticos que arruínam nosso país …. temos que dar a volta por cima.

Entendo que para divulgar uma matéria dessa e para que passasse maior credibilidade a seus leitores, deveria ter pesquisado um pouco mais, pois teria sido muito útil para nos ajudar a divulgar o que tem sido feito em nossa região, certamente a mais afetada.
Deveria ter descido um pouco mais e apreciado o encontro dos rios Piranga e Do Carmo, já no município de Rio Doce/MG, formando o rio Doce, um visual muito bonito, apesar de toda essa sacanagem com nosso meio ambiente, nossas pequenas cidades, e nosso povo já tão sofrido e esquecido.

Sugiro numa próxima oportunidade, que chegue até Rio Doce (MG) esse sim o município mais brutalmente afetado, e que até o presente momento sofre com os maiores impactos gerados decorrentes desse crime ambiental,  tais como: a poluição;  a inoperância da UH Candonga; o total assoreamento do lago com mais de 10 milhões de toneladas de m³ de rejeitos de minério; o trânsito intenso de máquinas e empresas terceirizadas numa cidade de apensas 2611 habitantes (previsão de Censo 2016 IBGE); a grande circulação de operários, a sujeira, e, mais recentemente, a compra de 03 fazedas produtivas de Rio Doce, para carreamento dos rejeitos que assoream o lago, e que pelo visto que aqui ficará pa ra a posteridade, sem qualquer projeto compensatório para Rio Doce.

Todo esse lixo extraído no município de Mariana, a eles gerou empregos, renda, melhor estrutura da cidade de Mariana, cabendo agora a Rio Doce aceitar os rejeitos sem qualquer compensação até o momento, onde os mais fortes sobrepõem-se aos mais fracos.

Enfim, gostaria de sugerir uma matéria mais condizente com a realidade, pois seria mais uma forma de ajudar a divulgar o que passam centenas de pessoas que aguardam ansiosamente o retorno de suas rotinas a que estavam habituadas, mas subentendendo que isso será impossível de acontecer,  se pelo menos adotem medidas mitigadoras para compensar essas cidadezinhas que tinham como um de seus atrativos, o nosso tão importante rio Doce.

Obrigado!

PF faz nova busca na Samarco atrás de papéis de barragem

SAMARCO

Samarco: a empresa disse que “está colaborando com a diligência policial, assim como vem fazendo desde o início das investigações das causas do acidente com a barragem”

Por Leonardo Augusto, do Estadão Conteúdo especial para AE e Luísa Martins, do Estadão Conteúdo

Belo Horizonte e Brasília – A Polícia Federal suspeita que a Samarco esteja escondendo dados sobre o monitoramento da barragem da empresa de Fundão, que se rompeu em Mariana em 5 de novembro destruindo o distrito de Bento Rodrigues, matando 17 pessoas e deixando dois desaparecidos.

Em busca de mais informações, a corporação cumpriu na quarta-feira, 17, mandado de busca e apreensão na Samarco em Mariana, na unidade de Ubu, localizada em Anchieta (ES), e na residência, em Viçosa (MG), de um engenheiro que prestou serviço para a mineradora.

Ainda ontem, a mineradora entregou ao governo federal um novo plano de recuperação ambiental.

Segundo os delegados Alexandre Leão, chefe da delegacia regional de combate ao crime organizado, e Roger de Lima Moura, chefe do inquérito que investiga o rompimento da barragem, a apuração da queda da represa levantou a possibilidade de a empresa não ter repassado todos os dados que teria, o que pode ser punido com prisão dos responsáveis.

Conforme eles, já foram constatadas divergências nos depoimentos de representantes da empresa, sobretudo em relação ao número de piezômetros (equipamentos usados para verificar o volume de água na barragem) e sobre as informações que esses medidores apontavam.

A PF já concluiu também que os alteamentos da represa, obras realizadas para aumentar a capacidade, vinham sendo realizados em ritmo superior ao recomendado.

Procurada, em nota oficial a Samarco disse que “está colaborando com a diligência policial, assim como vem fazendo desde o início das investigações das causas do acidente com a barragem de Fundão”.

Plano

Apesar de ter sinalizado, em reuniões técnicas, a necessidade de mais tempo para aprofundar o plano de recuperação ambiental para as áreas afetadas pela lama, a Samarco acabou cumprindo o prazo dado e entregou documento ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ontem. A primeira versão do plano havia sido rejeitada pelo órgão, que a considerou “genérica”.

A mineradora, agora, afirma ter entregado algo “robusto”, que “compreende um processo dinâmico, sob permanente revisão e aperfeiçoamento à medida que as ações evoluem”, diz o diretor de Projetos e Ecoeficiência da Samarco, Maury de Souza Júnior. Ele destaca que o documento tem “uma característica adaptativa”.

A nova versão, desenvolvida pela consultoria de engenharia, meio ambiente e emergências ambientais Golder Associates, “contém informações relacionadas aos impactos já identificados e às ações recomendadas para a recuperação ambiental”.

As propostas estão distribuídas entre três trechos, que vão desde a barragem de Fundão até a região costeira. A Samarco cita a reconstituição das margens e calhas de cursos d’água, a dragagem do reservatório de Candonga, plantio inicial de gramíneas e leguminosas, monitoramento da qualidade da água e avaliação dos impactos da lama nas áreas de manguezais, e de reprodução de tartarugas-marinhas.

Nesta quinta-feira, 18, o Ibama iniciará uma vistoria em Barra Longa, uma das áreas mais atingidas pelo desastre de 5 de novembro do ano passado. Na próxima segunda, o órgão pretende verificar o término das principais obras de contenção dos rejeitos remanescentes de Fundão.

 

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/pf-faz-nova-busca-na-samarco-atras-de-papeis-de-barragem